"Os banqueiros tornaram-se os maiores ladrões da história do mundo... a economia global nunca será recuperada enquanto for sangrada até à morte para resgatar balanços de fantasia de instituições e indivíduos cujas pirâmides de papel compram governos e fazem com que o roubo equivalha à produção económica".
Devinder Sharma
sábado, junho 30, 2012
quarta-feira, junho 27, 2012
Andar
Só há caminho, não há destino. Rumar para onde? Não, apenas remar. Perdidos. Elogiar o improviso e a sobrevivência é estratégia em vez da vida. Não planear, fazer. Adaptar o erro. Talvez o euromilhões um dia, que não acontece e nem se sabe porquê. Deus nos ajude. Mas ele não se manifesta, se calhar porque não existe. Que se pode pedir à ausência?
E logo o Cristiano poderá ser o seu representante na terra. Ou não, e será crucificado sem piedade nem ressurreição tão perto. Vira demônio depois de acertar noutro poste ou noutra trave.
Que chato eu não gostar de usar cachecóis.
E logo o Cristiano poderá ser o seu representante na terra. Ou não, e será crucificado sem piedade nem ressurreição tão perto. Vira demônio depois de acertar noutro poste ou noutra trave.
Que chato eu não gostar de usar cachecóis.
terça-feira, junho 26, 2012
Perguntas
Será que a Alemanha nos dá hoje alguma coisa sem a qual não pudéssemos sobreviver? Que tal deixar a formiga a trabalhar e nos recusarmos a comprar o produto de tanto «esforço»? De que lhes valerá produzir tanto se não houver umas cigarras a comprarem-lhes o produto? Quem precisa mais de quem?
Perguntas e mais perguntas... mas gostava de ver esta hipótese ensaiada.
Perguntas e mais perguntas... mas gostava de ver esta hipótese ensaiada.
domingo, junho 24, 2012
Da finitude
Cada árvore que seca é um alerta sobre a finitude das coisas. Cada uma leva anos a fazer a sombra sonhada, cada uma que interrompe o caminho, é parte da sombra que se adia e a certeza surge impiedosa, sim, não somos eternos. Temos que fazer da forma certa se quisermos ter a sombra desejada.
terça-feira, junho 19, 2012
O tempo perdido dos dias
O tempo perdido dos dias, que se escoa sem retorno nem regresso, escondendo a vida que não se recupera, enchendo a sensação de inutilidade que vamos tendo. De cada vez que acontece, mais um pouco fica o tédio deste tempo. Para onde se vai? Desde há muito que não há rumo, não há aquele horizonte onde o sol ia nascer e o tempo se encheu de nuvens opacas que nos tapam o amanhã. Marcamos passo e, como os ratos nas rodas das gaiolas, temos a sensação de movimento sem nos mexermos e ficamos, cada vez mais, exaustos. Por isso me perguntam, o que é que a gente há-de fazer, numa confissão de desesperança ilimitada. Já não há nada para esta gente que não gosta, mas não muda. Fica. Morre sem perder grande coisa, porque, no final das contas, nunca chegou a viver de verdade. Iludidos nos golos do génio da bola, pisam a buzina afirmando a vida que não têm. Ao menos, poderiam, como os mortos, dar-nos o ruído do silêncio.
Será que a França? Mas é apenas um aflorar na superfície das águas no desespero do naufrágio, esbraceja-se até que a vaga tudo engula. Possivelmente. Talvez um dia o big-bang.
Será que a França? Mas é apenas um aflorar na superfície das águas no desespero do naufrágio, esbraceja-se até que a vaga tudo engula. Possivelmente. Talvez um dia o big-bang.
sexta-feira, junho 15, 2012
Dias recentes
Depois de uma viagem rápida embalado pela «Máquina de fazer espanhóis», reencontrei Filadélfia na tarde de 8 de Junho depois da penosa espera que sempre é a entrada nos EUA. O medo do mundo mantém-se, desconfiados das pessoas, registam impressões digitais e fotografam-nos os olhos, como se tivéssemos alguma doença transmissível, pesquisando o vírus dos estrangeiros. De cada vez sinto que mereceriam que lá não fossemos.
Pelas ruas encontra-se o desleixo habitual agora salpicado por zombies a expelir o resto dos gases do Iraque e de outros lugares. Vagueiam perdidos na vida, procurando some change, numa mudança que não surge.
O contraponto é a capacidade de organizar e ter uma reunião como a da American Diabetes Association, que deixa a sensação de não valer a pena ir a outras para se estar atualizado no assunto. É a mesma sensação de não haver justificação de visitar mais igrejas depois de conhecer S Pedro.
Os fabulosos doentes portugueses, mais uma vez, me presentearam com sensações de boémia no Victor Café e o luxo do XIX e do Davio's. Pena, o vazio desacompanhado.
Ao longe a Espanha preocupou-os, mas a bolsa disparou; ao longe, fiquei feliz porque Portugal perdeu com a Alemanha, dando a esperança de que alguma coisa possa ser mais relevante que o futebol para que a Europa nos respeite ao contrário da sugestão de um miserável anúncio que aí anda.
Ainda houve tempo para contactar o passado tranquilo e camponês dos Amish numa volta pelo Lawrence Country. Os cavalos puxam charruas nos campos, as carroças correm no alcatrão e parece que não há wi-fi. Outras rotações num mundo de pressa. Por momentos, estive em fim de semana no Alentejo.
Na chegada o mesmo do costume. Se ganharem à Dinamarca, serão os maiores, se não, logo se ajustarão contas com o treinador e o outro que só joga no Real. Pronto, ganharam, aumentando os riscos da anestesia. Já ninguém fala do Relvas? Os costumes não serão tão brandos como se costuma pensar, mas, seguramente, dá-lhes forte, mas passa-lhes depressa.
A sensação que me fica é de não pertencer aqui nem lá, ou aqui e lá ao mesmo tempo. Tudo a que pertencemos são acasos a que mais ou menos nos prendemos.
Pelas ruas encontra-se o desleixo habitual agora salpicado por zombies a expelir o resto dos gases do Iraque e de outros lugares. Vagueiam perdidos na vida, procurando some change, numa mudança que não surge.
O contraponto é a capacidade de organizar e ter uma reunião como a da American Diabetes Association, que deixa a sensação de não valer a pena ir a outras para se estar atualizado no assunto. É a mesma sensação de não haver justificação de visitar mais igrejas depois de conhecer S Pedro.
Os fabulosos doentes portugueses, mais uma vez, me presentearam com sensações de boémia no Victor Café e o luxo do XIX e do Davio's. Pena, o vazio desacompanhado.
Ao longe a Espanha preocupou-os, mas a bolsa disparou; ao longe, fiquei feliz porque Portugal perdeu com a Alemanha, dando a esperança de que alguma coisa possa ser mais relevante que o futebol para que a Europa nos respeite ao contrário da sugestão de um miserável anúncio que aí anda.
Ainda houve tempo para contactar o passado tranquilo e camponês dos Amish numa volta pelo Lawrence Country. Os cavalos puxam charruas nos campos, as carroças correm no alcatrão e parece que não há wi-fi. Outras rotações num mundo de pressa. Por momentos, estive em fim de semana no Alentejo.
Na chegada o mesmo do costume. Se ganharem à Dinamarca, serão os maiores, se não, logo se ajustarão contas com o treinador e o outro que só joga no Real. Pronto, ganharam, aumentando os riscos da anestesia. Já ninguém fala do Relvas? Os costumes não serão tão brandos como se costuma pensar, mas, seguramente, dá-lhes forte, mas passa-lhes depressa.
A sensação que me fica é de não pertencer aqui nem lá, ou aqui e lá ao mesmo tempo. Tudo a que pertencemos são acasos a que mais ou menos nos prendemos.
quarta-feira, junho 06, 2012
NÃO HÁ PACIÊNCIA
É o que dá ser-se primeiro ministro num país sem serviços de informação capazes. Fica-se mal informado e na meditação dos gabinetes não se sente o pulsar das gentes. É que, na verdade, NÃO HÁ PACIÊNCIA!
Não há paciência para a virtude do desemprego crescente, não há paciência para a esquizofrenia da religião deste governo, não há paciência para ministros a discursarem a 15 rotações, não há paciência para assistir sentado à destruição do Serviço nacional de Saúde onde se propõe a contratação de médicos apenas pelo critério dos que forem mais baratos, não há paciência para a praça da jorna que a sua ignorância não imagina o que seja, não há paciência para continuar a ver as empresas a falir, não há paciência para contemplar o definhamento da economia, não há paciência para as miseráveis cantinas sociais, não há paciência para ver os advogados contorcionistas a brincarem à justiça inexistente, não há paciência para mais escolas a não ensinar, não há paciência para ver um governo que não governa, que esmaga, que mata com a sua ideologia fundamentalista um país.
Não há paciência para nos chamarem piegas, não há paciência para nos mandarem emigrar, não há paciência para nos darem a suprema oportunidade de estar desempregado.
Paciência já não há, mas ainda não chegou a impaciência, o que é diferente, mas não tardará.Atordoado o mar recua, antes da onda gigante chegar, senhor vá elogiar o raio que o parta e vai ser lindo quando ela cá chegar levando tudo à frente, sobretudo os seus discursos do elogio da paciência.
Não há paciência para a vossa cultura de uma cartilha lida à pressa, o vosso livrinho não sei de que cor será, por muito que o agitem, os seus dogmas não vão resolver nada. Simplesmente, sinto, que não há paciência. Acabou.
Não há paciência para a virtude do desemprego crescente, não há paciência para a esquizofrenia da religião deste governo, não há paciência para ministros a discursarem a 15 rotações, não há paciência para assistir sentado à destruição do Serviço nacional de Saúde onde se propõe a contratação de médicos apenas pelo critério dos que forem mais baratos, não há paciência para a praça da jorna que a sua ignorância não imagina o que seja, não há paciência para continuar a ver as empresas a falir, não há paciência para contemplar o definhamento da economia, não há paciência para as miseráveis cantinas sociais, não há paciência para ver os advogados contorcionistas a brincarem à justiça inexistente, não há paciência para mais escolas a não ensinar, não há paciência para ver um governo que não governa, que esmaga, que mata com a sua ideologia fundamentalista um país.
Não há paciência para nos chamarem piegas, não há paciência para nos mandarem emigrar, não há paciência para nos darem a suprema oportunidade de estar desempregado.
Paciência já não há, mas ainda não chegou a impaciência, o que é diferente, mas não tardará.Atordoado o mar recua, antes da onda gigante chegar, senhor vá elogiar o raio que o parta e vai ser lindo quando ela cá chegar levando tudo à frente, sobretudo os seus discursos do elogio da paciência.
Não há paciência para a vossa cultura de uma cartilha lida à pressa, o vosso livrinho não sei de que cor será, por muito que o agitem, os seus dogmas não vão resolver nada. Simplesmente, sinto, que não há paciência. Acabou.
terça-feira, junho 05, 2012
Finais
O fim do dia no dia em que surgem rumores que o fim dos dias de outros será bem mais negro e gelado. Faz agora um ano que chegaram «com pés de veludo» e, no fim deste tempo, começa a «manada» a manifestar intolerância para ser mais sugada. A ver vamos, dizem os cegos.
segunda-feira, junho 04, 2012
Um mês passou
Já passou mais de um mês desde a última vez que cá vim. Porquê? Porque tudo isto é um tédio de relvas mal cortadas, daninhas como o escalracho. Proliferam por mais que a enxada sobre ele desça e nem com forquilhas de dentes fortes e curvos é possível limpar a terra. Resta uma última opção, a guerra química, a liquidação total deste estado de coisas e recomeçar de novo em terra nova. Claramente, velho de mais para a migração, ando entre as gotas de água que não chove, recriando ilusórios ambientes de fertilidade que não existem nesta seca continuada dos dias.
Neste intervalo passei por Florença, uma senhora sempre digna, usada e velha, mas onde sempre se encontra nobreza. Lá houve tempos daquilo que vai ficar depois do tempo, o único bem sobrevivente, a arte. Não os donos da arte, que esses perecem por mais que afixem os nomes junto das oferendas, pois ninguém visitaria um museu para lhes ler os nomes, vamos lá para ver o que possuíram e reavermos aquilo que em dias nos usurparam, a arte.
E lá soube de uma festa que houve em França. Esta gente sempre acredita na mudança até que a mudança tem de novo que ser mudada, porque os tempos mudam e os que mudaram, sempre voltam ao modo antigo, igual e chato. Durante uns tempos, há uma esperança, porque essa é a última a morrer, mas depois a realidade é como o azeite e ascende triunfante.
Bom ver, que regressado, apesar da seca, as oliveiras não morreram todas. Até projetos de azeitonas já mostram para meu convencimento do sonho que nos leva. A realidade da economiazinha é desprezível junto ao sonho. É claro que as azeitonas compradas numa das casas dos merceeiros nacionais serão sempre mais baratas que estas hão-se ser, mas isso nada quer dizer. Estas têm momentos de vida, de plantação, rega, adubação, história, trabalho. Nem um momento de irrealidade, especulação. Ali tudo existe. Nada é religião de Angelas Doroteias ou de vítores com nome de magos.
Cada vez mais, só isso me compensa num desejo de retiro.
Neste intervalo passei por Florença, uma senhora sempre digna, usada e velha, mas onde sempre se encontra nobreza. Lá houve tempos daquilo que vai ficar depois do tempo, o único bem sobrevivente, a arte. Não os donos da arte, que esses perecem por mais que afixem os nomes junto das oferendas, pois ninguém visitaria um museu para lhes ler os nomes, vamos lá para ver o que possuíram e reavermos aquilo que em dias nos usurparam, a arte.
E lá soube de uma festa que houve em França. Esta gente sempre acredita na mudança até que a mudança tem de novo que ser mudada, porque os tempos mudam e os que mudaram, sempre voltam ao modo antigo, igual e chato. Durante uns tempos, há uma esperança, porque essa é a última a morrer, mas depois a realidade é como o azeite e ascende triunfante.
Bom ver, que regressado, apesar da seca, as oliveiras não morreram todas. Até projetos de azeitonas já mostram para meu convencimento do sonho que nos leva. A realidade da economiazinha é desprezível junto ao sonho. É claro que as azeitonas compradas numa das casas dos merceeiros nacionais serão sempre mais baratas que estas hão-se ser, mas isso nada quer dizer. Estas têm momentos de vida, de plantação, rega, adubação, história, trabalho. Nem um momento de irrealidade, especulação. Ali tudo existe. Nada é religião de Angelas Doroteias ou de vítores com nome de magos.
Cada vez mais, só isso me compensa num desejo de retiro.
quinta-feira, maio 03, 2012
Pós abril e maio
Era num misto de esperança e medo que diziam, naqueles tempos, esse é do contra, quase como se, o facto de os conhecerem, lhes pudesse pôr em risco alguma coisa. Esta gente sempre gostou de estar acomodada, cobardemente sossegada à espera da mudança. E a mudança chegou numa madrugada já distante, ou melhor, a esperança da mudança, porque o medo da mudança rapidamente gerou desconfiança relativamente aos que eram do contra e agora tinham mudado tudo. Aí a cobardia de mudar da maioria silenciosa procurou soluções que pouco mudam e assim tem sido já lá vão mais de 30 anos, uma geração, em que o alterne tem dominado e levou isto ao estado de coisas a que se chegou. Quero nesta altura dizer a esses que não querem mudar que ao menos parem de me enviar mensagens eletrónicas em que, alternadamente, vão dizendo mal, ora de uns ora dos outros e votam ora nos outros, ora nos uns rumo ao abismo, quando o caminho necessário é rumar para o futuro.
Chega de preguiça, de superficialidade, de pouco trabalho e de ser mediocremente do contra. Basta de ter medo de mudar! É tempo de ser do outro contra, a favor da esperança e das pessoas para que a primavera, ainda que tardia, possa florescer. E, é claro, que se lixe a santa economia, essa a liberal, porque, afinal, economias há muitas!
Chega de preguiça, de superficialidade, de pouco trabalho e de ser mediocremente do contra. Basta de ter medo de mudar! É tempo de ser do outro contra, a favor da esperança e das pessoas para que a primavera, ainda que tardia, possa florescer. E, é claro, que se lixe a santa economia, essa a liberal, porque, afinal, economias há muitas!
terça-feira, maio 01, 2012
Dia de quebrar as cadeias
Com manobras destas, de legalidade até duvidosa (dumping?), conseguem publicidade gratuita em horário de telejornal, mas acima de tudo maculam um dia que deveria ser de festa popular, convertendo-o em dia de consumo idiota.
São estes «donos de Portugal» que nos levaram onde estamos. É urgente despertar, identificar com rigor o poder político que os mantém e dar o chuto piedoso a uns e a outros. Não é de intermediários que necessitamos, mas de trabalho sério e produtivo.
Ouçamos e cantemos:
Ouçamos e cantemos:
quarta-feira, abril 11, 2012
MAC
São as pessoas e não os edifícios que fazem os centros de excelência. Edifícios excelentes não criam excelência se não tiverem as pessoas certas, mas edifícios deficientes limitam-na ainda que tenham as pessoas melhores.
Num edifício onde nascem bebés todos os dias, não é estranho que «mudança só a queiram os bebés que têm a fralda molhada» (M Twain)
domingo, abril 01, 2012
Pão e LIberdade
Há sorrisos que têm esperança, mesmo sem terem qualquer garantia que, o esperado, algum dia venha a chegar. Mas eram sorrisos generosos, enérgicos, conhecedores das dificuldades e que acreditavam. Hoje, vejo outros, mais esgares que sorrisos, feitos para serem registados numa câmara numa deseperada tentativa de representarem felicidade do objetivo ultrapassado. São sorrisos, muitas vezes, plenos de sofrimento, feitos só para o registo porque o conseguido, convencionalmente, mereceria ser celebrado com um sorriso ainda que ele não originado de forma espontânea, mas mais de um desabafo, quase com raiva algumas vezes. Falta-lhes a esperança que animava a vida, porque as realizações eram coletivas e sabia-se para onde se caminhava, bem acompanhado, nunca sozinho. Deve ser essa solidão que substituiu os sorrisos pelos esgares sorridentes.
Reparei na diferença ao olhar este cartaz de John Heartfield na Tate Modern.
Reparei na diferença ao olhar este cartaz de John Heartfield na Tate Modern.
sexta-feira, março 30, 2012
Sem-tempo
Há os momentos em que se sente que é urgente voltar a fazer os dias caberem nas 24 horas a que têm direito e não os esticar noite dentro. Ou foi o tempo ou somos nós que mudámos, mas já nada é a mesma coisa que era dantes, onde o tempo seguia a dar voltinhas no relógio e não aos solavancos do quartzo e não era interrompido a todo o instante pelo bip da mensagem, pela vibração da chamada pelos alertas dos mails que chegaram. Deve ser, em parte, isso que nos vai esticando os dias para além do seu fim e nos escoa o tempo de viver.Estamos nos instantes dos sobressaltos, mas perdemos o tempo que tínhamos. Somos de outro tempo, o dos sem-tempo.
Pronto, a mensagem que era de hoje, passou o tempo e entrou pelo amanhã. Já passam oito minutos da meia noite do dia de ontem...
Pronto, a mensagem que era de hoje, passou o tempo e entrou pelo amanhã. Já passam oito minutos da meia noite do dia de ontem...
terça-feira, março 13, 2012
Da curta eternidade
Valerá ocultar o prazer do momento com a realidade? Sim, resta-me uma ideia vaga de ser atirado ao ar, de andar às cavalitas, até de ter umas jardineiras cinzentas, lembro-me do sabor das iscas e do cheiro na cozinha, do desfazer do baço, do molho espesso nas batatas cozidas ao sábado. E dos trigos comidos nas férias do verão com esse supremo recheio de broa de milho. Eram carinhos das avós que ainda estão aqui à custa dessas significâncias. Na pressa do tempo pouco irá sobrar delas depois que um dia este texto não tenha significado algum para quem o ler. Agora, ainda é possível detetar-lhes o cheiro e a textura com que envolviam, o sorriso apoiante que sempre as avós têm. É assim, a nossa eternidade não dura mais de uma ou duas gerações, porque eternidade verdadeira é o ser que fica nas lembranças, mas estas duram enquanto nós duramos. Iludidos há os que pensam que a propriedade, o ter, nos eterniza.
Não há pois, o direito de desperdiçar um sorriso, um olhar cúmplice, um sugerir de caminho. É por eles que duramos mais uns curtos anos, mas sobretudo gozamos uns eternos momentos. Eternidade haverá para os que nos deleitam com a arte que produzem e pouco mais. Nunca para os poderosos e os políticos que ficam de nome pregado numa tabuleta em início de rua, onde todos os que passam lêem o nome e desconhecem em absoluto o gajo que se chamava daquela forma. Nem ao trabalho se dão de ir ver na wikipedia. Essa eternidade poderia ser antes um número ou uma letra se as ruas não fossem mais de 23.
Não há pois, o direito de desperdiçar um sorriso, um olhar cúmplice, um sugerir de caminho. É por eles que duramos mais uns curtos anos, mas sobretudo gozamos uns eternos momentos. Eternidade haverá para os que nos deleitam com a arte que produzem e pouco mais. Nunca para os poderosos e os políticos que ficam de nome pregado numa tabuleta em início de rua, onde todos os que passam lêem o nome e desconhecem em absoluto o gajo que se chamava daquela forma. Nem ao trabalho se dão de ir ver na wikipedia. Essa eternidade poderia ser antes um número ou uma letra se as ruas não fossem mais de 23.
(In) Seguro
É pobre a política feita a la carte, segundo um manual de procedimentos que lá nos seus pontos diz, diariamente crie um facto político, vá aqui e faça um comentário, noutro dirá, crie estados gerais, roteiros, presidências abertas, coisas, para manter de orelhas arrebitadas os órgãos de informação, comente tudo, apareça, só assim conseguirá chegar aos milhares de amigos no facebook, que lhe darão a notoriedade de ser considerado conhecido pelos seus vizinho e eleitores potenciais. Ou não, porque essa é a via de ser conhecido como «político» e isso é uma das despromoções maiores que se pode fazer a alguém. Mas, na verdade, um político by the book, é isso mesmo é um gajo com quem não se devem fazer negócios sob risco de ruína, porque ninguém corre mais depressa das facilidades totais futuras às impossibilidades reais do presente.
sexta-feira, março 09, 2012
A pressa da história
É mais uma peça da coerência do sujeito. A falta de maneiras vem de longe e não só das crises bulímicas do bolo-rei. Esse é o seu fio condutor de ação, truques sucessivos desde aquele dia em que foi fazer a rodagem ao carrito.Esse foi o truque nº 1.
A História, felizmente, continuará a ser feita pelos historiadores, distantes que estejam os factos e as análises possam ser feitas sem a paixão da proximidade do instante. Mas a baixa política está ao alcance de qualquer medíocre e, neste caso, há algo de inquietante. Só o receio de perda de memória poderá explicar que um sebastianista escondido no nevoeiro que que ele próprio criou com seus tabús e alheamento de leituras de jornais, sinta a urgência de revelar agora aquilo que no futuro receie não poder dizer. Possivelmente, só isso justificará tão lamentável texto.
É um texto de livro de memórias a escrever daqui a muitos anos. Só que, dito agora, tem o sabor de outras urgências, como escutas, reformas que não garantem o pagamento das contas, interrupções de férias por causa dos Açores e desculpas para não participar em funerais devido a férias inadiáveis com os netos. Delírios, avarezas. É triste agora saber que representa um Estado, mas, na verdade, desde o primeiro instante sempre foi triste. Estava nas entrelinhas que não souberam ler. A História registará este equívoco.
A História, felizmente, continuará a ser feita pelos historiadores, distantes que estejam os factos e as análises possam ser feitas sem a paixão da proximidade do instante. Mas a baixa política está ao alcance de qualquer medíocre e, neste caso, há algo de inquietante. Só o receio de perda de memória poderá explicar que um sebastianista escondido no nevoeiro que que ele próprio criou com seus tabús e alheamento de leituras de jornais, sinta a urgência de revelar agora aquilo que no futuro receie não poder dizer. Possivelmente, só isso justificará tão lamentável texto.
É um texto de livro de memórias a escrever daqui a muitos anos. Só que, dito agora, tem o sabor de outras urgências, como escutas, reformas que não garantem o pagamento das contas, interrupções de férias por causa dos Açores e desculpas para não participar em funerais devido a férias inadiáveis com os netos. Delírios, avarezas. É triste agora saber que representa um Estado, mas, na verdade, desde o primeiro instante sempre foi triste. Estava nas entrelinhas que não souberam ler. A História registará este equívoco.
domingo, março 04, 2012
Afinal a diferença é mínima!
"Está provado que o aumento em 1% da taxa de desemprego faz subir em 0,8% a taxa de suicídios e 0,8% a de homicídios. O desemprego leva ao suicídio e a matar outras pessoas". Mas, também é verdade, continuou, que as mortes por acidentes de viação descem 1,4%," circula-se menos porque há menos dinheiro para a gasolina", ironizou. "Se fizermos as contas e quisermos ser cínicos podemos chegar à conclusão que a coisa fica quase ela por ela", concluiu Marmot.
Michael Marmot (Professor de Epidemiologia)
A diferença é mínima, 0,2%. Façam favor de continuar.
Michael Marmot (Professor de Epidemiologia)
A diferença é mínima, 0,2%. Façam favor de continuar.
sábado, março 03, 2012
sexta-feira, março 02, 2012
O quadro mais caro
Possuir a coisa ou partilhá-la com lucro secundário? Manifestar o poder que é ter. Como ter uma casa, ou ter uma casa onde viver. O importante, na verdade, é apenas estar abrigado. Mas, uma parte substancial da «crise» veio da «necessidade» de ter e na da função de «estar protegido». Quem fez a necessidade? Quem não avisou? Quem desregulou? Finalmente, quem vai pagar? Talvez os jogadores de cartas dos jardins.
quinta-feira, fevereiro 23, 2012
Zeca
Ele até sabia que a troika andaria por cá 25 anos depois!
Ainda agora e sempre há música que nos arrepia. É isto a arte, o que fica depois de todas as certezas e ilusões efémeras.
Depressão
Disseram-lhe que se descesse até ao fundo, poderia, finalmente, começar a subir a rampa. Não lhe falaram da inclinação que tinha, nem se teria fim algum dia. Quando expressou as dúvidas que tinha, chamaram-lhe piegas. Perceberá um dia que fazer o caminho sozinho é insensato.
quarta-feira, fevereiro 22, 2012
terça-feira, fevereiro 21, 2012
Carnaval
Hoje o país brincou ao Carnaval com as ordens do sr Primeiro. Não se trabalhou quase generalizadamente. Desobedeceu-se. Respeitou-se o costume. Muito maior que qualquer greve geral, pareceu-me.
Estado, famílias e empresas devem 715000000000 de euros. A quem, uns aos outros?
A troika anda por aí a apanhar sol sem pagar impostos.
Estado, famílias e empresas devem 715000000000 de euros. A quem, uns aos outros?
A troika anda por aí a apanhar sol sem pagar impostos.
quinta-feira, fevereiro 16, 2012
Momento de fascínio
Mais fascinante que a endocrinologia dos comportamentos, parece-me ser o comportamento dos endocrinologistas.
quarta-feira, fevereiro 15, 2012
segunda-feira, fevereiro 13, 2012
«Há sempre alguém que diz não», porque a vida vai além dos anos acumulados, do cálculo de vazios de braços estendidos. A facilidade e a pieguice do rebanho não fazem história, porque dos fracos ela não reza. A força de cruzar os braços, quando a horda os estende submissa, tem, é claro, uma consequência: hoje ninguém sabe o nome de nenhum dos que na fotografia estendiam a pata, mas sabemos o de August Landmesser.
quinta-feira, fevereiro 02, 2012
Amnésia ou demência?
Paul Krugman:
Half a century ago, any economist — or for that matter any undergraduate who had read Paul Samuelson’s textbook “Economics” — could have told you that austerity in the face of depression was a very bad idea. But policy makers, pundits and, I’m sorry to say, many economists decided, largely for political reasons, to forget what they used to know. And millions of workers are paying the price for their willful amnesia.Half a century ago, any economist — or for that matter any undergraduate who had read Paul Samuelson’s textbook “Economics” — could have told you that austerity in the face of depression was a very bad idea. But policy makers, pundits and, I’m sorry to say, many economists decided, largely for political reasons, to forget what they used to know. And millions of workers are paying the price for their willful amnesia.
Diz quem sabe, que eu pouco sei além de saber, que os economistas sabem isso e o contrário, porque, ao contrário do que dizem alguns, no que dizem e escrevem traduzem sempre a sua posição das classes a que são fiéis e, essas, garanto eu, ainda não acabaram e lutam como sempre fizeram.
Half a century ago, any economist — or for that matter any undergraduate who had read Paul Samuelson’s textbook “Economics” — could have told you that austerity in the face of depression was a very bad idea. But policy makers, pundits and, I’m sorry to say, many economists decided, largely for political reasons, to forget what they used to know. And millions of workers are paying the price for their willful amnesia.Half a century ago, any economist — or for that matter any undergraduate who had read Paul Samuelson’s textbook “Economics” — could have told you that austerity in the face of depression was a very bad idea. But policy makers, pundits and, I’m sorry to say, many economists decided, largely for political reasons, to forget what they used to know. And millions of workers are paying the price for their willful amnesia.
Diz quem sabe, que eu pouco sei além de saber, que os economistas sabem isso e o contrário, porque, ao contrário do que dizem alguns, no que dizem e escrevem traduzem sempre a sua posição das classes a que são fiéis e, essas, garanto eu, ainda não acabaram e lutam como sempre fizeram.
quarta-feira, fevereiro 01, 2012
Autoconsolado
O narciso debruça-se contemplando a sua imagem e sente a beleza que é. Também a feia se olhava ao espelho e perguntava, quem, é mais bela do que eu espelho meu? Há uns seres assim, refugiados no espelho autocontempando-se, fugindo como o diabo da cruz da apreciação dos pares. Pares? qual quê, eles são ímpares, superiores e seria ridículo submeterem-se a apreciações externas. Ao prazer partilhado abdicaram, tendo optado, há muito, pela autoconsolação.
O mais estranho em tudo isto nem é a sua opção, que a insanidade sempre será possível, mas a tolerância social. Essa custa mais a entender, mas muita coisa anda às avessas, embora a solução não seja a longo prazo o plantar as couves com a raiz virada para o ar, porque isso as fará morrer. Vai demorar algum tempo, mas acabará inexoravelmente por ser assim.
O mais estranho em tudo isto nem é a sua opção, que a insanidade sempre será possível, mas a tolerância social. Essa custa mais a entender, mas muita coisa anda às avessas, embora a solução não seja a longo prazo o plantar as couves com a raiz virada para o ar, porque isso as fará morrer. Vai demorar algum tempo, mas acabará inexoravelmente por ser assim.
terça-feira, janeiro 24, 2012
Infeliz o tanas!
Foi infeliz? Não pretendeu fugir às suas obrigações? Chega de lavar a porcaria.
Desculpem mas quem disse o que disse não tem forma de desdizer o dito. Disse que mais de 10000 € por mês não lhe iriam possivelmente chegar para pagar as despesas. Só restam duas possibilidades: ou estava a ser desonesto, a mentir e tinha noção do que dizia ou a outra hipótese é ter perdido a noção por alguma razão ainda não revelada. Um Presidente não pode ser desonesto nem mentir, mas também não pode não ter noção do que diz. Numa ou noutra hipótese só tem uma saída, demitir-se (já que não pode ser demitido).
Depois de se demitir deve ainda deixar de estudar macroeconomia e outras ciências ocultas dos mercados e frequentar as novas oportunidades fazendo um curso de economia doméstica onde pode receber aulas de numerosos professores que têm reformas de menos de 300 euros e, mesmo assim, conseguem pagar as suas despesas.
Desculpem mas quem disse o que disse não tem forma de desdizer o dito. Disse que mais de 10000 € por mês não lhe iriam possivelmente chegar para pagar as despesas. Só restam duas possibilidades: ou estava a ser desonesto, a mentir e tinha noção do que dizia ou a outra hipótese é ter perdido a noção por alguma razão ainda não revelada. Um Presidente não pode ser desonesto nem mentir, mas também não pode não ter noção do que diz. Numa ou noutra hipótese só tem uma saída, demitir-se (já que não pode ser demitido).
Depois de se demitir deve ainda deixar de estudar macroeconomia e outras ciências ocultas dos mercados e frequentar as novas oportunidades fazendo um curso de economia doméstica onde pode receber aulas de numerosos professores que têm reformas de menos de 300 euros e, mesmo assim, conseguem pagar as suas despesas.
segunda-feira, janeiro 23, 2012
Absurdo
O fenómeno sociológico mais absurdo que conheço é esta coisa de os pobres elegerem sistematicamente os seus inimigos de classe. Afinal, se usassem a lógica, eram maioritários. Deve ser por isso que alguns insistem na sua má educação. Alterar essa realidade poderia ter consequências imprevisíveis.
Parece que no Reino dos Céus a coisa é diferente, mas é vaga esta esperança de que o Céu algum dia desça à terra.
Parece que no Reino dos Céus a coisa é diferente, mas é vaga esta esperança de que o Céu algum dia desça à terra.
domingo, janeiro 22, 2012
Candidato terrorista
Aplicando a ideia que um terrorista é um praticante do terrorismo, aqui temos o candidato terrorista.
sexta-feira, janeiro 20, 2012
Tenha vergonha
Escrito a 18.1.2006
E na verdade, há coisas que não mudam. Quer o leiamos da direita para a esquerda, quer da esquerda para a direita O CAVACO, será sempre e apenas OCAVAC O. Igual agora ao que sempre foi, por mais artifícios cosméticos que o marketing lhe faça. O homem continuará realmente a mentir, quando trauteia a Grândola, quando não ouviu na véspera a entrevista do senhor Lopes ou simplesmente quando não dá crédito às sondagens que mostram a sua queda. E mentir, ainda mais com a sua falta de jeito, é coisa que fica muito mal a um presidente. Por uma questão de educação, mas também estética, compete-nos impedi-lo.
Não foi impedido, nem na altura, nem depois outra vez. E aí está o economista esbanjador na versão que nos insulta a todos. Não, este senhor Silva não é, nem nunca foi, sério. Ao menos podia ter vergonha, mas para isso necessitava ter a autocrítica que em certas circunstâncias deixa de existir.
E na verdade, há coisas que não mudam. Quer o leiamos da direita para a esquerda, quer da esquerda para a direita O CAVACO, será sempre e apenas OCAVAC O. Igual agora ao que sempre foi, por mais artifícios cosméticos que o marketing lhe faça. O homem continuará realmente a mentir, quando trauteia a Grândola, quando não ouviu na véspera a entrevista do senhor Lopes ou simplesmente quando não dá crédito às sondagens que mostram a sua queda. E mentir, ainda mais com a sua falta de jeito, é coisa que fica muito mal a um presidente. Por uma questão de educação, mas também estética, compete-nos impedi-lo.
Não foi impedido, nem na altura, nem depois outra vez. E aí está o economista esbanjador na versão que nos insulta a todos. Não, este senhor Silva não é, nem nunca foi, sério. Ao menos podia ter vergonha, mas para isso necessitava ter a autocrítica que em certas circunstâncias deixa de existir.
quinta-feira, janeiro 19, 2012
Elis Regina (1945-1982)
Neste dia há 30 anos, tinha nem 37 anos. Já passaram 30 anos.Trinta anos foi ontem. Ainda haverá mais 30 anos? Que importa o número de anos se cada vez mais percebo que só na arte se sobrevive e tudo o resto é fumo.
Crenças e resultados
Porque lhe disseram que o mundo estava de pernas para o ar, plantou as couves enterrando as folhas e deixando de fora as raízes. Não cresceram. Verdadeiramente, há lógicas que não funcionam.
quarta-feira, janeiro 18, 2012
Tentativa
Primeiro desistiram de ler notícias, que o resto já não liam. Assim se habituaram a não pensar. Depois desistiram também de ouvir as notícias tentando fugir à depressão. Estão na espuma do conhecimento das casas dos segredos.
Deve ser aí que reside o segredo deste mistério dos resultados das sondagens.
É, pelo menos esta, a minha tentativa de compreensão do mundo que me rodeia.
Afinal está tudo como dantes ou a poesia é premonitória:
Afinal está tudo como dantes ou a poesia é premonitória:
"Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita
Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando e também sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando e também sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão
Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades
É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão
Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa
Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta
Muita careta pra engolir a transação
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão"
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão"
Chico.
quinta-feira, janeiro 12, 2012
Otimistas
Saiu, esbaforido, a berrar do balcão de atendimento do serviço de Imagiologia. Perguntou para quando estava marcada a ressonância magnética e a resposta saiu rápida, sabe-se lá, isso está tudo atrasadíssimo. Mas uma ideia, insistiu (quereria planear a sua vida). Temos aí alguns pedidos com mais de 2 anos, foi a resposta triunfante do outro lado. Desabafou, desiludido e meio incrédulo, sacudindo a cabeça, isto é um país... E eu ouvi e pensei: é? E percebi, então, que ainda há otimistas na terra.
quarta-feira, janeiro 11, 2012
Barbárie
Depois de ter em tempos proposto a suspensão da democracia, agora vai mais além e propõe que se suspenda a vida a quem não tenha dinheiro para a pagar.
segunda-feira, janeiro 09, 2012
Esta vida não é para velhos
Vive-se a crédito até nas coisas simples. O conteúdo pouco vale, importante é o que ainda é potencialmente adquirível. Só o que está fora é valioso na esperança sempre irrealizável de vir a ser adquirido. Só se olha para fora. Não é a realidade da coisa, mas o crédito que se lhe atribui de potencial desenvolvimento. Acontece que, com o envelhecimento, inexoravelmente, o potencial de crescimento se reduz cada vez mais e de pouco ou nada vale o conhecimento que se acumulou. Delicia-mo-nos com aquilo que possivelmente nunca teremos. Daí tanta importância atribuída a uma criança acabada de nascer, mesmo que absolutamente incompetente (se excluirmos o comer, o chorar e o resto mal cheiroso) e o tanto enfado que os idosos quase sempre despertam (esquecida a desaproveitada cultura sempre passada de moda de que estão cheios).
Desde a primeira consulta, tinha o pai 86 anos, que sempre me mostrou desconfiança pela necessidade de investimento. Valeria a pena operar? Valeu. Agora nos controlos anuais, sempre o mesmo ar de que afinal ainda viemos mais uma vez e uma quase angústia de até quando ainda terá de acompanhar o pai. Incómodo, chatice. Isto não acaba? A tensão está boa, o colesterol também, não engorda e nem o cancro da próstata cumpre a missão. Desta vez disse mesmo, com ar perto de lamento, o PSA dele? está melhor que o meu... o urologista até lhe vai parar o medicamento. Está com 96 anos e sem sinais de demência, é um homem vulgar, banal e percebe, com toda a certeza, todo este tipo de interesse do seu filho.
Tem dias, que esta é uma vida de andar aos tiros.
Desde a primeira consulta, tinha o pai 86 anos, que sempre me mostrou desconfiança pela necessidade de investimento. Valeria a pena operar? Valeu. Agora nos controlos anuais, sempre o mesmo ar de que afinal ainda viemos mais uma vez e uma quase angústia de até quando ainda terá de acompanhar o pai. Incómodo, chatice. Isto não acaba? A tensão está boa, o colesterol também, não engorda e nem o cancro da próstata cumpre a missão. Desta vez disse mesmo, com ar perto de lamento, o PSA dele? está melhor que o meu... o urologista até lhe vai parar o medicamento. Está com 96 anos e sem sinais de demência, é um homem vulgar, banal e percebe, com toda a certeza, todo este tipo de interesse do seu filho.
Tem dias, que esta é uma vida de andar aos tiros.
sexta-feira, janeiro 06, 2012
O discurso da saúde é uma fraude!!!
É simplesmente confrangedor assistir ao espetáculo de uma oposição enredada em discursos patéticos desinseridos da realidade, imediatos e oportunistas e deixarem passar ao lado questões verdadeiramente fundamentais como a destruição sistemática que está a ser feita do Serviço Nacional de Saúde. As grandes conclusões do relatório recente da OCDE (analisado por Francisco Ramos recentemente) deveriam estar a ser publicado nos outdoors de todo o país, deveríamos estar a explicar pacientemente a todos os cidadãos o crime social que está em curso. A despesa em percentagem do PIB está estável nos últimos 10 anos!!!
A INSUSTENTABILIDADE DO SNS É UMA OPÇÃO POLÍTICA RESULTANTE DE UM SUBFINANCIAMENTO ASSUMIDO PARA FACILITAR A ENTRADA E DOMÍNIO DOS GRANDES GRUPOS PRIVADOS NA SAÚDE.
A saúde pode e deve continuar a ser gratuita (deve suprimir-se o tendencioso tendencialmente). É uma barbaridade a afirmação, muito ouvida recentemente, que os mais ricos devem pagar as despesas com a sua doença. O que os mais ricos (tanto os sãos como os doentes) devem pagar é mais impostos em proporção da sua riqueza, mas não serem penalizados pagando a sua saúde quando estão doentes. O princípio geral é que as despesas da saúde são pagas pelos Impostos e que DEVEM SER OS SÃOS A PAGAR A SAÚDE DOS DOENTES. Isso é um Estado solidário. Isso é o que querem emagrecer e destruir.
Aliás, não se vê invocar que os mais ricos paguem tendencialmente mais pelos livros escolares, pelas propinas, pelos transportes públicos, pela generalidade dos Serviços Públicos. Só pela Saúde, porque será? PORQUE ESTE É O NICHO DE NEGÓCIO QUE LHES IMPORTA ESTIMULAR, não por qualquer necessidade económico-financeira, mas por uma opção política de favorecimento aos grupos que mandam neles. Se calhar bem menos importante que ser da maçonaria ou não, será ter sido e possivelmente no futuro voltar a ser, líder do setor da Saúde de um Banco privado. Conflito de interesses poderá ser isso!
Será que não se consegue explicar isto à generalidade das pessoas?
A INSUSTENTABILIDADE DO SNS É UMA OPÇÃO POLÍTICA RESULTANTE DE UM SUBFINANCIAMENTO ASSUMIDO PARA FACILITAR A ENTRADA E DOMÍNIO DOS GRANDES GRUPOS PRIVADOS NA SAÚDE.
A saúde pode e deve continuar a ser gratuita (deve suprimir-se o tendencioso tendencialmente). É uma barbaridade a afirmação, muito ouvida recentemente, que os mais ricos devem pagar as despesas com a sua doença. O que os mais ricos (tanto os sãos como os doentes) devem pagar é mais impostos em proporção da sua riqueza, mas não serem penalizados pagando a sua saúde quando estão doentes. O princípio geral é que as despesas da saúde são pagas pelos Impostos e que DEVEM SER OS SÃOS A PAGAR A SAÚDE DOS DOENTES. Isso é um Estado solidário. Isso é o que querem emagrecer e destruir.
Aliás, não se vê invocar que os mais ricos paguem tendencialmente mais pelos livros escolares, pelas propinas, pelos transportes públicos, pela generalidade dos Serviços Públicos. Só pela Saúde, porque será? PORQUE ESTE É O NICHO DE NEGÓCIO QUE LHES IMPORTA ESTIMULAR, não por qualquer necessidade económico-financeira, mas por uma opção política de favorecimento aos grupos que mandam neles. Se calhar bem menos importante que ser da maçonaria ou não, será ter sido e possivelmente no futuro voltar a ser, líder do setor da Saúde de um Banco privado. Conflito de interesses poderá ser isso!
Será que não se consegue explicar isto à generalidade das pessoas?
terça-feira, janeiro 03, 2012
Vendilhões
Pin-go do-ce... foi pra lá.... (com música de fundo, sff)
Nada de novo, já assim era em 1385. Clero, Nobreza e Povo. Quem capitulou ao longo da História perante o inimigo estrangeiro? O Povo resistiu, o Clero rezou, sempre os mesmos traíram. Não chega efetivamente ser rico...
«Toda a história passada foi a história das lutas de classes e estas classes em luta são sempre o produto dos modos de produção e de troca, numa palavra, das condiçõeseconómicas do seu tempo».
Continua: eles de um lado, nós do outro, porque a história continua. E pode ser Aljubarrota ou uma janela aberta, mas a vitória é certa, mais cedo ou mais tarde.
Nada de novo, já assim era em 1385. Clero, Nobreza e Povo. Quem capitulou ao longo da História perante o inimigo estrangeiro? O Povo resistiu, o Clero rezou, sempre os mesmos traíram. Não chega efetivamente ser rico...
«Toda a história passada foi a história das lutas de classes e estas classes em luta são sempre o produto dos modos de produção e de troca, numa palavra, das condiçõeseconómicas do seu tempo».
Continua: eles de um lado, nós do outro, porque a história continua. E pode ser Aljubarrota ou uma janela aberta, mas a vitória é certa, mais cedo ou mais tarde.
segunda-feira, janeiro 02, 2012
Do Tempo e seus desejos
Há no parto de cada ano esta tendência para o exagero do desejo, Bom Ano, ao contrário do singelo e limitado, Bom dia, de todos os dias. Com efeito, um ano é muito tempo para se desejar de uma só vez, nem se consegue perceber o tamanho. De de tal forma assim é que foi partido em meses, que ninguém deseja, em semanas, de que só desejamos o bom fim e dias que é aquilo que geralmente dá para desejar, mesmo que seja à noite. Ainda há desejos específicos para grávidas em fim de tempo, bem mais modestos, Uma boa horinha, que, curiosamente, na maior parte dos casos acaba por ser uma data de horas e, não poucas vezes, termina em cesariana de alguns minutos.
terça-feira, dezembro 27, 2011
Factos e mitos
Como é que a economia que mais cresce no mundo, consegue viver sem bancos privados? Na http://pt.wikipedia.org/wiki/Economia_da_Rep%C3%BAblica_Popular_da_China:
A maior parte das instituições financeiras da China é estatal, e 98% das ações bancárias também são estatais. Os instrumentos que comandam as políticas fiscais e financeira são controlados pelo Banco Popular da China e pelo Ministério das Finanças, ambos controlados pelo Conselho de Estado. O Banco Popular da China substituiu o Banco Central da China e gradualmente tomou o controle de bancos privados. O banco cumpre muitas funções de outros bancos centrais ecomerciais. O banco também emite a moeda, controla sua circulação e desempenha a função importante de cobrir os disparidades orçamentais. Ademais, o banco administra as contas, os pagamentos e os recebimentos de organizações governamentais e de outras instituições, que permite ao banco de exercer uma total supervisão sobre os seus desempenhos financeiros e gerais que estão sob consideração aos planos econômicos do governo. O banco também é responsável pelo comércio exterior e outras transações estrangeiras. As remessas de capital parachineses no exterior são gerenciadas pelo Banco da China, que tem várias ramificações em muitos países.
Pelos vistos um estado superobeso detentor e gestor de bancos sem a força impulsionadora dos mercados, consegue melhor desempenho que um estado elegante que passa a vida a necessitar de impostos e austeridade para os seus cidadãos para não deixar bancos privados empreendedores irem à falência no sacro-santo mercado.
A maior parte das instituições financeiras da China é estatal, e 98% das ações bancárias também são estatais. Os instrumentos que comandam as políticas fiscais e financeira são controlados pelo Banco Popular da China e pelo Ministério das Finanças, ambos controlados pelo Conselho de Estado. O Banco Popular da China substituiu o Banco Central da China e gradualmente tomou o controle de bancos privados. O banco cumpre muitas funções de outros bancos centrais ecomerciais. O banco também emite a moeda, controla sua circulação e desempenha a função importante de cobrir os disparidades orçamentais. Ademais, o banco administra as contas, os pagamentos e os recebimentos de organizações governamentais e de outras instituições, que permite ao banco de exercer uma total supervisão sobre os seus desempenhos financeiros e gerais que estão sob consideração aos planos econômicos do governo. O banco também é responsável pelo comércio exterior e outras transações estrangeiras. As remessas de capital parachineses no exterior são gerenciadas pelo Banco da China, que tem várias ramificações em muitos países.
Pelos vistos um estado superobeso detentor e gestor de bancos sem a força impulsionadora dos mercados, consegue melhor desempenho que um estado elegante que passa a vida a necessitar de impostos e austeridade para os seus cidadãos para não deixar bancos privados empreendedores irem à falência no sacro-santo mercado.
Ponto de viragem
Dentro de certos limites...
a) o stress melhora o desempenho
b) o débito cardíaco aumenta se o comprimento da célula cardíaca for maior na diástole
c) aumentando os impostos a receita do estado aumenta
São várias as curvas em que os resultados sobem até um determinado ponto a partir do qual se instala a rotura e a falência, por vezes irreversível. Pois é, a certo momento a água começa a borbulhar, deixa de estar quieta, deita por fora e não vale a pena tapar a panela, porque aí, é ela que rebenta.
a) o stress melhora o desempenho
b) o débito cardíaco aumenta se o comprimento da célula cardíaca for maior na diástole
c) aumentando os impostos a receita do estado aumenta
São várias as curvas em que os resultados sobem até um determinado ponto a partir do qual se instala a rotura e a falência, por vezes irreversível. Pois é, a certo momento a água começa a borbulhar, deixa de estar quieta, deita por fora e não vale a pena tapar a panela, porque aí, é ela que rebenta.
segunda-feira, dezembro 26, 2011
Para confirmar depois
Já todos tínhamos ouvido algo semelhante dito pelos partidos fora do arco do poder (acho deliciosa esta designação meio pimba e com sabor a marchas populares, mas prefiro chamar-lhes partidos do alterne)
Deixo o link para o Público:
http://economia.publico.pt/noticia/para-sair-da-crise-e-preciso-romper-com-a-troika-e-obrigala-a-renegociar-a-divida-1526489
A publicação pode ser um sintoma de que algumas dúvidas começam já a minar as estruturas para os lados de D. Belmiro.
No fundo, é algo para se testar a validade dentro de meses.
Deixo o link para o Público:
http://economia.publico.pt/noticia/para-sair-da-crise-e-preciso-romper-com-a-troika-e-obrigala-a-renegociar-a-divida-1526489
A publicação pode ser um sintoma de que algumas dúvidas começam já a minar as estruturas para os lados de D. Belmiro.
No fundo, é algo para se testar a validade dentro de meses.
sábado, dezembro 24, 2011
Pausa
Por mais que queiramos passar ao lado, há datas que nos marcam e nos despertam a memória e os registos. Há um ambiente opressivo à volta delas. Nestas alturas, imagino sempre as dificuldades dos que estão fora do conceito e a forma irritada como devem ouvir falar da paz e do amor. Já não os conhecem há tempos na sobrevivência que lhes resta. Importaria haver algum pudor que os poupasse ao confronto. se as desigualdades e injustiças podem desconfortar os que não as têm, pode imaginar-se (será que se pode mesmo?) o desconforto que determinarão nas vítimas.
quinta-feira, dezembro 22, 2011
Prendas de Natal e todo o ano
A promessa era cortar na despesa e diminuir a receita. Só que não esclareceram quem era o sujeito da frase. O programa vai ser cumprido, o sujeito éramos nós: vamos cortar nas nossas despesas e reduzir as nossas receitas. Começou por 1/2 14º mês, continuou com o 13º e 14º (versão completa) e agora menos a receita de 23 dias de trabalho. Ou seja, o 12º mês também já lá vai. Quando reagiremos? Depois do 11º? do 10º? do 9º?.... Quando? Jornada de trabalho de sol a sol? Fila diária para nos darem trabalho nesse dia?
http://www.schoolshistory.org.uk/IndustrialRevolution/workingconditions.htm
Será este o caminho?
Industries such as the cotton trade were particularly hard for workers to endure long hours of labour. The nature of the work being done meant that the workplace had to be very hot, steam engines contributing further to the heat in this and other industries. Machinery was not always fenced off and workers would be exposed to the moving parts of the machines whilst they worked. Children were often employed to move between these dangerous machines as they were small enough to fit between tightly packed machinery. This led to them being placed in a great deal of danger and mortality (death rates) were quite high in factories. Added to the dangers of the workplace also consider the impact of the hours worked. It was quite common for workers to work 12 hours or more a day, in the hot and physically exhausting work places. Exhaustion naturally leads to the worker becoming sluggish (slow), which again makes the workplace more dangerous.
Not all factories were as bad as the scenario highlighted above. Robert owen and Titus salt for example were both regarded as good employers in this respect. They were amongst a group of people who were known as reformers. These people wanted changes to the way that factories were run. They faced opposition from other mill owners who knew that reforms would cost them money and give the workers more rights. (They wanted to make as much profit as possible remember, that is the purpose of manufacturing in a capitalist country).
The reformers gradually managed to force changes to the way that workers were treated. Some of these reforms are listedbelow.
| Factory Act 1819 | Limited the hours worked by children to a maximum of 12 per day. |
| Factory Act 1833 | Children under 9 banned from working in the textiles industry and 10-13 year olds limited to a 48 hour week. |
| Factory Act 1844 | Maximum of 12 hours work per day for Women. |
| Factory Act 1847 | Maximum of 10 hours work per day for Women and children. |
| Factory Act 1850 | Increased hours worked by Women and children to 10 and a half hours a day, but not allowed to work before 6am or after 6pm. |
| 1874 | No worker allowed to work more than 56.5 hours per week. Em: |
Tudo isto será porque o trabalho liberta?
quarta-feira, dezembro 21, 2011
Tempos ordinários
Vieram um dia e levaram-nos os meses extraordinários... eu disse, mas muitos não disseram nada, porque não eram funcionários públicos;
Vieram noutro dia e levaram as horas extraordinárias... eu disse, mas muitos não disseram nada, porque não eram médicos;
Virão outro dia roubar-nos os dias... já ninguém dirá nada, porque já todos emigraram?
Vão ordinários estes tempos de vertigem acelerada até ao vazio.
Vieram noutro dia e levaram as horas extraordinárias... eu disse, mas muitos não disseram nada, porque não eram médicos;
Virão outro dia roubar-nos os dias... já ninguém dirá nada, porque já todos emigraram?
Vão ordinários estes tempos de vertigem acelerada até ao vazio.
segunda-feira, dezembro 19, 2011
Obviamente, demita-se!
Quando tudo o que um Primeiro Ministro tem para resolver os problemas dos seus cidadãos é sugerir-lhes que emigrem, o que está a afirmar e a pedir-lhes é que vão ser governados por outros mais competentes e capazes de lhes assegurarem o bem-estar, ou seja, está a declarar-se incompetente para o cargo e a pedir que o substituam.
Se o seu programa de governo enquanto candidato era um e agora o que propõe é o inverso do prometido e na base do que foi eleito e chega ao ponto de pedir aos cidadãos que emigrem, apenas lhe resta uma saída: Demita-se! Assuma a mentira.
Se o seu programa de governo enquanto candidato era um e agora o que propõe é o inverso do prometido e na base do que foi eleito e chega ao ponto de pedir aos cidadãos que emigrem, apenas lhe resta uma saída: Demita-se! Assuma a mentira.
domingo, dezembro 18, 2011
Solidão
Ficar assim ao fundo da escada, esperando com o olhar vago de possivelmente já nada mais vir a acontecer além da espera inútil e sentir a inutilidade do movimento. Porque esse só tem sentido, quando há um sentido para a marcha. E fica-se à espera de nada acontecer até um tempo qualquer.
sexta-feira, dezembro 16, 2011
eMundo
Em poucos dias dois episódios no fundo semelhantes. Primeiro, a conversa de José Sócrates, agora a posição de Pedro Nuno Santos. Semelhantes, não pelo conteúdo ou importância das posições (e pessoalmente, sempre detestei discursos politicamente corretos, unanimistas, de ir com as outras), mas nas circunstâncias em que foram proferidos. Trata-se de reuniões de grupo em que os ouvintes se supõe estarem do mesmo lado do orador, em que deveria, por isso, haver alguma parcimónia na divulgação e solidariedade na posição. Mas, quer num caso quer no outro, não foi isso que aconteceu e, quem deveria ser aliado, traiu quem falou, deu armas ao inimigo ou como também se dizia, bufou. Para os mais novos chibou.
Pode isto acontecer apenas pela vontade incontrolável de ser repórter, dar a notícia, pôr no youtube, criar som e ficar com a alegria incontida de ter causado uma onda no pântano. Pode a coisa ser mais nojenta e imunda e haver infiltrados, verdadeiros bufos entre a assistência nestas reuniões, prenunciadora de um regresso a algum passado e nesse caso é ainda mais preocupante. Mas de uma maneira ou de outra, a consequência poderá ser o fim da liberdade de expressão, a auto-censura do que dizemos, porque temos de desconfiar dos parceiros que julgamos serem nossos camaradas. E vamos dizer com cuidado, o que tira necessariamente algum grau de veracidade ao que dizemos. Todos vamos ficar a saber menos do que poderíamos saber nas conversas de amigos. Pode sempre haver um telemóvel de câmara ligada neste eMundo.
Pode isto acontecer apenas pela vontade incontrolável de ser repórter, dar a notícia, pôr no youtube, criar som e ficar com a alegria incontida de ter causado uma onda no pântano. Pode a coisa ser mais nojenta e imunda e haver infiltrados, verdadeiros bufos entre a assistência nestas reuniões, prenunciadora de um regresso a algum passado e nesse caso é ainda mais preocupante. Mas de uma maneira ou de outra, a consequência poderá ser o fim da liberdade de expressão, a auto-censura do que dizemos, porque temos de desconfiar dos parceiros que julgamos serem nossos camaradas. E vamos dizer com cuidado, o que tira necessariamente algum grau de veracidade ao que dizemos. Todos vamos ficar a saber menos do que poderíamos saber nas conversas de amigos. Pode sempre haver um telemóvel de câmara ligada neste eMundo.
quinta-feira, dezembro 15, 2011
Os dias dos anos
Ao princípio é ao dia, depois à semana e ao mês, finalmente aos anos. Há aqueles momentos em que a década muda e se entra nos inta e depois nos enta. Depois, enfim, até aos cem não se passa nada e nessa altura também, quase sempre nada se passa. Na maioria dos casos, somos nós que já passámos.
Passam assim estes dias como dias de todos os dias, só perturbados pelas linhas encontradas no facebook em que os automatismos acordam os conhecidos.
E pronto, já está mais um dia passado, que foi mais um ano. E de ano em ano nos vamos encontrando nalguma deceção do que não acontece, aqui e além interrompidos por alguns salpicos de sorriso. Há sobretudo uma grande acalmia que os anos dão a estes dias.
Passam assim estes dias como dias de todos os dias, só perturbados pelas linhas encontradas no facebook em que os automatismos acordam os conhecidos.
E pronto, já está mais um dia passado, que foi mais um ano. E de ano em ano nos vamos encontrando nalguma deceção do que não acontece, aqui e além interrompidos por alguns salpicos de sorriso. Há sobretudo uma grande acalmia que os anos dão a estes dias.
quarta-feira, dezembro 14, 2011
Slow
A cidade vai ficando mais ao longe quando nos reencontramos aqui, onde os vizinhos se conhecem (porque vivem mais distantes e o espaço lhes dá a liberdade dos encontros?) e as experiências se trocam em diálogos lentos de comunicação e entreajuda, com vista a ultrapassar as dificuldades comuns que encontramos. De um vem uma ideia, de outro um conhecimentos porque a ideia já foi experimentada, do outro um alerta porque existe um perigo não imaginado e, no fim do dia, há uma cultura que cresce. Cultiva-se com o saber de experiências feito, com aquilo que se ficou a saber depois de nos esquecermos do que aprendemos. Há uma solidez que emerge da realidade e não uma imagem que cresce de um mundo virtual. A gente aqui é de carne e osso, não tem sempre sorrisos e umas vezes ganha e outras perde, porque a vida é esse jogo em que se não vence sempre. É-se, não se parece. Mas nisto da vida mais vale ser mouro do que mourinho. Assim se é especial, na realidade. Para nos encontrarmos temos de ter o tempo de nos sentirmos e andar a 10 km/h é a melhor maneira de perceber todos os centímetros.
segunda-feira, dezembro 12, 2011
Bloqueio comercial
Não me seduz grandemente comprar português, mas começo a achar ser urgente boicotar o que é alemão. Até para que a Imperadora e seu povo trabalhador sejam obrigados a consumir o que produzem e não tenham tanta razão de queixa de quem lhes deve. Nessa altura pensarão renegociar os custos...
segunda-feira, dezembro 05, 2011
quinta-feira, dezembro 01, 2011
Há sempre caminhos novos
Há outros caminhos que nos vêm do frio. Esta será apenas uma das alternativas que nos têm vindo a esconder? Está a chegar a hora de os procurarmos.
terça-feira, novembro 29, 2011
Fim do mundo e jantar de curso
O Expresso tem esta vantagem, é inspirador.
1. Na última edição Miguel Sousa Tavares, comunica-nos que esta Era acabou. Segundo ele, acabou a era em que havia solidariedade entre as pessoas e agora é cada um por si conforme exemplifica com o seu exemplo pessoal. Ele previu o fim das garantias de vida estável, da organização das sociedades. Às vezes, têm-se filhos para isto (Sousa Tavares pai e a mãe Sophia devem estar aos tombos nas tumbas).
Segundo este autor, o caminho será a existência de 10 milhões de indivíduos que fazem comentários na televisão e conseguem vender livros através da notoriedade que isso lhes confere. Nada de aturar patrões incompetentes. Ausência de organização social, já. «O mundo confortável que nos prometeram e em que quisemos acreditar acabou». Está decretado o fim do mundo! Mas o fim do mundo, como, aliás, reconhece para o fim do artigo teve que ver com algumas perversões dos «piratas do subprime americano, da bolha imobiliária espanhola ou do sistema bancário irlandês» e «não podemos continuar a tolerar o dumping social e fiscal e o crime das offshores». Afinal «há aqui alguém que apostou e está a ganhar com a ruína dos pobres e a liquidação do euro e da própria ideia de Europa».
Se calhar, então, mas não o refere o iluminado, a solução não é o fim do mundo que anuncia necessário, destruindo a organização social e a solidariedade, mas tão só «reinventar um caminho novo» em que a complexidade e atribulação consiste na supressão das perversões, das bolhas e do sistema bancário. Depois disso e do fim das virtualidades, voltaremos à realidade e tranquilidade da vida com novos valores e sem ser necessário acabarmos com o mundo confortável em que vivíamos.
2. No jornal de Economia, publicado por um distinto Professor de Economia da Stern School of Business, vem outra peça iluminada, em que resumidamente se explica que isto dos jantares de curso em que a conta é dividida por todos independentemente do que cada um bebe, consiste numa «divergência fatal entre o custo real e o custo enfrentado pelo decisor relevante». Isto para nos explicar com a metáfora que no Euro não é tolerável que os países possam ser solidários entre si e haja uns que gastam e outros que produzem. Mas produzem para quem gastar? Ou quem beneficia com os gastos?
Acho que neste jantar de curso da Europa, o problema que não está bem percebido é que o jantar foi servido para todos no restaurante alemão, que criou um clima de festa mal regulada, incentivando o consumo da cerveja e, só no fim, decidiu apresentar a conta. Entretanto vendeu a cerveja. E se, com a irreverência estudantil, dissermos, não pagamos!? Vão continuar a produzir cerveja para deitar ao Reno?Conseguem sobreviver sem os beberrões?
1. Na última edição Miguel Sousa Tavares, comunica-nos que esta Era acabou. Segundo ele, acabou a era em que havia solidariedade entre as pessoas e agora é cada um por si conforme exemplifica com o seu exemplo pessoal. Ele previu o fim das garantias de vida estável, da organização das sociedades. Às vezes, têm-se filhos para isto (Sousa Tavares pai e a mãe Sophia devem estar aos tombos nas tumbas).
Segundo este autor, o caminho será a existência de 10 milhões de indivíduos que fazem comentários na televisão e conseguem vender livros através da notoriedade que isso lhes confere. Nada de aturar patrões incompetentes. Ausência de organização social, já. «O mundo confortável que nos prometeram e em que quisemos acreditar acabou». Está decretado o fim do mundo! Mas o fim do mundo, como, aliás, reconhece para o fim do artigo teve que ver com algumas perversões dos «piratas do subprime americano, da bolha imobiliária espanhola ou do sistema bancário irlandês» e «não podemos continuar a tolerar o dumping social e fiscal e o crime das offshores». Afinal «há aqui alguém que apostou e está a ganhar com a ruína dos pobres e a liquidação do euro e da própria ideia de Europa».
Se calhar, então, mas não o refere o iluminado, a solução não é o fim do mundo que anuncia necessário, destruindo a organização social e a solidariedade, mas tão só «reinventar um caminho novo» em que a complexidade e atribulação consiste na supressão das perversões, das bolhas e do sistema bancário. Depois disso e do fim das virtualidades, voltaremos à realidade e tranquilidade da vida com novos valores e sem ser necessário acabarmos com o mundo confortável em que vivíamos.
2. No jornal de Economia, publicado por um distinto Professor de Economia da Stern School of Business, vem outra peça iluminada, em que resumidamente se explica que isto dos jantares de curso em que a conta é dividida por todos independentemente do que cada um bebe, consiste numa «divergência fatal entre o custo real e o custo enfrentado pelo decisor relevante». Isto para nos explicar com a metáfora que no Euro não é tolerável que os países possam ser solidários entre si e haja uns que gastam e outros que produzem. Mas produzem para quem gastar? Ou quem beneficia com os gastos?
Acho que neste jantar de curso da Europa, o problema que não está bem percebido é que o jantar foi servido para todos no restaurante alemão, que criou um clima de festa mal regulada, incentivando o consumo da cerveja e, só no fim, decidiu apresentar a conta. Entretanto vendeu a cerveja. E se, com a irreverência estudantil, dissermos, não pagamos!? Vão continuar a produzir cerveja para deitar ao Reno?Conseguem sobreviver sem os beberrões?
segunda-feira, novembro 28, 2011
Um pai oculto
(roubado em http://www.youtube.com/user/M4rciano.)
Estão aí alguns dos possíveis suspeitos, mas, estou convencido, que o verdadeiro pai está oculto, alguns num offshore, por exemplo.
Estão aí alguns dos possíveis suspeitos, mas, estou convencido, que o verdadeiro pai está oculto, alguns num offshore, por exemplo.
sábado, novembro 26, 2011
Fora o árbitro!
Na lapela esquerda usam agora uma bandeira. Aqui mostra-se o capitão da equipa. Os outros têm uma igual. Como lhes chamar? Bandeirantes? Apesar de terem ido à procura de ouro no Alentejo e petróleo em Peniche, não parece que possam concorrer (pelo menos nos resultados) com os verdadeiros que procuraram as riquezas no Sertão.
Estes são mais bandeirinhas, correm alinhados para trás e para a frente, auxiliando o (a) grande árbitro que apita em Berlim. E o intercomunicador funciona numa só direção, do árbitro para os alinhados bandeirinhas. Levantam a bandeira ou deixam-na abaixada de acordo com as ordens na esperança de que os dirigentes (poder financeiro) lhes forneça a fruta fresca no fim do jogo. Não têm opinião, cumprem simplesmente as ordens do árbitro. Mas o jogo, esse só existe se os jogadores o fizerem.
Estes são mais bandeirinhas, correm alinhados para trás e para a frente, auxiliando o (a) grande árbitro que apita em Berlim. E o intercomunicador funciona numa só direção, do árbitro para os alinhados bandeirinhas. Levantam a bandeira ou deixam-na abaixada de acordo com as ordens na esperança de que os dirigentes (poder financeiro) lhes forneça a fruta fresca no fim do jogo. Não têm opinião, cumprem simplesmente as ordens do árbitro. Mas o jogo, esse só existe se os jogadores o fizerem.
sexta-feira, novembro 25, 2011
Números da greve
Ontem fomos informados que só 10% dos trabalhadores fizeram greve. O problema assim colocado não parece ter sido grande. No entanto, são 10% que trabalham que se fartam e isto vos garanto.
No caso das consultas externas de um grande hospital de Lisboa, foram realizadas nesta quinta-feira cerca de metade das consultas relativamente ao número habitual neste dia da semana. Assim se conclui que 90 % dos que foram trabalhar fazem tanto, quanto os 10% que fizeram greve, ou seja foi trabalhar quem habitualmente pouco faz!
Há que ser mais rigoroso na apreciação dos números.
No caso das consultas externas de um grande hospital de Lisboa, foram realizadas nesta quinta-feira cerca de metade das consultas relativamente ao número habitual neste dia da semana. Assim se conclui que 90 % dos que foram trabalhar fazem tanto, quanto os 10% que fizeram greve, ou seja foi trabalhar quem habitualmente pouco faz!
Há que ser mais rigoroso na apreciação dos números.
quinta-feira, novembro 24, 2011
Greve geral
Relvas: situação de Portugal só será ultrapassada com muito trabalho
Sem dúvida e todos sabemos que não é tarefa fácil retirar o poder a estes dominadores que lá chegaram mentindo aos eleitores. Vai dar muito trabalho, mas nesse campo há um grupo mais habilitado, os dominados de agora. Sempre trabalharam, têm um longo curriculum e competência no campo do trabalho a fazer. Hoje não trabalharam para o poder como fazem todos os dias, fizeram um intervalo para trabalharem para si. Mais dias serão necessários até que fique à vista toda a completa falta de suporte destes governantes. Porque o Trabalho é a alternativa, a trabalhar se continuará até à defenestração final dos usurpadores.
É uma questão de tempo, eles sabem, começam já a estar nervosos.
Segunda nota: os «abençoados» classificadores atribuem hoje a nota de lixo... porque não há crescimento, parece.
Sem dúvida e todos sabemos que não é tarefa fácil retirar o poder a estes dominadores que lá chegaram mentindo aos eleitores. Vai dar muito trabalho, mas nesse campo há um grupo mais habilitado, os dominados de agora. Sempre trabalharam, têm um longo curriculum e competência no campo do trabalho a fazer. Hoje não trabalharam para o poder como fazem todos os dias, fizeram um intervalo para trabalharem para si. Mais dias serão necessários até que fique à vista toda a completa falta de suporte destes governantes. Porque o Trabalho é a alternativa, a trabalhar se continuará até à defenestração final dos usurpadores.
É uma questão de tempo, eles sabem, começam já a estar nervosos.
Segunda nota: os «abençoados» classificadores atribuem hoje a nota de lixo... porque não há crescimento, parece.
quarta-feira, novembro 23, 2011
terça-feira, novembro 22, 2011
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Não é fácil aqui chegar nos tempos que correm, quando as incertezas do futuro inclinam a subida do percurso. Mas ele chegou pujante, enérgico e forte. Vai ser difícil de vencer e, mesmo nas adversidades do momento, há uma esperança que subsiste, possivelmente a única coisa por que vale lutar. E a luta continua, pá! Como se diz na canção, junta-te a nós companheiro.
Apesar de tudo, hoje foi um dia que começou com nuvens e frio e acabou quente e com sorrisos. Vamos viver um dia de cada vez, porque a depressão instalada não vai durar sempre e nunca assim foi na História. Por isso, certamente, melhores dias havemos de ter (ainda que os planetas alinhem e alguns conceitos adquiridos tenham de ser mudados radicalmente). Só sabemos que não desistimos. Em frente, pá, hoje é o primeiro dia do resto da tua vida (como canta o outro).
Conta com o avô sempre que quiseres.
Apesar de tudo, hoje foi um dia que começou com nuvens e frio e acabou quente e com sorrisos. Vamos viver um dia de cada vez, porque a depressão instalada não vai durar sempre e nunca assim foi na História. Por isso, certamente, melhores dias havemos de ter (ainda que os planetas alinhem e alguns conceitos adquiridos tenham de ser mudados radicalmente). Só sabemos que não desistimos. Em frente, pá, hoje é o primeiro dia do resto da tua vida (como canta o outro).
Conta com o avô sempre que quiseres.
segunda-feira, novembro 21, 2011
Duche escocês
Este governo converteu-se num SPA
De há uns tempo a para cá é assim a estratégia deste governo: primeiro a notícia má... depois a menos má a contrariar a primeira. Mais uma vez agora assim foi a propósito dos funcionários públicos.
Mas acham que somos todos parvos? Ainda assim há bastantes, eu sei. Mas olhem que vai só durar até um destes dias. O povo vai dar conta da banhada.
De há uns tempo a para cá é assim a estratégia deste governo: primeiro a notícia má... depois a menos má a contrariar a primeira. Mais uma vez agora assim foi a propósito dos funcionários públicos.
Mas acham que somos todos parvos? Ainda assim há bastantes, eu sei. Mas olhem que vai só durar até um destes dias. O povo vai dar conta da banhada.
Texto e música
Instruções de utilização:
-clica-se na música e de seguida abre-se (botão direito do rato) o link numa nova janela.
http://www.leap2020.eu/GEAB-N-59-est-disponible-Crise-systemique-globale-30-000-milliards-USD-d-actifs-fantomes-vont-disparaitre-d-ici-debut_a8138.html (original em francês) ou http://www.resistir.info/crise/geab_59.html (tradução em português)
e
-clica-se na música e de seguida abre-se (botão direito do rato) o link numa nova janela.
http://www.leap2020.eu/GEAB-N-59-est-disponible-Crise-systemique-globale-30-000-milliards-USD-d-actifs-fantomes-vont-disparaitre-d-ici-debut_a8138.html (original em francês) ou http://www.resistir.info/crise/geab_59.html (tradução em português)
e
domingo, novembro 20, 2011
Conto da planície I
Viu com contornos precisos o homem que apareceu no cimo da
colina, com passo firme e destino determinado. Caminhava naquele fim de tarde,
vestindo desportivamente, mal deixando perceber algo que lhe pendia do ombro.
Esfregou os olhos para ver melhor e, claramente, era uma corda grossa de sisal,
daquelas que vira usar a prender carradas de mato nos carros que povoaram a sua
infância puxados por vacas em chiadeira intensa serra abaixo. Mas era mais
curta, bem mais curta. Nesse instante, lembrou-se do vento suão e sorriu na
antecipação da brisa a varrer-lhe a face. Há momentos em que o espaço nos
envolve e voltamos ao útero por instantes. Pelo menos imagina-se que o útero
assim deva ser, apesar de ser impossível confirmar por razões óbvias a
evidência da coisa.
E o homem continuava a descer, na encosta, determinado. Olhava-o
e ansiava perceber o que lhe iria na cabeça, mas não conseguia perceber o que
diziam os olhos à distância a que estava. É nos olhos que deciframos o mais
fundo da alma ou os segredos bem guardados. Mas estavam tão longe que nem com a
tele de 800 mm lá conseguia chegar. Quando estava quase enquadrado, a distância
desfocava a imagem e a mudança de posição fazia perder o objeto. Houve ali uns
instantes de desnorte com o objeto a fugir para fora da mira. Felizmente,
momentos breves, que quebravam a sequência mas não a história. A sequência
temporal das fotos deixa perceber a narrativa. Continuava a avançar sempre na
mesma direção. Acontece algumas vezes nestes casos que a distância até ao
destino que se não adivinha parece tender para o infinito. É sempre longo o
caminho que se não conhece, porque tem a distância das dúvidas e a incerteza da
chegada alguma vez. E mais ainda é para quem vê andar do que para quem anda.
Fica-se sempre a perguntar, para onde raio é que ele vai. O desconhecido fica
menos oculto quando se desvenda e mais insondável quando o tentamos perceber
pelo caminho que os outros percorrem.
A caminhada continuava, mas aquela distância nem se
imaginava onde terminaria. Além, no rio? Não, viu-o passar o rio de um salto,
confirmando que os grandes desafios se ultrapassam com decisão e leveza de
gestos. Aterrou suave na outra margem e foi nesse movimento que a corda voou
como um chicote e deu a perceber que era de uma grossura ainda maior que tinha
parecido alguns instantes antes quando pendia do ombro. Sim, era uma corda só
um pouco menor que a das amarras dos barcos e tinha aspeto novo ainda sem a cor
escura que o tempo e a chuva lhes dão. E a descida continuava.
Foi então que lá longe começou a avistar o zambujeiro
emergente do granito. Seria aquele o destino provável e, nesse instante, foi
percorrido por um sobressalto, tanto mais que sentia mais que nunca o vento
suão. E é sabida a relação de homens sozinhos, cordas e vento suão. Nesse
momento percebeu que algo o prendia, o impedia de se levantar e que também a
voz lhe não saía. Debateu-se sem sucesso. Estaria amarrado? Não, porque então
poderia gritar. Teria tido um AVC? Também não, sentia todos os membros
paralisados. E também não estaria morto, porque as ideias continuavam a
percorrer-lhe a cabeça. Não percebia como estava ali impotente, sem poder
participar na ação, limitado a ver. Como os espectadores da televisão. E sem a
capacidade do zapping, porque fixado na imagem. Absolutamente focalizado
percebeu tudo de repente, quando o viu atirar a corda para o ramo alto da
árvore. Tinham acabado as dúvidas e uma angústia ainda maior invadiu-o todo.
Ali fixado, parado, incapaz de agir e condenado a ver aquela cena em direto.
Era claro, de seguida, iria subir para a pedra, fazer um nó, colocar o pescoço
dentro dele e, finalmente, projetar-se no espaço ficando a oscilar na brisa do
vento suão. Nunca tinha conseguido perceber porque se antecipa o certo, mas
percebia bem que há momentos em que tudo parece encerrado. Daí, começou a
sentir uma espécie de solidariedade com o homem vestido desportivamente que
atirava a corda de forma firme por cima do ramo grosso do zambujeiro. Fechou os
olhos, apesar de tudo, recusando o espetáculo inevitável da morte em direto.
Achou curioso ter conseguido fazer esse movimento e ficar na escuridão ouvindo
melhor a brisa do fim da tarde. Teve pena de não ser crente para pedir a um
Deus que interviesse e livrasse aquele desgraçado de tal sorte. Mas uma vez
mais, também aí as soluções lhe fugiam. Só a consolação de poder continuar de
olhos fechados, longe da visão, mas perto da certeza daquele desfecho
inevitável.
No final da tarde, quase sem vento, havia um silêncio imenso
que desmascarava qualquer movimento mesmo longínquo. Cerrou mais os olhos à
espera de um estalo, seco que ecoasse na planície ou talvez mesmo um último
grito, desesperado, de um arrependimento fora de tempo. Nada. Antes um roçar de
vai-vém e um esvoaçar de pássaros.
De novo se surpreendeu porque conseguiu agora esfregar os
olhos naquele gesto prévio a tentarmos ver melhor e primeiro desfocado, mas
depois cada vez melhor viu o homem que vestia desportivamente sentado no
baloiço voando para trás e para a frente. Quando abriu, finalmente, os olhos
apenas havia o zambujeiro e nem vestígios de homem, nem de forca nem do
baloiço. O vento suão era quase inaudível.
Deitado na rede brasileira na tarde quente depois do almoço
não tinha resistido à brisa morna que o embalava. Depressa o murmúrio das
folhas tinha ficado distante, o livro oscilou alguns instantes para baixo e
para cima até lhe cair finalmente no colo.
Tinha um dia dito que era no sonho que melhor
experimentava a realidade.
quinta-feira, novembro 17, 2011
Inertes
Estive tentado a colocar aqui um filminho que anda aí no you tube sobre a «ignorância dos nossos universitários». Não o fiz para não contribuir ainda mais para a propagação de uma mensagem eventualmente errónea, manipulada e que, no fundo, visa fundamentalmente aumentar a tiragem da revista duvidosa que a publica. Mas, na realidade, não deixa de ser preocupante constatar não só a ignorância, mas, sobretudo, a forma explícita como não é valorizada. A vergonha acabou, há uma auto-desculpabilização implícita, que choca. Parece que se houve nas entrelinhas, nós somos otimos e se não sabemos isso é porque o mundo aqui à volta nos não interessa. Otimos porquê? Afinal o que fizeram?
Sempre houve gerações a quem as heranças das anteriores não interessaram. A diferença, parece ser que essas combateram o que lhes não interessava, puseram o passado em causa e transformaram, não se renderam. Esta parece uma geração de rendidos, vencidos da vida, sem saída e isso é mais preocupante, porque é bizarra a falta de esperança nesta idade.
Sempre houve gerações a quem as heranças das anteriores não interessaram. A diferença, parece ser que essas combateram o que lhes não interessava, puseram o passado em causa e transformaram, não se renderam. Esta parece uma geração de rendidos, vencidos da vida, sem saída e isso é mais preocupante, porque é bizarra a falta de esperança nesta idade.
sábado, novembro 12, 2011
Abaixo a ditadura!
Sem que um tanque saia para fora das fronteiras, sem que um Fritz qualquer coisa corra o risco de levar ao menos um balázio, ei-los que avançam dominando primeiro a Grécia depois a Itália, derrubando governos eleitos e substituindo-os por alguns dos seus, bem ensinados. Por cá, os comentadores de brandos costumes, estão felizes e realçam a inoportunidade de consultar os povos como na Grécia foi aventado. Esta gente bem doutrinada e fanática do liberalismo teme, apesar da sua força económica, a imprevisibilidade e sabedoria do povo. Resistir à anestesia que nos impõem, mandar a economia deles às urtigas, é um imperativo dos povos. Não se pode tolerar mais que a especulação dos jogadores de casino continue a avançar e imponha a sua ditadura. Isto é infame, intolerável e, de uma vez por todas, é preciso que a política triunfe sobre a religião económica dominante. Porque os domínios contra a vontade dos povos sempre foram temporários e sempre foram as ideias, a política, quem no fim acabou por triunfar.
As pitonisas da análise económica e outras que tais sempre divulgam as malfeitorias da política, as suas corrupções e vícios, promovendo o seu descrédito, apelando subconscientemente ao afastamento da Política. Não o fazem inocentemente.Virar a opinião pública contra os políticos, visa, no fundo, manter a sobrevivência do seu poder, conseguida à custa do alheamento e da catarse sobre a face visível do poder que têm, os políticos, que, afinal, lhes garantem a vida.
Abaixo a ditadura! A vitória é certa!
As pitonisas da análise económica e outras que tais sempre divulgam as malfeitorias da política, as suas corrupções e vícios, promovendo o seu descrédito, apelando subconscientemente ao afastamento da Política. Não o fazem inocentemente.Virar a opinião pública contra os políticos, visa, no fundo, manter a sobrevivência do seu poder, conseguida à custa do alheamento e da catarse sobre a face visível do poder que têm, os políticos, que, afinal, lhes garantem a vida.
Abaixo a ditadura! A vitória é certa!
quinta-feira, novembro 10, 2011
Falta de Cipriões
As couzas que padecem os moradores desse afligido reyno, bastarão para vos desenganar que os que estão fora desse pezado jugo, quererião antes morrer livres, que em paz sujeitos. Nem eu darei aos moradores desta ilha outro conselho...
Ciprião de Figueiredo
Esta determinação vi há dias inscrita num avião da SATA e vim depois a saber que constitui divisa do brasão dos Açores. Lembrei-me hoje, depois de ver algumas passagens da apresentação do orçamento do Estado.
Quem se opôs a Filipes, não resiste a Mercosys? Falta de Cipriões?
Ciprião de Figueiredo
Esta determinação vi há dias inscrita num avião da SATA e vim depois a saber que constitui divisa do brasão dos Açores. Lembrei-me hoje, depois de ver algumas passagens da apresentação do orçamento do Estado.
Quem se opôs a Filipes, não resiste a Mercosys? Falta de Cipriões?
quarta-feira, novembro 09, 2011
Telecomunicações
Há uma face escondida da face oculta e não chegámos aqui por acaso. Mais um caso sintomático e não tão raro de educação dos jovens. Possivelmente, ainda algum resquício de herança do fascismo: o supremo prazer de enganar o poder.
Neste caso, deve rapidamente considerar-se se a professora tinha o direito de confiscar o telemóvel, já que parece, não havia mandato de nenhum juíz. A ser assim, com certeza, a prova deixa de existir e estará sujeita a um qualquer processo por abuso de poder.
Na escola, nas repartições de finanças, nos atestados médicos. Enganamos enganando-nos num fenómeno bem vasto com dimensões não suficientemente apreciadas.
Neste caso, deve rapidamente considerar-se se a professora tinha o direito de confiscar o telemóvel, já que parece, não havia mandato de nenhum juíz. A ser assim, com certeza, a prova deixa de existir e estará sujeita a um qualquer processo por abuso de poder.
Na escola, nas repartições de finanças, nos atestados médicos. Enganamos enganando-nos num fenómeno bem vasto com dimensões não suficientemente apreciadas.
terça-feira, novembro 08, 2011
Má educação
Já antes de entrar a algazarra ia grande lá fora. Algumas corridas, travagens, até encontrões na porta. O espaço da sala de espera era propício à gincana, de tal forma que quando entrou no consultório foi de rastos numa travagem de resistência. Logo foi comprado, com a promessa sussurrada de caso se portasse bem, teria como recompensa aquele carrinho amarelinho qu tinham visto antes. No meio de desculpas a mim dirigidas. E enquanto a consulta prosseguia, houve um pouco de rastejar, bater nas cadeiras, espernear, urros de quando vamos embora, e por aí adiante. Finalmente a consulta terminou. Foi nessa altura, depois de mais um envergonhado pedido de desculpas, o salafrário que não tem mais de 4 anos, olhou inquisidor para a mãe e disparou, portei bem não foi?
O mais certo é que tenha sido premiado pelo carrinho amarelinho, que irá deitar fora na primeira oporunidade.Que mundo será este feito com gente desta? E a culpa é apenas da cultura do vale tudo. Saudades de um bom par de estalos!
O mais certo é que tenha sido premiado pelo carrinho amarelinho, que irá deitar fora na primeira oporunidade.Que mundo será este feito com gente desta? E a culpa é apenas da cultura do vale tudo. Saudades de um bom par de estalos!
segunda-feira, novembro 07, 2011
Procrastinação
Fica um enorme hiato entre a ação e o desejo, quase sempre este a vingar. A ação que é dita necessária acabará por vir. Demorará o mesmo tempo agora e depois? Ou realmente precisa da compressão do não mais poder esperar para surgir mais rápida? Entretanto o desejo consuma-se, sempre cheio de algum remorso pela dúvida da realização da ação no tempo útil. Há uma tensão sempre a estragar os dias que passam, gerando-se apenas um prazer limitado na efetivação dos desejos.
Há-de chegar o dia em que o desejo e a necessidade sejam uma e a mesma coisa. pelo menos é o que se deseja.
Há-de chegar o dia em que o desejo e a necessidade sejam uma e a mesma coisa. pelo menos é o que se deseja.
domingo, novembro 06, 2011
Da importância das coisas
Pode subitamente tudo o que era muitíssimo importante, perder toda a importância e ficar toda mesmo reduzida ao único instante que é este. Como se os outros se esfumassem na inexistência inatingida. A história é conhecida de todos, por tantas vezes repetida, mas a irracionalidade leva sempre a ser ignorada até ao momento em que, de novo, se repete para glória do presente absoluto. Nessa altura vêm à memória as listas dos temas adiados para melhor oportunidade, porque havia outros que sempre se lhes disputavam a primeira linha da ordem. E como vinham, passavam, tendo apenas a importância de ali terem estado... à espera. Depois ficam apenas as cinzas da sua utilização no braseiro da vida.
Realmente, devem contar-se pelos dedos as coisas mesmo importantes, excetuando as que nesses instantes em que tudo perde importância, adquirem, de forma inesperada, toda a importância. Não há desculpa para as adiarmos. Mas de nada servem estes avisos fora de tempo.
Realmente, devem contar-se pelos dedos as coisas mesmo importantes, excetuando as que nesses instantes em que tudo perde importância, adquirem, de forma inesperada, toda a importância. Não há desculpa para as adiarmos. Mas de nada servem estes avisos fora de tempo.
quinta-feira, novembro 03, 2011
Parcerias público-privadas
Qualquer negócio envolve duas partes. Quando uma das partes negociadora é eleita, há pelo menos uma outra parte envolvida de forma indireta, porque os que negociaram o fizeram a mandado dos eleitores.
Feito o negócio e, uns tempos depois, conclui-se que uma das partes perdeu, perdeu mesmo imenso, com o acordo. Nisto de negócios, quando alguma das partes perde é porque outra ganha. Neste caso parece que ganhou e se prepara para continuar muito, mesmo muito, excessivamente.
Perceberam então os eleitores que as consequências do negócio vão deitar tudo a perder e viram-se qual horda destemperada contra os que antes elegeram e, em seu nome, fizeram o tal mau negócio. Pedem-se responsabilidades e cabeças, para aliviar o engano do voto feito.
O problema é que essa vingança, aliviará a raiva, será catártica, mas em nada emenda o negócio e a catástrofe.
Ao mesmo tempo, a outra parte do negócio, a que fez mesmo um grande negócio continua impune e todos a acham inocente? Ou perante a catástrofe vai-se punir a safadeza e a ganância de alguns que se aproveitaram do negócio, da forma matreira com que quase sempre atuam?
Que se castiguem politicamente os que erraram e se deixaram enganar, mas corrija-se o erro punindo economicamente quem do erro beneficiou e agora ri e vai assobiando para o lado na desportiva. Mesmo que o Direito diga que não, a Justiça aprovaria.
E há instantes na História em que o Direito se deve submeter à Justiça, a forma ao conteúdo, o virtual ao real. Ou então, a descrença cresce, a esperança cede e estão criadas as condições do caos.
Feito o negócio e, uns tempos depois, conclui-se que uma das partes perdeu, perdeu mesmo imenso, com o acordo. Nisto de negócios, quando alguma das partes perde é porque outra ganha. Neste caso parece que ganhou e se prepara para continuar muito, mesmo muito, excessivamente.
Perceberam então os eleitores que as consequências do negócio vão deitar tudo a perder e viram-se qual horda destemperada contra os que antes elegeram e, em seu nome, fizeram o tal mau negócio. Pedem-se responsabilidades e cabeças, para aliviar o engano do voto feito.
O problema é que essa vingança, aliviará a raiva, será catártica, mas em nada emenda o negócio e a catástrofe.
Ao mesmo tempo, a outra parte do negócio, a que fez mesmo um grande negócio continua impune e todos a acham inocente? Ou perante a catástrofe vai-se punir a safadeza e a ganância de alguns que se aproveitaram do negócio, da forma matreira com que quase sempre atuam?
Que se castiguem politicamente os que erraram e se deixaram enganar, mas corrija-se o erro punindo economicamente quem do erro beneficiou e agora ri e vai assobiando para o lado na desportiva. Mesmo que o Direito diga que não, a Justiça aprovaria.
E há instantes na História em que o Direito se deve submeter à Justiça, a forma ao conteúdo, o virtual ao real. Ou então, a descrença cresce, a esperança cede e estão criadas as condições do caos.
quarta-feira, novembro 02, 2011
É a Democracia, estúpidos!
Democracia ("demo+kratos") é um regime de governo em que o poder de tomar importantes decisões políticas está com os cidadãos (povo), direta ou indiretamente, por meio de representantes eleitos. (Wikipedia) Uma criação grega, direi eu.
Por estes dias constato o nervosismo que entrevejo em certos comentadores e jornalistas a propósito do referendo na Grécia. Quase que se lhes nota a vontade de chamar nomes à decisão. Mas quais? Sempre tão rápidos a associar a anti-democracia a tudo o que não vá ao encontro do desejo do poder dos mercados, desta vez não dá jeito dizer que uma consulta ao Povo possa ser não democrática. Chatice! Há um conflito entre a mercadocracia e a democracia. Os mercosystas estão em dificuldades.
Por estes dias constato o nervosismo que entrevejo em certos comentadores e jornalistas a propósito do referendo na Grécia. Quase que se lhes nota a vontade de chamar nomes à decisão. Mas quais? Sempre tão rápidos a associar a anti-democracia a tudo o que não vá ao encontro do desejo do poder dos mercados, desta vez não dá jeito dizer que uma consulta ao Povo possa ser não democrática. Chatice! Há um conflito entre a mercadocracia e a democracia. Os mercosystas estão em dificuldades.
terça-feira, novembro 01, 2011
quarta-feira, outubro 26, 2011
A causa das coisas
Perante o Porsche estacionado à porta do Hospital do Divino Espírito Santo, interroguei-me sobre a razão das opções das pessoas relativamente às coisas. Afinal porquê um carro de corridas numa ilha tão pequena? A coisa pode ser um sonho, um projecto de vida, mas continua a ter algo de muito absurdo.
terça-feira, outubro 25, 2011
Relvas daninhas
No fundo, o chato é que nos chamem estúpidos enquanto fazemos aquela tarefa difícil que agora anda aí em voga de «apertarmos o cinto e baixarmos as calças ao mesmo tempo», tentando assumir a posição dos alemães quando perderam a guerra ou de outros quando se viram para Meca.
Vem isto a propósito daquele insulto à nossa inteligência feito pelo defesa direito (nº 2, não é?) do governo, quando explicou (sem se rir) que em países de economias mais avançadas que a nossa não havia subsídios de férias nem de Natal. Realmente, sempre achei que não era a forma mais correta de os empregadores retribuírem o trabalho, porque mais não era do que reterem uma parte do salário durante uns meses para só o pagarem ao 6º mês, com o fito de que fosse gasto de imediato, ou seja, de alguma forma voltar a quem o pagou.
Uma melhor alternativa (muito melhor, mesmo) era o pagamento do salário anual em Janeiro! Só um pagamento por ano correspondendo à totalidade do que era pago antes do roubo de 14% agora instituído.
Vem isto a propósito daquele insulto à nossa inteligência feito pelo defesa direito (nº 2, não é?) do governo, quando explicou (sem se rir) que em países de economias mais avançadas que a nossa não havia subsídios de férias nem de Natal. Realmente, sempre achei que não era a forma mais correta de os empregadores retribuírem o trabalho, porque mais não era do que reterem uma parte do salário durante uns meses para só o pagarem ao 6º mês, com o fito de que fosse gasto de imediato, ou seja, de alguma forma voltar a quem o pagou.
Uma melhor alternativa (muito melhor, mesmo) era o pagamento do salário anual em Janeiro! Só um pagamento por ano correspondendo à totalidade do que era pago antes do roubo de 14% agora instituído.
quarta-feira, outubro 19, 2011
Memória recente
Começa a ser necessário rever a Constituição, não tanto para introduzir limitações ao défice, mas para criar uma espécie de contrato em que fique estabelecido que o Presidente tenha de demitir obrigatoriamente os governantes que fizerem este tipo de discursos antes de serem eleitos e reneguem tudo o que disseram depois na governação:
É preciso assumir responsabilidades. E se depois de eleitos encontrarem um mundo que não conheciam, o que têm que fazer é ir de novo a jogo e prometerem o que, informados, achem que podem cumprir, porque assim, como este faz, é mesmo muito feio.
É preciso assumir responsabilidades. E se depois de eleitos encontrarem um mundo que não conheciam, o que têm que fazer é ir de novo a jogo e prometerem o que, informados, achem que podem cumprir, porque assim, como este faz, é mesmo muito feio.
terça-feira, outubro 18, 2011
Carta ao futuro
Olá Tomás,
deixa que te escreva estas palavras, mesmo que ainda as não possas ler. Mas ali, no meio daquele quarteirão de Gente, percebi que ainda há uma possibilidade, mesmo pequenina, de o mundo não ser só aquilo que os novatos aiatolás do liberalismo instalados recentemente no poder querem fazer dele. Sim, era só um quarteirão de Gente, mas já noutros tempos foi assim. Esta Gente sempre foi uma minoria, mas escreve-se com maiúscula. Foram eles também, que há mais de 30 anos, mudaram num dia de Abril um país ainda bem mais triste do que este que estamos a viver. Foram eles, afinal, que que se lembraram de começar a dar escola aos analfabetos, saúde aos doentes e vida aos reformados. Graças a eles foram criadas as conquistas que os jovens aiatolás agora liquidam como os subsídios de férias e de Natal. Foi um tal Vasco, que fazia discursos emocionados em Almada. Talvez, se tudo correr bem, um dia na Escola te venham a falar do tal sujeito. Pelo menos, passou-me isso pela cabeça, quando vi os sorrisos tímidos dos roubados da esperança, dispostos nos passeios feitos margens do rio vermelho que avançava. Aceitavam, sem recusa, os autocolantes e havia neles algum olhar agradecido, quase raiando a inveja de a sua timidez os não fazer saltar, desde já, para a torrente. Mas sabes, nenhum rio é grande quando nasce, é preciso tempo para engrossar e, no fim, não há mais barragens que o possam deter.
Vamos ter que alimentar este rio e chamar de novo ao percurso todos aqueles que não vi hoje por lá. Tive saudades de muitos que conheci em tempos, mas que hoje deviam estar a trabalhar enfiados nos seus consultórios privados e lá não foram. Mas também são Gente de confiança e vão aparecer noutros dias. Podes estar certo que isso vai acontecer e o rio vai ser mar, porque afinal não podes nascer numa terra sem esperança e sem futuro. Tu e os teus amigos merecem que o rio cresça. Vamos fazer por isso e gritar bem alto, porque todos sabemos que «quanto mais calados, mais roubados»
deixa que te escreva estas palavras, mesmo que ainda as não possas ler. Mas ali, no meio daquele quarteirão de Gente, percebi que ainda há uma possibilidade, mesmo pequenina, de o mundo não ser só aquilo que os novatos aiatolás do liberalismo instalados recentemente no poder querem fazer dele. Sim, era só um quarteirão de Gente, mas já noutros tempos foi assim. Esta Gente sempre foi uma minoria, mas escreve-se com maiúscula. Foram eles também, que há mais de 30 anos, mudaram num dia de Abril um país ainda bem mais triste do que este que estamos a viver. Foram eles, afinal, que que se lembraram de começar a dar escola aos analfabetos, saúde aos doentes e vida aos reformados. Graças a eles foram criadas as conquistas que os jovens aiatolás agora liquidam como os subsídios de férias e de Natal. Foi um tal Vasco, que fazia discursos emocionados em Almada. Talvez, se tudo correr bem, um dia na Escola te venham a falar do tal sujeito. Pelo menos, passou-me isso pela cabeça, quando vi os sorrisos tímidos dos roubados da esperança, dispostos nos passeios feitos margens do rio vermelho que avançava. Aceitavam, sem recusa, os autocolantes e havia neles algum olhar agradecido, quase raiando a inveja de a sua timidez os não fazer saltar, desde já, para a torrente. Mas sabes, nenhum rio é grande quando nasce, é preciso tempo para engrossar e, no fim, não há mais barragens que o possam deter.
Vamos ter que alimentar este rio e chamar de novo ao percurso todos aqueles que não vi hoje por lá. Tive saudades de muitos que conheci em tempos, mas que hoje deviam estar a trabalhar enfiados nos seus consultórios privados e lá não foram. Mas também são Gente de confiança e vão aparecer noutros dias. Podes estar certo que isso vai acontecer e o rio vai ser mar, porque afinal não podes nascer numa terra sem esperança e sem futuro. Tu e os teus amigos merecem que o rio cresça. Vamos fazer por isso e gritar bem alto, porque todos sabemos que «quanto mais calados, mais roubados»
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