domingo, setembro 25, 2011

Discurso de outro presidente

“O senhor almirante Sarmento Rodrigues quis que eu dissesse algumas palavras. Ei-las. Tenho quase todos os livros que ele escreveu, todos eles com amigas dedicatórias, também um pequeno folheto que ele publicou sobre o canário encarnado porque ele preocupou-se imenso em conseguir um canário que não fosse da cor habitual e de vez em quando lamentava-se de não conseguir obter aquele canário que ele tanto desejaria possuir. E agora mais um simples episódio para juntar àqueles que eu ouvi aqui citar. Ele era muito meu amigo. E uma vez resolveu dar, dar-me dois periquitos, os melhores periquitos que tinha na sua colecção. Cheguei a casa com eles muito contente, mas em casa não receberam bem os periquitos. Resultado: tive de dar que os dar. Um deles sei a quem o dei. Tá aqui presente a pessoa: o almirante Noronha Andrade. Mas não lhe disse nada que me tinha desfeito dos canários (uma voz: dos periquitos), dos periquitos digo. E mais tarde, uns anos depois ele diz-me assim: então o senhor deu os melhores periquitos que eu tinha e que eu lhe tinha dado com tanto gosto? É verdade, dei porque não os podia ter em casa, mas não lhe disse nada para não o desgostar. Afinal de contas houve alguém que deu com a língua nos dentes e você ficou zangado comigo. Zangado não fiquei porque sou muito seu amigo.”


A História não se repete? É procurar as diferenças!

sábado, setembro 24, 2011

Um triste

“Ontem eu reparava no sorriso das vacas, estavam satisfeitíssimas olhando para o pasto que começava a ficar verdejante”. Este discurso revela intensa leitura do antigo livro da Primeira Classe.
O senhor Silva anda a comer queijo a mais. Cuidado que fica desmemoriado e esquece-se do que deveria dizer sobre o bicho da madeira.
A continuar assim, esperamos que se dedique rapidamente à poda das anonas (em regime de exclusividade).

segunda-feira, setembro 19, 2011

Revolta de um cidadão AAA

Imagino que um alemão olhe para o que se passa em Portugal, como qualquer português honesto olha para o que se passa na Madeira. Não há paciência para mais desgoverno e é tempo de se governarem! Se não conseguem, abram falência, declarem a independência, façam o que lhes apetecer, mas não peçam mais!!
Mas a situação é mais complexa. Também a classe média portuguesa não beneficia da minha ternura. Foi uma classe burra que se deixou enganar lamentavelmente pelas ofertas de crédito dos banqueiros e todas as miseráveis Cofidis que por aí grassam. Estranhava eu, aqui há uns anos, sempre que me ofereciam cartões de crédito e dinheiro barato. Pensava, eu não vou nisso e só espero que me não venham pedir que lhes pague os desvarios. Resisti a ter casas acima das minhas posses, não mudei de carro de  3 em 3 anos com leasings tentadores, não viajei com a crédito, não pedi emprestado para jogar na bolsa. Enfim, vivi dentro do que podia. Eu não contribuí para a crise da dívida!! Sou um português de classe média triple ei (AAA), tenho um nível de endividamento melhor que a Alemanha e o meu défice é inferior a 3%. Por isso é lamentável que me reduzam o vencimento, me roubem parte do 13º mês, me aumentem o IVA periodicamente, me subam a conta da eletricidade e etc. Quem esteve a ganhar com esta paródia do crédito barato, não vai pagar nada? Ainda querem que lhes paguemos os riscos mal calculados da especulação que fizeram? Vai sendo tempo de voltar à realidade e quem apenas tem sustentação virtual que caia. Vamos recomeçar o jogo, mas um real.
Por falar em realidade, anda agora toda a gente a dizer que temos uma saúde ótima, um ensino que nem é assim tão mau, uma segurança social interessante. Os mesmos que diziam que tudo isso era lixo aqui há uns tempos atrás, vêm agora dizer que até tem qualidade, mas que não temos dinheiro para tudo isso. Afinal até era bom demais!! Insinuam que foi quem trabalha que gastou indevidamente, para amanhã os penalizarem mais uma vez. Basta, a luta de classes está cada vez mais real e que cada um saiba o lado da barricada onde se coloca.
Com medo, os guardiões do Capital já preparam um orçamento de Estado onde apenas não há cortes para as forças de segurança. Segurança do quê? Não certamente dos que agora são estropiados quase diariamente. Basta de brandos costumes e de ser politicamente correto.

quinta-feira, setembro 15, 2011

Tempos de Paris

A rotina programada é um tédio e os desencontros e as surpresas que causam são, às vezes, oportunidades felizes. Foi o que aconteceu hoje quando não havendo a sessão de Pina  (Win Wenders) e, graças à eficácia de uma funcionária da UCI, acabámos por ver Meia noite em Paris. Woody Allen tem aquela particularidade de me já ter feito sair zangado do cinema por ter a sensação de apenas ter ido contribuir para pagar a conta dos seus psico qualquercoisa. Desta vez não foi assim. Este é um dos melhores filmes que vi dele. Uma história simples e mágica em que o tema pode ser a insatisfação com o tempo em que se está, mas que talvez vá para além disso. Do tempo fútil de hoje, parte o personagem à procura de outro tempo de encontros mais consistentes que lhe permitem ver que, afinal, poderemos estar sempre descontentes com o nosso tempo e tentarmos transpor-nos para outros tempos sem nos encontrarmos nunca num tempo desejado. O que nos conduz ao tempo desejado são os encontros com as nossas afinidades nos outros e, virtualmente, nos podermos encontrar e às nossas continuidades. O resto é ter a sorte de encontrar, no mesmo tempo, alguém para se caminhar ao lado numa noite de chuva em Paris. A história vem de longe e não termina, porque a criação e o génio são tudo o que persiste. Tudo o resto é a inutilidade do poder do dinheiro e do consumo, o medo do roubo e do comunismo. A angústia que acabará por apertar um dia as coronárias. A Arte será o tudo o que se ergue e fica para além de todos os tempos.

Bruxo!

«Haverá vontade real de dar a volta a isto, perceber que esta Economia nos não serve ou apenas se quer mudar, esquecendo que para pior já basta assim? Porque já anda de orelhas espetadas quem se prepara para, depois de sair da cartola, nos dizer que afinal a coisa estava ainda mais negra do que se pensava, as contas do Estado são uma calamidade maior e por isso, não só vamos confirmar todos os PECs, como vamos ainda ter necessidade de fazer maiores sacrifícios, por exemplo, pagar a saúde, a educação, limitar as reformas, acabar com qualquer garantia de emprego em troco de umas esmolas aos mais pobrezinhos. O Estado na sua versão mais short, verdadeiramente de tanga.»
(Escrito a 12 de Março deste ano neste blog)


Pois já andava e agora já vamos no PEC n que eu já lhes perdi a conta. De PEC em PEC até ao desastre final. Acabou  a tanga e a parra está a secar revelando dentro em breve a verdade nua e crua: a falta de tomates. 
Eu já tinha sido bruxo (é fácil!) e se calhar o desastre final já não demora muito. Bruxo de novo?

segunda-feira, setembro 12, 2011

Fantasia americana

Que poderão fazer três pessoas trancadas na casa-de-banho de um avião no dia 11 de Setembro? Um affaire à trois no espaço público-privado não passa despercebido aos americanos e a coisa é logo motivo para fazer descolar uns F-16 prontos para o que der e vier. Nas mentes preversas do americano, a coisa deve ser bombástica (mesmo que o silêncio do outro lado da porta impere devido à obstipação e só os tímidos esgares insonorizados prevaleçam).  E é assim que um doce alívio mais prolongado que não chega se pode tornar em prisão (que não de ventre) naquela terra que já foi de liberdade, mas que agora mais parece ser de medo incontrolado.

quinta-feira, setembro 08, 2011

Elogio do lazer

Mais não fosse por isso, as férias valem a pena: fica uma vontade enorme de não reencontrar a rotina e de começar todas as promessas que nos fazemos nos espaços de liberdade onde estivemos. Não deixa de me parecer absurdo toda a glorificação do trabalho, quando é na tranquilidade do estar e descobrir que nos encontramos melhor. Muitas vezes é no sonho que encontro a melhor realidade. O resto são apertos para coronárias.
Facilmente concluo que o trabalho só liberta os que sempre descansam. Mas é o trabalho dos outros.
Algumas imagens de libertação para elogio do lazer, do nascer ao pôr do sol.


quinta-feira, agosto 11, 2011

Vinde ao Santana, pobrezinhos!

«Os pobrezinhos

- Batem à porta. Meu filho, vai ver quem é.
- É um pobre, minha mãe, um pobrezinho a pedir esmola.
A mãe veio logo com um prato de sopa e deu-o ao pobre. Depois, voltou para a sala de costura e deixou o filho a fazer companhia ao mendigo. Este, quando acabou de comer, disse por despedida:
- Deus faça bem a quem bem faz!
O menino ficou comovido: - Que pena tive do pobrezinho!
- E é caso para isso, respondeu a mãe. Os pobres são nossos irmãos. Devemos fazer-lhes todo o bem que pudermos. Jesus ensinou que até um copo de água, dado aos pobres por caridade, terá grande prémio no céu.»


O que vamos percebendo já ao fim deste tempo é que eles adoram os pobrezinhos e quase não pensam em mais nada. Não é bem assim? Ora vejamos:
1. Os transportes públicos aumentam, mas eles vão arranjar um bilhete para os pobrezinhos;
2. Nas cantinas onde os pobrezinhos se alimentam, vai atenuar-se a vigilância da ASAE. Conclusão: pobrezinho não é gourmet, então tolera algumas não conformidades;
3. Mais recentemente, pobrezinho passa a poder ser tratado com medicamentos perto do fim do prazo de validade, o que aos menos pobrezinhos não é permitido.

Enfim, temos um Governo que ama os pobrezinhos e os ajuda, que os promove. E vai haver chazinhos de caridade e tias muito felizes. Este governo ama tanto os pobrezinhos, que até vai criar mais alguns, de preferência muitos mais. Não para ganhar lugares no Céu oferecendo copos de água, que isso é chão que deu uvas e agora a tendência é mais para os bons lugares cá na terra. Essa será também uma das razões por que estão tão pouco interessados em controlar as águas de Portugal e decidiram privatizá-las.Por este caminho, mais algum tempo, e alguns dos pobrezinhos morrerão de sede, mas não há problema que o Governo logo os substituirá por outros para entretenimento das tias e misericórdias com o Grande Santana à frente!

quarta-feira, agosto 10, 2011

Notas do dia

1. Finalmente, o Governo começa a tomar medidas de redução da despesa do Estado: O Ministério da Saúde suspendeu o pagamento de todos os reembolsos directos aos utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS), com efeitos já a partir de amanhã.
Eles bem tinham avisado que este era o caminho.
2. A partir de agora também os patrões passam a ser mais competitivos: com a redução da TSU em quase 4%, passam a dispor de maior capacidade para encomendar novos Ferraris. Assim, ninguém mais os vai apanhar.

terça-feira, agosto 09, 2011

Coisas dos dias de hoje

"Agora, já não há coelhos para tirar da cartola", avisa Roubin

Pois, o Coelho foi de férias e de pouco valeu mandar o outro estudar filosofia...

As perdas nunca são generalizadas. Por estes dias, a agitação no Reino Unido, criou uma oportunidade inesperada de negócio para as empresas que vendem vidros para montras.
Quem mais está a ganhar com a chamada crise? Certamente, haverá alguém.

Isto está tudo ligado!

sexta-feira, agosto 05, 2011

Ampulheta

Passo semana fora a passo rápido. Passo para chegar lá, onde o tempo tem um passar diverso deste tempo fugidio do dia-a-dia. Até ao tempo dos pássaros, dos cheiros, das temperaturas que mudam desde o tempo de acordar ao de deitar. É lá que estou quando por aqui passo neste tempo que apenas passa. Amanhã é sexta-feira. Ou é já hoje no fim do tempo deste espaço.

domingo, julho 31, 2011

Visão 2

Seguramente um dos melhores céus do mundo, agora já aconchegado numa temperatura ligeiramente mais elevada. Nem o zumbido de uma melga parece comprometer a visão.

sábado, julho 30, 2011

Visão

A ver crescer a tília rubra cada vez com mais flores ou as estrelas da cauda da Ursa Maior, oscilo no vai-vém tranquilo da rede.
Semeio tílias pelo caminho abaixo até ao portão, não de Bradenburgo, coloridas (amarelas, vermelhas)dando sombra e cor melhor ainda que Under den Linden.Uma visão breve e tranquila.

sexta-feira, julho 29, 2011

Pré-reforma

Há dias que são assim e nos deixam com tudo a começar, incluindo as dúvidas.

Foi assim hoje, porque, às vezes, precisamos de renascer.

quarta-feira, julho 27, 2011

Raios de sol através do nevoeiro

Esmagador. O debate politicamente correto apenas beneficia o poder. Boa Alfredo, chega-lhes!
Por um instante o nevoeiro levantou ainda que a matilha oficial vá rapidamente falar de falta de diálogo, insulto e outras más educações. Mas é assim, quando os campos não devem reger-se pelo livro de procedimentos escrito por quem domina.

terça-feira, julho 26, 2011

Para além do nevoeiro

Numa altura em que nos sobrecarregam de informação, inadaptados para gerir esse fluxo acrescido de dados, mas ainda viciados na ideia da capacidade ilimitada de gestão e sufocados pela necessidade de não nos mostrarmos ignorantes, isolamo-nos, quando mais precisávamos de interagir. Neste percurso vamos perdendo contacto com a realidade do mundo, cada vez mais complexa, aparentemente caótica e descontrolada. Nem a fé, há muito já perdida, vem agora em socorro destes náufragos das ideias, que sobrevivem, simplesmente, fugindo para a frente, para onde, cada vez com menos pé, o afogamento parece ser a única saída. Medo dos nós que podem vir depois dos laços, anda-se desatado por aí na aleatoridade dos contactos fazendo amigos virtuais que se não tocam. Aos milhares e sem compromissos. Desistimos da política, da religião, da arte, da música, até de ter opiniões, porque «os gostos não se discutem». Não se discutem porque as consequências deles, não são resultados coletivos, porque tudo o que seja mais que um deixou de fazer sentido. Criou-se a aversão ao confronto e a argumentação passou a ser um exercício de má educação. Agora, apenas se argumenta o futebol, porque aí ainda é tolerável o jogo da crítica. Para compensar, esse é o campo onde tudo vale e mesmo o insulto pode fazer parte do jogo. Para compensar o vazio de tudo o resto.
E este irrealismo esquizofrenizante domina agora a economia destes dias onde a imaginação dos homens ampliada pela capacidade de cálculo virtualmente infinita das máquinas construiu uma realidade não fundamentada que se desmoronará impiedosamente. Uma questão de tempo, mas mesmo assim uma inevitabilidade. Que sobrará então? Possivelmente, a capacidade de recomeçar a partir da Estética, uma outra irrealidade, mas sensível. Para além do nevoeiro, uma esperança ainda.

segunda-feira, julho 25, 2011

Asfixia social

A Economia assume a imoralidade e o primarismo da análise. As contas fazem-se no imediato dos custos e proveitos, sem se assumirem os impactos de outra natureza além do imediatismo da análise limitada. Há outros custos quando se aumentam transportes ou quaisquer outros bens relacionados com consumos inevitáveis.: Gastar no inevitável é comprometer despesas opcionais que poderiam ter que ver com algum resto de bem-estar e ao mesmo tempo aproximar os custos do bem coletivo aos das alternativas individuais. Aí será possível imaginar impactos e custos sociais de outra ordem, quando se pensa no abandono do transporte coletivo para se optar por um transporte individual, por absurdo.
E não vale a pena discutir a justiça de medidas que afetam de forma discriminada grupos de indivíduos. A Justiça é um conceito ultrapassado e reacionário! Espera-se apenas que a inexistência de opções alternativas e o amarfanhamento sempre dos mesmos vá aumentando  a pressão até se atingir um limite além do qual a revolta surgirá como opção.
Um exercício simples: de todas as medidas que o Governo atual já tomou, compare-se o impacto que tiveram no Zé e na Maria e num proprietário privado (que por acaso não anda de transporte público, nem recebe 13º mês). Outro: que parcela dos lucros de empresas (excluídos os reinvestidos, isto é os dividendos dados aos acionistas) será sacrificada neste esforço de «salvação económica»? Ou estaremos apenas a «corrigir» a distribuição entre ganhos do Capital e do Trabalho, subindo os primeiros e diminuindo os segundos? Terceiro: qual o impacto demonstrado destas medidas na taxa de desemprego?
Em resumo, uma boa semana de trabalho que a Troika agradece o vosso esforço.

domingo, julho 24, 2011

Rumo e sentido

A lógica da Justiça perdeu o sentido e as opções ficam além da Moral subordinadas à aleatoridade da sorte. Chegámos a um tempo em que cada um dos que está à nossa volta passou a ser um adversário, isto é, alguém que se tolera desde que não interfira nos nossos interesses e que se abaterá, se for necessário, para que eles se mantenham e ampliem. A vida deixou de ter um rumo histórico de libertação coletiva, porque agora é cada um por si. Não se olha para trás nem para o lado, na vertigem única de seguirmos em frente em busca de algo não identificado, talvez numa ânsia de reduzirmos o receio de estar vivos e cada dia, deixou de ter um plano, o futuro perdeu as garantias e os direitos adquiridos no passado, porque cada dia pode já ser o último, tal é o Medo que nos domina.
Agora vale ter medo de tudo, menos da única coisa de que valeria ter medo: não viver, realmente. É desta forma que as longas vidas se esvaziam de vida, apenas em busca de uma linha do Guiness Book of Records.
Quanta sobrevivência inútil em vez de Vida efetiva, materializada numa história a fazer em comum? Porque a História são as interações das personagens e não o percurso autista de cada uma delas.

sexta-feira, julho 22, 2011

Direito à vida

O mundo está a tornar-se um lugar estranho para viver. Mas não há outro! Subitamente, podemos ser apanhados numa esquina por um louco e ser desfeitos em pedaços e não foi sempre assim. Por que andam as pessoas tão infelizes ou isto não será um problema de falta de felicidade, mas de pura loucura?
Agora um norueguês doido, amanhã um outro qualquer insano e as ruas ficarão sempre cobertas de vidro e sangue. Pouco há  a fazer, ou apenas ter a sorte de não estar no sítio errado. Mais uma vez a sorte se sobrepõe a toda a racionalidade. O melhor é seguir, apenas.
Inteligentes, os governantes noruegueses continuarão a andar nas ruas sem guarda-costas não sacrificando a vida à triste sobrevivência, como atualmente fazem os norte-americanos. É que há uma vida que não deve ser reduzida a sobreviver e, até prova em contrário, é limitada e o seu tempo não deverá ser desperdiçado a tirar cintos e sapatos e a repô-los, a abrir e fechar malas. Uma vida para viver simplesmente, sem sacrifícios à sua duração no tempo, porque mais vale um instante vivo que dezenas de anos preso numa liberdade que oprime.