quinta-feira, janeiro 30, 2014
Ladrões do futuro
Tenho andado esta semana à volta da música de Pete Seeger a saborear o empenhamento, a vontade de luta e a alegria de um tempo não distante no calendário em que apontávamos a um futuro onde não chegámos. Um tempo tão longe da sordidez triste dos tempos onde agora estamos com tanta falta de futuro. O passado acabou, o presente é um desencanto, roubam-nos o futuro todos os dias.
Fomos donos da história e... aconteceu-nos isto. Fomos mesmo nós que fizemos isto? Quem são os ladrões do futuro?
quarta-feira, janeiro 29, 2014
segunda-feira, janeiro 27, 2014
domingo, janeiro 19, 2014
União nacional
Passos acredita que Seguro possa juntar-se-lhe, pois, afinal, eles são do tal arco e as diferenças nem são assim tantas. Seguro faz-se esquisito, não por que as diferenças sejam tantas, mas porque tenta lá chegar sozinho. E nisto andamos. Andamos?
Ironicamente, os que acham manifestação de não democracia alguns serem eleitos por maiorias de 80 %, querem agora um pacto que garanta uma votação assim expressiva num programa de salvação nacional. Já assim foi há 2 anos e tal e a salvação está à vista de toda a gente. Também nessa altura o programa da troica foi apoiado pelo PS, PSD e CDS representando cerca de 80% dos votos. Ao que parece, está tudo na mesma, exceto provavelmente as moscas.
E a culpa é dos que se queixam depois de os porem lá. A injustiça é os justos pagarem pelos pecadores.
quarta-feira, janeiro 15, 2014
Les partisans
Também eu gostava de ter as certezas da maioria e não continuar com as dúvidas das minorias. Só que com o passar do tempo, as certezas vão-se perdendo e as dúvidas confirmando. Essa é a parte chata. Essa e esta coisa nova de me quererem enfiar no ghetto, numa periferia da cidade da concórdia onde Hollande está com Sarkozy, Merckel com o SPD e, possivelmente, Seguro irá morar com Passos e Portas. Mas também há uma parte boa no refúgio que é a lembrança da fantasia do Astérix e a realidade dos partisans. Uns e outros acabaram por triunfar e ainda assim houve a generosidade de se poupar a vida a Pétain. Há, realmente, uma superioridade moral.Que me perdoe a maioria.
segunda-feira, janeiro 13, 2014
O primeiro será sempre... apenas um
A maior dificuldade é criar mercado para as verdades inconvenientes e acabamos cercados. Entregues ao consumo dos restos que um número cada vez menor de pouca gente vai deixando cair para entreter as fomes das multidões, fomos deixando de perceber o mundo em que vivemos. E não só deixámos de perceber os seus mecanismos, como fomos progressivamente convencidos a deixar de ter interesse em o entender, delegando para os sábios essa tarefa, que agora nos é servida por governantes de soluções únicas apoiados em comentadores de pensamento único. Estamos perto de uma ditadura consentida, muito diferente daquelas contra o que se lutou, porque naquele tempo ainda era percetível a sua perfídia. Agora vivemos envoltos em modelos de triunfantes, existentes não para seguirmos algum modelo de exemplo, mas somente para os vangloriarmos na aceitação de que o seu triunfo é uma espécie de decisão dos deuses (logo agora que tínhamos quase liquidado deus) e o seu estatuto algo de inacessível porque são únicos, diferentes, seres superiores de outra galáxia, porventura. É na adoração da sua singularidade que tudo se sacrifica e justifica. Servem para ajudar à perceção da diferença abissal que justifica o aumento do fosso entre o pouco e a multidão, como se o desígnio da obra coletiva fosse levá-los sempre mais além. Organizam-se campanhas para termos o melhor futebolista do mundo, para que nos anestesiemos sentindo-nos a compartilhar um pouco desse triunfo, o que alivia a dor do nosso quotidiano. Olharemos as senhoras Merkel deste mundo com um sentimento de vingados. Afinal o melhor é nosso, sem que tenhamos uma única ação desse ativo. Mas há um sonho, um delírio a que o anestésico nos conduz. Nestes tempos, os ídolos são o ópio do povo.
Assim é possível não se perceber que o ideal não é o do triunfo do sujeito singular, mas seria o da vitória do grande coletivo e os sábios governantes, economistas, advogados, jornalistas, comentadores e outros sabidos vomitam-nos diariamente o seu pensamento único da satisfação com os triunfos que não se sentem. Os triunfos nos mercados, nas taxas, nas miragens do futuro contrastam com as listas de espera, as filas para a sopa, as fugas para o estrangeiro e outras realidades menos importantes ao lado dos forecasts fantásticos que se organizam.
Longe ainda estão os tempos em que a função primeira da gestão das organizações não será a criação de valor para os poucos acionistas, mas a geração de condições dignas de trabalho para a multidão e a eficiência das empresas se medirá não pela sua rentabilidade imediata, mas antes pela capacidade de criar emprego em função do capital investido. Mas como dizia o outro, ha lebres e tartarugas e melhor que chegar mais cedo no curto prazo, será chegar mais longe na história. A história ainda não acabou, e a verdade é que as lebres sempre se cansam mais cedo do que as tartarugas e, possivelmente, mais importante que chegar depressa, à frente, sozinho, será chegar longe acompanhado. Um dia perceber-se-á que não é a vitória de um que salva a vida de todos e aí, alguma coisa vai mudar.
domingo, janeiro 12, 2014
Qual é o espanto?
Que a Goldman e Sachs e o FMI venham recrutar alguns senhores dos que geriram este país não se estranha e até é lógico que o façam. São tipos com provas dadas na doutrina que eles defendem, são gente que não faz fretes, acredita na religião. O que se estranha é que muito proximamente os que não acreditam e podem votar, continuem a votar nestas gentes que têm fé no sistema.
segunda-feira, janeiro 06, 2014
Eusébio
Depois da troica liderante do campeonato do final do ano, tivemos agora o grande consenso nacional. O futebol sempre como farol da vida… A troica irá desaparecer lá para o verão, o consenso é o resultado da existência de um jogador de uma classe à parte, aquilo a que todos deviam aspirar, a excelência sem o marketing promocional de ser-se superior, antes pelo contrário, o desportivismo de dar os parabéns a um adversário quando ele mostrava ser tão excelente quanto ele tinha acabado de ser. Porque era bonito jogar-se assim a alto nível, de forma alegre, sem compromissos comerciais e televisivos.
Como aconteceu com Mandela, também agora muitos vieram tirar a fotografia com o ídolo popular, perdendo às vezes o sentido da proporção, não deixando de ser estranho que, quem não pode comparecer na despedida de Saramago, a primeira figura do estado, tenha agora tido todo o tempo para estar presente nas cerimónias.
E também a nota ridícula da segunda figura do estado se manifestar preocupada com os custos de uma homenagem, a futura transladação para o Panteão Nacional, o que aliás será de duvidoso bom gosto, pois não deve ser confortável para o Eusébio ter de voltar a coexistir com a D. Amália depois da experiência das focas do oceanário. Outro risco adicional seria o de a seguir alguém se lembrar de também lá pôr a irmã Lúcia, para lá ficar a santíssima troica nacional do fado, futebol e fátima…
Mas, voltando ao sério, isto dos consensos é possível e desejável quando se celebra a classe, mas deixa de ser possível e desejável quando se querem misturar diferentes interesses de classes numa verdade única de destino irrefutável. É que os interesses das classes são antagónicos e propalar a ideia de que deverá haver um destino único a bem da nação é música já muito ouvida noutros tempos de União Nacional. A democracia é o realce e a luta entre as diferenças, o seu esclarecimento e a escolha popular que tarda.
sexta-feira, janeiro 03, 2014
Hasta enterrarlos en el mar!
GALOPE
Las tierras, las tierras, las tierras de España,
las grandes, las solas, desiertas llanuras.
Galopa, caballo cuatralbo,
jinete del pueblo,
al sol y a la luna.
¡A galopar,
a galopar,
hasta enterrarlos en el mar!
A corazón suenan, resuenan, resuenan
las tierras de España, en las herraduras.
Galopa, jinete del pueblo,
caballo cuatralbo,
caballo de espuma.
¡A galopar,
a galopar,
hasta enterrarlos en el mar!
Nadie, nadie, nadie, que enfrente no hay nadie;
que es nadie la muerte si va en tu montura.
Galopa, caballo cuatralbo,
jinete del pueblo,
que la tierra es tuya.
¡A galopar,
a galopar,
hasta enterrarlos en el mar!
quinta-feira, janeiro 02, 2014
Um dia qualquer serve
Não preciso de dia certo, nem hora específica para celebrar. Nem percebi a razão de tanta celebração à meia-noite daquela noite de 31 de dezembro, porque nada aconteceu além daquele momento igual a tantos outros que nos fazem a vida andar às voltas em vez de ter um percurso linear. Uma celebração só pelo hábito, por mais nada por mais nada haver a festejar. Um foguetório de inutilidade e vazio, alienante. Cansa a ausência de cansaço, a pausa no vómito que isto dá, não há lugar ao humor neste deserto. É urgente uma dor imensa e intolerável, curta e explosiva.
Por mim estou disposto a celebrar sem hora nem dia, num qualquer dia (deste ano sff), a queda desta tribo colaboracionista que nos governa desde Belém a São Bento. Até lá é resistir, sermos cada vez mais onde quer que estejamos, até que o momento surja, de dia ou de madrugada, e a esperança volte finalmente de novo a esta terra.
quarta-feira, janeiro 01, 2014
Ano novo
«Meia noite em Paris» revisto a iniciar o ano, para relembrar que o melhor tempo do mundo é o presente apesar de todas as seduções e ilusões de tempos melhores no passado. E a certeza de que o futuro é uma sucessão de presentes. Saibamos continuar a fazê-los contra os ladrões da esperança que nos têm cercado nos breves momentos da história recente. Mas a história ainda não acabou.
sábado, dezembro 07, 2013
Fazer
Fazer é acabar.
De pouco serve conceber, começar a obra, imaginar, criar se depois ela se não concretiza. Vivemos num tempo em que à criatividade é dada toda a importância, deixando para a ralé o acabamento da ideia. Mas andaríamos despidos se a moda concebida não fosse tecida algures na Ásia, os doentes morreriam se as prescrições médicas não fossem administradas pelos enfermeiros e os engenheiros atravessariam os rios a nado se os operários não acabassem as pontes imaginadas e calculadas. Custa, pois, entender tanta diferença entre criação e realização.
sábado, novembro 23, 2013
Factos e irrealidade
Estar na ação e ver o relato da ação permite ver a inconsistência do jornalismo e como propaga a mentira e não mostra a verdade. A preguiça sintética leva a pescar sons fora do contexto e repeti-los faz nascer uma verdade que afinal é mentira. Reduz-se, assim, a força da intervenção ao sabor de interesses ocultos (lembrei-me outra vez de Um inimigo do povo). É notável, que não tenha visto nenhuma fotografia do público que assistiu à sessão, que até cantou um hino nacional vibrante (à maneira da seleção de rugby). Publicadas só as das personalidades, num pudor injustificável, pois, os que ali foram são gente que dá a cara. Será porque a imagem da Aula Magna cheia a abarrotar, dava uma imagem pouco tranquila a quem a visse?
sexta-feira, novembro 22, 2013
Seguramente inseguro
Há um país que espera, indeciso na volta a dar. Agora que se entendeu que o caminho seguido foi repetidamente ilegal (anticonstitucional)e para nada serviu, tendo a dívida a corrigir aumentado ainda mais, há um grito de esperança e um silêncio doloroso. «Viva a República!!» gritou enérgico o velho senhor a quem tudo isto deve doer horrores, mas a mensagem, vinda da fragilidade, embora desperte ternura, condescendência, já não desencadeia a ação necessária, porque o caminho para manter viva a República está mergulhado em denso nevoeiro. Naquela sala (Aula Magna da Reitoria) havia muita ideia (não era um rebanho trazido em camionetas), muito desejo de que os desvarios tenham um fim. Mas nem sempre as ideias contêm em si as soluções necessárias que impedem os naufrágios, sendo preciso um rumo definido que não se vê. Até porque muitos foram os que souberam por que ficaram em casa. São os que podendo agarrar o leme manterão o barco no mesmo destino fatal. Há uma urgência de isso ser percebido, para que o poder que está agora a ser mal usado, não continue a ser desperdiçado por outros diferentes, mas afinal iguais. Está na hora de escolher alternativas que até podem passar por negócios entre os que ali estavam, para que os que mandam agora e os que taticamente ali não foram não possam mais ser o poder que desgoverna. O problema são as unidades táticas, sem programa e não se perceber que às vezes, em vez de estar mal acompanhado, mais vale estar só (ou mudar de companhia). Há que empreender, ousar, perceber que a consistência com razão sempre triunfará, ainda que, conjunturalmente, possa parecer débil. De forma esclarecida perceber que Seguro não é seguro nem muito diferente dos passos que se têm dado. Há, por isso, um esclarecimento necessário.
quinta-feira, novembro 14, 2013
Um inimigo do povo
Da inutilidade da verdade real face à verdade publicada, porque é esta que define o gosto das maiorias que preferem, quantas vezes vezes acreditar na mentira desde que lhes seja mais bem vendida. A maioria de ignorantes mandando na democracia que, dizem, é o mais perfeito dos regimes, ainda que imperfeito, quando, na verdade,são minorias esclarecidas e possuidoras da verdade quem deveria conduzir os processos. Um país é como uma empresa, dizem, mas não lhes passa pela cabeça pôr a votos o conselho de administração.É esta a triste impossibilidade de melhores dias, por todos os bloqueios existentes. Mas na verdade, «o homem mais forte do mundo é o que está mais só» e «é possível a minoria ter razão e a maioria está sempre errada». O resto é arte de demagogos, organizadores da carneirada dos consensos nacionais.
No contexto atual dificilmente seria mais adequado arranjar um texto melhor que este Ibsen «Um inimigo do povo», que os amigos do povo(teatro a 5€ à quarta-feira!!) da Comuna têm em cena no teatro da Praça de Espanha.
terça-feira, novembro 12, 2013
Passagem
Provavelmente a morte será das poucas coisas que acontece aleatoriamente, mas sempre se sente nos funerais a que vamos que a senhora escolhe sempre aqueles a que não deveria dar prioridade, quando afinal andam por aí tantos a fazer menos falta. Mas, possivelmente, a sensação é explicável porque não vamos aos dos outros.
segunda-feira, novembro 11, 2013
Sinais
Dois dias depois, uma nota breve.
É óbvio que o desvario de Cardozo não tem perdão, mas, entretanto, criou-se uma unanimidade à volta do homem, porque ele faz golos. Os fins a justificarem os meios. Não era assim dantes.
Até no futebol a nova moral vai triunfando.
domingo, novembro 10, 2013
Gato com rabo de fora
Mais um sábio a avisar-nos que é urgente acabar com a democracia. Nada de eleições ou auscultações perigosas à vontade dos cidadãos. Ok, pode haver eleições, mas nos próximos anos quer ganhem uns quer os outros, a política deve ser a mesma. Isto seria profundamente anti-democrático e intelectualmente desonesto não fosse ser verdade tendo em conta os protagonistas que se querem chamar de os partidos do arco da governação. Com efeito e na verdade, PS ou PSD/CDS são uma e a mesma coisa quando se trata de resultados práticos e só por razões táticas e esperança de uma maioria absoluta (para garantir os lugares dos amigos) o PS Seguro não vai ao beija mão do atual governo. Mas que raio, as opções não terminam aqui. Há outras diferentes. O problema é que tantos ainda não tenham percebido que o alterne de todos estes anos é uma e a mesma coisa.Mas esta ideia da possibilidade de acordo e mesmo a incapacidade de não perceber a teimosia o que prova é isso mesmo: só as moscas mudam!
Esta proposta de união é gato com rabo de fora.
sábado, novembro 09, 2013
Desonestidade
Anualmente querem chatear-me num fim de semana com isto do ranking das escolas. As notícias são todos os anos iguais. As escolas privadas tiveram melhores resultados que as públicas. A escola Nossa senhora de qualquer coisa foi a melhor, a escola c+s de um qualquer barreiro a pior de todas. Mesmo percebendo a miserável fraude, todos os telejornais e jornais realçam os rankings e abrem com o óbvio do ensino privado ter melhores resultados que o público e o subentendido de como seria otimo acabar com o público para gastar menos ao Orçamento do estado. Antes porém, há uma prova que tem que ser feita a bem da verdade: por exemplo, no próximo ano, o Estado contrata todos os professores da escola top e coloca-os a dar aulas na pior de todas e vice-versa. Aguardem-se os resultados. Então perceberemos que a mestria desses mestres não transforma a realidade com a facilidade que nos impingem. O resto é desonestidade intelectual.
quinta-feira, novembro 07, 2013
Público e privado
A última semana foi fértil em acontecimentos que fui registando para reflexão futura que agora expresso (como semanário...).
1. O presidente do futebol fez uns comentários divertidos acerca do Cristiano Ronaldo e disse aquilo que alguns não gostam de ouvir: o Messi é o melhor! Num país pobre de ser melhor, a coisa não caiu bem e até o conselho de ministros manifestou a indignação. Ainda há pormenores que unem a populaça com o governo. PC deve estar grato ao senhor.
Quando se ocupam lugares públicos perde-se em liberdade o que se ganha em visibilidade. A um líder não é permitido emitir a sua opinião, mas apenas a que é politicamente correta. Ou seja mentir de forma consensual em público, não manifestando a sua verdadeira opinião privada. Sinais do constrangimento das liberdades. Prefere-se a mentira em público à verdade privada.
2. Um ilustre casal está zangado. Que teremos nós a ver com isso? Casais desavindos ainda são notícia, não pela discórdia existente, mas pelo que ajudam uma imprensa moribunda a vender papel. E foi curioso ver como alguns pudicamente referiram os factos, manifestando a preocupação de não invadir a privacidade, mas falando deles apenas porque são públicos. Públicos porque são colunáveis os seu protagonistas, mas na forma tão privados como as zangas de qualquer Maria e qualquer José, que ficam no domínio estritamente privado e se manifestam por números de mulheres mortas por violência doméstica, publicados de quando em quando. Possivelmente é mais relevante a morte pública do que uns estalos privados. Mas enfim o critério contabilístico sobrepõe-se ao jornalístico e assim vamos...
3. Público e privado é também disso que trata o celebrado guião do Estado, que o PP escreveu numa viagem entre duas feiras. Cada um escreve como sabe e com a força que lhe permitem é possível elaborar-se sobre o que nos apetece. Mais estranho é a discussão que se segue, em que um bando de colaboracionistas quer impôr a coisa escrita como verdade final. Estão lá os títulos dos capítulos e a conclusão, quer-se agora ajuda para que se escrevam os textos em conjunto. Procura-se a união nacional que outros já impuseram e Cavaco há tempos tentou, esquecendo-se que nisto do Estado há um maior e outro menor (como no fado) e que o tom é que muda a música, não sendo possível escrever a mesma pauta, para ambos em simultâneo, sem que a coisa fique irremediavelmente desafinada. Nos Estados como nos casais não há consenso quando as realidades objetivas são antagónicas e mesmo que corram paralelas nunca se encontrarão (até por imperativo geométrico). Esta tentativa de pôr tudo a falar a uma só voz não é própria de gente livre e pensante, mas de mentecaptos formatados numa mesma cartilha aceite de forma acéfala. É a luta de classes, estúpidos!
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