domingo, maio 10, 2009

Coeficiente de cagaço

O complicado desta profissão é a gestão da incerteza, sobretudo num ambiente social em que se pensa, erradamente, que a tecnologia permite saber toda a verdade. De forma que vivemos sempre mais com a arte do que com a ciência, que é estabelecermos um limiar que nos dê suficiente sensibilidade sem nos arruinar a especificidade. Se calhar o coeficiente de cagaço dos novos engenheiros é o equivalente desta gestão da incerteza, que é sempre mais aguda nos novos médicos. Com o passar dos anos diminui o coeficiente, subimos o limiar da possibilidade da doença, mas nunca eliminamos, absolutamente, a dúvida. É este o desafio que nos perturba o descanso quando jovens e... sempre. O pior de tudo é que a matéria com que lidamos não é susceptível de ter os erros compensados com seguros e temos de aceitar a nossa condição de humanos errantes. Mesmo o cuidado não nos livrará do erro algumas vezes, embora compense a consciência. No entanto, se procurarmos a especificidade a todo o custo, o erro será bem mais frequente. E será a vida possível sem a dúvida? Como seria se soubéssemos o fim da história antes de a fazermos?

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