quarta-feira, março 20, 2013

Animais



Animal
You’re an animal
Don’t take anything less

Out of control
You’re out of control
Strike those in distress

Analyse
Advertise
Expand
Bend more rules
Buy yourself an island

Animals
We’re animals
Buy when blood is on the street

Out of control
We’re out of control
Crush those who beg at your feet

Analyse
Franchise
Spread out
Kill the competition
And buy yourself an ocean

Amortise
Downsize
Lay off
Kill yourself
Come on and do us all a favour

terça-feira, março 19, 2013

Ser cipriota


Na Alemanha,
Primeiro vieram buscar os comunistas, e eu não disse nada porque não era comunista.
Depois vieram pelos judeus, e eu não disse nada porque não era judeu.
Depois vieram pelos sindicalistas, e eu não disse nada porque não era sindicalista.
Depois vieram pelos católicos, e eu não disse nada porque era protestante.
Depois vieram por mim e, nessa altura, já não havia ninguém para erguer a voz.


PASTOR MARTIN NIEMOLLER
(Sobrevivente do Holocausto)

Na Europa do sul,
primeiro tiraram os subsídios aos funcionários públicos, eu não disse nada por que não era funcionário público.
Depois reduziram os salários dos funcionários privados e eu não disse nada porque não era funcionário privado.
Depois aumentaram o IVA na restauração e eu não disse nada porque não era restaurador.
Depois taxaram mais os reformados e eu não disse nada porque não era reformado.
Depois vieram taxar os depósitos bancários e houve Cipriotas que ergueram a voz.

domingo, março 17, 2013

TED talk censurada

Quando a ganância e a rapina avança ultrapassando os limites da decência, sabe bem, ouvir alguém que percebe que não irá ser eterno, que percebe ter as mesmas necessidades de camisas e de calças que qualquer outro, que não vive sozinho, que não é, afinal, assim tão borges(samente) superior a todos os seus semelhantes. Isso mesmo: semelhantes.
Curiosamente, esta TED talk foi banida!!! Vamos nós espalhá-la por aí.

sábado, março 16, 2013

quinta-feira, março 14, 2013

As palavras ditas

Que Deus vos perdoe...
Bem, ou invoca o santo nome de Deus em vão, ou esteve a pedir o perdão de Deus para o Espírito Santo...

quarta-feira, março 13, 2013

Cuidado!

Todos os dias sinais difusos, por agora, de preocupação. Há dias soube-se que em Bruxelas foi proibida uma manifestação por alegada insuficiência económica da polícia ser capaz de garantir a segurança. O  liberalismo depois do ataque sem tréguas ao estado social, poderá, agora e em nome das restrições «necessárias pela situação económica» arranjar pretexto para limitar as garantias individuais. Toda a atenção é pouca!

sexta-feira, março 08, 2013

Obrigado por existirem


Porque tudo tem uma história, é bom lembrar (transcrito da Wikipedia): 

Origem

A ideia da existência de um dia internacional da mulher surge na virada do século XX, no contexto da Segunda Revolução Industrial e daPrimeira Guerra Mundial, quando ocorre a incorporação da mão-de-obra feminina, em massa, na indústria. As condições de trabalho, frequentemente insalubres e perigosas, eram motivo de frequentes protestos por parte dos trabalhadores. Muitas manifestações ocorreram nos anos seguintes, em várias partes do mundo, destacando-se Nova IorqueBerlimViena (1911) e São Petersburgo (1913).
O primeiro Dia Internacional da Mulher foi celebrado em 28 de fevereiro de 1909 nos Estados Unidos, por iniciativa do Partido Socialista da América[2], em memória do protesto contra as más condições de trabalho das operárias da indústria do vestuário de Nova York[carece de fontes].
Em 1910, ocorreu a primeira conferência internacional de mulheres, em Copenhaga, dirigida pela Internacional Socialista, quando foi aprovada proposta da socialista alemã Clara Zetkin, de instituição de um dia internacional da Mulher, embora nenhuma data tivesse sido especificada.[3]
Membros da Women's International League for Peace and Freedom, emWashington, D.C.1922.
No ano seguinte, o Dia Internacional da Mulher foi celebrado a 19 de março, por mais de um milhão de pessoas, na ÁustriaDinamarcaAlemanha eSuíça.[4]
Poucos dias depois, a 25 de março de 1911, um incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist mataria 146 trabalhadores - a maioria costureiras. O número elevado de mortes foi atribuído às más condições de segurança do edifício. Este foi considerado como o pior incêndio da história de Nova Iorque, até 11 de setembro de 2001. Para Eva Blay, é provável que a morte das trabalhadoras da Triangle se tenha incorporado ao imaginário coletivo, de modo que esse episódio é, com frequência, erroneamente considerado como a origem do Dia Internacional da Mulher.[5]
Em 1915Alexandra Kollontai organizou uma reunião em Christiania (atual Oslo), contra a guerra. Nesse mesmo ano, Clara Zetkin faz uma conferência sobre a mulher.
Na Rússia, as comemorações do Dia Internacional da Mulher foram o estopim da Revolução russa de 1917. Em 8 de março de 1917 (23 de fevereiropelo calendário juliano), a greve das operárias da indústria têxtil contra a fome, contra o czar Nicolau II e contra a participação do país na Primeira Guerra Mundial precipitou os acontecimentos que resultaram na Revolução de Fevereiro. Leon Trotsky assim registrou o evento: “Em 23 de fevereiro(8 de março no calendário gregorianoestavam planejadas ações revolucionárias. Pela manhã, a despeito das diretivas, as operárias têxteis deixaram o trabalho de várias fábricas e enviaram delegadas para solicitarem sustentação da greve. Todas saíram às ruas e a greve foi de massas. Mas não imaginávamos que este ‘dia das mulheres’ viria a inaugurar a revolução”.[6]
Berlim OrientalUnter den Linden, (1951). Retratos de líderes da Internationalen Demokratischen Frauen-Föderation (IDFF), na 41°edição do Dia Internacional da Mulher.
Após a Revolução de Outubro, a feminista bolchevique Alexandra Kollontai persuadiu Lenin para torná-lo um dia oficial que, durante o períodosoviético, permaneceu como celebração da "heróica mulher trabalhadora". No entanto, o feriado rapidamente perderia a vertente política e tornar-se-ia uma ocasião em que os homens manifestavam simpatia ou amor pelas mulheres - uma mistura das festas ocidentais do Dia das Mães e do Dia dos Namorados, com ofertas de prendas e flores, pelos homens às mulheres. O dia permanece como feriado oficial na Rússia, bem como na Bielorrússia,MacedóniaMoldávia e Ucrânia.
No Ocidente, o Dia Internacional da Mulher foi comemorado durante as décadas de 1910 e 1920. Posteriormente, a data caiu no esquecimento e só foi recuperada pelo movimento feminista, já na década de 1960, sendo, afinal, adotado pelas Nações Unidas, em 1977.

Fica claro que, para além de serem a melhor companhia dos homens todos os dias, o seu dia especial provém de uma longa história de luta contra a exploração pelos mesmos de sempre. Foi na rua que algumas realidades começaram e necessitam continuar a ser mudadas. Pelos homens e pelas mulheres, em conjunto, contra o inimigo comum. O resto são flores.

quarta-feira, março 06, 2013

Tourada

No ato final da lide, muitas vezes se vê avançar o touro, decididamente, para a espada tal é a cegueira ou a natureza bestial de que é feito. Assim acontece com alguns fanáticos que não medem a consequência dos seus atos tal é a certeza de que estão possuídos. A qualquer destes avanços só um destino os espera, a queda na arena ou no palco da vida.
Hoje Passos Coelho afirmou que «o mais sensato era baixar o salário mínimo...». Na mesma linha poderá escolher acabar com a assistência na  doença (com os subsídios de funeral reduzidos até nem aumenta a despesa), acabar com a escola (obtenção de títulos por equivalência), ou finalmente implementar aquela medida que tão atribuída foi a outros: injetar os velhos atrás da orelha... (e resolve a despesa da segurança social). É a natureza desta gente fanática e bestial.

terça-feira, março 05, 2013

segunda-feira, março 04, 2013

A verdade e a imagem

As cidades americanas têm todas aquela ilha central com uns prédios de vidro muito altos, numa aspiração de chegar ao céu ainda na terra. São, invariavelmente, os edifícios dos bancos e de algumas grandes empresas. Depois têm um imenso mar de casas baixinhas espraiando-se por milhas e milhas a toda a volta. São as que não resistem aos tufões. A ilha  fica vazia à noite, de luzes acesas para afastar os fantasmas, rodeada de uma realidade imensa que respira a toda a volta. Nos postais ilustrados é sempre o Financial District e a Downtown que vemos, de tal forma que, para a generalidade das pessoas, Nova Iorque é quase sempre imaginada como a parte sul de Manhattan. É assim no mundo... das aparências. Depois há Bronx, Queens e tudo o resto muito grande, muito maior. Na verdade.
Por cá também andam uns cavalheiros que sonham construir um país para porem num postal ilustrado chamado Portugal modernizado. Para isso precisam de arrasar toda a pequena empresa, criar um desemprego ENORME (como diria um deles abrindo bem os olhos no meio das enormes olheiras e franzindo a testa), facilitando uma mão de obra cada vez mais barata para ser absorvida pelas grandes empresas modernas a preço de saldo. Teriam, finalmente, realizado o seu sonho de modernidade e obtido a foto para o postal. No seu fanatismo estão convencidos que só há um caminho. Enganam-se porque há sempre um outro ao lado, geralmente em sentido contrário. Estes tipos satisfazem-se com a imagem, alienados que estão da realidade, centrados nas grandes organizações (tantas vezes de malfeitores) ignorando, ostensivamente, os que apelidam de colaboradores.
Teremos de ser todos a cair na real e a dizer que não colaboramos! Nós trabalhamos. É urgente organizar este combate, surgir uma liderança esclarecida com um projeto claro e alternativo baseado na realidade.

domingo, março 03, 2013

Regresso à verdade

A mentira, na vida como na política, não é arma, e, mesmo quando a mentira é inconsciente, determinada pelo desejo ou pela ignorância e incapacidade de analisar a realidade e leva os seus autores ao refúgio numa espécie de realidade virtual, a mentira não augura nada de bom, porque só a realidade é real e, pelas leis da vida, a sua homeostase com o ambiente em que está, acaba por criar os mecanismos que não permitem que a mistura do azeite com o vinagre se mantenha de forma indefinida.
A legitimidade apenas se consegue pela verdade, não por se ter conseguido iludir os outros de forma transitória, calculada ou fraudulenta. Com o passar do tempo há sempre a emergência do azeite. É por isso, que um governo eleito, pode, passado algum tempo, ser ilegítimo. Acontece quando o contrato que fez com os eleitores é rasgado na prática do dia-a-dia e substituído pela realidade contrária ao que se tinha combinado. Nem a alegação da realidade em que se está e o seu prévio desconhecimento (impreparação!) servem para a manutenção do poder, que, rompido o contrato, é ilegítimo. Se as condições mudaram e o contrato não é realizável, é necessário fazer um contrato de retificação, isto é, apresentá-lo aos eleitores e ir a sufrágio. De outra forma, persiste-se na ilegitimidade do poder, no império da mentira.
É isso que sentem e manifestaram ontem alguns milhares de pessoas, que, de uma forma desorganizada e triste, quase sem esperança e só com revolta, andaram na rua ontem à tarde. Também andei e, se calhar como muitos deles, estava lá para ver como se estava (com os outros), saber quantos ainda não tinham desistido, quantos tinham acordado e estavam prontos para o combate. E eram muitos, bastantes, muitos velhos e algo cansados, ouvindo palavras de ordem que já nem repetiam muitas vezes, ensaiando cânticos desafinados, arrastando-se avenida abaixo lentamente, gritando raivas, a maior de todas a da cegueira de não se ver como se vai mudar. Um vasto grito de não aguentamos mais! Estavam ali mobilizados pelos que se arrogam uma superioridade por não serem políticos ou por quem, sendo político, tem como objetivo não querer ir pelo caminho em que outros andam. Mas por onde, nunca o dizem. Porque não sabem? Mesmo antes de serem «políticos» já enfermam do vício da mentira quando contam 500000 pessoas numa praça onde caberiam apertadas 150000, como se a quantidade fosse o importante e o relevante não fosse a raiva desesperada dos que ali estavam. E fazem política, quando promovem como valor o não se ser político, esquecendo até que alguns dos políticos nada têm que ver com o estado a que este Estado chegou.
A mudança exige ver a realidade e não afirmar o desejo como se dela se tratasse. A realidade de haver assimetrias sociais indecentes, a realidade de haver compromissos de pagamentos de rendas vergonhosas, a realidade de haver privilégios de organizações e pessoas incomportáveis economicamente e depois, também, mas só depois, olhar a impossibilidade de talvez até nem se poder continuar a ter algumas coisas boas como a saúde, o ensino, a segurança social que criámos porque somos civilizados e a que nos habituámos. Ou seja, corrigir os erros corrigíveis, criar um novo paradigma de funcionamento em que a facilidade e o desejo da vida a crédito seja substituído pelo mundo real. Vai ser mau para alguns credores, nomeadamente para a Banca, mas paciência.
Estou certo é que não se chega ao destino se não soubermos para onde queremos ir. Os organizadores destes ajuntamentos de indignação não sabem, mas há políticos que têm alternativas dentro de outros modelos e é com a sua liderança que a desesperança de hoje se transformará na certeza da vitória amanhã. E como disseram no passado alguns líderes, Até à vitória. Sempre!

sexta-feira, março 01, 2013

Sinais dos tempos

Reconfortante entrar no café e ver afixado por baixo do letreiro de pré-pagamento um pequeno cartaz a lembrar que o Povo é quem mais ordena 2 de Março.
Sinais dos tempos que algo está a mudar... até porque os clientes não reclamam, mas aderem. É o caminho: pessoa a pessoa até se lá chegar.
Até amanhã, camaradas!

quinta-feira, fevereiro 28, 2013

Abaixo a democracia de alterne!

A democracia do alterne é algo que me não convence já há muito. O conceito predomina nas chamadas «democracias ocidentais» sob a forma de ora agora são republicanos, ora democráticos, ora trabalhistas, ora conservadores, ora PS, ora PSD/CDS e por aí fora. E tudo fica mais ou menos igual, recaindo a despesa sempre para os mesmos. Também me não convence a antipolítica com palhaços a chegarem ao poder para... nada fazerem de útil a não ser, eventualmente, satisfazerem os seus egos. Muito menos a não participação ou participações de protesto, sem indicação de sentido. Só haverá eficácia, na escolha orientada para quem tenha algum substrato de classe por trás dos seus programas e, sobretudo, dos seus atos. Pelo menos, é um risco a correr, já que o alterne a nada leva diferente do status quo.
Com efeito o alterne é uma prática em que uns proxenetas (banqueiros e poder financeiro) usam umas prostitutas (forças políticas suas servidoras) para nos levar a consumir (crédito bancário), que é o que dá lucro à casa (a classe dominante). Este é o mundo pouco recomendável em que se sobrevive com a ilusão do prazer da vida. Merece-se mais, mais realidade e menos ilusão. Menos cenoura para fazer o burro caminhar.
Por isso e também para acabar com esta democracia de alterne, lá estaremos muitos daqui a 3 dias, no sábado. Por menos que isso é perda de tempo. O desafio é grandioso, mas a esperança maior.

quarta-feira, fevereiro 27, 2013

Mais um que vai lá estar daqui a 4 dias

Porque a  « La pire des attitudes est l'indifférence » daqui a quatro dias lá estare(i)emos muitos, cada vez mais, num tsunami de indignação. Que as ruas se encham de bom humor e energia, de muita indignação, mas sem coelhos mortos pendurados... nem peluches.
A pena maior é expulsá-los bem vivos para que possam sentir, aqui ou em Paris, que existe um povo que não se verga a credos fanáticos e que ainda não desistiu de reanimar a solidariedade. É dessa forma, também, que homenagearemos os que nos vão deixando.

terça-feira, fevereiro 26, 2013

Faltam cinco dias

Há várias coisas que me fastam do liberalismo, mas, com certeza, esta é uma das mais óbvias e realçadas nos tempos mais recentes. Não gosto da sensação do canceroso, desta maneira de estar vivo, apenas como se este pudesse ser o último dia da vida. Foi a isto que os tempos recentes de governação  e ideologia liberal nos tem determinado: estarmos vivos até ver, incapazes de planear, programar. Nada mais é previsível, ninguém sabe o dia de amanhã, o medo veio ocupar o tempo todo. Ficámos sem a liberdade individual de planear a vida nesta necessidade opressiva de sermos os lobos uns dos outros. Vive-se a ditadura da incerteza e do instante em que se está a sobreviver depressa.
O capitalismo aposta no risco como supremo valor para dar cor à vida dos homens e nas eventuais diferenças (genéticas?) para justificar as diferenças sociais entre os indivíduos. Assim, o risco do empreendedor é apontado não como meio, mas como objetivo de vida, um valor supremo. O planeamento da sociedade é mostrado como algo de velho e paralisante, incapaz de gerar progresso e inovação, mesmo que não se perceba para onde se quer ir avançando tão depressa. Mesmo que o avanço possa levar a uma situação fatal e irreversível. Todo o avanço tecnológico gerador de riqueza é apontado como a meta suprema, induzindo-nos o esquecimento de quem é o beneficiário dessa situação, uma elite cada vez mais pequena e mais dominadora. Uma elite em que se revelam as diferenças não genéticas (ainda que existissem nada justificariam), mas as sociais, geradoras das diferenças entre os homens. Andar na corda sobre o precipício deve ser o gozo supremo de uns quantos loucos, mas certamente a maioria dos homens gosta de caminhar com os pés no chão. Só que os equilibristas dominam cada vez mais todos os outros, impondo a sua cultura de risco e assim deixam à sorte o papel de selecionadora natural e, sobre a pilha de mortos acumulada no desfiladeiro, avançam cada vez mais seguros sobre o arame. Não será tanto a genética (afinal o homem nem sequer é tão diferente de uma mosca) que diferencia os homens, mas mais o local onde nasceu e se cria.
É na propriedade original de cada um que se consubstanciam muitas das diferenças futuras e é desprezível o conceito do risco cada vez menor que alguns dizem correr, porque o objetivo maior seria que um número cada vez mais vasto fosse capaz de realizar a caminhada. Não é nesse sentido que temos ido.
É esta consciência de que as diferenças não são assim tão evidentes que me faz sonhar com, por exemplo, a existência de um vencimento máximo nas organizações, obviamente indexado ao mínimo que nelas fosse praticado e também com a liberdade de saber o que nos espera através da forma como  organizamos, garantindo a forma de vida adquirida, sem sobressaltos ou inquietações que nos roubam a tranquilidade da vida em benefício de uma sobrevivência incerta.
É por isto tudo que também lá estarei daqui a cinco dias.

segunda-feira, fevereiro 25, 2013

Cantando

Quem canta, seus males espanta. Espanta, mas não lhes põe fim, mesmo quando a cantiga é uma arma. Há algo mais que faz falta ou iremos só cantando e rindo, levados, levados...

sexta-feira, fevereiro 22, 2013

Mudar de rumo!

Naquela altura de dificuldades, o homem tinha um burro para lhe fazer o trabalho. Acontece que as dificuldades eram enormes, quase não havia comida para dar ao burro e aí o homem tomou uma decisão: desabituar o burro de comer. Aos poucos foi alimentando cada vez pior o burro. Escanzelado, o animal foi aguentando, aguentando, e o homem esfregava as mãos de contentamento: aguenta, aguenta, dizia. Mas ao fim de algum tempo, aconteceu o inevitável. E logo agora que já estava quase desabituado de comer! disse, lamentando-se, o homem que sempre proclamava estar no caminho certo para resolver o seu problema.
Antes que aconteça o inevitável e apesar do rumo certo, é tempo de lembrar que faltam 9 dias!

terça-feira, fevereiro 19, 2013

É urgente

Há uma evidente quebra de ritmo por muitas solicitações e desânimos que acabam por retirar a esta fase da vida alguma da ilusão que era suposto existir. O grupo dos 4 governante (Passos, Relvas, Gaspar e Portas) rouba-nos todos os dias mais um pouco do capital das certezas que tínhamos, criando uma nuvem de dúvida cada vez mais ameaçadora. O medo avança nesta terra. Olhando à volta a base social da apoio do governo estreitou-se de uma forma que nunca se tinha visto, resumindo-se nesta altura a um escasso número de banqueiros que expressam uma confiança imensa no futuro e na capacidade de aguentarmos.  Mas a sua confiança depende apenas disto, de aguentarmos sem limites, o que vai contra a física da resistência das coisas: nada é resiliente até ao infinito e há sempre um momento em que parte. A esperança está dependente dessa rutura.

É confrangedora a falta de ambição destes políticos. Como se pode dormir descansado depois de dias sucessivos em que se sente que apenas se esteve a governar para uns poucos, excluindo dos objetivos a atingir franjas cada vez maiores de pessoas? Governar para um por cento é obviamente fácil, o desafio é governar a favor dos noventa e nove por cento que restam. E há neste ambiente gente que aumenta a sua riqueza sem o seu trabalho, pela exclusiva reprodução do seu capital (variação do índice PSI 20 nos últimos 6 meses: 4908-->6127, isto é, aumento de 49,7% ao ano!!!) , mas também esse mistério do acréscimo da riqueza decorre do trabalho de alguém. Ai decorre, decorre!

Neste ambiente até se percebe que um ex-secretário de Estado proclame que se os fiscais lhe pedirem as faturas os mandará tomar no cu  O que seria uma medida correta de combate à fuga ao fisco, é, nesta ambiente, um insulto, pois é claro o que se está a fazer com a receita fiscal: diminuir o apoio social, aumentar o apoio ao poder financeiro. Não é esta a função dos impostos. Tudo no mesmo sentido. Basta de ROUBO!

Mas é bom que se tenha a lucidez suficiente para se perceber que, ao contrário do Papa que se diz santo, o Diabo não resigna. O ar anda empestado de enxofre, mas a criação de melhor ambiente não será conseguida fechando as janelas e ficando em casa. Despoluir exige a saída à rua. É urgente.

quarta-feira, fevereiro 06, 2013

Um bem diferente

Na hora dos pagamentos surgem os conflitos de opinião entre técnicos. Quando se trate de danos materiais, o problema existe, mas não ultrapassa essa dimensão, o material.  Não deixa de ser natural que companhias privadas, procurem o menor custo possível mesmo prejudicando os seus clientes, defendendo os seus técnicos, nos seus pareceres, a conveniência de quem lhes paga. Assustador mesmo é a transposição disto tudo para a realidade dos seguros de saúde. Nessa altura irão considerar o valor do segurado, tanto mais desvalorizado, quanto mais velho e, no limite, como sugeriu inadvertidamente há tempos a Dra. Manuela Ferreira Leite, haverá indicação para abater o bem seguro, que, neste caso, é ... uma pessoa. A vida passará nessa altura a mercadoria, e, como tudo neste mundo ideal dos mercados, terá então um valor comercial, segundo o equilíbrio entre oferta e procura. É isso e que não é tolerável a bem da equidade e do acesso universal e gratuito à saúde, que é um bem diferente e especial.

terça-feira, fevereiro 05, 2013

Lixo bem cotado

Nos EUA, a S&P, uma das sagradas agências de notação é acusada de erro grosseiro e levada a tribunal. Possivelmente, ganhará quem tiver os melhores advogados, mas não deixa de ser louvável a ação. Com efeito, esta é uma das sagradas agências do capital, que anda por aí a classificar de lixo ou de diamante quem mais não der ou der jeito ao sistema, um instrumento que afeta a vida de todos nós, e que, sem qualquer tipo de legitimidade nos condiciona e se sobrepõe às opções maioritariamente expressas pelos cidadãos, pervertendo toda a lógica democrática. Estes foram, muito mais do que os políticos (que apenas os serviram, iludidos na sua religião fanática), os grandes responsáveis por muitas crises que vivemos e pagamos. Sim, é tempo de  responsabilizar os verdadeiros culpados da cultura da ganância e do desvario liberal associado e adequadamente classificá-los com Lixo: Lixo Tóxico das consciências e bem cotado pelo liberalismo.

domingo, fevereiro 03, 2013

A mentira persistente

Curioso é que ainda seja notícia a falta de verdade oriunda deste governo. Tudo o que prometeram e os levou a ser eleitos já renegaram. A sua credibilidade e legitimidade é inexistente há já muito tempo. Por que espantar agora que chamaram ao seu seio um secretário de estado a quem omitiram passagens do currículo? É coerente com toda a prática precedente. A novidade é a falta de habilidade política demonstrada no processo. Será só isso ou é já tradução de alguma desorientação?

sábado, fevereiro 02, 2013

As duas medidas

A morte é fonte de virtude. É a melhor forma de ser reconhecido e, finalmente, ser um bom homem ou uma boa mulher. Mesmo quando o mesmo objeto, em vivo, era horroroso e criticável, se não insuportável.
A compreensão pela dor e infelicidade da mãe que mata os filhos apenas é possível porque decidiu acompanhá-los na morte. Caso contrário seria mais um objeto de uivos incontidos à porta de um Tribunal que a julgasse e o seu ato seria proclamado na primeira página do Correio da Manhã para gáudio dos leitores, que, pediriam punição máxima, mas, da forma como a história acabou, até sussurrarão um «coitada» piedoso.
É complexa a justiça, que, por necessidade de humanidade, deve ser mais governada pela razão que pela emoção.

quarta-feira, janeiro 30, 2013

A luta (de classes) continua


É porque investir é uma coisa tão complexa, que os investidores têm, obrigatoriamente, que ser bem remunerados. Mais complexo ainda será dispensar o dinheiro para investir e é por isso, que os banqueiros têm ainda que ganhar mais do que os investidores. Simples é trabalhar, CRIAR TODA A RIQUEZA, para investidores e banqueiros, formar pessoas, tratar as doenças e todas essas coisas menores e essa é a razão por que esses devem ser menos bem pagos. Depois há os inúteis sociais, que só consomem, os desempregados, que ainda assim dão jeito existirem para que os que trabalham não sejam tão reivindicativos e justificam uns meses de subsídio. Finalmente, os reformados, outra corja de inúteis que em vez de morrerem persistem em sacar ao Estado as pensões de reforma.
Na verdade, são bem poucos aqueles para quem se governa e como é fácil governar para apenas esses, em comparação com a dificuldade que seria governar para todos. Ficam muitos de fora? Que importa? É a luta de classes (que foi abolida por decreto neoliberal)!

terça-feira, janeiro 29, 2013

Eles


Quando se vai a um hospital, a um tribunal, à caixa Geral de Aposentações ou a uma repartição de finanças há algum grau de conforto e modernidade, que se não encontra quando se tem de ir a um serviço de segurança social. Aqui os ambientes são mais escuros, faltam lâmpadas de iluminação ou os maus tratos nas paredes são frequentemente mais óbvios. A outra diferença encontra-se nas manjedouras de atendimento, onde os espaços individuais são bem mais estreitos prejudicando toda a privacidade necessária, aqui mais do que noutras situações, e no nível de equipamento, por exemplo informático, que os funcionários utilizam. O ruído das pancadas dos carimbos é um must por aqui.
Este ambiente faz que do outro lado das mesas se encontrem funcionários desmotivados, deprimidos mesmo, com o que estão ali a fazer, um enorme frete. Carimbam papéis e informam mecanicamente que a resposta irá para o domicílio. Quando? Ninguém sabe, talvez um ou dois meses. Não riem, estão cansados, têm derrota nas faces. Adivinha-se que, como os utentes, estão descrentes. Dizem, «eles» é que sabem, são quem decide, quem manda. Sempre «eles», os todo-poderosos, que nos roubaram até o «nós». Nunca perguntam sequer que vida é esta na dependência absurda e exclusiva d´«eles»? Será que um dia despertarão e vão-se a «eles»?
Um Estado que diferencia os ambientes desta forma, é um Estado que fez uma opção de classe. Realmente, quem vem a estes Serviços de Segurança Social, são maioritariamente uns tipos «dispensáveis» que apenas «dão despesa» ao Estado Social. No limite do pensamento gaspariano-coelhal, estaríamos muito melhor se não existissem e não justificam, seguramente, qualquer investimento em conforto.

segunda-feira, janeiro 28, 2013

Botero


Aquele quadro que tanto poderia seu o primeiro como o ultimo da exposição, relembrou-me que mesmo a representação da morte pode conter em si o renascimento da vida anunciado pela tocha iluminada do anjo que desce sobre algo que parece estar ali definitivamente caído. Olhando-o relembrei-me que há uma história que ainda não acabou, apesar desta hibernação de quase dois meses, onde muitas vezes o impulso de aqui vir foi adiado pela inércia de reiniciar amanhã. E houve tantos e variados motivos!
Ainda agora, há poucos dias, a festa do regresso aos mercados (ou a continuação do endividamento) numa hosana infindável da direita governante, poderia ter sido uma boa razão. Mas não chegou para me reacender a vontade, porque, na verdade, foi apenas um estrebuchar antes de uma morte anunciada, essa sim definitiva, a exibir em breve na nossa frente.
Em vez disso, a arte como fator de renascimento, é uma causa bem mais interessante. A arte que cada um vê com os seus próprios filtros, revelando-se com significâncias distantes consoante os olhos que a veem. Para os organizadores desta Via Sacra, ao que pareceu pelos comentários dos guias do museu, uma exposição reveladora de alguma religiosidade tardia na vida de Fernando Botero, para mim, pelo contrário, o regresso ao tema das séries mais recentes do autor, a denúncia da violência ou da tortura dos homens, revelado na crucificação do cristo com Nova Iorque em fundo ou na apresentação do Homem na frente de uma vila da Colômbia. E, possivelmente, também não é por acaso que o anúncio do anjo ocorre na frente de um cemitério colombiano, isto é, num qualquer lugar de gente que não domina. Há por ali uma morte que ri nos rostos das caveiras, anunciando algo que está para vir mais cedo do que alguns esperarão.

terça-feira, novembro 27, 2012

Uma aposta?

Imaginemos que temos uma dívida para pagar e que nos estão a cobrar um juro alto. Fazemos um orçamento em que prevemos produzir menos, isto é, ganhar menos. Daqui a um ano como estaremos? Como a diferença entre o que ganhávamos e o que gastávamos já era negativa e vamos ainda produzir menos, o lógico é que dentro de um ano a dívida esteja ainda maior e, consequentemente, os juros a pagar serão ainda maiores.
Não é assim, diz o sábio Gaspar. Mas já é quase o último a dizê-lo. Daqui a um ano (tempo demais?) faremos contas! Ou vamos ajustá-las mais cedo...

quinta-feira, novembro 22, 2012

Olá

Olá, pá, fizeste um ano. Foi rápido, não foi? Quantas conquistas, quantos avanços e progressos numa velocidade absolutamente incrível. Sempre a procurar desde um olhar perdido algures até à tua mais recente dedicação na arrumação dos meus papéis no escritório. Acredita que, de tanto os espalhares no chão, já organizei alguns. Tens razão, porque às vezes é necessário o caos, para que uma nova ordem possa aparecer. Mexes-te bem, comunicas, não te calas. Se te não ligam chegas a gritar um olá, desconcertante. Comunicas bem. E quase já andas.
Hoje eras o mais novo na exposição das Idades do Mar. Eras tu de um lado e um desfile de reformados do outro e pareceu-me que eras tu quem mais olhava, mesmo que não visses. Sim, eu sei, viste os cavalos e quase os puseste a andar. Os outros, na sua maioria, olhavam menos os quadros, mais  fixados que estavam na vida que maioritariamente já passou e estavam ali pelo encontro de se não sentirem vazios. Só tu tinhas a promessa de ires ver cada vez mais. Muito mais.
As Idades do mar na tua idade, quem diria, pá?

quarta-feira, novembro 21, 2012

Há dias em que os casos vêm aos pares:
Primeiro, um caso clínico interessante, porque a memória recente costuma ser a mais afetada, preservando-se melhor a remota. Ou isto será uma auto-crítica?
Depois o esclarecimento oportuno de que a vaca e o burro afinal não testemunharam a virgindade de Maria, o que é, realmente, uma questão de fé. Absolvidos a vaca, o burro e, talvez, os infiéis!

segunda-feira, novembro 19, 2012

Boas novas

Boas novas do fim de um mundo

CARTA ABERTA

Meus caros concidadãos,
numa altura em que tantos escrevem cartas aos políticos e fazem circular os enormes escândalos dos políticos, apetece remar contra a maré da alienação instalada. Em primeiro lugar, porque acho inestético o refúgio cobarde e generalizado do «eu não tive nada que ver com isso». Na verdade, estes políticos vencedores foram os políticos eleitos pelos meus caros concidadãos, portanto não se queixem. Em vez da queixa, percebam as causas do vosso engano: a vossa crença nas virtudes do alterne «democrático» em que deixaram o país desde que votam. Em segundo lugar, porque lamento que, de acordo com as sondagens, a vossa burrice pareça querer continuar. Teimosos e sem imaginação continuam a dança do vira do alterne PS/PSD/CDS. O arco do poder a quem os meus caros concidadãos entregam o balão para que a marcha antipopular continue o seu caminho.
E estamos a chegar a um ponto em que a sustentabilidade desta idiotice em que caíram, meus caros concidadãos, começa a não ter saída. O fim do Estado para que uns e outros nos querem levar não é caminho, é suicídio. Na  realidade precisamos de um Estado melhor, liderado por políticos melhores. E os políticos melhores serão, seguramente, não estes ou aqueles que tanto os meus caros concidadãos têm criticado, mas os que se não deixam manipular pelo poder financeiro, o nosso verdadeiro inimigo. Se agora nos impõem um caminho de empobrecimento a quase todos, isso é para que uns muito poucos tenham enriquecimento e, muitas vezes, nem serão os que nos dizem que aguentamos, mas outros mais distantes que neles mandam. Na teia dos interesses e dos privilégios dos grandes senhores do mundo, temos que identificar com precisão o inimigo para o podermos derrotar eficazmente. O que temos hoje não é para reformar, mas para renascer, porque este sistema, enleado nas suas contradições internas, chegou ao fim da sua história. Nós, porém, sabemos que ainda não chegámos ao fim da história, como há uns anos aqui se escreve.
Com efeito, há mais políticos além deste políticos que os meus caros concidadãos criticam tanto. São os que não querem ir por aí. E se, na vossa ideia, os disponíveis também não servem, resta-vos uma saída, substituam-nos, ousem avançar. É pela política que a história vai continuar, ser contra a política é o caminho da autodestruição e, no limite, é favorecer quem até agora fez crescer a descrença na política e até aqui nos conduziu.
O caminho não é fácil e exige rigor, muita verdade técnica. Mas a verdade técnica depende do rumo que se escolher e essa definição é a primeira tarefa sem a qual o barco continuará à deriva. Temos que entender as causas, compreender a história e encontrar um rumo diferente para os nossos objetivos. Temos que definir o conceito de evolução, temos de perceber se o que queremos é o ideal expresso por Obama no discurso de vitória: o triunfo dependente do arriscar. Efetivamente, o nosso ideal será o risco, o jogo, a incerteza? Em nome de que objetivo?
Sim, é preciso definir que Estado queremos, mas antes disso sabermos se o que desejamos é, apenas, um Estado croupier que regule a jogatina.
Meus caros concidadãos, faites vos jeux ou melhor digam da vossa justiça.
Aqui fica a carta aberta num mundo cada vez mais fechado e  cercado, mas, certamente, com saída. Pensar é o único caminho para descobrir as saídas.

quarta-feira, novembro 07, 2012

Lucidez


Obama 2


O menos mau já chegou e prometeu que o melhor está para vir. A ver vamos. Que deus o ajude disse o outro. Ajude a quê? Que poderá deus contra o poder financeiro?
Mudança, qual?

segunda-feira, novembro 05, 2012

Intervalo


A coincidência de começar num dia feriado em véspera de fim de semana, tornou tudo mais suave, quase impercetível. Tempo foi de preparar gatas e lavrar a terra. Além de colher o semeado.

quarta-feira, outubro 31, 2012

Final feliz

Na pequena janela retangular as folhas saltam de pasta em pasta sobre um corrupio de números e extensões .doc e .xls. Em poucos minutos move-se o produto dos últimos anos de trabalho. Notas de evolução, melhorias e insucessos. No final, a p
asta de share com número mecanográfico fica branca, num silêncio prolongado. Tudo transferido para a minha pen. Fim.
Iniciar, encerrar, reiniciar. Reiniciar aqui? Não, outros que carreguem as teclas do Cntr-alt-del.
19:54 pela última vez o dedo no relógio de ponto e saí para a noite. Ali dentro as alegrias e os dramas vão continuar todos os dias... sem mim.

terça-feira, outubro 30, 2012

Boa nova

Empurrado pela angústia da incerteza, acabei ausente. O mês caminhava para o fim e a notícia tardava em chegar e a irritação crescia pelo cerco da impotência. Todo o sistema é opaco, suscetível de corrupção nessa falta de transparência. Tudo está irritante e imprevisível. Impossível.
Chegou ao início da manhã do dia 30, finalmente,a  notícia que era libertação.
A partir de amanhã estarei between jobs com todas as incertezas e garantias de um mundo cada vez mais incerto. Mas vai saber bem enquanto durar.

sexta-feira, outubro 19, 2012

No meio da «ciência»


E fiquei a pensar se pode haver empowerment sem responsabilidade individual, isto é, o doente pode ser convidado a decidir a sua terapêutica se não tiver que acarretar com os seus custos? Pelo mesmo custo, escolher-se-á sempre o mais caro, que geralmente é o melhor. Isto desde que se não tenha que ter em conta a relação custo-benefíicio. Mas no caso do nosso sistema de saúde nem é o doente que escolhe, é o médico, muitas vezes premiado por fazer a escolha mais onerosa. Está tudo do avesso, não é só a bandeira.

Um dia inteiro a fazer flores à volta de um artigo do Diabetes Care. De várias formas, com graças (poucas!) diversas lá se vai mostrando que são os doentes que têm que decidir, uma vez aconselhados, que tratamentos devem fazer depois de aconselhados pelos seus médicos. Pelo meio alguma ciência comprometida manifestando as tendências dominantes do Mercado (farmacêutico), sempre as mesmas na substância: os medicamentos muito bons do passado (baratos) devem ser substituídos pelos mais recentes (mais caros). É a evolução científica a bem dos doentes, mesmo que a eficácia seja semelhante há sempre algum efeito acessório menos frequente (menos de 5%), alguma facilidade de administração, alguma coisa pequena que justifica uma enorme diferença de preço.  E já não tenho energia para falar de uma coisa simples como seja a responsabilidade do doente na implementação de medidas não medicamentosas (corrigir a causa da diabetes), porque a defesa da facilidade tudo justifica. Mas tenho para mim que a sociedade só deveria pagar estes custos da negligência individual se fosse provado que os custos das complicações são superiores aos custos da terapêutica. De outra forma é irracional que o faça. Não negando a possibilidade dos tratamentos, é inaceitável que a falta de cuidado de quem os poderia ter seja custeada por todos. Nestes casos, seria razoável indexar os custos do tratamento à capacidade económica do indivíduo prevaricador. Isso iria contribuir para opções mais conscientes dos doentes e a escolha aí já não seria mesma de sempre, o melhor de todos, porque o fator preço entraria na equação da decisão. Então o empowerment faria sentido.
Uma gestão decente (justa) dos recursos implica que se façam opções e se privilegie o pagamento integral apenas das doenças em que os doentes são vítimas inocentes da sua patologia, por exemplo as doenças genéticas, auto-imunes, degenerativas e as ambientais de causa não controlável individualmente. A responsabilização dos doentes é da mais elementar justiça.
Mas isto é conversa séria demais para um público ávido do bem-estar e tranquilidade que tudo isto dá.

O Expresso chega só depois do meio-dia. São os custos da insularidade, o atraso nas notícias. Mas há a TV Madeira que nos mostra nos interlúdios borboletas de asas salpicadas de muitas cores e nos diz que não havendo um especialista por perto as não devemos tentar apanhar porque as podemos amputar irreversivelmente. E que úteis são na defesa do ecossistema. Ternurenta a informação da TV regional… Aqui para cerca de 250000 pessoas há um canal de televisão, ou seja os custos da continentalidade nada têm que ver com esta realidade ou teríamos que ter a TV Almada, a TV Amadora, a TV Lisboa (vários canais, claro…).
Na falta do Expresso, percorro os andares do Centro Comercial Madeira (ou será Madeira Shopping?) constatando as lojas vazias com vitrines cobertas de jornais e folhas de A4 com a inscrição VENDE_SE.  A crise chegou à pérola esburacada.
Melhor fico olhando o mar azul na frente da janela do quarto. Sereno, quase sem ondas, de vez em quando um barco. Na piscina, reformados da Europa do meio, esperneiam numa aula de hidroginástica que nunca lhes irá diminuir os excessos das barrigas.  

quarta-feira, outubro 17, 2012

Economia tótó


A confusão das receitas e despesas vai grande. Tentando simplificar tão complexa coisa, diria que as receitas do estado (impostos, taxas e companhia) são, curioso, as despesas dos cidadãos e que as despesas do estado (fornecimento de saúde, educação pública, segurança social, p ex.) são as receitas dos cidadãos (isto é, servimo-nos das coisas e não pagamaos).
O que é estranho neste acerto de receitas e despesas é que queiram que paguemos mais para recebermos menos. Fica a ideia de que o dinheiro que sobra deste desacerto não se volatiliza, mas cai bem concreto nalgum lado. 

segunda-feira, outubro 15, 2012

Fora do contexto

A Berta que ia ganhar, afinal teve uma derrota colossal. Mas não foi da Berta, foi do contexto nacional, tranquilizaram Coelho e Portas. E fiquei ali a meditar no que aquilo quereria dizer. O contexto nacional! Os princípios programáticos da Berta eram contra o contexto nacional, contra o assalto orçamental e o Coelho tinha já prometida uma caçada e o tiroteio dos parlamentares da região. Porque o contexto nacional é realmente intolerável, inqualificável de tal forma que um curioso comentador do PSD até dizia num canal de televisão que o contexto poderia ter sido mostrado mais tarde, depois das eleições. Espera, então teria sido preferível levar os ilhéus ao engano, ocultando-lhes o contexto? o homem de cabelos brancos achava que teria sido melhor, mas os miúdos governantes não pensaram assim e o contexto nacional tramou a Berta.
Nunca tinha visto tanto descaramento. Na verdade a confissão do contexto nacional mostra que estes rapazes acham que o que andam a fazer tem a oposição generalizada do povo. Só que não se importam, a cruzada fanática em que estão envolvidos tudo justifica. Assumem a mentira e conseguem dormir descansados depois de saberem que foram eleitos na base de promessas do contexto oposto, mas uma vez no poder regozijam coma  ideia de terem enganado o maralhal. É tempo de defenestração que estes são piores que espanhóis.

sábado, outubro 13, 2012

Resignação?

Fez-me imensa confusão ouvir o senhor cardeal. A palavra da Igreja imaginava-a eu mais perto do que diz D. Januário. Ao menos nas aparências fazia-me mais sentido.
Mas senhor Cardeal  o que corrói a harmonia democrática, não é o governo do povo na rua, mas o governo dos talibãs liberais no palácio.
Fiquei a pensar por que raio seria o discurso contra as manifestações e o elogio da resignação. Ter-se-á o cardeal convertido ao fundamentalismo liberal?
Deus me livre de pensar isto, mas só me ocorreu que o dislate possa ter tido motivações pouco católicas. Por exemplo, Gaspar, na sua fúria insana de arrecadar e mexer em tudo o que bula, pode lembrar-se do IMI que a Igreja está dispensada de pagar. É que parece não ser assim tão pouco.

quinta-feira, outubro 11, 2012

Coisas nos muros

A vantagem da lentidão do trânsito é dar-nos a possibilidade de lermos as inscrições feitas nas paredes. Já ali tinha passado várias vezes, mas nunca tinha lido aquilo. Só por preguiça sou feliz. Assim lido na manhã a caminho do trabalho. Na verdade, será possível ser feliz quem não seja preguiçoso e se ponha a fazer perguntas? 
É possível andar por aí e não olhar, seguir e ser feliz na rotina dos dias. Mas se olharmos, arriscamo-nos a ver e fica a felicidade perturbada.

quarta-feira, outubro 10, 2012

Mintam-lhes que eles gostam

The pervasiveness of campaign lies tells us something we’d rather not acknowledge, at least not publicly: On many issues, voters prefer lies to the truth. That’s because the truth about the economy, the future of Social Security and Medicare, immigration, the war in Afghanistan, taxes, the budget, the deficit, and the national debt is too dismal to contemplate. As long as voters cast their votes for candidates who make them feel better, candidates will continue to lie. And to win.
em http://blogs.reuters.com/jackshafer/2012/10/09/why-we-vote-for-liars/

E a ser assim, a democracia corre perigo e o populismo pode muito bem resultar. As coisas não são fáceis, mas a educação reinante diz que tudo tem de ser fácil. Por isso se inventaram as escadas rolantes e as compras a crédito.As primeiras engordam-nos, as segundas emagrecem-nos, mas a lógica é comum: à primeira vista facilitam-nos a vida. As consequências só vêem depois. E a lógica dominante é vivermos tudo como se tivéssemos chegado ao dia final. De momento satisfaz, depois pode doer.
O populismo é uma linguagem infantil que nos leva ao mundo do tudo ser possível. O sistema infantilizou as pessoas, destreinou-as de pensar que têm futuro e que, por isso, a mensagem é que podem comer o saco das gomas todo de seguida sem poupar para o próximo dia. Amanhã haverá sempre mais gomas, se lá chegarem depois da dificuldade da dor de barriga quase fatal.
Na escola adquirem-se conhecimentos técnicos para resolver os problemas das organizações e promover a geração de valor, mas, cada vez mais, convencem as pessoas da inutilidade da literatura ou da filosofia. Pensar é perda de tempo, que a vida vai demasiado rápida para se desperdiçar o prazer imediato, enquanto se pensa o futuro. Ser deixou de ter qualquer importância ao lado do ter todo poderoso.
Por tudo isto, mais vale sem enganado desde que não doa, a ter as dores da verdade. Dos que não pensam é o reino dos céus, para que a alguns possa ser dado o privilégio do céu na terra.
Mas a economia é complexa, na verdade, porque tem por objetivo a geração de valor, o crescimento e não a satisfação das necessidades gerais. Segundo a doutrina dominante a natureza dos homens é a ganância.
E os resultados  da reflexão pós revolução industrial e algumas guerras (o Estado Social nas suas várias dimensões de Segurança Social, Educação e Saúde para todos) são agora postos em causa pelas forças da ganância. Mais lamentável do que tentem fazer isso, é não haver uma exposição séria, adulta das realidades por parte dos que não alinham no pensamento da ganância dominante. Possuídos que também estão da ideia da facilidade, procuram ignorar a realidade e não a discutir com profundidade, atirando populisticamente com os argumentos da espuma da facilidade, convencidos que é dessa forma que chegam ao poder. Até poderiam chegar em tese, mas de nada lhes serviria porque teriam também de desdizer o que prometeram.

Islândia



Levados a ignorar.

terça-feira, outubro 09, 2012

Soprar, soprar

Não discute adjetivos, nem substantivos diria eu.
Num dia é a TSU que tudo resolve, depois é um enorme aumento de impostos, mais à frente talvez não seja enorme, quem sabe só grandito se reduzirmos na despesa. Qual a que vamos pagar (saúde, educação, etc) pagando os seus amigos menos impostos enormes?
O desgoverno vai grande, à deriva. Cabe-nos a nós soprar as velas que eles à deriva já rodopiam. Só mais um esforço expiratório e já não piam mais.

Vitória

Mais seis anos.
Digam que foi a vitória mais escassa de sempre, que o opositor progrediu bastante, digam o que lhes apetecer,  ele venceu. E têm vencido os venezuelanos mais pobres ao longo destes anos.

segunda-feira, outubro 08, 2012

Um tédio enorme, o maior tédio

A suprema realização de alguns governantes seria não ter povo, mas apenas a maior folha excel do planeta. Isso, despedir o povo, pela emigração, pela aniquilação se necessário, para acabar com tudo o que pudesse por em causa a construção dos belos cálculos da folha de excel. As olheiras cada dia maiores pela falta de dormir, mas o objetivo quase alcançado. Os incrementos da receita, as reduções da despesa e voilà, o saldo positivo sempre a crescer, todos os anos. Realizados, preparam-se para avaliar a realização de tão magnífico orçamento com um enorme aumento de impostos. Estava nisto, entretido o ministro e mais alguns seus acólitos superinteligentes, quando alguém lhes disse baixinho olhem que já não há povo, o país acabou. Merda, logo agora que a nossa superinteligência tinha produzido cálculos tão brilhantes! Para que serviu tanto trabalho perfeito, tantas horas de sono desperdiçado. Sem dúvida, esta gentinha ignorante que parecia tão bem comportada, o melhor povo do mundo, não merece tais governantes tão inteligentes.
Que não os merece é verdade, falta só que os dispense. Até pode ser com carta de recomendação dirigida à patroa alemã para que lhes dê trabalho por lá.

domingo, outubro 07, 2012

Canções

No meio das arrumações sempre encontramos dentro da pilha dos esquecidos alguma coisa que faz parar. Parar para relembrar e gozar o que afinal ainda não mudou. Desta vez encontrei «Canções com História» e fiquei ali a ouvi-las. No país do desencanto, recordei o que foi um país encantado e  cantado. Lá estava a Trova do vento que passa 

(Mesmo na noite mais triste
em tempos de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não)

A cantiga para os que partem

(Este parte, aquele parte
e todos, todos se vão...)

O que faz falta

(o que faz falta é avisar a malta
o que faz falta
o que faz falta é dar poder à malta
o que faz falta)

 e outras tantas outras com que se passa uma boa parte da tarde. Há algo que foi interrompido mas sempre está pronto a ser retomado, porque há mais canções a fazer.

sexta-feira, outubro 05, 2012

Para a galé

Versos de José João Cochofel

"Sem frases de desânimo,
Nem complicações de alma,
Que o teu corpo agora fale,
Presente e seguro do que vale.

Pedra em que a vida se alicerça,
Argamassa e nervo,
Pega-lhe como um senhor
E nunca como um servo.

Não seja o travor das lágrimas
Capaz de embargar-te a voz;
Que a boca a sorrir não mate
Nos lábios o brado de combate.

Olha que a vida nos acena
Para além da luta.
Canta os sonhos com que esperas,
Que o espelho da vida nos escuta."

CANTA
CAMARADA
CANTA

Andam escondidos na galé os ratos devorando o que resta no fundo dos porões. Escondidos porque o mar começa a ficar revolto, as ondas altas e cada vez mais frequentes. Julgavam-se abrigados mas a fúria grita mais forte e já lhes invade o esconderijo. O grito é, para a galé com eles, que foi esse o caminho que escolheram. 
É impossível passar ao lado da tempestade que se vai levantando e a bem ou a mal se abrirão os palácios ao povo. (Eu adoro esta linguagem retro do futuro)

quinta-feira, outubro 04, 2012

De desculpas já estou farto...

O Sporting perde e o presidente vem pedir desculpa aos sócios. No parlamento, Seguro pede a Passos que peça desculpa aos portugueses. Subitamente anda toda a gente a pedir desculpa e um destes dias teremos mesmo que pôr os portugueses que elegeram estes governantes a pedir desculpa aos que, prudentes, o não fizeram.
Mas atenção que pedir algo não é automaticamente obter oque foi  pedido. Carece da aceitação do recetor do pedido. E se o pedido não for aceite? Deve ter sido por isso que o senhor PM não pediu desculpa. Está à espera que se lhe diga, ponha-se a andar daqui para fora, emigre... sem pedidos de desculpa. Já faltou mais, não é?
Mas há que etr cuidado com as alternativas que se escolhem para que não seja necessário, em breve, voltar a pedir desculpa.