sábado, dezembro 11, 2004

O casamento do dia

Conheço vários tipos de casamentos, os por amor, os por conveniência e os por necessidade. Os primeiros são aqueles que mais gratificam os que têm esse privilégio e os familiares, geralmente são os que melhores frutos dão. Os segundos agradam à família, apesar da indiferença das partes. No futuro há uma sobrevivência garantida. Os casamentos de necessidade são tolerados pelos familiares apesar da tensão dos noivos e por todos são vividos com grande apreensão. Mas afinal, a necessidade justifica o acto e o futuro logo se vê, mas não se antevê que seja brilhante. A necessidade, contudo é inultrapassável. É uma aposta de jogadores à beira da falência.
Julgo pertencer a este tipo, o casamento que anunciam hoje mais para o fim do dia. Um dos noivos já afirmou que só ele é responsável e que todos os erros da relação serão do outro. Mau prenúncio nas vésperas do casório. A família do outro já disse que este não vale nada, é um falido. No entanto, sabe segundo que a língua viperina do primeiro revelará em público todas as confidências feitas entretanto. O casamento permite ao primeiro uma última esperança de continuar vivo à custa da conta corrente do segundo, embora o mais certo seja a ruína dos dois. Mas está naquela de não haver já nada a perder. É-lhe da natureza o risco desesperado. E quando vier o divórcio, logo gritará bem alto a incompetência do parceiro de necessidade de hoje e ainda culpará a família, que assim o orientou agora, numa tentativa de sobrevivência. No fundo, o que é, não o deve a oção sua, foi assim orientado. É o que ele diz, pelo menos.

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