domingo, dezembro 05, 2004

Silêncio de domingo

Lisboa fica tranquila neste tempo de domingos solarengos e algo frios num brilho ajudado pelo azul forte do céu. As ruas vazias, o silêncio do jardins de Outono, ali ao pé do Museu, que já foi fábrica de sedas.
Vieira da Silva é uma ilustração deste país que a negou, a comprovação, uma vez mais, de que somos bons artistas e maus patronos (patrões). Um fado triste. Felizmente, há mais mundos e ela teve a sorte de os ir ver. Por isso, hoje a temos no que nos deixou.
Pelas rectas e curvas das linhas dos quadros a tela perde o plano. Da imagem abstracta salta a boca do túnel ou a cidade que se levanta, quase para fora do quadro. É o silêncio da cidade, como o que é visível das alturas de uma torre de vidro em Manhatan. Os emaranhados do silêncio, quer seja nas linhas das cidades, nos jogos de cartas ou de xadrez. Uma tranquilidade sem fim, na transmissão tridimensional da vida que nos mostra. Vem-me à memória o silêncio uniplanar de Mondrian. Só que aqui algo renasceu, pela perspectiva, para a diversão dos olhos.
Esta exposição de Vieira da Silva, actualmente em Lisboa, deu-me ainda uma imagem mais tranquila da cidade onde, por estes dias, todos se esconderam nas compras dos Centros Comerciais.

2 comentários:

Sofia disse...

E passear em Lisboa numa manhã fria de domingo é fantástico. :)

Luís disse...

O "Silêncio de Domingo" já tinha deixado saudades dessa cidade, de tudo e tudo e tudo e do "fado triste", que se torna a pouco e pouco virtude, tão grande vai ficando a distância...
e até, porque não, dos domingos só, passados a fazer qualquer coisa de que já não me lembro mas certamente diferentes destes passados a lavar roupa na ilegalidade de um edifício aqui perto e a estendê-la pelo quarto à espera que seque aquilo que não secou no dryer...

...agora... lembrar-me das manhãs frias de Lisboa... definitivamente era essa a sensação de ausência que não conseguia explicar...
as gélidas manhãs de Lisboa... ;)
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