sábado, março 10, 2007

A mulher de César

Qual o motivo para se não seguirem directrizes cientificamente comprovadas, com racionalidade custo-eficiência e cada um continuar a fazer o que lhe dá na gana?
Profissão curiosa esta em que, cada vez mais, nos tornamos em meros consumidores da tecnologia e dos medicamentos. Mas, ao contrário do que acontece quando se consome um qualquer bem, em que o consumidor é o pagador, nesta actividade de consumir, há outro que paga a conta. Pior ainda, quando num mundo de maravilha, se ganha objectivamente com o consumo. Sobretudo, porque é o tal outro que paga a conta.
É uma espécie de alguém nos convidar para um almoço e, nós, por sermos amigos do dono do restaurante, mandarmos vir o vinho mais caro. Vale a ética, a superioridade moral da profissão, sempre a defender o superior interesse do doente ou isto seria ruinoso. Só que cada um compra a ética que quer e talvez o interesse do pagador estivesse mais acautelado se não estivesse exclusivamente dependente da ética de cada um. Assim, de certeza, que há sempre alguns que se lixam neste processo. Não deverá a mulher de César ser mais do que ser séria?

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