segunda-feira, janeiro 02, 2012

Do Tempo e seus desejos

Há no parto de cada ano esta tendência para o exagero do desejo, Bom Ano, ao contrário do singelo e limitado, Bom dia, de todos os dias.  Com efeito, um ano é muito tempo para se desejar de uma só vez, nem se consegue perceber o tamanho. De de tal forma assim é que foi partido em meses, que ninguém deseja, em semanas, de que só desejamos o bom fim e dias que é aquilo que geralmente dá para desejar, mesmo que seja à noite. Ainda há desejos específicos para grávidas em fim de tempo, bem mais modestos, Uma boa horinha, que, curiosamente, na maior parte dos casos acaba por ser uma data de horas e, não poucas vezes, termina em cesariana de alguns minutos.

terça-feira, dezembro 27, 2011

Factos e mitos

Como é que a economia que mais cresce no mundo, consegue viver sem bancos privados? Na http://pt.wikipedia.org/wiki/Economia_da_Rep%C3%BAblica_Popular_da_China:
A maior parte das instituições financeiras da China é estatal, e 98% das ações bancárias também são estatais. Os instrumentos que comandam as políticas fiscais e financeira são controlados pelo Banco Popular da China e pelo Ministério das Finanças, ambos controlados pelo Conselho de Estado. O Banco Popular da China substituiu o Banco Central da China e gradualmente tomou o controle de bancos privados. O banco cumpre muitas funções de outros bancos centrais ecomerciais. O banco também emite a moeda, controla sua circulação e desempenha a função importante de cobrir os disparidades orçamentais. Ademais, o banco administra as contas, os pagamentos e os recebimentos de organizações governamentais e de outras instituições, que permite ao banco de exercer uma total supervisão sobre os seus desempenhos financeiros e gerais que estão sob consideração aos planos econômicos do governo. O banco também é responsável pelo comércio exterior e outras transações estrangeiras. As remessas de capital parachineses no exterior são gerenciadas pelo Banco da China, que tem várias ramificações em muitos países.
Pelos vistos um estado superobeso detentor e gestor de bancos sem a força impulsionadora dos mercados, consegue melhor desempenho que  um estado elegante que passa a vida a necessitar de impostos e austeridade para os seus cidadãos para não deixar  bancos privados empreendedores irem à falência no sacro-santo mercado.

Ponto de viragem

Dentro de certos limites...
a) o stress melhora o desempenho
b) o débito cardíaco aumenta se o comprimento da célula cardíaca for maior na diástole
c) aumentando os impostos a receita do estado aumenta
São várias as curvas em que os resultados sobem até um determinado ponto a partir do qual se instala a rotura e a falência, por vezes irreversível. Pois é, a certo momento a água começa a borbulhar, deixa de estar quieta, deita por fora e não vale a pena tapar a panela, porque aí, é ela que rebenta.

segunda-feira, dezembro 26, 2011

Para confirmar depois

Já todos tínhamos ouvido algo semelhante dito pelos partidos fora do arco do poder (acho deliciosa esta designação meio pimba e com sabor a marchas populares, mas prefiro chamar-lhes partidos do alterne)
Deixo o link para o Público:
http://economia.publico.pt/noticia/para-sair-da-crise-e-preciso-romper-com-a-troika-e-obrigala-a-renegociar-a-divida-1526489
A publicação pode ser um sintoma de que algumas dúvidas começam já a minar as estruturas para os lados de D. Belmiro.
No fundo, é algo para se testar a validade dentro de meses.

sábado, dezembro 24, 2011

Pausa

Por mais que queiramos passar ao lado, há datas que nos marcam e nos despertam a memória e os registos. Há um ambiente opressivo à volta delas. Nestas alturas, imagino sempre as dificuldades dos que estão fora do conceito e  a forma irritada como devem ouvir falar da paz e do amor. Já não os conhecem há tempos na sobrevivência que lhes resta. Importaria haver algum pudor que os poupasse ao confronto. se as desigualdades e injustiças podem desconfortar os que não as têm, pode imaginar-se (será que se pode mesmo?) o desconforto que determinarão nas vítimas.

quinta-feira, dezembro 22, 2011

Prendas de Natal e todo o ano

A promessa era cortar na despesa e diminuir a receita. Só que não esclareceram quem era o sujeito da frase. O programa vai ser cumprido, o sujeito éramos nós: vamos cortar nas nossas despesas e reduzir as nossas receitas. Começou por 1/2 14º mês, continuou com o 13º e 14º (versão completa) e agora menos a receita de 23 dias de trabalho. Ou seja, o 12º mês também já lá vai. Quando reagiremos? Depois do 11º? do 10º? do 9º?.... Quando? Jornada de trabalho de sol a sol? Fila diária para nos darem trabalho nesse dia?
Será este o caminho?
Industries such as the cotton trade were particularly hard for workers to endure long hours of labour. The nature of the work being done meant that the workplace had to be very hot, steam engines  contributing further to the heat in this and other industries. Machinery was not always fenced off and workers would be exposed to the moving parts of the machines whilst they worked. Children were often employed to move between these dangerous machines as they were small enough to fit between tightly packed machinery. This led to them being placed in a great deal of danger and mortality (death rates) were quite high in factories. Added to the dangers of the workplace also consider the impact of the hours worked. It was quite common for workers to work 12 hours or more a day, in the hot and physically exhausting work places. Exhaustion naturally leads to the worker becoming sluggish (slow), which again makes the workplace more dangerous.
Not all factories were as bad as the scenario highlighted above. Robert owen and Titus salt  for example were both regarded as good employers in this respect. They were amongst a group of people who were known as reformers. These people wanted changes to the way that factories were run. They faced opposition from other mill owners who knew that reforms would cost them money and give the workers more rights. (They wanted to make as much profit as possible remember, that is the purpose of manufacturing in a capitalist country).
The reformers gradually managed to force changes to the way that workers were treated. Some of these reforms are listedbelow.
Factory Act 1819Limited the hours worked by children to a maximum of 12 per day.
Factory Act 1833Children under 9 banned from working in the textiles industry  and 10-13 year olds  limited to a 48 hour week.
Factory Act 1844Maximum of 12 hours work per day for Women.
Factory Act 1847Maximum of 10 hours work per day for Women and children.
Factory Act 1850Increased hours worked by Women and children to 10 and a half hours a day, but not allowed to work before 6am or after 6pm.
1874No worker allowed to work more than 56.5 hours per week.
Em: 
http://www.schoolshistory.org.uk/IndustrialRevolution/workingconditions.htm
Tudo isto será porque o trabalho liberta?



quarta-feira, dezembro 21, 2011

Tempos ordinários

Vieram um dia e levaram-nos os meses extraordinários... eu disse, mas muitos não disseram nada, porque não eram funcionários públicos;
Vieram noutro dia e levaram as horas extraordinárias... eu disse, mas muitos não disseram nada, porque não eram médicos;
Virão outro dia roubar-nos os dias... já ninguém dirá nada, porque já todos emigraram?
Vão ordinários estes tempos de vertigem acelerada até ao vazio.

segunda-feira, dezembro 19, 2011

Obviamente, demita-se!

Quando tudo o que um Primeiro Ministro tem para resolver os problemas dos seus cidadãos é sugerir-lhes que emigrem, o que está a afirmar e a pedir-lhes é que vão ser governados por outros mais competentes e capazes de lhes assegurarem o bem-estar, ou seja, está a declarar-se incompetente para o cargo e a pedir que o substituam.
Se o seu programa de governo enquanto candidato era um e agora o que propõe é o inverso do prometido e na base do que foi eleito e chega ao ponto de pedir aos cidadãos que emigrem, apenas lhe resta uma saída: Demita-se! Assuma a mentira.

domingo, dezembro 18, 2011

Solidão

Ficar assim ao fundo da escada, esperando com o olhar vago de possivelmente já nada mais vir a acontecer além da espera inútil e sentir a inutilidade do movimento. Porque esse só tem sentido, quando há um sentido para a marcha. E fica-se à espera de nada acontecer até um tempo qualquer.

sexta-feira, dezembro 16, 2011

eMundo

Em poucos dias dois episódios no fundo semelhantes. Primeiro, a conversa de José Sócrates, agora a posição de Pedro Nuno Santos. Semelhantes, não pelo conteúdo ou importância das posições (e pessoalmente, sempre detestei discursos politicamente corretos, unanimistas, de ir com as outras), mas nas circunstâncias em que foram proferidos. Trata-se de reuniões de grupo em que os ouvintes se supõe estarem do mesmo lado do orador, em que deveria, por isso, haver alguma parcimónia na divulgação e solidariedade na posição. Mas, quer num caso quer no outro, não foi isso que aconteceu e, quem deveria ser aliado, traiu quem falou, deu armas ao inimigo ou como também se dizia, bufou. Para os mais novos chibou.
Pode isto acontecer apenas pela vontade incontrolável de ser repórter, dar a notícia, pôr no youtube, criar som e ficar com a alegria incontida de ter causado uma onda no pântano. Pode a coisa ser mais nojenta e imunda e haver infiltrados, verdadeiros bufos entre a assistência nestas reuniões, prenunciadora de um regresso a algum passado e nesse caso é ainda mais preocupante. Mas de uma maneira ou de outra, a consequência poderá ser o fim da liberdade de expressão, a auto-censura do que dizemos, porque temos de desconfiar dos parceiros que julgamos serem nossos camaradas. E vamos dizer com cuidado, o que tira necessariamente algum grau de veracidade ao que dizemos. Todos vamos ficar a saber menos do que poderíamos saber nas conversas de amigos. Pode sempre haver um telemóvel de câmara ligada neste eMundo.

quinta-feira, dezembro 15, 2011

Os dias dos anos

Ao princípio é ao dia, depois à semana e ao mês, finalmente aos anos. Há aqueles momentos em que a década muda e se entra nos inta e depois nos enta. Depois, enfim, até aos cem não se passa nada e nessa altura também, quase sempre nada se passa. Na maioria dos casos, somos nós que já passámos.
Passam assim estes dias como dias de todos os dias, só perturbados pelas linhas encontradas no facebook em que os automatismos acordam os conhecidos.
E pronto, já está mais um dia passado, que foi mais um ano. E de ano em ano nos vamos encontrando nalguma deceção do que não acontece, aqui e além interrompidos por alguns salpicos de sorriso. Há sobretudo uma grande acalmia que os anos dão a estes dias.

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Slow

A cidade vai ficando mais ao longe quando nos reencontramos aqui, onde os vizinhos se conhecem (porque vivem mais distantes e o espaço lhes dá a liberdade dos encontros?) e as experiências se trocam em diálogos lentos de comunicação e entreajuda, com vista a ultrapassar as dificuldades comuns que encontramos. De um vem uma ideia, de outro um conhecimentos porque a ideia já foi experimentada, do outro um alerta porque existe um perigo não imaginado e, no fim do dia, há uma cultura que cresce. Cultiva-se com o saber de experiências feito, com aquilo que se ficou a saber depois de nos esquecermos do que aprendemos. Há uma solidez que emerge da realidade e não uma imagem que cresce de um mundo virtual. A gente aqui é de carne e osso, não tem sempre sorrisos e umas vezes ganha e outras perde, porque a vida é esse jogo em que se não vence sempre. É-se, não se parece. Mas nisto da vida mais vale ser mouro do que mourinho. Assim se é especial, na realidade. Para nos encontrarmos temos de ter o tempo de nos sentirmos e andar a 10 km/h é a melhor maneira de perceber todos os centímetros.

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Bloqueio comercial

Não me seduz grandemente comprar português, mas começo a achar ser urgente boicotar o que é alemão. Até para que a Imperadora e seu povo trabalhador sejam obrigados a consumir o que produzem e não tenham tanta razão de queixa de quem lhes deve. Nessa altura pensarão renegociar os custos...

quinta-feira, dezembro 01, 2011

Há sempre caminhos novos

outros caminhos que nos vêm do frio. Esta será apenas uma das alternativas que nos têm vindo a esconder? Está  a chegar a hora de os procurarmos.

terça-feira, novembro 29, 2011

Fim do mundo e jantar de curso

O Expresso tem esta vantagem, é inspirador.
1. Na última edição Miguel Sousa Tavares, comunica-nos que esta Era acabou. Segundo ele, acabou a era em que havia solidariedade entre as pessoas e agora é cada um por si conforme exemplifica com o seu exemplo pessoal. Ele previu o fim das garantias de vida estável, da organização das sociedades. Às vezes, têm-se filhos para isto (Sousa Tavares pai e a mãe Sophia devem estar aos tombos nas tumbas).
Segundo este autor, o caminho será a existência de 10 milhões de indivíduos que fazem comentários na televisão e conseguem vender livros através da notoriedade que isso lhes confere. Nada de aturar patrões incompetentes. Ausência de organização social, já. «O mundo confortável que nos prometeram e em que quisemos acreditar acabou». Está decretado o fim do mundo! Mas o fim do mundo, como, aliás, reconhece para o fim do artigo teve que ver com algumas perversões dos «piratas do subprime americano, da bolha imobiliária espanhola ou do sistema bancário irlandês» e «não podemos continuar a tolerar o dumping social e fiscal e o crime das offshores». Afinal «há aqui alguém que apostou e está a ganhar com a ruína dos pobres e a liquidação do euro e da própria ideia de Europa».
Se calhar, então, mas não o refere o iluminado, a solução não é o fim do mundo que anuncia necessário, destruindo a organização social e a solidariedade, mas tão só «reinventar um caminho novo» em que a complexidade e atribulação consiste na supressão das perversões, das bolhas e do sistema bancário. Depois disso e  do fim das virtualidades, voltaremos à realidade e tranquilidade da vida com novos valores e sem ser necessário acabarmos com o mundo confortável em que vivíamos.
2. No jornal de Economia, publicado por um distinto Professor de Economia da Stern School of Business, vem outra peça iluminada, em que resumidamente se explica que isto dos jantares de curso em que a conta é dividida por todos independentemente do que cada um bebe, consiste numa «divergência fatal entre o custo real e o custo enfrentado pelo decisor relevante». Isto para nos explicar com a metáfora que no Euro não é tolerável que os países possam ser solidários entre si e haja uns que gastam e outros que produzem. Mas produzem para quem gastar? Ou quem beneficia com os gastos?
Acho que neste jantar de curso da Europa, o problema que não está bem percebido é que o jantar foi servido para todos no restaurante alemão, que criou um clima de festa mal regulada, incentivando o consumo da cerveja e, só  no fim, decidiu apresentar a conta. Entretanto vendeu a cerveja. E se, com a irreverência estudantil, dissermos, não pagamos!? Vão continuar a produzir cerveja para deitar ao Reno?Conseguem sobreviver sem os beberrões?

segunda-feira, novembro 28, 2011

Um pai oculto

 (roubado em http://www.youtube.com/user/M4rciano.)
Estão aí alguns dos possíveis suspeitos, mas, estou convencido, que o verdadeiro pai está oculto, alguns num offshore, por exemplo.

sábado, novembro 26, 2011

Fora o árbitro!

Na lapela esquerda usam agora uma bandeira. Aqui mostra-se o capitão da equipa. Os outros têm uma igual. Como lhes chamar? Bandeirantes? Apesar de terem ido à procura de ouro no Alentejo e petróleo em Peniche, não parece que possam concorrer (pelo menos nos resultados) com os verdadeiros que procuraram as riquezas no Sertão.
Estes são mais bandeirinhas, correm alinhados para trás e para a frente, auxiliando o (a) grande árbitro que apita em Berlim. E o intercomunicador funciona numa só direção, do árbitro para os alinhados bandeirinhas. Levantam a bandeira ou deixam-na abaixada de acordo com as ordens na esperança de que os dirigentes (poder financeiro) lhes forneça a fruta fresca no fim do jogo. Não têm opinião, cumprem simplesmente as ordens do árbitro. Mas o jogo, esse só existe se os jogadores o fizerem.

sexta-feira, novembro 25, 2011

Números da greve

Ontem fomos informados que só 10% dos trabalhadores fizeram greve. O problema assim colocado não parece ter sido grande. No entanto, são 10% que trabalham que se fartam e isto vos garanto.
No caso das consultas externas de um grande hospital de Lisboa, foram realizadas nesta quinta-feira cerca de metade das consultas relativamente ao número habitual neste dia da semana. Assim se conclui que  90 % dos que foram trabalhar fazem tanto, quanto os 10% que fizeram greve, ou seja foi trabalhar quem habitualmente pouco faz!
Há que ser mais rigoroso na apreciação dos números.

quinta-feira, novembro 24, 2011

Greve geral

Relvas: situação de Portugal só será ultrapassada com muito trabalho





Sem dúvida e todos sabemos que não é tarefa fácil retirar o poder a estes dominadores que lá chegaram mentindo aos eleitores. Vai dar muito trabalho, mas nesse campo há um grupo mais habilitado, os dominados de agora. Sempre trabalharam, têm um longo curriculum e competência no campo do trabalho a fazer. Hoje não trabalharam para o poder como fazem todos os dias, fizeram um intervalo para trabalharem para si. Mais dias serão necessários até que fique à vista toda a completa falta de suporte destes governantes. Porque o Trabalho é a alternativa, a trabalhar se continuará até à defenestração final dos usurpadores.

É uma questão de tempo, eles sabem, começam já a estar nervosos.


Segunda nota: os «abençoados» classificadores atribuem hoje a nota de lixo... porque não há crescimento, parece.