terça-feira, julho 16, 2013

Tabú

A meditar nas Selvagens sobre o pântano caseiro, lembrar-se-á da poda das anonas, do riso da vaca feita queijo, enquanto se deliciará com uns jaquinzinhos clandestinamente pescados, sendo tudo terminado com uma fatia de bolo rei de encher a boca. Uma certeza lhe resta, no seio da natureza profunda, terá garantida a segurança dos seus computadores e os cidadões  ficarão-lhe bem longe...
A cerca de 1000 km, os maratonistas da sua salvação procurarão acordar.

segunda-feira, julho 15, 2013

Renascer

Os que há mais de 3 décadas nos adormecem com crises sempre renovadas e histórias de sucesso quase sempre escondidas, estão agora reunidos 7 dias para acordar. Espero que apenas o desacordo venha a ser possível recordar no próximo fim-de-semana. Caso contrário, terão de ser muitos milhões a lembrar a esta troika que já acordámos e queremos exprimi-lo democraticamente, afastando-os de vez da manjedoura onde eles têm enchido a barriga do capital financeiro ao longo deste tempo já, demasiadamente, longo.
Está na hora do poema de Alegre outra vez:

Que o poema seja microfone e fale 
uma noite destas de repente às três e tal 
para que a lua estoire e o sono estale 
e a gente acorde finalmente em Portugal.

domingo, julho 14, 2013

Uma certeza e várias dúvidas

A democracia manifesta-se pela existência de opiniões divergentes, mas não só. Às vezes são mesmo antagónicas. Não é, pois, sequer decente convidar para acordos, quem, à partida se sabe não estar de acordo com o que se lhe propõe, expressas que têm sido as suas posições reiteradamente. Foi isso que fez Sócrates antes de fazer um governo minoritário. É isso que o PS agora fez. Tanto um como outro fizeram-no para português ver, não que tivessem qualquer ilusão de resultados práticos, além de arranjarem um argumento que, de certa forma, compense aquilo que pensam ir fazer. Não faltará muito para sugerirem que, na impossibilidade de dialogar à esquerda e perante o «interesse nacional», acabam por se aliar à direita?
Esquecem-se da verdadeira alternativa, se fossem de esquerda, realmente. Contudo, optar pela cavacal proposta tem um risco associado. É bem possível, que não saiam inteiros de tal consenso de salvação e, efetivamente, o resultado seja uma cisão por já não ser possível mais tolerar a cobardia. Isto é, pela salvação se atinge a morte. Ou talvez, impere o bom senso e disso seja já uma manifestação o anunciado sentido de voto a favor da próxima moção de censura. Ou será uma decisão revogável face a novas circunstâncias?

sexta-feira, julho 12, 2013

O arco do desgoverno

O formal Cavaco decidiu pôr fim aos seus poderes limitados e ordenou um affaire a trois. Desistiu, nesse momento, de ser o presidente de todos os portugueses, quando anuiu à crença antidemocrática segundo a qual existem em Portugal só uns partidos do arco da governação. Curiosamente, são os que têm desgovernado isto nas últimas décadas, pelo que  melhor seria chamar-lhe os partidos do arco do desgoverno.
O grave é que um presidente, que deveria ser o garante das instituições, tenha o desplante de excluir outros partidos que merecem o apoio de uns quantos portugueses que até agora têm tido que aguentar o desgoverno que uma maioria de iludidos tem imposto a todos.
Começa a ser tempo de dar o governo a alternativas possíveis, não de as excluir.

quinta-feira, julho 11, 2013

Má prática

Se um doente fica à beira da morte depois de um médico ter feito uma primeira intervenção ainda se percebe que consulte e siga os tratamentos de outros dois para ver se se consegue safar. Se depois dessa intervenção ainda fica mais perto do crematório, qual a solução possível? Cavaco, recomenda um tratamento feito pelos 3 que o puseram a necessitar de salvação.
Que tal procurar outros médicos, diria eu?

quarta-feira, julho 10, 2013

À espera de Cristo

Já havia a ilegitimidade de se governar ao contrário do  que se tinha prometido no contrato pré-eleitoral. Por mais voltas que se deem ao texto, nunca teriam sido eleitos se prometessem o que têm estado a fazer.
A esta ilegitimidade, adiciona-se agora a numérica: votaram mal, mas ainda assim tinham votado no Pedro maioritariamente. O que acontece agora é que Pedro passou o poder ao Paulo, que, minoritariamente votado, vai governar como se tivesse maioria. É a segunda ilegitimidade dos garotos com nomes de apóstolos.
Cristo, até agora mais morto que vivo, tem uma última oportunidade de ressuscitar. Há quem acredite na ressurreição? Pois, ele tem pouco de Cristo, que esse, soube adequadamente expulsar os vendilhões do templo e este tem um compromisso com os mercados. Gostaria de me enganar...

domingo, julho 07, 2013

Renovar ou contar?

São conhecidos casamentos que se mantêm apenas pelas aparências, justificados com causas nobres, mas que apenas existem teoricamente com os cônjuges a viveram em quartos separados, sem se falarem ou, pior, com maus tratos permanentes. Geralmente a mulher entra numa atitude de aceitação das sevícias por receio das consequências ou mesmo eventual benefício, ainda assim, existente da situação. À volta toda a gente sabe como as coisas correm e lamentam a situação. Mas, enfim, entre marido e mulher não metem a colher. Mais recentemente, algumas destas situações adquiriram a caracterização de crime público.
Quando este quadro é transposto para o governo de um país, as consequências são devastadoras. Ontem vimos o político, taticamente de olhos no chão, ouvindo paciente o discurso do teórico primeiro ministro a enunciar-lhe os poderes. Foi um requinte de sadismo exposto publicamente. Com aquele ar taticamente modesto, falso, Portas estava  cheio com aquela nomeação para primeiro ministro plenipotenciário. A renovação dos votos acabou sem beijo na boca.
Quem acredita neste casamento que levante o dedo. Mas apesar de tudo será quase impensável que o velho de Belém se dê ao incômodo de não apadrinhar este casamento fora de prazo e queira substituir os votos renovados por votos contados. Mas nunca se sabe, eles andam à procura de deixar uma imagem na História e, às vezes, são imprevisíveis. Mas isto deve ser um desejo pessoal.

sábado, julho 06, 2013

Pimba

COM A VERDADE ME ENGANAS
Quanto mais ela me engana
Mais eu sou louco por ela
Quanto mais ela me foge
Ainda mais corro atrás dela
Quanto mais ela me afasta
Mais eu a quero abraçar
Quanto mais me diz que basta
Mais eu a quero beijar
REFRÃO:
O nosso caso é uma novela
Vivo enganado mas gosto dela
E qualquer dia eu sei que sim
Que vai ser ela a andar atras de mim
Quanto mais ela me engana
Mais eu acredito nela
Quanto mais ela me trama
Menos faço por esquecê-la
Quanto mais me diz mentiras
Mais eu penso que é verdade
Quanto mais coisas me tira
Mais lhe dou minha amizade
REFRÃO
Quanto mais ela me trai
Mais mantem acesa a chama
Ela diz-me "tudo bem"
Com a verdade me engana
Tony Carreira e o gozo do engano a propósito desta semana trágico-cómica.
Vamos ter um novo governo com os mesmos do velho, mais coisa menos coisa. Desta vez e inovando em relação à história a que estamos habituados, não perdendo tempo mudando os atores principais por outros seus iguais, usam os mesmo com ideias «corrigidas». Estragam-se menos casas. Fizeram um curto retiro, meditaram e aí vêm eles, cheios de santidade, resolver tudo aquilo que andaram, nos dois últimos anos, a destruir. É a assunção do gozo do engano ou o desprezo pela capacidade de pensar dos enganados. Mas possivelmente até terão razão porque o gozo de serem enganados é coisa que os portugueses têm exaustivamente demonstrado nos últimos anos, esquecendo a sabedoria do poeta que há tanto tempo nos ensinou que toda a  vida era feita de mudança. Mas isso era em tempo de descobertas e grandeza, não da pequenez satisfatória. Agora, não arriscam, andam em círculos, deste para aquele, naquele gozo de alterne que a nada leva. Pimba.
E o chato nisto tudo é a falta de mercado: aos cidadãos deveria ser possível escolher o seu país e pagar os seus impostos a quem melhor os servisse, divorciarem-se do país onde o acaso os fez nascer. Em resumo, o direito à lucidez.


sexta-feira, julho 05, 2013

Barnabé


Como se o mundo estivesse adormecido, hoje no palácio há uma reunião de sábios e charlatães para deleite do ocupante.
Fica depois disso a certeza de que haverá um Barnabé, mas que não vai chegar, teremos de o procurar.

quarta-feira, julho 03, 2013

Hoje não caiu nenhum ministro

Parece que iam cair mais dois, mas só tropeçaram, para já.
Os amigos do político fazem agora o número de que querem dialogar e quem vai ao diálogo é o Político. O diálogo é daqueles em que era bom ser mosca... Vai o Político e pedirá o impossível e que resta ao número um? Aceitar passivo a avalanche das exigências? A cena é de Sodoma, mas que fazer quando, quem inviabiliza, sairá a perder? Será o preço excessivo, aguentará o número Um a estocada?
Os próximos episódios seguem dentro de momentos.
Ao lado do que dorme no palácio cor de rosa, há um outro que gesticula e balbucia, eu estou pronto! e pensa, os papás vão gostar muito de me ver ser o futuro número Um...

terça-feira, julho 02, 2013

Lá vão dois

Aquele vai arejar para outras paragens farto que estava dos políticos eleitos. Ele que nunca fora eleito, decidiu sair batendo com a porta. A folha de Excel não batia certo, alguém se enganou na programação, ele tudo tinha feito bem. Faltavam as pessoas no programa...
Mas a ida dele, é a saída do cérebro. A partir de agora, o bicho ainda mexe, mas a cabeça já se foi.
Andava eu nestas reflexões na área industrial à procura de uma eletroválvula e ligo a TSF. Já não se pode ligar a rádio que cai logo um ministro. Bolas, mas agora sai um político. Não bate com as portas, foi o Portas!
Isto tudo pode ter começado com a tal greve, que não sendo geral, quiçá mesmo apenas uma manifestação dos habituais destas coisas, terá levado a que o PS tenha conseguido fazer passar umas coisas na Assembleia. Já para não falar naquela história dos professores, onde os governantes inflexíveis, flexibilizaram. Vai daí, o que não era político nem eleito, não gostou. Para Portas tinha-se acabado o bode expiatório e ele passava a número 2. Ooops, número 2 é a cabeça, que o número um é apenas isso, um número dos que não conta. A partir de agora era ele que tinha que decidir sem poder desculpar-se com o outro. As coisas ficavam verdadeiramente complicadas. Ala que se faz tarde, que as eleições estão quase aí e a derrota é certa se me identificam com esta gente, terá pensado. E se bem pensou, melhor o fez. Eis senão quando, a las 8 de la noche, o número um, enche o peito que nem um Churchill pífio e faz um número surreal, Não me demito, não abandono o país!
Com este contra-golpe, como diria o Jesus, o Político fica em maus lençóis segundo a teoria de quem fizer cair este governo é o responsável por todas as futuras desgraças.
Perante isto, num palácio cor de rosa, há um que dorme e aguarda que eles se entendam.

segunda-feira, julho 01, 2013

Lá vai um

Andava eu ainda à procura de uma bilheteira na estação de Entrecampos, quando ouvi ocasionalmente uma voz meia de triunfo dizer ao telefone móvel, então sabes a novidade? O Gaspar demitiu-se. Incrédulo, consultei o Tablet e no sapo.pt estava a confirmação, logo reconfirmada na TSF e no Expresso. Sorri. Na altura quase liguei umas buzinadelas à notícia, mas terá sido coincidência e correspondido a alguns daqueles ralhetes de condutores em cruzamentos. Ainda assim, aliviado, sentei-me no meu lugar.
Na aproximação a Vendas Novas, os meus vizinhos de carruagem, dois alentejanos de Beja que vieram a consultas da coluna aos hospitais de Lisboa, tinham parado de falar das suas aventuras com os clínicos indecisos entre operações e esperar mais algum tempo. Um debruçado sobre o telemóvel, disse monotonamente, diz aqui que o ministro das Finanças se demitiu. Resposta do outro, vai comer para outra manjedoura, esses nunca ficam a perder e depois vai para lá outro igual. Pois, anuiu o primeiro.
Há uma desesperança e confusão em tudo isto, a impotência ensinada durante o fascismo inseriu-se na genética da gente. A propaganda do tudo igual vomitada diariamente nos media, nas análises superficiais e emocionalmente catastróficas, arrasa toda a reflexão e raciocínio lógico ou a criação de possíveis estratégias. Demitidos, ficam à espera. Como a grande maioria, que noutros tempos também ficou à espera de algo, que surgiu em abril de 74. Mas surgiu porque uns quantos se tinham mexido entretanto. Curiosamente, os mesmos que agora vão organizando manifestações e greves que, diz a propaganda oficial e o subconsciente contaminado, não servem para nada.

terça-feira, abril 16, 2013

Por menos se assassinou um rei

Quando Mário Soares dá uma entrevista ou escreve um artigo num semanário fica sempre a dúvida se a demência não será mais tranquila que a lucidez. Um lúcido perceberá sempre as respostas mais ou menos sussurradas dos comentadores inúteis opinativos que dizem invariavelmente algo semelhante a «deixem falar o velho». Curiosamente, essas doutas opiniões, queiram ou não, têm uma dívida para com os criticados como Álvaro Cunhal ou Mário Soares. Foi essa gente que ignorava os mercados que nos governam que permitiu a libertação da palavra. Um, visionário, não se cansou de alertar contra os riscos daquilo que hoje se percebe ser uma real dificuldade, outro que nos levou para ela, mas ambos gente que sabia pensar pela sua cabeça e que procurou que todos pudessem pensar pela sua própria cabeça.
Mas pensar não é fácil ao contrário do que se procura hoje no mercado...

terça-feira, abril 09, 2013

Just say no!

Um ministro das finanças ocupado a autorizar a compra do papel higiénico é a realidade a que esta coisa chegou. Já houve outro que também era muito poupadinho e gostava de mandar nos seus colegas de ministério. O resultado acabou num abril de há uns anos.
E os sinais são preocupantes quando, por exemplo, começa a fazer escola uma coisa abjeta chamada arco da governação. É como se alguém tivesse decidido que só há um caminho, que o resto é desprezível. Mas aqui a culpa não é deles, é dos que se abstêm, é dos que não pensam, dos que não ousam, dos que ficam a ver o dia seguinte a falar do dia anterior, esmiuçando todos os lances até à exaustão, dos que contemplam a vida dos outros e das outras e se esquecem de ver as suas, dos impotentes e descrentes. E afinal, até há bons conselheiros, prémios Nobel e tudo, que nos dizem para dizermos uma coisa assim tão simples:


segunda-feira, abril 08, 2013

É a natureza do trabalho, estúpidos!

Dizem eles que se ganha mais no público que no privado.

Público e privado
Eugénio Rosa fez contas com base em dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) de 2005. Estes indicavam um rendimento médio anual de 9335 euros para os trabalhadores com o ensino básico: 1.º ciclo (antiga primária), 2.º e 3º ciclos, de 16 743 para os que têm o ensino secundário e de 28 538 para quem possui o ensino superior.
Habilitações
A maioria dos trabalhadores do sector privado (72,5%) tinha, em 2005, o ensino básico, e apenas 11% possuíam o ensino superior. Já a maioria dos funcionários da administração pública tinha mais habilitações que escolaridade básica. E 44% concluíram uma formação de nível superior.

 Comentários para quê? É a natureza do trabalho, estúpidos! Portanto será bom não comparar o incomparável e achar que algumas «garantias» de emprego nas funções públicas mais não são que compensações idênticas às que ocorrem em funções privadas, tipo automóvel da empresa, telemóvel, computador, cartão de crédito, etc.

domingo, abril 07, 2013

Governo anti-social

Só porque, alguns como eu, continuam com a bênção do trabalho, se explica ter eu estado a passar ao lado destes tempos estimulantes. Passo ao lado, mas vivo, mesmo no silêncio desde há quase 15 dias que estão a  mudar o mundo, pelo menos este pequenino onde nos movemos, mas se calhar transcendendo-o.
Neste tempo aconteceu o confisco em Chipre e pus-me a fazer contas: 100000/485= 206. 206 meses são 17 anos. Portanto, um tipo com o salário mínimo acumula ao fim de 17 anos os tais 100000 euros para depositar. Só precisa de andar nu, dormir na rua e não comer durante todo esse tempo...mais nada
Deve ser por isso que mais de 98% dos depósitos bancários em Portugal estão abaixo de 100000 euros. O que eu não sabia, é que os outros pouco mais de 1% dos depósitos, representam mais de 40% do dinheiro depositado. E os donos andaram bem vestidos, dormiram em casas de milhões e comeram do bom, além do resto...tudo. Devia ser um trabalho estimulante fazer o estudo de como se entra nesse grupo dos pouco mais de1% e ver que ligações poderiam existir com toda esta conversa do défice e desgraças do Estado ingovernável. Já agora, perceber quantos eram funcionários públicos ou seja a causa de todas as maldições.
Pelo caminho, cortou-se o Relvas por gostar mais de falar do que escrever. Parece que o senhor afinal cometeu um pequeno erro e fez uma oral que deveria ter sido escrita. Gostei particularmente de um título de um jornal: Relvas acaba o curso no Governo.
E o fim de semana foi uma enchente de conteúdos. O Tribunal Constitucional decidiu e já sabemos que quando os juízes decidem, está decidido. Sabemos nós, mas alguns não! A Leal ao Passos ficou perplexa e o dito pôs o ministério a fazer horas extra ao sábado à tarde, após o que, pediu audiência de urgência ao patrão. É curioso, como estas coisas são, pois a urgência afinal não decorreu da reunião extraordinária como o prova a primeira página do Expresso, onde, já pela manhã,  ficávamos a saber que  o Governo pedia a tal reunião urgente ao Presidente. O bom patrão, confirmou o emprego aos rapazes. Finalmente, o rapazola capataz, veio chispar durante a tarde de domingo (antes do Benfica estar a jogar ou ninguém o ouviria) contra os juízes, que, a partir de agora, vão ser (com o Sócrates e,claro, os funcionários públicos) a causa de todas as misérias do mundo. É o normal funcionamento das instituições democráticas, isto é, PR e Governo, que o resto são forças de bloqueio de democraticidade duvidosa bem dispensáveis, tivéssemos nós outra Constituição. Para já ficamos a saber, que se não levamos de uma forma, apanhamos doutra, porque esta rapaziada salvadora tem esta vocação anti-social e, enquanto andarem à solta, os distúrbios irão continuar.

segunda-feira, março 25, 2013

Exercício

Não ter a solução é humano. É como errar. Não procurar a solução é negligência. É dolo no próprio. Esperar que outros encontrem a solução. Isso é suicídio ou, no mínimo e com muita sorte, a submissão a que a preguiça conduz.
Protestar, ficar indignado é, apenas, estertor, ficar à espera que apareça a solução e, este tempo, é tempo mais de ação do que apenas reação. É tempo de ser humilde e intolerante ao mesmo tempo. Perceber, claro, que as soluções não são fáceis, mas ser-se intolerante na sua busca, porque o existente não é solução, é apenas o problema. Mudar, mudar qualquer coisa, criar hipóteses, testá-las de forma rigorosa, andar à procura da solução.Mas, nunca, ficar quieto à espera de deixar passar a tempestade, porque isso apenas resulta quando se está abrigado e não, como agora, quando se está em campo aberto.
Assegurar as necessidades de cada um, porque o destino é coletivo e não tem graça passar 80 anos sozinho. É verdade, nenhuma pessoa é eterna. Quando muito ficará alguma obra de arte que criou se partilhada num museu, numa biblioteca ou numa sala de concertos e nada mais. O resto são trivialidades. Termos o que produzirmos seria tudo o que precisamos.  Princípios? A cada um segundo o seu produto, calculado por benchmarking: toma-se por base as realidades dos países onde é menor a desigualdade, isto é, maior a partilha coletiva da realidade construída e evoluída. Faz-se a relação entre o income individual de uma determinada atividade e o produto nessa realidade e aplica-se a relação a todo o que trabalhe. Exemplificando, vencimento de técnico alemão ou sueco/PIB per capita desses países. Uma vez estabelecido este valor, aplicação do coeficiente a técnico semelhante tendo em consideração o PIB do seu país. E ninguém sairia privilegiado ao contrário do que agora acontece... Nota: a norma aplicar-se-ia do CEO ao assistente operacional.

domingo, março 24, 2013

GPS do tempo

Agora que, com o GPS, já não nos perdemos nos destinos do espaço, como que optámos por cair nos labirintos do tempo. De repente, destruíram-se as coordenadas em que nos mexíamos e só a incerteza do futuro prevalece. Depois de sairmos da realidade material da vida, substituiu-se o fundamento dos ativos pelo império do crédito. O valor passou a ser o limite de crédito concedido pelo mercado secreto e oculto. A abstração da matemática foi além da objetividade da geometria. A imaginação triunfou e, nos imaginados, nos perdemos, necessitados que ficámos de um GPS do tempo.
Podíamos viver perdidos no espaço, será que se consegue sobreviver à desorientação no tempo? Ou cada passo que se dá poderá ser um avanço sobre a mina oculta que nos fará explodir? O futuro a Deus pertence, mas não é mau que regulemos um pouco a divindade.