quarta-feira, março 13, 2013
Cuidado!
Todos os dias sinais difusos, por agora, de preocupação. Há dias soube-se que em Bruxelas foi proibida uma manifestação por alegada insuficiência económica da polícia ser capaz de garantir a segurança. O liberalismo depois do ataque sem tréguas ao estado social, poderá, agora e em nome das restrições «necessárias pela situação económica» arranjar pretexto para limitar as garantias individuais. Toda a atenção é pouca!
sexta-feira, março 08, 2013
Obrigado por existirem
Porque tudo tem uma história, é bom lembrar (transcrito da Wikipedia):
Origem
A ideia da existência de um dia internacional da mulher surge na virada do século XX, no contexto da Segunda Revolução Industrial e daPrimeira Guerra Mundial, quando ocorre a incorporação da mão-de-obra feminina, em massa, na indústria. As condições de trabalho, frequentemente insalubres e perigosas, eram motivo de frequentes protestos por parte dos trabalhadores. Muitas manifestações ocorreram nos anos seguintes, em várias partes do mundo, destacando-se Nova Iorque, Berlim, Viena (1911) e São Petersburgo (1913).
O primeiro Dia Internacional da Mulher foi celebrado em 28 de fevereiro de 1909 nos Estados Unidos, por iniciativa do Partido Socialista da América[2], em memória do protesto contra as más condições de trabalho das operárias da indústria do vestuário de Nova York[carece de fontes].
Em 1910, ocorreu a primeira conferência internacional de mulheres, em Copenhaga, dirigida pela Internacional Socialista, quando foi aprovada proposta da socialista alemã Clara Zetkin, de instituição de um dia internacional da Mulher, embora nenhuma data tivesse sido especificada.[3]
No ano seguinte, o Dia Internacional da Mulher foi celebrado a 19 de março, por mais de um milhão de pessoas, na Áustria, Dinamarca, Alemanha eSuíça.[4]
Poucos dias depois, a 25 de março de 1911, um incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist mataria 146 trabalhadores - a maioria costureiras. O número elevado de mortes foi atribuído às más condições de segurança do edifício. Este foi considerado como o pior incêndio da história de Nova Iorque, até 11 de setembro de 2001. Para Eva Blay, é provável que a morte das trabalhadoras da Triangle se tenha incorporado ao imaginário coletivo, de modo que esse episódio é, com frequência, erroneamente considerado como a origem do Dia Internacional da Mulher.[5]
Em 1915, Alexandra Kollontai organizou uma reunião em Christiania (atual Oslo), contra a guerra. Nesse mesmo ano, Clara Zetkin faz uma conferência sobre a mulher.
Na Rússia, as comemorações do Dia Internacional da Mulher foram o estopim da Revolução russa de 1917. Em 8 de março de 1917 (23 de fevereiropelo calendário juliano), a greve das operárias da indústria têxtil contra a fome, contra o czar Nicolau II e contra a participação do país na Primeira Guerra Mundial precipitou os acontecimentos que resultaram na Revolução de Fevereiro. Leon Trotsky assim registrou o evento: “Em 23 de fevereiro(8 de março no calendário gregoriano) estavam planejadas ações revolucionárias. Pela manhã, a despeito das diretivas, as operárias têxteis deixaram o trabalho de várias fábricas e enviaram delegadas para solicitarem sustentação da greve. Todas saíram às ruas e a greve foi de massas. Mas não imaginávamos que este ‘dia das mulheres’ viria a inaugurar a revolução”.[6]
Berlim Oriental, Unter den Linden, (1951). Retratos de líderes da Internationalen Demokratischen Frauen-Föderation (IDFF), na 41°edição do Dia Internacional da Mulher.
Após a Revolução de Outubro, a feminista bolchevique Alexandra Kollontai persuadiu Lenin para torná-lo um dia oficial que, durante o períodosoviético, permaneceu como celebração da "heróica mulher trabalhadora". No entanto, o feriado rapidamente perderia a vertente política e tornar-se-ia uma ocasião em que os homens manifestavam simpatia ou amor pelas mulheres - uma mistura das festas ocidentais do Dia das Mães e do Dia dos Namorados, com ofertas de prendas e flores, pelos homens às mulheres. O dia permanece como feriado oficial na Rússia, bem como na Bielorrússia,Macedónia, Moldávia e Ucrânia.
No Ocidente, o Dia Internacional da Mulher foi comemorado durante as décadas de 1910 e 1920. Posteriormente, a data caiu no esquecimento e só foi recuperada pelo movimento feminista, já na década de 1960, sendo, afinal, adotado pelas Nações Unidas, em 1977.
Fica claro que, para além de serem a melhor companhia dos homens todos os dias, o seu dia especial provém de uma longa história de luta contra a exploração pelos mesmos de sempre. Foi na rua que algumas realidades começaram e necessitam continuar a ser mudadas. Pelos homens e pelas mulheres, em conjunto, contra o inimigo comum. O resto são flores.
quinta-feira, março 07, 2013
quarta-feira, março 06, 2013
Tourada
No ato final da lide, muitas vezes se vê avançar o touro, decididamente, para a espada tal é a cegueira ou a natureza bestial de que é feito. Assim acontece com alguns fanáticos que não medem a consequência dos seus atos tal é a certeza de que estão possuídos. A qualquer destes avanços só um destino os espera, a queda na arena ou no palco da vida.
Hoje Passos Coelho afirmou que «o mais sensato era baixar o salário mínimo...». Na mesma linha poderá escolher acabar com a assistência na doença (com os subsídios de funeral reduzidos até nem aumenta a despesa), acabar com a escola (obtenção de títulos por equivalência), ou finalmente implementar aquela medida que tão atribuída foi a outros: injetar os velhos atrás da orelha... (e resolve a despesa da segurança social). É a natureza desta gente fanática e bestial.
Hoje Passos Coelho afirmou que «o mais sensato era baixar o salário mínimo...». Na mesma linha poderá escolher acabar com a assistência na doença (com os subsídios de funeral reduzidos até nem aumenta a despesa), acabar com a escola (obtenção de títulos por equivalência), ou finalmente implementar aquela medida que tão atribuída foi a outros: injetar os velhos atrás da orelha... (e resolve a despesa da segurança social). É a natureza desta gente fanática e bestial.
terça-feira, março 05, 2013
segunda-feira, março 04, 2013
A verdade e a imagem
As cidades americanas têm todas aquela ilha central com uns prédios de vidro muito altos, numa aspiração de chegar ao céu ainda na terra. São, invariavelmente, os edifícios dos bancos e de algumas grandes empresas. Depois têm um imenso mar de casas baixinhas espraiando-se por milhas e milhas a toda a volta. São as que não resistem aos tufões. A ilha fica vazia à noite, de luzes acesas para afastar os fantasmas, rodeada de uma realidade imensa que respira a toda a volta. Nos postais ilustrados é sempre o Financial District e a Downtown que vemos, de tal forma que, para a generalidade das pessoas, Nova Iorque é quase sempre imaginada como a parte sul de Manhattan. É assim no mundo... das aparências. Depois há Bronx, Queens e tudo o resto muito grande, muito maior. Na verdade.
Por cá também andam uns cavalheiros que sonham construir um país para porem num postal ilustrado chamado Portugal modernizado. Para isso precisam de arrasar toda a pequena empresa, criar um desemprego ENORME (como diria um deles abrindo bem os olhos no meio das enormes olheiras e franzindo a testa), facilitando uma mão de obra cada vez mais barata para ser absorvida pelas grandes empresas modernas a preço de saldo. Teriam, finalmente, realizado o seu sonho de modernidade e obtido a foto para o postal. No seu fanatismo estão convencidos que só há um caminho. Enganam-se porque há sempre um outro ao lado, geralmente em sentido contrário. Estes tipos satisfazem-se com a imagem, alienados que estão da realidade, centrados nas grandes organizações (tantas vezes de malfeitores) ignorando, ostensivamente, os que apelidam de colaboradores.
Teremos de ser todos a cair na real e a dizer que não colaboramos! Nós trabalhamos. É urgente organizar este combate, surgir uma liderança esclarecida com um projeto claro e alternativo baseado na realidade.
Por cá também andam uns cavalheiros que sonham construir um país para porem num postal ilustrado chamado Portugal modernizado. Para isso precisam de arrasar toda a pequena empresa, criar um desemprego ENORME (como diria um deles abrindo bem os olhos no meio das enormes olheiras e franzindo a testa), facilitando uma mão de obra cada vez mais barata para ser absorvida pelas grandes empresas modernas a preço de saldo. Teriam, finalmente, realizado o seu sonho de modernidade e obtido a foto para o postal. No seu fanatismo estão convencidos que só há um caminho. Enganam-se porque há sempre um outro ao lado, geralmente em sentido contrário. Estes tipos satisfazem-se com a imagem, alienados que estão da realidade, centrados nas grandes organizações (tantas vezes de malfeitores) ignorando, ostensivamente, os que apelidam de colaboradores.Teremos de ser todos a cair na real e a dizer que não colaboramos! Nós trabalhamos. É urgente organizar este combate, surgir uma liderança esclarecida com um projeto claro e alternativo baseado na realidade.
domingo, março 03, 2013
Regresso à verdade
A mentira, na vida como na política, não é arma, e, mesmo quando a mentira é inconsciente, determinada pelo desejo ou pela ignorância e incapacidade de analisar a realidade e leva os seus autores ao refúgio numa espécie de realidade virtual, a mentira não augura nada de bom, porque só a realidade é real e, pelas leis da vida, a sua homeostase com o ambiente em que está, acaba por criar os mecanismos que não permitem que a mistura do azeite com o vinagre se mantenha de forma indefinida.
A legitimidade apenas se consegue pela verdade, não por se ter conseguido iludir os outros de forma transitória, calculada ou fraudulenta. Com o passar do tempo há sempre a emergência do azeite. É por isso, que um governo eleito, pode, passado algum tempo, ser ilegítimo. Acontece quando o contrato que fez com os eleitores é rasgado na prática do dia-a-dia e substituído pela realidade contrária ao que se tinha combinado. Nem a alegação da realidade em que se está e o seu prévio desconhecimento (impreparação!) servem para a manutenção do poder, que, rompido o contrato, é ilegítimo. Se as condições mudaram e o contrato não é realizável, é necessário fazer um contrato de retificação, isto é, apresentá-lo aos eleitores e ir a sufrágio. De outra forma, persiste-se na ilegitimidade do poder, no império da mentira.
É isso que sentem e manifestaram ontem alguns milhares de pessoas, que, de uma forma desorganizada e triste, quase sem esperança e só com revolta, andaram na rua ontem à tarde. Também andei e, se calhar como muitos deles, estava lá para ver como se estava (com os outros), saber quantos ainda não tinham desistido, quantos tinham acordado e estavam prontos para o combate. E eram muitos, bastantes, muitos velhos e algo cansados, ouvindo palavras de ordem que já nem repetiam muitas vezes, ensaiando cânticos desafinados, arrastando-se avenida abaixo lentamente, gritando raivas, a maior de todas a da cegueira de não se ver como se vai mudar. Um vasto grito de não aguentamos mais! Estavam ali mobilizados pelos que se arrogam uma superioridade por não serem políticos ou por quem, sendo político, tem como objetivo não querer ir pelo caminho em que outros andam. Mas por onde, nunca o dizem. Porque não sabem? Mesmo antes de serem «políticos» já enfermam do vício da mentira quando contam 500000 pessoas numa praça onde caberiam apertadas 150000, como se a quantidade fosse o importante e o relevante não fosse a raiva desesperada dos que ali estavam. E fazem política, quando promovem como valor o não se ser político, esquecendo até que alguns dos políticos nada têm que ver com o estado a que este Estado chegou.
A mudança exige ver a realidade e não afirmar o desejo como se dela se tratasse. A realidade de haver assimetrias sociais indecentes, a realidade de haver compromissos de pagamentos de rendas vergonhosas, a realidade de haver privilégios de organizações e pessoas incomportáveis economicamente e depois, também, mas só depois, olhar a impossibilidade de talvez até nem se poder continuar a ter algumas coisas boas como a saúde, o ensino, a segurança social que criámos porque somos civilizados e a que nos habituámos. Ou seja, corrigir os erros corrigíveis, criar um novo paradigma de funcionamento em que a facilidade e o desejo da vida a crédito seja substituído pelo mundo real. Vai ser mau para alguns credores, nomeadamente para a Banca, mas paciência.
Estou certo é que não se chega ao destino se não soubermos para onde queremos ir. Os organizadores destes ajuntamentos de indignação não sabem, mas há políticos que têm alternativas dentro de outros modelos e é com a sua liderança que a desesperança de hoje se transformará na certeza da vitória amanhã. E como disseram no passado alguns líderes, Até à vitória. Sempre!
A legitimidade apenas se consegue pela verdade, não por se ter conseguido iludir os outros de forma transitória, calculada ou fraudulenta. Com o passar do tempo há sempre a emergência do azeite. É por isso, que um governo eleito, pode, passado algum tempo, ser ilegítimo. Acontece quando o contrato que fez com os eleitores é rasgado na prática do dia-a-dia e substituído pela realidade contrária ao que se tinha combinado. Nem a alegação da realidade em que se está e o seu prévio desconhecimento (impreparação!) servem para a manutenção do poder, que, rompido o contrato, é ilegítimo. Se as condições mudaram e o contrato não é realizável, é necessário fazer um contrato de retificação, isto é, apresentá-lo aos eleitores e ir a sufrágio. De outra forma, persiste-se na ilegitimidade do poder, no império da mentira.
A mudança exige ver a realidade e não afirmar o desejo como se dela se tratasse. A realidade de haver assimetrias sociais indecentes, a realidade de haver compromissos de pagamentos de rendas vergonhosas, a realidade de haver privilégios de organizações e pessoas incomportáveis economicamente e depois, também, mas só depois, olhar a impossibilidade de talvez até nem se poder continuar a ter algumas coisas boas como a saúde, o ensino, a segurança social que criámos porque somos civilizados e a que nos habituámos. Ou seja, corrigir os erros corrigíveis, criar um novo paradigma de funcionamento em que a facilidade e o desejo da vida a crédito seja substituído pelo mundo real. Vai ser mau para alguns credores, nomeadamente para a Banca, mas paciência.
Estou certo é que não se chega ao destino se não soubermos para onde queremos ir. Os organizadores destes ajuntamentos de indignação não sabem, mas há políticos que têm alternativas dentro de outros modelos e é com a sua liderança que a desesperança de hoje se transformará na certeza da vitória amanhã. E como disseram no passado alguns líderes, Até à vitória. Sempre!
sábado, março 02, 2013
sexta-feira, março 01, 2013
Sinais dos tempos
Reconfortante entrar no café e ver afixado por baixo do letreiro de pré-pagamento um pequeno cartaz a lembrar que o Povo é quem mais ordena 2 de Março.
Sinais dos tempos que algo está a mudar... até porque os clientes não reclamam, mas aderem. É o caminho: pessoa a pessoa até se lá chegar.
Até amanhã, camaradas!
Sinais dos tempos que algo está a mudar... até porque os clientes não reclamam, mas aderem. É o caminho: pessoa a pessoa até se lá chegar.
Até amanhã, camaradas!
quinta-feira, fevereiro 28, 2013
Abaixo a democracia de alterne!
A democracia do alterne é algo que me não convence já há muito. O conceito predomina nas chamadas «democracias ocidentais» sob a forma de ora agora são republicanos, ora democráticos, ora trabalhistas, ora conservadores, ora PS, ora PSD/CDS e por aí fora. E tudo fica mais ou menos igual, recaindo a despesa sempre para os mesmos. Também me não convence a antipolítica com palhaços a chegarem ao poder para... nada fazerem de útil a não ser, eventualmente, satisfazerem os seus egos. Muito menos a não participação ou participações de protesto, sem indicação de sentido. Só haverá eficácia, na escolha orientada para quem tenha algum substrato de classe por trás dos seus programas e, sobretudo, dos seus atos. Pelo menos, é um risco a correr, já que o alterne a nada leva diferente do status quo.
Com efeito o alterne é uma prática em que uns proxenetas (banqueiros e poder financeiro) usam umas prostitutas (forças políticas suas servidoras) para nos levar a consumir (crédito bancário), que é o que dá lucro à casa (a classe dominante). Este é o mundo pouco recomendável em que se sobrevive com a ilusão do prazer da vida. Merece-se mais, mais realidade e menos ilusão. Menos cenoura para fazer o burro caminhar.
Por isso e também para acabar com esta democracia de alterne, lá estaremos muitos daqui a 3 dias, no sábado. Por menos que isso é perda de tempo. O desafio é grandioso, mas a esperança maior.
Com efeito o alterne é uma prática em que uns proxenetas (banqueiros e poder financeiro) usam umas prostitutas (forças políticas suas servidoras) para nos levar a consumir (crédito bancário), que é o que dá lucro à casa (a classe dominante). Este é o mundo pouco recomendável em que se sobrevive com a ilusão do prazer da vida. Merece-se mais, mais realidade e menos ilusão. Menos cenoura para fazer o burro caminhar.
Por isso e também para acabar com esta democracia de alterne, lá estaremos muitos daqui a 3 dias, no sábado. Por menos que isso é perda de tempo. O desafio é grandioso, mas a esperança maior.
quarta-feira, fevereiro 27, 2013
Mais um que vai lá estar daqui a 4 dias
Porque a « La pire des attitudes est l'indifférence » daqui a quatro dias lá estare(i)emos muitos, cada vez mais, num tsunami de indignação. Que as ruas se encham de bom humor e energia, de muita indignação, mas sem coelhos mortos pendurados... nem peluches.
A pena maior é expulsá-los bem vivos para que possam sentir, aqui ou em Paris, que existe um povo que não se verga a credos fanáticos e que ainda não desistiu de reanimar a solidariedade. É dessa forma, também, que homenagearemos os que nos vão deixando.
A pena maior é expulsá-los bem vivos para que possam sentir, aqui ou em Paris, que existe um povo que não se verga a credos fanáticos e que ainda não desistiu de reanimar a solidariedade. É dessa forma, também, que homenagearemos os que nos vão deixando.
terça-feira, fevereiro 26, 2013
Faltam cinco dias
Há várias coisas que me fastam do liberalismo, mas, com certeza, esta é uma das mais óbvias e realçadas nos tempos mais recentes. Não gosto da sensação do canceroso, desta maneira de estar vivo, apenas como se este pudesse ser o último dia da vida. Foi a isto que os tempos recentes de governação e ideologia liberal nos tem determinado: estarmos vivos até ver, incapazes de planear, programar. Nada mais é previsível, ninguém sabe o dia de amanhã, o medo veio ocupar o tempo todo. Ficámos sem a liberdade individual de planear a vida nesta necessidade opressiva de sermos os lobos uns dos outros. Vive-se a ditadura da incerteza e do instante em que se está a sobreviver depressa.
O capitalismo aposta no risco como supremo valor para dar cor à vida dos homens e nas eventuais diferenças (genéticas?) para justificar as diferenças sociais entre os indivíduos. Assim, o risco do empreendedor é apontado não como meio, mas como objetivo de vida, um valor supremo. O planeamento da sociedade é mostrado como algo de velho e paralisante, incapaz de gerar progresso e inovação, mesmo que não se perceba para onde se quer ir avançando tão depressa. Mesmo que o avanço possa levar a uma situação fatal e irreversível. Todo o avanço tecnológico gerador de riqueza é apontado como a meta suprema, induzindo-nos o esquecimento de quem é o beneficiário dessa situação, uma elite cada vez mais pequena e mais dominadora. Uma elite em que se revelam as diferenças não genéticas (ainda que existissem nada justificariam), mas as sociais, geradoras das diferenças entre os homens. Andar na corda sobre o precipício deve ser o gozo supremo de uns quantos loucos, mas certamente a maioria dos homens gosta de caminhar com os pés no chão. Só que os equilibristas dominam cada vez mais todos os outros, impondo a sua cultura de risco e assim deixam à sorte o papel de selecionadora natural e, sobre a pilha de mortos acumulada no desfiladeiro, avançam cada vez mais seguros sobre o arame. Não será tanto a genética (afinal o homem nem sequer é tão diferente de uma mosca) que diferencia os homens, mas mais o local onde nasceu e se cria.
É na propriedade original de cada um que se consubstanciam muitas das diferenças futuras e é desprezível o conceito do risco cada vez menor que alguns dizem correr, porque o objetivo maior seria que um número cada vez mais vasto fosse capaz de realizar a caminhada. Não é nesse sentido que temos ido.
É esta consciência de que as diferenças não são assim tão evidentes que me faz sonhar com, por exemplo, a existência de um vencimento máximo nas organizações, obviamente indexado ao mínimo que nelas fosse praticado e também com a liberdade de saber o que nos espera através da forma como organizamos, garantindo a forma de vida adquirida, sem sobressaltos ou inquietações que nos roubam a tranquilidade da vida em benefício de uma sobrevivência incerta.
É por isto tudo que também lá estarei daqui a cinco dias.
O capitalismo aposta no risco como supremo valor para dar cor à vida dos homens e nas eventuais diferenças (genéticas?) para justificar as diferenças sociais entre os indivíduos. Assim, o risco do empreendedor é apontado não como meio, mas como objetivo de vida, um valor supremo. O planeamento da sociedade é mostrado como algo de velho e paralisante, incapaz de gerar progresso e inovação, mesmo que não se perceba para onde se quer ir avançando tão depressa. Mesmo que o avanço possa levar a uma situação fatal e irreversível. Todo o avanço tecnológico gerador de riqueza é apontado como a meta suprema, induzindo-nos o esquecimento de quem é o beneficiário dessa situação, uma elite cada vez mais pequena e mais dominadora. Uma elite em que se revelam as diferenças não genéticas (ainda que existissem nada justificariam), mas as sociais, geradoras das diferenças entre os homens. Andar na corda sobre o precipício deve ser o gozo supremo de uns quantos loucos, mas certamente a maioria dos homens gosta de caminhar com os pés no chão. Só que os equilibristas dominam cada vez mais todos os outros, impondo a sua cultura de risco e assim deixam à sorte o papel de selecionadora natural e, sobre a pilha de mortos acumulada no desfiladeiro, avançam cada vez mais seguros sobre o arame. Não será tanto a genética (afinal o homem nem sequer é tão diferente de uma mosca) que diferencia os homens, mas mais o local onde nasceu e se cria.
É na propriedade original de cada um que se consubstanciam muitas das diferenças futuras e é desprezível o conceito do risco cada vez menor que alguns dizem correr, porque o objetivo maior seria que um número cada vez mais vasto fosse capaz de realizar a caminhada. Não é nesse sentido que temos ido.
É esta consciência de que as diferenças não são assim tão evidentes que me faz sonhar com, por exemplo, a existência de um vencimento máximo nas organizações, obviamente indexado ao mínimo que nelas fosse praticado e também com a liberdade de saber o que nos espera através da forma como organizamos, garantindo a forma de vida adquirida, sem sobressaltos ou inquietações que nos roubam a tranquilidade da vida em benefício de uma sobrevivência incerta.
É por isto tudo que também lá estarei daqui a cinco dias.
segunda-feira, fevereiro 25, 2013
Cantando
Quem canta, seus males espanta. Espanta, mas não lhes põe fim, mesmo quando a cantiga é uma arma. Há algo mais que faz falta ou iremos só cantando e rindo, levados, levados...
sexta-feira, fevereiro 22, 2013
Mudar de rumo!
Naquela altura de dificuldades, o homem tinha um burro para lhe fazer o trabalho. Acontece que as dificuldades eram enormes, quase não havia comida para dar ao burro e aí o homem tomou uma decisão: desabituar o burro de comer. Aos poucos foi alimentando cada vez pior o burro. Escanzelado, o animal foi aguentando, aguentando, e o homem esfregava as mãos de contentamento: aguenta, aguenta, dizia. Mas ao fim de algum tempo, aconteceu o inevitável. E logo agora que já estava quase desabituado de comer! disse, lamentando-se, o homem que sempre proclamava estar no caminho certo para resolver o seu problema.
Antes que aconteça o inevitável e apesar do rumo certo, é tempo de lembrar que faltam 9 dias!
Antes que aconteça o inevitável e apesar do rumo certo, é tempo de lembrar que faltam 9 dias!
quarta-feira, fevereiro 20, 2013
terça-feira, fevereiro 19, 2013
É urgente
Há uma evidente quebra de ritmo por muitas solicitações e desânimos que acabam por retirar a esta fase da vida alguma da ilusão que era suposto existir. O grupo dos 4 governante (Passos, Relvas, Gaspar e Portas) rouba-nos todos os dias mais um pouco do capital das certezas que tínhamos, criando uma nuvem de dúvida cada vez mais ameaçadora. O medo avança nesta terra. Olhando à volta a base social da apoio do governo estreitou-se de uma forma que nunca se tinha visto, resumindo-se nesta altura a um escasso número de banqueiros que expressam uma confiança imensa no futuro e na capacidade de aguentarmos. Mas a sua confiança depende apenas disto, de aguentarmos sem limites, o que vai contra a física da resistência das coisas: nada é resiliente até ao infinito e há sempre um momento em que parte. A esperança está dependente dessa rutura.
É confrangedora a falta de ambição destes políticos. Como se pode dormir descansado depois de dias sucessivos em que se sente que apenas se esteve a governar para uns poucos, excluindo dos objetivos a atingir franjas cada vez maiores de pessoas? Governar para um por cento é obviamente fácil, o desafio é governar a favor dos noventa e nove por cento que restam. E há neste ambiente gente que aumenta a sua riqueza sem o seu trabalho, pela exclusiva reprodução do seu capital (variação do índice PSI 20 nos últimos 6 meses: 4908-->6127, isto é, aumento de 49,7% ao ano!!!) , mas também esse mistério do acréscimo da riqueza decorre do trabalho de alguém. Ai decorre, decorre!
Neste ambiente até se percebe que um ex-secretário de Estado proclame que se os fiscais lhe pedirem as faturas os mandará tomar no cu O que seria uma medida correta de combate à fuga ao fisco, é, nesta ambiente, um insulto, pois é claro o que se está a fazer com a receita fiscal: diminuir o apoio social, aumentar o apoio ao poder financeiro. Não é esta a função dos impostos. Tudo no mesmo sentido. Basta de ROUBO!
Mas é bom que se tenha a lucidez suficiente para se perceber que, ao contrário do Papa que se diz santo, o Diabo não resigna. O ar anda empestado de enxofre, mas a criação de melhor ambiente não será conseguida fechando as janelas e ficando em casa. Despoluir exige a saída à rua. É urgente.
É confrangedora a falta de ambição destes políticos. Como se pode dormir descansado depois de dias sucessivos em que se sente que apenas se esteve a governar para uns poucos, excluindo dos objetivos a atingir franjas cada vez maiores de pessoas? Governar para um por cento é obviamente fácil, o desafio é governar a favor dos noventa e nove por cento que restam. E há neste ambiente gente que aumenta a sua riqueza sem o seu trabalho, pela exclusiva reprodução do seu capital (variação do índice PSI 20 nos últimos 6 meses: 4908-->6127, isto é, aumento de 49,7% ao ano!!!) , mas também esse mistério do acréscimo da riqueza decorre do trabalho de alguém. Ai decorre, decorre!
Neste ambiente até se percebe que um ex-secretário de Estado proclame que se os fiscais lhe pedirem as faturas os mandará tomar no cu O que seria uma medida correta de combate à fuga ao fisco, é, nesta ambiente, um insulto, pois é claro o que se está a fazer com a receita fiscal: diminuir o apoio social, aumentar o apoio ao poder financeiro. Não é esta a função dos impostos. Tudo no mesmo sentido. Basta de ROUBO!
Mas é bom que se tenha a lucidez suficiente para se perceber que, ao contrário do Papa que se diz santo, o Diabo não resigna. O ar anda empestado de enxofre, mas a criação de melhor ambiente não será conseguida fechando as janelas e ficando em casa. Despoluir exige a saída à rua. É urgente.
quarta-feira, fevereiro 06, 2013
Um bem diferente
Na hora dos pagamentos surgem os conflitos de opinião entre técnicos. Quando se trate de danos materiais, o problema existe, mas não ultrapassa essa dimensão, o material. Não deixa de ser natural que companhias privadas, procurem o menor custo possível mesmo prejudicando os seus clientes, defendendo os seus técnicos, nos seus pareceres, a conveniência de quem lhes paga. Assustador mesmo é a transposição disto tudo para a realidade dos seguros de saúde. Nessa altura irão considerar o valor do segurado, tanto mais desvalorizado, quanto mais velho e, no limite, como sugeriu inadvertidamente há tempos a Dra. Manuela Ferreira Leite, haverá indicação para abater o bem seguro, que, neste caso, é ... uma pessoa. A vida passará nessa altura a mercadoria, e, como tudo neste mundo ideal dos mercados, terá então um valor comercial, segundo o equilíbrio entre oferta e procura. É isso e que não é tolerável a bem da equidade e do acesso universal e gratuito à saúde, que é um bem diferente e especial.
terça-feira, fevereiro 05, 2013
Lixo bem cotado
Nos EUA, a S&P, uma das sagradas agências de notação é acusada de erro grosseiro e levada a tribunal. Possivelmente, ganhará quem tiver os melhores advogados, mas não deixa de ser louvável a ação. Com efeito, esta é uma das sagradas agências do capital, que anda por aí a classificar de lixo ou de diamante quem mais não der ou der jeito ao sistema, um instrumento que afeta a vida de todos nós, e que, sem qualquer tipo de legitimidade nos condiciona e se sobrepõe às opções maioritariamente expressas pelos cidadãos, pervertendo toda a lógica democrática. Estes foram, muito mais do que os políticos (que apenas os serviram, iludidos na sua religião fanática), os grandes responsáveis por muitas crises que vivemos e pagamos. Sim, é tempo de responsabilizar os verdadeiros culpados da cultura da ganância e do desvario liberal associado e adequadamente classificá-los com Lixo: Lixo Tóxico das consciências e bem cotado pelo liberalismo.
domingo, fevereiro 03, 2013
A mentira persistente
Curioso é que ainda seja notícia a falta de verdade oriunda deste governo. Tudo o que prometeram e os levou a ser eleitos já renegaram. A sua credibilidade e legitimidade é inexistente há já muito tempo. Por que espantar agora que chamaram ao seu seio um secretário de estado a quem omitiram passagens do currículo? É coerente com toda a prática precedente. A novidade é a falta de habilidade política demonstrada no processo. Será só isso ou é já tradução de alguma desorientação?
sábado, fevereiro 02, 2013
As duas medidas
A morte é fonte de virtude. É a melhor forma de ser reconhecido e, finalmente, ser um bom homem ou uma boa mulher. Mesmo quando o mesmo objeto, em vivo, era horroroso e criticável, se não insuportável.
A compreensão pela dor e infelicidade da mãe que mata os filhos apenas é possível porque decidiu acompanhá-los na morte. Caso contrário seria mais um objeto de uivos incontidos à porta de um Tribunal que a julgasse e o seu ato seria proclamado na primeira página do Correio da Manhã para gáudio dos leitores, que, pediriam punição máxima, mas, da forma como a história acabou, até sussurrarão um «coitada» piedoso.
É complexa a justiça, que, por necessidade de humanidade, deve ser mais governada pela razão que pela emoção.
A compreensão pela dor e infelicidade da mãe que mata os filhos apenas é possível porque decidiu acompanhá-los na morte. Caso contrário seria mais um objeto de uivos incontidos à porta de um Tribunal que a julgasse e o seu ato seria proclamado na primeira página do Correio da Manhã para gáudio dos leitores, que, pediriam punição máxima, mas, da forma como a história acabou, até sussurrarão um «coitada» piedoso.
É complexa a justiça, que, por necessidade de humanidade, deve ser mais governada pela razão que pela emoção.
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