domingo, dezembro 18, 2011

Solidão

Ficar assim ao fundo da escada, esperando com o olhar vago de possivelmente já nada mais vir a acontecer além da espera inútil e sentir a inutilidade do movimento. Porque esse só tem sentido, quando há um sentido para a marcha. E fica-se à espera de nada acontecer até um tempo qualquer.

sexta-feira, dezembro 16, 2011

eMundo

Em poucos dias dois episódios no fundo semelhantes. Primeiro, a conversa de José Sócrates, agora a posição de Pedro Nuno Santos. Semelhantes, não pelo conteúdo ou importância das posições (e pessoalmente, sempre detestei discursos politicamente corretos, unanimistas, de ir com as outras), mas nas circunstâncias em que foram proferidos. Trata-se de reuniões de grupo em que os ouvintes se supõe estarem do mesmo lado do orador, em que deveria, por isso, haver alguma parcimónia na divulgação e solidariedade na posição. Mas, quer num caso quer no outro, não foi isso que aconteceu e, quem deveria ser aliado, traiu quem falou, deu armas ao inimigo ou como também se dizia, bufou. Para os mais novos chibou.
Pode isto acontecer apenas pela vontade incontrolável de ser repórter, dar a notícia, pôr no youtube, criar som e ficar com a alegria incontida de ter causado uma onda no pântano. Pode a coisa ser mais nojenta e imunda e haver infiltrados, verdadeiros bufos entre a assistência nestas reuniões, prenunciadora de um regresso a algum passado e nesse caso é ainda mais preocupante. Mas de uma maneira ou de outra, a consequência poderá ser o fim da liberdade de expressão, a auto-censura do que dizemos, porque temos de desconfiar dos parceiros que julgamos serem nossos camaradas. E vamos dizer com cuidado, o que tira necessariamente algum grau de veracidade ao que dizemos. Todos vamos ficar a saber menos do que poderíamos saber nas conversas de amigos. Pode sempre haver um telemóvel de câmara ligada neste eMundo.

quinta-feira, dezembro 15, 2011

Os dias dos anos

Ao princípio é ao dia, depois à semana e ao mês, finalmente aos anos. Há aqueles momentos em que a década muda e se entra nos inta e depois nos enta. Depois, enfim, até aos cem não se passa nada e nessa altura também, quase sempre nada se passa. Na maioria dos casos, somos nós que já passámos.
Passam assim estes dias como dias de todos os dias, só perturbados pelas linhas encontradas no facebook em que os automatismos acordam os conhecidos.
E pronto, já está mais um dia passado, que foi mais um ano. E de ano em ano nos vamos encontrando nalguma deceção do que não acontece, aqui e além interrompidos por alguns salpicos de sorriso. Há sobretudo uma grande acalmia que os anos dão a estes dias.

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Slow

A cidade vai ficando mais ao longe quando nos reencontramos aqui, onde os vizinhos se conhecem (porque vivem mais distantes e o espaço lhes dá a liberdade dos encontros?) e as experiências se trocam em diálogos lentos de comunicação e entreajuda, com vista a ultrapassar as dificuldades comuns que encontramos. De um vem uma ideia, de outro um conhecimentos porque a ideia já foi experimentada, do outro um alerta porque existe um perigo não imaginado e, no fim do dia, há uma cultura que cresce. Cultiva-se com o saber de experiências feito, com aquilo que se ficou a saber depois de nos esquecermos do que aprendemos. Há uma solidez que emerge da realidade e não uma imagem que cresce de um mundo virtual. A gente aqui é de carne e osso, não tem sempre sorrisos e umas vezes ganha e outras perde, porque a vida é esse jogo em que se não vence sempre. É-se, não se parece. Mas nisto da vida mais vale ser mouro do que mourinho. Assim se é especial, na realidade. Para nos encontrarmos temos de ter o tempo de nos sentirmos e andar a 10 km/h é a melhor maneira de perceber todos os centímetros.

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Bloqueio comercial

Não me seduz grandemente comprar português, mas começo a achar ser urgente boicotar o que é alemão. Até para que a Imperadora e seu povo trabalhador sejam obrigados a consumir o que produzem e não tenham tanta razão de queixa de quem lhes deve. Nessa altura pensarão renegociar os custos...

quinta-feira, dezembro 01, 2011

Há sempre caminhos novos

outros caminhos que nos vêm do frio. Esta será apenas uma das alternativas que nos têm vindo a esconder? Está  a chegar a hora de os procurarmos.

terça-feira, novembro 29, 2011

Fim do mundo e jantar de curso

O Expresso tem esta vantagem, é inspirador.
1. Na última edição Miguel Sousa Tavares, comunica-nos que esta Era acabou. Segundo ele, acabou a era em que havia solidariedade entre as pessoas e agora é cada um por si conforme exemplifica com o seu exemplo pessoal. Ele previu o fim das garantias de vida estável, da organização das sociedades. Às vezes, têm-se filhos para isto (Sousa Tavares pai e a mãe Sophia devem estar aos tombos nas tumbas).
Segundo este autor, o caminho será a existência de 10 milhões de indivíduos que fazem comentários na televisão e conseguem vender livros através da notoriedade que isso lhes confere. Nada de aturar patrões incompetentes. Ausência de organização social, já. «O mundo confortável que nos prometeram e em que quisemos acreditar acabou». Está decretado o fim do mundo! Mas o fim do mundo, como, aliás, reconhece para o fim do artigo teve que ver com algumas perversões dos «piratas do subprime americano, da bolha imobiliária espanhola ou do sistema bancário irlandês» e «não podemos continuar a tolerar o dumping social e fiscal e o crime das offshores». Afinal «há aqui alguém que apostou e está a ganhar com a ruína dos pobres e a liquidação do euro e da própria ideia de Europa».
Se calhar, então, mas não o refere o iluminado, a solução não é o fim do mundo que anuncia necessário, destruindo a organização social e a solidariedade, mas tão só «reinventar um caminho novo» em que a complexidade e atribulação consiste na supressão das perversões, das bolhas e do sistema bancário. Depois disso e  do fim das virtualidades, voltaremos à realidade e tranquilidade da vida com novos valores e sem ser necessário acabarmos com o mundo confortável em que vivíamos.
2. No jornal de Economia, publicado por um distinto Professor de Economia da Stern School of Business, vem outra peça iluminada, em que resumidamente se explica que isto dos jantares de curso em que a conta é dividida por todos independentemente do que cada um bebe, consiste numa «divergência fatal entre o custo real e o custo enfrentado pelo decisor relevante». Isto para nos explicar com a metáfora que no Euro não é tolerável que os países possam ser solidários entre si e haja uns que gastam e outros que produzem. Mas produzem para quem gastar? Ou quem beneficia com os gastos?
Acho que neste jantar de curso da Europa, o problema que não está bem percebido é que o jantar foi servido para todos no restaurante alemão, que criou um clima de festa mal regulada, incentivando o consumo da cerveja e, só  no fim, decidiu apresentar a conta. Entretanto vendeu a cerveja. E se, com a irreverência estudantil, dissermos, não pagamos!? Vão continuar a produzir cerveja para deitar ao Reno?Conseguem sobreviver sem os beberrões?

segunda-feira, novembro 28, 2011

Um pai oculto

 (roubado em http://www.youtube.com/user/M4rciano.)
Estão aí alguns dos possíveis suspeitos, mas, estou convencido, que o verdadeiro pai está oculto, alguns num offshore, por exemplo.

sábado, novembro 26, 2011

Fora o árbitro!

Na lapela esquerda usam agora uma bandeira. Aqui mostra-se o capitão da equipa. Os outros têm uma igual. Como lhes chamar? Bandeirantes? Apesar de terem ido à procura de ouro no Alentejo e petróleo em Peniche, não parece que possam concorrer (pelo menos nos resultados) com os verdadeiros que procuraram as riquezas no Sertão.
Estes são mais bandeirinhas, correm alinhados para trás e para a frente, auxiliando o (a) grande árbitro que apita em Berlim. E o intercomunicador funciona numa só direção, do árbitro para os alinhados bandeirinhas. Levantam a bandeira ou deixam-na abaixada de acordo com as ordens na esperança de que os dirigentes (poder financeiro) lhes forneça a fruta fresca no fim do jogo. Não têm opinião, cumprem simplesmente as ordens do árbitro. Mas o jogo, esse só existe se os jogadores o fizerem.

sexta-feira, novembro 25, 2011

Números da greve

Ontem fomos informados que só 10% dos trabalhadores fizeram greve. O problema assim colocado não parece ter sido grande. No entanto, são 10% que trabalham que se fartam e isto vos garanto.
No caso das consultas externas de um grande hospital de Lisboa, foram realizadas nesta quinta-feira cerca de metade das consultas relativamente ao número habitual neste dia da semana. Assim se conclui que  90 % dos que foram trabalhar fazem tanto, quanto os 10% que fizeram greve, ou seja foi trabalhar quem habitualmente pouco faz!
Há que ser mais rigoroso na apreciação dos números.

quinta-feira, novembro 24, 2011

Greve geral

Relvas: situação de Portugal só será ultrapassada com muito trabalho





Sem dúvida e todos sabemos que não é tarefa fácil retirar o poder a estes dominadores que lá chegaram mentindo aos eleitores. Vai dar muito trabalho, mas nesse campo há um grupo mais habilitado, os dominados de agora. Sempre trabalharam, têm um longo curriculum e competência no campo do trabalho a fazer. Hoje não trabalharam para o poder como fazem todos os dias, fizeram um intervalo para trabalharem para si. Mais dias serão necessários até que fique à vista toda a completa falta de suporte destes governantes. Porque o Trabalho é a alternativa, a trabalhar se continuará até à defenestração final dos usurpadores.

É uma questão de tempo, eles sabem, começam já a estar nervosos.


Segunda nota: os «abençoados» classificadores atribuem hoje a nota de lixo... porque não há crescimento, parece. 

quarta-feira, novembro 23, 2011

terça-feira, novembro 22, 2011

Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Não é fácil aqui chegar nos tempos que correm, quando as incertezas do futuro inclinam a subida do percurso. Mas ele chegou pujante, enérgico e forte. Vai ser difícil de vencer e, mesmo nas adversidades do momento, há uma esperança que subsiste, possivelmente a única coisa por que vale lutar. E a luta continua, pá! Como se diz na canção, junta-te a nós companheiro.
Apesar de tudo, hoje foi um dia que começou com nuvens e frio e acabou quente e com sorrisos. Vamos viver um dia de cada vez, porque a depressão instalada não vai durar sempre e nunca assim foi na História. Por isso, certamente, melhores dias havemos de ter (ainda que os planetas alinhem e alguns conceitos adquiridos tenham de ser mudados radicalmente). Só sabemos que não desistimos. Em frente, pá, hoje é o primeiro dia do resto da tua vida (como canta o outro).
Conta com o avô sempre que quiseres.

segunda-feira, novembro 21, 2011

Duche escocês

Este governo converteu-se num SPA
De há uns tempo a para cá é assim a estratégia deste governo: primeiro a notícia má... depois a menos má a contrariar a primeira. Mais uma vez agora assim foi a propósito dos funcionários públicos.
Mas acham que somos todos parvos? Ainda assim há bastantes, eu sei. Mas olhem que vai só durar até um destes dias. O povo vai dar conta da banhada.

Texto e música

Instruções de utilização:
 -clica-se na música e de seguida abre-se (botão direito do rato) o link numa nova janela.

http://www.leap2020.eu/GEAB-N-59-est-disponible-Crise-systemique-globale-30-000-milliards-USD-d-actifs-fantomes-vont-disparaitre-d-ici-debut_a8138.html (original em francês) ou http://www.resistir.info/crise/geab_59.html (tradução em português)

e

domingo, novembro 20, 2011

Conto da planície I


Viu com contornos precisos o homem que apareceu no cimo da colina, com passo firme e destino determinado. Caminhava naquele fim de tarde, vestindo desportivamente, mal deixando perceber algo que lhe pendia do ombro. Esfregou os olhos para ver melhor e, claramente, era uma corda grossa de sisal, daquelas que vira usar a prender carradas de mato nos carros que povoaram a sua infância puxados por vacas em chiadeira intensa serra abaixo. Mas era mais curta, bem mais curta. Nesse instante, lembrou-se do vento suão e sorriu na antecipação da brisa a varrer-lhe a face. Há momentos em que o espaço nos envolve e voltamos ao útero por instantes. Pelo menos imagina-se que o útero assim deva ser, apesar de ser impossível confirmar por razões óbvias a evidência da coisa.
E o homem continuava a descer, na encosta, determinado. Olhava-o e ansiava perceber o que lhe iria na cabeça, mas não conseguia perceber o que diziam os olhos à distância a que estava. É nos olhos que deciframos o mais fundo da alma ou os segredos bem guardados. Mas estavam tão longe que nem com a tele de 800 mm lá conseguia chegar. Quando estava quase enquadrado, a distância desfocava a imagem e a mudança de posição fazia perder o objeto. Houve ali uns instantes de desnorte com o objeto a fugir para fora da mira. Felizmente, momentos breves, que quebravam a sequência mas não a história. A sequência temporal das fotos deixa perceber a narrativa. Continuava a avançar sempre na mesma direção. Acontece algumas vezes nestes casos que a distância até ao destino que se não adivinha parece tender para o infinito. É sempre longo o caminho que se não conhece, porque tem a distância das dúvidas e a incerteza da chegada alguma vez. E mais ainda é para quem vê andar do que para quem anda. Fica-se sempre a perguntar, para onde raio é que ele vai. O desconhecido fica menos oculto quando se desvenda e mais insondável quando o tentamos perceber pelo caminho que os outros percorrem.
A caminhada continuava, mas aquela distância nem se imaginava onde terminaria. Além, no rio? Não, viu-o passar o rio de um salto, confirmando que os grandes desafios se ultrapassam com decisão e leveza de gestos. Aterrou suave na outra margem e foi nesse movimento que a corda voou como um chicote e deu a perceber que era de uma grossura ainda maior que tinha parecido alguns instantes antes quando pendia do ombro. Sim, era uma corda só um pouco menor que a das amarras dos barcos e tinha aspeto novo ainda sem a cor escura que o tempo e a chuva lhes dão. E a descida continuava.
Foi então que lá longe começou a avistar o zambujeiro emergente do granito. Seria aquele o destino provável e, nesse instante, foi percorrido por um sobressalto, tanto mais que sentia mais que nunca o vento suão. E é sabida a relação de homens sozinhos, cordas e vento suão. Nesse momento percebeu que algo o prendia, o impedia de se levantar e que também a voz lhe não saía. Debateu-se sem sucesso. Estaria amarrado? Não, porque então poderia gritar. Teria tido um AVC? Também não, sentia todos os membros paralisados. E também não estaria morto, porque as ideias continuavam a percorrer-lhe a cabeça. Não percebia como estava ali impotente, sem poder participar na ação, limitado a ver. Como os espectadores da televisão. E sem a capacidade do zapping, porque fixado na imagem. Absolutamente focalizado percebeu tudo de repente, quando o viu atirar a corda para o ramo alto da árvore. Tinham acabado as dúvidas e uma angústia ainda maior invadiu-o todo. Ali fixado, parado, incapaz de agir e condenado a ver aquela cena em direto. Era claro, de seguida, iria subir para a pedra, fazer um nó, colocar o pescoço dentro dele e, finalmente, projetar-se no espaço ficando a oscilar na brisa do vento suão. Nunca tinha conseguido perceber porque se antecipa o certo, mas percebia bem que há momentos em que tudo parece encerrado. Daí, começou a sentir uma espécie de solidariedade com o homem vestido desportivamente que atirava a corda de forma firme por cima do ramo grosso do zambujeiro. Fechou os olhos, apesar de tudo, recusando o espetáculo inevitável da morte em direto. Achou curioso ter conseguido fazer esse movimento e ficar na escuridão ouvindo melhor a brisa do fim da tarde. Teve pena de não ser crente para pedir a um Deus que interviesse e livrasse aquele desgraçado de tal sorte. Mas uma vez mais, também aí as soluções lhe fugiam. Só a consolação de poder continuar de olhos fechados, longe da visão, mas perto da certeza daquele desfecho inevitável.
No final da tarde, quase sem vento, havia um silêncio imenso que desmascarava qualquer movimento mesmo longínquo. Cerrou mais os olhos à espera de um estalo, seco que ecoasse na planície ou talvez mesmo um último grito, desesperado, de um arrependimento fora de tempo. Nada. Antes um roçar de vai-vém e um esvoaçar de pássaros.
De novo se surpreendeu porque conseguiu agora esfregar os olhos naquele gesto prévio a tentarmos ver melhor e primeiro desfocado, mas depois cada vez melhor viu o homem que vestia desportivamente sentado no baloiço voando para trás e para a frente. Quando abriu, finalmente, os olhos apenas havia o zambujeiro e nem vestígios de homem, nem de forca nem do baloiço. O vento suão era quase inaudível.
Deitado na rede brasileira na tarde quente depois do almoço não tinha resistido à brisa morna que o embalava. Depressa o murmúrio das folhas tinha ficado distante, o livro oscilou alguns instantes para baixo e para cima até lhe cair finalmente no colo.
Tinha um dia dito que era no sonho que melhor experimentava a realidade.

quinta-feira, novembro 17, 2011

Inertes

Estive tentado a colocar aqui um filminho que anda aí no you tube sobre a «ignorância dos nossos universitários». Não o fiz para não contribuir ainda mais para a propagação de uma mensagem eventualmente errónea, manipulada e que, no fundo, visa fundamentalmente aumentar a tiragem da revista duvidosa que a publica. Mas, na realidade, não deixa de ser preocupante constatar não só a ignorância, mas, sobretudo, a forma explícita como não é valorizada. A vergonha acabou, há uma auto-desculpabilização implícita, que choca. Parece que se houve nas entrelinhas, nós somos otimos e se não sabemos isso é porque o mundo aqui à volta nos não interessa. Otimos porquê? Afinal o que fizeram?
Sempre houve gerações a quem as heranças das anteriores não interessaram. A diferença, parece ser que essas combateram o que lhes não interessava, puseram o passado em causa e transformaram, não se renderam. Esta parece uma geração de rendidos, vencidos da vida, sem saída e isso é mais preocupante, porque é bizarra a falta de esperança nesta idade.

sábado, novembro 12, 2011

Abaixo a ditadura!

Sem que um tanque saia para fora das fronteiras, sem que um Fritz qualquer coisa corra o risco de levar ao menos um balázio, ei-los que avançam dominando primeiro a Grécia depois a  Itália, derrubando governos eleitos e substituindo-os por alguns dos seus, bem ensinados. Por cá, os comentadores de brandos costumes, estão felizes e realçam a inoportunidade de consultar os povos como na Grécia foi aventado. Esta gente bem doutrinada e fanática do liberalismo teme, apesar da sua força económica, a imprevisibilidade e sabedoria do povo. Resistir à anestesia que nos impõem, mandar a economia deles às urtigas, é um imperativo dos povos. Não se pode tolerar mais que a especulação dos jogadores de casino continue a avançar e imponha a sua ditadura. Isto é infame, intolerável e, de uma vez por todas, é preciso que a política triunfe sobre a religião económica dominante. Porque os domínios contra a vontade dos povos sempre foram temporários e sempre foram as ideias, a política, quem no fim acabou por triunfar.
As pitonisas da análise económica e outras que tais sempre divulgam as malfeitorias da política, as suas corrupções e vícios, promovendo o seu descrédito, apelando subconscientemente ao afastamento da Política.  Não o fazem inocentemente.Virar a opinião pública contra os políticos, visa, no fundo, manter a sobrevivência do seu poder, conseguida à custa do alheamento e da catarse sobre a face visível do poder que têm, os políticos, que, afinal, lhes garantem a vida.
Abaixo a ditadura! A vitória é certa!

quinta-feira, novembro 10, 2011

Falta de Cipriões

As couzas que padecem os moradores desse afligido reyno, bastarão para vos desenganar que os que estão fora desse pezado jugo, quererião antes morrer livres, que em paz sujeitos. Nem eu darei aos moradores desta ilha outro conselho...
Ciprião de Figueiredo


Esta determinação vi há dias inscrita num avião da SATA e vim depois a saber que constitui divisa do brasão dos Açores. Lembrei-me hoje, depois de ver algumas passagens da apresentação do orçamento do Estado.
Quem se opôs a Filipes, não resiste a Mercosys? Falta de Cipriões?