sábado, abril 15, 2006
Os amigos do Casimiro
O Casimiro merece estar reformado. Mais que não seja para, estando mais perto de nós, nos podermos encontrar de vez em quando a falar das desgraças dos Serviços, para nos sentirmos impotentes para transformar as grandes coisas, mas, ainda assim, sabermos resolver as pequenas coisas do nosso sítio. Porque há muita coisa que podemos fazer melhor, sem retórica, com medidas simples. Mesmo sem jogos de poder ou usando alguns dos poderes com que ele de alguma forma nos armou.
Foi boa a discussão sobre o acesso aos serviços, sobre os tempos de espera nas urgências. Fiquei a olhar a realidade de outra forma depois de nos ter dito daquela forma simples com que sempre diz as coisas, que tudo isto terá começado com o Serviço Médico à Periferia e depois a criação dos SAPs. Primeiro a generosidade de médicos jovens, depois o interesse, a utilidade das horas extra na composição do ordenado dos médicos, tudo isto reforçado pelo gosto dos autarcas em facilitarem o acesso quando, por exemplo, as costas doem. Sempre numa dinâmica de consumo, reforçada pela «informação» dos media, a divulgarem doenças e «negligências» sem parar, reforçando a procura de certezas nas análises e nos exames de imagem. Fez-nos lembrar que uma amilasemia era mais complicada de pedir do que uma TC do crânio, nos dias de hoje. O sistema favorece os autarcas e outros políticos, os médicos e os fornecedores, é quase um mundo perfeito, não fosse tão insuficiente para os doentes. E essa insuficiência provém de se ter destruído a relação natural que seria o doente falar com o seu médico de clínica geral quando, por exemplos, as costas doem. Será que se está agora no caminho certo por vias tortas? Estaremos a regressar ao papel central do clínico geral no sistema ou vamos destruir tudo o que ainda resta subordinados a interesses de seguradoras e banqueiros? Melhoramos muito realizando este SNS, nada do que hoje fazemos tem alguma coisa que ver com o que fazíamos. A nossa história é um caso de sucesso. Com custos que podem ser racionalizados, mas com a certeza, que destruir o que foi conseguido, será um retrocesso lamentável.
Aqui nasce um papel decisivo para a terceira geração que nos ouvia: impedir a destruição daquilo que andámos a fazer, inspirados, muitas vezes, no que o Casimiro nos ensinou.
sexta-feira, abril 14, 2006
Elogio do simples
quinta-feira, abril 13, 2006
Veja onde o faz
Troica
De fora da troica ficou a pílula, verdadeiramente responsável, atestando, mais uma vez, que os verdadeiros construtores da obra ficam, com frequência, no anonimato e a fama é apoderada pelos que têm melhor promoção de imagem.
quarta-feira, abril 12, 2006
Manhã e tarde
Depois, o tributo ao bom senso. Uma forma de estar anti-liberal, trabalho solidário com a fragilidade. Só pelos sorrisos, mas com alguma noção de dever. Dever literal, que o crédito é grande de quem agora embrulha os passos no caminho e as palavras no discurso. Alturas houve em que me esperavam de braços estendidos quando era eu quem embrulhava os passos e ainda desconhecia as palavras que aos poucos me foram arrancando.
terça-feira, abril 11, 2006
Contradigo
segunda-feira, abril 10, 2006
Intervalo
De caminho passei por Glasgow, cidade onde apenas se deve ir a caminho de alguma coisa como a mim me aconteceu, de um Congresso Europeu de Endocrinologia, mas mais do que isso da possibilidade de nascer algo que enfrente a poderosa América, à primeira reunião da European Society, titubeante ainda entre interesses patrioteiros e a afirmação do global, condição única para ser grande, mesmo maior que a Endocrine Society. Que o Norte se imponha ao Sul e o caminho será fácil!
Em Glasgow vi, como um Lord de outras eras aqui viu também, gente porca cuspir no chão e disso aqui deixo registo. Uma terra onde é diariamente sexta-feira tal o índice de bebedeira que nas suas ruas se observa. Um escarro neoliberal. Em coisas e paisagens muito semelhante a cidades americanas do interior, de ruas direitas e largas onduladas pelas colinas suaves. São Francisco, sem porto nem leões marinhos e também sem Alcatraz e sobretudo sem Sausalito.
O resto foi tudo coisa vista. De cá meia centena de clínicos gerais em passeio com argumento de congresso, as mesmas conversas de jantares e de interesses que sempre se ouvem nestes locais. Tédio, bastante tédio e o risco de uns quilos a mais no regresso.
Chegado entre notícias de vitórias impossíveis, que Liverpool não acontece duas vezes, surge de novo o nada acontecer até que hoje, finalmente, Chirac cedeu e Prodi talvez ganhe. Do mal o menos, que mais não gozarei que pequenos contentamentos, tal a falta de crença a que cheguei.
quarta-feira, março 29, 2006
«Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara»*
Compete a uma Comissão técnica, propor não só as medidas, mas considerar a sua aplicação, a coerência das acções e, num ambiente de recursos limitados, propor até uma estratégia de hierarquia dos gastos. Não é inocente sugerir que se paguem as drogas e mutilem os estômagos e isso seja implementado e se fique pela sugestão das medidas de prevenção, sem as levar à prática COM RESULTADOS mensuráveis. Porque o tratamento desta peste é a prevenção, deixar alastrar o problema e tratá-lo a jusante, não é combate, é satisfação... da santa Economia. É aumentar o substrato!
E, realmente, nestas coisas das lutas tudo é político e quando os técnicos dizem que apenas o são, estão seguramente a fazer política, sendo que a tecnocracia é, habitualmente, política, mas da mais baixa. Por mim, prefiro ser técnico e político, obviamente, incorrecto, mas de um nível mais ao meu gosto. Fica-me, muitas vezes, a dúvida, se a cegueira existe ou se é apenas simulada. Como a mulher do médico «Hoje é hoje, amanhã é amanhã, é hoje que tenho a responsabilidade (...) de ter olhos quando os outros os perderam.*»
*Ensaio sobre a cegueira. José Saramago
terça-feira, março 28, 2006
O prazer
Revi hoje Séneca e aqui deixo este pedaço:
Porquê espantar-nos que possa ser vantajoso, por vezes mesmo desejável, expor-nos ao fogo, às feridas, à morte, à prisão? Para o homem esbanjador a austeridade é um castigo, para o preguiçoso o trabalho equivale a um suplício; ao efeminado toda a labuta causa dó, para o indolente qualquer esforço é uma tortura: pela mesma ordem de ideias toda a actividade de que nos sentimos incapazes se nos afigura dura e intolerável, esquecendo-nos de que para muitos é uma autêntica tortura passar sem vinho ou acordar de madrugada! Qualquer destas situações não é difícil por natureza, os homens é que são moles e efeminados!
Para formar juízos de valor sobre as grandes questões há que ter uma grande alma, pois de outro modo atribuiremos às coisas um defeito que é apenas nosso, tal como objectos perfeitamente direitos nos parecem tortos e partidos ao meio quando os vemos metidos dentro de água. O que interessa não é o que vemos, mas o modo como o vemos; e no geral o espírito humano mostra-se cego para a verdade!
Indica-me um jovem ainda incorrupto e de espírito alerta, e ele não hesitará em julgar mais afortunado o homem capaz de suportar todo o peso da adversidade sem dobrar os ombros, o homem capaz de alçar-se acima da fortuna. Não é proeza nenhuma manter a calma quando a situação é tranquila; é admirável, pelo contrário, conservar o ânimo quando todos se deixam abater, mantermo-nos em pé quando todos jazem por terra. O que há de mal na tortura e em tudo o mais a que damos o nome de «adversidade»? Apenas isto, segundo penso: o facto de nos abaixar, abater, humilhar o espírito. Ora nada disto pode suceder ao homem sábio, o qual se mantém vertical seja qual for o peso sobre os seus ombros. A um tal homem, coisa alguma deste mundo pode humilhar; um tal homem a nada do que é inevitável se recusa. O sábio não se lamenta se lhe acontecer algo daquilo a que a condição humana está sujeita. Conhece as próprias forças, sabe que não vergará sob o peso. Com isto eu não estou a colocar o sábio à parte do comum dos homens nem a julgá-lo inacessível à dor como se de um penedo inacessível se tratasse. Apenas recordo que o sábio é composto de duas partes: uma é irracional, e sensível, portanto, às feridas, às chamas, à dor; a outra é racional, dotada de convicções inabaláveis, inacessível ao medo, indomável. É nesta parte que reside o bem supremo para o homem. Enquanto o seu bem próprio ainda está por preencher, o espírito do homem pode resvalar na incerteza, mas desde o momento em que atinge a perfeição adquire para sempre a estabilidade total.
Séneca, in 'Cartas a Lucílio'
segunda-feira, março 27, 2006
O surrealismo da escolha
Fácil também é decidir, quando é incomparável o objecto da escolha que se faz, quando a diferença é de tal forma abissal que até os cegos a veriam.
Fácil, diria eu, é decidir quando, bem ou mal decidido, ainda somos responsabilizados pela escolha, quando somos nós que definimos os critérios para escolher.
Escolher sem ter escolhido antes, entre realidades de perto comparáveis e sem aplicarmos os nossos critérios para decidir tendo em vista objectivos a atingir, é a verdadeira dificuldade. Por mais, que tentemos satisfazer-nos com a escolha, resta-nos sempre a dúvida de termos feito o melhor. Mas isso acontece com qualquer escolha que fizessemos nestas circusntâncias, porque se calhar, o melhor, é um conceito inatingível no contexto em que nos mexemos.
Tanto mais que, nos dias que correm, já ninguém escolhe com este carácter de escolha definitiva. Mas isso é nas outras escolhas, que nestas ainda temos essa ideia de utopia e estabilidade. Daí a surrealidade de tudo isto.
domingo, março 26, 2006
Boa noite e boa sorte
Boa noite e boa sorte!
sábado, março 25, 2006
Todos iguais
quinta-feira, março 23, 2006
O Império do mal
quarta-feira, março 22, 2006
O futebol é uma escola (até para as escolhas)
terça-feira, março 21, 2006
Doentes ou utentes
Il gattopardo
domingo, março 19, 2006
Os cães
Na adivinhação do futuro se tem investido perscrutando o presente e o passado, usando a metodologia da ciência ou mesmo, quando dela alheados, através pelo recurso à adivinhação por outros métodos ou às mesmo só pela fé. A ciência, o conhecimento das leis que nos regem tem, ao longo dos tempos, gerado respostas para alguns dos medos, tem acabado com alguns deles, mas também não tem deixado de criar novas dúvidas, para a geração de novos medos. É difícil, pois saber qual o balanço, mas, possivelmente, será impossível fazer de outra forma.
Algumas vezes acontece criar-se uma ferramenta que simplifica a existência, como os computadores. Só que logo a seguir, a descoberta é desvirtuada pelos receios de quem manda (ou pela sua incapacidade de imaginar diferente) e aquilo que deveria simplificar, acaba complicando. Estas máquinas que nos poderiam libertar o tempo para actividades de lazer, acabam por nos encher o pouco tempo que disso tínhamos, por nos aumentarem ritmos de trabalho e porque, quem manda, tira em seu proveito o efeito libertador que em si encerravam. Na ânsia de criar mais vantagem, substituem os homens pelas máquinas, criando legiões crescentes de desempregados, melhorando a sua Economia, dispensando custos com recursos humanos (chateia-me esta expressão de recursos humanos. Gostava muito mais de serviço de pessoal. Esta considerava-nos pessoas, a outra coisas a que se pode recorrer. Acho que devíamos reinstituir os serviços de pessoal e recusar-nos a ser recursos humanos, dispensáveis a todo o instante.), gerando sempre mais lucro para si ou para um grupo cada vez mais restrito. E a descoberta que nos libertava, acaba, por fim, por nos oprimir. E tudo isto porque têm mais afectividade por um computador do que por uma pessoa. O primeiro reduz os custos de produção, a segunda aumenta-os. Só que se não percebe, exactamente, para que serve a redução dos custos se as pessoas ficam de fora. É aquilo que o cão faz ao tapar a comida só pelo hábito ou pelo medo do que vai vir, sem nenhuma evidência da necessidade do acto, só pela rotina de o fazer, sem a capacidade de reflectir na coisa. Atitude certamente justificável num cão, mas não seremos diferentes? Alguns, pelos vistos, não!
sábado, março 18, 2006
Curricula
Comissões
quinta-feira, março 16, 2006
Relatividade
O triste é não se ver a preacaridade de tudo isto, os tais 70 e tal anos (em média!) que nos separam de um tempo bem mais eterno, sem que ninguém escape a esta sina. Valerá assim tanto este tempo tão breve?
quarta-feira, março 15, 2006
Escolhas
Os problemas agudizam-se quando se fazem concursos de provimento. Existem umas normas gerais vagas sobre as quais os júris definem grelhas de avaliação que, à partida, podem valorizar o candidato eleito do júri. E não chega não se saber quem vai concorrer, basta conhecer-se o concorrente que queremos escolher. Nestes casos, a escolha só acaba por ser minimamente objectiva quando o juri não quer escolher ninguém em particular. Ou seja, o juri põe e dispõe, tem todo o poder. Seja feita a sua vontade. Trata-se de um exercício de pretensa independência, uma farsa para legitimar o ilegitimável. Curiosamente, apesar do rei ir nu, ninguém lhe aponta o dedo e acaba de vez com estes exercícios de estilo em que as pessoas se cansam em argumentos em que não acreditam e de que sempre resultam incómodos e sensações de injustiçados. Isto é, fica tudo chateado e nem mesmo os vencedores têm o prazer da vitória porque a dúvida (ou certeza) de terem sido beneficiados lhes retira essa oportunidade. Acedem ao poder, podem continuar a farsa. Então por que se mantêm estes exercícios? Por necessidade, porque se não existissem a subjectividade seria ainda maior, o compadrio exacerbava-se. É falso, em nada estes concursos o evitam, apenas aliviam a consciência (se existisse) dos elementos dos júris. A sua irresponsabilização mantém-se intacta, nunca a sua vida vai depender das escolhas que façam. Aliás, se optarem pelo mais cordatos e burros em detrimento de alguns mais brilhantes e naturalmente com ideias próprias, até acabarão por ter menos problemas de futuro. Conclui-se assim, que os concursos se mantêm para perpetuar o poder das chefias, para lhes conservar a irresponsabilidade e garantir os lugares. Mas tudo isto poderia ser diferente e menos doloroso se paenas se avaliasse com objectividade a chefia através de critérios de qualidade da acção produzida. Só que neste caso alguma coisa poderia ser posta em causa, especialmente seria colocado em cheque o poder. E como o poder não se oferece, não esperemos que nada mude, se nada fizermos para o mudar.
terça-feira, março 14, 2006
À volta
Foi assim que comecei o passado sábado, a reflectir sobre a generosidade dos homens. Com uma triste sensação de que, naturalmente, ela não existe, não passando de uma construção elaborada pela psicose de alguns. E mesmo esses, ao sentirem-se generosos, correm o risco de o deixar de ser. Porque a generosidade deixa de o ser quando percebida, naquele instante em que se converte em mais uma mercadoria que se tenta passar ao próximo. Aí, nesse instante, até pode converter-se no seu contrário. Conceitos destes devem ter nascido pela necessidade, ainda acredito que natural, de vivermos juntos uns com os outros, gerada pela natureza insuportável de vivermos cada um para seu lado. Fomos longe na psicose, criámos a necessidade das leis justas e até o Estado. E sempre que o medo nos assaltou, imaginámos o surreal para explicar o que não explicamos e criámos a religião. E assim temos vivido contranatura, quando como se vê que o que gostamos é do prazer, muito mais do que da realidade. E este conflito entre o prazer natural e a realidade criada nos tem acompanhado desde sempre. Hedonistas e estóicos por aí temos andado, criando éticas e morais.
Nos últimos tempos anunciaram-nos o fim da história e, depois de derrubarem o muro, querem convencer-nos a derrubar o Estado e a viver cada um por si, não percebendo bem que depois de estarmos sós logo iremos a correr reconstruir tudo de novo. Gostamos de andar às voltas. Afinal é assim que tudo parece andar desde os electrões aos astros todos. Era assim, de roda, que gostava de andar quando miúdo girava até vir a vertigem de um enorme prazer.
E neste intervalo apareceu morto o Milosevic, o Sampaio foi ver o Sporting, o Benfica teve o seu dia de azar (para variar), os iraquianos continuam a morrer como nunca, o Irão está quase a seguir-lhe as pisadas, as OPAs continuam animar as bolsas, as direcções dos hospitais continuam a vender o que é rentável aos privados e o Sócrates já está no poleiro há um ano. E está tão contentinho com o que fez!!! E já foi à Finlândia ver o que lhe falta fazer: pôr toda a gente a pagar impostos, dar ensino gratuito e universal, além da saúde e... ele deve ter visto. Vamos nós ver se viu.
quinta-feira, março 09, 2006
Hoje é o primeiro dia
quarta-feira, março 08, 2006
2-0
terça-feira, março 07, 2006
O terror do medo
Da derrota passei a um sentimento de vitória. Há assim uns dias em que a ciência é, com vantagem, substituída pelo bom senso. São aqueles em que eta actividade se torna gratificante.
domingo, março 05, 2006
A fotografia
quinta-feira, março 02, 2006
Democracias do Demo
Evidências (ou serão provas?)
Num tempo de medicina baseada na evidência (aquela que muitas vezes a indústria cria ao sabor das cotações) não deixa de ser curioso ver toda a eficácia da arte de que esta actividade tanto é feita. Sem dúvida que, entre les deux, o meu coração balança.
Ainda deu este episódio, para andar a ler as portarias (543/2001 de 30 de Maio) de comparticipação do Estado nos preços e a polémica que foi a determinação de ter de se escrever o nome da doença nas receitas e da tentativa de restrição de prescrição, para se obter a comparticipação, a certos especialistas. Em nome da ética, disse-se que não podia ser, a primeira violava o segredo profissional, a segunda discriminava os médicos e dava-lhes diferentes competências. É claro que o sigilo quebrado com a menção da doença é uma opção do doente, que poderá sempre optar pelo pagamento integral e que os médicos não são de forma alguma igualmente competentes para prescreverem tudo e mais alguma coisa. Pode até dizer-se que a decisão de autorizar a escrever o diagnóstico é discriminatória para os doentes, tramando os mais pobres, obrigando-os a deixar que a menção seja feita e favorecendo os que podem pagar os medicamentos. Claro, que esta deve ser a única desigualdade que existe em todas estas e outras muitas coisas... Pois os princípios éticos são muitas vezes o favorecimento da ética do vendedor e facilitar as prescrições é, seguramente, o melhor meio de aumentar as vendas e lucros, afinal, pouco éticos a quem basta soprar a cultura, deixando a outros a sujeira nas mãos. Como se constata, afinal, dá jeito ter um Estado gastador, embora se continue a exigir-lhe que baixe os impostos, não se percebendo muito bem como o fazendo poderá garantir os pagamentos.
quarta-feira, março 01, 2006
Solidariedade
Felizmente, como no Astérix, há sempre quem resista às certezas do Império e continue a pensar que o mundo é feito de pessoas empenhadas num precurso comum. É por isso, que vão a casa de quem vive só, conversar um pouco ou comprar um pacote de manteiga ou, simplesmente, permitir que a mulher saia da prisão que é a casa onde se vive com alguém dependente, preso com o receio de que possa acontecer alguma coisa. Esta gente sabe a palavra proibida, marginal, que, ainda não há muito, era propaganda: solidariedade. São eles que aprenderam (e me ensinaram) que a televisão não é companhia para esta gente idosa. Realmente, tanta exuberância, riso e felicidade, só os isola mais, só os humilha, mostrando-lhes um mundo a que, definitivamente, não pertencem e que os domina.
domingo, fevereiro 26, 2006
sábado, fevereiro 25, 2006
Anjos com pés de burro
sexta-feira, fevereiro 24, 2006
Modelos
É que as mensagens querem-se alienantes, emotivas, com tudo o que possa afastar a mais breve reflexão. Nos dias em que andamos, reflectir é subversão, algo que deve ser evitado de todas as formas. Mostrem-nos as lágrimas e os risos dos outros para que não nos passe pela cabeça rir ou chorar e nos limitemos a andar por aí, máquinas obedientes.
quinta-feira, fevereiro 23, 2006
quarta-feira, fevereiro 22, 2006
Combates
Por mim fica-me a ideia de que precisamos continuar a proibir (lixo alimentar nas escolas e não só), para que eles promovam cada vez mais alimentos saudáveis.
terça-feira, fevereiro 21, 2006
Consulta
segunda-feira, fevereiro 20, 2006
Breve
quinta-feira, fevereiro 16, 2006
Negligência
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
Momentos de uma profissão
Hoje ainda respirava e, tranquilamente, com olhar agradecido dizia, foi este, apontando-me o dedo. Mas afinal foi apenas ela, eu poderia ter sido obrigado a fazer outras coisas. E naquele momento de agradecimento, fico com o desejo inconfessável de que tenha alta, de que seja transferida para outro lugar qualquer antes da minha próxima urgência interna.
terça-feira, fevereiro 14, 2006
A santa
É com esta simplicidade de texto que a TSF nos dá a notícia. Quando alguém vos disser que os salários não podem aumentar porque há necessidade de criar riqueza antes de a distribuir e que temos de fazer sacrifícios e tal, expliquem-lhes que estão amentir a toda a força. Não é assim que funciona a sagrada economia que os inspira. Essa é mais como explica a notícia acima. A tal economia em nome da qual passam o tempo a pedir-nos sacrifícios, não é para melhorar a vida das pessoas, é para corresponder, para se aproximar dos lucros esperados, especulados. Nos últimos tempos a dita tem procurado chantagear-nos, dividir-nos, negociar caso a caso, destruindo a coesão que nos pode fazer fazer-lhes frente. Ontem no Hospital de São João, enfermeiros protestaram contra a precaridade do emprego. Querem tornar-nos precários, sem qualquer tipo de garantias e em troco de pouco mais do que insegurança. Andam a vender o Estado, delapidando tudo o que pode dar lucro, oferecendo-o aos privados. Houve um tempo em que se resistia e ram tempos duros de resistência. Que se passa agora? Como aceitamos a mordaça?
Esta economia, que nos querem fazer passar por única, não nos serve, queremos outra. A história continua, há mais mundos além dos desenhados pelos sábios do Império e adoptados pelos subditos da terra.
segunda-feira, fevereiro 13, 2006
Agostinho da Silva e o outro Silva
| “Do que você precisa, acima de tudo, é de se não lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que mais valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu do que todos os acertos, se eles foram meus, não são seus. Se o criador o tivesse querido juntar muito a mim não teríamos talvez dois corpos distintos ou duas cabeças também distintas. Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. É possível que depois da oposição, venha a pensar o mesmo que eu; mas, nessa altura. já o pensamento lhe pertence. São meus discípulos, se a1guns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem” (Agostinho da Silva, "Cartas a um jovem filósofo") |
«Raramente me engano e nunca tenho dúvidas»
(outro Silva)
Um é filósofo o outro nem sei que diga, mas dizem ser economista. Se calhar melhor se vive sem a sua economia do que sem a filosofia do primeiro, que partiu há 10 anos.
domingo, fevereiro 12, 2006
Ideias soltas
Prevaricar em benefício próprio deverá ser um dos principais combustíveis que nos fazem mexer. O gozo maior vem de enganar o outro, seja ele Estado ou colega. Cada vez que mais olho à procura da natureza dos homens, mais me parece ser isto verdade. O hedonismo é o nosso estado natural. Que poderíamos fazer e faríamos se tudo nos fosse permitido? Pois é, foram precisas as religiões e as leis do Estado para nos controlar. Acontece, que nos últimos anos temos cada vez mais abandonado a religiosidade e agora nos esforçamos por liquidar também o Estado. Se calhar é a Natureza e esta Evolução que explicam o estado a que estamos a chegar. O avanço da ciência retira-nos os medos e a necessidade de acreditar, porque só é preciso acreditar no que se não sabe. Quando sabemos, não precisamos de crer, sabemos simplesmente. à medida que sabemos, dominamos, temos novos poderes, não precisamos de invocar os favores de Deus. Compreendemos os fenómenos e controlamo-los. Tudo por nossa conta, sem apelar a ajudas. Qual então a necessidade de um estado para nos limitar os nossos poderes?
Mas o conhecimento não é universal, por isso o que ficou dito aplica-se a quem o tem e são esses quem propõe a sua libertação. Já agora em nome de todos para facilitar o seu domínio.
Aos outros, que por acaso são a esmagadora maioria, compete caminhar contra-natura, o que é, obviamente, uma caminhada bem difícil.sexta-feira, fevereiro 10, 2006
Liberdade
Fazer um quadro visível melhor ainda que escrever um livro, mesmo que de linguagem quase matemática como as intermitências da morte, é programa de uma vida. O que é já em si uma expressão curiosa, porque programa será qualquer coisa que a vida deve ou não ter. Aqui os conceitos divergirão entre os que opinam que a vida é um momento e os outros que mais a vêem como uma sucessão deles com um destino a construir. Para os últimos o programa acaba por ser a própria vida, enquanto que para os primeiros um obstáculo que se lhe põe no caminho. É difícil decidir qual a opção mais valiosa. Tenho de aceitar que me atirem na cara que fumam estando conscientes dos riscos, que comem pelo gozo que lhes dá sem que ninguém tenha nada que ver com a obesidade de que sofrem ou a diabetes que virá, que bebem porque aquela colheita é o complemento necessário do prato que os deleita. E até podem ter toda a razão, que destas há mais do que uma e cada qual se não deve impor às concorrentes tudo dependendo das convicções mais profundas de cada um. Até entendo que um cidadão americano não use cinto de segurança, nem capacete na cabeça quando corre recostado na Harley. Quando se estampa é ele que paga a conta… Nos grupos em que há compromissos repartidos, onde o indivíduo ainda não esmagou a ideia do conjunto, as coisas possivelmente terão de ser vistas de forma mais prudente. Temos os direitos que acordámos ter com os que nos estão à volta. Neste caso, as nossas opções sofrem desse condicionamento, somos menos livres à custa de sermos mais tranquilos. Podemos optar entre o momento e o programa dos compromissos, o que se não pode ter, é estarmos com um pé de cada lado da parte boa da coisa, toda a liberdade e alguém que pague a conta. Sapo estas coisas que às vezes são pouco pensadas.
quarta-feira, fevereiro 08, 2006
Caricato
Vivemos num mundo irreal, distorcido, caricaturado e em equilíbrios de medos.
domingo, fevereiro 05, 2006
A morte e o poder
Depois de uma sexta-feira nauseada apesar da domperidona, preparava-me para um fim-de-semana calmo de reorganização de papéis. Estava eu nessa actividade quando, durante uma chamada telefónica, a minha mãe que descrevia em
Precisava de um domingo de repouso e consegui! O rapto no serralho já estava à espera de ser visto há uns dias e foi o primeiro momento alto do dia. Há um tipo que há 250 anos, nos fala de coisas simples como o de resistir por ideais, da possibilidade de o fazer (continuo a acreditar que ainda é, mas já somos poucos), de que a morte pode ser uma passagem para a paz, e de que o verdadeiro poder é a generosidade de perdoar e respeitar a vontade dos outros. Este é o poder que dura séculos, bem diferentes dos breves poderes que matam por necessidade, por medo. Os poderosos não têm medo, não precisam de subidas imediatas de cotações das acções. Bem diferente, do que se vê no Fiel Jardineiro, o filme da tarde. Também aqui a morte garante melhor a paz do que a força bruta do poder.
No meio disto, a discussão das caricaturas de Maomé não merece mais comentários do que os feitos por
sexta-feira, fevereiro 03, 2006
O prémio
Já ontem a entrevista feita ao Bill Gates mostrava o fosso dos conceitos, neste caso da jornalista pobrezinha e do homem (é assim que se chamam os que não são doutores, engenheiros e tal) rico. Ela a falar de protecção, ele de livre inovação. Ela não percebia, ele explicava por que não pode parar de inovar.
Somos um país de cansados, desistentes por falta de estímulo e rigor nos contendores. Andamos em correrias pequeninas na pequena aldeia, sem nos confrontarmos com o deafio global, sem perceber que de nada serve sermos os melhores na pequena aldeia, razão de patrioteirismos de bandeira na janela, E vivam os nossos heróis mourinhos de além mar cantados nos sermões dominicais do professor. Nada nos safa desta pequenez. Mas, na verdade, não é inocente a coisa que assim se determina. Os prémios são razoáveis, muito acima mesmo dos méritos dos concorrentes. E assim se vão criando mitos e autoridades em matérias no país. Autoridades no sentido policial ou guarda-republicano do conceito, autoridades e não referências como bom seria que fosse.
quinta-feira, fevereiro 02, 2006
Sem óculos
quarta-feira, fevereiro 01, 2006
Dilema
terça-feira, janeiro 31, 2006
O Aparelho
segunda-feira, janeiro 30, 2006
Palestina
domingo, janeiro 29, 2006
Deslocalização (cá dentro lá fora)
(Imagem do chaparro com neve)1. Desde quinta-feira que ando a viajar cá dentro, lá fora. Primeiro foi durante a manhã de quinta, quando na Aula Magna me informaram que agora tinha ao dispor uma biblioteca digital ao alcance de uns cliques. Não mais necessidade de assinar revistas, gastar milhares. Agora a parceria HSM-FML põe ao dispor dos seus funcionários envolvidos na prestação de cuidados aos doentes toda a informação útil disponível. Ainda não tentei, mas parece que estou lá fora, estando cá dentro.
3. Estes congressos cá dentro têm pouco factor de notícia. Só que
4. No regresso nevava em Alcácer a lembrar-me outras viagens no Colorado, onde a viagem começa com sol e aos poucos a neve vai cobrindo a beira da estrada e o gelo se acumula nos limpa para-brisas. Neve no Alentejo, para estar dentro e a sentir-me lá fora mais uma vez. Numa demonstração de que os mundos são muito iguais e que as diferenças terão de procurar-se noutros sítios ou no que a história foi fazendo às gentes que os habitam.
terça-feira, janeiro 24, 2006
Crise, foi o que disse?
segunda-feira, janeiro 23, 2006
Um dia depois
A evolução dos resultados das eleições foi bem curiosa. No início, traduzindo a votação das pequenas freguesias do interior do país, Cavaco ia bem destacado, quase ao nível das sondagens de há uns tempos. Depois, à medida que os votos do litoral e dos centros maiores foi tomando maior expressão, caiu, caiu quase até ao limiar do que seria a sua desgraça e teria tido imensa graça. Acabou a ganhar pela margem escassa que se viu. Mas isto é como no futebol, não interessa como se ganha e só há dois resultados que importam. Mas a primeira reflexão é esta, os mais abandonados, as gentes do interior ficam ainda deslumbrados com os Professores de Finanças. O outro ainda anda por cá muitos anos depois. A boa coisa, é que as coisas terão obrigatoriamente que mudar, porque não somos eternos, nem continuamos descalços.
Ainda me não tinha dado conta da incapacidade de Soares. Ele está em boa forma física, pensa bem aparentemente, mas, na verdade, faltou-lhe discernimento para recusar a armadilha dos cortesãos. Convenceu-se que bastava ter a corte, que menciona à exaustão, de intelectuais, artistas, pintores e outros doutores para ganhar. Tem um conceito aristocrático da política. Depois de ter há anos metido o socialismo na gaveta, pensava agora que lhe bastaria a corte, para fazer o seu passeio triunfal. Pecado original, esqueceu-se dos plebeus e que vivemos na República, onde os votos dos notáveis são iguais aos dos outros. A sua visão de um mundo pequeno e estreito não lhe permitiu ver mais amplo. Às vezes, escreve-se direito por linhas tortas e cá se fazem, cá se pagam. Merece, ainda assim, umas boas férias (espero que pagas pelo Engenheiro Sócrates).
De positivo, a vitória de Jerónimo no campeonato da esquerda que tem alguma semelhança com o que aconteceu a Cavaco. Louçã manifesta as preocupações elevadas dos filhos da burguesia, com complexos de esquerda, Jerónimo está mais perto do povo, é mais básico, não publica em revistas internacionais como o povo também não, não está assim tão preocupado com alguns lobbies da cidade a quem o povo chama nomes feios. E que é feito dessa imagem de linha dura que lhe davam os sábios da terra há uns tempos mais atrás?
De negativo, o episódio arrastão número 2. Falava Alegre, quando noutro lado, por uma coincidência do caraças, começou Sócrates a falar. Os jornalistas em bando subserviente foram arrastados para ouvir e fazer-nos ouvir o Engenheiro deixando Alegre a falar para os ouvintes daquela sala. Mais um case-study para alunos de jornalismo. Até parecia que o Manuel Alegre continuava a ser o terceiro candidato, como foi toda a campanha na palavra dos sábios comentadores.
E agora, que fazer no dia seguinte? Não me parece errado pensar que o país tinha esquerda que chegasse para derrotar o Professor na segunda volta. O que aconteceu ontem foi que alguma classe média relativamente bem na vida, decidiu punir o Engenheiro pelas recentes medidas que tem tomado. Funcionários públicos, professores, juízes, gente perto da reforma, não tem gostado desta governação e numa atitude fácil, decidiu castigar o Governo. Aliás, isso faz-me pensar que teria sido mais complicado a Alegre conseguir o que se conseguiu se tivesse o PS por trás. Corria o risco de ser ele o alvo da ira desgovernada daquela gente para quem Cavaco, afinal, nem é assim tão grande problema. Assim, apesar da derrota, houve uma oportunidade de criar alguma esperança de que as ideias e vontades de cada um não sejam assim tão desprezíveis e inúteis. Nos últimos meses, verificou-se que quando as ideias e vontades se juntam, algo nasce. Mas percebeu-se também que falta a máquina por trás. Na verdade, a campanha Alegre pode ter sido fundamentalmente uma comunhão de gente contra. Contra Cavaco, contra os aparelhos partidários, contra o facto de se ser velho, sem um programa bem definido, apenas unidos por esse cimento de se ser contra coisas que não gostamos. Se assim tiver sido, foi um erro sem grandes consequências. Mas pode ter sido também, um alinhamento à volta de ideias de solidariedade, de anti-neoliberalismo. Nesse caso, pode vir a ter pernas para caminhar. Compete aos socialistas que estiveram neste combate irem para dentro do Partido, obrigar à mudança de rumo, acreditarem que o caminho é para a esquerda e que o alvo do crescimento não são os descontentes rolha que ora viram para cá, ora se afastam. Isso garantirá alguns empregos de tempos a tempos, mas não a melhoria do país. Consolidar a esquerda à esquerda deveria ser o caminho. Sócrates, com poder garantido por mais 3 anos, devia igualmente apostar nesta via. Se o não fizer terá um destes dias um lugar honorário e bem pago numa qualquer organização internacional. Deixará o caminho aberto à maioria com Presidente de direita e a selva terá, então, um bom clima para se desenvolver na plenitude.
domingo, janeiro 22, 2006
60000 e tal
2745491
Ele é o senhor Presidente
Maus sinais
Perdemos... A luta continua!

Ainda mexe....
Se isto se não inverter definitivamente será bom reconhecer que foi uma derrota e ter o bom senso de resistir a tentações de continuar a dividir ainda mais a esquerda. Unir a esquerda com estes resultados significa também para Sócrates a obrigação de mudar de rumo, perceber que apesar dos seus erros o país é maioritariamente de esquerda. Dessa forma terá o apoio do povo da esquerda e o problema será eventualmente de Cavaco.
Pois... (real-time)
Crime! Haverá castigo?
sábado, janeiro 21, 2006
sexta-feira, janeiro 20, 2006
Resistir!
Só isso valeu a pena. E eu dei comigo, quase 30 anos depois a ir a um comício. Já valeu a pena. Esperemos por domingo à noite. Desistir seria grande falta de educação!
Desejos de um fim-de-semana o mais ALEGRE possível.
Citação:
«Que o poema vista de domingo cada dia
e atire foguetes para dentro do quotidiano.
Que o poema vista a prosa de poesia
ao menos uma vez em cada ano.
Que o poema faça um poeta de cada
funcionário já farto de funcionar.
Ah que de novo acorde no lusíada
a saudade do novo o desejo de achar.
Que o poema diga o que é preciso
que chegue disfarçado ao pé de ti
e aponte a terra que tu pisas e eu piso.
E que o poema diga: o longe é aqui.»
quinta-feira, janeiro 19, 2006
Sempre a abrir!
Este é o combate, derrotar o Professor. E mesmo aqueles que se identificam com a esquerda consequente e normalmente estariam a apoiar Jerónimo no combate contra o Professor, necessitam de também de acertar na opção. A decisão é perceberem se lhes é indiferente Soares ou Alegre. Soares já foi uma vez sapo, hoje há uma alternativa. Por isso, a escolha nunca me foi difícil desde há muito. Porque é claro que no país saloio, não será Jerónimo nem Louçã que terão alguma possibilidade. esse seria um país de vanguardas. Resta saber até que ponto vai o orgulho saloio. Nos States foi até à reeleição. Queiramos que aqui não seja assim, sejamos Deuses por uma vez. Sempre a abrir!
quarta-feira, janeiro 18, 2006
--> = <-- (Ou o enigma d' OCAVACO)
O texto não é novo, mas continua actual. Acontece de tempos a tempos. Acontece agora numa variante curiosa que é o mito associado à amnésia, com uns posinhos de magia de ilusão de mudança. Tudo isto temperado com silêncio quanto baste. Uma receita que os mágicos do marketing consideram infalível. Mas é apenas isso, o mito por mais bem vestido qe o sirvam, não será nunca realidade. E na verdade, há coisas que não mudam. Quer o leiamos da direita para a esquerda, quer da esquerda para a direita O CAVACO, será sempre e apenas OCAVAC O. Igual agora ao que sempre foi, por mais artifícios cosméticos que o marketing lhe faça. O homem continuará realmente a mentir, quando trauteia a Grândola, quando não ouviu na véspera a entrevista do senhor Lopes ou simplesmente quando não dá crédito às sondagens que mostram a sua queda. E mentir, ainda mais com a sua falta de jeito, é coisa que fica muito mal a um presidente. Por uma questão de educação, mas também estética, compete-nos impedi-lo.
terça-feira, janeiro 17, 2006
O Mourito
Pausa apátrida
Mais reflexivo fiquei quando ontem vi o princípio de um debate sobre a Pátria. Por mim não preciso de Pátria, mas de libertação daqueles 2 milhões e de muitos outros mais. O nome do país, a pátria são secundários. Até hoje, esta coisa da pátria só serve para se dizer que fomos os primeiros em Portugal (quando a façanha já foi realizada por quase todos os outros) ou que um nosso qualquer teve um qualquer feito lá fora (até deliramos quando um piloto de F1 fica em último com grande regularidade). Como eles diziam, somos saloios, mas, sinceramente, eu não fico particularmente feliz com isso. Da mesma forma que feliz não fico, com os muitos milhares de milhões que por esse mundo fora vivem com menos de 2 dólares por dia, muitos a fazerem aquilo que desfrutamos. Nem quero que a minha pátria sirva para manter esse estado de coisas.
sábado, janeiro 14, 2006
De encavacado a escavacado
sexta-feira, janeiro 13, 2006
Maus sinais
quinta-feira, janeiro 12, 2006
Cidadania - a nova descoberta no país dos mudos
Naquele país, não ficaram apenas surdos. Também ficaram sem gosto. Até se diz que é uma pátria de desgostosos.
Naquele país, além de surdos e sem gosto, também perderam o tacto. Incapazes de se sentirem apalpados, continuam a sê-lo à fartazana, mas já não sentem e muito menos ainda lhes resta a vontade de apalpar alguma coisa.
Aliás, naquele país, alguns até já nem querem ver, o maior desejo que têm é mesmo ignorar a realidade. E, assim, avançam determinados para a cegueira.
Naquele país, o imobilismo cresce, a podridão avança, lançando um cheiro fétido no ar. Alguém já disse mesmo tratar-se de um pântano. Mas, naquele país, também já perderam o olfacto. Uma adaptação fundamental para se poder viver no meio da podridão.
Naquele país, foram-se já os sentidos todos. Resta só saber se faz sentido um país onde os que lá estão já não têm sentidos.
Como no Astérix, contudo, naquele país, ainda há, num cantinho, um quadrado que resiste. Um grupo de cidadãos que escapou a esta epidemia de liquidação dos sentidos. Segundo as vozes da ciência, terão em circulação uma substância (cidadania), recentemente (re)descoberta, que os protegeu e lhes permitiu resistir e continuar a serem Cidadãos. Esperam conseguir disseminar esse produto a muitos outros, ressuscitando-lhes os sentidos, a tempo de evitar, uma vez mais, a vitória dos mudos.
quarta-feira, janeiro 11, 2006
Reformas
Por exemplo, se chegassemos à conclusão que o nível máximo de reforma seriam 3500 euros por mês (dez vezes o ordenado mínimo, isto é, pagar por não trabalhar, 10 vezes mais do que se paga a quem trabalha), o Professor Cavaco, deixaria de poder auferir da sua tripla reforma (Banco Portugal, ex-PM e professor) de mais de 9000 euros, para ter apenas 3500 (se fosse eleito, com o vencimento de PR, deixaria de ter reforma por o vencimento já ultrapassar o tal plafond). Só para dar um exemplo de um cidadão que se diz preocupado com esta coisas...
terça-feira, janeiro 10, 2006
Boa educação
Entretanto, Soares já chama a si a responsabilidade da derrota. Seria altura de levar a ideia às últimas consequências e deixar campo aberto à única verdadeira alternativa da esquerda.
Cada vez mais me parece que é verdadeiramente uma questão de boa educação votar Manuel Alegre.
segunda-feira, janeiro 09, 2006
Campanha triste
Há, no entanto, momentos altos. como aquele de ouvir Cavaco apelar ao diálogo e necessidade de concertação social. É o insólito absoluto. Ou laranja com muita Vodka.
domingo, janeiro 08, 2006
Estado
"O Estado não é, de forma alguma, uma força imposta, do exterior, à sociedade. Não é, tão pouco, “a realidade da Ideia moral", “a imagem e a realidade da Razão como pretende Hegel. É um produto da sociedade numa certa fase do seu desenvolvimento. É a confissão de que essa sociedade se embaraçou numa insolúvel contradição interna, se dividiu em antagonismos inconciliáveis de que não pode desvencilhar-se. Mas, para que essas classes antagónicas, com interesses económicos contrários, não se entre devorassem e não devorassem a sociedade numa luta estéril, sentiu-se a necessidade de uma força que se colocasse aparentemente acima da sociedade, com o fim de atenuar o conflito nos limites da “ordem”. Essa força, que sai da sociedade, ficando, porém, por cima dela e dela se afastando cada vez mais, é o Estado”.
Eis, expressa com toda a clareza, a idéia fundamental do marxismo no que concerne ao papel histórico e à significação do Estado. O Estado é o produto e a manifestação do antagonismo inconciliável das classes. O Estado aparece onde e na medida em que os antagonismos de classes não podem objetivamente ser conciliados. E, reciprocamente, a existência do Estado prova que as contradições de classes são inconciliável das classes. O Estado aparece onde e na medida em que os antagonismos de classes não podem objetivamente ser conciliados. E, reciprocamente, a existência do Estado prova que as contradições de classe são inconciliáveis.
Vem isto, de alguma forma, a propósito do post precedente e para se entender que nada surge por acaso. É curioso como o neoliberalismo faz a apologia do menos Estado, quando só com ele beneficia. Na verdade, querem o reforço do seu Estado para poderem manter o chamado estado das coisas.
Negligência de Estado
sábado, janeiro 07, 2006
Lamento
Fotografia no Expresso de hoje.Isto é, claramente, um jornalismo rasca! É também a demonstração do poder de um dos donos do Poder, a quem a meio da semana Soares importonou, chamando a atenção para a campanha contra a sua campanha. Uma reacção, muito possivelmente motivada pela passagem da resposta que deu há dias em altura de cansaço e que um mínimo de seriedade jornalística teria ocultado. Na verdade, o homem não deve ser eleito Presidente por estar velho (que até nem está tanto assim), ele não deve ser eleito porque as suas ideias não servem, porque está a ser apoiado pela ala direita de um Partido que se quer ver livre dele, empurrando-o para a frente. Em certa medida apostam no seu lado bonacheirão e deixa andar, que permitiria se fosse eleito continuar, a lamentável política de direita do Socratismo. Esse seria o risco da sua eleição, a facilitação das orientações direitistas deste executivo. Por isso, é Soares tão apoiado por alguns financeiros.
Na prática, ao insistirem na ideia da incapacidade de Soares, pode até ser possível que acabem por aumentar o peso da única alternativa de esquerda nesta eleição. Mas também não é por essa via que Alegre devia lá chegar, mas, e somente, pela afirmação de que há uma esquerda que não mete o socialismo e a solidariedade na gaveta, que existem mais mundos e histórias para além da oficial.
sexta-feira, janeiro 06, 2006
Crossroads
quinta-feira, janeiro 05, 2006
Diferentes e iguais
Mas o que os motiva (a uns e aos outros) não é muito diferente. Uma forma absurda de obscurantismo, a visão maniqueísta de um mundo de forças do bem e do mal. Depois, tudo acaba de uma forma bem democrática, à qual ninguém sabe escapar, porque ainda há alguma coisa que se não compra para tranquilidade dos que pouco têm. Chegada a altura, as diferenças esbatem-se e tudo acaba de forma bem igual. Podemos imaginar o reencontro e pensar se não haverá lugar para auto-crítica.
quarta-feira, janeiro 04, 2006
Dois reparos
Depois, subitamente, na cerimónia que já estava a ser chata, acordou a sala. Informa-nos que andam a ameaçar o Conselho de Administração!! Ele sabia muito bem que essa ia ser a notícia. Teria sido necessário ser o Ministro a dá-la? Com esta saída, penso que saberia que ninguém mais iria discutir a EPE (ainda não sei se o E primeiro, é de entidade ou empresa, ou se isso tem alguma diferença...). Logo, nas notícias era o crime prometido e anunciado por ele, que iria ser a notícia. Perdeu-se assim a oportunidade de divulgar o significado da sigla e, fundamentalmente, explicar qual a diferença que se anuncia e que assim continua promessa oculta em nevoeiro. Mas mais grave, atirou para o ar uma suspeita que recai sobre mais de 5000 funcionários. Noutras ocasiões partiu cadeiras, hoje mostrou um estilo tipo 24 horas, cheio de pressa de fazer notícia, quando a verdadeira só o será quando a Polícia nos contar o que se passou. Julgo que não haveria necessidade e foi gratuito. Ou haverá algo de mais maquiavélico por trás deste incidente? Estará a preparar alguma para o que necessita de ter algum clima propício?
Estariam cerca de 300 pessoas na sala, logo, gastaram-se 300 horas mais coisa menos coisa? Será que valeu a pena?
terça-feira, janeiro 03, 2006
EDP
A independência depende da capacidade de decisão e esta da posse dos bens. Em troca de migalhas, como no século XIV, uma burguesia sem princípios nem pátria, nega o Estado em benefício próprio, ao sabor das conveniências (basta lembrar a história do Totta e Champallimaud).
Vai ter novamente que ser a arraia miúda a matar os novos Andeiros. As independências hoje, não se definem por linhas de fronteiras terrestres, mas mais por conceitos de evolução histórica. Patriota, da minha pátria, é quem puser areia nas engrenagens do liberalismo, quem o conseguir fazer gripar. Esse é o caminho. Ainda temos algumas acções no Estado, nas empresas mandam os accionistas que não somos. Garantir o Estado é a melhor forma de preservar a independência, isto é, a nossa capacidade de decidir.
segunda-feira, janeiro 02, 2006
Ritmos e azuis
A partir de hoje trabalho numa empresa pública do estado. A Santa Maria estilizou-se na imagem e continua pública, sabendo-se que do Estado já seria. A dúvida é a inovação da empresa. Uma dúvida grande ainda assim.




