sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Liberdade

Fazer um quadro visível melhor ainda que escrever um livro, mesmo que de linguagem quase matemática como as intermitências da morte, é programa de uma vida. O que é já em si uma expressão curiosa, porque programa será qualquer coisa que a vida deve ou não ter. Aqui os conceitos divergirão entre os que opinam que a vida é um momento e os outros que mais a vêem como uma sucessão deles com um destino a construir. Para os últimos o programa acaba por ser a própria vida, enquanto que para os primeiros um obstáculo que se lhe põe no caminho. É difícil decidir qual a opção mais valiosa. Tenho de aceitar que me atirem na cara que fumam estando conscientes dos riscos, que comem pelo gozo que lhes dá sem que ninguém tenha nada que ver com a obesidade de que sofrem ou a diabetes que virá, que bebem porque aquela colheita é o complemento necessário do prato que os deleita. E até podem ter toda a razão, que destas há mais do que uma e cada qual se não deve impor às concorrentes tudo dependendo das convicções mais profundas de cada um. Até entendo que um cidadão americano não use cinto de segurança, nem capacete na cabeça quando corre recostado na Harley. Quando se estampa é ele que paga a conta… Nos grupos em que há compromissos repartidos, onde o indivíduo ainda não esmagou a ideia do conjunto, as coisas possivelmente terão de ser vistas de forma mais prudente. Temos os direitos que acordámos ter com os que nos estão à volta. Neste caso, as nossas opções sofrem desse condicionamento, somos menos livres à custa de sermos mais tranquilos. Podemos optar entre o momento e o programa dos compromissos, o que se não pode ter, é estarmos com um pé de cada lado da parte boa da coisa, toda a liberdade e alguém que pague a conta. Sapo estas coisas que às vezes são pouco pensadas.

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