domingo, junho 05, 2011

Um país ausente

Perante a situação do país,  cerca de 40% dos seus votantes, decidiram abster-se. Será que este país tem direito a continuar o seu destino ou será melhor nomear uma comissão liquidatária e aceitar a sua anexação por outro onde as pessoas estejam vivas?

sexta-feira, junho 03, 2011

Verdade e mentiras


Não há argumentos, apenas o medo prevalece. Com efeito, não resiste a qualquer análise racional esta negação dos poderes reinantes quer seja na Grécia, na Irlanda, em Espanha, na Itália, mas também na Alemanha.Os povos são simples e estão estupidificados, não têm ideologia (que os poderes se encarregaram de arrasar), não têm outra qualquer noção que seja a fuga para a frente e uma esperança (quase sempre demonstrada como vã ao longo da história) de que o que vier será um pouco melhor. A desilusão vem cerca de meio ano depois, onde já ninguém assume as escolhas que foram feitas. Assim vai ser aqui e agora.
Desta vez o paradoxo foi levado ao extremo com a elaboração de um programa prévio por uma entidade estranha, que os que agora se guerreiam, vão escrupulosamente executar (ou pensam que executarão) contra as necessidades dos que, por momentos, conseguiram iludir. A decisão é muito maior que entre opções clubistas por partidos, mas exige a coragem de mudar quase tudo nas nossas vidas e isso é aquilo que o medo não deixa vencer.
Este sistema de vida teve um pequeno terramoto em 2008, mas a lição que poderia ser tirada foi ocultada, escondida para que a «vida» pudesse continuar a ser como dantes. Estão, momentaneamente, refeitos. Só que as contradições internas e a insustentabilidade da mentira dessa vida voltarão a emergir num maremoto que tem de acontecer. Não, a história ainda não acabou e a onda haverá de chegar para os engolir, porque o progresso não é o avanço de uns cada vez em menor número, deixando de fora outros cada vez em maior número separados por um fosso que não pára de os afastar.
Naturalmente, entretanto, assaltarão os turistas no Algarve, roubarão as casas, pilharão o que puderem, devido à insustentabilidade da mentira. A real, não a de Sócrates, porque a deste é igual à de Portas e Coelho. Estes todos mentem à vez, tentando fazer-nos consumir a bebida inebriante da democracia do alterne. Meros instrumentos, como as outras, do dono da Casa, o Poder Financeiro.
(Imagem roubada (ladrão que rouba ladrão....) em http://devaneiosaoriente.blogspot.com/2011/05/passos-coelho-paulo-portas-e-jose.html)

segunda-feira, maio 23, 2011

Lá há aquele tempo que começa logo bem cedo antes do calor chegar e que dura como as pilhas do anúncio. Depois há o calor e a urgência de recolher ou da sesta e finalmente o dia recomeça já perto de acabar antes do mergulho final do sol, antes da ascensão da lua. Ali há tudo, com momentos e com cheiros com chilrear de pássaros e com silêncios como nas interpretações da Maria João Pires. Naquele sítio, nunca um dia é igual a outro, mesmo tendo ciclos de chegada e de partida, Nunca a rotina, que destrói o tempo daqui. Lá há momentos sempre irrepetíveis, únicos que se agarram à memória renovando-a. Aí percebo que a Vida é uma sucessão de momentos, não de rotinas geradoras de demências, os contornos são nítidos e não esfumados por uma mistura de cores sem sentido, redutora, aquilo que resulta da mistura ao acaso na paleta, a cor de merda.

sexta-feira, maio 20, 2011

A biblioteca em fogo


E agora que os estou a transplantar das urnas escondidas, onde os tinha enterrado há espera de melhores dias, e finalmente os levo para o novo local de vida, constato o tempo todo que perdi no adiamento da sua leitura e, por instantes, vem à ideia o risco de já não haver tempo para a tarefa de os consumir. Passamos demasiado tempo distraídos, convencidos, que o tempo não é urgente, que vai existir sempre até que um dia, de repente, percebermos a sua finitude. Há cada vez mais esse risco, à medida que o tempo passa. Ainda só uma constatação da razão, felizmente, sem a sensação dessa realidade. Mas só imaginar, já é suficientemente angustiante. É necessário, cada vez mais a cada dia que passa, caber no tempo. É imperioso e urgente ganhar o tempo, não perdendo nem um milésimo de segundo do seu escoar.

quinta-feira, maio 19, 2011

Fs

Depois de ver mais um debate:
O grande problema é a necessidade de encontrar uma solução global para 10 milhões numa terra onde há 10 milhões de soluções para a resolução de cada caso pessoal. Uma nação é muito mais que um somatório de indivíduos ou de seitas, é uma construção coletiva e solidária. E há anos que se anda a matar a solidariedade como valor.
Já nem se estranha que os telejornais abram e se demorem na visão da euforia do FCP (uma nação! li num cartaz...) . A isso se está reduzido, ontem, Fátima, hoje o Futebol, sempre, o mesmo Fado.
Há uma urgência de Fuga

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Leituras e traduções

1. Elogios dos Soares (os grandes ratos) a Portas. Tradução: quanto mais votarem nele, menos votos tem o Coelho, logo mais possibilidades terá o Grande Líder de continuar a ser o mais votado.
2. Diz o Grande Líder que o PR tem de escolher o partido mais votado para chefiar o governo . Tradução: só assim consegue ser PM e depois logo se vê... Talvez o Portas venha a «sacrificar-se» uma vez mais pela Nação como acabou recentemente de fazer ao apoiar o pacto com o «Triunvirato».
3. Coelho só será PM, se for o mais votado. Tradução: (Deve ser um bom jogador de poker este Coelho). Bluff absoluto! Se  querem um governo à direita, concentrem os votos no PSD. É a única forma de este se distanciar do PS e reforçar a sua legitimidade como partido maioritário de Governo. Depois dará uns lugarzitos ao Portas.
4. É possível um governo maioritário PSD/CDS, diz Portas. Tradução: Já desistiu de ser PM e  o seu objetivo é levar o maior número de ministros para o governo.
Eles não dizem, mas pensam (ou será que só calculam?).
E o Povo, pá? não entra na equação?

quarta-feira, maio 18, 2011

Dois consensos e incongruências

É curioso observar sta consensualidade relativamente ao futuro programa de governo escrito pelo FMI e Cia. São provavelmente mais de 80 % dos portugueses que vão apoiar nas urnas tal coisa. Presumivelmente, 6 meses depois de o futuro governo ter tomado posse, todos terão vtado nos restantes 20%. Pobre democracia de voto secreto!
Aliás, gerou-se outro consenso: a grande maioria das pessoas já percebeu que os portugueses andaram a gastar mais do que produziam e que, não restam dúvidas, eles (os outros) terão de produzir mais e gastar menos. Só que isso se aplica ao todo, mas não às partes, a cada um, porque, cada um, considera que produz o máximo e consome o mínimo possível. A culpa é deles (dos outros), como habitualmente. Ou seja, este é um país onde o todo não é a soma das partes.

domingo, maio 15, 2011

Coelho fica à porta

Cuidado com eles que não têm o ar agressivo e aguerrido dos lobos ou de outros predadores, mas, bem vistos os efeitos não deixam de ser igualmente destrutivos, ainda que tenham aquele ar dócil e fofinho que pode encantar até as crianças. Quem os vir sempre cautelosos e tímidos não lhes imagina a argúcia e a capacidade de ultrapassar obstáculos e destruir a produção. Atacam geralmente durante o escuro, trabalhando afincadamente pelos seu objetivos perversos.
Este foi um fim-de-semana em que iniciei a luta contra o coelho, mostrando-lhe que, no quadrado se não entra sem autorização, que este espaço é para desenvolver e obter os frutos do trabalho e não para entregar a parasitas manhosos.
Aqui o coelho fica de fora.

quinta-feira, abril 14, 2011

Três perguntas sobre a motivação das coisas

  1. Será que se construiriam hospitais se não houvesse doentes?
  2. A existência de médicos, só por si, justificaria o investimento? 
  3. E, já agora, os construtores civis seriam motivo suficiente para ter de os fazer? 

terça-feira, abril 12, 2011

Do virtual ao real

Começaram por dançar o tango, amuaram, depois foi às escondidas. E quem começou por dizer que tinha sido só (virtualmente) ao telefone, assume agora finalmente a relação real. Pelos vistos correu mal e foi um ato interrompido com todos os malefícios que isso traz à saúde e ao bem-estar.
Do virtual ao real ou os (maus) passos do coelho na busca da toca poderia ser o título longo da novela.
Mais coisa menos coisa estamos condenados a seguir os episódios deste amor mal-assumido, que acabará possivelmente em casamento com chispas de ódio e traições à primeira oportunidade.

segunda-feira, abril 11, 2011

Coelhos

Quando chego pela noite, encaro-os especados na beira da estrada indecisos no caminho a seguir. Geralmente, decidem-se pela travessia brusca ou atiram-se contra as cercas de arame procurando enfiar-se onde calha. Nervosos, sem rumo, os coelhos. São novitos, pouco refletidos, inseguros no caminho, a tentarem mostrar a eficácia de que são capazes em zigue-zagues sem fim, com passos rápidos e precipitados.
Algo de semelhante acontece ao outro Coelho, que agora escolheu um nobre sem tradição para lhe liderar uma lista que a primeira escolha tinha recusado. Nobre de segunda escolha e logo candidato a segunda figura do estado. Boa escolha para quem não quer  dar só um tiro no pé, mas auto-amputar-se sem demora!

sexta-feira, abril 08, 2011

Privilégios

No dicionário define-se como «Vantagem concedida a uma ou mais pessoas, com exclusão de outros e contra a regra geral: os privilégios da nobreza». Ainda uma herança de tempos de feudalismo, foram-se renovando, aperfeiçoando, atenuando também alguns, mas mesmo que muito decepados, resistem como as hidras.Chegam a estar dissimulados com o meio ambiente, mas estão lá em tudo o que resta de poder não controlado de forma objetiva e transparente. Acontece mesmo que na irracionalidade do destreino do pensamento, pode até acontecer que os próprios beneficiários já nem disso dêem conta de tal forma os incorporaram nos seus direitos naturais, que isto da natureza humana tem muito que se lhe diga. Enchem os dias das gentes e são trasnversais aos níveis sociais. Aliás, os níveis sociais só se percebem porque eles existem e só eles os justificam e mantêm. Momentos há na história em que têm crises de atenuação determinadas pelas circunstâncias e importa, que nessas alturas, o regulador da nova ordem não faça desaparecer uns para acentuar outros. Este é um momento onde isso pode acontecer se não se for suficientemente vigilante.

quinta-feira, abril 07, 2011

Salvadores

Afinal a crise está a ser resolvida. Os desempregados, os reformados e todos os enrascados, conhecedores do funcionamento destas coisas, tinham comprado, na véspera, acções da Banca aos milhões,  saindo dessa forma da situação desesperada em que se encontravam.
PSDPSPSDPSPSD (ler ao longo dos últimos 30 anos pela ordem que se achar melhor com mais ou menos D é igual) fizeram, mais uma vez, a opção certa  e o país vai em frente (depois de estar na beira do precipício).
(foto roubada no Público online)

quarta-feira, abril 06, 2011

Ao Fundo!


Meu país meu pais
Do céu límpido calmo
De campos cultivados
De praias e montanhas.

É para ti meu canto
A minha esperança.

Ouço a tua voz triste
Oh, meu país sem culpa
Ouço-a nos dias mornos
No amanhecer cinzento.

E é para ti meu canto
A minha esperança.

Meu país onde a traição domina
E o medo assoma nas encruzilhadas
Meu país de prisões e covardias
E de ladrões de estradas.

Meu país de operários
Cavadores, marinheiros
Meu país de mãos grossas
Plebeu, sensual, resistente.

É para ti meu canto
A minha esperança.

Para ti meu país
Levanto a minha voz sobre o silêncio
Desta noite de angústias
E de medos.

Nada pode calar
O nosso riso aberto
Ei-lo que invade
A terra portuguesa
E vozes juvenis formam o coro.

Por isso é para ti meu canto
A minha esperança.

Já ouço passos,
Vêem na distância
Desfraldando bandeiras e cantando
E é para ti oh! meu país liberto
O seu canto de esperança e claridade



(Daniel Filipe)

sexta-feira, abril 01, 2011

Perguntas

Duas perguntas:
  1. Quanto tempo sobreviveu a Humanidade sem a Banca e o poder financeiro?
  2. Quanto tempo mais sobreviverá a Humanidade com a Banca e o Poder Financeiro?
Qualquer estratégia de vitória, exige a definição concreta do inimigo principal. Identificado o alvo, o passo seguinte é acertar-lhe e liquidá-lo. Na luta pela sobrevivência não há limites para o arsenal.

segunda-feira, março 28, 2011

Premiados

A arquitectura é a poesia da edificação. Deve ser por isso que, num país de poetas, 2 portugueses chegaram ao prémio Pritzker. A poesia é o sonho por onde se vai, a engenharia a prosa da obra. Arredados do trabalho e do cálculo matemático, resta o projecto. Ao menos isso, que alguns sejam maiores que o país pequeno e periférico onde nasceram. Isto apesar do escritor António achar que, pelo contrário, Portugal é um país grande e central. Grande e central será porque o tem a ele, certamente. Mas seguramente ainda mais, porque Saramago um dia concebeu uma jangada.
A uns aprecio a linearidade simples e a função dos espaços e da escrita precisa; já o outro me parece ocupar espaço excessivo pela insuflação do ego.

sábado, março 26, 2011

quarta-feira, março 23, 2011

A dois tempos

Primeiro tempo: É difícil parar e não aceitar solicitações adicionais, porque o que se quer não tem limite, nem razão. Assim, até acaba por ser bom ter uma entidade que regula a nossa disponibilidade para fazer sempre mais. A proibição acaba por não ser privação de liberdade, mas a própria liberdade.
Segundo tempo: Estou num país desesperado e quando assim se está  são grandes os riscos de, à beira do abismo, se fecharem os olhos e se dar o passo em frente, saboreando o sopro de uma queda que vai inevitavelmente ter um fim. Só pelo prazer da aragem sentida enquanto o tombo dura. O problema, aqui como no Japão, não é deitar abaixo, mas levantar depois.   


segunda-feira, março 21, 2011

Dia de...

Os poemas, dispostos na folha de papel como ilhas num mar do espaço branco desaproveitado, são a forma menos eficiente de escrever. Mas que ninguém os culpe do abate de árvores inocentes, porque muitas vezes a beleza só aflora quando se não faz o aproveitamento exaustivo dos recursos. No branco da página há o oxigénio que alimenta as palavras.
Deve ser por isso que neste dia se comemoram árvores e também a poesia.

sábado, março 12, 2011

esPECados

De PEC em PEC, aqui ficamos especados como os cavalos na paisagem em dia de chuva fria. Especados e chateados, a arrefecer. Contra, passeando na rua, agora que o cansaço e o fim do crédito impede o consumo de fim-de-semana no Colombo. Perturbador é assistir a esta multidão sem ideologia a deslizar o desabafo avenida abaixo alegres por lutarem, barafustando contra o inimigo de agora, esquecendo que já o fizeram contra o inimigo de outrora que agora até elegeram Presidente. O mesmo a quem, agora esquecidos, pedem a solução... Uma manifestação de descontentes, não politizada, sem liderança, para que serve?
Haverá vontade real de dar a volta a isto, perceber que esta Economia nos não serve ou apenas se quer mudar, esquecendo que para pior já basta assim? Porque já anda de orelhas espetadas quem se prepara para, depois de sair da cartola, nos dizer que afinal a coisa estava ainda mais negra do que se pensava, as contas do Estado são uma calamidade maior e por isso, não só vamos confirmar todos os PECs, como vamos ainda ter necessidade de fazer maiores sacrifícios, por exemplo, pagar a saúde, a educação, limitar as reformas, acabar com qualquer garantia de emprego em troco de umas esmolas aos mais pobrezinhos. O Estado na sua versão mais short, verdadeiramente de tanga.