sábado, setembro 29, 2012

Apoio

Por azar não tenho encontrado o Miguel nos corredores do hospital. Geralmente são cruzamentos simpáticos com sorrisos, breves, de alguma cumplicidade sem grande substância.  Mas azar porque é nestas alturas que me apetecia dar-lhe o apoio que merece.
Nesta terra sempre gostamos de fazer as coisas às escondidas, desreguladas, ao livre arbítrio dos poderes dos poderosos e negamos o poder da regulação por critérios objetivos, porque se perdem uns poderzinhos nesta segunda forma de fazer. E o que fizeram na comissão foi apenas dar transparência ao que se faz às escondidas e logo veio a vozearia habitual acusá-los de quase criminosos. E o grande comandante médico veio instaurar um processo porque os médicos não podem pensar pela sua cabeça numa defesa de uma virgindade que se sabe há muito perdida. Gostamos de viver de mitos e ilusões. Temos aversão à transparência. O silêncio é a alma do negócio.
Uma comissão decide, por unanimidade, e tem que ouvir esta gente. A minha pouco valiosa solidariedade Miguel. mas é quase um imperativo ético.

quinta-feira, setembro 27, 2012

E a história continua

Estar fora contém os riscos de não ter assistido a bons momentos cá dentro. Ouvidos de longe ficam mais ténues as emoções, mesmo quando se adivinham alguns renascimentos. Literalmente, parecia andar tudo aos berros como sempre deve acontecer nas casas onde o pão escasseia.  Felizmente, não houve tempo para ir comentando os rumores. Lá fora, Portugal é um sussurro bem distante. Chegado a 15, foi o motorista do táxi que nos foi dizendo que lhe parecia que havia uma revolução. Sempre exagerados estes motoristas.
Andei perdido pelos caminhos da ética e da natureza de que todos somos feitos. Continuo perdido, mas à procura. Na ida os jornais espanhóis falavam da tristeza do Cristiano Ronaldo. O jovem anda triste e as causas do tédio são ocultas, como ocultos são os negócios (os dele e os dos outros) que têm por alma, o segredo. E são assim todos os negócios. Corrupto não é não fazer o ato proibido, porque já se é quando se faz sem a interdição do ato. E não pagar impostos é tão bom, não é? Mas a lista não acaba aí...
Miami confirma a ideia, na exuberância dos corpos, na sonoridade, na languidez do néon noite avançada. Passam Rolls Royce na Collins enquanto deitados nos cartões os contemplam alguns descartáveis nos jardins na câmara ardente das noites que se sucedem aos dias. Quanto caminho andado até aqui! Quanta natureza «humana»! Há uma ilha onde moraram mafiosos. E agora, quem mora lá? Alguns são celebridades... que a linguagem sempre vai mudando.
As visitas seguintes às cidades devolvem-me sempre diferentes paisagens depois de passada a necessidade de conhecer o imediatamente desconhecido. Mais ou menos, chego à conclusão que as cidades americanas são todas iguais. Uma extensão vasta de casas de madeira com uma ereção central de betão do distrito financeiro. A linha do céu a tentar fazer esquecer o inferno das periferias. Miami tem a Calle 8, onde cubanos se sentem americanos, perdido que foi o grande orgulho de terem um país diferente ali bem perto. Sentem-se bem, deixai-os estar e assim estivessem todos de um lado e do outro do mar. Por preconceito, se calhar, acho mais bonitos os de além mar.
Uns dias de vadiagem pela praia, pela recordação de Coral Gables e pelo Bayside, as compras feitas, já apetecia fazer  a «inutilidade» dos 200 km até Key West. Um lugar especial povoado pelo fantasma de Hemingway, a proximidade presente de Cuba e o ritual do pôr do sol num fim de tarde de calor úmido.

Finalmente, a Disney em Orlando para arregalar os olhos a um puto giro de 9 meses e tal. Uns olhos que olham mesmo que ainda não vejam, que nós só vemos o que recordamos e ali o olhado é instantâneo. Colorido e sonoro. Tudo seguido com grande atenção. Afinal, até os adultos não desgostam do folclore da magia.
Orlando original visitada à noite por indicação de um velho guia. Church Street Station ou o som e a luz do Cais do Sodré do outro lado do mar. A América oculta sempre à mostra.
E o regressar mais longo porque o piloto da Ibéria teve um achaque e os humanos também erram. Miami-Lisboa em 24 horas.
E à chegada ainda o rescaldo do anúncio de que a história ainda não acabou e se a soubermos continuar o fim será bonito, pá! Já o tem sido algumas vezes, embora com reveses a seguir, mas o caminho está aí na procura do sol que há-de um dia nascer. Até porque não vale a pena ser de outra maneira...



quarta-feira, agosto 29, 2012

Estão a chegar de férias

De vómito continua a vida à beira-mar no tal país que foi e só a autocensura evita um discurso escatológico que apetecia.
Mas não vale a pena, porque estaria apenas a realçar o mau cheiro que esta gente exala.
Entretanto parece que uma empresa pública que dá lucro há dois anos vai ser concecionada a privados. Com que vantagens? Certamente, algumas.

terça-feira, agosto 28, 2012

Cães, gatos e velhos

A fotografia de corpo inteiro no café do bairro e o texto acompanhante: Carlos Alberto perdeu-se na sexta década da vida, vestia a roupa assim-assim, está sem documentos e provavelmente não consegue encontrar o caminho de volta a sua casa. Carlos Alberto terá possivelmente casa própria, vive sozinho e perdeu-se na conta dos dias e dos locais. Sem companhia.
Não é difícil encontrar nos candeeiros públicos ou mesmo noutro café da esquina a foto do cão ou do gato, desaparecido e a oferta de alvíssaras a quem os encontrar. Os donos sentem o vazio do seu abandono. Eram a sua companhia.
Semelhanças e diferenças nos dias que vão correndo onde aqui e além nos chovem cães, gatos e velhos.

terça-feira, agosto 21, 2012

Jogos de guerra

O jogo deve ter regras, sobretudo um limite de tempo para durar. A incerteza do resultado não pode manter-se sem uma expectativa de avaliação final do resultado.É necessário determinar o vencedor não permitindo a uma das partes prolongar o jogo até o resultado lhe ser favorável até porque, pode ser tão errada a sua tática, que apenas se agrava a derrota pela demora do fim do jogo. Neste momento jogam contra nós tentando a ilusão de uma vitória futura e, contra todos os indicadores de melhoria, vão continuando a estratégia da sua hipótese. Alguém vai ganhando pelo caminho. São os que têm de ser muito bem identificados para, se o resultado vier a ser o que tudo indica, pagarem cara a derrota no final. Há um tempo para a impiedade.

terça-feira, julho 31, 2012

Sem nome

Como diria o outro que se lixe a experiência, envelhecer, realmente, é mas é ter dor nas articulações... e não só.
Afinal, pouco se faz para estar velho. A não ser insistir em estar vivo.

sexta-feira, julho 27, 2012

Tudo explicado

Afinal havia uma explicação para as dúvidas de como sobreviver com uma reforma de apenas 10000 euros/mês. É que ainda há sogros bons de genros empreendedores de risco.

quinta-feira, julho 26, 2012

À deriva

Cada burro sua sentença,  cada economista a sua verdade, mas o que é facto é que alguns podem expôr mais facilmente a sua que outros, ainda que, a história mostre, que muitas vezes era mentira a verdade exposta. Salva-se o euro, salva-se o dólar ou afunda-se tudo sem exceção, o que é facto é que nada é certo nem previsível, porque se está num mundo de fantasia, onde no final, ficará melhor quem tiver mais sorte. Não há qualquer meritocracia, nem estratégias superiores a outras, podendo todas as apostas ser válidas como no Euromilhões antes de saírem as bolas e a se estrelas. Para já, a sorte sai triunfante e como única hipótese desta ausência de estratégia e de ciência.
Verdade é que o gelo na Gronelândia derrete. Para azar dos ursos que ficam à deriva?

quarta-feira, julho 25, 2012

Apoiado!

De noite todos os gatos são pardos e depois de mortos todos os famosos, magníficos. Há uma tendência doentia para enaltecer as virtudes e ir a correr buscar o pano para limpar a porcaria. Como representantes do povo português, têm uma responsabilidade maior de não irem facilmente com as outras e ainda bem que assim o fizeram. De outra forma teria também sido mal representado.
No dia a dia vamos fazendo a nossa história ou até talvez seja o que fazemos que nos faz. Não vale a pena tentar apagar nada, porque o que somos é a soma de todas as coisas por que passamos. Estamos bem, estamos mal, ao que fizemos o devemos. E não vale retirar os erros das fotografias, a sua ausência só os torna mais evidentes e importantes no buraco que resta. Apesar de Salazar ser o «melhor político de sempre», quem ativamente com ele colaborou não me merece também admiração. Obrigado a quem resiste ao fácil e respeita a verdade da História!

domingo, julho 22, 2012

Doutores, professores e impostores

Uma leitura breve dos títulos dos diretores de serviço do hospital, permite constatar uma profusão de professores que não havia ainda recentemente. Até acho que a designação de Professor não terá, nas circunstâncias em que grande parte delas são obtidas, qualquer significado específico tradutor de competência especial, mas não deixa de ser curioso que, a partir de certa altura, tudo tenha passado a Professor, com Doutor por extenso e logo traduzido muitas vezes para PhD o que é outra coisa ainda mais fina. Depois do acontecido recentemente ao Sr. Relvas, imagino que o processo terá sido idêntico: tiveram equivalência, isto é, os cargos ocupados pela influência política muitas vezes deram-lhes equivalência curricular.
Quem não quer ser monge, não lhes veste o hábito. Afinal, em Bolonha, o melhor ainda será o esparguete.

terça-feira, julho 17, 2012

História

Ali no meio do mundo ergue frágil os ramos ressequidos. A árvore velha e seca tem um encanto especial mesmo agora que mais não é que poleiro de cegonhas a ver o pôr do sol. Mas é muito mais que isso, é a sombra que foi durante muitos anos, o abrigo dos ninhos da passarada que por lá passou, até os ramos que cedeu às fogueiras que aqueceram os pastores nas noites frias. Tudo isso ela é, porque se é sempre a história do que se foi, independentemente da fragilidade aparente em que se possa estar. Há um encanto especial nas árvores que morrem de pé.
Ainda assim a história do que se foi é infinitamente mais consistente do que o futuro que talvez se venha a ser.

Ai minha Nossa Senhora...

domingo, julho 15, 2012

Troica desavinda

Passos afirma que pagam todos. No dia seguinte, convida Seguro a fazer parte da solução. Seguro, diz que não é governo, eles que desembrulhem a situação.  Portas, fica inseguro e contraria Passos: Esses malandros dos funcionários públicos... que é lá isso de comparar esses calanzeiros com trabalhadores do setor privado?
A troica estremece... insegura, vai a passo e as portas vão-se fechando.
Relvas emigrou em busca do conhecimento permanente e Cavaco foi de férias (definitivamente?)
Que futuro para esta troica em que apostaram 80% dos cidadãos deste país? Todos a contar não espingardas, mas votos. Quanto custa (votos) a sobretaxa, eis a questão.
Finalmente, temos o Bispo Marcelo a nomear ministros na homilia dominical e Jardim a reivindicar quatro cursos superiores com base na sua experiência de vida, isto é, de governo da Madeira. Pede para ser licenciado em Veterinária (o conceito em que tem os madeirenses!!), Biologia (a propósito da sua sobrevivência de dinossauro?), Informática (habilidades com as folhas de  cálculo das finanças da Madeira?) e Astronomia (um político de outro mundo!) .

sexta-feira, julho 13, 2012

A mesma luta

A consulta de hoje foi a confirmação de que a luta é realmente comum. Finalmente, manifestam-se fartos. Fartos de andarem 200 km para virem fazer análises ao hospital. Fartos de não terem transportes. Fartos de não terem médicos de família. Fartos de pagarem consultas. Fartos de lhes terem acabado com as isenções. Fartos... dizem, os senhores fizeram muito bem!
Parece, finalmente, que o adversário está bem identificado. Falta encostá-lo às cordas, derrotá-lo, deitá-lo ao tapete. Mas já não falta tudo.

segunda-feira, julho 09, 2012

População e médicos, a mesma luta

A resistência à tentação corporativa é agora mais importante do que nunca. É preciso ter abertura de espírito para emendar erros e definir uma estratégia clara de que o pretendido é criar melhor saúde para a população e ao mais baixo custo. A especificidade desta área é que não tem que haver conflitualidade de interesses entre doentes e prestadores, devendo ambos concorrer, num sistema eficiente, no mesmo sentido.
Isso implica, antes do mais, ter em conta a mudança da epidemiologia da saúde e a verificação da importância crescente das doenças crónicas, onde como hoje mais uma vez foi salientado, os cuidados devem ser centrados no doente. Isto é, são eles que devem passar a ser os proprietários dos médicos e não estes que têm os seus doentes. De uma vez por todas, a abominável expressão «o meu doente» deve  desaparecer da linguagem dos médicos. São os médicos das várias especialidades, com conhecimentos diversos, que devem procurar entreajudar-se e criar um processo de atuação que resolva o problema do doente específico. É fundamental acabar com doenças bonitas e feias, é imprescindível que quem não sabe resolver, saiba pedir ajuda aos colegas e não tente substituir-se a eles. A comunicação e a transparência de dados e resultados é absolutamente fundamental neste processo.
Da parte dos governos, espera-se a responsabilização para assumir este processo e não a desresponsabilização, a cedência de competências do Estado e mesmo o contributo para a criação de negócios que só beneficiarão alguns e implicarão a criação de cuidados mais caros para o contribuinte pelos impostos ou pelos seguros que terão que contratar.
Não será mais possível manter cuidados em que não há integração entre os cuidados primários e os hospitalares e dentro dos hospitais entre os seus «serviços». O doente no centro da questão é o fim de toda esta estrutura organizativa que serve apenas os prestadores ao dar-lhes títulos para uso individual nas placas dos consultórios e pouco mais.
Organizar um Serviço Nacional de Saúde articulado envolvendo os vários níveis com o apoio das novas tecnologias e uma planificação global de cuidados é o caminho, mostrando com clareza que a Saúde não é um negócio que possa ser deixado à solta nos jogos do mercado. Quem quiser investir a nível privado que o faça, mas por sua conta e risco. Separem-se as águas e haja concorrência, não subsidiação direta ou indireta dos privados pelo sistema público. Não se subfinancie cronicamente o público, para afirmar o seu custo excessivo. Comparem-se custos de sistemas diferentes como vários modelos europeus e os americanos e vejam-se os resultados. Depois faça-se uma escolha esclarecida.
Nisto tudo tem que se fazer uma opção clara: a saúde deve ser paga pelos doentes ou por todos, por estarmos solidariamente empenhados na sua promoção? Há muito se percebeu que ter uma população saudável é um ativo da sociedade e não necessariamente uma despesa. Avance-se pela via certa ou desperdice-se o dinheiro dos contribuintes. Mas não se peça aos médicos que, no curto prazo, não aproveitem as oportunidades que a ineficiência cria. 
Um sistema capaz, competente e eficiente será necessariamente um que procura ter nas suas fileiras os melhores médicos e enfermeiros. Procurar mão-de-obra barata numa situação destas apenas terá um resultado, diversão da qualidade para fora do sistema público, deterioração do funcionamento do setor público, ruína deste setor a curto-prazo e pujança crescente do anémico setor privado. Mas isso vai trazer custos muito elevados para a população. Esta é a realidade que alia conjunturalmente prestadores de cuidados e doentes do mesmo lado do combate. Assim o consigam perceber.

sexta-feira, julho 06, 2012

Enfrasquilhado

Os jotinhas depois de crescido têm a escola toda. Um diz que ainda não leu o acórdão (isto é ainda não falou com o jota máximo nem com o Gaspar) o outro começa por dizer que o TC reconheceu a validade de sacrifícios extraordinários aplicados (como quem diz se me apetecer ainda levam mais). Uma ameaçazita dá sempre jeito para perturbar o inimigo, mas depois tem de cair na realidade e resta-lhe a vendetta (pois, à italiana que isto é mesmo assim): alargar a toda a gente.
Ele alargar a todos até alargaria, que a raiva foi imensa com a decisão. O problema é que o alargamento durante n anos vai colidir com coisas importantes como as eleições. O rapazola desta vez não irá fazer o que lhe apetece. Vai uma aposta?
E depois as brechas já começaram a aparecer. Está mesmo enfrasquilhado!

quinta-feira, julho 05, 2012

INCONSTITUCIONAL

Pois é, eu já me tinha indignado a 10 de outubro de 2010
Os funcionários públicos foram discriminados em relação à generalidade da população ou seja foi criado um imposto que apenas os afecta a eles! Ao menos os impostos eram dantes iguais para todos, mas com esta proposta do Governo a coisa mudou. O que mais revolta não é o aumento dos impostos (se vivemos acima das posses alguma vez teremos de pagar), mas esta diferenciação entre portugueses de segunda e de primeira, pois bem mais equitativo seria que tivessem aumentado os impostos da generalidade da população, conseguindo-se dessa forma, possivelmente, que o nível mais baixo de vencimento sobre o qual incidiriam os impostos fosse não 1500 € por mês, mas algo mais elevado, ou reduzir a taxa de imposto a pagar por cada nível salarial. A receita para fazer face à dita crise até seria a mesma!!! Injusto também porque, na verdade, quem vai pagar desta vez a crise é apenas um subsector, que, com alta probabilidade, não foi quem contribuiu particularmente para o défice. Não há moralidade, por isso não pagam todos e, sobretudo, não paga quem o devia fazer.
Tinha também avisado a 13 de outubro 2012.
Foi mais um erro, uma trapalhada do governo, uma obediência ao Alá que os inspira. Espalharam-se!
Andávamos a necessitar de boas notícias.
Mas tivemos mais uma novidade, um Tribunal Constitucional que aceita suspender a Constituição durante um ano!

quarta-feira, julho 04, 2012

Bosão

Aos poucos Deus encolhe, mirra, perde o emprego da construção do Universo. Fica da dimensão dos nossos medos apenas. Entre Deus e os homens há uma relação inversamente proporcional.

terça-feira, julho 03, 2012

Sem necessidade

Continua a impressionar-me o tropismo dos jornalistas pelas não notícias e a sua olímpica passagem ao lado das notícias. Um relatório recente da OCDE não merece nos nossos jornais de referência duas linhas de texto. Em vez disso, falam de futebol, de campeões europeus de atletismo e (pasme-se a sem vergonha e ignorância) de despesismo na saúde. Depois de ler esta nota da OCDE, fica apenas uma ideia na minha cabeça sobre os cortes orçamentais na saúde. Como dizia o diácono, não havia necessidade!
Ou haverá alguma necessidade também oculta no país opaco.
O empreendedorismo privado na contratação de técnicos (novos manajeiros), as parcerias público-privadas e outros empreendedores poderão ter algo que ver com isto. Denunciá-lo era, apesar de tudo, bem mais útil do que vender papel à custa da denúncia de irregularidades bem menores

segunda-feira, julho 02, 2012

Um país opaco

No sitio da CGA.pt:
2012-05-14
Consulta do pedido de aposentação  
A funcionalidade que permitia obter informação atualizada sobre a tramitação e a duração estimada do processo de aposentação em curso foi descontinuada.



E em vez da transparência exigível, da ordenação publicamente afixada dos pedidos e concessões de reforma, subitamente e sem qualquer explicação a afixação da notícia. Ninguém quer saber por que terá sido descontinuada? Eu gostava, porque a vida das pessoas deve ter um planeamento e nós pagamos impostos para sermos servidos pela administração, não para que esta crie opacidades obscuras, propiciadoras de arbitrariedades e fraudes várias, se não mesmo de corrupção.
Farto, fartíssimo da ausência de transparência, de não saber o que posso esperar para escolher informado, farto de saberes supremos e inacessíveis. Farto de boatos, de indícios, de possíveis golpes. Farto de pagar impostos para ter cada vez menos garantias na saúde, menos educação, mais atrasos nos tribunais, menos regras claras na administração. Farto da cultura de uns sábios que nos dominam com os seus poderzinhos.  Farto também das notícias de corrupção dos políticos, quando ela anda em todo o lado, em tudo o que mexe e paralisa este país. Farto de jornalistas que deixam passar a vida real ao lado, para nos venderem as emoções passageiras das suas notícias sem impacto real na vida das pessoas, além da anestesia e diversão do importante que causam nas gentes.
Vivo num país opaco. Cansado.