Ao fim de quatro dias de tentativas consegui suspender o plano 200 minutos que tinha acordado com a PT. Esta empresa privada, que na sua origem teve a mão do Criador, esteve todo este tempo com um sistema informático avariado. Seria de esperar que isso fosse possível em qualquer empresa do Estado, nunca numa empresa cotada na Bolsa. Realmente, desde que aderi à Tele 2, gasto uma ninharia de minutos na PT e estava a pagar o plano na totalidade. Este plano tinha sido contratado numa altura em que o sistema informático funcionava na perfeição e quando tinha bastado um telefonema (deles) para aderir com a garantia de que sairia em qualquer altura bastando um novo telefonema. Mas a natureza das coisas mudou, há coisas que entram bem, mas as saídas são muito mais complexas, sobretudo quando os sistemas informáticos não funcionam. Mas por que será que uma empresa desta dimensão tem sistemas tão frágeis? Terá?
Mais uma notícia de hoje em que fica bem demonstrada a incapacidade do Estado e a boa fé e excelência dos Privados.
sexta-feira, novembro 18, 2005
Gente sem dúvidas
A economia estagna. Professores, médicos, enfermeiros e até militares são os grandes responsáveis desta crise. Felizmente, temos um Só Sabe Que Nada Sabe, que vai pôr ordem nisto. Passa 24 horas por dia a meditar sobre o assunto, por isso raramente se vê. Tem uns papagaios para dar as notícias enquanto pensa sem parar. O problema dele é que nem sequer sabe que nada sabe e a tal da Economia depende mais dos nossos empresários (que são do melhor que há...) e muito menos dos funcionários públicos (que são uma corja inqualificável). Por isso, apesar do pensamento, a coisa não funciona. Até porque o pensamento também tem défice. No seu lugar, qualquer tipo medianamente inteligente, ficaria preocupado com o apoio ao Orçamento e à Política Económica por parte de Manuela Ferreira Leite e outros superinteligentes. Daria pelo menos para desconfiar do rumo ou não será verdade que quando os nossos adversários nos apoiam tão entusiasticamente estaremos a ser pouco eficazes?
quinta-feira, novembro 17, 2005
Segurança necessária
Anda sua Exa apressado e depois despista-se nas contas. Anda a precisar de ir ao oftalmologista o senhor Ministro que vê médicos a dobrar. Onde vê 59, afinal só há 30...
Sua Exa até deve saber destas coisas da Saúde e nós também sabemos que as coisas poderiam estar bem melhores. Não é bonito é deixar-se ir pela tentação de se atiçar contra os trabalhadores para dar bom ar para a populaça. E se realmente sabe destas coisas, crie as leis, os mecanismos que tornam a Saúde um negócio apetecível. Seja empreendedor. Aqui bem perto do Hospital que o senhor diz ter mil pessoas a mais, erguem-se hospitais como cogumelos em bosque molhado; diariamente, basta ouvir rádio para ver como nos querem tratar da saúde; toda a banca e seguros a investir alegremente e, como é óbvio, não o fazem para perder dinheiro. Este sector é rentável! Desenvolva as condições para que o seu sector seja competitivo, criativo e gerador de receita e não o ataque, não o destrua, para dar lugar à concorrência. A República precisa de um Serviço Nacional de Saúde de qualidade, competente e prestigiado com gente empenhada em defendê-lo contra as iniciativas do capital privado. Há gente a mais, talvez. Possivelmente, muitos dos que gerem hoje os seus serviços já com a ideia de destruindo-os, desacreditando-os, poderem amanhã instalar-se ao serviço dos privados. Estão, obviamente, a mais. Que fazer? Acabar com a promiscuidade, criar dois sectores concorrenciais e que ganhem os melhores. De outra forma, uns irão ter saúde com os seguros que vão pagar, os outros ficarão à porta por não estarem seguros. Segurança é preciso!
Sua Exa até deve saber destas coisas da Saúde e nós também sabemos que as coisas poderiam estar bem melhores. Não é bonito é deixar-se ir pela tentação de se atiçar contra os trabalhadores para dar bom ar para a populaça. E se realmente sabe destas coisas, crie as leis, os mecanismos que tornam a Saúde um negócio apetecível. Seja empreendedor. Aqui bem perto do Hospital que o senhor diz ter mil pessoas a mais, erguem-se hospitais como cogumelos em bosque molhado; diariamente, basta ouvir rádio para ver como nos querem tratar da saúde; toda a banca e seguros a investir alegremente e, como é óbvio, não o fazem para perder dinheiro. Este sector é rentável! Desenvolva as condições para que o seu sector seja competitivo, criativo e gerador de receita e não o ataque, não o destrua, para dar lugar à concorrência. A República precisa de um Serviço Nacional de Saúde de qualidade, competente e prestigiado com gente empenhada em defendê-lo contra as iniciativas do capital privado. Há gente a mais, talvez. Possivelmente, muitos dos que gerem hoje os seus serviços já com a ideia de destruindo-os, desacreditando-os, poderem amanhã instalar-se ao serviço dos privados. Estão, obviamente, a mais. Que fazer? Acabar com a promiscuidade, criar dois sectores concorrenciais e que ganhem os melhores. De outra forma, uns irão ter saúde com os seguros que vão pagar, os outros ficarão à porta por não estarem seguros. Segurança é preciso!
quarta-feira, novembro 16, 2005
Relatório breve sobre taxas moderadoras
Introdução
Andam a dizer que vão aumentar as taxas moderadoras. Será verdade?
Objectivo:
O senhor Ministro é que sabe qual é.
Métodos:
Ir ao google e escrever: taxas moderadoras correia de campos.
Resultados:
2005-04-12 05:50:55
Governo não vai "mexer" nas taxas moderadoras
O Ministro da Saúde garante que o Governo não vai mexer nas taxas moderadoras. Correia de Campos, em declarações à TSF, disse sem margem para equívocos qual a política do Governo nesta questão.
O desmentido de Correia de Campos surge, depois de ter dado uma entrevista à Rádio Renascença, em que a hipótese de subir as taxas moderadoras nos casos de falsas urgências foi noticiada.
Agora o responsável pela pasta da Saúde vem esclarecer, em declarações à TSF, que a única coisa que referiu foi um exemplo teórico de difícil execução.
«Não há nenhuma intenção de a curto prazo fazer qualquer mudança. É uma ilusão completa pensar-se que as taxas moderadoras podem financiar o sistema de saúde», explicou.
«É um exemplo muito difícil de operacionalizar, só se pode realizar quando os cuidados de saúde primários estiverem em contacto com os hospitais em permanência e quando for possível os hospitais conseguirem marcar por computador no dia seguinte a visita ao centro de saúde», acrescentou.
«É uma especulação completamente infundada, sobre um exemplo teórico, concluir que o Governo está a preparar medidas, não está, ponto final parágrafo», rematou ainda Correia de Campos.
Conclusão:
Cada um que a tire... que eu já tenho dito que a moeda tendo duas faces, não deixa de ser a mesma
Andam a dizer que vão aumentar as taxas moderadoras. Será verdade?
Objectivo:
O senhor Ministro é que sabe qual é.
Métodos:
Ir ao google e escrever: taxas moderadoras correia de campos.
Resultados:
2005-04-12 05:50:55
Governo não vai "mexer" nas taxas moderadoras
O Ministro da Saúde garante que o Governo não vai mexer nas taxas moderadoras. Correia de Campos, em declarações à TSF, disse sem margem para equívocos qual a política do Governo nesta questão.
O desmentido de Correia de Campos surge, depois de ter dado uma entrevista à Rádio Renascença, em que a hipótese de subir as taxas moderadoras nos casos de falsas urgências foi noticiada.
Agora o responsável pela pasta da Saúde vem esclarecer, em declarações à TSF, que a única coisa que referiu foi um exemplo teórico de difícil execução.
«Não há nenhuma intenção de a curto prazo fazer qualquer mudança. É uma ilusão completa pensar-se que as taxas moderadoras podem financiar o sistema de saúde», explicou.
«É um exemplo muito difícil de operacionalizar, só se pode realizar quando os cuidados de saúde primários estiverem em contacto com os hospitais em permanência e quando for possível os hospitais conseguirem marcar por computador no dia seguinte a visita ao centro de saúde», acrescentou.
«É uma especulação completamente infundada, sobre um exemplo teórico, concluir que o Governo está a preparar medidas, não está, ponto final parágrafo», rematou ainda Correia de Campos.
Conclusão:
Cada um que a tire... que eu já tenho dito que a moeda tendo duas faces, não deixa de ser a mesma
A comissão é para não fazer nada (haja lucidez)
A comissão procura fazer uma reforma. Analisa-se o problema e é fácil chegar-se aos diagnósticos. Como somos conhecedores, a terapêutica é relativamente fácil. Basta importar o que já foi testado. É a vantagem de ser português, vir-se do atraso. Basta copiar, a inovação é dispensável nas reformas. Definem-se os critérios de actuação com alguma facilidade. O problema surge depois, quando se vai perguntar às pessoas que dirigem o sistema no terreno se querem mudar de acordo com a esperteza que acabámos, unanimente, por definir. Claro que não! Mudar? Ninguém quer mudar, excepto os bébés que têm a fralda molhada (Mark Twain). Pois é, isto está tudo mal, define-se a mudança, mas ninguém quer mudar. E não vale a pena tentar impôr, que o país é pequeno e andamos todos nos mesmos baptizados e casamentos. Há sempre a possibilidade de chegar onde se decide e dizer-se «vê lá, não me lixes!» (sempre com algum sabor de ameaça velada....).
E assim vamos nós, hoje com 430000 desempregados (7,7%!!) e um Ministro, politicamente correcto, a afirmar-se preocupado. Mas afinal a culpa é da nossa amiga Economia, que não há maneira de despertar... Será que os sucessivos Governos não têm tido Ministérios da Economia e das Finanças? É que dizem estas coisas com um ar tão cândido que até parece. Há quantos anos andamos nós nesta dança PS-PSD? Haja vergonha!!
E assim vamos nós, hoje com 430000 desempregados (7,7%!!) e um Ministro, politicamente correcto, a afirmar-se preocupado. Mas afinal a culpa é da nossa amiga Economia, que não há maneira de despertar... Será que os sucessivos Governos não têm tido Ministérios da Economia e das Finanças? É que dizem estas coisas com um ar tão cândido que até parece. Há quantos anos andamos nós nesta dança PS-PSD? Haja vergonha!!
segunda-feira, novembro 14, 2005
O Pro Cavaco
O candidato Cavaco voltou a afirmar o seu não profissionalismo na entrevista de hoje. Mas enquanto afirma uma coisa, confirma outra. Não dizendo nada de substancial, o homem fala, sem falar. Faz de conta. Faz de conta que é amador, mas, profissionalmente, seguindo um guião bem estabelecido pelo marketing, representa o não profissional e, sobretudo, não se compromete com coisa nenhuma. Populisticamente, faz o discurso anti-político; objectivamente, é o mais político possível e de forma profissional: quem vai à frente na política, deve jogar para o empate da coisa, nada de ataques, jogar para o lado ou passar ao guarda-redes, é a táctica. Assim fez ou outro profissional, o Sócrates, e deu-se bem. Assim, está este a fazer, esperançado no resultado. Comportam-se como raposas escondidas na toca. É preciso tirá-las de lá. Se não as obrigarmos a mostrarem-se, só damos conta delas quando virmos a falta das galinhas na capoeira. Aí já é tarde e neste caso são pelo menos cinco anos de espera.
Começa a ser urgente combater a depressão deste país e esta campanha triste. Alegremo-nos!
Começa a ser urgente combater a depressão deste país e esta campanha triste. Alegremo-nos!
domingo, novembro 13, 2005
Instantes
Sempre me surpreende o aparecimento das nuvens brancas no céu azul intenso, depois dos instantes de nuvens carregadas cinzento escuro na iminência da tempestade. Passa o vento, passa o frio e fica-se num novo gozo de sol tranquilo, na certeza, porém, do regresso da tempestade. Mas apetece prolongar o momento de sol, tranquilamente...
Fico subitamente espantado sempre que acontece olhar aqui em baixo e perceber que afinal é um dia antes. Pois, 14 é só amanhã. Ganhei um dia. :)
Fico subitamente espantado sempre que acontece olhar aqui em baixo e perceber que afinal é um dia antes. Pois, 14 é só amanhã. Ganhei um dia. :)
quarta-feira, novembro 09, 2005
Dúvida
De Agosto até agora, o crude baixou 15%. Ora segundo uns registos que aqui tenho, o gasóleo está actualmente cerca de 26% mais caro do que em Agosto... Estou a ser roubado, não é? E no Estado de direito, já não se prendem os ladrões e querem que nos sacrifiquemos?
-O quê? O Estado não é de direito, mas de direita? Não há direito...
-O quê? O Estado não é de direito, mas de direita? Não há direito...
terça-feira, novembro 08, 2005
Concursos
É possível que escolher objectivamente a qualidade seja uma impossibilidade. Há sempre subjectividade na decisão, o que é qualidade para um, é-o menos para outro. Portanto, o critério de escolha é necessariamente não universal. Parece-me, pois, que este mito da objectividade na selecção de candidatos é apenas isso, um mito. Por mais voltas que dermos, sempre que escolhemos pessoas, são os critérios subjectivos ou emocionais, muito mais importantes que os critérios objectivos e racionais.
Esta fixação dos concursos públicos na objectividade (que tem por trás a noção de justiça) é um risco para os sistemas e para as pessoas envolvidas e nem o recurso a grelhas de características diversas, por mais variados que sejam os critérios a avaliar, resolvem o problema da subjectividade e as inerentes injustiças associadas. Muitas vezes, o problema nem se põe. O que se trata nesses casos é de fazer uma grelha que coloque em primeiro o candidato que se escolheu antecipadamente. É o faz de conta que tantas vezes acontece. Na verdade, o problema só se coloca quando se procura ser objectivo e imparcial. Aí percebe-se que se está a pedir o impossível.
Fazer escolhas em concursos públicos é quase como se fossemos escolher uma mulher para casar com outro. Se gostamos dele, procuramos alguém de quem gostamos, se não gostamos, seleccionaríamos a que achassemos pior. Só que isso seria sempre de acordo com os nossos objectivos e nunca com as necessidades do contemplado. E depois da escolha feita, lavamos as mãos e vamos à nossa vida. Esta ausência de consequências pessoais da escolha que fazemos é que é preocupante para o sistema. Já que a escolha terá sempre critérios de subjectividade a dominá-la, ao mesno que sentíssemos, no futuro, as consequências da escolha. Como quando seleccionamos a mulher com quem vamos viver. A escolha pode não se vir a mostrar a mais acertada, mas na altura em que foi feita, foi a mais honesta possível e o empenhamento na selecção foi total. E, curiosamente, os critérios que usámos foram quase todos subjectivos.
Em resumo, era bem mais honesto e justo que os directores de serviço, simplesmente, escolhessem os seus colaboradores e depois tivessem as consequências das escolhas feitas. Inclusivamente, optando pelo tipo de concurso que melhor achassem conveniente. Se a escolha fosse certa, o serviço produziria, ele continuaria a dirigi-lo. Se as escolhas fossem erradas, sofreria as consequências. O processo ganhava transparência, o sistema público, afinal, usava métodos de selecção usados nos privados, onde ninguém os contesta. E era fácil de implementar isto. Era só garantir o que a lei preconiza, a exigência de os directores o serem em comissão de serviço por 3 anos, com possibilidade de substituição caso não tenham cumprido ou haver outro com melhor programa para o triénio seguinte. Legislam, legislam e não cumprem nada!
Esta fixação dos concursos públicos na objectividade (que tem por trás a noção de justiça) é um risco para os sistemas e para as pessoas envolvidas e nem o recurso a grelhas de características diversas, por mais variados que sejam os critérios a avaliar, resolvem o problema da subjectividade e as inerentes injustiças associadas. Muitas vezes, o problema nem se põe. O que se trata nesses casos é de fazer uma grelha que coloque em primeiro o candidato que se escolheu antecipadamente. É o faz de conta que tantas vezes acontece. Na verdade, o problema só se coloca quando se procura ser objectivo e imparcial. Aí percebe-se que se está a pedir o impossível.
Fazer escolhas em concursos públicos é quase como se fossemos escolher uma mulher para casar com outro. Se gostamos dele, procuramos alguém de quem gostamos, se não gostamos, seleccionaríamos a que achassemos pior. Só que isso seria sempre de acordo com os nossos objectivos e nunca com as necessidades do contemplado. E depois da escolha feita, lavamos as mãos e vamos à nossa vida. Esta ausência de consequências pessoais da escolha que fazemos é que é preocupante para o sistema. Já que a escolha terá sempre critérios de subjectividade a dominá-la, ao mesno que sentíssemos, no futuro, as consequências da escolha. Como quando seleccionamos a mulher com quem vamos viver. A escolha pode não se vir a mostrar a mais acertada, mas na altura em que foi feita, foi a mais honesta possível e o empenhamento na selecção foi total. E, curiosamente, os critérios que usámos foram quase todos subjectivos.
Em resumo, era bem mais honesto e justo que os directores de serviço, simplesmente, escolhessem os seus colaboradores e depois tivessem as consequências das escolhas feitas. Inclusivamente, optando pelo tipo de concurso que melhor achassem conveniente. Se a escolha fosse certa, o serviço produziria, ele continuaria a dirigi-lo. Se as escolhas fossem erradas, sofreria as consequências. O processo ganhava transparência, o sistema público, afinal, usava métodos de selecção usados nos privados, onde ninguém os contesta. E era fácil de implementar isto. Era só garantir o que a lei preconiza, a exigência de os directores o serem em comissão de serviço por 3 anos, com possibilidade de substituição caso não tenham cumprido ou haver outro com melhor programa para o triénio seguinte. Legislam, legislam e não cumprem nada!
segunda-feira, novembro 07, 2005
Que bestas!
Há agitação em França? É o resultado do estar social europeu. Nestas coisas o JPP é genial e transparente. Há agitação em New Orleans? A culpa foi dos tipos de esquerda da Europa, que aproveitam todas para se atirar ao Bush.
Adoráveis estes nossos comentaristas políticos, professor Marcelo incluído! A objectividade sempre como espuma que esvoaça no discurso.
Abençoado liberalismo que terminará com todos os males do mundo. Afinal, foram as preocupações sociais que marginalizaram das cidades estes tipos, que os desempregaram, que lhes tiram a esperança. O liberalismo tudo lhes tem dado, só que eles são uns ingratos, uma escumalha, uns burros que nada entendem. Umas bestas! Que cada um identifique as bestas deste processo.
Adoráveis estes nossos comentaristas políticos, professor Marcelo incluído! A objectividade sempre como espuma que esvoaça no discurso.
Abençoado liberalismo que terminará com todos os males do mundo. Afinal, foram as preocupações sociais que marginalizaram das cidades estes tipos, que os desempregaram, que lhes tiram a esperança. O liberalismo tudo lhes tem dado, só que eles são uns ingratos, uma escumalha, uns burros que nada entendem. Umas bestas! Que cada um identifique as bestas deste processo.
domingo, novembro 06, 2005
Pelos últimos dias
Finalmente a pausa para reflectir ao fim de três dias de entorpecimento executivo.
A obesidade foi o tema de três dias de trabalho de manhã até à noite, que agora quase começa às 5 da tarde. Mais do que a chuva, isto chateia-me no Inverno, os dias curtos.
Durante 3 dias pretendi que algumas pessoas reflectissem sobre a obesidade. Fiz-lhes um programa, que teve mais de metade do tempo para pensar sobre o problema e uns intervalos vespertinos para publicidade que garantisse o tempo das manhãs.
Ainda não percebi a razão por que as reuniões marcadas para as 9 horas têm sempre de começar depois das 9 e meia. Logo isso começa a chatear-me. Mas enfim. Pior que isso é a incapacidade de reflexão. Há qualquer coisa que bloqueia as ideias, que não deixa ir além do óbvio. É claramente, óbvio, que a obesidade está a ter um crescimento absurdo neste mundo globalizado e que esta crise surgiu no últimos 15 anos. Logo, a genética está inocente nesta epidemia. É o ambiente, estúpidos! É, igualmente, óbvio que é a alimentação e o sedentarismo que leva ao problema. Vai daí, a receita até é fácil: melhor comida (menos energia ingerida), mais exercício (mais energia consumida) e toda a gente com obesidade começaria a emagrecer. Só que os gajos são estúpidos e não se portam bem. Deve ser só para chatear os médicos! Os obesos e os pais dos obesos, que esses são outros monstros que passam o tempo a atafulhar os seus filhos de açúcar e batatas fritas. Cambada de preguiçosos e pais negligentes que só lhes dão comida junk. Portanto, para maioria destes crânios, vamos continuar a fazer recomendações, a educar as pessoas (Oh, como gostam de educar a populaça!), a dizerem-lhes para irem cozinhar e fazer corridinhas (de preferência com ténis de marca ou no Ginásio da moda lá da zona). Ok, só que as pessoa há mais de 15 anos, só porque são estúpidos até à última potência, não fazem nada disso e continuam a engordar que nem porcos.
Quando se tenta ir à causa das causas da obesidade, a coisa fica turva. Para mim e até me provarem o contrário, a coisa passa-se assim: 1) é preciso dar cabo daquela sensação chata que nos pede para comermos, aquilo que todos mais ou menos conhecemos; 2)até sabemos que uma pera, seria melhor que uma merendinha lá no bar, mas não há pêras no bar e até não houve tempo ontem para ir comprar fruta ( a mercearia do bairro tem-na mais cara que no supermercado e este foi morar para longe), logo comemos aquilo que há; 3)depois uns franceses e uns americanos, fizeram umas contas e mostraram com toda a clareza que os açúcarados e as gorduras são bem mais baratos que as frutas e os bens da horta, logo, para resolver o problema da tal sensação, o mais sensato em termos de racionalidade económica é mesmo comer aquilo que se não devia comer; 4) isto é o que faz quem conta os euros, os outros até têm empregada para ir ao supermercado comprar o que devem. São os que engordam menos, claro, que isto da obesidade também é privilégio dos mais pobres; 5) são os mesmos que andam diariamente sentados nos carros em filas pelas ICs 19 e que tais ou de pé nos transportes públicos e perdem nisso todos os dias umas 3 horas e depois não têm o tal tempo para ir fazer jogging... (e fazem bem, porque lá nos sítios onde vivem, ainda lhes tiravam as sapatilhas e tinham de ir descalços o resto do precurso até casa); 6)é que os gajos até nem são estúpidos, não têm é dinheiro!
O exercício dirigido à inteligência de todos os crânios que meditam é mais ou menos este: Por que terão eles que morar nas periferias? Por que não têm maiores salários que lhes permitissem escolher melhores alimentos? Por que só têm 1 hora por dia para estarem na cozinha? Ou de outra forma, por que será que o crescimento da Dona Economia, não lhes melhora as condiçõe sde vida? Pois, enquanto o fosso continuar a aumentar, a epidemia aumenta e o vírus que a causa (o capitalismo, neo-liberalismo) prolifera. E vai afirmando que a culpa é das pessoas, elas podem escolher (ouvi isto duas vezes neste Congresso!!!). Não podem nada escolher, ou ainda não perceberam que ter as montras da Hermès não aumenta o poder da escolha a ninguém. Essa opção será só para os mesmos de sempre, eles é que poderão escolher e escolhem pelo bom, como os outros também escolheriam se pudessem. Mas não podem! Conseguiu ser surpresa para mim, que até nesta coisa simples da obesidade, a luta de classes afinal ainda continua a existir. De um lado a Indústria alimentar a berrar a liberdade de escolha e a impossibilidade de proibir regulando, do outro os que não beneficiam com a batata frita a berrar pela legislação proibicionista e reguladora. Proibir a publicidade à junk food, a existência de lojas de comida rápida num raio de distância das escolas, as máquinas de vendas de comida em escolas e locais de trabalho, por exemplo. Regular, manipulando preços de comida, taxando a má comida, subsidiando a boa. Mais Estado, obviamente! E até estou optimista, pois, a despesa com a obesidade promete ser tanta que até o Estado vai estar condicionado a intervir. Pode é ter de ser com outros actores, mas mesmo com os actuais, a coisa promete.
Mas sente-se que este combate é desigual. De um lado, uns que não têm capacidade de marketing porque nada ganham com o investimento publicitário, do outro os todo-poderosos para quem os custos dos anúncios são um factor gerador de maior poder. Poderá o Estado perceber o problema e investir limitando a ganância dos poderosos de agora? Aí começará a controlar-se a epidemia, atacando o vírus, matando-o. Mas não há outro caminho.
Foi curioso passar pela SIC a dizer estas coisas. Foi curioso, perceber que aquela imagem cativante dos estúdios que nos mostram em casa, é afinal um espaço escasso, frio, quase um armazém de paredes negras a toda a volta, exceptuando o que está na frente das câmaras. E viver aquele frenesim, aquela falta de tranquilidade. Perceber, finalmente, que de cada vez que falei da casa das causas a pobre jornalista sentia uma necessidade incontida de passar à frente para outro tema. Foi bom sentir-me incómodo.
A obesidade foi o tema de três dias de trabalho de manhã até à noite, que agora quase começa às 5 da tarde. Mais do que a chuva, isto chateia-me no Inverno, os dias curtos.
Durante 3 dias pretendi que algumas pessoas reflectissem sobre a obesidade. Fiz-lhes um programa, que teve mais de metade do tempo para pensar sobre o problema e uns intervalos vespertinos para publicidade que garantisse o tempo das manhãs.
Ainda não percebi a razão por que as reuniões marcadas para as 9 horas têm sempre de começar depois das 9 e meia. Logo isso começa a chatear-me. Mas enfim. Pior que isso é a incapacidade de reflexão. Há qualquer coisa que bloqueia as ideias, que não deixa ir além do óbvio. É claramente, óbvio, que a obesidade está a ter um crescimento absurdo neste mundo globalizado e que esta crise surgiu no últimos 15 anos. Logo, a genética está inocente nesta epidemia. É o ambiente, estúpidos! É, igualmente, óbvio que é a alimentação e o sedentarismo que leva ao problema. Vai daí, a receita até é fácil: melhor comida (menos energia ingerida), mais exercício (mais energia consumida) e toda a gente com obesidade começaria a emagrecer. Só que os gajos são estúpidos e não se portam bem. Deve ser só para chatear os médicos! Os obesos e os pais dos obesos, que esses são outros monstros que passam o tempo a atafulhar os seus filhos de açúcar e batatas fritas. Cambada de preguiçosos e pais negligentes que só lhes dão comida junk. Portanto, para maioria destes crânios, vamos continuar a fazer recomendações, a educar as pessoas (Oh, como gostam de educar a populaça!), a dizerem-lhes para irem cozinhar e fazer corridinhas (de preferência com ténis de marca ou no Ginásio da moda lá da zona). Ok, só que as pessoa há mais de 15 anos, só porque são estúpidos até à última potência, não fazem nada disso e continuam a engordar que nem porcos.
Quando se tenta ir à causa das causas da obesidade, a coisa fica turva. Para mim e até me provarem o contrário, a coisa passa-se assim: 1) é preciso dar cabo daquela sensação chata que nos pede para comermos, aquilo que todos mais ou menos conhecemos; 2)até sabemos que uma pera, seria melhor que uma merendinha lá no bar, mas não há pêras no bar e até não houve tempo ontem para ir comprar fruta ( a mercearia do bairro tem-na mais cara que no supermercado e este foi morar para longe), logo comemos aquilo que há; 3)depois uns franceses e uns americanos, fizeram umas contas e mostraram com toda a clareza que os açúcarados e as gorduras são bem mais baratos que as frutas e os bens da horta, logo, para resolver o problema da tal sensação, o mais sensato em termos de racionalidade económica é mesmo comer aquilo que se não devia comer; 4) isto é o que faz quem conta os euros, os outros até têm empregada para ir ao supermercado comprar o que devem. São os que engordam menos, claro, que isto da obesidade também é privilégio dos mais pobres; 5) são os mesmos que andam diariamente sentados nos carros em filas pelas ICs 19 e que tais ou de pé nos transportes públicos e perdem nisso todos os dias umas 3 horas e depois não têm o tal tempo para ir fazer jogging... (e fazem bem, porque lá nos sítios onde vivem, ainda lhes tiravam as sapatilhas e tinham de ir descalços o resto do precurso até casa); 6)é que os gajos até nem são estúpidos, não têm é dinheiro!
O exercício dirigido à inteligência de todos os crânios que meditam é mais ou menos este: Por que terão eles que morar nas periferias? Por que não têm maiores salários que lhes permitissem escolher melhores alimentos? Por que só têm 1 hora por dia para estarem na cozinha? Ou de outra forma, por que será que o crescimento da Dona Economia, não lhes melhora as condiçõe sde vida? Pois, enquanto o fosso continuar a aumentar, a epidemia aumenta e o vírus que a causa (o capitalismo, neo-liberalismo) prolifera. E vai afirmando que a culpa é das pessoas, elas podem escolher (ouvi isto duas vezes neste Congresso!!!). Não podem nada escolher, ou ainda não perceberam que ter as montras da Hermès não aumenta o poder da escolha a ninguém. Essa opção será só para os mesmos de sempre, eles é que poderão escolher e escolhem pelo bom, como os outros também escolheriam se pudessem. Mas não podem! Conseguiu ser surpresa para mim, que até nesta coisa simples da obesidade, a luta de classes afinal ainda continua a existir. De um lado a Indústria alimentar a berrar a liberdade de escolha e a impossibilidade de proibir regulando, do outro os que não beneficiam com a batata frita a berrar pela legislação proibicionista e reguladora. Proibir a publicidade à junk food, a existência de lojas de comida rápida num raio de distância das escolas, as máquinas de vendas de comida em escolas e locais de trabalho, por exemplo. Regular, manipulando preços de comida, taxando a má comida, subsidiando a boa. Mais Estado, obviamente! E até estou optimista, pois, a despesa com a obesidade promete ser tanta que até o Estado vai estar condicionado a intervir. Pode é ter de ser com outros actores, mas mesmo com os actuais, a coisa promete.
Mas sente-se que este combate é desigual. De um lado, uns que não têm capacidade de marketing porque nada ganham com o investimento publicitário, do outro os todo-poderosos para quem os custos dos anúncios são um factor gerador de maior poder. Poderá o Estado perceber o problema e investir limitando a ganância dos poderosos de agora? Aí começará a controlar-se a epidemia, atacando o vírus, matando-o. Mas não há outro caminho.
Foi curioso passar pela SIC a dizer estas coisas. Foi curioso, perceber que aquela imagem cativante dos estúdios que nos mostram em casa, é afinal um espaço escasso, frio, quase um armazém de paredes negras a toda a volta, exceptuando o que está na frente das câmaras. E viver aquele frenesim, aquela falta de tranquilidade. Perceber, finalmente, que de cada vez que falei da casa das causas a pobre jornalista sentia uma necessidade incontida de passar à frente para outro tema. Foi bom sentir-me incómodo.
terça-feira, novembro 01, 2005
Nem amadores, nem maus profissionais, s.f.f.
Isto tem tudo andado tão sem sabor, que nem apetece escrever. A campanha eleitoral vai andando sendo o facto de maior realce o elogio do amadorismo feito pelo professor. O homem assume-se como não profissional, logo será amador. E faz o elogio dos políticos amadores. A crise vai grande e, finalmente, começa a perceber-se a razão: temos sido governados por amadores. É o que dá! Só que também já chega, agora é necessário alguém que na política, seja político. Mas cuidado, isso não basta. Além de ser profissional deve sê-lo de uma política que interesse, porque do que menos precisamos será de um político profisional ao serviço de uma política errada.
Parece que os transportes públicos aumentaram hoje 4%. Nós os que andamos de carro, teremos de concordar que esta foi mais uma medida popular (foi para o povo, né?), do senhor engenheiro. Este parece ser profissional, a política é que é a errada.
Parece que os transportes públicos aumentaram hoje 4%. Nós os que andamos de carro, teremos de concordar que esta foi mais uma medida popular (foi para o povo, né?), do senhor engenheiro. Este parece ser profissional, a política é que é a errada.
terça-feira, outubro 25, 2005
Falam, falam e têm poucas dúvidas
Sedutor é o discurso do poder, ainda que infundamentado ou irreflectido. Em certas ocasiões, gera-se, nem se sabe lá muito bem a razão, um consenso que desperta os ouvidos mais para a correcção do discurso que para o seu conteúdo. Quem discursa assemelha-se aos jogadores de xadrez que se entusiasmam com a sua combinação de lances, certamente interessantes, mas que não abrangem todas as respostas possíveis. O resultado é a derota surpreendente numa altura em que estava armado um jogo lindo. Se não fosse aquela resposta!
A diabetes é aquela doença de que padecem cada vez mais doentes. Uns estudos mostraram que o bom controlo da doença (ter o açúcar no sangue em níveis mais perto do normal) melhora as complicações ou chega mesmo a evitá-las. Daí a busca do controlo perdido, uma odisseia em que se empenham médicos e doentes, para que os vendedores de drogas gozem o filme. Nessa busca de níveis baixos, muitas vezes, exagera-se e o doente tem hipoglicemias. Isso pode fazer com que, se for a conduzir, por exemplo, perdndo os sentidos, tenha um acidente que o maltrate a ele e a quem com ele se cruze naquele instante. Daí a ideia de limitar a capacidade de conduzir a estes doentes. Um curioso parecer, encostado a um discurso do poder, proclama que pode guiar quem tiver um bom controlo da doença. À primeira vista, parece correcto. Bom controlo, melhor! Pois é, mas não, bom controlo é maior risco daquilo que poderá impedir um diabético de conduzir, é maior risco de hipoglicemia. Mais curiosa ainda a proposta de que o atestar do bom controlo tenha de ser feito por um especialista. Na verdade bom controlo com vista à prevenção do risco é não ter hipoglicemias, sobretudos, as que se não sentem. Um segredo que só os próprios doentes poderão identificar. Ou seja só eles poderão atestar se andam ou não bem controlados. E já agora, será que os diabéticos têm risco acrescido de acidentes? Alguém expedito responde com um, claro que sim! Há sempre pessoas que raramente têm dúvidas...
A diabetes é aquela doença de que padecem cada vez mais doentes. Uns estudos mostraram que o bom controlo da doença (ter o açúcar no sangue em níveis mais perto do normal) melhora as complicações ou chega mesmo a evitá-las. Daí a busca do controlo perdido, uma odisseia em que se empenham médicos e doentes, para que os vendedores de drogas gozem o filme. Nessa busca de níveis baixos, muitas vezes, exagera-se e o doente tem hipoglicemias. Isso pode fazer com que, se for a conduzir, por exemplo, perdndo os sentidos, tenha um acidente que o maltrate a ele e a quem com ele se cruze naquele instante. Daí a ideia de limitar a capacidade de conduzir a estes doentes. Um curioso parecer, encostado a um discurso do poder, proclama que pode guiar quem tiver um bom controlo da doença. À primeira vista, parece correcto. Bom controlo, melhor! Pois é, mas não, bom controlo é maior risco daquilo que poderá impedir um diabético de conduzir, é maior risco de hipoglicemia. Mais curiosa ainda a proposta de que o atestar do bom controlo tenha de ser feito por um especialista. Na verdade bom controlo com vista à prevenção do risco é não ter hipoglicemias, sobretudos, as que se não sentem. Um segredo que só os próprios doentes poderão identificar. Ou seja só eles poderão atestar se andam ou não bem controlados. E já agora, será que os diabéticos têm risco acrescido de acidentes? Alguém expedito responde com um, claro que sim! Há sempre pessoas que raramente têm dúvidas...
segunda-feira, outubro 24, 2005
Uma das grandes diferenças
Fidel contrastó la tranquilidad, la disciplina y la organización mostradas por nuestro pueblo ante el peligro de azote de este peligroso fenómeno, con las escenas de saqueo de tiendas y mercados vistas en Estados Unidos cuando el ciclón Katrina y ahora en Yucatán, México, después de ser duramente castigado por los vientos superiores a los 200 kilómetros por hora del Wilma.
Esa es la gran diferencia entre el sistema capitalista que promueve el consumismo irracional, el egoísmo y la locura, que lleva a la gente a saquear un comercio cuando viene una hecatombe de esta naturaleza, y nuestra sociedad socialista, donde se hace un enorme esfuerzo por la equidad, la solidaridad y la justicia, valores a los cuales jamás renunciaremos, subrayó el Comandante en Jefe.
Não irá faltar quem veja nestas afirmações, reproduzidas do Granma, algum fanatismo e mesmo algum reflexo de senilidade de quem as profere. A esses apetece-me dizer-lhes que reflictam um pouco. Pode bem valer a pena...
Esa es la gran diferencia entre el sistema capitalista que promueve el consumismo irracional, el egoísmo y la locura, que lleva a la gente a saquear un comercio cuando viene una hecatombe de esta naturaleza, y nuestra sociedad socialista, donde se hace un enorme esfuerzo por la equidad, la solidaridad y la justicia, valores a los cuales jamás renunciaremos, subrayó el Comandante en Jefe.
Não irá faltar quem veja nestas afirmações, reproduzidas do Granma, algum fanatismo e mesmo algum reflexo de senilidade de quem as profere. A esses apetece-me dizer-lhes que reflictam um pouco. Pode bem valer a pena...
quinta-feira, outubro 20, 2005
Vão-se lixar!
Hoje é um dia negro. Mais logo haverá uma guerra de percentagens de adesão à greve, que nisto de jornalismo de investigação, eles não se metem.
Quando saí de casa ia com vontade de aderir à greve. Para meu espanto, ao chegar à consulta, vejo toda a gente a trabalhar. Quem eram? Os súbditos do São Precário. Todos a trabalhar, disciplinadamente. Se alguém pode ter razão de queixa, penso que serão eles. Se perante a ofensiva desembolada do liberalismo se põem a jeito em prece maometana, digo-vos: vão-se lixar! Ia eu tramar os doentes que vieram para ser consultados, marcando-lhes outra data (isto é, ter de fazer consultas a dobrar noutro dia), abdicar de um dia de receita em nome de quê? Eu tenho um lugar garantido, um ordenado confortável e se me lixaram a reforma isso até pode compreender-se porque nasci no ano errado. Se eles, os que estão a perder todos os direitos, abdicam assim com toda a facilidade de lutar, por que devo eu estar solidário? Que se lixem! Parece ser esta a linguagem que gostam, o sistema que preferem, o cada um por si. Não, agora não é impossível fazer greve. Conheci um tempo em que fazer greves era difícil. Não era só emprego que estava em causa, eram visitas esperadas, ou férias forçadas. Mas ainda assim, lutava-se, porque sabíamos que havia outros ao nosso lado, não vivíamos sozinhos no mundo. Se a vossa opção é o cada um por si e o resto que se lixe, então vão-se lixar!
Quando saí de casa ia com vontade de aderir à greve. Para meu espanto, ao chegar à consulta, vejo toda a gente a trabalhar. Quem eram? Os súbditos do São Precário. Todos a trabalhar, disciplinadamente. Se alguém pode ter razão de queixa, penso que serão eles. Se perante a ofensiva desembolada do liberalismo se põem a jeito em prece maometana, digo-vos: vão-se lixar! Ia eu tramar os doentes que vieram para ser consultados, marcando-lhes outra data (isto é, ter de fazer consultas a dobrar noutro dia), abdicar de um dia de receita em nome de quê? Eu tenho um lugar garantido, um ordenado confortável e se me lixaram a reforma isso até pode compreender-se porque nasci no ano errado. Se eles, os que estão a perder todos os direitos, abdicam assim com toda a facilidade de lutar, por que devo eu estar solidário? Que se lixem! Parece ser esta a linguagem que gostam, o sistema que preferem, o cada um por si. Não, agora não é impossível fazer greve. Conheci um tempo em que fazer greves era difícil. Não era só emprego que estava em causa, eram visitas esperadas, ou férias forçadas. Mas ainda assim, lutava-se, porque sabíamos que havia outros ao nosso lado, não vivíamos sozinhos no mundo. Se a vossa opção é o cada um por si e o resto que se lixe, então vão-se lixar!
Haja paz

Prémio a notícia mais velha do ano.
Por que será que uma notícia velha consegue sê-lo? Um contrasenso. Andou a ameaçar este tempo todo e, finalmente, consuma o acto. Imagine-se o que será este homem a tomar decisões. Cala-se, diz que dirá depois. Entretanto vai falar com os netos, os filhos , a Maria, os amigos e alguns meses depois lá tomará a decisão. Tem as suas vantagens. Imagine-se que o Bush pensa usar a base das Lages numa futura invasão de um qualquer Irão. O homem irá meditar, ao fim de uns meses, decide-se. Pode ser que entretanto já se tenha percebido, com toda a clareza, que os argumentos da invasão eram injustificados (como é hábito) e a coisa se não faça. E assim se percebe a insuspeita qualidade deste homem. Muitas vidas teriam sido poupadas se já fosse Presidente há uns tempos atrás. Só iraquianos teriam sido cerca de 30 por dia. Americanos uns 2000 e tal.
terça-feira, outubro 18, 2005
Bibá bola
Realmente, o futebol é fundamental. Sem ele que motivos de conversa teríamos para espicaçar os nossos amigos ou mesmo os inimigos? Estamos bem porque o Benfica ganhou, mas muito mais porque o Porto perdeu. O Sporting dá-nos para expressar a compaixão. Daqui a uns tempos tudo pode ser ao contrário, mas por agora a festa é grande. A crise do Sporting ocupa telejornais, o fórum da TSF, os jornais. Que importa o Orçamento de Estado? Não vale pena discutir coisas menores. É o futebol que permite a afirmação da malta, ora de uns, ora de outros. E no fim da época todos ganhámos e daqui a umas épocas já ninguém se lembra de nada. Nem de como este país vai desaparecendo aos poucos, de orçamento em orçamento. Daqui a umas épocas, é possível que tenha havido ali à beira mar um rectângulo que voou e foi à final na Alemanha. Há quanto tempo? Nessa altura pouco importará.
Futebol 1 - Saúde 0
Um empresário do Norte (convém que fosse que a iniciativa anda sempre por lá) revoltou-se contra o facto de a FIFA não ter um site em português. Petição e zás! A FIFA rendeu-se, o site vai ter edição na língua lusa. A Pátria está salva.
Mesmo que o site da OMS/WHO continue a ignorar o português. Mas que importa a saúde comparada com o futebol?
Mesmo que o site da OMS/WHO continue a ignorar o português. Mas que importa a saúde comparada com o futebol?
terça-feira, outubro 11, 2005
Pós-eleitoral 2
Sócrates, das duas uma ou é mesmo burro ou pensa que somos nós que o somos. Quando vem dizer que são diferentes as eleições autárquicas e as legislativas e que, portanto, os resultados de domingo não são um julgamento da sua acção no Governo ou está a enganar-se ou a tentar enganar-nos. Com efeito, depois do esclarecimento informativo que houve, duvido mesmo que os cidadãos deste país pequenino, saibam sequer o que são as autarquias. O que se viu foram os líderes partidários andarem a fazer campanha. O que se votou foi em partidos (tirando os cúmplices, lá naqueles sítios especiais, onde os candidatos eram também especiais) e os resultados foram estes porque, o que tem sido feito pelo PS é desagradável para as pessoas. E a continuar assim, duvido mesmo que chegue ao fim do mandato, que pensa estar garantido.
Continue neste rumo e um destes dias ainda se vai queixar de agitação excessiva...
Continue neste rumo e um destes dias ainda se vai queixar de agitação excessiva...
Pós-eleitoral
Nestas alturas sinto uma enorme nostalgia do futebol. Quando o Vale e Azevedo era Presidente do Benfica, era simples podia deixar-se de ser sócio, supender os pagamentos de quotas e esperar que perdesse as eleições e fosse, finalmente, para a prisão. Difícil é suspender o BI e deixar de pagar os Impostos. Pelo menos para mim. Realmente, para alguns, até parece ser simples.
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