domingo, novembro 20, 2011

Conto da planície I


Viu com contornos precisos o homem que apareceu no cimo da colina, com passo firme e destino determinado. Caminhava naquele fim de tarde, vestindo desportivamente, mal deixando perceber algo que lhe pendia do ombro. Esfregou os olhos para ver melhor e, claramente, era uma corda grossa de sisal, daquelas que vira usar a prender carradas de mato nos carros que povoaram a sua infância puxados por vacas em chiadeira intensa serra abaixo. Mas era mais curta, bem mais curta. Nesse instante, lembrou-se do vento suão e sorriu na antecipação da brisa a varrer-lhe a face. Há momentos em que o espaço nos envolve e voltamos ao útero por instantes. Pelo menos imagina-se que o útero assim deva ser, apesar de ser impossível confirmar por razões óbvias a evidência da coisa.
E o homem continuava a descer, na encosta, determinado. Olhava-o e ansiava perceber o que lhe iria na cabeça, mas não conseguia perceber o que diziam os olhos à distância a que estava. É nos olhos que deciframos o mais fundo da alma ou os segredos bem guardados. Mas estavam tão longe que nem com a tele de 800 mm lá conseguia chegar. Quando estava quase enquadrado, a distância desfocava a imagem e a mudança de posição fazia perder o objeto. Houve ali uns instantes de desnorte com o objeto a fugir para fora da mira. Felizmente, momentos breves, que quebravam a sequência mas não a história. A sequência temporal das fotos deixa perceber a narrativa. Continuava a avançar sempre na mesma direção. Acontece algumas vezes nestes casos que a distância até ao destino que se não adivinha parece tender para o infinito. É sempre longo o caminho que se não conhece, porque tem a distância das dúvidas e a incerteza da chegada alguma vez. E mais ainda é para quem vê andar do que para quem anda. Fica-se sempre a perguntar, para onde raio é que ele vai. O desconhecido fica menos oculto quando se desvenda e mais insondável quando o tentamos perceber pelo caminho que os outros percorrem.
A caminhada continuava, mas aquela distância nem se imaginava onde terminaria. Além, no rio? Não, viu-o passar o rio de um salto, confirmando que os grandes desafios se ultrapassam com decisão e leveza de gestos. Aterrou suave na outra margem e foi nesse movimento que a corda voou como um chicote e deu a perceber que era de uma grossura ainda maior que tinha parecido alguns instantes antes quando pendia do ombro. Sim, era uma corda só um pouco menor que a das amarras dos barcos e tinha aspeto novo ainda sem a cor escura que o tempo e a chuva lhes dão. E a descida continuava.
Foi então que lá longe começou a avistar o zambujeiro emergente do granito. Seria aquele o destino provável e, nesse instante, foi percorrido por um sobressalto, tanto mais que sentia mais que nunca o vento suão. E é sabida a relação de homens sozinhos, cordas e vento suão. Nesse momento percebeu que algo o prendia, o impedia de se levantar e que também a voz lhe não saía. Debateu-se sem sucesso. Estaria amarrado? Não, porque então poderia gritar. Teria tido um AVC? Também não, sentia todos os membros paralisados. E também não estaria morto, porque as ideias continuavam a percorrer-lhe a cabeça. Não percebia como estava ali impotente, sem poder participar na ação, limitado a ver. Como os espectadores da televisão. E sem a capacidade do zapping, porque fixado na imagem. Absolutamente focalizado percebeu tudo de repente, quando o viu atirar a corda para o ramo alto da árvore. Tinham acabado as dúvidas e uma angústia ainda maior invadiu-o todo. Ali fixado, parado, incapaz de agir e condenado a ver aquela cena em direto. Era claro, de seguida, iria subir para a pedra, fazer um nó, colocar o pescoço dentro dele e, finalmente, projetar-se no espaço ficando a oscilar na brisa do vento suão. Nunca tinha conseguido perceber porque se antecipa o certo, mas percebia bem que há momentos em que tudo parece encerrado. Daí, começou a sentir uma espécie de solidariedade com o homem vestido desportivamente que atirava a corda de forma firme por cima do ramo grosso do zambujeiro. Fechou os olhos, apesar de tudo, recusando o espetáculo inevitável da morte em direto. Achou curioso ter conseguido fazer esse movimento e ficar na escuridão ouvindo melhor a brisa do fim da tarde. Teve pena de não ser crente para pedir a um Deus que interviesse e livrasse aquele desgraçado de tal sorte. Mas uma vez mais, também aí as soluções lhe fugiam. Só a consolação de poder continuar de olhos fechados, longe da visão, mas perto da certeza daquele desfecho inevitável.
No final da tarde, quase sem vento, havia um silêncio imenso que desmascarava qualquer movimento mesmo longínquo. Cerrou mais os olhos à espera de um estalo, seco que ecoasse na planície ou talvez mesmo um último grito, desesperado, de um arrependimento fora de tempo. Nada. Antes um roçar de vai-vém e um esvoaçar de pássaros.
De novo se surpreendeu porque conseguiu agora esfregar os olhos naquele gesto prévio a tentarmos ver melhor e primeiro desfocado, mas depois cada vez melhor viu o homem que vestia desportivamente sentado no baloiço voando para trás e para a frente. Quando abriu, finalmente, os olhos apenas havia o zambujeiro e nem vestígios de homem, nem de forca nem do baloiço. O vento suão era quase inaudível.
Deitado na rede brasileira na tarde quente depois do almoço não tinha resistido à brisa morna que o embalava. Depressa o murmúrio das folhas tinha ficado distante, o livro oscilou alguns instantes para baixo e para cima até lhe cair finalmente no colo.
Tinha um dia dito que era no sonho que melhor experimentava a realidade.

quinta-feira, novembro 17, 2011

Inertes

Estive tentado a colocar aqui um filminho que anda aí no you tube sobre a «ignorância dos nossos universitários». Não o fiz para não contribuir ainda mais para a propagação de uma mensagem eventualmente errónea, manipulada e que, no fundo, visa fundamentalmente aumentar a tiragem da revista duvidosa que a publica. Mas, na realidade, não deixa de ser preocupante constatar não só a ignorância, mas, sobretudo, a forma explícita como não é valorizada. A vergonha acabou, há uma auto-desculpabilização implícita, que choca. Parece que se houve nas entrelinhas, nós somos otimos e se não sabemos isso é porque o mundo aqui à volta nos não interessa. Otimos porquê? Afinal o que fizeram?
Sempre houve gerações a quem as heranças das anteriores não interessaram. A diferença, parece ser que essas combateram o que lhes não interessava, puseram o passado em causa e transformaram, não se renderam. Esta parece uma geração de rendidos, vencidos da vida, sem saída e isso é mais preocupante, porque é bizarra a falta de esperança nesta idade.

sábado, novembro 12, 2011

Abaixo a ditadura!

Sem que um tanque saia para fora das fronteiras, sem que um Fritz qualquer coisa corra o risco de levar ao menos um balázio, ei-los que avançam dominando primeiro a Grécia depois a  Itália, derrubando governos eleitos e substituindo-os por alguns dos seus, bem ensinados. Por cá, os comentadores de brandos costumes, estão felizes e realçam a inoportunidade de consultar os povos como na Grécia foi aventado. Esta gente bem doutrinada e fanática do liberalismo teme, apesar da sua força económica, a imprevisibilidade e sabedoria do povo. Resistir à anestesia que nos impõem, mandar a economia deles às urtigas, é um imperativo dos povos. Não se pode tolerar mais que a especulação dos jogadores de casino continue a avançar e imponha a sua ditadura. Isto é infame, intolerável e, de uma vez por todas, é preciso que a política triunfe sobre a religião económica dominante. Porque os domínios contra a vontade dos povos sempre foram temporários e sempre foram as ideias, a política, quem no fim acabou por triunfar.
As pitonisas da análise económica e outras que tais sempre divulgam as malfeitorias da política, as suas corrupções e vícios, promovendo o seu descrédito, apelando subconscientemente ao afastamento da Política.  Não o fazem inocentemente.Virar a opinião pública contra os políticos, visa, no fundo, manter a sobrevivência do seu poder, conseguida à custa do alheamento e da catarse sobre a face visível do poder que têm, os políticos, que, afinal, lhes garantem a vida.
Abaixo a ditadura! A vitória é certa!

quinta-feira, novembro 10, 2011

Falta de Cipriões

As couzas que padecem os moradores desse afligido reyno, bastarão para vos desenganar que os que estão fora desse pezado jugo, quererião antes morrer livres, que em paz sujeitos. Nem eu darei aos moradores desta ilha outro conselho...
Ciprião de Figueiredo


Esta determinação vi há dias inscrita num avião da SATA e vim depois a saber que constitui divisa do brasão dos Açores. Lembrei-me hoje, depois de ver algumas passagens da apresentação do orçamento do Estado.
Quem se opôs a Filipes, não resiste a Mercosys? Falta de Cipriões?

quarta-feira, novembro 09, 2011

Telecomunicações

Há uma face escondida da face oculta e não chegámos aqui por acaso. Mais um caso sintomático e não tão raro de educação dos jovens. Possivelmente, ainda algum resquício de herança do fascismo: o supremo prazer de enganar o poder.
Neste caso, deve rapidamente considerar-se se a professora tinha o direito de confiscar o telemóvel, já que parece, não havia mandato de nenhum juíz. A ser assim, com certeza, a prova deixa de existir e estará sujeita a um qualquer processo por abuso de poder.
Na escola, nas repartições de finanças, nos atestados médicos. Enganamos enganando-nos num fenómeno bem vasto com dimensões não suficientemente apreciadas.

terça-feira, novembro 08, 2011

Má educação

Já antes de entrar a algazarra ia grande lá fora. Algumas corridas, travagens, até encontrões na porta. O espaço da sala de espera era propício à gincana, de tal forma que quando entrou no consultório foi de rastos numa travagem de resistência. Logo foi comprado, com a promessa sussurrada de caso se portasse bem, teria como recompensa aquele carrinho amarelinho qu tinham visto antes. No meio de desculpas a mim dirigidas. E enquanto a consulta prosseguia, houve um pouco de rastejar, bater nas cadeiras, espernear, urros de quando vamos embora, e por aí adiante. Finalmente a consulta terminou. Foi nessa altura, depois de mais um envergonhado pedido de desculpas, o salafrário que não tem mais de 4 anos, olhou inquisidor para a mãe e disparou, portei bem não foi?
O mais certo é que tenha sido premiado pelo carrinho amarelinho, que irá deitar fora na primeira oporunidade.Que mundo será este feito com gente desta? E a culpa é  apenas da cultura do vale tudo. Saudades de um bom par de estalos!

segunda-feira, novembro 07, 2011

Procrastinação

Fica um enorme hiato entre a ação e o desejo, quase sempre este a vingar. A ação que é dita necessária acabará por vir. Demorará o mesmo tempo agora e depois? Ou realmente precisa da compressão do não mais poder esperar para surgir mais rápida? Entretanto o desejo consuma-se, sempre cheio de algum remorso pela dúvida da realização da ação no tempo útil. Há uma tensão sempre a estragar os dias que passam, gerando-se apenas um prazer limitado na efetivação dos desejos.
Há-de chegar o dia em que o desejo e  a necessidade sejam uma e a mesma coisa. pelo menos é o que se deseja.

domingo, novembro 06, 2011

Da importância das coisas

Pode subitamente tudo o que era muitíssimo importante, perder toda a importância e ficar toda mesmo reduzida  ao único instante que é este. Como se os outros se esfumassem na inexistência inatingida. A história é conhecida de todos, por tantas vezes repetida, mas  a irracionalidade leva sempre a ser ignorada até ao momento em que, de novo, se repete para glória do presente absoluto. Nessa altura vêm à memória as listas dos temas adiados para melhor oportunidade, porque havia outros que sempre se lhes disputavam a primeira linha da ordem. E como vinham, passavam, tendo apenas a importância de ali terem estado... à espera. Depois ficam apenas as cinzas da sua utilização no braseiro da vida.
Realmente, devem contar-se pelos dedos as coisas mesmo importantes, excetuando as que nesses instantes em que tudo perde importância, adquirem, de forma inesperada, toda a importância. Não há desculpa para as adiarmos. Mas de nada servem estes avisos fora de tempo.

quinta-feira, novembro 03, 2011

Parcerias público-privadas

Qualquer negócio envolve duas partes. Quando uma das partes negociadora é eleita, há pelo menos uma outra parte envolvida de forma indireta, porque os que negociaram o fizeram a mandado dos eleitores.
Feito o negócio e, uns tempos depois, conclui-se que uma das partes perdeu, perdeu mesmo imenso, com o acordo. Nisto de negócios, quando alguma das partes perde é porque outra ganha. Neste caso parece que ganhou e se prepara para continuar muito, mesmo muito, excessivamente.
Perceberam então os eleitores que as consequências do negócio vão deitar tudo a perder e viram-se qual horda destemperada contra os que antes elegeram e, em seu nome, fizeram o tal mau negócio. Pedem-se responsabilidades e cabeças, para aliviar o engano do voto feito.
O problema é que essa vingança, aliviará a raiva, será catártica, mas em nada emenda o negócio e a catástrofe.
Ao mesmo tempo, a outra parte do negócio, a que fez mesmo um grande negócio continua impune e todos a acham inocente? Ou perante a catástrofe vai-se punir a safadeza e a ganância de alguns que se aproveitaram do negócio, da forma matreira com que quase sempre atuam?
Que se castiguem politicamente os que erraram e se deixaram enganar, mas corrija-se o erro punindo economicamente quem do erro beneficiou e agora ri e vai assobiando para o lado na desportiva. Mesmo que o Direito diga que não, a Justiça aprovaria.
E há instantes na História em  que o Direito se deve submeter à Justiça, a forma ao conteúdo, o virtual ao real. Ou então, a descrença cresce, a esperança cede e estão criadas as condições do caos.

quarta-feira, novembro 02, 2011

É a Democracia, estúpidos!

Democracia ("demo+kratos") é um regime de governo em que o poder de tomar importantes decisões políticas está com os cidadãos (povo), direta ou indiretamente, por meio de representantes eleitos. (Wikipedia) Uma criação grega, direi eu.


Por estes dias constato o nervosismo que entrevejo em certos comentadores e jornalistas a propósito do referendo na Grécia. Quase que se lhes nota a vontade de chamar nomes à decisão. Mas quais? Sempre tão rápidos a associar a anti-democracia a tudo o que não vá ao encontro do desejo do poder dos mercados, desta vez não dá jeito dizer que uma consulta ao Povo possa ser não democrática. Chatice! Há um conflito entre a mercadocracia e a democracia. Os mercosystas estão em dificuldades.

quarta-feira, outubro 26, 2011

A causa das coisas

Perante o Porsche estacionado à porta do Hospital do Divino Espírito Santo, interroguei-me sobre a razão das opções das pessoas relativamente às coisas. Afinal porquê um carro de corridas numa ilha tão pequena? A coisa pode ser um sonho, um projecto de vida, mas continua a ter algo de muito absurdo.

terça-feira, outubro 25, 2011

Relvas daninhas

No fundo, o chato é que nos chamem estúpidos enquanto fazemos aquela tarefa difícil que agora anda aí em voga de «apertarmos o cinto e baixarmos as calças ao mesmo tempo», tentando assumir a posição dos alemães quando perderam a guerra ou de outros quando se viram para Meca.
Vem isto a propósito daquele insulto à nossa inteligência feito pelo defesa direito (nº 2, não é?) do governo, quando explicou (sem se rir) que em países de economias mais avançadas que a nossa não havia subsídios de férias nem de Natal. Realmente, sempre achei que não era a forma mais correta de os empregadores retribuírem o trabalho, porque mais não era do que reterem uma parte do salário durante uns meses para só o pagarem ao 6º mês, com o fito de que fosse gasto de imediato, ou seja, de alguma forma voltar a quem o pagou.
Uma melhor alternativa (muito melhor, mesmo) era o pagamento do salário anual em Janeiro! Só um pagamento por ano correspondendo à totalidade do que era pago antes do roubo de 14% agora instituído.

quarta-feira, outubro 19, 2011

Memória recente

Começa a ser necessário rever a Constituição, não tanto para introduzir limitações ao défice, mas para criar uma espécie de contrato em que fique estabelecido que o Presidente tenha de demitir obrigatoriamente os governantes que fizerem este tipo de discursos antes de serem eleitos e reneguem tudo o que disseram depois na governação:

É preciso assumir responsabilidades. E se depois de eleitos encontrarem um mundo que não conheciam, o que têm que fazer é ir de novo a jogo e prometerem o que, informados, achem que podem cumprir, porque assim, como este faz, é mesmo muito feio.

terça-feira, outubro 18, 2011

Carta ao futuro

Olá Tomás,
deixa que te escreva estas palavras, mesmo que ainda as não possas ler. Mas ali, no meio daquele quarteirão de Gente, percebi que ainda há uma possibilidade, mesmo pequenina, de o mundo não ser só aquilo que os novatos aiatolás do liberalismo instalados recentemente no poder querem fazer dele. Sim, era só um quarteirão de Gente, mas já noutros tempos foi assim. Esta Gente sempre foi uma minoria, mas escreve-se com maiúscula. Foram eles também, que há mais de 30 anos, mudaram num dia de Abril um país ainda bem mais triste do que este que estamos a viver. Foram eles, afinal, que que se lembraram de começar a dar escola aos analfabetos, saúde aos doentes e vida aos reformados. Graças a eles foram criadas as conquistas que os jovens aiatolás agora liquidam como os subsídios de férias e de Natal. Foi um tal Vasco, que fazia discursos emocionados em Almada. Talvez, se tudo correr bem, um dia na Escola te venham a  falar do tal sujeito. Pelo menos, passou-me isso pela cabeça, quando vi os sorrisos tímidos dos roubados da esperança, dispostos nos passeios feitos margens do rio vermelho que avançava. Aceitavam, sem recusa, os autocolantes e havia neles algum olhar agradecido, quase raiando a inveja de a sua timidez os não fazer saltar, desde já, para a torrente. Mas sabes, nenhum rio é grande quando nasce, é preciso tempo para engrossar e, no fim, não há mais barragens que o possam deter.
Vamos ter que alimentar este rio e chamar de novo ao percurso todos aqueles que não vi hoje por lá. Tive saudades de muitos que conheci em tempos, mas que hoje deviam estar a trabalhar enfiados nos seus consultórios privados e lá não foram. Mas também são Gente de confiança e vão aparecer noutros dias. Podes estar certo que isso vai acontecer e o rio vai ser mar, porque afinal não podes nascer numa terra sem esperança e sem futuro. Tu e os teus amigos merecem que o rio cresça. Vamos fazer por isso e  gritar bem alto, porque todos sabemos que «quanto mais calados, mais roubados»

domingo, outubro 16, 2011

quinta-feira, outubro 13, 2011

Cuidado


Sintam-se aliviados vocês os trabalhadores privados, mas aproveitem para ler:

Na Alemanha,
Primeiro vieram buscar os comunistas, e eu não disse nada porque não era comunista.
Depois vieram pelos judeus, e eu não disse nada porque não era judeu.
Depois vieram pelos sindicalistas, e eu não disse nada porque não era sindicalista.
Depois vieram pelos católicos, e eu não disse nada porque era protestante.
Depois vieram por mim e, nessa altura, já não havia ninguém para erguer a voz.


PASTOR MARTIN NIEMOLLER
(Sobrevivente do Holocausto)

Guerra aos cidadãos de segunda

Os funcionários públicos  e pensionistas não irão perder os subsídios de férias e de Natal. Vão ter reduzidos os seus vencimentos nos dois próximos anos em 14,3%!! Não contando com o agravamento de impostos... Abatidos os funcionários públicos, irão emergir como cogumelos os empreendedores....Ou não!!
Como Sócrates, Passos Coelho usa estes cidadãos de segunda como escudo. Até quando a resiliência?

Saúde para todos


Existem três tipos de sábios, os cadentes, os de sempre, e os emergentes. Na verdade, dos primeiro há apenas um (Medina Carreira), os de sempre são os de sempre (basta ligar a SIC e ouvi-los comentar sempre na mesma direção) e agora há um sábio emergente (António Barreto). Este sábio emergente deu recentemente uma entrevista ao Expresso onde despeja a sua ciência sobre Saúde e o serviço nacional e conclui uma coisa simples: não temos dinheiro para manter um serviço universal e gratuito. Vai daí a solução, os ricos (a definir) que a paguem! Sendo o dinheiro um bem escasso, não é necessariamente um bem inexistente. Existe, importa saber como melhor se pode usar.
O problema da saúde não é económico, é político. E a questão básica no pagamento dos seus custos é decidir quem deve suportá-los: os doentes ou todos os cidadãos, solidariamente. Num Estado solidário, parte-se do princípio político (porque a política tem princípios ao contrário da economia onde só existem fins) de que aos doentes não deve ser acrescentado o ónus de uma situação que não escolheram voluntariamente e, portanto, a eles não deve ser aplicado o princípio do utilizador pagador. É uma questão de justiça e por isso se lhes dá o direito de, na situação de doença, não terem ainda a segunda desvantagem de ter que pagar os seus custos. Partindo deste princípio de solidariedade em que ao Estado cabe assegurar de forma gratuita a saúde dos seus cidadãos, onde se pode encontrar o dinheiro para pagar as despesas da saúde? O Estado só tem uma fonte de recursos, os impostos. Portanto, é aí que terá de recorrer para se suportar os custos da saúde universal e gratuita. Obviamente, que se não deve gastar sem controlo e que é fundamental criar regras de controlo das despesas (ser eficiente), mas isso não significa que se corrompa o princípio básico de que não devem ser os doentes os castigados com o pagamento de uma situação que não desejaram. Nem os ricos merecem o duplo castigo de estar doentes e ser penalizados com os custos do seu tratamento! Mais sentido fará, se houver vontade política de respeitar o tal princípio, que se aumentem os impostos para se gerar a receita que permita garantir a saúde a todos (por exemplo criando um imposto dedicado). Com o reforço da eficiência e eventual aumento de receita fiscal (se necessário) é possível ter o dinheiro que o sábio diz não haver. Pelo menos é isto que pensa um não sábio, que não preside a nenhuma Fundação e não descarrega sabedoria do alto de uma torre das Amoreiras. Eu apenas sei o que é o azar de ter uma doença, porque lido com essa realidade todos os dias.

quinta-feira, outubro 06, 2011

Steve Jobs (1955-2011)

É verdade: não tenho nem nunca tive um iPod, um iPhone ou um iPad.
Constatei hoje isso. Sobrevivi. Como foi possível?

sexta-feira, setembro 30, 2011

Justiça, a desejada

Um fugitivo à justiça americana foi caçado depois de uma ausência das cadeias durante vários anos. Aparentemente, seria um cidadão reconvertido ao bom caminho (mesmo depois de ter morto alguém e desviado um avião onde terá posto o FBI em cuecas). Deverá agora ir cumprir pena. A prisão não foi o seu instrumento de reconversão ao bom caminho. Foi a vida. Para quê estragar-lhe agora a vida que lhe resta? A função da restrição da liberdade será mais a publicidade do que é proibido fazer ou induzir à reflexão?
Outro fugitivo à justiça por (prováveis) crimes económicos foi também preso. Acredita-se que a habilidade dos advogados o libertará muito em breve. O sinal para a sociedade poderá ser que o crime desde que bem feito pode compensar, porque até nem o será.
Em resumo, o primeiro fica preso e o segundo é libertado, quando, a sociedade provavelmente mais ganharia com a libertação do primeiro e a restrição do segundo. Mas isto é intuição, humanismo, justiça e coisas menores quando comparadas com o grande Direito.
A despropósito, há uma ministra desaparecida em lugar incerto, provavelmente num retiro onde se encontra a escrever, escrever, escrever a grande reforma da Justiça. Espera-se que chegue numa manhã de nevoeiro.

quinta-feira, setembro 29, 2011

(I)moderação

Gostamos de chamar nomes suaves às coisas. Assim, a cobardia não transparece nem se mostra como aconteceria com o bom rigor das designações. Uma TAXA MODERADORA como o nome indica é algo que visará impedir um consumo indevido, uma tentativa de condicionar um consumo inútil de recursos. Por isso, dar este nome, como o fez o Ministro Correia de Campos, a uma taxa que era paga quando os doentes eram internados, era abusivo, era cobardia, porque, obviamente, se tratava de um co-pagamento e, possivelmente, inconstitucional por que a saúde era (e espera-se que continue a ser) tendencialmente gratuita.
Agora, o novo ministro veio determinar taxas moderadoras para famílias com rendimento acima de 1000 e tal euros. Não são taxas moderadoras, porque são, de novo, co-pagamentos. Com efeito, se o objetivo é moderar o consumo por que razão se isentam uns e penalizam outros? Com pés de lã, tentam chegar onde efetivamente querem chegar, aos co-pagamentos. É indecente penalizar com uma taxa quem é condicionado pelo médico prescritor a marcar uma consulta ou a fazer exames auxiliares. O doente apenas obedece a uma instrução, que responsabilidade pode ter na ordem que um técnico «habilitado» lhe dá?
Mais sensato, muito mais sensato, seria que os prescritores fossem responsabilizados pelos exames auxiliares que pedem e medicamentos que receitam!! E tanta imoderação que aí grassa e desresponsabilizada.

terça-feira, setembro 27, 2011

Moedas de troca (tintas)

“As pessoas em Portugal não vêem o que se passa no dia-a-dia lá fora, com números negativos a sair todos os dias nos Estados Unidos da América, e ao termos esta incerteza, obviamente que os cenários [macroeconómicos] têm de ser modificados, mas não por não estarmos a fazer o que temos de fazer, mas sim pela situação internacional”,


Uma ajuda: Não, não foi Teixeira dos Santos nem José Sócrates que disseram. Quando eles diziam, quem agora diz, dizia que o problema deles se não explicava pelo que acontecia na conjuntura económica internacional, mas era um problema de má governação nacional. Mas isso era dantes. Bastaram menos de 100 dias para virar o bico ao prego. Moedas com duas faces afinal tão iguais!

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domingo, setembro 25, 2011

Discurso de outro presidente

“O senhor almirante Sarmento Rodrigues quis que eu dissesse algumas palavras. Ei-las. Tenho quase todos os livros que ele escreveu, todos eles com amigas dedicatórias, também um pequeno folheto que ele publicou sobre o canário encarnado porque ele preocupou-se imenso em conseguir um canário que não fosse da cor habitual e de vez em quando lamentava-se de não conseguir obter aquele canário que ele tanto desejaria possuir. E agora mais um simples episódio para juntar àqueles que eu ouvi aqui citar. Ele era muito meu amigo. E uma vez resolveu dar, dar-me dois periquitos, os melhores periquitos que tinha na sua colecção. Cheguei a casa com eles muito contente, mas em casa não receberam bem os periquitos. Resultado: tive de dar que os dar. Um deles sei a quem o dei. Tá aqui presente a pessoa: o almirante Noronha Andrade. Mas não lhe disse nada que me tinha desfeito dos canários (uma voz: dos periquitos), dos periquitos digo. E mais tarde, uns anos depois ele diz-me assim: então o senhor deu os melhores periquitos que eu tinha e que eu lhe tinha dado com tanto gosto? É verdade, dei porque não os podia ter em casa, mas não lhe disse nada para não o desgostar. Afinal de contas houve alguém que deu com a língua nos dentes e você ficou zangado comigo. Zangado não fiquei porque sou muito seu amigo.”


A História não se repete? É procurar as diferenças!

sábado, setembro 24, 2011

Um triste

“Ontem eu reparava no sorriso das vacas, estavam satisfeitíssimas olhando para o pasto que começava a ficar verdejante”. Este discurso revela intensa leitura do antigo livro da Primeira Classe.
O senhor Silva anda a comer queijo a mais. Cuidado que fica desmemoriado e esquece-se do que deveria dizer sobre o bicho da madeira.
A continuar assim, esperamos que se dedique rapidamente à poda das anonas (em regime de exclusividade).

segunda-feira, setembro 19, 2011

Revolta de um cidadão AAA

Imagino que um alemão olhe para o que se passa em Portugal, como qualquer português honesto olha para o que se passa na Madeira. Não há paciência para mais desgoverno e é tempo de se governarem! Se não conseguem, abram falência, declarem a independência, façam o que lhes apetecer, mas não peçam mais!!
Mas a situação é mais complexa. Também a classe média portuguesa não beneficia da minha ternura. Foi uma classe burra que se deixou enganar lamentavelmente pelas ofertas de crédito dos banqueiros e todas as miseráveis Cofidis que por aí grassam. Estranhava eu, aqui há uns anos, sempre que me ofereciam cartões de crédito e dinheiro barato. Pensava, eu não vou nisso e só espero que me não venham pedir que lhes pague os desvarios. Resisti a ter casas acima das minhas posses, não mudei de carro de  3 em 3 anos com leasings tentadores, não viajei com a crédito, não pedi emprestado para jogar na bolsa. Enfim, vivi dentro do que podia. Eu não contribuí para a crise da dívida!! Sou um português de classe média triple ei (AAA), tenho um nível de endividamento melhor que a Alemanha e o meu défice é inferior a 3%. Por isso é lamentável que me reduzam o vencimento, me roubem parte do 13º mês, me aumentem o IVA periodicamente, me subam a conta da eletricidade e etc. Quem esteve a ganhar com esta paródia do crédito barato, não vai pagar nada? Ainda querem que lhes paguemos os riscos mal calculados da especulação que fizeram? Vai sendo tempo de voltar à realidade e quem apenas tem sustentação virtual que caia. Vamos recomeçar o jogo, mas um real.
Por falar em realidade, anda agora toda a gente a dizer que temos uma saúde ótima, um ensino que nem é assim tão mau, uma segurança social interessante. Os mesmos que diziam que tudo isso era lixo aqui há uns tempos atrás, vêm agora dizer que até tem qualidade, mas que não temos dinheiro para tudo isso. Afinal até era bom demais!! Insinuam que foi quem trabalha que gastou indevidamente, para amanhã os penalizarem mais uma vez. Basta, a luta de classes está cada vez mais real e que cada um saiba o lado da barricada onde se coloca.
Com medo, os guardiões do Capital já preparam um orçamento de Estado onde apenas não há cortes para as forças de segurança. Segurança do quê? Não certamente dos que agora são estropiados quase diariamente. Basta de brandos costumes e de ser politicamente correto.

quinta-feira, setembro 15, 2011

Tempos de Paris

A rotina programada é um tédio e os desencontros e as surpresas que causam são, às vezes, oportunidades felizes. Foi o que aconteceu hoje quando não havendo a sessão de Pina  (Win Wenders) e, graças à eficácia de uma funcionária da UCI, acabámos por ver Meia noite em Paris. Woody Allen tem aquela particularidade de me já ter feito sair zangado do cinema por ter a sensação de apenas ter ido contribuir para pagar a conta dos seus psico qualquercoisa. Desta vez não foi assim. Este é um dos melhores filmes que vi dele. Uma história simples e mágica em que o tema pode ser a insatisfação com o tempo em que se está, mas que talvez vá para além disso. Do tempo fútil de hoje, parte o personagem à procura de outro tempo de encontros mais consistentes que lhe permitem ver que, afinal, poderemos estar sempre descontentes com o nosso tempo e tentarmos transpor-nos para outros tempos sem nos encontrarmos nunca num tempo desejado. O que nos conduz ao tempo desejado são os encontros com as nossas afinidades nos outros e, virtualmente, nos podermos encontrar e às nossas continuidades. O resto é ter a sorte de encontrar, no mesmo tempo, alguém para se caminhar ao lado numa noite de chuva em Paris. A história vem de longe e não termina, porque a criação e o génio são tudo o que persiste. Tudo o resto é a inutilidade do poder do dinheiro e do consumo, o medo do roubo e do comunismo. A angústia que acabará por apertar um dia as coronárias. A Arte será o tudo o que se ergue e fica para além de todos os tempos.

Bruxo!

«Haverá vontade real de dar a volta a isto, perceber que esta Economia nos não serve ou apenas se quer mudar, esquecendo que para pior já basta assim? Porque já anda de orelhas espetadas quem se prepara para, depois de sair da cartola, nos dizer que afinal a coisa estava ainda mais negra do que se pensava, as contas do Estado são uma calamidade maior e por isso, não só vamos confirmar todos os PECs, como vamos ainda ter necessidade de fazer maiores sacrifícios, por exemplo, pagar a saúde, a educação, limitar as reformas, acabar com qualquer garantia de emprego em troco de umas esmolas aos mais pobrezinhos. O Estado na sua versão mais short, verdadeiramente de tanga.»
(Escrito a 12 de Março deste ano neste blog)


Pois já andava e agora já vamos no PEC n que eu já lhes perdi a conta. De PEC em PEC até ao desastre final. Acabou  a tanga e a parra está a secar revelando dentro em breve a verdade nua e crua: a falta de tomates. 
Eu já tinha sido bruxo (é fácil!) e se calhar o desastre final já não demora muito. Bruxo de novo?

segunda-feira, setembro 12, 2011

Fantasia americana

Que poderão fazer três pessoas trancadas na casa-de-banho de um avião no dia 11 de Setembro? Um affaire à trois no espaço público-privado não passa despercebido aos americanos e a coisa é logo motivo para fazer descolar uns F-16 prontos para o que der e vier. Nas mentes preversas do americano, a coisa deve ser bombástica (mesmo que o silêncio do outro lado da porta impere devido à obstipação e só os tímidos esgares insonorizados prevaleçam).  E é assim que um doce alívio mais prolongado que não chega se pode tornar em prisão (que não de ventre) naquela terra que já foi de liberdade, mas que agora mais parece ser de medo incontrolado.

quinta-feira, setembro 08, 2011

Elogio do lazer

Mais não fosse por isso, as férias valem a pena: fica uma vontade enorme de não reencontrar a rotina e de começar todas as promessas que nos fazemos nos espaços de liberdade onde estivemos. Não deixa de me parecer absurdo toda a glorificação do trabalho, quando é na tranquilidade do estar e descobrir que nos encontramos melhor. Muitas vezes é no sonho que encontro a melhor realidade. O resto são apertos para coronárias.
Facilmente concluo que o trabalho só liberta os que sempre descansam. Mas é o trabalho dos outros.
Algumas imagens de libertação para elogio do lazer, do nascer ao pôr do sol.


quinta-feira, agosto 11, 2011

Vinde ao Santana, pobrezinhos!

«Os pobrezinhos

- Batem à porta. Meu filho, vai ver quem é.
- É um pobre, minha mãe, um pobrezinho a pedir esmola.
A mãe veio logo com um prato de sopa e deu-o ao pobre. Depois, voltou para a sala de costura e deixou o filho a fazer companhia ao mendigo. Este, quando acabou de comer, disse por despedida:
- Deus faça bem a quem bem faz!
O menino ficou comovido: - Que pena tive do pobrezinho!
- E é caso para isso, respondeu a mãe. Os pobres são nossos irmãos. Devemos fazer-lhes todo o bem que pudermos. Jesus ensinou que até um copo de água, dado aos pobres por caridade, terá grande prémio no céu.»


O que vamos percebendo já ao fim deste tempo é que eles adoram os pobrezinhos e quase não pensam em mais nada. Não é bem assim? Ora vejamos:
1. Os transportes públicos aumentam, mas eles vão arranjar um bilhete para os pobrezinhos;
2. Nas cantinas onde os pobrezinhos se alimentam, vai atenuar-se a vigilância da ASAE. Conclusão: pobrezinho não é gourmet, então tolera algumas não conformidades;
3. Mais recentemente, pobrezinho passa a poder ser tratado com medicamentos perto do fim do prazo de validade, o que aos menos pobrezinhos não é permitido.

Enfim, temos um Governo que ama os pobrezinhos e os ajuda, que os promove. E vai haver chazinhos de caridade e tias muito felizes. Este governo ama tanto os pobrezinhos, que até vai criar mais alguns, de preferência muitos mais. Não para ganhar lugares no Céu oferecendo copos de água, que isso é chão que deu uvas e agora a tendência é mais para os bons lugares cá na terra. Essa será também uma das razões por que estão tão pouco interessados em controlar as águas de Portugal e decidiram privatizá-las.Por este caminho, mais algum tempo, e alguns dos pobrezinhos morrerão de sede, mas não há problema que o Governo logo os substituirá por outros para entretenimento das tias e misericórdias com o Grande Santana à frente!

quarta-feira, agosto 10, 2011

Notas do dia

1. Finalmente, o Governo começa a tomar medidas de redução da despesa do Estado: O Ministério da Saúde suspendeu o pagamento de todos os reembolsos directos aos utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS), com efeitos já a partir de amanhã.
Eles bem tinham avisado que este era o caminho.
2. A partir de agora também os patrões passam a ser mais competitivos: com a redução da TSU em quase 4%, passam a dispor de maior capacidade para encomendar novos Ferraris. Assim, ninguém mais os vai apanhar.

terça-feira, agosto 09, 2011

Coisas dos dias de hoje

"Agora, já não há coelhos para tirar da cartola", avisa Roubin

Pois, o Coelho foi de férias e de pouco valeu mandar o outro estudar filosofia...

As perdas nunca são generalizadas. Por estes dias, a agitação no Reino Unido, criou uma oportunidade inesperada de negócio para as empresas que vendem vidros para montras.
Quem mais está a ganhar com a chamada crise? Certamente, haverá alguém.

Isto está tudo ligado!

sexta-feira, agosto 05, 2011

Ampulheta

Passo semana fora a passo rápido. Passo para chegar lá, onde o tempo tem um passar diverso deste tempo fugidio do dia-a-dia. Até ao tempo dos pássaros, dos cheiros, das temperaturas que mudam desde o tempo de acordar ao de deitar. É lá que estou quando por aqui passo neste tempo que apenas passa. Amanhã é sexta-feira. Ou é já hoje no fim do tempo deste espaço.

domingo, julho 31, 2011

Visão 2

Seguramente um dos melhores céus do mundo, agora já aconchegado numa temperatura ligeiramente mais elevada. Nem o zumbido de uma melga parece comprometer a visão.

sábado, julho 30, 2011

Visão

A ver crescer a tília rubra cada vez com mais flores ou as estrelas da cauda da Ursa Maior, oscilo no vai-vém tranquilo da rede.
Semeio tílias pelo caminho abaixo até ao portão, não de Bradenburgo, coloridas (amarelas, vermelhas)dando sombra e cor melhor ainda que Under den Linden.Uma visão breve e tranquila.

sexta-feira, julho 29, 2011

Pré-reforma

Há dias que são assim e nos deixam com tudo a começar, incluindo as dúvidas.

Foi assim hoje, porque, às vezes, precisamos de renascer.

quarta-feira, julho 27, 2011

Raios de sol através do nevoeiro

Esmagador. O debate politicamente correto apenas beneficia o poder. Boa Alfredo, chega-lhes!
Por um instante o nevoeiro levantou ainda que a matilha oficial vá rapidamente falar de falta de diálogo, insulto e outras más educações. Mas é assim, quando os campos não devem reger-se pelo livro de procedimentos escrito por quem domina.

terça-feira, julho 26, 2011

Para além do nevoeiro

Numa altura em que nos sobrecarregam de informação, inadaptados para gerir esse fluxo acrescido de dados, mas ainda viciados na ideia da capacidade ilimitada de gestão e sufocados pela necessidade de não nos mostrarmos ignorantes, isolamo-nos, quando mais precisávamos de interagir. Neste percurso vamos perdendo contacto com a realidade do mundo, cada vez mais complexa, aparentemente caótica e descontrolada. Nem a fé, há muito já perdida, vem agora em socorro destes náufragos das ideias, que sobrevivem, simplesmente, fugindo para a frente, para onde, cada vez com menos pé, o afogamento parece ser a única saída. Medo dos nós que podem vir depois dos laços, anda-se desatado por aí na aleatoridade dos contactos fazendo amigos virtuais que se não tocam. Aos milhares e sem compromissos. Desistimos da política, da religião, da arte, da música, até de ter opiniões, porque «os gostos não se discutem». Não se discutem porque as consequências deles, não são resultados coletivos, porque tudo o que seja mais que um deixou de fazer sentido. Criou-se a aversão ao confronto e a argumentação passou a ser um exercício de má educação. Agora, apenas se argumenta o futebol, porque aí ainda é tolerável o jogo da crítica. Para compensar, esse é o campo onde tudo vale e mesmo o insulto pode fazer parte do jogo. Para compensar o vazio de tudo o resto.
E este irrealismo esquizofrenizante domina agora a economia destes dias onde a imaginação dos homens ampliada pela capacidade de cálculo virtualmente infinita das máquinas construiu uma realidade não fundamentada que se desmoronará impiedosamente. Uma questão de tempo, mas mesmo assim uma inevitabilidade. Que sobrará então? Possivelmente, a capacidade de recomeçar a partir da Estética, uma outra irrealidade, mas sensível. Para além do nevoeiro, uma esperança ainda.

segunda-feira, julho 25, 2011

Asfixia social

A Economia assume a imoralidade e o primarismo da análise. As contas fazem-se no imediato dos custos e proveitos, sem se assumirem os impactos de outra natureza além do imediatismo da análise limitada. Há outros custos quando se aumentam transportes ou quaisquer outros bens relacionados com consumos inevitáveis.: Gastar no inevitável é comprometer despesas opcionais que poderiam ter que ver com algum resto de bem-estar e ao mesmo tempo aproximar os custos do bem coletivo aos das alternativas individuais. Aí será possível imaginar impactos e custos sociais de outra ordem, quando se pensa no abandono do transporte coletivo para se optar por um transporte individual, por absurdo.
E não vale a pena discutir a justiça de medidas que afetam de forma discriminada grupos de indivíduos. A Justiça é um conceito ultrapassado e reacionário! Espera-se apenas que a inexistência de opções alternativas e o amarfanhamento sempre dos mesmos vá aumentando  a pressão até se atingir um limite além do qual a revolta surgirá como opção.
Um exercício simples: de todas as medidas que o Governo atual já tomou, compare-se o impacto que tiveram no Zé e na Maria e num proprietário privado (que por acaso não anda de transporte público, nem recebe 13º mês). Outro: que parcela dos lucros de empresas (excluídos os reinvestidos, isto é os dividendos dados aos acionistas) será sacrificada neste esforço de «salvação económica»? Ou estaremos apenas a «corrigir» a distribuição entre ganhos do Capital e do Trabalho, subindo os primeiros e diminuindo os segundos? Terceiro: qual o impacto demonstrado destas medidas na taxa de desemprego?
Em resumo, uma boa semana de trabalho que a Troika agradece o vosso esforço.

domingo, julho 24, 2011

Rumo e sentido

A lógica da Justiça perdeu o sentido e as opções ficam além da Moral subordinadas à aleatoridade da sorte. Chegámos a um tempo em que cada um dos que está à nossa volta passou a ser um adversário, isto é, alguém que se tolera desde que não interfira nos nossos interesses e que se abaterá, se for necessário, para que eles se mantenham e ampliem. A vida deixou de ter um rumo histórico de libertação coletiva, porque agora é cada um por si. Não se olha para trás nem para o lado, na vertigem única de seguirmos em frente em busca de algo não identificado, talvez numa ânsia de reduzirmos o receio de estar vivos e cada dia, deixou de ter um plano, o futuro perdeu as garantias e os direitos adquiridos no passado, porque cada dia pode já ser o último, tal é o Medo que nos domina.
Agora vale ter medo de tudo, menos da única coisa de que valeria ter medo: não viver, realmente. É desta forma que as longas vidas se esvaziam de vida, apenas em busca de uma linha do Guiness Book of Records.
Quanta sobrevivência inútil em vez de Vida efetiva, materializada numa história a fazer em comum? Porque a História são as interações das personagens e não o percurso autista de cada uma delas.

sexta-feira, julho 22, 2011

Direito à vida

O mundo está a tornar-se um lugar estranho para viver. Mas não há outro! Subitamente, podemos ser apanhados numa esquina por um louco e ser desfeitos em pedaços e não foi sempre assim. Por que andam as pessoas tão infelizes ou isto não será um problema de falta de felicidade, mas de pura loucura?
Agora um norueguês doido, amanhã um outro qualquer insano e as ruas ficarão sempre cobertas de vidro e sangue. Pouco há  a fazer, ou apenas ter a sorte de não estar no sítio errado. Mais uma vez a sorte se sobrepõe a toda a racionalidade. O melhor é seguir, apenas.
Inteligentes, os governantes noruegueses continuarão a andar nas ruas sem guarda-costas não sacrificando a vida à triste sobrevivência, como atualmente fazem os norte-americanos. É que há uma vida que não deve ser reduzida a sobreviver e, até prova em contrário, é limitada e o seu tempo não deverá ser desperdiçado a tirar cintos e sapatos e a repô-los, a abrir e fechar malas. Uma vida para viver simplesmente, sem sacrifícios à sua duração no tempo, porque mais vale um instante vivo que dezenas de anos preso numa liberdade que oprime.

A Nacional-social-democracia

De repente os ricos ficaram generosos e acham que devem pagar mais que os pobres, p ex., nos transportes públicos (onde não andam) e na saúde (quando já se tratavam fora do país). Mas há um pormenor onde não aceitam pagar mais: os impostos! Estranho, não é?

E tão generosos que são, vão criar um passe social para indigentes. Outros houve que marcaram ainda outros com uma estrela! Também agora, o uso de passe social passará a ser um estigma. Afinal eles é que sabem de Estado Social.

terça-feira, julho 19, 2011

Pré-época: O reforço dos Gatos


Foi um casting para ser o quinto elemento dos Gatos? Há ali inspiração felina (Tiago Dores que se cuide!).

segunda-feira, julho 18, 2011

O buraco

Lei da conservação da massa: Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.
Lei da conservação das «massas»: Na economia, o que se produz é consumido ou sobra, tudo se troca de uma maneira ou de outra, se alguém compra é porque alguém vende e se alguém tem prejuízo é porque alguém lucra com isso. O sistema não induz a perda de todos, até porque os bons negócios são os que «fazem ambas as partes ganhar». Por vezes a doutrina não funciona, porque alguém abusou e corrompeu as regras da livre negociação, por exemplo, subsidiando a destruição da produção, rapinando os ativos existentes. É a Guerra!
Vem isto a propósito de saber quem é que está a ganhar nesta crise que não é generalizada.  Depois de identificar os ganhadores, logo se analisará a forma como chegaram à vitória. Isso é necessário para se fazer a justa correção dos erros. Voltar a pôr a coisa a andar decentemente.
Dizia-me a doente: Pois está a ver isto, os alemães sempre a dizerem que nós gastamos sem termos para o fazer, mas afinal não deixam de nos vender BMWs e Audis... Ok, combata-se o consumo, mas prendam-se os dealers.

domingo, julho 17, 2011

Depressão ou silly season?

Se calhar foram de férias quando não deveriam ter ido. Mas a verdade é que não tenho ouvido a esquerda falar por estes dias. Não, não é o PS que está em período de nojo pelo futuro filósofo que agora come croissants na Rive Gauche . Falo mesmo é do PC e do Bloco. Foram silenciados nos media ou estão a banhos?
Eu estive, gostosamente a banhos esta tarde em que o sol ainda não arde e tudo continua fresco (exceto no Ministério da Agricultura...).

sábado, julho 16, 2011

Jovens rebeldes

Os jovens rebeldes que nos governam continuam a marcar a agenda. Depois de um ter ido à tomada de posse de scooter (grande texto de César Príncipe), agora é a notícia da Ministra que quer apagar o ar condicionado no Ministério: que a temperatura suba que ela lhes vai arrancar as gravatas também. Esperam-se cenas dos próximos dias. Sem camisa? E sem o que mais à frente se verá! (Ainda haverá tanga?) Sempre a aquecer.

quinta-feira, julho 14, 2011

A entrada

Acertados os fusos em 24 horas e pronto para a grande festa. O esforço conjunto e empenhado tinha preparado o terreno e no resto o clima ajudou sem muito calor nem muito frio.

  • Esteve bonita a festa, pá. Mesmo se os microfones não lhes tivessem ampliado as vozes, não teriam deixado de nos recordar que mesmo sendo as rosas todas iguais, sempre se encontra uma que é diferente de todas as outras, sendo única porque é com ela que gastamos o nosso tempo. E o tempo apenas começa agora prolongando-se por muitos mais dias do que mil e uma noites de que esta festa foi feita. 
  • Soube bem ver os amigos que vieram, alguns com sacrifício, e ver-lhes algum sorriso não disfarçado. Sempre serão bem-vindos neste quadrado que se quer um espaço de pausa e renascimento. É para isso que se está aqui.
  • Depois destes momentos, fica-se mais condescendente com a besta que corre, funga, pára e revolta numa tarefa  incessante na busca de uma estátua que não vem. 
  • Mais custa ouvir um Presidente trair a Constituição que jurou e dizer que devem uns comparticipar mais, nos cuidados de saúde, de acordo com as suas posses. Nada seria mais certo se a doença fosse uma opção de aquisição e, não impusesse a civilização, que deverão ser os sãos a pagar o desconforto dos doentes. De acordo com os seus rendimentos, certamente, já pagos pelos impostos. Ainda que tenham de ser aumentados ou criado algum especificamente para suportar os cuidados de saúde e manter sustentável o SNS, mas mantendo sempre o princípio de que não devem ser as vítimas a custear os acidentes.
  • Mais irrita este crescendo de indignação e ofensa nacional porque a lógica do sistema que ontem aplaudiram (e ainda não deixaram de louvar) agora nos atira para o lixo. Nada acalma estes mercados nem a simpatia cândida de um Coelho. E o maremoto ainda está para vir.
  • Aos poucos vou-me cansando de ser parte da causa de todos os males por estar exclusivamente do lado do Público e privado de ser privado nas horas vagas. Cresce a vontade de lhes fazer a vontade e reduzir-lhes a despesa que fazem comigo, dando o meu modesto contributo para a atenuação do défice. Mais cedo do que mais tarde e que se lixem as penalizações.
  • Amanhã volta a ser sexta-feira. A liberdade vai passar por aqui.

A saída

Já vão longas estas férias blogueiras e, desta vez, nem foi a motivação da ausência de acontecimento num período em que a desagregação progride serena e determinada. É tempo de fazer um resumo, recorrendo a uma lista que foi crescendo:
Ø  Os funcionários de bordo da United-Continental são agora, cada vez mais, os restos de mulheres que se adivinha terem sido bonitas. Agora apenas se arrastam pela realidade da sua insegurança social até que partam definitivamente noutra viagem. Parecem ansiar por ela. Cansados, atiram-nos comida para cima dos tabuleiros e cobram-nos tudo o que tenha álcool. Deixam-nos longos tempos sem água, indiferentes ao risco das flebotromboses. No final, despedimo-nos com um sorriso politicamente correto. Igualmente cansado de tantos anos passados a sorrir da mesma forma.
Ø  Meios zombiedos pelas diferenças horárias, aguarda-nos o habitual jantar de hotel, com sabor a refeição entre a ceia e o pequeno-almoço. Percebo então que a epidemiologia da Diabetes, olhando a dimensão de um grupo de 2 dúzias de médicos, maioritariamente cientistas da prescrição das últimas novidades terapêuticas. Trata-se realmente de uma doença frequente! Nos dias seguintes, ver-nos-emos ocasionalmente nos corredores do Centro de Congressos e nos Outlets vizinhos da cidade. Viver em Portugal é fácil.
Ø  San Diego, ao fundo da Califórnia, reparo agora é das cidades que mais tenho visitado. Tranquila, sensivelmente igual sempre, ideal para partir para um lado qualquer, nem que seja para apanhar o trolley e ir até Tijuana ver a concentração das gentes. Na Union Square sempre os mesmo desistentes, arrastando-se e discursando alienados empurrando pequenos carros de cobertores e restos de comida. De quando em onde, soam alguns insultos, contra a guerra onde perderam os neurónios subjugados pelos medos dos traumas. E também contra todos os que passamos pela negação do spare change. Quatro quarteirões ao lado, os iates ondulam suavemente na marina.
Ø  Já é habitual nos Congressos americanos não incluírem nas despesas da organização qualquer fornecimento de bloco de notas ou lápis para registar algo que se ache interessante. Aquilo é para ver, ouvir e relembrar os magotes de dados de argumentação para estimulação das vendas dos vários produtos que ali nos levam. Por todo o lado também já estou habituado a ver aqueles avisos de proibição de fotografar ou registar as sessões com qualquer meio mais ou menos eletrónico. Mas sempre tinha achado esses anúncios da mesma forma que os italianos olham os sinais vermelhos nos cruzamentos e visto, com naturalidade e sem espanto, o espetáculo até esteticamente interessante da onda de ecrãs que sobe e desce cada vez que desliza um novo gráfico projetado. Mas desta vez surgiu a novidade dos seguranças intervenientes, passeando na sala, acenando a proibição anunciada. Ainda não destruíram camaras, mas perturbam. E todo este cenário para aumentar o mercado dos registos oficiais que são fornecidos a troco de cerca de 400 dólares. Depois de se pagar uma inscrição de algumas centenas de dólares, fica a dúvida da justeza de se ser impedido de tomar notas eletrónicas, tanto mais que os verdadeiros produtores da informação, se calhar, pouco tinham a objetar aos registos. Pelo menos eu, quando falo, gostaria que a mensagem do que digo fosse transmitida e recebida o mais possível não ficando confinada aqueles 20 minutos de discurso. Que a levem para casa e reflitam, é o que mais gozo me pode dar. Mas talvez estes tenham vendido os direitos e perdido, em troca, a liberdade.
Ø  À noite passam comboios de 3 andares de carros asiáticos abastecendo um imenso mercado que desistiu há muito de Detroit. Todas as noites, o mesmo tsunami de lata entra naquele país, aumentando sempre aquele número gigantesco de uma quase infinitude de dígitos que descreve a dívida americana. Este fenómeno só poderá ter um resultado final catastrófico, porque quem sistematicamente mais consome do que faz, terminará necessariamente caquético por muito que a criatividade contabilística seja gigantesca e o papel disponível para imprimir dólares seja virtualmente infinito.
Ø  No final dos dias valeu a pena pela organização de ideias e colheita de algumas novidades. Acima de todas constatar a ousadia de ver pensar diferente, que sobressaiu da Banting lecture feita por Barbara Corkey. A insulinorresistência pode afinal ser uma insulinoabundância determinada por consumo de lixos não alimentares disponíveis consumidos desde o carrinho de bébé. Faz todo o sentido olhando a epidemiologia do problema e, a ser assim, haveria que afinar a pontaria para novos alvos terapêuticos e concluir que até agora se andou a atirar ao alvo errado.
Ø  No regresso, ainda Nova Iorque e Times Square às 3 da manhã sob calor intenso e húmido e após uma chuva torrencial de 5 minutos, servida para refrescar os dedos das senhoras mal protegidos pelas sandálias que foram em busca de verão.
Ø  E as torres que já se vão espetando no ground zero e mais umas canecas bebidas no McSorley (Be Good or Be gone!), onde as lembranças são fartas e não só as das paredes onde há a notícia da morte de Lincoln num jornal da época.
Já não há nos escaparates T-shirts com a cara do Obama, nem cartões dele com a Michele dispostos nas ruas para os turistas tirarem a foto com os Primeiros. Sente-se o desencanto que vai dominando esta terra decadente. 

segunda-feira, junho 20, 2011

Fábula

«O lacrau pediu à rã para o ajudar a atravessar o rio. A meio da corrente cravou-lhe no dorso o veneno do seu ferrão, dizendo-lhe enquanto ambos se afogavam: «Que queres? Não posso fugir à minha natureza».
Quem não quer chatices, não se mete com ele.
Sempre assim foi e assim continuará a ser. Está-lhe na natureza. 
Começa bem a nova AD deste governo de jovens, tecnocratas e sem Cultura: Nobre ao mar, afundado por um submarino!! Ou terá sido o primeiro tiro no porta-aviões que o país adquiriu a 5 de Junho?

quarta-feira, junho 15, 2011

Dissidência no PSD ou uma espécie de Futre


“É uma vergonha a pobreza que temos em Portugal”. “Não me falem  dos problemas de aumento do salário mínimo. Quem é que aqui nesta sala consegue viver com 450 euros?”. “Não me venham com cirurgias plásticas para as mudanças que vão acontecer no mundo. Nós, os cidadãos não as vamos aceitar”

 “Em Portugal é preciso redistribuir melhor a riqueza”, que “há dezenas, senão centenas de milhares de jovens a sair de Portugal porque perderam a esperança”. Inconformado, disse que “combater a pobreza é uma causa nacional”, e salientou: “Não me venham com os 18% de taxa de pobreza, porque se somássemos os que recebem o rendimento social de inserção, os que recebem o complemento solidário para idosos, os que recebem o subsídio disto, e o subsídio daquilo, temos uma pobreza estrutural no nosso país acima dos 40%”. “Não aceito esta vergonha no nosso país”
O nível de desemprego, as baixas reformas, a precariedade dos contratos de trabalho foram outras áreas que lamentou.
Os empresários também não foram poupados. “Quando vejo a CIP a defender que o salário mínimo não aumente não posso concordar. Que país queremos? Quantos de nós aqui conseguiriam viver com 450 euros por mês?”, perguntou à audiência, deixando depois um repto aos empresários: “Peço aos empresários para serem inovadores, abram-se ao mundo, sejam empreendedores”.
“É o momento de repensar que mundo queremos”, e recorrendo à frieza com que os médicos olham para a vida afirmou: “eu sei como vou morrer, sei como todos aqui vão morrer. E não é nessa altura, não é quando começarem a sentir a urina quente a correr pelas coxas, que vale a pena repensar a nova ordem económica mundial. É agora”. As futuras gerações não vão perdoar, diz.
“Perante uma hérnia estrangulada, um médico só pode fazer uma coisa: operar imediatamente.
Ora a hérnia já está estrangulada [na ordem económica mundial]: nós temos que operar, temos de mudar as regras, os instrumentos.
É preciso bom senso, acção, determinação política”, disse, avisando:
“Se não o fizermos, as próximas gerações acusar-nos-ão, com razão, de não assistência a planeta em perigo”.


Quem foi que disse, que perguntou, que lamentou, que avisou? É um artista português, que, muito proximamente, atuará na Assembleia da República a defender o programa da troika, o tal que vai salvar Portugal. Ou será a primeira dissidência, porque não joga a bota com a perdigota?

Fado

Vai haver um governo novo.
«Tudo isto existe,
tudo isto é triste,
tudo isto é fado»

quinta-feira, junho 09, 2011

Voar seguro

Já há uns tempos que não aterrava no meio de uma ovação aos pilotos. Afinal ainda acontece quando se vem na SATA num avião cheio de portugueses das ilhas. Recomenda-se, porque não só os pilotos devem esperar-se para receber a ovação como, possivelmente, os requerimentos à Nossa Senhora de Fátima para que o avião chegue direitinho devem ser inúmeros. Aviação segura e premiada.

segunda-feira, junho 06, 2011

Lá vamos cantando e rindo...

Riram, dançaram, pularam, cantaram porque a causa de todos os males perdeu e foi-se embora. E já tinham feito o mesmo ao Santana Lopes, ao Durão Barroso (ou este foi tratar da vida antes que a coisa azedasse), ao António Guterres, ao Cavaco Silva, ao Mário Soares. Bestiais no dia em que ganham as eleições, umas Bestas no fim (ou no meio) dos mandatos. Fracos em tudo até na memória. Desta vez a coisa foi ainda mais longe e, com esta votação, fica provado que quase 80% aprova a ditadura do triunvirato (à moda de Portas). Fulanizar é a forma mais fácil que a preguiça encontra para julgar não se percebendo que o problema não está nos réus, mas na preguiça dos juízes. E porque são eles que decidem e o não sabem fazer porque não trabalham a decisão, não refletem sobre ela, continuam a fazer as escolhas tortas. Dentro de alguns meses o número dos que não tiveram nada a ver com isto aumentará e a maioria de hoje é a minoria de amanhã. Mais cedo do que muitos pensarão. É que a vida das pessoas faz-se com as pessoas da vida e não com as imagens que delas se criam.
A consistência da esquerda reforçou-se, ainda que a esquerda de Telheiras, fraturante e liberal tenha quase desaparecido em parte, possivelmente, porque jogou (in)utilmente na salvação do Grande Líder.
É engraçado olhar para isto desde longe, desde a terra onde estão os males do mundo, onde curiosamente sinto alguma depressão que se vai mantendo ainda que tenham um presidente inteligente, mas também ele dominado pela cultura e o poderio do Poder Financeiro. Há muito mais a mudar do que as pessoas ou como se diz não basta mudar as moscas... Enquanto isso se não faz lá vamos cantando e rindo.

domingo, junho 05, 2011

Um país ausente

Perante a situação do país,  cerca de 40% dos seus votantes, decidiram abster-se. Será que este país tem direito a continuar o seu destino ou será melhor nomear uma comissão liquidatária e aceitar a sua anexação por outro onde as pessoas estejam vivas?

sexta-feira, junho 03, 2011

Verdade e mentiras


Não há argumentos, apenas o medo prevalece. Com efeito, não resiste a qualquer análise racional esta negação dos poderes reinantes quer seja na Grécia, na Irlanda, em Espanha, na Itália, mas também na Alemanha.Os povos são simples e estão estupidificados, não têm ideologia (que os poderes se encarregaram de arrasar), não têm outra qualquer noção que seja a fuga para a frente e uma esperança (quase sempre demonstrada como vã ao longo da história) de que o que vier será um pouco melhor. A desilusão vem cerca de meio ano depois, onde já ninguém assume as escolhas que foram feitas. Assim vai ser aqui e agora.
Desta vez o paradoxo foi levado ao extremo com a elaboração de um programa prévio por uma entidade estranha, que os que agora se guerreiam, vão escrupulosamente executar (ou pensam que executarão) contra as necessidades dos que, por momentos, conseguiram iludir. A decisão é muito maior que entre opções clubistas por partidos, mas exige a coragem de mudar quase tudo nas nossas vidas e isso é aquilo que o medo não deixa vencer.
Este sistema de vida teve um pequeno terramoto em 2008, mas a lição que poderia ser tirada foi ocultada, escondida para que a «vida» pudesse continuar a ser como dantes. Estão, momentaneamente, refeitos. Só que as contradições internas e a insustentabilidade da mentira dessa vida voltarão a emergir num maremoto que tem de acontecer. Não, a história ainda não acabou e a onda haverá de chegar para os engolir, porque o progresso não é o avanço de uns cada vez em menor número, deixando de fora outros cada vez em maior número separados por um fosso que não pára de os afastar.
Naturalmente, entretanto, assaltarão os turistas no Algarve, roubarão as casas, pilharão o que puderem, devido à insustentabilidade da mentira. A real, não a de Sócrates, porque a deste é igual à de Portas e Coelho. Estes todos mentem à vez, tentando fazer-nos consumir a bebida inebriante da democracia do alterne. Meros instrumentos, como as outras, do dono da Casa, o Poder Financeiro.
(Imagem roubada (ladrão que rouba ladrão....) em http://devaneiosaoriente.blogspot.com/2011/05/passos-coelho-paulo-portas-e-jose.html)

segunda-feira, maio 23, 2011

Lá há aquele tempo que começa logo bem cedo antes do calor chegar e que dura como as pilhas do anúncio. Depois há o calor e a urgência de recolher ou da sesta e finalmente o dia recomeça já perto de acabar antes do mergulho final do sol, antes da ascensão da lua. Ali há tudo, com momentos e com cheiros com chilrear de pássaros e com silêncios como nas interpretações da Maria João Pires. Naquele sítio, nunca um dia é igual a outro, mesmo tendo ciclos de chegada e de partida, Nunca a rotina, que destrói o tempo daqui. Lá há momentos sempre irrepetíveis, únicos que se agarram à memória renovando-a. Aí percebo que a Vida é uma sucessão de momentos, não de rotinas geradoras de demências, os contornos são nítidos e não esfumados por uma mistura de cores sem sentido, redutora, aquilo que resulta da mistura ao acaso na paleta, a cor de merda.

sexta-feira, maio 20, 2011

A biblioteca em fogo


E agora que os estou a transplantar das urnas escondidas, onde os tinha enterrado há espera de melhores dias, e finalmente os levo para o novo local de vida, constato o tempo todo que perdi no adiamento da sua leitura e, por instantes, vem à ideia o risco de já não haver tempo para a tarefa de os consumir. Passamos demasiado tempo distraídos, convencidos, que o tempo não é urgente, que vai existir sempre até que um dia, de repente, percebermos a sua finitude. Há cada vez mais esse risco, à medida que o tempo passa. Ainda só uma constatação da razão, felizmente, sem a sensação dessa realidade. Mas só imaginar, já é suficientemente angustiante. É necessário, cada vez mais a cada dia que passa, caber no tempo. É imperioso e urgente ganhar o tempo, não perdendo nem um milésimo de segundo do seu escoar.

quinta-feira, maio 19, 2011

Fs

Depois de ver mais um debate:
O grande problema é a necessidade de encontrar uma solução global para 10 milhões numa terra onde há 10 milhões de soluções para a resolução de cada caso pessoal. Uma nação é muito mais que um somatório de indivíduos ou de seitas, é uma construção coletiva e solidária. E há anos que se anda a matar a solidariedade como valor.
Já nem se estranha que os telejornais abram e se demorem na visão da euforia do FCP (uma nação! li num cartaz...) . A isso se está reduzido, ontem, Fátima, hoje o Futebol, sempre, o mesmo Fado.
Há uma urgência de Fuga

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Leituras e traduções

1. Elogios dos Soares (os grandes ratos) a Portas. Tradução: quanto mais votarem nele, menos votos tem o Coelho, logo mais possibilidades terá o Grande Líder de continuar a ser o mais votado.
2. Diz o Grande Líder que o PR tem de escolher o partido mais votado para chefiar o governo . Tradução: só assim consegue ser PM e depois logo se vê... Talvez o Portas venha a «sacrificar-se» uma vez mais pela Nação como acabou recentemente de fazer ao apoiar o pacto com o «Triunvirato».
3. Coelho só será PM, se for o mais votado. Tradução: (Deve ser um bom jogador de poker este Coelho). Bluff absoluto! Se  querem um governo à direita, concentrem os votos no PSD. É a única forma de este se distanciar do PS e reforçar a sua legitimidade como partido maioritário de Governo. Depois dará uns lugarzitos ao Portas.
4. É possível um governo maioritário PSD/CDS, diz Portas. Tradução: Já desistiu de ser PM e  o seu objetivo é levar o maior número de ministros para o governo.
Eles não dizem, mas pensam (ou será que só calculam?).
E o Povo, pá? não entra na equação?

quarta-feira, maio 18, 2011

Dois consensos e incongruências

É curioso observar sta consensualidade relativamente ao futuro programa de governo escrito pelo FMI e Cia. São provavelmente mais de 80 % dos portugueses que vão apoiar nas urnas tal coisa. Presumivelmente, 6 meses depois de o futuro governo ter tomado posse, todos terão vtado nos restantes 20%. Pobre democracia de voto secreto!
Aliás, gerou-se outro consenso: a grande maioria das pessoas já percebeu que os portugueses andaram a gastar mais do que produziam e que, não restam dúvidas, eles (os outros) terão de produzir mais e gastar menos. Só que isso se aplica ao todo, mas não às partes, a cada um, porque, cada um, considera que produz o máximo e consome o mínimo possível. A culpa é deles (dos outros), como habitualmente. Ou seja, este é um país onde o todo não é a soma das partes.

domingo, maio 15, 2011

Coelho fica à porta

Cuidado com eles que não têm o ar agressivo e aguerrido dos lobos ou de outros predadores, mas, bem vistos os efeitos não deixam de ser igualmente destrutivos, ainda que tenham aquele ar dócil e fofinho que pode encantar até as crianças. Quem os vir sempre cautelosos e tímidos não lhes imagina a argúcia e a capacidade de ultrapassar obstáculos e destruir a produção. Atacam geralmente durante o escuro, trabalhando afincadamente pelos seu objetivos perversos.
Este foi um fim-de-semana em que iniciei a luta contra o coelho, mostrando-lhe que, no quadrado se não entra sem autorização, que este espaço é para desenvolver e obter os frutos do trabalho e não para entregar a parasitas manhosos.
Aqui o coelho fica de fora.

quinta-feira, abril 14, 2011

Três perguntas sobre a motivação das coisas

  1. Será que se construiriam hospitais se não houvesse doentes?
  2. A existência de médicos, só por si, justificaria o investimento? 
  3. E, já agora, os construtores civis seriam motivo suficiente para ter de os fazer? 

terça-feira, abril 12, 2011

Do virtual ao real

Começaram por dançar o tango, amuaram, depois foi às escondidas. E quem começou por dizer que tinha sido só (virtualmente) ao telefone, assume agora finalmente a relação real. Pelos vistos correu mal e foi um ato interrompido com todos os malefícios que isso traz à saúde e ao bem-estar.
Do virtual ao real ou os (maus) passos do coelho na busca da toca poderia ser o título longo da novela.
Mais coisa menos coisa estamos condenados a seguir os episódios deste amor mal-assumido, que acabará possivelmente em casamento com chispas de ódio e traições à primeira oportunidade.

segunda-feira, abril 11, 2011

Coelhos

Quando chego pela noite, encaro-os especados na beira da estrada indecisos no caminho a seguir. Geralmente, decidem-se pela travessia brusca ou atiram-se contra as cercas de arame procurando enfiar-se onde calha. Nervosos, sem rumo, os coelhos. São novitos, pouco refletidos, inseguros no caminho, a tentarem mostrar a eficácia de que são capazes em zigue-zagues sem fim, com passos rápidos e precipitados.
Algo de semelhante acontece ao outro Coelho, que agora escolheu um nobre sem tradição para lhe liderar uma lista que a primeira escolha tinha recusado. Nobre de segunda escolha e logo candidato a segunda figura do estado. Boa escolha para quem não quer  dar só um tiro no pé, mas auto-amputar-se sem demora!

sexta-feira, abril 08, 2011

Privilégios

No dicionário define-se como «Vantagem concedida a uma ou mais pessoas, com exclusão de outros e contra a regra geral: os privilégios da nobreza». Ainda uma herança de tempos de feudalismo, foram-se renovando, aperfeiçoando, atenuando também alguns, mas mesmo que muito decepados, resistem como as hidras.Chegam a estar dissimulados com o meio ambiente, mas estão lá em tudo o que resta de poder não controlado de forma objetiva e transparente. Acontece mesmo que na irracionalidade do destreino do pensamento, pode até acontecer que os próprios beneficiários já nem disso dêem conta de tal forma os incorporaram nos seus direitos naturais, que isto da natureza humana tem muito que se lhe diga. Enchem os dias das gentes e são trasnversais aos níveis sociais. Aliás, os níveis sociais só se percebem porque eles existem e só eles os justificam e mantêm. Momentos há na história em que têm crises de atenuação determinadas pelas circunstâncias e importa, que nessas alturas, o regulador da nova ordem não faça desaparecer uns para acentuar outros. Este é um momento onde isso pode acontecer se não se for suficientemente vigilante.

quinta-feira, abril 07, 2011

Salvadores

Afinal a crise está a ser resolvida. Os desempregados, os reformados e todos os enrascados, conhecedores do funcionamento destas coisas, tinham comprado, na véspera, acções da Banca aos milhões,  saindo dessa forma da situação desesperada em que se encontravam.
PSDPSPSDPSPSD (ler ao longo dos últimos 30 anos pela ordem que se achar melhor com mais ou menos D é igual) fizeram, mais uma vez, a opção certa  e o país vai em frente (depois de estar na beira do precipício).
(foto roubada no Público online)

quarta-feira, abril 06, 2011

Ao Fundo!


Meu país meu pais
Do céu límpido calmo
De campos cultivados
De praias e montanhas.

É para ti meu canto
A minha esperança.

Ouço a tua voz triste
Oh, meu país sem culpa
Ouço-a nos dias mornos
No amanhecer cinzento.

E é para ti meu canto
A minha esperança.

Meu país onde a traição domina
E o medo assoma nas encruzilhadas
Meu país de prisões e covardias
E de ladrões de estradas.

Meu país de operários
Cavadores, marinheiros
Meu país de mãos grossas
Plebeu, sensual, resistente.

É para ti meu canto
A minha esperança.

Para ti meu país
Levanto a minha voz sobre o silêncio
Desta noite de angústias
E de medos.

Nada pode calar
O nosso riso aberto
Ei-lo que invade
A terra portuguesa
E vozes juvenis formam o coro.

Por isso é para ti meu canto
A minha esperança.

Já ouço passos,
Vêem na distância
Desfraldando bandeiras e cantando
E é para ti oh! meu país liberto
O seu canto de esperança e claridade



(Daniel Filipe)

sexta-feira, abril 01, 2011

Perguntas

Duas perguntas:
  1. Quanto tempo sobreviveu a Humanidade sem a Banca e o poder financeiro?
  2. Quanto tempo mais sobreviverá a Humanidade com a Banca e o Poder Financeiro?
Qualquer estratégia de vitória, exige a definição concreta do inimigo principal. Identificado o alvo, o passo seguinte é acertar-lhe e liquidá-lo. Na luta pela sobrevivência não há limites para o arsenal.

segunda-feira, março 28, 2011

Premiados

A arquitectura é a poesia da edificação. Deve ser por isso que, num país de poetas, 2 portugueses chegaram ao prémio Pritzker. A poesia é o sonho por onde se vai, a engenharia a prosa da obra. Arredados do trabalho e do cálculo matemático, resta o projecto. Ao menos isso, que alguns sejam maiores que o país pequeno e periférico onde nasceram. Isto apesar do escritor António achar que, pelo contrário, Portugal é um país grande e central. Grande e central será porque o tem a ele, certamente. Mas seguramente ainda mais, porque Saramago um dia concebeu uma jangada.
A uns aprecio a linearidade simples e a função dos espaços e da escrita precisa; já o outro me parece ocupar espaço excessivo pela insuflação do ego.

sábado, março 26, 2011