«Já se não encontra gente dessa hoje em dia». Ouvi no corredor quando chegava ao hospital. É curiosa esta afirmação que traduz a percepção de que, como espécie, estaremos a piorar. Gente dessa era gente com preocupações com os outros, que tinha como valor negativo o individualismo, que achava a hipervalorização pessoal algo de quase criticável. Gente dessa, era afinal gente boa que dava jeito ter à mão. Gente generosa muitas vezes, porque treinada a pensar e a encontrar respostas.
Lembrei-me então de como na época da facilidade de comunicação, é difícil ter gente à mão. Por exemplo, ligamos para um serviço e começam por dar-nos música. Depois, vem a gravação dizer-nos que a chamada está em espera. Segue-se outra gravação (ao vivo), que nos «agradece o tempo que esperámos» e que, após a nossa pergunta, logo nos pede para esperarmos mais um pouco. Momentos depois, retoma a conversa com o novo agradecimento por termos estado à espera. Mas é como se nada estivesse a dizer-nos. Realmente, a jovem não nos está a agradecer nada, está a debitar uma mensagem que lhe gravaram na cabeça. Depois de consultar o algoritmo, sai a resposta. Se não nos convencemos, teremos nova pausa e novo agradecimento gravado e ao vivo minutos depois. E tudo sempre de acordo com o algoritmo, sem margem para pensar, para reflectir, para ter opinião. Afinal não falamos, não comunicamos, do outro lado está apenas um folheador de algoritmos elaborados por entidades ocultas que esperaram ter todas as respostas para as nossas perguntas. Dantes, alguém de quem não sabíamos o nome (agora dizem-nos como se chamam, mas também ficamos sem lhe sabermos os nomes) dizia-nos o que pensava, o que sabia sobre o que lhe perguntávamos. Agora só ficamos com as meias respostas de seres ocultos. Quem nos responde já se habituou a não ter opiniões nem conhecimentos, apenas folheia algoritmos. Desiludidos com isto, destreinamo-nos de questionar, porque o mais certo é não obtermos respostas. Tempo perdido.
sexta-feira, junho 30, 2006
quarta-feira, junho 21, 2006
De Cape Cod
Afinal ainda não foi desta que o blog morreu. Excesso (nunca é!) de férias tem impedido vir aqui deixar algumas notas.
Acontece que hoje cheguei onde a geografia deste país faz músculo com o braço esquerdo e sobrou um pouco de tempo no meio desta azáfama.
A viagem desde Bóston faz-se, em ritmo americano sem conflitos com a polícia, em cerca de 3 horas até Hyannis, quase no meio do antebraço de Cape Cod. A auto-estrada é um rasgão pelo meio de uma floresta. A península tem o charme habitual destes locais de ir no Verão, com as pequenas casas de madeira, frequentemente enfeitadas pela bandeira americana como agora está na moda. Optámos por vir pela 6A, mais perto da costa, em vez de usar a auto-estrada que corre a meio do braço.
De um lado e do outro da estrada ou a vegetação e os relvados das casas numa sucessão de inns, B&Bs e restaurantes onde domina o marisco como oferta. Parece que é para isso que aqui se vem. E nós fizemos o que tem de se fazer, no Marathon seafood em Dennis, um tasco de beira de estrada (como nos filmes) onde os lombos de lagosta e a clam chowder cumpriu acompanhada da Budweiser clássica.
Durante a manhã ainda se tinha andado pelo Quincy Market e percorrido a Beacon Hill St em Bóston na busca do Cheers que agora, afinal, se transplantou para Quincy Market, ficando na Beacon nº 84, o Bull and Finch, onde a ligação ao bar da série se limita à bandeira e à loja de franchising do Cheers. De volta passou-se pelo Public Garden e pelo Bóston Common antes de chegar à agência de aluguer do carro em que viajámos. Como já nos habituámos, não se pode parar a olhar para um mapa que logo vem um simpático americano safar-nos da desorientação. Mas sobre América e americanos, tentarei voltar nos próximos dias, recordando aos poucos o que tem sido esta viagem desde o dia 10 de Junho.
Acontece que hoje cheguei onde a geografia deste país faz músculo com o braço esquerdo e sobrou um pouco de tempo no meio desta azáfama.
A viagem desde Bóston faz-se, em ritmo americano sem conflitos com a polícia, em cerca de 3 horas até Hyannis, quase no meio do antebraço de Cape Cod. A auto-estrada é um rasgão pelo meio de uma floresta. A península tem o charme habitual destes locais de ir no Verão, com as pequenas casas de madeira, frequentemente enfeitadas pela bandeira americana como agora está na moda. Optámos por vir pela 6A, mais perto da costa, em vez de usar a auto-estrada que corre a meio do braço.
De um lado e do outro da estrada ou a vegetação e os relvados das casas numa sucessão de inns, B&Bs e restaurantes onde domina o marisco como oferta. Parece que é para isso que aqui se vem. E nós fizemos o que tem de se fazer, no Marathon seafood em Dennis, um tasco de beira de estrada (como nos filmes) onde os lombos de lagosta e a clam chowder cumpriu acompanhada da Budweiser clássica.
Durante a manhã ainda se tinha andado pelo Quincy Market e percorrido a Beacon Hill St em Bóston na busca do Cheers que agora, afinal, se transplantou para Quincy Market, ficando na Beacon nº 84, o Bull and Finch, onde a ligação ao bar da série se limita à bandeira e à loja de franchising do Cheers. De volta passou-se pelo Public Garden e pelo Bóston Common antes de chegar à agência de aluguer do carro em que viajámos. Como já nos habituámos, não se pode parar a olhar para um mapa que logo vem um simpático americano safar-nos da desorientação. Mas sobre América e americanos, tentarei voltar nos próximos dias, recordando aos poucos o que tem sido esta viagem desde o dia 10 de Junho.
quinta-feira, junho 08, 2006
Obviamente
Naquele mês a conta da electricidade foi quase dez vezes o habitual. Como se a luz tivesse estado apagada todo o ano e, subitamente, todas as lâmpadas tivessem ficado acesas o mês todo. Expliquei-lhe que, agora, já só vinham verificar os consumos uma vez por ano, que não era necessário ter funcionários a registar as medições todos os meses. Faziam uns cálculos e uma vez ao ano acertavam contas. Não percebeu, logo agora que há tanta gente desempregada! disparou. Faz realmente todo o sentido a dúvida. Numa Economia para as pessoas, sem a preocupação de economizar nas pessoas.
segunda-feira, junho 05, 2006
Em dois dias seguidos
1. Chega o café, acompanhado do respectivo pacote de açúcar. A cliente pergunta, tem adoçante? A resposta, vem seca: tenho! Segue-se uma pausa e alguma estupefação da cliente, após o que vem a pergunta inesperada, quer que lhe traga? Como se fosse admissível que a cliente apenas tivesse feito a pergunta para saber se havia adoçante naquele restaurante... simples curiosidade, sei lá.
2. Telefono para o secretário administrativo e pergunto-lhe o número de telefone da senhora Administradora e obtenho como resposta «parece-me que é o 1111». Parece-lhe ou tem a certeza, arrisco. Ah, quer telefonar-lhe? Claro, seria por andar a coleccionar números de telefone, que lhe pedia a informação? Depois de verificado, não era... Moral: nem tudo o que parece, é.
Mas que se passa? Será que certas perguntas não contêm uma intenção manifesta quando são formuladas? Será só para manter conversa? Às vezes penso que isto pode ser uma manifestação de uma doença a descrever brevemente, caracterizada por um não me chateis que tenho mais que fazer. Só que ninguém percebe muito bem o que seja.
2. Telefono para o secretário administrativo e pergunto-lhe o número de telefone da senhora Administradora e obtenho como resposta «parece-me que é o 1111». Parece-lhe ou tem a certeza, arrisco. Ah, quer telefonar-lhe? Claro, seria por andar a coleccionar números de telefone, que lhe pedia a informação? Depois de verificado, não era... Moral: nem tudo o que parece, é.
Mas que se passa? Será que certas perguntas não contêm uma intenção manifesta quando são formuladas? Será só para manter conversa? Às vezes penso que isto pode ser uma manifestação de uma doença a descrever brevemente, caracterizada por um não me chateis que tenho mais que fazer. Só que ninguém percebe muito bem o que seja.
sábado, junho 03, 2006
Pipi
É cada vez mais um país pipi ou polifónico. Em todo o lado irrompe o Toreador ou o Bolero. Nunca se ouviu tanta música clássica. Diz a notícia que há mais de 11 milhões de utilizadores e que a taxa de penetração se aproxima dos 110%. Não há dúvida: bem penetrados, geralmente mal pagos e com muita vibração... Lá vamos, telefonando e rindo, levados, levados, sim. É que não há tempo a perder!
quinta-feira, junho 01, 2006
Segurança anti-social
Tinha um ar aliviado nas palavras, mas alguma tristeza nos olhos. Tristeza ou remorso, não percebi bem. Anunciava-me, talvez, pela décima vez que tinha entregue a papelada para se reformar usando o sentido de oportunidade que é acessível aos que nasceram até ao ano certo. Fazendo-o agora, conseguia ter cerca de 2500 euros, amanhã ninguém sabe quanto seria, por isso vamos antes que se faça tarde. O incómodo existia, pois foi-lhe necessário dizer que não era propriamente uma pensão milionária. Deixou-me a meditar nestas coisas da segurança social e na facilidade com que se usam palavras simpáticas para designar exactamente o contrário. Segurança social, imaginava eu, diria respeito a manter os cidadãos de uma comunidade preservados do meio hostil, isto é, dar-lhes uma casa, cuidados de saúde, alimentação e por aí adiante. Acho que esta realidade não rima bem com pensões que ultrapassam, como tem sido descrito nos jornais, mais de 10 vezes o ordenado mínimo. Traduzo, há uns tipos que têm de trabalhar quase durante um ano para obter o que outros conseguem, num mês, a descansar, (os quais tinham passado a vida a descontar mensalmente, enquanto trabalharam, aproximadamente um mês de vencimento dos outros). Ou seja, este comportamento anti-social já vem de longe. Porque muitas vezes, já a força se lhes foi e mais não conseguem que ir passando o tempo de forma a não desarranjar de vez o coração, os pulmões e outras peças, mais não conseguirão do que acumular capital sem proveito próprio. Assim, a segurança social destes milionários das reformas nem sequer é a deles, é a dos filhos e sobrinhos, os quais, em grande medida, já dela não careciam também, por terem tido possibilidades de formação e ocupação que os isentaram do risco social. Por ironia, poderão mesmo estar nos lugares onde se decide a segurança social. Francamente, isto parece-me tudo muito pouco social e mais, não me garante segurança nenhuma, diria mesmo que terá de acabar em barricada um destes dias.
quarta-feira, maio 31, 2006
Momento II
Vitória contra-relógio, isto é a correr sozinhos, por menos de 20% de votos. A culpa nem é de quem se absteve, mas de quem não cria sedução no processo. Ou será, atendendo a que são os votos dos mais antigos, daqueles que sentiram sempre a necessidade de votar, a prova de que algo mudou na gente nova. Será indiferença ou desespero, mas seguramente é a prova de que isto está errado, de é preciso mudar processos.
Momento I
Ainda sobre um mar de aparente serenidade, adivinham-se os ventos fortes, a tempestade. Só não entendo a sua utilidade. Será apenas a prova de que o precurso avança, por vezes, com passos para trás. Antes da inevitável corrida para a frente.
segunda-feira, maio 29, 2006
Esquizofrenia
Tenho este defeito de começar o dia a ouvir a TSF, o que, percebo cada vez mais me dá uma terrível sensação de esquizofrenização. Basicamente, ouço publicidade onde os bancos, aos milhares, me mandam comprar tudo, procurar todos os caminhos fáceis possíveis, que na sua imensa simpatia me pagarão tudo. Mostram-me como é bom e fácil este país dos Bancos. Nos curtos intervalos sem publicidade, há uns blocos de notícias, onde os mais variados Ministros, quando não mesmo o Primeiro de todos eles, me vem falar da crise e da necessidade de sacrifícios, dos mais variados. Como é dramático este país do Poder. É complicado seguir entre duas versões tão antagónicas da coisa que aparentemente será a mesma. Pode mesmo acontecer que ambos tenham razão, que seja o país da felicidade banqueira, que depois causa a necessidade de tantos sacrifícios e que alguém não esteja a contar a história toda. Mas, a Direcção Geral de Saúde devia intervir nesta coisa e esclarecer-nos de vez para não acabarmos ainda mais (já andamos um pouco à margem da realidade, não é?) esquizofrénicos.
Sem comentários
«Onde estava Deus nos tempos do Holocausto?» Perguntou o Papa de visita a Auschwitz.
domingo, maio 28, 2006
Medeia
(Medeia, Cezanne)E quase nada mudou, porque os homens são afinal iguais no fim de todo este tempo. Gregos ou agora, as mesmas traições e vinganças, a mesma percepção de continuidade ou do seu fim necessário. E o público de teatro, será o mesmo aqui e lá? Estariam também os anfiteatros meio vazios ou ainda não havia futebol e vacas na cidade?
quinta-feira, maio 25, 2006
Du(r)as realidades
Título em branco
Uns dias, ao entrar, já sei o que vai sair. Outros, como hoje, entro por desafio, com a sensação de vazio do papel em branco. Vou pelas palavras que estão nos dedos sem saber onde me leva o caminho. E neste instante, parece que as palavras devem estar arrumadas nalgum sítio, a dificuldade é ir buscá-las. Como um piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii prolongado no texto a gritar silêncios.
quarta-feira, maio 24, 2006
Os chatos
Não é novo, já os romanos achavam que o povo era estranho, nem governava, nem se deixava governar. É genético. Geralmente, temos o prazer de contestar, sem nunca nos pormos em causa. Toda a culpa é de algo impreciso, fora de nós, as vítimas de sempre. Reage-se sem acção. Em tempos de pró-actividade, esta atitude conduz à depressão e à asneira.
O que queremos? Eis a questão.
O que queremos? Eis a questão.
Privados e público
A sport TV não deixa que os jogos de futebol sejam transmitidos em lugares públicos. Até acho óptimo! Era só o que nos faltava agora, ter as praças cheias de cachecóis e berraria histérica e, espero, desespero passados os 90 minutos. Mas o que isto tem de mais curioso, é a chamada defesa do interesse público pela iniciativa privada. Como se vê pelo exemplo, privados, como é próprio da sua natureza, estão-se nas tintas para os interesses públicos. O negócio deles é maximizar os rendimentos privados, não defender o público (isto é, nós). E o que acontece com o futebol, poderá acontecer com outras actividades como a saúde. Como habitualmente acontece, o futebol vai à frente, mostrando-nos o que nos espera. A opção será de cada um. Eu estou decidido há muito.
terça-feira, maio 23, 2006
Le Prince (nada petit)
Ajudar os amigos é do mais louvável que há. Pois será, mas quantos, às vezes, poderão ser prejudicados, pela ajuda que lhes damos? Ou seja,nesta teia dos interesses, ajudar uns, vai muitas vezes ser o prejuízo de outros, eventualmente, nossos amigos também. Tanto mais que também os amigos se banalizaram. São de consumo e uso fácil. E, por definição, deviam ser únicos, alguém que cativamos.
domingo, maio 21, 2006
Ficar na margem (com a Berlenga em fundo)

Pode a vida ser este confronto com o meio que nos envolve. Para sobrevivermos fomos criando a ciência, escondemos conhecimentos para os vendermos melhor pelas incertezas de novas descobertas, descobrimos as falhas de ética nos relacionamentos com os outros, inventámos o remorso, elaborámos conceitos e chegámos ao Direito, à medida que as diferenças foram nascendo. Para nos apaziguarmos, esquecidos já das origens comuns, precisámos de Deus para nos acudir nas insuficiências dos nossos saberes ou para acautelar os privilégios dos dominantes e moderar os desejos legítimos dos dominados. Regulámos quase tudo para podermos viver juntos e, subitamente, começaram a difundir-se cânticos de sereia que nos isolam dos outros face ao mundo, com promessas de bem-estar definitivo. Fácil, sem luta, tudo conseguido com golpes de mágica. Vendem-nos ídolos e imagens de sucesso, celebridades. Atordoam-nos os sentidos com o sucesso das nossas equipas, que nos representam e que à falta dos nossos êxitos, nos garantem sucessos colectivos que temos ilusão de partilhar. Nos intervalos assustam-nos com perigos de todas as espécies, com roubos e fraudes, violações e espancamentos, quase nos dando a ideia de não podermos mais sair à rua, de ser necessário a todo o instante desconfiar daqueles com que nos cruzamos. Aceleram-nos até ao limite da vertigem, para que sintamos a náusea da paragem. E como marionetas temos ido neste rumo sem destino.
Na margem desta corrente, ficam alguns, cada vez mais sós, olhando, às vezes gritando inutilmente no meio do ruído ambiente. Só por necessidade e em homenagem a uma história que só em conjunto se pode realizar. A tal que não faz sentido seguir sozinho, apenas porque a vida não é para isso. A sobrevivência faz-se colectivamente, o resto é torpor. A história tem sentido, o torpor, por mais adrenalina que contenha, para que serve?
quarta-feira, maio 17, 2006
Relatividade
Razão teria o tio Joaquim, quando confrontado com os conselhos de perder peso, beber menos e não fumar, tinha aquele ar em que os lábios encolhiam os ombros, dizendo com os olhos que bem pouco sabíamos da vida. Desconcertante, completamente alheio às estatísticas, se calhar bem sábio. Sorriu até ao fim.
terça-feira, maio 16, 2006
A árvore de pé
Antes, logo imediatamente antes da saída para Sesimbra, do outro lado da auto-estrada, fica, num intervalo súbito sem prédios, aquele tronco elevado antes do azul do céu. É uma árvore seca, ainda com ramos desenhando quase uma cornucópia tombada sobre a esquerda, de ramos cada vez mais finos, em várias ordens de emergência como uns brônquios. Ali erguida com toda a dignidade da sua secura, deixando quase ouvir o crepitar de lenha seca do lado de cá da estrada. Nem uma folha, só a silhueta em contraluz numa afirmação de verticalidade, num intervalo do betão. Tenho ganas de trazer a Canon e a tele e disparar uma única vez para a fixar, porque é enormemente bonita na sua secura e no seu som de vida já passada.
Problemas
Houvesse o ranking da criação de problemas e lá estaríamos destacados em primeiro lugar. Antes de mais gostamos de criar problemas, em quantidade suficiente que daria para exportar e encher o mundo deles. Só que o mundo se defendeu desta forma de estar e nos devolveu, depois da expansão, para este canto, onde a vocação inata nos leva compulsivamente à produção. O mundo está a globalizar, a ficar com regras, onde esta forma de estar não se encaixa. E desta forma a vocação da criação dos problemas vai começar a ser problema e, esta forma de estar, não parece vir a ter grande futuro. Ou deixamos de criar problemas e descobrimos soluções ou vamos, realmente, além de sermos um problema, ter grandes problemas.
Esta maneira de estar a olhar para nós é própria de um país de vagabundos solitários e anti-sociais. Será o fado o caminho para debaixo da ponte, a resmungar contra um mundo do qual nos alheamos, fugindo, esquizofrenicamente, para um mundo nosso separado do real?
Esta maneira de estar a olhar para nós é própria de um país de vagabundos solitários e anti-sociais. Será o fado o caminho para debaixo da ponte, a resmungar contra um mundo do qual nos alheamos, fugindo, esquizofrenicamente, para um mundo nosso separado do real?
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