O mundo está a tornar-se um lugar estranho para viver. Mas não há outro! Subitamente, podemos ser apanhados numa esquina por um louco e ser desfeitos em pedaços e não foi sempre assim. Por que andam as pessoas tão infelizes ou isto não será um problema de falta de felicidade, mas de pura loucura?
Agora um norueguês doido, amanhã um outro qualquer insano e as ruas ficarão sempre cobertas de vidro e sangue. Pouco há a fazer, ou apenas ter a sorte de não estar no sítio errado. Mais uma vez a sorte se sobrepõe a toda a racionalidade. O melhor é seguir, apenas.
Inteligentes, os governantes noruegueses continuarão a andar nas ruas sem guarda-costas não sacrificando a vida à triste sobrevivência, como atualmente fazem os norte-americanos. É que há uma vida que não deve ser reduzida a sobreviver e, até prova em contrário, é limitada e o seu tempo não deverá ser desperdiçado a tirar cintos e sapatos e a repô-los, a abrir e fechar malas. Uma vida para viver simplesmente, sem sacrifícios à sua duração no tempo, porque mais vale um instante vivo que dezenas de anos preso numa liberdade que oprime.
sexta-feira, julho 22, 2011
A Nacional-social-democracia
De repente os ricos ficaram generosos e acham que devem pagar mais que os pobres, p ex., nos transportes públicos (onde não andam) e na saúde (quando já se tratavam fora do país). Mas há um pormenor onde não aceitam pagar mais: os impostos! Estranho, não é?
E tão generosos que são, vão criar um passe social para indigentes. Outros houve que marcaram ainda outros com uma estrela! Também agora, o uso de passe social passará a ser um estigma. Afinal eles é que sabem de Estado Social.
E tão generosos que são, vão criar um passe social para indigentes. Outros houve que marcaram ainda outros com uma estrela! Também agora, o uso de passe social passará a ser um estigma. Afinal eles é que sabem de Estado Social.
terça-feira, julho 19, 2011
Pré-época: O reforço dos Gatos
Foi um casting para ser o quinto elemento dos Gatos? Há ali inspiração felina (Tiago Dores que se cuide!).
segunda-feira, julho 18, 2011
O buraco
Lei da conservação da massa: Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.
Lei da conservação das «massas»: Na economia, o que se produz é consumido ou sobra, tudo se troca de uma maneira ou de outra, se alguém compra é porque alguém vende e se alguém tem prejuízo é porque alguém lucra com isso. O sistema não induz a perda de todos, até porque os bons negócios são os que «fazem ambas as partes ganhar». Por vezes a doutrina não funciona, porque alguém abusou e corrompeu as regras da livre negociação, por exemplo, subsidiando a destruição da produção, rapinando os ativos existentes. É a Guerra!
Vem isto a propósito de saber quem é que está a ganhar nesta crise que não é generalizada. Depois de identificar os ganhadores, logo se analisará a forma como chegaram à vitória. Isso é necessário para se fazer a justa correção dos erros. Voltar a pôr a coisa a andar decentemente.
Dizia-me a doente: Pois está a ver isto, os alemães sempre a dizerem que nós gastamos sem termos para o fazer, mas afinal não deixam de nos vender BMWs e Audis... Ok, combata-se o consumo, mas prendam-se os dealers.
Lei da conservação das «massas»: Na economia, o que se produz é consumido ou sobra, tudo se troca de uma maneira ou de outra, se alguém compra é porque alguém vende e se alguém tem prejuízo é porque alguém lucra com isso. O sistema não induz a perda de todos, até porque os bons negócios são os que «fazem ambas as partes ganhar». Por vezes a doutrina não funciona, porque alguém abusou e corrompeu as regras da livre negociação, por exemplo, subsidiando a destruição da produção, rapinando os ativos existentes. É a Guerra!
Vem isto a propósito de saber quem é que está a ganhar nesta crise que não é generalizada. Depois de identificar os ganhadores, logo se analisará a forma como chegaram à vitória. Isso é necessário para se fazer a justa correção dos erros. Voltar a pôr a coisa a andar decentemente.
Dizia-me a doente: Pois está a ver isto, os alemães sempre a dizerem que nós gastamos sem termos para o fazer, mas afinal não deixam de nos vender BMWs e Audis... Ok, combata-se o consumo, mas prendam-se os dealers.
domingo, julho 17, 2011
Depressão ou silly season?
Se calhar foram de férias quando não deveriam ter ido. Mas a verdade é que não tenho ouvido a esquerda falar por estes dias. Não, não é o PS que está em período de nojo pelo futuro filósofo que agora come croissants na Rive Gauche . Falo mesmo é do PC e do Bloco. Foram silenciados nos media ou estão a banhos?
Eu estive, gostosamente a banhos esta tarde em que o sol ainda não arde e tudo continua fresco (exceto no Ministério da Agricultura...).
Eu estive, gostosamente a banhos esta tarde em que o sol ainda não arde e tudo continua fresco (exceto no Ministério da Agricultura...).
sábado, julho 16, 2011
Jovens rebeldes
Os jovens rebeldes que nos governam continuam a marcar a agenda. Depois de um ter ido à tomada de posse de scooter (grande texto de César Príncipe), agora é a notícia da Ministra que quer apagar o ar condicionado no Ministério: que a temperatura suba que ela lhes vai arrancar as gravatas também. Esperam-se cenas dos próximos dias. Sem camisa? E sem o que mais à frente se verá! (Ainda haverá tanga?) Sempre a aquecer.
quinta-feira, julho 14, 2011
A entrada
Acertados os fusos em 24 horas e pronto para a grande festa. O esforço conjunto e empenhado tinha preparado o terreno e no resto o clima ajudou sem muito calor nem muito frio.
- Esteve bonita a festa, pá. Mesmo se os microfones não lhes tivessem ampliado as vozes, não teriam deixado de nos recordar que mesmo sendo as rosas todas iguais, sempre se encontra uma que é diferente de todas as outras, sendo única porque é com ela que gastamos o nosso tempo. E o tempo apenas começa agora prolongando-se por muitos mais dias do que mil e uma noites de que esta festa foi feita.
- Soube bem ver os amigos que vieram, alguns com sacrifício, e ver-lhes algum sorriso não disfarçado. Sempre serão bem-vindos neste quadrado que se quer um espaço de pausa e renascimento. É para isso que se está aqui.
- Depois destes momentos, fica-se mais condescendente com a besta que corre, funga, pára e revolta numa tarefa incessante na busca de uma estátua que não vem.
- Mais custa ouvir um Presidente trair a Constituição que jurou e dizer que devem uns comparticipar mais, nos cuidados de saúde, de acordo com as suas posses. Nada seria mais certo se a doença fosse uma opção de aquisição e, não impusesse a civilização, que deverão ser os sãos a pagar o desconforto dos doentes. De acordo com os seus rendimentos, certamente, já pagos pelos impostos. Ainda que tenham de ser aumentados ou criado algum especificamente para suportar os cuidados de saúde e manter sustentável o SNS, mas mantendo sempre o princípio de que não devem ser as vítimas a custear os acidentes.
- Mais irrita este crescendo de indignação e ofensa nacional porque a lógica do sistema que ontem aplaudiram (e ainda não deixaram de louvar) agora nos atira para o lixo. Nada acalma estes mercados nem a simpatia cândida de um Coelho. E o maremoto ainda está para vir.
- Aos poucos vou-me cansando de ser parte da causa de todos os males por estar exclusivamente do lado do Público e privado de ser privado nas horas vagas. Cresce a vontade de lhes fazer a vontade e reduzir-lhes a despesa que fazem comigo, dando o meu modesto contributo para a atenuação do défice. Mais cedo do que mais tarde e que se lixem as penalizações.
- Amanhã volta a ser sexta-feira. A liberdade vai passar por aqui.
A saída
Já vão longas estas férias blogueiras e, desta vez, nem foi a motivação da ausência de acontecimento num período em que a desagregação progride serena e determinada. É tempo de fazer um resumo, recorrendo a uma lista que foi crescendo:
Ø Os funcionários de bordo da United-Continental são agora, cada vez mais, os restos de mulheres que se adivinha terem sido bonitas. Agora apenas se arrastam pela realidade da sua insegurança social até que partam definitivamente noutra viagem. Parecem ansiar por ela. Cansados, atiram-nos comida para cima dos tabuleiros e cobram-nos tudo o que tenha álcool. Deixam-nos longos tempos sem água, indiferentes ao risco das flebotromboses. No final, despedimo-nos com um sorriso politicamente correto. Igualmente cansado de tantos anos passados a sorrir da mesma forma.
Ø Meios zombiedos pelas diferenças horárias, aguarda-nos o habitual jantar de hotel, com sabor a refeição entre a ceia e o pequeno-almoço. Percebo então que a epidemiologia da Diabetes, olhando a dimensão de um grupo de 2 dúzias de médicos, maioritariamente cientistas da prescrição das últimas novidades terapêuticas. Trata-se realmente de uma doença frequente! Nos dias seguintes, ver-nos-emos ocasionalmente nos corredores do Centro de Congressos e nos Outlets vizinhos da cidade. Viver em Portugal é fácil.
Ø San Diego, ao fundo da Califórnia, reparo agora é das cidades que mais tenho visitado. Tranquila, sensivelmente igual sempre, ideal para partir para um lado qualquer, nem que seja para apanhar o trolley e ir até Tijuana ver a concentração das gentes. Na Union Square sempre os mesmo desistentes, arrastando-se e discursando alienados empurrando pequenos carros de cobertores e restos de comida. De quando em onde, soam alguns insultos, contra a guerra onde perderam os neurónios subjugados pelos medos dos traumas. E também contra todos os que passamos pela negação do spare change. Quatro quarteirões ao lado, os iates ondulam suavemente na marina.
Ø Já é habitual nos Congressos americanos não incluírem nas despesas da organização qualquer fornecimento de bloco de notas ou lápis para registar algo que se ache interessante. Aquilo é para ver, ouvir e relembrar os magotes de dados de argumentação para estimulação das vendas dos vários produtos que ali nos levam. Por todo o lado também já estou habituado a ver aqueles avisos de proibição de fotografar ou registar as sessões com qualquer meio mais ou menos eletrónico. Mas sempre tinha achado esses anúncios da mesma forma que os italianos olham os sinais vermelhos nos cruzamentos e visto, com naturalidade e sem espanto, o espetáculo até esteticamente interessante da onda de ecrãs que sobe e desce cada vez que desliza um novo gráfico projetado. Mas desta vez surgiu a novidade dos seguranças intervenientes, passeando na sala, acenando a proibição anunciada. Ainda não destruíram camaras, mas perturbam. E todo este cenário para aumentar o mercado dos registos oficiais que são fornecidos a troco de cerca de 400 dólares. Depois de se pagar uma inscrição de algumas centenas de dólares, fica a dúvida da justeza de se ser impedido de tomar notas eletrónicas, tanto mais que os verdadeiros produtores da informação, se calhar, pouco tinham a objetar aos registos. Pelo menos eu, quando falo, gostaria que a mensagem do que digo fosse transmitida e recebida o mais possível não ficando confinada aqueles 20 minutos de discurso. Que a levem para casa e reflitam, é o que mais gozo me pode dar. Mas talvez estes tenham vendido os direitos e perdido, em troca, a liberdade.
Ø À noite passam comboios de 3 andares de carros asiáticos abastecendo um imenso mercado que desistiu há muito de Detroit. Todas as noites, o mesmo tsunami de lata entra naquele país, aumentando sempre aquele número gigantesco de uma quase infinitude de dígitos que descreve a dívida americana. Este fenómeno só poderá ter um resultado final catastrófico, porque quem sistematicamente mais consome do que faz, terminará necessariamente caquético por muito que a criatividade contabilística seja gigantesca e o papel disponível para imprimir dólares seja virtualmente infinito.
Ø No final dos dias valeu a pena pela organização de ideias e colheita de algumas novidades. Acima de todas constatar a ousadia de ver pensar diferente, que sobressaiu da Banting lecture feita por Barbara Corkey. A insulinorresistência pode afinal ser uma insulinoabundância determinada por consumo de lixos não alimentares disponíveis consumidos desde o carrinho de bébé. Faz todo o sentido olhando a epidemiologia do problema e, a ser assim, haveria que afinar a pontaria para novos alvos terapêuticos e concluir que até agora se andou a atirar ao alvo errado.
Ø No regresso, ainda Nova Iorque e Times Square às 3 da manhã sob calor intenso e húmido e após uma chuva torrencial de 5 minutos, servida para refrescar os dedos das senhoras mal protegidos pelas sandálias que foram em busca de verão.
Ø E as torres que já se vão espetando no ground zero e mais umas canecas bebidas no McSorley (Be Good or Be gone!), onde as lembranças são fartas e não só as das paredes onde há a notícia da morte de Lincoln num jornal da época.
Já não há nos escaparates T-shirts com a cara do Obama, nem cartões dele com a Michele dispostos nas ruas para os turistas tirarem a foto com os Primeiros. Sente-se o desencanto que vai dominando esta terra decadente.
Ø Os funcionários de bordo da United-Continental são agora, cada vez mais, os restos de mulheres que se adivinha terem sido bonitas. Agora apenas se arrastam pela realidade da sua insegurança social até que partam definitivamente noutra viagem. Parecem ansiar por ela. Cansados, atiram-nos comida para cima dos tabuleiros e cobram-nos tudo o que tenha álcool. Deixam-nos longos tempos sem água, indiferentes ao risco das flebotromboses. No final, despedimo-nos com um sorriso politicamente correto. Igualmente cansado de tantos anos passados a sorrir da mesma forma.
Ø Meios zombiedos pelas diferenças horárias, aguarda-nos o habitual jantar de hotel, com sabor a refeição entre a ceia e o pequeno-almoço. Percebo então que a epidemiologia da Diabetes, olhando a dimensão de um grupo de 2 dúzias de médicos, maioritariamente cientistas da prescrição das últimas novidades terapêuticas. Trata-se realmente de uma doença frequente! Nos dias seguintes, ver-nos-emos ocasionalmente nos corredores do Centro de Congressos e nos Outlets vizinhos da cidade. Viver em Portugal é fácil.
Ø San Diego, ao fundo da Califórnia, reparo agora é das cidades que mais tenho visitado. Tranquila, sensivelmente igual sempre, ideal para partir para um lado qualquer, nem que seja para apanhar o trolley e ir até Tijuana ver a concentração das gentes. Na Union Square sempre os mesmo desistentes, arrastando-se e discursando alienados empurrando pequenos carros de cobertores e restos de comida. De quando em onde, soam alguns insultos, contra a guerra onde perderam os neurónios subjugados pelos medos dos traumas. E também contra todos os que passamos pela negação do spare change. Quatro quarteirões ao lado, os iates ondulam suavemente na marina.
Ø Já é habitual nos Congressos americanos não incluírem nas despesas da organização qualquer fornecimento de bloco de notas ou lápis para registar algo que se ache interessante. Aquilo é para ver, ouvir e relembrar os magotes de dados de argumentação para estimulação das vendas dos vários produtos que ali nos levam. Por todo o lado também já estou habituado a ver aqueles avisos de proibição de fotografar ou registar as sessões com qualquer meio mais ou menos eletrónico. Mas sempre tinha achado esses anúncios da mesma forma que os italianos olham os sinais vermelhos nos cruzamentos e visto, com naturalidade e sem espanto, o espetáculo até esteticamente interessante da onda de ecrãs que sobe e desce cada vez que desliza um novo gráfico projetado. Mas desta vez surgiu a novidade dos seguranças intervenientes, passeando na sala, acenando a proibição anunciada. Ainda não destruíram camaras, mas perturbam. E todo este cenário para aumentar o mercado dos registos oficiais que são fornecidos a troco de cerca de 400 dólares. Depois de se pagar uma inscrição de algumas centenas de dólares, fica a dúvida da justeza de se ser impedido de tomar notas eletrónicas, tanto mais que os verdadeiros produtores da informação, se calhar, pouco tinham a objetar aos registos. Pelo menos eu, quando falo, gostaria que a mensagem do que digo fosse transmitida e recebida o mais possível não ficando confinada aqueles 20 minutos de discurso. Que a levem para casa e reflitam, é o que mais gozo me pode dar. Mas talvez estes tenham vendido os direitos e perdido, em troca, a liberdade.
Ø À noite passam comboios de 3 andares de carros asiáticos abastecendo um imenso mercado que desistiu há muito de Detroit. Todas as noites, o mesmo tsunami de lata entra naquele país, aumentando sempre aquele número gigantesco de uma quase infinitude de dígitos que descreve a dívida americana. Este fenómeno só poderá ter um resultado final catastrófico, porque quem sistematicamente mais consome do que faz, terminará necessariamente caquético por muito que a criatividade contabilística seja gigantesca e o papel disponível para imprimir dólares seja virtualmente infinito.
Ø No final dos dias valeu a pena pela organização de ideias e colheita de algumas novidades. Acima de todas constatar a ousadia de ver pensar diferente, que sobressaiu da Banting lecture feita por Barbara Corkey. A insulinorresistência pode afinal ser uma insulinoabundância determinada por consumo de lixos não alimentares disponíveis consumidos desde o carrinho de bébé. Faz todo o sentido olhando a epidemiologia do problema e, a ser assim, haveria que afinar a pontaria para novos alvos terapêuticos e concluir que até agora se andou a atirar ao alvo errado.
Ø No regresso, ainda Nova Iorque e Times Square às 3 da manhã sob calor intenso e húmido e após uma chuva torrencial de 5 minutos, servida para refrescar os dedos das senhoras mal protegidos pelas sandálias que foram em busca de verão.
Ø E as torres que já se vão espetando no ground zero e mais umas canecas bebidas no McSorley (Be Good or Be gone!), onde as lembranças são fartas e não só as das paredes onde há a notícia da morte de Lincoln num jornal da época.
Já não há nos escaparates T-shirts com a cara do Obama, nem cartões dele com a Michele dispostos nas ruas para os turistas tirarem a foto com os Primeiros. Sente-se o desencanto que vai dominando esta terra decadente.
segunda-feira, junho 20, 2011
Fábula
«O lacrau pediu à rã para o ajudar a atravessar o rio. A meio da corrente cravou-lhe no dorso o veneno do seu ferrão, dizendo-lhe enquanto ambos se afogavam: «Que queres? Não posso fugir à minha natureza».
Quem não quer chatices, não se mete com ele.
Sempre assim foi e assim continuará a ser. Está-lhe na natureza.
Começa bem a nova AD deste governo de jovens, tecnocratas e sem Cultura: Nobre ao mar, afundado por um submarino!! Ou terá sido o primeiro tiro no porta-aviões que o país adquiriu a 5 de Junho?
Quem não quer chatices, não se mete com ele.
Sempre assim foi e assim continuará a ser. Está-lhe na natureza.
Começa bem a nova AD deste governo de jovens, tecnocratas e sem Cultura: Nobre ao mar, afundado por um submarino!! Ou terá sido o primeiro tiro no porta-aviões que o país adquiriu a 5 de Junho?
quarta-feira, junho 15, 2011
Dissidência no PSD ou uma espécie de Futre
“É uma vergonha a pobreza que temos em Portugal”. “Não me falem dos problemas de aumento do salário mínimo. Quem é que aqui nesta sala consegue viver com 450 euros?”. “Não me venham com cirurgias plásticas para as mudanças que vão acontecer no mundo. Nós, os cidadãos não as vamos aceitar”
“Em Portugal é preciso redistribuir melhor a riqueza”, que “há dezenas, senão centenas de milhares de jovens a sair de Portugal porque perderam a esperança”. Inconformado, disse que “combater a pobreza é uma causa nacional”, e salientou: “Não me venham com os 18% de taxa de pobreza, porque se somássemos os que recebem o rendimento social de inserção, os que recebem o complemento solidário para idosos, os que recebem o subsídio disto, e o subsídio daquilo, temos uma pobreza estrutural no nosso país acima dos 40%”. “Não aceito esta vergonha no nosso país”
O nível de desemprego, as baixas reformas, a precariedade dos contratos de trabalho foram outras áreas que lamentou.
Os empresários também não foram poupados. “Quando vejo a CIP a defender que o salário mínimo não aumente não posso concordar. Que país queremos? Quantos de nós aqui conseguiriam viver com 450 euros por mês?”, perguntou à audiência, deixando depois um repto aos empresários: “Peço aos empresários para serem inovadores, abram-se ao mundo, sejam empreendedores”.
“É o momento de repensar que mundo queremos”, e recorrendo à frieza com que os médicos olham para a vida afirmou: “eu sei como vou morrer, sei como todos aqui vão morrer. E não é nessa altura, não é quando começarem a sentir a urina quente a correr pelas coxas, que vale a pena repensar a nova ordem económica mundial. É agora”. As futuras gerações não vão perdoar, diz.
“Perante uma hérnia estrangulada, um médico só pode fazer uma coisa: operar imediatamente.
Ora a hérnia já está estrangulada [na ordem económica mundial]: nós temos que operar, temos de mudar as regras, os instrumentos.
Ora a hérnia já está estrangulada [na ordem económica mundial]: nós temos que operar, temos de mudar as regras, os instrumentos.
É preciso bom senso, acção, determinação política”, disse, avisando:
“Se não o fizermos, as próximas gerações acusar-nos-ão, com razão, de não assistência a planeta em perigo”.
quinta-feira, junho 09, 2011
Voar seguro
Já há uns tempos que não aterrava no meio de uma ovação aos pilotos. Afinal ainda acontece quando se vem na SATA num avião cheio de portugueses das ilhas. Recomenda-se, porque não só os pilotos devem esperar-se para receber a ovação como, possivelmente, os requerimentos à Nossa Senhora de Fátima para que o avião chegue direitinho devem ser inúmeros. Aviação segura e premiada.
segunda-feira, junho 06, 2011
Lá vamos cantando e rindo...
Riram, dançaram, pularam, cantaram porque a causa de todos os males perdeu e foi-se embora. E já tinham feito o mesmo ao Santana Lopes, ao Durão Barroso (ou este foi tratar da vida antes que a coisa azedasse), ao António Guterres, ao Cavaco Silva, ao Mário Soares. Bestiais no dia em que ganham as eleições, umas Bestas no fim (ou no meio) dos mandatos. Fracos em tudo até na memória. Desta vez a coisa foi ainda mais longe e, com esta votação, fica provado que quase 80% aprova a ditadura do triunvirato (à moda de Portas). Fulanizar é a forma mais fácil que a preguiça encontra para julgar não se percebendo que o problema não está nos réus, mas na preguiça dos juízes. E porque são eles que decidem e o não sabem fazer porque não trabalham a decisão, não refletem sobre ela, continuam a fazer as escolhas tortas. Dentro de alguns meses o número dos que não tiveram nada a ver com isto aumentará e a maioria de hoje é a minoria de amanhã. Mais cedo do que muitos pensarão. É que a vida das pessoas faz-se com as pessoas da vida e não com as imagens que delas se criam.
A consistência da esquerda reforçou-se, ainda que a esquerda de Telheiras, fraturante e liberal tenha quase desaparecido em parte, possivelmente, porque jogou (in)utilmente na salvação do Grande Líder.
É engraçado olhar para isto desde longe, desde a terra onde estão os males do mundo, onde curiosamente sinto alguma depressão que se vai mantendo ainda que tenham um presidente inteligente, mas também ele dominado pela cultura e o poderio do Poder Financeiro. Há muito mais a mudar do que as pessoas ou como se diz não basta mudar as moscas... Enquanto isso se não faz lá vamos cantando e rindo.
A consistência da esquerda reforçou-se, ainda que a esquerda de Telheiras, fraturante e liberal tenha quase desaparecido em parte, possivelmente, porque jogou (in)utilmente na salvação do Grande Líder.
É engraçado olhar para isto desde longe, desde a terra onde estão os males do mundo, onde curiosamente sinto alguma depressão que se vai mantendo ainda que tenham um presidente inteligente, mas também ele dominado pela cultura e o poderio do Poder Financeiro. Há muito mais a mudar do que as pessoas ou como se diz não basta mudar as moscas... Enquanto isso se não faz lá vamos cantando e rindo.
domingo, junho 05, 2011
Um país ausente
Perante a situação do país, cerca de 40% dos seus votantes, decidiram abster-se. Será que este país tem direito a continuar o seu destino ou será melhor nomear uma comissão liquidatária e aceitar a sua anexação por outro onde as pessoas estejam vivas?
sexta-feira, junho 03, 2011
Verdade e mentiras
Não há argumentos, apenas o medo prevalece. Com efeito, não resiste a qualquer análise racional esta negação dos poderes reinantes quer seja na Grécia, na Irlanda, em Espanha, na Itália, mas também na Alemanha.Os povos são simples e estão estupidificados, não têm ideologia (que os poderes se encarregaram de arrasar), não têm outra qualquer noção que seja a fuga para a frente e uma esperança (quase sempre demonstrada como vã ao longo da história) de que o que vier será um pouco melhor. A desilusão vem cerca de meio ano depois, onde já ninguém assume as escolhas que foram feitas. Assim vai ser aqui e agora.
Desta vez o paradoxo foi levado ao extremo com a elaboração de um programa prévio por uma entidade estranha, que os que agora se guerreiam, vão escrupulosamente executar (ou pensam que executarão) contra as necessidades dos que, por momentos, conseguiram iludir. A decisão é muito maior que entre opções clubistas por partidos, mas exige a coragem de mudar quase tudo nas nossas vidas e isso é aquilo que o medo não deixa vencer.
Este sistema de vida teve um pequeno terramoto em 2008, mas a lição que poderia ser tirada foi ocultada, escondida para que a «vida» pudesse continuar a ser como dantes. Estão, momentaneamente, refeitos. Só que as contradições internas e a insustentabilidade da mentira dessa vida voltarão a emergir num maremoto que tem de acontecer. Não, a história ainda não acabou e a onda haverá de chegar para os engolir, porque o progresso não é o avanço de uns cada vez em menor número, deixando de fora outros cada vez em maior número separados por um fosso que não pára de os afastar.
Naturalmente, entretanto, assaltarão os turistas no Algarve, roubarão as casas, pilharão o que puderem, devido à insustentabilidade da mentira. A real, não a de Sócrates, porque a deste é igual à de Portas e Coelho. Estes todos mentem à vez, tentando fazer-nos consumir a bebida inebriante da democracia do alterne. Meros instrumentos, como as outras, do dono da Casa, o Poder Financeiro.
(Imagem roubada (ladrão que rouba ladrão....) em http://devaneiosaoriente.blogspot.com/2011/05/passos-coelho-paulo-portas-e-jose.html)
segunda-feira, maio 23, 2011
Lá
Lá há aquele tempo que começa logo bem cedo antes do calor chegar e que dura como as pilhas do anúncio. Depois há o calor e a urgência de recolher ou da sesta e finalmente o dia recomeça já perto de acabar antes do mergulho final do sol, antes da ascensão da lua. Ali há tudo, com momentos e com cheiros com chilrear de pássaros e com silêncios como nas interpretações da Maria João Pires. Naquele sítio, nunca um dia é igual a outro, mesmo tendo ciclos de chegada e de partida, Nunca a rotina, que destrói o tempo daqui. Lá há momentos sempre irrepetíveis, únicos que se agarram à memória renovando-a. Aí percebo que a Vida é uma sucessão de momentos, não de rotinas geradoras de demências, os contornos são nítidos e não esfumados por uma mistura de cores sem sentido, redutora, aquilo que resulta da mistura ao acaso na paleta, a cor de merda.
sexta-feira, maio 20, 2011
A biblioteca em fogo
E agora que os estou a transplantar das urnas escondidas, onde os tinha enterrado há espera de melhores dias, e finalmente os levo para o novo local de vida, constato o tempo todo que perdi no adiamento da sua leitura e, por instantes, vem à ideia o risco de já não haver tempo para a tarefa de os consumir. Passamos demasiado tempo distraídos, convencidos, que o tempo não é urgente, que vai existir sempre até que um dia, de repente, percebermos a sua finitude. Há cada vez mais esse risco, à medida que o tempo passa. Ainda só uma constatação da razão, felizmente, sem a sensação dessa realidade. Mas só imaginar, já é suficientemente angustiante. É necessário, cada vez mais a cada dia que passa, caber no tempo. É imperioso e urgente ganhar o tempo, não perdendo nem um milésimo de segundo do seu escoar.
quinta-feira, maio 19, 2011
Fs
Depois de ver mais um debate:
O grande problema é a necessidade de encontrar uma solução global para 10 milhões numa terra onde há 10 milhões de soluções para a resolução de cada caso pessoal. Uma nação é muito mais que um somatório de indivíduos ou de seitas, é uma construção coletiva e solidária. E há anos que se anda a matar a solidariedade como valor.
Já nem se estranha que os telejornais abram e se demorem na visão da euforia do FCP (uma nação! li num cartaz...) . A isso se está reduzido, ontem, Fátima, hoje o Futebol, sempre, o mesmo Fado.
Há uma urgência de Fuga
.
O grande problema é a necessidade de encontrar uma solução global para 10 milhões numa terra onde há 10 milhões de soluções para a resolução de cada caso pessoal. Uma nação é muito mais que um somatório de indivíduos ou de seitas, é uma construção coletiva e solidária. E há anos que se anda a matar a solidariedade como valor.
Já nem se estranha que os telejornais abram e se demorem na visão da euforia do FCP (uma nação! li num cartaz...) . A isso se está reduzido, ontem, Fátima, hoje o Futebol, sempre, o mesmo Fado.
Há uma urgência de Fuga
Leituras e traduções
1. Elogios dos Soares (os grandes ratos) a Portas. Tradução: quanto mais votarem nele, menos votos tem o Coelho, logo mais possibilidades terá o Grande Líder de continuar a ser o mais votado.
2. Diz o Grande Líder que o PR tem de escolher o partido mais votado para chefiar o governo . Tradução: só assim consegue ser PM e depois logo se vê... Talvez o Portas venha a «sacrificar-se» uma vez mais pela Nação como acabou recentemente de fazer ao apoiar o pacto com o «Triunvirato».
3. Coelho só será PM, se for o mais votado. Tradução: (Deve ser um bom jogador de poker este Coelho). Bluff absoluto! Se querem um governo à direita, concentrem os votos no PSD. É a única forma de este se distanciar do PS e reforçar a sua legitimidade como partido maioritário de Governo. Depois dará uns lugarzitos ao Portas.
4. É possível um governo maioritário PSD/CDS, diz Portas. Tradução: Já desistiu de ser PM e o seu objetivo é levar o maior número de ministros para o governo.
Eles não dizem, mas pensam (ou será que só calculam?).
E o Povo, pá? não entra na equação?
2. Diz o Grande Líder que o PR tem de escolher o partido mais votado para chefiar o governo . Tradução: só assim consegue ser PM e depois logo se vê... Talvez o Portas venha a «sacrificar-se» uma vez mais pela Nação como acabou recentemente de fazer ao apoiar o pacto com o «Triunvirato».
3. Coelho só será PM, se for o mais votado. Tradução: (Deve ser um bom jogador de poker este Coelho). Bluff absoluto! Se querem um governo à direita, concentrem os votos no PSD. É a única forma de este se distanciar do PS e reforçar a sua legitimidade como partido maioritário de Governo. Depois dará uns lugarzitos ao Portas.
4. É possível um governo maioritário PSD/CDS, diz Portas. Tradução: Já desistiu de ser PM e o seu objetivo é levar o maior número de ministros para o governo.
Eles não dizem, mas pensam (ou será que só calculam?).
E o Povo, pá? não entra na equação?
quarta-feira, maio 18, 2011
Dois consensos e incongruências
É curioso observar sta consensualidade relativamente ao futuro programa de governo escrito pelo FMI e Cia. São provavelmente mais de 80 % dos portugueses que vão apoiar nas urnas tal coisa. Presumivelmente, 6 meses depois de o futuro governo ter tomado posse, todos terão vtado nos restantes 20%. Pobre democracia de voto secreto!
Aliás, gerou-se outro consenso: a grande maioria das pessoas já percebeu que os portugueses andaram a gastar mais do que produziam e que, não restam dúvidas, eles (os outros) terão de produzir mais e gastar menos. Só que isso se aplica ao todo, mas não às partes, a cada um, porque, cada um, considera que produz o máximo e consome o mínimo possível. A culpa é deles (dos outros), como habitualmente. Ou seja, este é um país onde o todo não é a soma das partes.
Aliás, gerou-se outro consenso: a grande maioria das pessoas já percebeu que os portugueses andaram a gastar mais do que produziam e que, não restam dúvidas, eles (os outros) terão de produzir mais e gastar menos. Só que isso se aplica ao todo, mas não às partes, a cada um, porque, cada um, considera que produz o máximo e consome o mínimo possível. A culpa é deles (dos outros), como habitualmente. Ou seja, este é um país onde o todo não é a soma das partes.
domingo, maio 15, 2011
Coelho fica à porta
Cuidado com eles que não têm o ar agressivo e aguerrido dos lobos ou de outros predadores, mas, bem vistos os efeitos não deixam de ser igualmente destrutivos, ainda que tenham aquele ar dócil e fofinho que pode encantar até as crianças. Quem os vir sempre cautelosos e tímidos não lhes imagina a argúcia e a capacidade de ultrapassar obstáculos e destruir a produção. Atacam geralmente durante o escuro, trabalhando afincadamente pelos seu objetivos perversos.
Este foi um fim-de-semana em que iniciei a luta contra o coelho, mostrando-lhe que, no quadrado se não entra sem autorização, que este espaço é para desenvolver e obter os frutos do trabalho e não para entregar a parasitas manhosos.
Aqui o coelho fica de fora.
Este foi um fim-de-semana em que iniciei a luta contra o coelho, mostrando-lhe que, no quadrado se não entra sem autorização, que este espaço é para desenvolver e obter os frutos do trabalho e não para entregar a parasitas manhosos.
Aqui o coelho fica de fora.
quinta-feira, abril 14, 2011
Três perguntas sobre a motivação das coisas
- Será que se construiriam hospitais se não houvesse doentes?
- A existência de médicos, só por si, justificaria o investimento?
- E, já agora, os construtores civis seriam motivo suficiente para ter de os fazer?
terça-feira, abril 12, 2011
Do virtual ao real
Começaram por dançar o tango, amuaram, depois foi às escondidas. E quem começou por dizer que tinha sido só (virtualmente) ao telefone, assume agora finalmente a relação real. Pelos vistos correu mal e foi um ato interrompido com todos os malefícios que isso traz à saúde e ao bem-estar.
Do virtual ao real ou os (maus) passos do coelho na busca da toca poderia ser o título longo da novela.
Mais coisa menos coisa estamos condenados a seguir os episódios deste amor mal-assumido, que acabará possivelmente em casamento com chispas de ódio e traições à primeira oportunidade.
Do virtual ao real ou os (maus) passos do coelho na busca da toca poderia ser o título longo da novela.
Mais coisa menos coisa estamos condenados a seguir os episódios deste amor mal-assumido, que acabará possivelmente em casamento com chispas de ódio e traições à primeira oportunidade.
segunda-feira, abril 11, 2011
Coelhos
Quando chego pela noite, encaro-os especados na beira da estrada indecisos no caminho a seguir. Geralmente, decidem-se pela travessia brusca ou atiram-se contra as cercas de arame procurando enfiar-se onde calha. Nervosos, sem rumo, os coelhos. São novitos, pouco refletidos, inseguros no caminho, a tentarem mostrar a eficácia de que são capazes em zigue-zagues sem fim, com passos rápidos e precipitados.
Algo de semelhante acontece ao outro Coelho, que agora escolheu um nobre sem tradição para lhe liderar uma lista que a primeira escolha tinha recusado. Nobre de segunda escolha e logo candidato a segunda figura do estado. Boa escolha para quem não quer dar só um tiro no pé, mas auto-amputar-se sem demora!
Algo de semelhante acontece ao outro Coelho, que agora escolheu um nobre sem tradição para lhe liderar uma lista que a primeira escolha tinha recusado. Nobre de segunda escolha e logo candidato a segunda figura do estado. Boa escolha para quem não quer dar só um tiro no pé, mas auto-amputar-se sem demora!
sexta-feira, abril 08, 2011
Privilégios
No dicionário define-se como «Vantagem concedida a uma ou mais pessoas, com exclusão de outros e contra a regra geral: os privilégios da nobreza». Ainda uma herança de tempos de feudalismo, foram-se renovando, aperfeiçoando, atenuando também alguns, mas mesmo que muito decepados, resistem como as hidras.Chegam a estar dissimulados com o meio ambiente, mas estão lá em tudo o que resta de poder não controlado de forma objetiva e transparente. Acontece mesmo que na irracionalidade do destreino do pensamento, pode até acontecer que os próprios beneficiários já nem disso dêem conta de tal forma os incorporaram nos seus direitos naturais, que isto da natureza humana tem muito que se lhe diga. Enchem os dias das gentes e são trasnversais aos níveis sociais. Aliás, os níveis sociais só se percebem porque eles existem e só eles os justificam e mantêm. Momentos há na história em que têm crises de atenuação determinadas pelas circunstâncias e importa, que nessas alturas, o regulador da nova ordem não faça desaparecer uns para acentuar outros. Este é um momento onde isso pode acontecer se não se for suficientemente vigilante.
quinta-feira, abril 07, 2011
Salvadores
Afinal a crise está a ser resolvida. Os desempregados, os reformados e todos os enrascados, conhecedores do funcionamento destas coisas, tinham comprado, na véspera, acções da Banca aos milhões, saindo dessa forma da situação desesperada em que se encontravam.
PSDPSPSDPSPSD (ler ao longo dos últimos 30 anos pela ordem que se achar melhor com mais ou menos D é igual) fizeram, mais uma vez, a opção certa e o país vai em frente (depois de estar na beira do precipício).
(foto roubada no Público online)
PSDPSPSDPSPSD (ler ao longo dos últimos 30 anos pela ordem que se achar melhor com mais ou menos D é igual) fizeram, mais uma vez, a opção certa e o país vai em frente (depois de estar na beira do precipício).
(foto roubada no Público online)
quarta-feira, abril 06, 2011
Ao Fundo!
Meu país meu pais
Do céu límpido calmo
De campos cultivados
De praias e montanhas.
É para ti meu canto
A minha esperança.
Ouço a tua voz triste
Oh, meu país sem culpa
Ouço-a nos dias mornos
No amanhecer cinzento.
E é para ti meu canto
A minha esperança.
Meu país onde a traição domina
E o medo assoma nas encruzilhadas
Meu país de prisões e covardias
E de ladrões de estradas.
Meu país de operários
Cavadores, marinheiros
Meu país de mãos grossas
Plebeu, sensual, resistente.
É para ti meu canto
A minha esperança.
Para ti meu país
Levanto a minha voz sobre o silêncio
Desta noite de angústias
E de medos.
Nada pode calar
O nosso riso aberto
Ei-lo que invade
A terra portuguesa
E vozes juvenis formam o coro.
Por isso é para ti meu canto
A minha esperança.
Já ouço passos,
Vêem na distância
Desfraldando bandeiras e cantando
E é para ti oh! meu país liberto
O seu canto de esperança e claridade
(Daniel Filipe)
sexta-feira, abril 01, 2011
Perguntas
Duas perguntas:
- Quanto tempo sobreviveu a Humanidade sem a Banca e o poder financeiro?
- Quanto tempo mais sobreviverá a Humanidade com a Banca e o Poder Financeiro?
Qualquer estratégia de vitória, exige a definição concreta do inimigo principal. Identificado o alvo, o passo seguinte é acertar-lhe e liquidá-lo. Na luta pela sobrevivência não há limites para o arsenal.
segunda-feira, março 28, 2011
Premiados
A arquitectura é a poesia da edificação. Deve ser por isso que, num país de poetas, 2 portugueses chegaram ao prémio Pritzker. A poesia é o sonho por onde se vai, a engenharia a prosa da obra. Arredados do trabalho e do cálculo matemático, resta o projecto. Ao menos isso, que alguns sejam maiores que o país pequeno e periférico onde nasceram. Isto apesar do escritor António achar que, pelo contrário, Portugal é um país grande e central. Grande e central será porque o tem a ele, certamente. Mas seguramente ainda mais, porque Saramago um dia concebeu uma jangada.
A uns aprecio a linearidade simples e a função dos espaços e da escrita precisa; já o outro me parece ocupar espaço excessivo pela insuflação do ego.
A uns aprecio a linearidade simples e a função dos espaços e da escrita precisa; já o outro me parece ocupar espaço excessivo pela insuflação do ego.
sábado, março 26, 2011
quarta-feira, março 23, 2011
A dois tempos
Primeiro tempo: É difícil parar e não aceitar solicitações adicionais, porque o que se quer não tem limite, nem razão. Assim, até acaba por ser bom ter uma entidade que regula a nossa disponibilidade para fazer sempre mais. A proibição acaba por não ser privação de liberdade, mas a própria liberdade.
Segundo tempo: Estou num país desesperado e quando assim se está são grandes os riscos de, à beira do abismo, se fecharem os olhos e se dar o passo em frente, saboreando o sopro de uma queda que vai inevitavelmente ter um fim. Só pelo prazer da aragem sentida enquanto o tombo dura. O problema, aqui como no Japão, não é deitar abaixo, mas levantar depois.
segunda-feira, março 21, 2011
Dia de...
Os poemas, dispostos na folha de papel como ilhas num mar do espaço branco desaproveitado, são a forma menos eficiente de escrever. Mas que ninguém os culpe do abate de árvores inocentes, porque muitas vezes a beleza só aflora quando se não faz o aproveitamento exaustivo dos recursos. No branco da página há o oxigénio que alimenta as palavras.
Deve ser por isso que neste dia se comemoram árvores e também a poesia.
sábado, março 12, 2011
esPECados
De PEC em PEC, aqui ficamos especados como os cavalos na paisagem em dia de chuva fria. Especados e chateados, a arrefecer. Contra, passeando na rua, agora que o cansaço e o fim do crédito impede o consumo de fim-de-semana no Colombo. Perturbador é assistir a esta multidão sem ideologia a deslizar o desabafo avenida abaixo alegres por lutarem, barafustando contra o inimigo de agora, esquecendo que já o fizeram contra o inimigo de outrora que agora até elegeram Presidente. O mesmo a quem, agora esquecidos, pedem a solução... Uma manifestação de descontentes, não politizada, sem liderança, para que serve?
Haverá vontade real de dar a volta a isto, perceber que esta Economia nos não serve ou apenas se quer mudar, esquecendo que para pior já basta assim? Porque já anda de orelhas espetadas quem se prepara para, depois de sair da cartola, nos dizer que afinal a coisa estava ainda mais negra do que se pensava, as contas do Estado são uma calamidade maior e por isso, não só vamos confirmar todos os PECs, como vamos ainda ter necessidade de fazer maiores sacrifícios, por exemplo, pagar a saúde, a educação, limitar as reformas, acabar com qualquer garantia de emprego em troco de umas esmolas aos mais pobrezinhos. O Estado na sua versão mais short, verdadeiramente de tanga.
Haverá vontade real de dar a volta a isto, perceber que esta Economia nos não serve ou apenas se quer mudar, esquecendo que para pior já basta assim? Porque já anda de orelhas espetadas quem se prepara para, depois de sair da cartola, nos dizer que afinal a coisa estava ainda mais negra do que se pensava, as contas do Estado são uma calamidade maior e por isso, não só vamos confirmar todos os PECs, como vamos ainda ter necessidade de fazer maiores sacrifícios, por exemplo, pagar a saúde, a educação, limitar as reformas, acabar com qualquer garantia de emprego em troco de umas esmolas aos mais pobrezinhos. O Estado na sua versão mais short, verdadeiramente de tanga.
quarta-feira, fevereiro 23, 2011
Qualidade de vida
Mas que sentido faz tornar a viagem mais londa e duradoura, quando o veículo em que se viaja tem vidros opacos e não deixa perceber a paisagem? Que vida é esta sem o contacto e a interpretação?
São coisas assim que vêem à ideia quando se percorre uma enfermaria de Medicina.
São coisas assim que vêem à ideia quando se percorre uma enfermaria de Medicina.
domingo, fevereiro 20, 2011
Alguma matemática da felicidade
Na minha maneira simples de olhar as coisas, deixo de parte as intrincadas discussões psicológicas. Este Cisne Negro, basta-me pela denúncia (eventualmente involuntária, mas ainda assim presente) de um mundo de sofrimento dos que visam a perfeição e sofrem por não conseguirem ser a vedeta da companhia. Muito mais gratificante é caminhar ao lado, quando não mesmo empurrar para a frente, os que nos acompanham a jornada.`´E na lembrança deles que se pode sobreviver. Há, necessariamente um horizonte temporal e finito a curto prazo. Sempre. E a humanidade não se justifica pelos seus outliers, mas sim pela sua média. Mantê-la de forma sustentada é promover os dois desvios-padrões acima e abaixo do percentil 50. O resto é infelicidade.
terça-feira, fevereiro 15, 2011
Objectivos
Há muitas maneiras de subir uma montanha. Pode ir-se devagar olhando as flores em volta, as formas das pedras em que nos projectamos vendo cabeças e cães, acompanhando a marcha dos que vão connosco, mostrando uns aos outros o caminho e as descobertas e ser esse o objectivo da caminhada comum ou, por outro lado, olhar para o contorno lá em cima e imaginar que quando lá chegarmos teremos atingido a visão suprema do mundo. Os que assim caminham seguem apressados, perdendo as emoções da paisagem ao passarem por ela, correm, deixam os companheiros progressivamente para trás até deixarem de os ver e chegam ao cimo em primeiro lugar e sozinhos conquistam o seu objectivo da descoberta imaginada. Quantas vezes se não instala nesse instante a decepção, porque afinal não era ali o topo do mundo e lá chegados apenas há mais um vale e um contorno de outra montanha mais além? Valeu a pena ter perdido a paisagem e ter saído do passeio colectivo? Instalada a frustração há quem reaja correndo, alienado, de novo pela próxima montanha acima para chegar ao mesmo resultado e continue mais e mais, em busca de uma ilusão. Sozinhos.
Afinal o Everest está só ao alcance de uma minoria muito escassa e, mesmo esses, quantas vezes regressam sem se lembrar do que viram deixando a bandeira como prova sem nada terem provado além da provação da dor por que passaram.
Isto de trabalhar por objectivos tem que se lhe diga.
Afinal o Everest está só ao alcance de uma minoria muito escassa e, mesmo esses, quantas vezes regressam sem se lembrar do que viram deixando a bandeira como prova sem nada terem provado além da provação da dor por que passaram.
Isto de trabalhar por objectivos tem que se lhe diga.
domingo, fevereiro 13, 2011
Se tu queres um amigo, cativa-me!
A amizade parece ser agora uma espécie de doença infecto-contagiosa. A cada dia surgem mais propostas de amigos, desconhecidos, que são afinal amigos de algum dos nossos amigos. Se és amigo do meu amigo, meu amigo serás. Basta um contacto breve, ocasional, por interposto parceiro e zás, mais um amigo. Como a transmissão do vírus da sida. A amizade está a ficar doentia e infecciosa.
Peço aqui desculpa de não aceitar todos os convites do Livro das Caras, mas não acho que não devo reduzir a amizade à patologia.
Peço aqui desculpa de não aceitar todos os convites do Livro das Caras, mas não acho que não devo reduzir a amizade à patologia.
sexta-feira, fevereiro 11, 2011
A praça ta a rir
Muito superficial é o entendimento que atribui a mesma significância a praças e mercados. Bastará andar por estes dias atento às notícias para se perceber a grande diferença em que se nos mostram os mercadores nervosos, com gente ansiosa, cercada de monitores coloridos e cheios de gráficos que vão sendo gerados por algo oculto, poderoso e invisível, onde a esperança morreu no sentimento de que a história só se repete em cada dia e as praças pujantes de gente, com olhos de esperança, de peito aberto, certos de que o futuro existe e tem de se diferente, de certeza. Vai ser diferente, porque o presente não é mais suportável!
Nos mercados arrasta-se o presente e o passado moribundos, nas praças constrói-se o futuro, os novos tempos.
Na praça Tharir, ao fim de 18 dias, há uma multidão que venceu. A praça inteira canta, dança tá a rir. É o momento de festejar e deve ser também o começo da prudência, que nestas coisas, mostra a História que, o monstro tem várias vidas e quase sempre renasce passado algum tempo.
quarta-feira, fevereiro 09, 2011
Sem rede
No meio do tempo em que pouco acontece, surge por vezes um estremecimento que convida à paragem. Mediaticamente é dos instantes em que se convidam professores especalistas a comentar o acontecimento, se entrevistam populares emocionados e se fazem mais uns lamentos. Depois de uns dias tudo vai passar e continuar a estar como estava. Sem importância, porque nos habituámos a apenas vlorizar o instante das surpresas!
Que parvos que somos!!!
Somos parvos porque andamos a maior parte do tempo com falta de tempo na lufa-lufa da geração de valor para os poucos que todo o tempo têm e nos esquecemos de desfrutar o nosso tempo e depois, como não bastasse o desperdício, vem o tempo que não tem fim, o da solidão da sobrevivência sem esperança nem objectivo em que se somam aos dias outros dias. É a altura em que os milhares de amigos do facebook se sumem e pouco mais se soma à vida, porque no tempo que se perdeu a adicionar amigos que mal conhecemos, fomos ficando vazios dos amigos reais, dos que têm físico e alma. Anda-se nas nuvens numa sociedade sem rede, num exercício de equilibrismo, começamdo a perceber-se que as redes sociais irão ser completamente inúteis na altura do trambolhão. Esta terra não está feita para velhos. Aceita-se como um fado a que se não pode fugir, que um qualquer poder não bem percebido, meio oculto e inevitável, nos comande e nos deixe ficar fechados, literalmente mortos, durante anos, no prolongamento de uma vida que já há muito estava morta.
Parvos que somos, quando não reivindicamos a nós próprios uma vida diferente da morte. De que se está à espera?
Que parvos que somos!!!
Somos parvos porque andamos a maior parte do tempo com falta de tempo na lufa-lufa da geração de valor para os poucos que todo o tempo têm e nos esquecemos de desfrutar o nosso tempo e depois, como não bastasse o desperdício, vem o tempo que não tem fim, o da solidão da sobrevivência sem esperança nem objectivo em que se somam aos dias outros dias. É a altura em que os milhares de amigos do facebook se sumem e pouco mais se soma à vida, porque no tempo que se perdeu a adicionar amigos que mal conhecemos, fomos ficando vazios dos amigos reais, dos que têm físico e alma. Anda-se nas nuvens numa sociedade sem rede, num exercício de equilibrismo, começamdo a perceber-se que as redes sociais irão ser completamente inúteis na altura do trambolhão. Esta terra não está feita para velhos. Aceita-se como um fado a que se não pode fugir, que um qualquer poder não bem percebido, meio oculto e inevitável, nos comande e nos deixe ficar fechados, literalmente mortos, durante anos, no prolongamento de uma vida que já há muito estava morta.
Parvos que somos, quando não reivindicamos a nós próprios uma vida diferente da morte. De que se está à espera?
quinta-feira, fevereiro 03, 2011
Lyrics
Porque o som dificulta a percepção do conteúdo, aqui fica a ajuda:
Sou da geração sem remuneração
E não me incomoda esta condição
Que parva que eu sou
Porque isto está mal e vai continuar
Já é uma sorte eu poder estagiar
Que parva que eu sou
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar
Sou da geração "casinha dos pais"
Se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
E ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar
Sou da geração "vou queixar-me pra quê?"
Há alguém bem pior do que eu na TV
Que parva que eu sou
Sou da geração "eu já não posso mais!"
Que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou
E fico a pensar,
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar
quarta-feira, fevereiro 02, 2011
Renascimento
Ainda a manhã ia saindo do escuro da noite e veio-me à memória uma das antigas músicas, onde afinal eram as palavras o importante:
Num registo pessimista que me persegue os dias, na desesperança de ver uma juventude acomodada, cheia de fado e conformada, logo pensei nas diferenças entre a música que vivi e a música que agora se vive, onde as palavras minimalizaram e a música embruteceu as cabeças sacudidas até à exaustão impulsionadas por múltiplos shots em fim de noite madrugada adiante.
Mas já ao fim da tarde deparei com isto
e surpreendi-me e ri. Parece que ainda há esperança de que os conteúdos se sobreponham à alienação do já não posso. Agora, sim, vamos dar a volta a isto! Música de intervenção outra vez. Boa!
Num registo pessimista que me persegue os dias, na desesperança de ver uma juventude acomodada, cheia de fado e conformada, logo pensei nas diferenças entre a música que vivi e a música que agora se vive, onde as palavras minimalizaram e a música embruteceu as cabeças sacudidas até à exaustão impulsionadas por múltiplos shots em fim de noite madrugada adiante.
Mas já ao fim da tarde deparei com isto
e surpreendi-me e ri. Parece que ainda há esperança de que os conteúdos se sobreponham à alienação do já não posso. Agora, sim, vamos dar a volta a isto! Música de intervenção outra vez. Boa!
segunda-feira, janeiro 24, 2011
Senhor Presidente
Uma das guerras para onde presumivelmente nos vão querer enviar é a guerra da destruição do Estado Social, onde o fim do Serviço Nacional de Saúde será uma batalha decisiva. Por isso aqui fica:
quinta-feira, janeiro 20, 2011
Loucos
Poema Pero Ya No Hay Locos de Leon Felipe
Ya no hay locos, amigos, ya no hay locos. Se murió aquel manchego, aquel estrafalario fantasma del desierto y … ni enEspaña hay locos. Todo el mundo está cuerdo, terrible, monstruosamente cuerdo.
Oíd … esto,
historiadores … filósofos … loqueros …
Franco … el sapo iscariote y ladrón en la silla del juez repartiendo castigos y premios,
en nombre de Cristo, con la efigie de Cristo prendida del pecho,
y el hombre aquí, de pie, firme, erguido, sereno,
con el pulso normal, con la lengua en silencio,
los ojos en sus cuencas y en su lugar los huesos …
El sapo iscariote y ladrón repartiendo castigos y premios …
y yo, callado, aquí, callado, impasible, cuerdo …
¡cuerdo!, sin que se me quiebre el mecanismo del cerebro.
¿Cuándo se pierde el juicio? (yo pregunto, loqueros).
¿Cuándo enloquece el hombre? ¿Cuándo, cuándo es cuando se enuncian los conceptos
absurdos y blasfemos
y se hacen unos gestos sin sentido, monstruosos y obscenos?
¿Cuándo es cuando se dice por ejemplo:
No es verdad. Dios no ha puesto
al hombre aquí, en la Tierra, bajo la luz y la ley del universo;
el hombre es un insecto
que vive en las partes pestilentes y rojas del mono y del camello?
¿Cuándo si no es ahora (yo pregunto, loqueros),
cuándo es cuando se paran los ojos y se quedan abiertos, inmensamente abiertos,
sin que puedan cerrarlos ni la llama ni el viento?
¿Cuándo es cuando se cambian las funciones del alma y los resortes del cuerpo
y en vez de llanto no hay más que risa y baba en nuestro gesto?
Si no es ahora, ahora que la justicia vale menos, infinitamente menos
que el orín de los perros;
si no es ahora, ahora que la justicia tiene menos, infinitamente menos
categoría que el estiércol;
si no es ahora … ¿cuándo se pierde el juicio?
Respondedme loqueros,
¿cuándo se quiebra y salta roto en mil pedazos el mecanismo del cerebro?
Ya no hay locos, amigos, ya no hay locos. Se murió aquel manchego,
aquel estrafalario fantasma del desierto
y … ¡Ni en España hay locos! ¡Todo el mundo está cuerdo,
terrible, monstruosamente cuerdo! …
¡Qué bien marcha el reloj! ¡Qué bien marcha el cerebro!
Este reloj …, este cerebro, tic-tac, tic-tac, tic-tac, es un reloj perfecto …,
perfecto, ¡perfecto
E no ciclo da vida se progride da hiperactividade e défice de atenção enquanto crianças, para a depressão da idade adulta e a demência na velhice. Quase todos... loucos.
quarta-feira, janeiro 19, 2011
Vender a dívida?
É seguramente mais chique e dá muito mais status. A partir de agora sugiro que se não peçam mais empréstimos aos bancos. Na verdade o que devemos fazer é vender-lhes dívida, pois o estatuto do vendedor é bem superior ao do comprador, quem vende tem a propriedade da coisa, não é um maltrapilho qualquer que precisa de comprar devido às suas necessidades. Mesmo que a propriedade seja a dívida, vender a dívida é bem melhor que pedir (horror!) um empréstimo. Nós não somos pedintes, mas proprietários... da dívida.
domingo, janeiro 16, 2011
Crise... de valores
Aos poucos desapareceram das páginas dos jornais as críticas de cinema. Em substituição, dão-nos agora a informação do número de espectadores que cada filme em exibição tem. A opinião especializada foi substituída pela opinião do consumo.
quarta-feira, janeiro 12, 2011
A dívida e as dúvidas
Implica a lucidez que se percebam coisas básicas. Por exemplo, uma máquina produz algo, gera valor, contudo, não vive. É manipulada pelo dono para executar. Viver é algo mais do que fazer coisas, produzir. Viver é entender o que se passa a nossa volta, conseguir ter opinião, fugindo a todos os potenciais manipuladores sempre prontos a fazer-nos achar alguma coisa. Ou seja, a induzir-nos na «verdade» da opinião publicada. Primeiro, dizem o que deve ser pensado, depois esperam que se palre a história dando a possibilidade histórica de se aparecer na televisão a debitar a coisa. Cinco minutos de fama. Este é o orgasmo vital de tantos a quem se pergunta nos telejornais o que acham das mais variadas coisas.
Há por hábito, até de educação, procurar o fácil e desvalorizar o rigor. Até porque o rigor exige pesquisa, dá trabalho, e o que se ensina é o êxito fácil, havendo mesmo uma cultura de eficiência que privilegia o desenrascanço e desmerece o investimento no trabalho. (É como achar normal aplicar num investimento 100 e retirar 240, sem nada ter sido acrescentado além da habilidade da escolha). E a vida está actualmente cheia de uma complexidade crescente, agravada pela vertigem que nos é imposta, pela avalanche exponencial do crescimento do conhecimento, que torna cada vez mais difícil a compreensão do mundo. O desenrascanço, negando o esforço, leva ao refúgio no grupo para o qual emocionalmente somos atraídos, o que garante a comodidade de sabermos que outros estão connosco, mas não a razão das opções feitas. Esta tendência tem como resultado natural a procura dos grupos maiores, por ser aí maior o apoio dos pares, com marginalização das franjas, onde quase sempre se localizam as elites e o progresso. Assim, quase sempre, mais do que ser-se por uma solução, é-se fundamentalmente contra a solução do grupo opositor e quando um resultado não é o desejado intimamente, diz-se que foi um bom resultado para os outros nossos adversários. Daí o título sugestivo de Boas Notícias para o Governo. Terá sido apenas para o Governo?
Olhando para a evolução da dívida pública de vários estados europeus em percentagem do PIB desde 2008 a 2009, parece evidente que alguma coisa de estranho aconteceu em 2008, porque quase de forma invariável em todos os Estados, os valores aumentaram de forma considerável.
Curiosamente, Portugal nem parece ser o país em que a progressão é mais acentuada:
2008 2009 Aumento
Alemanha 66,3 73,4 10,7
Espanha 39,8 53,2 33,7
França 62,5 78,1 25,0
Grécia 110,3 126,8 15,0
Irlanda 44,3 65,5 47,9
Portugal 65,3 76,1 16,5
Reino Unido 52,1 68,2 30,9
Conclusão: a percentagem da dívida em relação ao PIB não é das maiores (muito maior é na Itália, Bélgica ou na Grécia) nem um resultado apenas da administração do actual governo. O agravamento foi generalizado sendo o de Portugal apenas intermédio.
Ter um valor baixo da dívida em relação ao PIB não é propriamente bom sinal se tomarmos como referência os valores dos vários estados mundiais, onde as maiores percentagens se encontram no Japão, América do Norte e Europa:
Há por hábito, até de educação, procurar o fácil e desvalorizar o rigor. Até porque o rigor exige pesquisa, dá trabalho, e o que se ensina é o êxito fácil, havendo mesmo uma cultura de eficiência que privilegia o desenrascanço e desmerece o investimento no trabalho. (É como achar normal aplicar num investimento 100 e retirar 240, sem nada ter sido acrescentado além da habilidade da escolha). E a vida está actualmente cheia de uma complexidade crescente, agravada pela vertigem que nos é imposta, pela avalanche exponencial do crescimento do conhecimento, que torna cada vez mais difícil a compreensão do mundo. O desenrascanço, negando o esforço, leva ao refúgio no grupo para o qual emocionalmente somos atraídos, o que garante a comodidade de sabermos que outros estão connosco, mas não a razão das opções feitas. Esta tendência tem como resultado natural a procura dos grupos maiores, por ser aí maior o apoio dos pares, com marginalização das franjas, onde quase sempre se localizam as elites e o progresso. Assim, quase sempre, mais do que ser-se por uma solução, é-se fundamentalmente contra a solução do grupo opositor e quando um resultado não é o desejado intimamente, diz-se que foi um bom resultado para os outros nossos adversários. Daí o título sugestivo de Boas Notícias para o Governo. Terá sido apenas para o Governo?
Olhando para a evolução da dívida pública de vários estados europeus em percentagem do PIB desde 2008 a 2009, parece evidente que alguma coisa de estranho aconteceu em 2008, porque quase de forma invariável em todos os Estados, os valores aumentaram de forma considerável.
Curiosamente, Portugal nem parece ser o país em que a progressão é mais acentuada:
2008 2009 Aumento
Alemanha 66,3 73,4 10,7
Espanha 39,8 53,2 33,7
França 62,5 78,1 25,0
Grécia 110,3 126,8 15,0
Irlanda 44,3 65,5 47,9
Portugal 65,3 76,1 16,5
Reino Unido 52,1 68,2 30,9
Conclusão: a percentagem da dívida em relação ao PIB não é das maiores (muito maior é na Itália, Bélgica ou na Grécia) nem um resultado apenas da administração do actual governo. O agravamento foi generalizado sendo o de Portugal apenas intermédio.
Ter um valor baixo da dívida em relação ao PIB não é propriamente bom sinal se tomarmos como referência os valores dos vários estados mundiais, onde as maiores percentagens se encontram no Japão, América do Norte e Europa:
Portanto, o problema não é ter uma grande dívida, mas saber onde se está a empregar o dinheiro que foi pedido. De que forma se está a regular a coisa que permite, por exemplo, que no ano passado as vendas dos porches tenham subido mais de 70%, fazendo-nos duvidar da existência de uma crise realmente séria. Como se pode assim compreender a necessidade de penalizar grupos subtanciais de cidadãos, impondo-lhes sacrifícios objectivos e dificilmente suportáveis, quando se antevê que desse efeito resulte mais constrangimento económico e recessão? Por que razão há uma urgência da destruição do Estado investidor para se suportarem privados que, nesta conjuntura de risco acrescido, dificilmente o assumirão? Não seria bem mais lógica a promoção do investimento público bem gerido, estimulante da produção e do emprego? O risco do Estado, dada a sua não-necessidade de lucro, seria sempre inferior e por isso mais viável, desde que isso não significasse criação de benefícios para um grupo, mas para o colectivo. É aqui que entram os homens e se iniciam as dificuldades...
terça-feira, janeiro 11, 2011
E os mercados em Lisboa?
Quando os invadidos de ontem se juntam aos seus invasores para invadirem com eles os novos invadidos, tem de haver aqui alguém que se refugie algures e que resista. Nestas alturas, é sabido, que há sempre alguns dos invadidos que anseiam a invasão na esperança, nem sempre vã, de virem a participar no festim. Tem sido sempre assim, mas sempre também a resistência tem sido mais forte e, aonde ainda não triunfou, também a vitória será certa, porque haverá sempre uma janela por onde sairão, mais cedo ou mais tarde, porque a história não vai acabar aqui.
Indoor
Gostei deste indoor.
É necessário, imperioso e urgente! Uma questão estética e seria excelente se a mancha não alastrasse por mais cinco anos durante os quais, para cúmulo, é bem possível que um Coelho de passos mais que duvidosos lhe venha a fazer companhia. Será com amargura e tristeza que veremos, então, fechar as portas que Abril abriu e o tratamento é sempre mais complexo que a profilaxia. Mas o risco, na República, é real. É preciso avisar toda a gente!
É necessário, imperioso e urgente! Uma questão estética e seria excelente se a mancha não alastrasse por mais cinco anos durante os quais, para cúmulo, é bem possível que um Coelho de passos mais que duvidosos lhe venha a fazer companhia. Será com amargura e tristeza que veremos, então, fechar as portas que Abril abriu e o tratamento é sempre mais complexo que a profilaxia. Mas o risco, na República, é real. É preciso avisar toda a gente!
segunda-feira, janeiro 10, 2011
Elogio da poesia
A formação económica, afinal, é fundamental para o sucesso e o problema de todos nós, os comuns, é que não somos professores de Economia.
Se fossemos professores de Economia, saberíamos como fazer para investir as nossas poupanças com sucesso de 140% em 2 anos e teríamos também estes desempenhos notáveis. Como não sabemos nada de Economia, vamos ficando desempregados ou com os ordenados reduzidos, sobrevivendo apenas. A culpa foi nossa que nunca aprendemos Economia e, por isso, não entendemos nada deste mundo e pensamos que os mercados são apenas os locais onde se vão comprar as couves. Ai, se nos fossemos todos professores de Economia! Sabíamos o que é gerar valor e não tínhamos a noção lírica que os poetas têm da ganância.
Se fossemos, se calhar, os professores de Economia iam ter algumas dificuldades, porque, realmente, só conseguem ser professores num mundo cheio de ignorantes em Economia ou num país de poetas.
Celebre-se a arte do senhor Professor de Economia, mas tenha-se a consciência que, o que faz por si, afinal não tem a generosidade de fazer pelo país a que preside. Imagine-se se conseguisse investir com a sua mestria as poupanças de todos nós! Era uma vez uma crise! Pensando, melhor, para que nos serve um Presidente professor de Economia que não usa os seus grandes conhecimentos a nosso favor? Mais vale, certamente, acreditarmos nas virtudes da Poesia.
Se fossemos professores de Economia, saberíamos como fazer para investir as nossas poupanças com sucesso de 140% em 2 anos e teríamos também estes desempenhos notáveis. Como não sabemos nada de Economia, vamos ficando desempregados ou com os ordenados reduzidos, sobrevivendo apenas. A culpa foi nossa que nunca aprendemos Economia e, por isso, não entendemos nada deste mundo e pensamos que os mercados são apenas os locais onde se vão comprar as couves. Ai, se nos fossemos todos professores de Economia! Sabíamos o que é gerar valor e não tínhamos a noção lírica que os poetas têm da ganância.
Se fossemos, se calhar, os professores de Economia iam ter algumas dificuldades, porque, realmente, só conseguem ser professores num mundo cheio de ignorantes em Economia ou num país de poetas.
Celebre-se a arte do senhor Professor de Economia, mas tenha-se a consciência que, o que faz por si, afinal não tem a generosidade de fazer pelo país a que preside. Imagine-se se conseguisse investir com a sua mestria as poupanças de todos nós! Era uma vez uma crise! Pensando, melhor, para que nos serve um Presidente professor de Economia que não usa os seus grandes conhecimentos a nosso favor? Mais vale, certamente, acreditarmos nas virtudes da Poesia.
Subscrever:
Mensagens (Atom)



