A resistência à tentação corporativa é agora mais importante do que nunca. É preciso ter abertura de espírito para emendar erros e definir uma estratégia clara de que o pretendido é criar melhor saúde para a população e ao mais baixo custo. A especificidade desta área é que não tem que haver conflitualidade de interesses entre doentes e prestadores, devendo ambos concorrer, num sistema eficiente, no mesmo sentido.
Isso implica, antes do mais, ter em conta a mudança da epidemiologia da saúde e a verificação da importância crescente das doenças crónicas, onde como hoje mais uma vez foi salientado, os cuidados devem ser centrados no doente. Isto é, são eles que devem passar a ser os proprietários dos médicos e não estes que têm os seus doentes. De uma vez por todas, a abominável expressão «o meu doente» deve desaparecer da linguagem dos médicos. São os médicos das várias especialidades, com conhecimentos diversos, que devem procurar entreajudar-se e criar um processo de atuação que resolva o problema do doente específico. É fundamental acabar com doenças bonitas e feias, é imprescindível que quem não sabe resolver, saiba pedir ajuda aos colegas e não tente substituir-se a eles. A comunicação e a transparência de dados e resultados é absolutamente fundamental neste processo.
Da parte dos governos, espera-se a responsabilização para assumir este processo e não a desresponsabilização, a cedência de competências do Estado e mesmo o contributo para a criação de negócios que só beneficiarão alguns e implicarão a criação de cuidados mais caros para o contribuinte pelos impostos ou pelos seguros que terão que contratar.
Não será mais possível manter cuidados em que não há integração entre os cuidados primários e os hospitalares e dentro dos hospitais entre os seus «serviços». O doente no centro da questão é o fim de toda esta estrutura organizativa que serve apenas os prestadores ao dar-lhes títulos para uso individual nas placas dos consultórios e pouco mais.
Organizar um Serviço Nacional de Saúde articulado envolvendo os vários níveis com o apoio das novas tecnologias e uma planificação global de cuidados é o caminho, mostrando com clareza que a Saúde não é um negócio que possa ser deixado à solta nos jogos do mercado. Quem quiser investir a nível privado que o faça, mas por sua conta e risco. Separem-se as águas e haja concorrência, não subsidiação direta ou indireta dos privados pelo sistema público. Não se subfinancie cronicamente o público, para afirmar o seu custo excessivo. Comparem-se custos de sistemas diferentes como vários modelos europeus e os americanos e vejam-se os resultados. Depois faça-se uma escolha esclarecida.
Nisto tudo tem que se fazer uma opção clara: a saúde deve ser paga pelos doentes ou por todos, por estarmos solidariamente empenhados na sua promoção? Há muito se percebeu que ter uma população saudável é um ativo da sociedade e não necessariamente uma despesa. Avance-se pela via certa ou desperdice-se o dinheiro dos contribuintes. Mas não se peça aos médicos que, no curto prazo, não aproveitem as oportunidades que a ineficiência cria.
Um sistema capaz, competente e eficiente será necessariamente um que procura ter nas suas fileiras os melhores médicos e enfermeiros. Procurar mão-de-obra barata numa situação destas apenas terá um resultado, diversão da qualidade para fora do sistema público, deterioração do funcionamento do setor público, ruína deste setor a curto-prazo e pujança crescente do anémico setor privado. Mas isso vai trazer custos muito elevados para a população. Esta é a realidade que alia conjunturalmente prestadores de cuidados e doentes do mesmo lado do combate. Assim o consigam perceber.
segunda-feira, julho 09, 2012
sexta-feira, julho 06, 2012
Enfrasquilhado
Os jotinhas depois de crescido têm a escola toda. Um diz que ainda não leu o acórdão (isto é ainda não falou com o jota máximo nem com o Gaspar) o outro começa por dizer que o TC reconheceu a validade de sacrifícios extraordinários aplicados (como quem diz se me apetecer ainda levam mais). Uma ameaçazita dá sempre jeito para perturbar o inimigo, mas depois tem de cair na realidade e resta-lhe a vendetta (pois, à italiana que isto é mesmo assim): alargar a toda a gente.
Ele alargar a todos até alargaria, que a raiva foi imensa com a decisão. O problema é que o alargamento durante n anos vai colidir com coisas importantes como as eleições. O rapazola desta vez não irá fazer o que lhe apetece. Vai uma aposta?
E depois as brechas já começaram a aparecer. Está mesmo enfrasquilhado!
Ele alargar a todos até alargaria, que a raiva foi imensa com a decisão. O problema é que o alargamento durante n anos vai colidir com coisas importantes como as eleições. O rapazola desta vez não irá fazer o que lhe apetece. Vai uma aposta?
E depois as brechas já começaram a aparecer. Está mesmo enfrasquilhado!
quinta-feira, julho 05, 2012
INCONSTITUCIONAL
Pois é, eu já me tinha indignado a 10 de outubro de 2010
Os funcionários públicos foram discriminados em relação à generalidade da população ou seja foi criado um imposto que apenas os afecta a eles! Ao menos os impostos eram dantes iguais para todos, mas com esta proposta do Governo a coisa mudou. O que mais revolta não é o aumento dos impostos (se vivemos acima das posses alguma vez teremos de pagar), mas esta diferenciação entre portugueses de segunda e de primeira, pois bem mais equitativo seria que tivessem aumentado os impostos da generalidade da população, conseguindo-se dessa forma, possivelmente, que o nível mais baixo de vencimento sobre o qual incidiriam os impostos fosse não 1500 € por mês, mas algo mais elevado, ou reduzir a taxa de imposto a pagar por cada nível salarial. A receita para fazer face à dita crise até seria a mesma!!! Injusto também porque, na verdade, quem vai pagar desta vez a crise é apenas um subsector, que, com alta probabilidade, não foi quem contribuiu particularmente para o défice. Não há moralidade, por isso não pagam todos e, sobretudo, não paga quem o devia fazer.
Tinha também avisado a 13 de outubro 2012.
Foi mais um erro, uma trapalhada do governo, uma obediência ao Alá que os inspira. Espalharam-se!
Andávamos a necessitar de boas notícias.
Mas tivemos mais uma novidade, um Tribunal Constitucional que aceita suspender a Constituição durante um ano!
Os funcionários públicos foram discriminados em relação à generalidade da população ou seja foi criado um imposto que apenas os afecta a eles! Ao menos os impostos eram dantes iguais para todos, mas com esta proposta do Governo a coisa mudou. O que mais revolta não é o aumento dos impostos (se vivemos acima das posses alguma vez teremos de pagar), mas esta diferenciação entre portugueses de segunda e de primeira, pois bem mais equitativo seria que tivessem aumentado os impostos da generalidade da população, conseguindo-se dessa forma, possivelmente, que o nível mais baixo de vencimento sobre o qual incidiriam os impostos fosse não 1500 € por mês, mas algo mais elevado, ou reduzir a taxa de imposto a pagar por cada nível salarial. A receita para fazer face à dita crise até seria a mesma!!! Injusto também porque, na verdade, quem vai pagar desta vez a crise é apenas um subsector, que, com alta probabilidade, não foi quem contribuiu particularmente para o défice. Não há moralidade, por isso não pagam todos e, sobretudo, não paga quem o devia fazer.
Tinha também avisado a 13 de outubro 2012.
Foi mais um erro, uma trapalhada do governo, uma obediência ao Alá que os inspira. Espalharam-se!
Andávamos a necessitar de boas notícias.
Mas tivemos mais uma novidade, um Tribunal Constitucional que aceita suspender a Constituição durante um ano!
quarta-feira, julho 04, 2012
Bosão
Aos poucos Deus encolhe, mirra, perde o emprego da construção do Universo. Fica da dimensão dos nossos medos apenas. Entre Deus e os homens há uma relação inversamente proporcional.
terça-feira, julho 03, 2012
Sem necessidade
Continua a impressionar-me o tropismo dos jornalistas pelas não notícias e a sua olímpica passagem ao lado das notícias. Um relatório recente da OCDE não merece nos nossos jornais de referência duas linhas de texto. Em vez disso, falam de futebol, de campeões europeus de atletismo e (pasme-se a sem vergonha e ignorância) de despesismo na saúde. Depois de ler esta nota da OCDE, fica apenas uma ideia na minha cabeça sobre os cortes orçamentais na saúde. Como dizia o diácono, não havia necessidade!
Ou haverá alguma necessidade também oculta no país opaco.
O empreendedorismo privado na contratação de técnicos (novos manajeiros), as parcerias público-privadas e outros empreendedores poderão ter algo que ver com isto. Denunciá-lo era, apesar de tudo, bem mais útil do que vender papel à custa da denúncia de irregularidades bem menores
Ou haverá alguma necessidade também oculta no país opaco.
O empreendedorismo privado na contratação de técnicos (novos manajeiros), as parcerias público-privadas e outros empreendedores poderão ter algo que ver com isto. Denunciá-lo era, apesar de tudo, bem mais útil do que vender papel à custa da denúncia de irregularidades bem menores
segunda-feira, julho 02, 2012
Um país opaco
No sitio da CGA.pt:
2012-05-14
Consulta do pedido de aposentação
A funcionalidade que permitia obter informação atualizada sobre a tramitação e a duração estimada do processo de aposentação em curso foi descontinuada.
E em vez da transparência exigível, da ordenação publicamente afixada dos pedidos e concessões de reforma, subitamente e sem qualquer explicação a afixação da notícia. Ninguém quer saber por que terá sido descontinuada? Eu gostava, porque a vida das pessoas deve ter um planeamento e nós pagamos impostos para sermos servidos pela administração, não para que esta crie opacidades obscuras, propiciadoras de arbitrariedades e fraudes várias, se não mesmo de corrupção.
Farto, fartíssimo da ausência de transparência, de não saber o que posso esperar para escolher informado, farto de saberes supremos e inacessíveis. Farto de boatos, de indícios, de possíveis golpes. Farto de pagar impostos para ter cada vez menos garantias na saúde, menos educação, mais atrasos nos tribunais, menos regras claras na administração. Farto da cultura de uns sábios que nos dominam com os seus poderzinhos. Farto também das notícias de corrupção dos políticos, quando ela anda em todo o lado, em tudo o que mexe e paralisa este país. Farto de jornalistas que deixam passar a vida real ao lado, para nos venderem as emoções passageiras das suas notícias sem impacto real na vida das pessoas, além da anestesia e diversão do importante que causam nas gentes.
Vivo num país opaco. Cansado.
2012-05-14
Consulta do pedido de aposentação
A funcionalidade que permitia obter informação atualizada sobre a tramitação e a duração estimada do processo de aposentação em curso foi descontinuada.
E em vez da transparência exigível, da ordenação publicamente afixada dos pedidos e concessões de reforma, subitamente e sem qualquer explicação a afixação da notícia. Ninguém quer saber por que terá sido descontinuada? Eu gostava, porque a vida das pessoas deve ter um planeamento e nós pagamos impostos para sermos servidos pela administração, não para que esta crie opacidades obscuras, propiciadoras de arbitrariedades e fraudes várias, se não mesmo de corrupção.
Farto, fartíssimo da ausência de transparência, de não saber o que posso esperar para escolher informado, farto de saberes supremos e inacessíveis. Farto de boatos, de indícios, de possíveis golpes. Farto de pagar impostos para ter cada vez menos garantias na saúde, menos educação, mais atrasos nos tribunais, menos regras claras na administração. Farto da cultura de uns sábios que nos dominam com os seus poderzinhos. Farto também das notícias de corrupção dos políticos, quando ela anda em todo o lado, em tudo o que mexe e paralisa este país. Farto de jornalistas que deixam passar a vida real ao lado, para nos venderem as emoções passageiras das suas notícias sem impacto real na vida das pessoas, além da anestesia e diversão do importante que causam nas gentes.
Vivo num país opaco. Cansado.
domingo, julho 01, 2012
Ritmo sinusal
Ir ao outro lado é começar por ter uma «colega» que protesta porque nunca mais a chamam nem lhe ligam para a vizinha (mesmo sem ela saber o telefone) e ver a diligência da assistente que ao fim de algum tempo lá lhe conseguiu contactar a irmã.
Ir ao outro lado é ser atendido no Balcão e depois de uns «exames» ouvir o colega dizer-lhe, tudo bem pode ir para casa tomar estes comprimidos (mesmo com o coração em excesso de velocidade a mais de 150). Logo a seguir (ainda há vantagens em estar nesta profissão) vem uma colega especialista que muda os planos, altera a medicação e me põe em observação .
Ir ao outro lado é ficar a olhar o gotejo da droga salvadora e tentar espreitar o seu efeito, já desconfiado do êxito pelas experiências anteriores. Enquanto as gotas caem, no grande salão branco, as conversas ocupam enfermeiros felizmente em dia de pouco trabalho. Comenta-se o corte do cabelo, as nuances que matizam o cabelo ruivo que encolheu depois do frisado e recorda-se o casório recente com marido atirado para a piscina e as fotos do corte do bolo já com ele em calças de ganga, t-shirt e havaianas e mais uns pormenores do que se (não) seguiu, mas que importa ele afinalaté nem é moço de bebedeiras, mas naquele dia (logo naquela noite) ficou em estado de disfunção. Até me pareceu que o que mais se lamentava era não ter a fotografia que queria mais tarde recordar, que aquilo de fatiar o bolo sem fato não era muito próprio.
Ir ao outro lado é, depois do falhanço das gotas, subir de nível até uma enfermaria, onde estão estacionados mais cinco «colegas», na média dos 80 anos e sentir, a par da simpatia do trato dos profissionais, o condicionamento das regras. Atado aos fios que registam o ritmo, nada de sair da cama nem para ir à casa de banho. Leio o Expresso e espreito o monitor que não desiste. Dão-me mais umas horas e comida (ao fim de quase meio dia até aquilo se come!). E mais conversas, para animar o princípio de noite, comentando a falta de futuro de alguns dos «colegas» que para ali estão, sem darem conta(será que não dão mesmo?) do espaço nem do tempo, esvaziando os edemas à custa do lasix e a «festa» do anúncio da gravidez já de 4 meses da enfermeira, e eu a pensar que estavas só mais gorda, rapariga.
Ir ao outro lado é chegar de manhã e ouvir a colega, acabada de levantar depois de uma noite santa, sentenciar, não deu, vai dormir um pouco e quando acordar estará tudo resolvido. Ok, pensei vamos lá a isso, que ainda quero ir hoje dar um mergulho. Hora e meia depois, estava regressado, espreitei o monitor e o ritmo era normal. Na pressa do regresso, um levantar mais rápido, fez que mal chegasse ao fim do corredor, os suores voltassem e depois de sentir o vento da correria feita numa cadeira, já só me lembro de ter acordado de pés no ar e cabeça para baixo, com muitas caras ansiosas lá em cima e de novo a confusão dos fios e aos poucos as notícias tranquilizadoras. Ritmo sinusal.
Ir ao outro lado, é continuar de pressão arterial baixa depois de quase 24 horas de cama e drogas, continuar com sensação de desfalecimento de cada vez que me levantava e sentir que tudo se poderia resolver com uma deslocação para obter um doce alívio. Finalmente, deixaram-me ir ao WC proibido pelos regulamentos e voltei novo.
Ir ao outro lado, foi perceber que além da técnica exemplar dos comportamentos, o mal-estar não está descrito nos livros de medicina nem nos cadernos de procedimentos. Há mais realidade para além disso.
Ir ao outro lado é ser atendido no Balcão e depois de uns «exames» ouvir o colega dizer-lhe, tudo bem pode ir para casa tomar estes comprimidos (mesmo com o coração em excesso de velocidade a mais de 150). Logo a seguir (ainda há vantagens em estar nesta profissão) vem uma colega especialista que muda os planos, altera a medicação e me põe em observação .
Ir ao outro lado é ficar a olhar o gotejo da droga salvadora e tentar espreitar o seu efeito, já desconfiado do êxito pelas experiências anteriores. Enquanto as gotas caem, no grande salão branco, as conversas ocupam enfermeiros felizmente em dia de pouco trabalho. Comenta-se o corte do cabelo, as nuances que matizam o cabelo ruivo que encolheu depois do frisado e recorda-se o casório recente com marido atirado para a piscina e as fotos do corte do bolo já com ele em calças de ganga, t-shirt e havaianas e mais uns pormenores do que se (não) seguiu, mas que importa ele afinalaté nem é moço de bebedeiras, mas naquele dia (logo naquela noite) ficou em estado de disfunção. Até me pareceu que o que mais se lamentava era não ter a fotografia que queria mais tarde recordar, que aquilo de fatiar o bolo sem fato não era muito próprio.
Ir ao outro lado é, depois do falhanço das gotas, subir de nível até uma enfermaria, onde estão estacionados mais cinco «colegas», na média dos 80 anos e sentir, a par da simpatia do trato dos profissionais, o condicionamento das regras. Atado aos fios que registam o ritmo, nada de sair da cama nem para ir à casa de banho. Leio o Expresso e espreito o monitor que não desiste. Dão-me mais umas horas e comida (ao fim de quase meio dia até aquilo se come!). E mais conversas, para animar o princípio de noite, comentando a falta de futuro de alguns dos «colegas» que para ali estão, sem darem conta(será que não dão mesmo?) do espaço nem do tempo, esvaziando os edemas à custa do lasix e a «festa» do anúncio da gravidez já de 4 meses da enfermeira, e eu a pensar que estavas só mais gorda, rapariga.
Ir ao outro lado é chegar de manhã e ouvir a colega, acabada de levantar depois de uma noite santa, sentenciar, não deu, vai dormir um pouco e quando acordar estará tudo resolvido. Ok, pensei vamos lá a isso, que ainda quero ir hoje dar um mergulho. Hora e meia depois, estava regressado, espreitei o monitor e o ritmo era normal. Na pressa do regresso, um levantar mais rápido, fez que mal chegasse ao fim do corredor, os suores voltassem e depois de sentir o vento da correria feita numa cadeira, já só me lembro de ter acordado de pés no ar e cabeça para baixo, com muitas caras ansiosas lá em cima e de novo a confusão dos fios e aos poucos as notícias tranquilizadoras. Ritmo sinusal.
Ir ao outro lado, é continuar de pressão arterial baixa depois de quase 24 horas de cama e drogas, continuar com sensação de desfalecimento de cada vez que me levantava e sentir que tudo se poderia resolver com uma deslocação para obter um doce alívio. Finalmente, deixaram-me ir ao WC proibido pelos regulamentos e voltei novo.
Ir ao outro lado, foi perceber que além da técnica exemplar dos comportamentos, o mal-estar não está descrito nos livros de medicina nem nos cadernos de procedimentos. Há mais realidade para além disso.
sábado, junho 30, 2012
Livro das citações
"Os banqueiros tornaram-se os maiores ladrões da história do mundo... a economia global nunca será recuperada enquanto for sangrada até à morte para resgatar balanços de fantasia de instituições e indivíduos cujas pirâmides de papel compram governos e fazem com que o roubo equivalha à produção económica".
Devinder Sharma
Devinder Sharma
quarta-feira, junho 27, 2012
Andar
Só há caminho, não há destino. Rumar para onde? Não, apenas remar. Perdidos. Elogiar o improviso e a sobrevivência é estratégia em vez da vida. Não planear, fazer. Adaptar o erro. Talvez o euromilhões um dia, que não acontece e nem se sabe porquê. Deus nos ajude. Mas ele não se manifesta, se calhar porque não existe. Que se pode pedir à ausência?
E logo o Cristiano poderá ser o seu representante na terra. Ou não, e será crucificado sem piedade nem ressurreição tão perto. Vira demônio depois de acertar noutro poste ou noutra trave.
Que chato eu não gostar de usar cachecóis.
E logo o Cristiano poderá ser o seu representante na terra. Ou não, e será crucificado sem piedade nem ressurreição tão perto. Vira demônio depois de acertar noutro poste ou noutra trave.
Que chato eu não gostar de usar cachecóis.
terça-feira, junho 26, 2012
Perguntas
Será que a Alemanha nos dá hoje alguma coisa sem a qual não pudéssemos sobreviver? Que tal deixar a formiga a trabalhar e nos recusarmos a comprar o produto de tanto «esforço»? De que lhes valerá produzir tanto se não houver umas cigarras a comprarem-lhes o produto? Quem precisa mais de quem?
Perguntas e mais perguntas... mas gostava de ver esta hipótese ensaiada.
Perguntas e mais perguntas... mas gostava de ver esta hipótese ensaiada.
domingo, junho 24, 2012
Da finitude
Cada árvore que seca é um alerta sobre a finitude das coisas. Cada uma leva anos a fazer a sombra sonhada, cada uma que interrompe o caminho, é parte da sombra que se adia e a certeza surge impiedosa, sim, não somos eternos. Temos que fazer da forma certa se quisermos ter a sombra desejada.
terça-feira, junho 19, 2012
O tempo perdido dos dias
O tempo perdido dos dias, que se escoa sem retorno nem regresso, escondendo a vida que não se recupera, enchendo a sensação de inutilidade que vamos tendo. De cada vez que acontece, mais um pouco fica o tédio deste tempo. Para onde se vai? Desde há muito que não há rumo, não há aquele horizonte onde o sol ia nascer e o tempo se encheu de nuvens opacas que nos tapam o amanhã. Marcamos passo e, como os ratos nas rodas das gaiolas, temos a sensação de movimento sem nos mexermos e ficamos, cada vez mais, exaustos. Por isso me perguntam, o que é que a gente há-de fazer, numa confissão de desesperança ilimitada. Já não há nada para esta gente que não gosta, mas não muda. Fica. Morre sem perder grande coisa, porque, no final das contas, nunca chegou a viver de verdade. Iludidos nos golos do génio da bola, pisam a buzina afirmando a vida que não têm. Ao menos, poderiam, como os mortos, dar-nos o ruído do silêncio.
Será que a França? Mas é apenas um aflorar na superfície das águas no desespero do naufrágio, esbraceja-se até que a vaga tudo engula. Possivelmente. Talvez um dia o big-bang.
Será que a França? Mas é apenas um aflorar na superfície das águas no desespero do naufrágio, esbraceja-se até que a vaga tudo engula. Possivelmente. Talvez um dia o big-bang.
sexta-feira, junho 15, 2012
Dias recentes
Depois de uma viagem rápida embalado pela «Máquina de fazer espanhóis», reencontrei Filadélfia na tarde de 8 de Junho depois da penosa espera que sempre é a entrada nos EUA. O medo do mundo mantém-se, desconfiados das pessoas, registam impressões digitais e fotografam-nos os olhos, como se tivéssemos alguma doença transmissível, pesquisando o vírus dos estrangeiros. De cada vez sinto que mereceriam que lá não fossemos.
Pelas ruas encontra-se o desleixo habitual agora salpicado por zombies a expelir o resto dos gases do Iraque e de outros lugares. Vagueiam perdidos na vida, procurando some change, numa mudança que não surge.
O contraponto é a capacidade de organizar e ter uma reunião como a da American Diabetes Association, que deixa a sensação de não valer a pena ir a outras para se estar atualizado no assunto. É a mesma sensação de não haver justificação de visitar mais igrejas depois de conhecer S Pedro.
Os fabulosos doentes portugueses, mais uma vez, me presentearam com sensações de boémia no Victor Café e o luxo do XIX e do Davio's. Pena, o vazio desacompanhado.
Ao longe a Espanha preocupou-os, mas a bolsa disparou; ao longe, fiquei feliz porque Portugal perdeu com a Alemanha, dando a esperança de que alguma coisa possa ser mais relevante que o futebol para que a Europa nos respeite ao contrário da sugestão de um miserável anúncio que aí anda.
Ainda houve tempo para contactar o passado tranquilo e camponês dos Amish numa volta pelo Lawrence Country. Os cavalos puxam charruas nos campos, as carroças correm no alcatrão e parece que não há wi-fi. Outras rotações num mundo de pressa. Por momentos, estive em fim de semana no Alentejo.
Na chegada o mesmo do costume. Se ganharem à Dinamarca, serão os maiores, se não, logo se ajustarão contas com o treinador e o outro que só joga no Real. Pronto, ganharam, aumentando os riscos da anestesia. Já ninguém fala do Relvas? Os costumes não serão tão brandos como se costuma pensar, mas, seguramente, dá-lhes forte, mas passa-lhes depressa.
A sensação que me fica é de não pertencer aqui nem lá, ou aqui e lá ao mesmo tempo. Tudo a que pertencemos são acasos a que mais ou menos nos prendemos.
Pelas ruas encontra-se o desleixo habitual agora salpicado por zombies a expelir o resto dos gases do Iraque e de outros lugares. Vagueiam perdidos na vida, procurando some change, numa mudança que não surge.
O contraponto é a capacidade de organizar e ter uma reunião como a da American Diabetes Association, que deixa a sensação de não valer a pena ir a outras para se estar atualizado no assunto. É a mesma sensação de não haver justificação de visitar mais igrejas depois de conhecer S Pedro.
Os fabulosos doentes portugueses, mais uma vez, me presentearam com sensações de boémia no Victor Café e o luxo do XIX e do Davio's. Pena, o vazio desacompanhado.
Ao longe a Espanha preocupou-os, mas a bolsa disparou; ao longe, fiquei feliz porque Portugal perdeu com a Alemanha, dando a esperança de que alguma coisa possa ser mais relevante que o futebol para que a Europa nos respeite ao contrário da sugestão de um miserável anúncio que aí anda.
Ainda houve tempo para contactar o passado tranquilo e camponês dos Amish numa volta pelo Lawrence Country. Os cavalos puxam charruas nos campos, as carroças correm no alcatrão e parece que não há wi-fi. Outras rotações num mundo de pressa. Por momentos, estive em fim de semana no Alentejo.
Na chegada o mesmo do costume. Se ganharem à Dinamarca, serão os maiores, se não, logo se ajustarão contas com o treinador e o outro que só joga no Real. Pronto, ganharam, aumentando os riscos da anestesia. Já ninguém fala do Relvas? Os costumes não serão tão brandos como se costuma pensar, mas, seguramente, dá-lhes forte, mas passa-lhes depressa.
A sensação que me fica é de não pertencer aqui nem lá, ou aqui e lá ao mesmo tempo. Tudo a que pertencemos são acasos a que mais ou menos nos prendemos.
quarta-feira, junho 06, 2012
NÃO HÁ PACIÊNCIA
É o que dá ser-se primeiro ministro num país sem serviços de informação capazes. Fica-se mal informado e na meditação dos gabinetes não se sente o pulsar das gentes. É que, na verdade, NÃO HÁ PACIÊNCIA!
Não há paciência para a virtude do desemprego crescente, não há paciência para a esquizofrenia da religião deste governo, não há paciência para ministros a discursarem a 15 rotações, não há paciência para assistir sentado à destruição do Serviço nacional de Saúde onde se propõe a contratação de médicos apenas pelo critério dos que forem mais baratos, não há paciência para a praça da jorna que a sua ignorância não imagina o que seja, não há paciência para continuar a ver as empresas a falir, não há paciência para contemplar o definhamento da economia, não há paciência para as miseráveis cantinas sociais, não há paciência para ver os advogados contorcionistas a brincarem à justiça inexistente, não há paciência para mais escolas a não ensinar, não há paciência para ver um governo que não governa, que esmaga, que mata com a sua ideologia fundamentalista um país.
Não há paciência para nos chamarem piegas, não há paciência para nos mandarem emigrar, não há paciência para nos darem a suprema oportunidade de estar desempregado.
Paciência já não há, mas ainda não chegou a impaciência, o que é diferente, mas não tardará.Atordoado o mar recua, antes da onda gigante chegar, senhor vá elogiar o raio que o parta e vai ser lindo quando ela cá chegar levando tudo à frente, sobretudo os seus discursos do elogio da paciência.
Não há paciência para a vossa cultura de uma cartilha lida à pressa, o vosso livrinho não sei de que cor será, por muito que o agitem, os seus dogmas não vão resolver nada. Simplesmente, sinto, que não há paciência. Acabou.
Não há paciência para a virtude do desemprego crescente, não há paciência para a esquizofrenia da religião deste governo, não há paciência para ministros a discursarem a 15 rotações, não há paciência para assistir sentado à destruição do Serviço nacional de Saúde onde se propõe a contratação de médicos apenas pelo critério dos que forem mais baratos, não há paciência para a praça da jorna que a sua ignorância não imagina o que seja, não há paciência para continuar a ver as empresas a falir, não há paciência para contemplar o definhamento da economia, não há paciência para as miseráveis cantinas sociais, não há paciência para ver os advogados contorcionistas a brincarem à justiça inexistente, não há paciência para mais escolas a não ensinar, não há paciência para ver um governo que não governa, que esmaga, que mata com a sua ideologia fundamentalista um país.
Não há paciência para nos chamarem piegas, não há paciência para nos mandarem emigrar, não há paciência para nos darem a suprema oportunidade de estar desempregado.
Paciência já não há, mas ainda não chegou a impaciência, o que é diferente, mas não tardará.Atordoado o mar recua, antes da onda gigante chegar, senhor vá elogiar o raio que o parta e vai ser lindo quando ela cá chegar levando tudo à frente, sobretudo os seus discursos do elogio da paciência.
Não há paciência para a vossa cultura de uma cartilha lida à pressa, o vosso livrinho não sei de que cor será, por muito que o agitem, os seus dogmas não vão resolver nada. Simplesmente, sinto, que não há paciência. Acabou.
terça-feira, junho 05, 2012
Finais
O fim do dia no dia em que surgem rumores que o fim dos dias de outros será bem mais negro e gelado. Faz agora um ano que chegaram «com pés de veludo» e, no fim deste tempo, começa a «manada» a manifestar intolerância para ser mais sugada. A ver vamos, dizem os cegos.
segunda-feira, junho 04, 2012
Um mês passou
Já passou mais de um mês desde a última vez que cá vim. Porquê? Porque tudo isto é um tédio de relvas mal cortadas, daninhas como o escalracho. Proliferam por mais que a enxada sobre ele desça e nem com forquilhas de dentes fortes e curvos é possível limpar a terra. Resta uma última opção, a guerra química, a liquidação total deste estado de coisas e recomeçar de novo em terra nova. Claramente, velho de mais para a migração, ando entre as gotas de água que não chove, recriando ilusórios ambientes de fertilidade que não existem nesta seca continuada dos dias.
Neste intervalo passei por Florença, uma senhora sempre digna, usada e velha, mas onde sempre se encontra nobreza. Lá houve tempos daquilo que vai ficar depois do tempo, o único bem sobrevivente, a arte. Não os donos da arte, que esses perecem por mais que afixem os nomes junto das oferendas, pois ninguém visitaria um museu para lhes ler os nomes, vamos lá para ver o que possuíram e reavermos aquilo que em dias nos usurparam, a arte.
E lá soube de uma festa que houve em França. Esta gente sempre acredita na mudança até que a mudança tem de novo que ser mudada, porque os tempos mudam e os que mudaram, sempre voltam ao modo antigo, igual e chato. Durante uns tempos, há uma esperança, porque essa é a última a morrer, mas depois a realidade é como o azeite e ascende triunfante.
Bom ver, que regressado, apesar da seca, as oliveiras não morreram todas. Até projetos de azeitonas já mostram para meu convencimento do sonho que nos leva. A realidade da economiazinha é desprezível junto ao sonho. É claro que as azeitonas compradas numa das casas dos merceeiros nacionais serão sempre mais baratas que estas hão-se ser, mas isso nada quer dizer. Estas têm momentos de vida, de plantação, rega, adubação, história, trabalho. Nem um momento de irrealidade, especulação. Ali tudo existe. Nada é religião de Angelas Doroteias ou de vítores com nome de magos.
Cada vez mais, só isso me compensa num desejo de retiro.
Neste intervalo passei por Florença, uma senhora sempre digna, usada e velha, mas onde sempre se encontra nobreza. Lá houve tempos daquilo que vai ficar depois do tempo, o único bem sobrevivente, a arte. Não os donos da arte, que esses perecem por mais que afixem os nomes junto das oferendas, pois ninguém visitaria um museu para lhes ler os nomes, vamos lá para ver o que possuíram e reavermos aquilo que em dias nos usurparam, a arte.
E lá soube de uma festa que houve em França. Esta gente sempre acredita na mudança até que a mudança tem de novo que ser mudada, porque os tempos mudam e os que mudaram, sempre voltam ao modo antigo, igual e chato. Durante uns tempos, há uma esperança, porque essa é a última a morrer, mas depois a realidade é como o azeite e ascende triunfante.
Bom ver, que regressado, apesar da seca, as oliveiras não morreram todas. Até projetos de azeitonas já mostram para meu convencimento do sonho que nos leva. A realidade da economiazinha é desprezível junto ao sonho. É claro que as azeitonas compradas numa das casas dos merceeiros nacionais serão sempre mais baratas que estas hão-se ser, mas isso nada quer dizer. Estas têm momentos de vida, de plantação, rega, adubação, história, trabalho. Nem um momento de irrealidade, especulação. Ali tudo existe. Nada é religião de Angelas Doroteias ou de vítores com nome de magos.
Cada vez mais, só isso me compensa num desejo de retiro.
quinta-feira, maio 03, 2012
Pós abril e maio
Era num misto de esperança e medo que diziam, naqueles tempos, esse é do contra, quase como se, o facto de os conhecerem, lhes pudesse pôr em risco alguma coisa. Esta gente sempre gostou de estar acomodada, cobardemente sossegada à espera da mudança. E a mudança chegou numa madrugada já distante, ou melhor, a esperança da mudança, porque o medo da mudança rapidamente gerou desconfiança relativamente aos que eram do contra e agora tinham mudado tudo. Aí a cobardia de mudar da maioria silenciosa procurou soluções que pouco mudam e assim tem sido já lá vão mais de 30 anos, uma geração, em que o alterne tem dominado e levou isto ao estado de coisas a que se chegou. Quero nesta altura dizer a esses que não querem mudar que ao menos parem de me enviar mensagens eletrónicas em que, alternadamente, vão dizendo mal, ora de uns ora dos outros e votam ora nos outros, ora nos uns rumo ao abismo, quando o caminho necessário é rumar para o futuro.
Chega de preguiça, de superficialidade, de pouco trabalho e de ser mediocremente do contra. Basta de ter medo de mudar! É tempo de ser do outro contra, a favor da esperança e das pessoas para que a primavera, ainda que tardia, possa florescer. E, é claro, que se lixe a santa economia, essa a liberal, porque, afinal, economias há muitas!
Chega de preguiça, de superficialidade, de pouco trabalho e de ser mediocremente do contra. Basta de ter medo de mudar! É tempo de ser do outro contra, a favor da esperança e das pessoas para que a primavera, ainda que tardia, possa florescer. E, é claro, que se lixe a santa economia, essa a liberal, porque, afinal, economias há muitas!
terça-feira, maio 01, 2012
Dia de quebrar as cadeias
Com manobras destas, de legalidade até duvidosa (dumping?), conseguem publicidade gratuita em horário de telejornal, mas acima de tudo maculam um dia que deveria ser de festa popular, convertendo-o em dia de consumo idiota.
São estes «donos de Portugal» que nos levaram onde estamos. É urgente despertar, identificar com rigor o poder político que os mantém e dar o chuto piedoso a uns e a outros. Não é de intermediários que necessitamos, mas de trabalho sério e produtivo.
Ouçamos e cantemos:
Ouçamos e cantemos:
quarta-feira, abril 11, 2012
MAC
São as pessoas e não os edifícios que fazem os centros de excelência. Edifícios excelentes não criam excelência se não tiverem as pessoas certas, mas edifícios deficientes limitam-na ainda que tenham as pessoas melhores.
Num edifício onde nascem bebés todos os dias, não é estranho que «mudança só a queiram os bebés que têm a fralda molhada» (M Twain)
domingo, abril 01, 2012
Pão e LIberdade
Há sorrisos que têm esperança, mesmo sem terem qualquer garantia que, o esperado, algum dia venha a chegar. Mas eram sorrisos generosos, enérgicos, conhecedores das dificuldades e que acreditavam. Hoje, vejo outros, mais esgares que sorrisos, feitos para serem registados numa câmara numa deseperada tentativa de representarem felicidade do objetivo ultrapassado. São sorrisos, muitas vezes, plenos de sofrimento, feitos só para o registo porque o conseguido, convencionalmente, mereceria ser celebrado com um sorriso ainda que ele não originado de forma espontânea, mas mais de um desabafo, quase com raiva algumas vezes. Falta-lhes a esperança que animava a vida, porque as realizações eram coletivas e sabia-se para onde se caminhava, bem acompanhado, nunca sozinho. Deve ser essa solidão que substituiu os sorrisos pelos esgares sorridentes.
Reparei na diferença ao olhar este cartaz de John Heartfield na Tate Modern.
Reparei na diferença ao olhar este cartaz de John Heartfield na Tate Modern.
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