Não é fácil aqui chegar nos tempos que correm, quando as incertezas do futuro inclinam a subida do percurso. Mas ele chegou pujante, enérgico e forte. Vai ser difícil de vencer e, mesmo nas adversidades do momento, há uma esperança que subsiste, possivelmente a única coisa por que vale lutar. E a luta continua, pá! Como se diz na canção, junta-te a nós companheiro.
Apesar de tudo, hoje foi um dia que começou com nuvens e frio e acabou quente e com sorrisos. Vamos viver um dia de cada vez, porque a depressão instalada não vai durar sempre e nunca assim foi na História. Por isso, certamente, melhores dias havemos de ter (ainda que os planetas alinhem e alguns conceitos adquiridos tenham de ser mudados radicalmente). Só sabemos que não desistimos. Em frente, pá, hoje é o primeiro dia do resto da tua vida (como canta o outro).
Conta com o avô sempre que quiseres.
terça-feira, novembro 22, 2011
segunda-feira, novembro 21, 2011
Duche escocês
Este governo converteu-se num SPA
De há uns tempo a para cá é assim a estratégia deste governo: primeiro a notícia má... depois a menos má a contrariar a primeira. Mais uma vez agora assim foi a propósito dos funcionários públicos.
Mas acham que somos todos parvos? Ainda assim há bastantes, eu sei. Mas olhem que vai só durar até um destes dias. O povo vai dar conta da banhada.
De há uns tempo a para cá é assim a estratégia deste governo: primeiro a notícia má... depois a menos má a contrariar a primeira. Mais uma vez agora assim foi a propósito dos funcionários públicos.
Mas acham que somos todos parvos? Ainda assim há bastantes, eu sei. Mas olhem que vai só durar até um destes dias. O povo vai dar conta da banhada.
Texto e música
Instruções de utilização:
-clica-se na música e de seguida abre-se (botão direito do rato) o link numa nova janela.
http://www.leap2020.eu/GEAB-N-59-est-disponible-Crise-systemique-globale-30-000-milliards-USD-d-actifs-fantomes-vont-disparaitre-d-ici-debut_a8138.html (original em francês) ou http://www.resistir.info/crise/geab_59.html (tradução em português)
e
-clica-se na música e de seguida abre-se (botão direito do rato) o link numa nova janela.
http://www.leap2020.eu/GEAB-N-59-est-disponible-Crise-systemique-globale-30-000-milliards-USD-d-actifs-fantomes-vont-disparaitre-d-ici-debut_a8138.html (original em francês) ou http://www.resistir.info/crise/geab_59.html (tradução em português)
e
domingo, novembro 20, 2011
Conto da planície I
Viu com contornos precisos o homem que apareceu no cimo da
colina, com passo firme e destino determinado. Caminhava naquele fim de tarde,
vestindo desportivamente, mal deixando perceber algo que lhe pendia do ombro.
Esfregou os olhos para ver melhor e, claramente, era uma corda grossa de sisal,
daquelas que vira usar a prender carradas de mato nos carros que povoaram a sua
infância puxados por vacas em chiadeira intensa serra abaixo. Mas era mais
curta, bem mais curta. Nesse instante, lembrou-se do vento suão e sorriu na
antecipação da brisa a varrer-lhe a face. Há momentos em que o espaço nos
envolve e voltamos ao útero por instantes. Pelo menos imagina-se que o útero
assim deva ser, apesar de ser impossível confirmar por razões óbvias a
evidência da coisa.
E o homem continuava a descer, na encosta, determinado. Olhava-o
e ansiava perceber o que lhe iria na cabeça, mas não conseguia perceber o que
diziam os olhos à distância a que estava. É nos olhos que deciframos o mais
fundo da alma ou os segredos bem guardados. Mas estavam tão longe que nem com a
tele de 800 mm lá conseguia chegar. Quando estava quase enquadrado, a distância
desfocava a imagem e a mudança de posição fazia perder o objeto. Houve ali uns
instantes de desnorte com o objeto a fugir para fora da mira. Felizmente,
momentos breves, que quebravam a sequência mas não a história. A sequência
temporal das fotos deixa perceber a narrativa. Continuava a avançar sempre na
mesma direção. Acontece algumas vezes nestes casos que a distância até ao
destino que se não adivinha parece tender para o infinito. É sempre longo o
caminho que se não conhece, porque tem a distância das dúvidas e a incerteza da
chegada alguma vez. E mais ainda é para quem vê andar do que para quem anda.
Fica-se sempre a perguntar, para onde raio é que ele vai. O desconhecido fica
menos oculto quando se desvenda e mais insondável quando o tentamos perceber
pelo caminho que os outros percorrem.
A caminhada continuava, mas aquela distância nem se
imaginava onde terminaria. Além, no rio? Não, viu-o passar o rio de um salto,
confirmando que os grandes desafios se ultrapassam com decisão e leveza de
gestos. Aterrou suave na outra margem e foi nesse movimento que a corda voou
como um chicote e deu a perceber que era de uma grossura ainda maior que tinha
parecido alguns instantes antes quando pendia do ombro. Sim, era uma corda só
um pouco menor que a das amarras dos barcos e tinha aspeto novo ainda sem a cor
escura que o tempo e a chuva lhes dão. E a descida continuava.
Foi então que lá longe começou a avistar o zambujeiro
emergente do granito. Seria aquele o destino provável e, nesse instante, foi
percorrido por um sobressalto, tanto mais que sentia mais que nunca o vento
suão. E é sabida a relação de homens sozinhos, cordas e vento suão. Nesse
momento percebeu que algo o prendia, o impedia de se levantar e que também a
voz lhe não saía. Debateu-se sem sucesso. Estaria amarrado? Não, porque então
poderia gritar. Teria tido um AVC? Também não, sentia todos os membros
paralisados. E também não estaria morto, porque as ideias continuavam a
percorrer-lhe a cabeça. Não percebia como estava ali impotente, sem poder
participar na ação, limitado a ver. Como os espectadores da televisão. E sem a
capacidade do zapping, porque fixado na imagem. Absolutamente focalizado
percebeu tudo de repente, quando o viu atirar a corda para o ramo alto da
árvore. Tinham acabado as dúvidas e uma angústia ainda maior invadiu-o todo.
Ali fixado, parado, incapaz de agir e condenado a ver aquela cena em direto.
Era claro, de seguida, iria subir para a pedra, fazer um nó, colocar o pescoço
dentro dele e, finalmente, projetar-se no espaço ficando a oscilar na brisa do
vento suão. Nunca tinha conseguido perceber porque se antecipa o certo, mas
percebia bem que há momentos em que tudo parece encerrado. Daí, começou a
sentir uma espécie de solidariedade com o homem vestido desportivamente que
atirava a corda de forma firme por cima do ramo grosso do zambujeiro. Fechou os
olhos, apesar de tudo, recusando o espetáculo inevitável da morte em direto.
Achou curioso ter conseguido fazer esse movimento e ficar na escuridão ouvindo
melhor a brisa do fim da tarde. Teve pena de não ser crente para pedir a um
Deus que interviesse e livrasse aquele desgraçado de tal sorte. Mas uma vez
mais, também aí as soluções lhe fugiam. Só a consolação de poder continuar de
olhos fechados, longe da visão, mas perto da certeza daquele desfecho
inevitável.
No final da tarde, quase sem vento, havia um silêncio imenso
que desmascarava qualquer movimento mesmo longínquo. Cerrou mais os olhos à
espera de um estalo, seco que ecoasse na planície ou talvez mesmo um último
grito, desesperado, de um arrependimento fora de tempo. Nada. Antes um roçar de
vai-vém e um esvoaçar de pássaros.
De novo se surpreendeu porque conseguiu agora esfregar os
olhos naquele gesto prévio a tentarmos ver melhor e primeiro desfocado, mas
depois cada vez melhor viu o homem que vestia desportivamente sentado no
baloiço voando para trás e para a frente. Quando abriu, finalmente, os olhos
apenas havia o zambujeiro e nem vestígios de homem, nem de forca nem do
baloiço. O vento suão era quase inaudível.
Deitado na rede brasileira na tarde quente depois do almoço
não tinha resistido à brisa morna que o embalava. Depressa o murmúrio das
folhas tinha ficado distante, o livro oscilou alguns instantes para baixo e
para cima até lhe cair finalmente no colo.
Tinha um dia dito que era no sonho que melhor
experimentava a realidade.
quinta-feira, novembro 17, 2011
Inertes
Estive tentado a colocar aqui um filminho que anda aí no you tube sobre a «ignorância dos nossos universitários». Não o fiz para não contribuir ainda mais para a propagação de uma mensagem eventualmente errónea, manipulada e que, no fundo, visa fundamentalmente aumentar a tiragem da revista duvidosa que a publica. Mas, na realidade, não deixa de ser preocupante constatar não só a ignorância, mas, sobretudo, a forma explícita como não é valorizada. A vergonha acabou, há uma auto-desculpabilização implícita, que choca. Parece que se houve nas entrelinhas, nós somos otimos e se não sabemos isso é porque o mundo aqui à volta nos não interessa. Otimos porquê? Afinal o que fizeram?
Sempre houve gerações a quem as heranças das anteriores não interessaram. A diferença, parece ser que essas combateram o que lhes não interessava, puseram o passado em causa e transformaram, não se renderam. Esta parece uma geração de rendidos, vencidos da vida, sem saída e isso é mais preocupante, porque é bizarra a falta de esperança nesta idade.
Sempre houve gerações a quem as heranças das anteriores não interessaram. A diferença, parece ser que essas combateram o que lhes não interessava, puseram o passado em causa e transformaram, não se renderam. Esta parece uma geração de rendidos, vencidos da vida, sem saída e isso é mais preocupante, porque é bizarra a falta de esperança nesta idade.
sábado, novembro 12, 2011
Abaixo a ditadura!
Sem que um tanque saia para fora das fronteiras, sem que um Fritz qualquer coisa corra o risco de levar ao menos um balázio, ei-los que avançam dominando primeiro a Grécia depois a Itália, derrubando governos eleitos e substituindo-os por alguns dos seus, bem ensinados. Por cá, os comentadores de brandos costumes, estão felizes e realçam a inoportunidade de consultar os povos como na Grécia foi aventado. Esta gente bem doutrinada e fanática do liberalismo teme, apesar da sua força económica, a imprevisibilidade e sabedoria do povo. Resistir à anestesia que nos impõem, mandar a economia deles às urtigas, é um imperativo dos povos. Não se pode tolerar mais que a especulação dos jogadores de casino continue a avançar e imponha a sua ditadura. Isto é infame, intolerável e, de uma vez por todas, é preciso que a política triunfe sobre a religião económica dominante. Porque os domínios contra a vontade dos povos sempre foram temporários e sempre foram as ideias, a política, quem no fim acabou por triunfar.
As pitonisas da análise económica e outras que tais sempre divulgam as malfeitorias da política, as suas corrupções e vícios, promovendo o seu descrédito, apelando subconscientemente ao afastamento da Política. Não o fazem inocentemente.Virar a opinião pública contra os políticos, visa, no fundo, manter a sobrevivência do seu poder, conseguida à custa do alheamento e da catarse sobre a face visível do poder que têm, os políticos, que, afinal, lhes garantem a vida.
Abaixo a ditadura! A vitória é certa!
As pitonisas da análise económica e outras que tais sempre divulgam as malfeitorias da política, as suas corrupções e vícios, promovendo o seu descrédito, apelando subconscientemente ao afastamento da Política. Não o fazem inocentemente.Virar a opinião pública contra os políticos, visa, no fundo, manter a sobrevivência do seu poder, conseguida à custa do alheamento e da catarse sobre a face visível do poder que têm, os políticos, que, afinal, lhes garantem a vida.
Abaixo a ditadura! A vitória é certa!
quinta-feira, novembro 10, 2011
Falta de Cipriões
As couzas que padecem os moradores desse afligido reyno, bastarão para vos desenganar que os que estão fora desse pezado jugo, quererião antes morrer livres, que em paz sujeitos. Nem eu darei aos moradores desta ilha outro conselho...
Ciprião de Figueiredo
Esta determinação vi há dias inscrita num avião da SATA e vim depois a saber que constitui divisa do brasão dos Açores. Lembrei-me hoje, depois de ver algumas passagens da apresentação do orçamento do Estado.
Quem se opôs a Filipes, não resiste a Mercosys? Falta de Cipriões?
Ciprião de Figueiredo
Esta determinação vi há dias inscrita num avião da SATA e vim depois a saber que constitui divisa do brasão dos Açores. Lembrei-me hoje, depois de ver algumas passagens da apresentação do orçamento do Estado.
Quem se opôs a Filipes, não resiste a Mercosys? Falta de Cipriões?
quarta-feira, novembro 09, 2011
Telecomunicações
Há uma face escondida da face oculta e não chegámos aqui por acaso. Mais um caso sintomático e não tão raro de educação dos jovens. Possivelmente, ainda algum resquício de herança do fascismo: o supremo prazer de enganar o poder.
Neste caso, deve rapidamente considerar-se se a professora tinha o direito de confiscar o telemóvel, já que parece, não havia mandato de nenhum juíz. A ser assim, com certeza, a prova deixa de existir e estará sujeita a um qualquer processo por abuso de poder.
Na escola, nas repartições de finanças, nos atestados médicos. Enganamos enganando-nos num fenómeno bem vasto com dimensões não suficientemente apreciadas.
Neste caso, deve rapidamente considerar-se se a professora tinha o direito de confiscar o telemóvel, já que parece, não havia mandato de nenhum juíz. A ser assim, com certeza, a prova deixa de existir e estará sujeita a um qualquer processo por abuso de poder.
Na escola, nas repartições de finanças, nos atestados médicos. Enganamos enganando-nos num fenómeno bem vasto com dimensões não suficientemente apreciadas.
terça-feira, novembro 08, 2011
Má educação
Já antes de entrar a algazarra ia grande lá fora. Algumas corridas, travagens, até encontrões na porta. O espaço da sala de espera era propício à gincana, de tal forma que quando entrou no consultório foi de rastos numa travagem de resistência. Logo foi comprado, com a promessa sussurrada de caso se portasse bem, teria como recompensa aquele carrinho amarelinho qu tinham visto antes. No meio de desculpas a mim dirigidas. E enquanto a consulta prosseguia, houve um pouco de rastejar, bater nas cadeiras, espernear, urros de quando vamos embora, e por aí adiante. Finalmente a consulta terminou. Foi nessa altura, depois de mais um envergonhado pedido de desculpas, o salafrário que não tem mais de 4 anos, olhou inquisidor para a mãe e disparou, portei bem não foi?
O mais certo é que tenha sido premiado pelo carrinho amarelinho, que irá deitar fora na primeira oporunidade.Que mundo será este feito com gente desta? E a culpa é apenas da cultura do vale tudo. Saudades de um bom par de estalos!
O mais certo é que tenha sido premiado pelo carrinho amarelinho, que irá deitar fora na primeira oporunidade.Que mundo será este feito com gente desta? E a culpa é apenas da cultura do vale tudo. Saudades de um bom par de estalos!
segunda-feira, novembro 07, 2011
Procrastinação
Fica um enorme hiato entre a ação e o desejo, quase sempre este a vingar. A ação que é dita necessária acabará por vir. Demorará o mesmo tempo agora e depois? Ou realmente precisa da compressão do não mais poder esperar para surgir mais rápida? Entretanto o desejo consuma-se, sempre cheio de algum remorso pela dúvida da realização da ação no tempo útil. Há uma tensão sempre a estragar os dias que passam, gerando-se apenas um prazer limitado na efetivação dos desejos.
Há-de chegar o dia em que o desejo e a necessidade sejam uma e a mesma coisa. pelo menos é o que se deseja.
Há-de chegar o dia em que o desejo e a necessidade sejam uma e a mesma coisa. pelo menos é o que se deseja.
domingo, novembro 06, 2011
Da importância das coisas
Pode subitamente tudo o que era muitíssimo importante, perder toda a importância e ficar toda mesmo reduzida ao único instante que é este. Como se os outros se esfumassem na inexistência inatingida. A história é conhecida de todos, por tantas vezes repetida, mas a irracionalidade leva sempre a ser ignorada até ao momento em que, de novo, se repete para glória do presente absoluto. Nessa altura vêm à memória as listas dos temas adiados para melhor oportunidade, porque havia outros que sempre se lhes disputavam a primeira linha da ordem. E como vinham, passavam, tendo apenas a importância de ali terem estado... à espera. Depois ficam apenas as cinzas da sua utilização no braseiro da vida.
Realmente, devem contar-se pelos dedos as coisas mesmo importantes, excetuando as que nesses instantes em que tudo perde importância, adquirem, de forma inesperada, toda a importância. Não há desculpa para as adiarmos. Mas de nada servem estes avisos fora de tempo.
Realmente, devem contar-se pelos dedos as coisas mesmo importantes, excetuando as que nesses instantes em que tudo perde importância, adquirem, de forma inesperada, toda a importância. Não há desculpa para as adiarmos. Mas de nada servem estes avisos fora de tempo.
quinta-feira, novembro 03, 2011
Parcerias público-privadas
Qualquer negócio envolve duas partes. Quando uma das partes negociadora é eleita, há pelo menos uma outra parte envolvida de forma indireta, porque os que negociaram o fizeram a mandado dos eleitores.
Feito o negócio e, uns tempos depois, conclui-se que uma das partes perdeu, perdeu mesmo imenso, com o acordo. Nisto de negócios, quando alguma das partes perde é porque outra ganha. Neste caso parece que ganhou e se prepara para continuar muito, mesmo muito, excessivamente.
Perceberam então os eleitores que as consequências do negócio vão deitar tudo a perder e viram-se qual horda destemperada contra os que antes elegeram e, em seu nome, fizeram o tal mau negócio. Pedem-se responsabilidades e cabeças, para aliviar o engano do voto feito.
O problema é que essa vingança, aliviará a raiva, será catártica, mas em nada emenda o negócio e a catástrofe.
Ao mesmo tempo, a outra parte do negócio, a que fez mesmo um grande negócio continua impune e todos a acham inocente? Ou perante a catástrofe vai-se punir a safadeza e a ganância de alguns que se aproveitaram do negócio, da forma matreira com que quase sempre atuam?
Que se castiguem politicamente os que erraram e se deixaram enganar, mas corrija-se o erro punindo economicamente quem do erro beneficiou e agora ri e vai assobiando para o lado na desportiva. Mesmo que o Direito diga que não, a Justiça aprovaria.
E há instantes na História em que o Direito se deve submeter à Justiça, a forma ao conteúdo, o virtual ao real. Ou então, a descrença cresce, a esperança cede e estão criadas as condições do caos.
Feito o negócio e, uns tempos depois, conclui-se que uma das partes perdeu, perdeu mesmo imenso, com o acordo. Nisto de negócios, quando alguma das partes perde é porque outra ganha. Neste caso parece que ganhou e se prepara para continuar muito, mesmo muito, excessivamente.
Perceberam então os eleitores que as consequências do negócio vão deitar tudo a perder e viram-se qual horda destemperada contra os que antes elegeram e, em seu nome, fizeram o tal mau negócio. Pedem-se responsabilidades e cabeças, para aliviar o engano do voto feito.
O problema é que essa vingança, aliviará a raiva, será catártica, mas em nada emenda o negócio e a catástrofe.
Ao mesmo tempo, a outra parte do negócio, a que fez mesmo um grande negócio continua impune e todos a acham inocente? Ou perante a catástrofe vai-se punir a safadeza e a ganância de alguns que se aproveitaram do negócio, da forma matreira com que quase sempre atuam?
Que se castiguem politicamente os que erraram e se deixaram enganar, mas corrija-se o erro punindo economicamente quem do erro beneficiou e agora ri e vai assobiando para o lado na desportiva. Mesmo que o Direito diga que não, a Justiça aprovaria.
E há instantes na História em que o Direito se deve submeter à Justiça, a forma ao conteúdo, o virtual ao real. Ou então, a descrença cresce, a esperança cede e estão criadas as condições do caos.
quarta-feira, novembro 02, 2011
É a Democracia, estúpidos!
Democracia ("demo+kratos") é um regime de governo em que o poder de tomar importantes decisões políticas está com os cidadãos (povo), direta ou indiretamente, por meio de representantes eleitos. (Wikipedia) Uma criação grega, direi eu.
Por estes dias constato o nervosismo que entrevejo em certos comentadores e jornalistas a propósito do referendo na Grécia. Quase que se lhes nota a vontade de chamar nomes à decisão. Mas quais? Sempre tão rápidos a associar a anti-democracia a tudo o que não vá ao encontro do desejo do poder dos mercados, desta vez não dá jeito dizer que uma consulta ao Povo possa ser não democrática. Chatice! Há um conflito entre a mercadocracia e a democracia. Os mercosystas estão em dificuldades.
Por estes dias constato o nervosismo que entrevejo em certos comentadores e jornalistas a propósito do referendo na Grécia. Quase que se lhes nota a vontade de chamar nomes à decisão. Mas quais? Sempre tão rápidos a associar a anti-democracia a tudo o que não vá ao encontro do desejo do poder dos mercados, desta vez não dá jeito dizer que uma consulta ao Povo possa ser não democrática. Chatice! Há um conflito entre a mercadocracia e a democracia. Os mercosystas estão em dificuldades.
terça-feira, novembro 01, 2011
quarta-feira, outubro 26, 2011
A causa das coisas
Perante o Porsche estacionado à porta do Hospital do Divino Espírito Santo, interroguei-me sobre a razão das opções das pessoas relativamente às coisas. Afinal porquê um carro de corridas numa ilha tão pequena? A coisa pode ser um sonho, um projecto de vida, mas continua a ter algo de muito absurdo.
terça-feira, outubro 25, 2011
Relvas daninhas
No fundo, o chato é que nos chamem estúpidos enquanto fazemos aquela tarefa difícil que agora anda aí em voga de «apertarmos o cinto e baixarmos as calças ao mesmo tempo», tentando assumir a posição dos alemães quando perderam a guerra ou de outros quando se viram para Meca.
Vem isto a propósito daquele insulto à nossa inteligência feito pelo defesa direito (nº 2, não é?) do governo, quando explicou (sem se rir) que em países de economias mais avançadas que a nossa não havia subsídios de férias nem de Natal. Realmente, sempre achei que não era a forma mais correta de os empregadores retribuírem o trabalho, porque mais não era do que reterem uma parte do salário durante uns meses para só o pagarem ao 6º mês, com o fito de que fosse gasto de imediato, ou seja, de alguma forma voltar a quem o pagou.
Uma melhor alternativa (muito melhor, mesmo) era o pagamento do salário anual em Janeiro! Só um pagamento por ano correspondendo à totalidade do que era pago antes do roubo de 14% agora instituído.
Vem isto a propósito daquele insulto à nossa inteligência feito pelo defesa direito (nº 2, não é?) do governo, quando explicou (sem se rir) que em países de economias mais avançadas que a nossa não havia subsídios de férias nem de Natal. Realmente, sempre achei que não era a forma mais correta de os empregadores retribuírem o trabalho, porque mais não era do que reterem uma parte do salário durante uns meses para só o pagarem ao 6º mês, com o fito de que fosse gasto de imediato, ou seja, de alguma forma voltar a quem o pagou.
Uma melhor alternativa (muito melhor, mesmo) era o pagamento do salário anual em Janeiro! Só um pagamento por ano correspondendo à totalidade do que era pago antes do roubo de 14% agora instituído.
quarta-feira, outubro 19, 2011
Memória recente
Começa a ser necessário rever a Constituição, não tanto para introduzir limitações ao défice, mas para criar uma espécie de contrato em que fique estabelecido que o Presidente tenha de demitir obrigatoriamente os governantes que fizerem este tipo de discursos antes de serem eleitos e reneguem tudo o que disseram depois na governação:
É preciso assumir responsabilidades. E se depois de eleitos encontrarem um mundo que não conheciam, o que têm que fazer é ir de novo a jogo e prometerem o que, informados, achem que podem cumprir, porque assim, como este faz, é mesmo muito feio.
É preciso assumir responsabilidades. E se depois de eleitos encontrarem um mundo que não conheciam, o que têm que fazer é ir de novo a jogo e prometerem o que, informados, achem que podem cumprir, porque assim, como este faz, é mesmo muito feio.
terça-feira, outubro 18, 2011
Carta ao futuro
Olá Tomás,
deixa que te escreva estas palavras, mesmo que ainda as não possas ler. Mas ali, no meio daquele quarteirão de Gente, percebi que ainda há uma possibilidade, mesmo pequenina, de o mundo não ser só aquilo que os novatos aiatolás do liberalismo instalados recentemente no poder querem fazer dele. Sim, era só um quarteirão de Gente, mas já noutros tempos foi assim. Esta Gente sempre foi uma minoria, mas escreve-se com maiúscula. Foram eles também, que há mais de 30 anos, mudaram num dia de Abril um país ainda bem mais triste do que este que estamos a viver. Foram eles, afinal, que que se lembraram de começar a dar escola aos analfabetos, saúde aos doentes e vida aos reformados. Graças a eles foram criadas as conquistas que os jovens aiatolás agora liquidam como os subsídios de férias e de Natal. Foi um tal Vasco, que fazia discursos emocionados em Almada. Talvez, se tudo correr bem, um dia na Escola te venham a falar do tal sujeito. Pelo menos, passou-me isso pela cabeça, quando vi os sorrisos tímidos dos roubados da esperança, dispostos nos passeios feitos margens do rio vermelho que avançava. Aceitavam, sem recusa, os autocolantes e havia neles algum olhar agradecido, quase raiando a inveja de a sua timidez os não fazer saltar, desde já, para a torrente. Mas sabes, nenhum rio é grande quando nasce, é preciso tempo para engrossar e, no fim, não há mais barragens que o possam deter.
Vamos ter que alimentar este rio e chamar de novo ao percurso todos aqueles que não vi hoje por lá. Tive saudades de muitos que conheci em tempos, mas que hoje deviam estar a trabalhar enfiados nos seus consultórios privados e lá não foram. Mas também são Gente de confiança e vão aparecer noutros dias. Podes estar certo que isso vai acontecer e o rio vai ser mar, porque afinal não podes nascer numa terra sem esperança e sem futuro. Tu e os teus amigos merecem que o rio cresça. Vamos fazer por isso e gritar bem alto, porque todos sabemos que «quanto mais calados, mais roubados»
deixa que te escreva estas palavras, mesmo que ainda as não possas ler. Mas ali, no meio daquele quarteirão de Gente, percebi que ainda há uma possibilidade, mesmo pequenina, de o mundo não ser só aquilo que os novatos aiatolás do liberalismo instalados recentemente no poder querem fazer dele. Sim, era só um quarteirão de Gente, mas já noutros tempos foi assim. Esta Gente sempre foi uma minoria, mas escreve-se com maiúscula. Foram eles também, que há mais de 30 anos, mudaram num dia de Abril um país ainda bem mais triste do que este que estamos a viver. Foram eles, afinal, que que se lembraram de começar a dar escola aos analfabetos, saúde aos doentes e vida aos reformados. Graças a eles foram criadas as conquistas que os jovens aiatolás agora liquidam como os subsídios de férias e de Natal. Foi um tal Vasco, que fazia discursos emocionados em Almada. Talvez, se tudo correr bem, um dia na Escola te venham a falar do tal sujeito. Pelo menos, passou-me isso pela cabeça, quando vi os sorrisos tímidos dos roubados da esperança, dispostos nos passeios feitos margens do rio vermelho que avançava. Aceitavam, sem recusa, os autocolantes e havia neles algum olhar agradecido, quase raiando a inveja de a sua timidez os não fazer saltar, desde já, para a torrente. Mas sabes, nenhum rio é grande quando nasce, é preciso tempo para engrossar e, no fim, não há mais barragens que o possam deter.
Vamos ter que alimentar este rio e chamar de novo ao percurso todos aqueles que não vi hoje por lá. Tive saudades de muitos que conheci em tempos, mas que hoje deviam estar a trabalhar enfiados nos seus consultórios privados e lá não foram. Mas também são Gente de confiança e vão aparecer noutros dias. Podes estar certo que isso vai acontecer e o rio vai ser mar, porque afinal não podes nascer numa terra sem esperança e sem futuro. Tu e os teus amigos merecem que o rio cresça. Vamos fazer por isso e gritar bem alto, porque todos sabemos que «quanto mais calados, mais roubados»
domingo, outubro 16, 2011
quinta-feira, outubro 13, 2011
Cuidado
Sintam-se aliviados vocês os trabalhadores privados, mas aproveitem para ler:
Na Alemanha,
Primeiro vieram buscar os comunistas, e eu não disse nada porque não era comunista.
Depois vieram pelos judeus, e eu não disse nada porque não era judeu.
Depois vieram pelos sindicalistas, e eu não disse nada porque não era sindicalista.
Depois vieram pelos católicos, e eu não disse nada porque era protestante.
Depois vieram por mim e, nessa altura, já não havia ninguém para erguer a voz.
PASTOR MARTIN NIEMOLLER
(Sobrevivente do Holocausto)
Subscrever:
Mensagens (Atom)
