quinta-feira, janeiro 12, 2012

Otimistas

Saiu, esbaforido, a berrar do balcão de atendimento do serviço de Imagiologia. Perguntou para quando estava marcada a ressonância magnética e a resposta saiu rápida, sabe-se lá, isso está tudo atrasadíssimo. Mas uma ideia, insistiu (quereria planear a sua vida). Temos aí alguns pedidos com mais de 2 anos, foi a resposta triunfante do outro lado. Desabafou, desiludido e meio incrédulo, sacudindo a cabeça, isto é um país... E eu ouvi e pensei: é? E percebi, então, que ainda há otimistas na terra.

quarta-feira, janeiro 11, 2012

Barbárie

Depois de ter em tempos proposto a suspensão da democracia, agora vai mais além e propõe que se suspenda a vida a quem não tenha dinheiro para a pagar.

segunda-feira, janeiro 09, 2012

Esta vida não é para velhos

Vive-se a crédito até nas coisas simples. O conteúdo pouco vale, importante é o que ainda é potencialmente adquirível. Só o que está fora é valioso na esperança sempre irrealizável de vir a ser adquirido. Só se olha para fora. Não é a realidade da coisa, mas o crédito que se lhe atribui de potencial desenvolvimento. Acontece que, com o envelhecimento, inexoravelmente, o potencial de crescimento se reduz cada vez mais e de pouco ou nada vale o conhecimento que se acumulou. Delicia-mo-nos com aquilo que possivelmente nunca teremos. Daí tanta importância atribuída a uma criança acabada de nascer, mesmo que absolutamente incompetente (se excluirmos o comer, o chorar e o resto mal cheiroso) e o tanto enfado que os idosos quase sempre despertam (esquecida a desaproveitada cultura sempre passada de moda de que estão cheios).
Desde a primeira consulta, tinha o pai 86 anos, que sempre me mostrou desconfiança pela necessidade de investimento. Valeria a pena operar? Valeu. Agora nos controlos anuais, sempre o mesmo ar de que afinal ainda viemos mais uma vez e uma quase angústia de até quando ainda terá de acompanhar o pai. Incómodo, chatice. Isto não acaba? A tensão está boa, o colesterol também, não engorda e nem o cancro da próstata cumpre a missão. Desta vez disse mesmo, com ar perto de lamento, o PSA dele? está melhor que o meu... o urologista até lhe vai parar o medicamento. Está com 96 anos e sem sinais de demência, é um homem vulgar, banal e percebe, com toda a certeza, todo este tipo de interesse do seu filho.
Tem dias, que esta é uma vida de andar aos tiros.

sexta-feira, janeiro 06, 2012

O discurso da saúde é uma fraude!!!

É simplesmente confrangedor assistir ao espetáculo de uma oposição enredada em discursos patéticos desinseridos da realidade, imediatos e oportunistas e deixarem passar ao lado questões verdadeiramente fundamentais como a destruição sistemática que está a ser feita do Serviço Nacional de Saúde. As grandes conclusões do relatório recente da OCDE (analisado por Francisco Ramos recentemente) deveriam estar a  ser publicado nos outdoors de todo o país, deveríamos estar a explicar pacientemente a todos os cidadãos o crime social que está em curso. A despesa em percentagem do PIB está estável nos últimos 10 anos!!!
A INSUSTENTABILIDADE DO SNS É UMA OPÇÃO POLÍTICA RESULTANTE DE UM SUBFINANCIAMENTO ASSUMIDO PARA FACILITAR A ENTRADA E DOMÍNIO DOS GRANDES GRUPOS PRIVADOS NA SAÚDE.
A saúde pode e deve continuar a ser gratuita (deve suprimir-se o tendencioso tendencialmente). É uma barbaridade a afirmação, muito ouvida recentemente, que os mais ricos devem pagar as despesas com a sua doença. O que os mais ricos (tanto os sãos como os doentes) devem pagar é mais impostos em proporção da sua riqueza,  mas não serem penalizados pagando a sua saúde quando estão doentes. O princípio geral é que as despesas da saúde são pagas pelos Impostos e que DEVEM SER OS SÃOS A PAGAR A SAÚDE DOS DOENTES. Isso é um Estado solidário. Isso é o que querem emagrecer e destruir.
Aliás, não se vê invocar que os mais ricos paguem tendencialmente mais pelos livros escolares, pelas propinas, pelos transportes públicos, pela generalidade dos Serviços Públicos. Só pela Saúde, porque será? PORQUE ESTE É O NICHO DE NEGÓCIO QUE LHES IMPORTA ESTIMULAR, não por qualquer necessidade económico-financeira, mas por uma opção política de favorecimento aos grupos que mandam neles. Se calhar bem menos importante que ser da maçonaria ou não, será ter sido e possivelmente no futuro voltar a ser, líder do setor da Saúde de um Banco privado. Conflito de interesses poderá ser isso!
Será que não se consegue explicar isto à generalidade das pessoas?

terça-feira, janeiro 03, 2012

Vendilhões

Pin-go do-ce... foi pra lá.... (com música de fundo, sff)
Nada de novo, já assim era em 1385. Clero, Nobreza e Povo. Quem capitulou ao longo da História perante o inimigo estrangeiro? O Povo resistiu, o Clero rezou, sempre os mesmos traíram. Não chega efetivamente ser rico...
«Toda a história passada foi a história das lutas de classes e estas classes em luta são sempre o produto dos modos de produção e de troca, numa palavra, das condiçõeseconómicas do seu tempo».
Continua: eles de um lado, nós do outro, porque a história continua. E pode ser Aljubarrota ou uma janela aberta, mas a vitória é certa, mais cedo ou mais tarde.

segunda-feira, janeiro 02, 2012

Do Tempo e seus desejos

Há no parto de cada ano esta tendência para o exagero do desejo, Bom Ano, ao contrário do singelo e limitado, Bom dia, de todos os dias.  Com efeito, um ano é muito tempo para se desejar de uma só vez, nem se consegue perceber o tamanho. De de tal forma assim é que foi partido em meses, que ninguém deseja, em semanas, de que só desejamos o bom fim e dias que é aquilo que geralmente dá para desejar, mesmo que seja à noite. Ainda há desejos específicos para grávidas em fim de tempo, bem mais modestos, Uma boa horinha, que, curiosamente, na maior parte dos casos acaba por ser uma data de horas e, não poucas vezes, termina em cesariana de alguns minutos.

terça-feira, dezembro 27, 2011

Factos e mitos

Como é que a economia que mais cresce no mundo, consegue viver sem bancos privados? Na http://pt.wikipedia.org/wiki/Economia_da_Rep%C3%BAblica_Popular_da_China:
A maior parte das instituições financeiras da China é estatal, e 98% das ações bancárias também são estatais. Os instrumentos que comandam as políticas fiscais e financeira são controlados pelo Banco Popular da China e pelo Ministério das Finanças, ambos controlados pelo Conselho de Estado. O Banco Popular da China substituiu o Banco Central da China e gradualmente tomou o controle de bancos privados. O banco cumpre muitas funções de outros bancos centrais ecomerciais. O banco também emite a moeda, controla sua circulação e desempenha a função importante de cobrir os disparidades orçamentais. Ademais, o banco administra as contas, os pagamentos e os recebimentos de organizações governamentais e de outras instituições, que permite ao banco de exercer uma total supervisão sobre os seus desempenhos financeiros e gerais que estão sob consideração aos planos econômicos do governo. O banco também é responsável pelo comércio exterior e outras transações estrangeiras. As remessas de capital parachineses no exterior são gerenciadas pelo Banco da China, que tem várias ramificações em muitos países.
Pelos vistos um estado superobeso detentor e gestor de bancos sem a força impulsionadora dos mercados, consegue melhor desempenho que  um estado elegante que passa a vida a necessitar de impostos e austeridade para os seus cidadãos para não deixar  bancos privados empreendedores irem à falência no sacro-santo mercado.

Ponto de viragem

Dentro de certos limites...
a) o stress melhora o desempenho
b) o débito cardíaco aumenta se o comprimento da célula cardíaca for maior na diástole
c) aumentando os impostos a receita do estado aumenta
São várias as curvas em que os resultados sobem até um determinado ponto a partir do qual se instala a rotura e a falência, por vezes irreversível. Pois é, a certo momento a água começa a borbulhar, deixa de estar quieta, deita por fora e não vale a pena tapar a panela, porque aí, é ela que rebenta.

segunda-feira, dezembro 26, 2011

Para confirmar depois

Já todos tínhamos ouvido algo semelhante dito pelos partidos fora do arco do poder (acho deliciosa esta designação meio pimba e com sabor a marchas populares, mas prefiro chamar-lhes partidos do alterne)
Deixo o link para o Público:
http://economia.publico.pt/noticia/para-sair-da-crise-e-preciso-romper-com-a-troika-e-obrigala-a-renegociar-a-divida-1526489
A publicação pode ser um sintoma de que algumas dúvidas começam já a minar as estruturas para os lados de D. Belmiro.
No fundo, é algo para se testar a validade dentro de meses.

sábado, dezembro 24, 2011

Pausa

Por mais que queiramos passar ao lado, há datas que nos marcam e nos despertam a memória e os registos. Há um ambiente opressivo à volta delas. Nestas alturas, imagino sempre as dificuldades dos que estão fora do conceito e  a forma irritada como devem ouvir falar da paz e do amor. Já não os conhecem há tempos na sobrevivência que lhes resta. Importaria haver algum pudor que os poupasse ao confronto. se as desigualdades e injustiças podem desconfortar os que não as têm, pode imaginar-se (será que se pode mesmo?) o desconforto que determinarão nas vítimas.

quinta-feira, dezembro 22, 2011

Prendas de Natal e todo o ano

A promessa era cortar na despesa e diminuir a receita. Só que não esclareceram quem era o sujeito da frase. O programa vai ser cumprido, o sujeito éramos nós: vamos cortar nas nossas despesas e reduzir as nossas receitas. Começou por 1/2 14º mês, continuou com o 13º e 14º (versão completa) e agora menos a receita de 23 dias de trabalho. Ou seja, o 12º mês também já lá vai. Quando reagiremos? Depois do 11º? do 10º? do 9º?.... Quando? Jornada de trabalho de sol a sol? Fila diária para nos darem trabalho nesse dia?
Será este o caminho?
Industries such as the cotton trade were particularly hard for workers to endure long hours of labour. The nature of the work being done meant that the workplace had to be very hot, steam engines  contributing further to the heat in this and other industries. Machinery was not always fenced off and workers would be exposed to the moving parts of the machines whilst they worked. Children were often employed to move between these dangerous machines as they were small enough to fit between tightly packed machinery. This led to them being placed in a great deal of danger and mortality (death rates) were quite high in factories. Added to the dangers of the workplace also consider the impact of the hours worked. It was quite common for workers to work 12 hours or more a day, in the hot and physically exhausting work places. Exhaustion naturally leads to the worker becoming sluggish (slow), which again makes the workplace more dangerous.
Not all factories were as bad as the scenario highlighted above. Robert owen and Titus salt  for example were both regarded as good employers in this respect. They were amongst a group of people who were known as reformers. These people wanted changes to the way that factories were run. They faced opposition from other mill owners who knew that reforms would cost them money and give the workers more rights. (They wanted to make as much profit as possible remember, that is the purpose of manufacturing in a capitalist country).
The reformers gradually managed to force changes to the way that workers were treated. Some of these reforms are listedbelow.
Factory Act 1819Limited the hours worked by children to a maximum of 12 per day.
Factory Act 1833Children under 9 banned from working in the textiles industry  and 10-13 year olds  limited to a 48 hour week.
Factory Act 1844Maximum of 12 hours work per day for Women.
Factory Act 1847Maximum of 10 hours work per day for Women and children.
Factory Act 1850Increased hours worked by Women and children to 10 and a half hours a day, but not allowed to work before 6am or after 6pm.
1874No worker allowed to work more than 56.5 hours per week.
Em: 
http://www.schoolshistory.org.uk/IndustrialRevolution/workingconditions.htm
Tudo isto será porque o trabalho liberta?



quarta-feira, dezembro 21, 2011

Tempos ordinários

Vieram um dia e levaram-nos os meses extraordinários... eu disse, mas muitos não disseram nada, porque não eram funcionários públicos;
Vieram noutro dia e levaram as horas extraordinárias... eu disse, mas muitos não disseram nada, porque não eram médicos;
Virão outro dia roubar-nos os dias... já ninguém dirá nada, porque já todos emigraram?
Vão ordinários estes tempos de vertigem acelerada até ao vazio.

segunda-feira, dezembro 19, 2011

Obviamente, demita-se!

Quando tudo o que um Primeiro Ministro tem para resolver os problemas dos seus cidadãos é sugerir-lhes que emigrem, o que está a afirmar e a pedir-lhes é que vão ser governados por outros mais competentes e capazes de lhes assegurarem o bem-estar, ou seja, está a declarar-se incompetente para o cargo e a pedir que o substituam.
Se o seu programa de governo enquanto candidato era um e agora o que propõe é o inverso do prometido e na base do que foi eleito e chega ao ponto de pedir aos cidadãos que emigrem, apenas lhe resta uma saída: Demita-se! Assuma a mentira.

domingo, dezembro 18, 2011

Solidão

Ficar assim ao fundo da escada, esperando com o olhar vago de possivelmente já nada mais vir a acontecer além da espera inútil e sentir a inutilidade do movimento. Porque esse só tem sentido, quando há um sentido para a marcha. E fica-se à espera de nada acontecer até um tempo qualquer.

sexta-feira, dezembro 16, 2011

eMundo

Em poucos dias dois episódios no fundo semelhantes. Primeiro, a conversa de José Sócrates, agora a posição de Pedro Nuno Santos. Semelhantes, não pelo conteúdo ou importância das posições (e pessoalmente, sempre detestei discursos politicamente corretos, unanimistas, de ir com as outras), mas nas circunstâncias em que foram proferidos. Trata-se de reuniões de grupo em que os ouvintes se supõe estarem do mesmo lado do orador, em que deveria, por isso, haver alguma parcimónia na divulgação e solidariedade na posição. Mas, quer num caso quer no outro, não foi isso que aconteceu e, quem deveria ser aliado, traiu quem falou, deu armas ao inimigo ou como também se dizia, bufou. Para os mais novos chibou.
Pode isto acontecer apenas pela vontade incontrolável de ser repórter, dar a notícia, pôr no youtube, criar som e ficar com a alegria incontida de ter causado uma onda no pântano. Pode a coisa ser mais nojenta e imunda e haver infiltrados, verdadeiros bufos entre a assistência nestas reuniões, prenunciadora de um regresso a algum passado e nesse caso é ainda mais preocupante. Mas de uma maneira ou de outra, a consequência poderá ser o fim da liberdade de expressão, a auto-censura do que dizemos, porque temos de desconfiar dos parceiros que julgamos serem nossos camaradas. E vamos dizer com cuidado, o que tira necessariamente algum grau de veracidade ao que dizemos. Todos vamos ficar a saber menos do que poderíamos saber nas conversas de amigos. Pode sempre haver um telemóvel de câmara ligada neste eMundo.

quinta-feira, dezembro 15, 2011

Os dias dos anos

Ao princípio é ao dia, depois à semana e ao mês, finalmente aos anos. Há aqueles momentos em que a década muda e se entra nos inta e depois nos enta. Depois, enfim, até aos cem não se passa nada e nessa altura também, quase sempre nada se passa. Na maioria dos casos, somos nós que já passámos.
Passam assim estes dias como dias de todos os dias, só perturbados pelas linhas encontradas no facebook em que os automatismos acordam os conhecidos.
E pronto, já está mais um dia passado, que foi mais um ano. E de ano em ano nos vamos encontrando nalguma deceção do que não acontece, aqui e além interrompidos por alguns salpicos de sorriso. Há sobretudo uma grande acalmia que os anos dão a estes dias.

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Slow

A cidade vai ficando mais ao longe quando nos reencontramos aqui, onde os vizinhos se conhecem (porque vivem mais distantes e o espaço lhes dá a liberdade dos encontros?) e as experiências se trocam em diálogos lentos de comunicação e entreajuda, com vista a ultrapassar as dificuldades comuns que encontramos. De um vem uma ideia, de outro um conhecimentos porque a ideia já foi experimentada, do outro um alerta porque existe um perigo não imaginado e, no fim do dia, há uma cultura que cresce. Cultiva-se com o saber de experiências feito, com aquilo que se ficou a saber depois de nos esquecermos do que aprendemos. Há uma solidez que emerge da realidade e não uma imagem que cresce de um mundo virtual. A gente aqui é de carne e osso, não tem sempre sorrisos e umas vezes ganha e outras perde, porque a vida é esse jogo em que se não vence sempre. É-se, não se parece. Mas nisto da vida mais vale ser mouro do que mourinho. Assim se é especial, na realidade. Para nos encontrarmos temos de ter o tempo de nos sentirmos e andar a 10 km/h é a melhor maneira de perceber todos os centímetros.

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Bloqueio comercial

Não me seduz grandemente comprar português, mas começo a achar ser urgente boicotar o que é alemão. Até para que a Imperadora e seu povo trabalhador sejam obrigados a consumir o que produzem e não tenham tanta razão de queixa de quem lhes deve. Nessa altura pensarão renegociar os custos...

quinta-feira, dezembro 01, 2011

Há sempre caminhos novos

outros caminhos que nos vêm do frio. Esta será apenas uma das alternativas que nos têm vindo a esconder? Está  a chegar a hora de os procurarmos.