domingo, outubro 09, 2005

Velha raposa?

E se um apelo ao voto no filho, muito mais do que um lapso de pai, fosse uma habilidade política, isto é, a forma de começar a sair de cena?

sexta-feira, outubro 07, 2005

Muro e vergonha


Ficou a luva que protegia a mão do rasgão. Aconteceu só por que ele nasceu no lado errado do mundo e disseram-lhe que havia outro. Um outro lado onde levantam barreiras de arame farpado para não sermos invadidos pelos que nascem do outro lado. Quanto ainda falta para um mundo sem muros?

quinta-feira, outubro 06, 2005

Cúmplices

As sondagens confirmam a vitória de Carmona e Rui Rio. Finalmente, alguém é aprovado pela acção desenvolvida! Parece que a Fátima, o Isaltino e o Major também vão ganhar. O povo sabe reconhecer quem trabalha!
Ou será este um país de cúmplices?
Depois há uma série de candidatos que parece que o não são. Nos telejornais são sempre os mesmos. Ainda não percebi se o Jerónimo é o candidato do PC em Lisboa (e no resto do país também...), mas realmente só o tenho visto a ele nos telejornais. Pelo Bloco parece que o Anacleto se candidata em todas as Câmaras também.
Apesar de as conferências da Câmara poderem passar a ter outro nível de discussão, decidi não votar no filósofo alternativo e como isto é local, vou votar no Partido do droguista meu vizinho. Parece que há um tal Ruben do grupo dele que se candidata a Presidente da Câmara... Vai ganhar um voto à custa do droguista.
E fico à espera que o vulcão francês entre em erupção...

quarta-feira, outubro 05, 2005

Campanha Alegre

Uma página fundamental. A pôr nos favoritos.
Vamos lá às assinaturas!

Vamos preencher-lhe as expectativas


Espera-se que com o impuso que dará, possivelmente, o próximo fim-de-semana, possamos aproximar-nos das expectativas deste homem, que hoje se lamentou desta forma curiosa:
"Há uma conflitualidade social relativamente às medidas do Governo muito abaixo do que seria de esperar em Portugal", sublinhou o primeiro-ministro.
Ele quer mais, está desiludido com a distracção do seu povo. Alguma vez teremos de seguir o líder e fazer-lhe a vontade.
O exemplo de França até pode ser interessante, tanto mais que é uma terra onde têm surgido, desde 1789, passando por 68, algumas novidades interessantes para mais tarde recordar.
(imagem colhida no Libération)

terça-feira, outubro 04, 2005

Por uma Campanha Alegre

Não mais, Musa, não mais, que a Lira tenho
Destemperada e a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida.
O favor com que mais se acende o engenho
Não o dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Duma austera, apagada e vil tristeza.

Foi enquanto ouvia o Manuel Alegre ontem na SIC Notícias, que me veio à lembrança esta coisa muito velha desta Pátria. Já o Camões dizia prenunciando as fátimas ixaltinadas e os loureiros de sempre, essas coisas velhas como os hábitos que fazemos de cócoras.
Aos poucos fui percebendo melhor que, mais do que o realismo da descrença, vale muitas vezes, muito mais, o desejo de acreditar. É que a esperança sabe bem melhor que a vil tristeza. Por isso, a quem tem alma grande, sempre vale a pena cantar à gente surda e endurecida. Até que a voz nos doa, lutaremos por mudar este fado. Façamos uma Campanha, Alegre!

segunda-feira, outubro 03, 2005

Alegre e Tarrafal

Já passei para a segunda página. Ao fim de dois dias não é mau.
Finalmente, hoje, foram homenageados pelo PR, isto é, um pouco por todos nós, os que pereceram ou sobreviveram ao Tarrafal.
Estranhei ausências (deviam andar a distribuir canetas e sacos plástico ou estão ainda em cura de águas), mas gostei de quem disse Presente!

domingo, outubro 02, 2005

Será verdade?

Quando ouço e leio outros locais até fico com aideia que será menos verdadeiro. Mas também tenho dúvidas se não será verdade, isto é, se algumas verdades estão abafadas, sufocadas por quem já nos domina assim esmagadoramente.
Por isso e para os que aqui possam vir fica o resumo de Eugénio Rosa, publicado no Informação Alternativa:
Os lucros líquidos das 500 maiores empresas em Portugal somaram, em 2004, 3.111 milhões de euros (623,7 milhões de contos), tendo aumentado neste mesmo ano 42,1% relativamente a 2003. Se considerar o período 2001­‑2004, o aumento dos lucros destas empresas atingiu 86,7%. Estes dados mostram que a crise económica não está a afectar as maiores empresas, revelando-se até como anos dourados, contrariamente ao que sucede com as pequenas e médias empresas.

Este aumento de lucros tem-se verificado simultaneamente com um aumento menor de vendas e de crescimento do VAB (riqueza criada). Por ex. em 2004, os lucros cresceram 42,1%, as vendas 7,1% e o VAB 21,3%. Aquele crescimento dos lucros parece ter sido conseguido fundamentalmente pela redução da percentagem do VAB destinada ao pagamento de impostos ao Estado e ao pagamento de remunerações aos trabalhadores.

Em 2004, cerca de 15% de toda a riqueza criada no nosso País já era controlada pelas 500 maiores empresas, tendo-se verificado uma tendência de aumento contínuo nos últimos 4 anos. Efectivamente, entre 2001 e 2004, o VAB destas 500 empresas aumentou de 16.080 milhões de euros para 18.554 milhões de euros. E estas empresas empregavam em 2004 apenas 6,1% da população empregada.

Em 2004, a Autoeuropa, uma das maiores empresas a funcionar em Portugal, continuou a não divulgar dados de natureza económica e financeira. Em 1999, os lucros da Autoeuropa atingiram 12,3 milhões de contos e, em 2000, cerca de 16,2 milhões de contos; portanto, num ano apenas aumentaram 32,5%. A partir de 2000 a Autoeuropa deixou de divulgar dados de natureza económica e financeira, tendo imposto pouco depois um congelamento de salários aos seus trabalhadores por 3 anos, que se prolonga até Setembro de 2005, determinando uma redução do poder de compra dos salários dos trabalhadores em cerca de 8%.

Mesmo em relação às estruturas representativas dos trabalhadores da Autoeuropa, a empresa tem dito que são dados confidenciais, violando a lei portuguesa (art.º 503 do Código do Trabalho e art.º 358 da Lei 35/2004). É evidente que a Autoeuropa, ao ocultar aquilo que outras empresas a funcionar em Portugal, mesmo estrangeiras, divulgam todos os anos, para além de ser uma violação da lei, levanta suspeitas na opinião pública que esta empresa teria todo o interesse em esclarecer.

sábado, outubro 01, 2005

Eu apoio!

O Alemão tomou conta desta gente à beira mar. A memória foi-se-lhes de vez. Nas sondagens o PSD já aparece à frente do PS. Porquê?
Só por falta de memória, certamente. Ainda não ouvi ninguém da direita derrubada dizer, preto no branco, quando voltarmos ao Governo as reformas voltam para os 49 anos, os subsistemas de saúde vão ser todos reinstituídos depois de terminados por este Governo, demitiremos todos os recém-nomeados, mas não os substituiremos pelos nossos. Já toda a gente se esqueceu do início do ano lectivo do ano passado, das trapalahadas dos programas informáticos e de quem eram amigos os que os fizeram? Já estão esquecidos dos ministros que tinham filhas que entravam em Medicina ao colo da diplomacia? Já não se lembram de quem vestiu o país de tanga?
E quando o Cavaco gaguejante é quase Presidente, será que já acabou o buzinão e o homem já lê jornais e engana-se algumas vezes?
Raios partam o Alzheimer! Mas para pior já basta assim. Há mais mundo, oh gentes!
Há mais candidatos a presidentes. Vamos dizer-lhe que o apoiamos, escrevendo o nosso nome aqui. Eu fui o 2613º.

quinta-feira, setembro 29, 2005

Não dá...

Quando se vive numa terra de sol, onde nada é preciso inventar, onde basta ver lá fora e ser original cá dentro, só podemos dar graças. Ainda por cima temos o sol e o azul do céu e mar, tanto mar. Não, não nos podemos queixar. Este é certamente, dos sítios onde o viver tem melhor relação qualidade/custo.
Temos é de perceber que a terra não dá, se nada lá for semeado. A sementeira é o custo. As ervas daninhas o produto (se nada for semeado, claro).
Vem isto a propósito do facto vivido de uma extensão de 3 metros para colocar uma tomada ser uma obra que, num hospital central e universitário, demora 15 dias a realizar.

terça-feira, setembro 27, 2005

Um bom debate

Valeu a pena o serão. Acontece raramente, mas desta vez a RTP teve um debate interessante e informativo. Os ingredientes eram interessantes. Um Ministro que demorou a sê-lo e um cordeiro muito mais lobo que gosta de parecer, de garra afiada, faminto e devorador. Só que desta vez, foi engolido de forma suave, mas bem conseguida.
Foi comovente ver o Dono das Farmácias estar preocupado com o bem estar dos doentes, da população em geral, dos contribuintes, a abdicar da percentagem nas receitas, a procurar reduzir o nível das receitas. Com o ar sério que o poder tem, aquela mostra de ser respeitável, que se desmonta em dois tempos. Basta olhar para a natureza das coisas e para a história da ANF.
Foi igualmente comovente ver a jornalista a acreditar que o Ministro está para durar, e a ajudar a desmontar o embuste do Cordeiro.
Nem faltou um industrial a mostrar abertura a novas reduções de preços dos medicamentos.
Mas há sempre alguma coisa que não corre bem. Desta vez foi a APDP a tentar mostrar que os diabéticos são os únicos doentes crónicos do mundo e a reivindicar a medicação gratuita. E os asmáticos, os dementes, os deprimidos e todos os hormonodeficientes e etc, etc? É que bem espremidos, teremos medicação de borla para todos e depois não queremos mais impostos, não é? Era preciso alguém ter explicado a diferença entre diabetes tipo 1 e tipo 2.
Já agora, também não percebi qual seria o problema de termos farmácias públicas, do Estado. Mas isso é coisa que também só passa pela cabeça de povos ensandecidos como os suecos...

domingo, setembro 25, 2005

Ruído

Está na moda o ruído. Uns evitam-no, outros são acusados de o fazer. Os nossos políticos andam com as orelhas a arder de tanto ruído.
Por mim, algum ruído sabe-me a música. Anima-me. Fico sempre animado quando os aparelhos ficam desafinados por algum ruído ambiente. As interferências construtivas e reparadoras. Depois há silêncios concordantes que nada dizem, mas a estagnação é mal cheirosa.

Roubo a trova:

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas

pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada

ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não

Tinha de ser, a atitude não é de agora e antes que o agora comece a ficar como o dantes, ele tinha de tomar a atitude e tinha de ser agora. Com todo o ruído e ainda bem.

sábado, setembro 24, 2005

Alegre!

A 30 de Julho sabíamos que um homem não se rende. Hoje, sabemos que avança, larga as amarras do cálculo e faz-se à luta. Os tristes ficam tristes. Mas a alegria das convicções sorri. Agora é tempo de a fazer sorrir cada vez mais, numa imensa gargalhada. Pode mesmo ser alarve, um riso que mostre os dentes todos e que a voz saia grave lá do fundo, desse lugar recôndito de onde brota a verticalidade que não cabe nas sondagens.

quinta-feira, setembro 22, 2005

A nova lei

Pode-se fugir para se não ser preso. Pode-se voltar e ser solto. Pelo meio podemos candidatar-nos a um lugar público. Este é um país onde as mais amplas liberdades estão asseguradas. Mas, como dizia ontem um perito, isto não acontece a todos. Dá jeito ser o assunto mediático, porque se o não for, provavelmente vão-se passar uns dias à prisão até se ser libertado, reconhecendo assim as desigualdades dos cidadãos perante a Justiça. Mas quem se escandaliza com isso? Parece-me ser esta a diferença. Dantes era com algum pudor que encarávamos as diferenças, quase as encobríamos, era desconfortável a diferença de oportunidades; agora é com naturalidade que saudamos as desigualdades, contentes com a livre concorrência desregulada. Cada um por si, pois claro. E que vença o melhor!

quarta-feira, setembro 21, 2005

Sempre os mesmos culpados

É possível que tenha havido hoje um debate na Assembleia da República sobre questões importantes para o país e o seu futuro. Mas o que se ouviu foi a populaça saudar o regresso da Fátima Felgueiras e as mulheres dos militares a passearem o seu descontentamento com a perda de privilégios na rua. Portanto, só aconteceu o acessório, o folclore. A culpa é dos políticos, não é? Os jornalistas apenas promovem o que o público quer. Bolas, afinal a culpa é nossa...

terça-feira, setembro 20, 2005

Tempos

Há dias em que apetece seguir ao sabor do vento que sopra por dentro. Deixar ir, vela toda aberta com a curiosidade de ver onde se pára. Nem sei por que assim será, mas foi assim hoje. Procura sem programas. É este o tempo de qualidade que é preciso preservar e não o das rotinas que nos encurtam o tempo, nos limitam e fazem desaparecer no fumo dos dias.

segunda-feira, setembro 19, 2005

As voltas que isto dá

Mais uma vez adiado o enterro da Europa social, andam desesperados com a sorte os gurus do mercado anti-social. Depois da Noruega, agora foi a Alemanha que não aderiu (e tão bem encaminhada que a coisa estava!) ao futuro prometido do triunfo do liberalismo e do fim do Estado. O anarquismo de direita começa a bater com a cabeça no muro. Desta vez de Berlim, depois será noutros. Ainda há quem resista a viver sem olhar para o lado e reconheça que o fosso entre uns poucos e os cada vez mais não é para alargar.
Vai ser divertido ouvi-los a falar da ingovernabilidade e de outras catástrofes que se avizinham, perplexos. Como está a ser possível que a saudade de alguma esquerda comece a crescer? Há já muitos anos também eu tive a ilusão de que o caminho estava aberto e a estrada era em frente até à completa libertação. Afinal, tudo era mais complexo e, se calhar, a história está agora a repetir-se. Apenas noutro contexto.

domingo, setembro 18, 2005

Mais ou melhor

Mais centímetros, mais income, mais anos, mais tudo. E arrastamo-nos, escravizados por mais, sem nos preocuparmos com o melhor. Melhor exige reflexão, procura. Mais, apenas consumo. Pela tentação do mais, esquecemos a necessidade da busca do melhor. Será por isso que consumimos cada vez mais, mais antidepressivos?

sexta-feira, setembro 16, 2005

Lisboa vista de perto (sem cheiro)

A sensação é de inércia, de que já nada pode acontecer. Para mais, depois de ver o debate de ontem entre dois candidatos a Presidentes de Câmara, a sensação é de irrealidade também. Definitivamente, não votarei em nenhum dos dois.
Surpresa, só ver Lisboa em aproximação cada vez maior, mais e mais até ver a minha rua ou será mesmo o meu carro? Só estas coisas como o Googleearth valem a pena. Não se veem os candidatos.

quinta-feira, setembro 15, 2005

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Como aqui afirmei há dias, a pior das feras fica mansa quando a barriga está cheia. Por isso, ao anónimo comentador aqui deixo a resposta, na impossibilidade de o fazer doutra forma:
Há espirais de violência que não se acabam lançando gasolina na fogueira. Quem ateia o fogo é, para mim, o principal responsável. E os imperadores têm sempre tendência a não pedir desculpa. Já assim foi na Idade Média, na Inquisição e em todos os Vietnames que o meu interlocutor anónimo quiser considerar. Quando muito, as desculpas vêem envergonhadas alguns séculos depois. Mas o tempo hoje anda mais depressa… Tempos diferentes para agir, também, diferente.
E pronto, quando a pancadaria começa, todos são culpados. Todos os terroristas, incluindo os que lançaram a primeira pedra, se calhar por maioria de razão.