Fazemo-nos médicos para aumentarmos a vida e a qualidade da vida vivida, curarmos as doenças e, mais do que isso, prevenirmos o sofrimento que causam. A evolução dos últimos anos, cada vez mais, porém, me faz pensar que não é sendo médico que esses objectivos se conseguem. Não melhoro fundamentalmente a morbilidade e mortalidade associadas com a obesidade, a diabetes ou as doenças cardiovasculares, prescrevendo mais drogas. Esta intervenção que esquece as causas, apenas é fundamentalmente útil para a indústria farmacêutica. Também não é promovendo a investigação, nomeadamente nos campos da genética ou da biologia, gastando aí rios de dinheiro que se promove o aumento da esperança de vida (para todos!)embora se melhore a de alguns mais ricos, dos que têm acesso aos seus progressos.
Um relatório recente da OMS mostra tudo isto de forma bem clara. Curiosamente, a nossa imprensa, tão ocupada com a divulgação dos assaltos de 100 euros, não tem espaço nem tempo para divulgar coisas simples como estas:
Economic growth is raising incomes in many countries but increasing national wealth alone does not necessarily increase national health. Without equitable distribution of benefits, national growth can even exacerbate inequities.
While there has been enormous increase in global wealth, technology and living standards in recent years, the key question is how it is used for fair distribution of services and institution-building especially in low-income countries. In 1980, the richest countries with 10% of the population had a gross national income 60 times that of the poorest countries with 10% of the world's population. After 25 years of globalization, this difference increased to 122, reports the Commission. Worse, in the last 15 years, the poorest quintile in many low-income countries have shown a declining share in national consumption.
Wealth alone does not have to determine the health of a nation's population. Some low-income countries such as Cuba, Costa Rica, China, state of Kerala in India and Sri Lanka have achieved levels of good health despite relatively low national incomes.
Não deixa de ser perturbador pensar, nesta fase da carreira, se foi esta profissão a melhor escolha. A sedução da política existe.
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quinta-feira, setembro 04, 2008
quinta-feira, maio 29, 2008
Ouvindo por aí (como diria o outro)
Retirando a eventual, embora pouco provável, tragicomédia de uma reeleição de Santana Lopes, o debate dos candidatos à liderança do PSD tem sido curioso, mostrando, no campo da Saúde, algum esclarecimento adicional em termos das opções do liberalismo nesta área. Resumidamente, sai da cartola (não um coelho, mas de um Coelho) a ideia de que o Estado deve reduzir a oferta de serviços, deixando-se substituir pelos privados, que segundo a ilusão do gestor, fornecem o mesmo serviço a mais baixo custo.
Experiências pontuais que detecto em doentes meus observados em hospitais da moda, fazem-me duvidar dessa ideia. A imperiosa necessidade de facturar leva a um exorbitante consumo de meios auxiliares de diagnóstico para situações relativamente simples. Com isso, além do aumento de receitas, consegue-se junto do consumidor ignorante ( e não pagador) uma aceitação maior do serviço, porque lhe pedem muitos exames, dando a falsa sensação de melhoria de prestação de cuidados. Contribui-se para a divulgação de uma falsa qualidade da Medicina praticada, sofisticando o que é simples, gerando ansiedades decorrentes de exames com resultados potencialmente falsos-positivos. Ou seja dá-se a ideia de melhor serviço à custa de uma pior prática. Na verdade, não se custeiam os serviços pelo case-mix da situação, apontando-se somente para o pagamento por acto, o que pode rapidamente tornar-se catastrófico para entidades pagadoras como a ADSE. E se no que aos exames auxiliares diz respeito a coisa se pode colocar só em termos de custos económicos, relativamente às terapêuticas, nomeadamente as cirúrgicas, tudo pode vir a ter custos bem maiores. Deixar a regulação para a Ética da profissão será claramente suicida.
No campo da Saúde tem de haver um grande esforço de melhoria da gestão dos Serviços Públicos, tornando-os altamente eficientes, mas não procurando substituí-los por alegadas panaceias do Privado ou do Mercado. O Mercado poderá funcionar quando existe alguém que vende alguma coisa a alguém que compra e o preço do bem é determinado pelos dois e pela concorrência. Na Saúde quem vende está numa posição de vantagem sobre quem compra, porque domina o conhecimento sobre a situação em causa. É ele quem define o que é preciso fazer! Embora bastasse isso para inviabilizar a transação mercantil, acresce que quem compra (o doente) não é exactamente um comprador, porque não é ele directamente quem paga, mas uma terceira entidade. No Público, o prescritor, pela sua independência de relação com o pagador real (maioritariamente o Estado), tem uma liberdade de pedagogia sobre o consumidor, contrariando o desejo consumista, que pode induzir poupança de recursos. No Privado, o prescritor, dependendo directamente das vendas, perde essa liberdade e pode facilmente ser um agente de estímulo do consumo.
Venha uma sã concorrência público-privado na Saúde, mas sem truques e com boa regulação. Depois, que vença quem for mais eficiente. Só, assim, ganhará quem importa que vença: o doente.
Experiências pontuais que detecto em doentes meus observados em hospitais da moda, fazem-me duvidar dessa ideia. A imperiosa necessidade de facturar leva a um exorbitante consumo de meios auxiliares de diagnóstico para situações relativamente simples. Com isso, além do aumento de receitas, consegue-se junto do consumidor ignorante ( e não pagador) uma aceitação maior do serviço, porque lhe pedem muitos exames, dando a falsa sensação de melhoria de prestação de cuidados. Contribui-se para a divulgação de uma falsa qualidade da Medicina praticada, sofisticando o que é simples, gerando ansiedades decorrentes de exames com resultados potencialmente falsos-positivos. Ou seja dá-se a ideia de melhor serviço à custa de uma pior prática. Na verdade, não se custeiam os serviços pelo case-mix da situação, apontando-se somente para o pagamento por acto, o que pode rapidamente tornar-se catastrófico para entidades pagadoras como a ADSE. E se no que aos exames auxiliares diz respeito a coisa se pode colocar só em termos de custos económicos, relativamente às terapêuticas, nomeadamente as cirúrgicas, tudo pode vir a ter custos bem maiores. Deixar a regulação para a Ética da profissão será claramente suicida.
No campo da Saúde tem de haver um grande esforço de melhoria da gestão dos Serviços Públicos, tornando-os altamente eficientes, mas não procurando substituí-los por alegadas panaceias do Privado ou do Mercado. O Mercado poderá funcionar quando existe alguém que vende alguma coisa a alguém que compra e o preço do bem é determinado pelos dois e pela concorrência. Na Saúde quem vende está numa posição de vantagem sobre quem compra, porque domina o conhecimento sobre a situação em causa. É ele quem define o que é preciso fazer! Embora bastasse isso para inviabilizar a transação mercantil, acresce que quem compra (o doente) não é exactamente um comprador, porque não é ele directamente quem paga, mas uma terceira entidade. No Público, o prescritor, pela sua independência de relação com o pagador real (maioritariamente o Estado), tem uma liberdade de pedagogia sobre o consumidor, contrariando o desejo consumista, que pode induzir poupança de recursos. No Privado, o prescritor, dependendo directamente das vendas, perde essa liberdade e pode facilmente ser um agente de estímulo do consumo.
Venha uma sã concorrência público-privado na Saúde, mas sem truques e com boa regulação. Depois, que vença quem for mais eficiente. Só, assim, ganhará quem importa que vença: o doente.
sexta-feira, abril 18, 2008
Investir em Saúde
Numa newsletter de um Banco apontam-se algumas realidades. Como se pode inferir, investir em Saúde pode ser um bom negócio, muito mais do que promovê-la, prevenindo as doenças.Subjacente há um desejo de doença quando se investe assim na Saúde... Como soa, agora, diferente a expressão investir em saúde! Transcrevo para memória futura (sublinhados meus).
«O sector de Cuidados de Saúde
O sector de cuidados de saúde é, em si mesmo, muito diversificado. Com efeito, engloba todo o tipo de indústria que investigue, fabrique, comercialize, prescreva ou aplique produtos ou serviços cujo objectivo principal seja a manutenção ou melhoria da saúde dos indivíduos. É por isso natural que, para mais fácil identificação e estudo, seja dividido em várias indústrias, de que são exemplos a biotecnologia, grandes fabricantes de medicamentos, médios e pequenos fabricantes, fabricantes de genéricos, distribuidores de medicamentos, prestadores de serviços (hospitais, clínicas e outros), fabricantes e comerciantes de equipamento médico, fabricantes e comerciantes de instrumentos e mantimentos médicos, laboratórios e investigação médica e, finalmente, empresas de suporte.
Em conjunto, os cuidados de saúde são um dos maiores sectores da economia mundial, representando anualmente cerca de 8 a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) da larga maioria dos países desenvolvidos, não só pela dimensão que tem, representando uma capitalização bolsista superior a 2.100 mil milhões de dólares (USD) só nos EUA, como pelo constante investimento público e privado que supera anualmente os 3.200 mil milhões de euros a nível mundial. Por outro lado, numa conjuntura económica adversa, os cuidados de saúde registaram no 4º trimestre de 2007 um crescimento de earnings per share (EPS) na ordem dos dois dígitos, contrariando os crescimentos de um dígito que se verificaram nos restantes sectores, assim como um crescimento de proveitos acima de 17%. No mesmo sentido, nas previsões dos analistas para 2009, o sector de cuidados de saúde é um de apenas três com maior número de revisões em alta do que em baixa.
Estes dados resultam, em grande parte, da maior capacidade do sector em resistir às condições económicas adversas, uma vez que os consumidores dificilmente deixarão de tomar medicamentos, de ir a consultas ou, no fundo, de cuidarem do seu bem-estar. (....)
Perspectivas para o Sector
O futuro dos cuidados de saúde dependerá fundamentalmente da evolução demográfica, do desenvolvimento económico dos países emergentes e do crescente investimento no sector.
1. Demográfico
A população mundial está a aumentar (estimando-se um crescimento na ordem dos 30% nos próximos 15 anos, sobretudo nas zonas com maiores lacunas de cuidados de saúde como são África, Índia e China) e a envelhecer (com o aumento da esperança de vida, especialmente nos países desenvolvidos). É de notar também que o envelhecimento da população nestes países significa não só uma maior base de clientes como também um potencial aumento de procura, visto que os indivíduos acima dos 65 anos são os que mais consomem os produtos e utilizam os serviços do sector (em destaque os EUA, onde o consumo de medicamentos nesta faixa etária chega a ser quatro vezes superior às restantes).
2. Desenvolvimento económico
À medida que vários países em vias de desenvolvimento crescem economicamente, uma boa parte da sua população atingirá segmentos sociais médio-altos, resultando numa maior despesa com produtos de cuidados de saúde. Por outro lado, o desenvolvimentos dos mercados emergentes levará à entrada na classe média de milhões de novos consumidores, agora com rendimentos suficientes para consumir vários produtos do sector. Espera-se que o crescimento das despesas com cuidados de saúde venha a ser mais rápido nos mercados da Europa de Leste e da Ásia, uma vez o poder de compra é, já hoje, mais elevado do que noutras regiões emergentes.
3. Investimento em Cuidados de Saúde
Conforme mencionado acima, o sector representa já uma fatia significativa do PIB de vários países, e prevê-se que esses valores venham a subir, tendo em conta não só os factores demográficos e de desenvolvimento económico mas também a necessidade de desenvolvimento tecnológico e de investigação científica. A nível de exemplo, espera-se que as despesas com cuidados de saúde nos EUA venham a duplicar entre 2007 e 2017.
Oportunidades nos Sub-sectores
Ainda que muito vasto, o sector dos cuidados de saúde retira, em grande parte, a sua dimensão de algumas indústrias bastante conhecidas, como são as Grandes Farmacêuticas, que representam cerca de metade da capitalização bolsista de todo o sector. (....)
Embora possa ter a maior capitalização bolsista e o melhor retorno, as Grandes Farmacêuticas têm grandes desafios para o futuro, que resultam não só do facto de terem mais patentes prestes a expirar que novos medicamentos em desenvolvimento, como de legislação cada vez mais apertada, o que aumenta os custos de investigação. É também necessário ter presente que há duas áreas a canibalizar de certa forma o terreno das grandes farmacêuticas: a indústria dos Genéricos e a indústria da Biotecnologia.
A indústria de Genéricos
Os genéricos são, de momento, um mercado bastante interessante que, embora ainda pequeno em comparação com o seu principal rival (as Grandes Farmacêuticas) apresenta já retornos expressivos. Além de beneficiarem potencialmente com as perspectivas para o sector de cuidados de saúde, acima referidas, os genéricos estão, cada vez mais, a ganhar mercado, como resultado do preço substancialmente mais baixo dos produtos que vendem em relação aos produtos das Grandes Farmacêuticas (devido ao processo de reverse engeneering, através do qual decompõem o medicamento por forma a determinar a sua composição química, aproveitando assim todo o processo de investigação já efectuado), e também graças ao aumento do nível de informação dos consumidores quanto aos genéricos.
Uma das maiores oportunidades de crescimento detectadas para a indústria dos genéricos está no mercado japonês, atendendo à reduzida taxa de penetração face a outros mercados desenvolvidos e à regulamentação que deverá surgir brevemente, impondo a utilização de genéricos em vários casos, estimando, assim, que este mercado duplique até 2010 e seja seis vezes o tamanho actual até 2025.
Existe também um grande tendência para consolidação, visto que a indústria é altamente fragmentada, e prevêem-se oportunidades de sinergias a longo prazo em qualquer acção de fusão ou aquisição, especialmente possível se levarmos em conta o crescimento do mercado.
A indústria da Biotecnologia
As empresas de biotecnologia partilham, em grande parte, o objectivo de desenvolver medicamentos sujeitos a receita médica com as Grandes Farmacêuticas, contudo, centram-se maioritariamente na investigação e desenvolvimento dos mesmos, utilizando meios biotecnológicos, como são exemplos a utilização de organismos biológicos para produzir antibióticos e a engenharia de curas através de manipulação genética(...)
A vantagem competitiva da indústria de biotecnologia reside na sua capacidade de inovação, estimando-se que cerca de 40% de todos os medicamentos actualmente aprovados pela entidade competente nos EUA (FDA) tenham origem nas empresas de biotecnologia, o que permite que as taxas de crescimento das suas vendas (20% ao ano) sejam claramente superiores às das Grandes Farmacêuticas (5% ao ano).
Tal como nos genéricos, há uma grande tendência para consolidação do mercado, tendo sido inclusivamente estabelecidos recordes de fusões e aquisições nos anos de 2006 e 2007, com prémios na ordem dos 50 e 70% sobre as cotações de mercado, uma boa parte pelas Grandes Farmacêuticas que sentem a pressão da concorrência nos novos produtos e vêem a vantagem em adquirir a experiência e inovação de algumas destas empresas.
Em conclusão...
Muito embora a opinião pública possa divergir quanto às oportunidades de crescimento ou ao retorno de qualquer investimento feito no sector de cuidados de saúde, o facto é que este representa, já hoje, uma fatia significativa do investimento dos governos nos países desenvolvidos e, como vimos, alguns factores apontam para que este tenha tendência a crescer também nos restantes países.
Os receios que rodeiam as grandes indústrias dentro do sector estão longe de serem definitivamente mitigados, mas, quer pela importância do sector, quer pelas possíveis oportunidades em novas e mais pequenas indústrias, que surgem como autênticos nichos de mercado, com alto potencial de crescimento, merecerá certamente um olhar atento de qualquer investidor que pretenda tirar proveito do crescimento de uma área que implica directamente com as necessidades mais básicas do ser humano...»
«O sector de Cuidados de Saúde
O sector de cuidados de saúde é, em si mesmo, muito diversificado. Com efeito, engloba todo o tipo de indústria que investigue, fabrique, comercialize, prescreva ou aplique produtos ou serviços cujo objectivo principal seja a manutenção ou melhoria da saúde dos indivíduos. É por isso natural que, para mais fácil identificação e estudo, seja dividido em várias indústrias, de que são exemplos a biotecnologia, grandes fabricantes de medicamentos, médios e pequenos fabricantes, fabricantes de genéricos, distribuidores de medicamentos, prestadores de serviços (hospitais, clínicas e outros), fabricantes e comerciantes de equipamento médico, fabricantes e comerciantes de instrumentos e mantimentos médicos, laboratórios e investigação médica e, finalmente, empresas de suporte.
Em conjunto, os cuidados de saúde são um dos maiores sectores da economia mundial, representando anualmente cerca de 8 a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) da larga maioria dos países desenvolvidos, não só pela dimensão que tem, representando uma capitalização bolsista superior a 2.100 mil milhões de dólares (USD) só nos EUA, como pelo constante investimento público e privado que supera anualmente os 3.200 mil milhões de euros a nível mundial. Por outro lado, numa conjuntura económica adversa, os cuidados de saúde registaram no 4º trimestre de 2007 um crescimento de earnings per share (EPS) na ordem dos dois dígitos, contrariando os crescimentos de um dígito que se verificaram nos restantes sectores, assim como um crescimento de proveitos acima de 17%. No mesmo sentido, nas previsões dos analistas para 2009, o sector de cuidados de saúde é um de apenas três com maior número de revisões em alta do que em baixa.
Estes dados resultam, em grande parte, da maior capacidade do sector em resistir às condições económicas adversas, uma vez que os consumidores dificilmente deixarão de tomar medicamentos, de ir a consultas ou, no fundo, de cuidarem do seu bem-estar. (....)
Perspectivas para o Sector
O futuro dos cuidados de saúde dependerá fundamentalmente da evolução demográfica, do desenvolvimento económico dos países emergentes e do crescente investimento no sector.
1. Demográfico
A população mundial está a aumentar (estimando-se um crescimento na ordem dos 30% nos próximos 15 anos, sobretudo nas zonas com maiores lacunas de cuidados de saúde como são África, Índia e China) e a envelhecer (com o aumento da esperança de vida, especialmente nos países desenvolvidos). É de notar também que o envelhecimento da população nestes países significa não só uma maior base de clientes como também um potencial aumento de procura, visto que os indivíduos acima dos 65 anos são os que mais consomem os produtos e utilizam os serviços do sector (em destaque os EUA, onde o consumo de medicamentos nesta faixa etária chega a ser quatro vezes superior às restantes).
2. Desenvolvimento económico
À medida que vários países em vias de desenvolvimento crescem economicamente, uma boa parte da sua população atingirá segmentos sociais médio-altos, resultando numa maior despesa com produtos de cuidados de saúde. Por outro lado, o desenvolvimentos dos mercados emergentes levará à entrada na classe média de milhões de novos consumidores, agora com rendimentos suficientes para consumir vários produtos do sector. Espera-se que o crescimento das despesas com cuidados de saúde venha a ser mais rápido nos mercados da Europa de Leste e da Ásia, uma vez o poder de compra é, já hoje, mais elevado do que noutras regiões emergentes.
3. Investimento em Cuidados de Saúde
Conforme mencionado acima, o sector representa já uma fatia significativa do PIB de vários países, e prevê-se que esses valores venham a subir, tendo em conta não só os factores demográficos e de desenvolvimento económico mas também a necessidade de desenvolvimento tecnológico e de investigação científica. A nível de exemplo, espera-se que as despesas com cuidados de saúde nos EUA venham a duplicar entre 2007 e 2017.
Oportunidades nos Sub-sectores
Ainda que muito vasto, o sector dos cuidados de saúde retira, em grande parte, a sua dimensão de algumas indústrias bastante conhecidas, como são as Grandes Farmacêuticas, que representam cerca de metade da capitalização bolsista de todo o sector. (....)
Embora possa ter a maior capitalização bolsista e o melhor retorno, as Grandes Farmacêuticas têm grandes desafios para o futuro, que resultam não só do facto de terem mais patentes prestes a expirar que novos medicamentos em desenvolvimento, como de legislação cada vez mais apertada, o que aumenta os custos de investigação. É também necessário ter presente que há duas áreas a canibalizar de certa forma o terreno das grandes farmacêuticas: a indústria dos Genéricos e a indústria da Biotecnologia.
A indústria de Genéricos
Os genéricos são, de momento, um mercado bastante interessante que, embora ainda pequeno em comparação com o seu principal rival (as Grandes Farmacêuticas) apresenta já retornos expressivos. Além de beneficiarem potencialmente com as perspectivas para o sector de cuidados de saúde, acima referidas, os genéricos estão, cada vez mais, a ganhar mercado, como resultado do preço substancialmente mais baixo dos produtos que vendem em relação aos produtos das Grandes Farmacêuticas (devido ao processo de reverse engeneering, através do qual decompõem o medicamento por forma a determinar a sua composição química, aproveitando assim todo o processo de investigação já efectuado), e também graças ao aumento do nível de informação dos consumidores quanto aos genéricos.
Uma das maiores oportunidades de crescimento detectadas para a indústria dos genéricos está no mercado japonês, atendendo à reduzida taxa de penetração face a outros mercados desenvolvidos e à regulamentação que deverá surgir brevemente, impondo a utilização de genéricos em vários casos, estimando, assim, que este mercado duplique até 2010 e seja seis vezes o tamanho actual até 2025.
Existe também um grande tendência para consolidação, visto que a indústria é altamente fragmentada, e prevêem-se oportunidades de sinergias a longo prazo em qualquer acção de fusão ou aquisição, especialmente possível se levarmos em conta o crescimento do mercado.
A indústria da Biotecnologia
As empresas de biotecnologia partilham, em grande parte, o objectivo de desenvolver medicamentos sujeitos a receita médica com as Grandes Farmacêuticas, contudo, centram-se maioritariamente na investigação e desenvolvimento dos mesmos, utilizando meios biotecnológicos, como são exemplos a utilização de organismos biológicos para produzir antibióticos e a engenharia de curas através de manipulação genética(...)
A vantagem competitiva da indústria de biotecnologia reside na sua capacidade de inovação, estimando-se que cerca de 40% de todos os medicamentos actualmente aprovados pela entidade competente nos EUA (FDA) tenham origem nas empresas de biotecnologia, o que permite que as taxas de crescimento das suas vendas (20% ao ano) sejam claramente superiores às das Grandes Farmacêuticas (5% ao ano).
Tal como nos genéricos, há uma grande tendência para consolidação do mercado, tendo sido inclusivamente estabelecidos recordes de fusões e aquisições nos anos de 2006 e 2007, com prémios na ordem dos 50 e 70% sobre as cotações de mercado, uma boa parte pelas Grandes Farmacêuticas que sentem a pressão da concorrência nos novos produtos e vêem a vantagem em adquirir a experiência e inovação de algumas destas empresas.
Em conclusão...
Muito embora a opinião pública possa divergir quanto às oportunidades de crescimento ou ao retorno de qualquer investimento feito no sector de cuidados de saúde, o facto é que este representa, já hoje, uma fatia significativa do investimento dos governos nos países desenvolvidos e, como vimos, alguns factores apontam para que este tenha tendência a crescer também nos restantes países.
Os receios que rodeiam as grandes indústrias dentro do sector estão longe de serem definitivamente mitigados, mas, quer pela importância do sector, quer pelas possíveis oportunidades em novas e mais pequenas indústrias, que surgem como autênticos nichos de mercado, com alto potencial de crescimento, merecerá certamente um olhar atento de qualquer investidor que pretenda tirar proveito do crescimento de uma área que implica directamente com as necessidades mais básicas do ser humano...»
domingo, abril 06, 2008
Outsourcing
Entregar ao Privado a gestão do Público é uma estratégia de outsourcing. Ora, como é sabido, o outsourcing, apesar de tornar possível a concentração no core business, faz perder o controlo e a coordenação de pessoas e recursos. Por isso, mandam os manuais que, por uma questão de escala, quando as transações são mais altas, a organização deve optar por fazer por si e crescer.
As altíssimas transações neste sector impõem o dever aqueles que gerem os dinheiros públicos, de controlarem e serem eficientes. Esta é uam área onde o outsourcing nos prejudica a todos, sempre para o benefício de uns poucos.
As altíssimas transações neste sector impõem o dever aqueles que gerem os dinheiros públicos, de controlarem e serem eficientes. Esta é uam área onde o outsourcing nos prejudica a todos, sempre para o benefício de uns poucos.
sábado, abril 05, 2008
É possível a mudança
Continua-se no caminho da facilidade e da reacção. É-se contra sem se dizer aquilo por que se é a favor. Ou de uma forma insana, quer-se a mudança, desde que se não mude nada. Quer-se manter o acesso de 5 doentes por noite a um serviço ao pé da porta, querem-se manter abertas as portas de maternidades sem recursos nem movimento que os justifiquem? Não há imaginação para mais um pouco ou a que existe é apenas e só para acentuar o desperdício?
Explorar reacções primárias, só por si, nunca será um caminho de revolucionários, porque a transformação surge com ideias novas e, com a contestação da transformação, ainda que experimental, do que está obviamente mal, não se muda rigorosamente nada. Afinal, apenas se pede a manutenção do existente como se vivessemos no melhor dos mundos.
As manifs vão ter bandeiras, gritos e protestos de raiva, mas falta-lhes a imaginação. Há 40 anos em Paris, queria-se levar a imaginação ao poder. E nada ficou como dantes ao ponto do senhor Sarkozy querer, ainda agora, acabar com o Maio de 68. Certas manifs de hoje são apenas circulares alimentando apenas a sua existência. Nada transformam, mais parecem querer manter o disfuncional.
Quando se promoverá, a sério, o funcionamento racional e eficiente do SNS? Quando se discutirá o erro histórico de entregar aos privados o sector da saúde? Quando se equacionará o fim da promiscuidade público-privado?
É realmente preciso mudar, não mantendo o que existia. SFF. E nós podemos mudar, se percebermos que o caminho não é o da facilidade!
Explorar reacções primárias, só por si, nunca será um caminho de revolucionários, porque a transformação surge com ideias novas e, com a contestação da transformação, ainda que experimental, do que está obviamente mal, não se muda rigorosamente nada. Afinal, apenas se pede a manutenção do existente como se vivessemos no melhor dos mundos.
As manifs vão ter bandeiras, gritos e protestos de raiva, mas falta-lhes a imaginação. Há 40 anos em Paris, queria-se levar a imaginação ao poder. E nada ficou como dantes ao ponto do senhor Sarkozy querer, ainda agora, acabar com o Maio de 68. Certas manifs de hoje são apenas circulares alimentando apenas a sua existência. Nada transformam, mais parecem querer manter o disfuncional.
Quando se promoverá, a sério, o funcionamento racional e eficiente do SNS? Quando se discutirá o erro histórico de entregar aos privados o sector da saúde? Quando se equacionará o fim da promiscuidade público-privado?
É realmente preciso mudar, não mantendo o que existia. SFF. E nós podemos mudar, se percebermos que o caminho não é o da facilidade!
terça-feira, março 25, 2008
Quem brinca com o fogo...
«Quem quer enriquecer não vai para médico». Pedro Nunes, bastonário, dixit.
Quero acreditar na boa-vontade do senhor Bastonário. Parece-me cordato, bem intencionado e tem uma conduta ética, sendo até docente na matéria. No entanto, ao fazer uma afirmação destas, na melhor das possibilidades, é ingénuo.
É preciso decidirmo-nos sobre esta questão do bendito Mercado. Aqui a margem é estreita, ou se apoia ou se renega. Quem quiser ficar com um pé de cada lado, o mais certo é que perca o pé ou mesmo os pés. O problema é saber se a Saúde é nicho de negócio ou um bem diferente, que não é susceptível de ser negócio.
Dito de uma forma mais cruel, decidir se o propalado princípio utilizador-pagador, funciona em Saúde, ou seja se os custos de estar doente devem ser suportados pelo doente ou pelos saudáveis.
Depois nos entenderemos sobre a melhor forma de articular os serviços. Não peçam é que o Estado fique com os ossos para roer, enquanto a Banca negociante em Saúde se prepara para comer a carne. É fundamental separar as águas, que os médicos se decidam por trabalhar no público ou no privado, sem acumulações. Que os doentes decidam tratar-se no público ou no privado, sem acumulações. Toda a promiscuidade existente só levará a complicações insanáveis.
Segurança na Saúde é muito mais que ter um serviço de urgência ao lado de casa, é saber que se pode estar doente e deixar o cartão de crédito em casa.
Quero acreditar na boa-vontade do senhor Bastonário. Parece-me cordato, bem intencionado e tem uma conduta ética, sendo até docente na matéria. No entanto, ao fazer uma afirmação destas, na melhor das possibilidades, é ingénuo.
É preciso decidirmo-nos sobre esta questão do bendito Mercado. Aqui a margem é estreita, ou se apoia ou se renega. Quem quiser ficar com um pé de cada lado, o mais certo é que perca o pé ou mesmo os pés. O problema é saber se a Saúde é nicho de negócio ou um bem diferente, que não é susceptível de ser negócio.
Dito de uma forma mais cruel, decidir se o propalado princípio utilizador-pagador, funciona em Saúde, ou seja se os custos de estar doente devem ser suportados pelo doente ou pelos saudáveis.
Depois nos entenderemos sobre a melhor forma de articular os serviços. Não peçam é que o Estado fique com os ossos para roer, enquanto a Banca negociante em Saúde se prepara para comer a carne. É fundamental separar as águas, que os médicos se decidam por trabalhar no público ou no privado, sem acumulações. Que os doentes decidam tratar-se no público ou no privado, sem acumulações. Toda a promiscuidade existente só levará a complicações insanáveis.
Segurança na Saúde é muito mais que ter um serviço de urgência ao lado de casa, é saber que se pode estar doente e deixar o cartão de crédito em casa.
quarta-feira, março 19, 2008
Surpresa e rotina
Surpreendeu-me hoje o Engenheiro ao anunciar a passagem do Hospital da Amadora a Entidade Pública Empresarial. Será prenúncio de dias mais difíceis para o grupo Mello ou apenas uma vingançazita da nova Ministra, depois das chatices que a gestão privada em tempos lhe arranjou? Afirmação de novo do Serviço Nacional de Saúde ou simples vendetta? Estratégia ou circunstância? A ver vamos.
Ilustrando a habitual ignorância mediática, é quase certo que a notícia será a redução das taxas moderadoras aos idosos. Medida bem menor pelas suas consequências do que a mudança do tipo de gestão. Mas o que querem é encher o olho e há muito que o jornalista albarda o burro ao desejo desinformado do dono. Persiste-se assim na perpetuação da ignorância.
Momento hilariante foi a passagem matinal da senhora Ministra pelo Hospital. Um frenesim de inquietude por se poder estar perto. O perfume ministerial enebria as almas dos mesmos de sempre. Sempre em bicos de pés, na ânsia de ficar no registo da TV.
Ilustrando a habitual ignorância mediática, é quase certo que a notícia será a redução das taxas moderadoras aos idosos. Medida bem menor pelas suas consequências do que a mudança do tipo de gestão. Mas o que querem é encher o olho e há muito que o jornalista albarda o burro ao desejo desinformado do dono. Persiste-se assim na perpetuação da ignorância.
Momento hilariante foi a passagem matinal da senhora Ministra pelo Hospital. Um frenesim de inquietude por se poder estar perto. O perfume ministerial enebria as almas dos mesmos de sempre. Sempre em bicos de pés, na ânsia de ficar no registo da TV.
terça-feira, março 18, 2008
A Luz
Cem milhões de euros investidos e recuperados em 7 anos, é um bom negócio. É a dimensão do bom negócio que a Saúde pode ser. O problema é saber-se como é possível desperdiçar, entregando a privados, tão bons negócios para uns poucos engrandecerem. No mínimo parece-me má gestão dos dinheiros públicos. Porque a questão que se coloca na abertura da saúde aos privados é que não se tem por objectivo a concorrência, certamente interessante, entre público e privado. O negócio resulta porque se segmenta o mercado, se escolhem nichos rentáveis para se explorar. Ora neste contexto, o problema que se levanta é saber-se até que ponto oferecer o miolo do pão aos outros, não nos vai partir os dentes quando ficarmos só com as côdeas para comer. Será lícito desperdiçar receita e ficar apenas com a despesa? Que a Luz os alumie e não encandeie!
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