terça-feira, fevereiro 15, 2011

Objectivos

Há muitas maneiras de subir uma montanha. Pode ir-se devagar olhando as flores em volta, as formas das pedras em que nos projectamos vendo cabeças e cães, acompanhando a marcha dos que vão connosco, mostrando uns aos outros o caminho e as descobertas e ser esse o objectivo da caminhada comum ou, por outro lado, olhar para o contorno lá em cima e imaginar que quando lá chegarmos teremos atingido a visão suprema do mundo. Os que assim caminham seguem apressados, perdendo as emoções da paisagem ao passarem por ela, correm, deixam os companheiros progressivamente para trás até deixarem de os ver e chegam ao cimo em primeiro lugar e sozinhos conquistam o seu objectivo da descoberta imaginada. Quantas vezes se não instala nesse instante a decepção, porque afinal não era ali o topo do mundo e lá chegados apenas há mais um vale e um contorno de outra montanha mais além? Valeu a pena ter perdido a paisagem e ter saído do passeio colectivo? Instalada a frustração há quem reaja correndo, alienado, de novo pela próxima montanha acima para chegar ao mesmo resultado e continue mais e mais, em busca de uma ilusão. Sozinhos.
Afinal o Everest está só ao alcance de uma minoria muito escassa e, mesmo esses, quantas vezes regressam  sem se lembrar do que viram deixando a bandeira como prova sem nada terem provado além da provação da dor por que passaram.
Isto de trabalhar por objectivos tem que se lhe diga.

domingo, fevereiro 13, 2011

Se tu queres um amigo, cativa-me!

A amizade parece ser agora uma espécie de doença infecto-contagiosa. A cada dia surgem mais propostas de amigos, desconhecidos, que são afinal amigos de algum dos nossos amigos. Se és amigo do meu amigo, meu amigo serás. Basta um contacto breve, ocasional, por interposto parceiro e zás, mais um amigo. Como a transmissão do vírus da sida. A amizade está a ficar doentia e infecciosa.
Peço aqui desculpa de não aceitar todos os convites do Livro das Caras, mas não acho que não devo reduzir a amizade à patologia.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Sem rede

No meio do tempo em que pouco acontece, surge por vezes um estremecimento que convida à paragem. Mediaticamente é dos instantes em que se convidam professores especalistas a comentar o acontecimento, se entrevistam populares emocionados e se fazem mais uns lamentos. Depois de uns dias tudo vai passar e continuar a estar como estava. Sem importância, porque nos habituámos a apenas vlorizar o instante das surpresas!
Que parvos que somos!!!
Somos parvos porque andamos a maior parte do tempo com falta de tempo na lufa-lufa da geração de valor para os poucos que todo o tempo têm e nos esquecemos de desfrutar o nosso tempo e depois, como não bastasse o desperdício, vem o tempo que não tem fim, o da solidão da sobrevivência sem esperança nem objectivo em que se somam aos dias outros dias. É a altura em que os milhares de amigos do facebook se sumem e pouco mais se soma à vida, porque no tempo que se perdeu a adicionar amigos que mal conhecemos, fomos ficando vazios dos amigos reais, dos que têm físico e alma. Anda-se nas nuvens numa sociedade sem rede, num exercício de equilibrismo, começamdo a perceber-se que as redes sociais irão ser completamente inúteis na altura do trambolhão. Esta terra não está feita para velhos. Aceita-se como um fado a que se não pode fugir, que um qualquer poder não bem percebido, meio oculto e inevitável, nos comande e nos deixe ficar fechados, literalmente mortos, durante anos, no prolongamento de uma vida que já há muito estava morta.
Parvos que somos, quando não reivindicamos a nós próprios uma vida diferente da morte. De que se está à espera?

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Lyrics


Porque o som dificulta a percepção do conteúdo, aqui fica a ajuda:

Sou da geração sem remuneração
E não me incomoda esta condição
Que parva que eu sou
Porque isto está mal e vai continuar
Já é uma sorte eu poder estagiar
Que parva que eu sou
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar
Sou da geração "casinha dos pais"
Se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
E ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar
Sou da geração "vou queixar-me pra quê?"
Há alguém bem pior do que eu na TV
Que parva que eu sou
Sou da geração "eu já não posso mais!"
Que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou
E fico a pensar,
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Renascimento

Ainda a manhã ia saindo do escuro da noite e veio-me à memória uma das antigas músicas, onde afinal eram as palavras o importante:

Num registo pessimista que me persegue os dias, na desesperança de ver uma juventude acomodada, cheia de fado e conformada, logo pensei nas diferenças entre a música que vivi e a música que agora se vive, onde as palavras minimalizaram e a música embruteceu as cabeças sacudidas até à exaustão impulsionadas por múltiplos shots em fim de noite madrugada adiante.
Mas já ao fim da tarde deparei com isto
e surpreendi-me e ri. Parece que ainda há esperança de que os conteúdos se sobreponham à alienação do já não posso. Agora, sim, vamos dar a volta a isto! Música de intervenção outra vez. Boa!

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Senhor Presidente

Uma das guerras para onde presumivelmente nos vão querer enviar é a guerra da destruição do Estado Social, onde o fim do Serviço Nacional de Saúde será uma batalha decisiva. Por isso aqui fica:

quinta-feira, janeiro 20, 2011

Loucos


Poema Pero Ya No Hay Locos de Leon Felipe


Ya no hay locos, amigos, ya no hay locos. Se murió aquel manchego, aquel estrafalario fantasma del desierto y … ni enEspaña hay locos. Todo el mundo está cuerdo, terrible, monstruosamente cuerdo.
Oíd … esto,
historiadores … filósofos … loqueros …
Franco … el sapo iscariote y ladrón en la silla del juez repartiendo castigos y premios,
en nombre de Cristo, con la efigie de Cristo prendida del pecho,
y el hombre aquí, de pie, firme, erguido, sereno,
con el pulso normal, con la lengua en silencio,
los ojos en sus cuencas y en su lugar los huesos …
El sapo iscariote y ladrón repartiendo castigos y premios …
y yo, callado, aquí, callado, impasible, cuerdo …
¡cuerdo!, sin que se me quiebre el mecanismo del cerebro.
¿Cuándo se pierde el juicio? (yo pregunto, loqueros).
¿Cuándo enloquece el hombre? ¿Cuándo, cuándo es cuando se enuncian los conceptos
absurdos y blasfemos
y se hacen unos gestos sin sentido, monstruosos y obscenos?
¿Cuándo es cuando se dice por ejemplo:
No es verdad. Dios no ha puesto
al hombre aquí, en la Tierra, bajo la luz y la ley del universo;
el hombre es un insecto
que vive en las partes pestilentes y rojas del mono y del camello?
¿Cuándo si no es ahora (yo pregunto, loqueros),
cuándo es cuando se paran los ojos y se quedan abiertos, inmensamente abiertos,
sin que puedan cerrarlos ni la llama ni el viento?
¿Cuándo es cuando se cambian las funciones del alma y los resortes del cuerpo
y en vez de llanto no hay más que risa y baba en nuestro gesto?
Si no es ahora, ahora que la justicia vale menos, infinitamente menos
que el orín de los perros;
si no es ahora, ahora que la justicia tiene menos, infinitamente menos
categoría que el estiércol;
si no es ahora … ¿cuándo se pierde el juicio?
Respondedme loqueros,
¿cuándo se quiebra y salta roto en mil pedazos el mecanismo del cerebro?
Ya no hay locos, amigos, ya no hay locos. Se murió aquel manchego,
aquel estrafalario fantasma del desierto
y … ¡Ni en España hay locos! ¡Todo el mundo está cuerdo,
terrible, monstruosamente cuerdo! …
¡Qué bien marcha el reloj! ¡Qué bien marcha el cerebro!
Este reloj …, este cerebro, tic-tac, tic-tac, tic-tac, es un reloj perfecto …,
perfecto, ¡perfecto



E no ciclo da vida se progride da hiperactividade e défice de  atenção enquanto crianças, para a depressão da idade adulta e a demência na velhice. Quase todos... loucos.

quarta-feira, janeiro 19, 2011

Vender a dívida?

É seguramente mais chique e dá muito mais status. A partir de agora sugiro que se não peçam mais empréstimos aos bancos. Na verdade o que devemos fazer é vender-lhes dívida, pois o estatuto do vendedor é bem  superior ao do comprador, quem vende tem a propriedade da coisa, não é um maltrapilho qualquer que precisa de comprar devido às suas necessidades. Mesmo que a propriedade seja a dívida, vender a dívida é bem melhor que pedir (horror!) um empréstimo. Nós não somos pedintes, mas proprietários... da dívida.

domingo, janeiro 16, 2011

Crise... de valores

Aos poucos desapareceram das páginas dos jornais as críticas de cinema. Em substituição, dão-nos agora a informação do número de espectadores que cada filme em exibição tem. A opinião especializada foi substituída pela opinião do consumo.

quarta-feira, janeiro 12, 2011

A dívida e as dúvidas

Implica a lucidez que se percebam coisas básicas. Por exemplo, uma máquina produz algo, gera valor, contudo, não vive. É manipulada pelo dono para executar. Viver é algo mais do que fazer coisas, produzir. Viver é entender o que se passa a nossa volta, conseguir ter opinião, fugindo a todos os potenciais manipuladores sempre prontos a fazer-nos achar alguma coisa. Ou seja, a induzir-nos na «verdade» da opinião publicada. Primeiro, dizem o que deve ser pensado, depois esperam que se palre a história dando a possibilidade histórica de se aparecer na televisão a debitar a coisa. Cinco minutos de fama. Este é o orgasmo vital de tantos a quem se pergunta nos telejornais o que acham das mais variadas coisas.
Há por hábito, até de educação,  procurar o fácil e desvalorizar o rigor. Até porque o rigor exige pesquisa, dá trabalho, e o que se ensina é o êxito fácil, havendo mesmo uma cultura de eficiência que privilegia o desenrascanço e desmerece o investimento no trabalho. (É como achar normal aplicar num investimento 100 e retirar 240, sem nada ter sido acrescentado além da habilidade da escolha). E a vida está actualmente cheia de uma complexidade crescente, agravada pela vertigem que nos é imposta, pela avalanche exponencial do crescimento do conhecimento, que torna cada vez mais difícil a compreensão do mundo. O desenrascanço, negando o esforço, leva ao refúgio no grupo para o qual emocionalmente somos atraídos, o que garante a comodidade de sabermos que outros estão connosco, mas não a razão das opções feitas. Esta tendência tem como resultado natural a procura dos grupos maiores, por ser aí maior o apoio dos pares, com marginalização das franjas, onde quase sempre se localizam as elites e o progresso. Assim, quase sempre, mais do que ser-se por uma solução, é-se fundamentalmente contra a solução do grupo opositor e quando um resultado não é o desejado intimamente, diz-se que foi um bom resultado para os outros nossos adversários. Daí o título sugestivo de Boas Notícias para o Governo. Terá sido apenas para o Governo?

Olhando para a evolução da dívida pública de vários estados europeus em percentagem do PIB desde 2008 a 2009, parece evidente que alguma coisa de estranho aconteceu em 2008, porque quase de forma invariável em todos os Estados, os valores aumentaram de forma considerável.
Curiosamente, Portugal nem parece ser o país em que a progressão é mais acentuada:
                     2008           2009           Aumento
 Alemanha      66,3            73,4                10,7
 Espanha         39,8            53,2               33,7
 França           62,5            78,1               25,0
 Grécia          110,3         126,8                15,0
 Irlanda           44,3           65,5                47,9
 Portugal         65,3           76,1                16,5
 Reino Unido   52,1          68,2                 30,9
Conclusão: a percentagem da dívida em relação ao PIB não é das maiores (muito maior é na Itália, Bélgica ou na Grécia) nem um resultado apenas da administração do actual governo. O agravamento foi generalizado sendo o de Portugal apenas intermédio.
Ter um valor baixo da dívida em relação ao PIB não é propriamente bom sinal se tomarmos como referência os valores dos vários estados mundiais, onde as maiores percentagens se encontram no Japão, América do Norte e Europa:
Portanto, o problema não é ter uma grande dívida, mas saber onde se está a empregar o dinheiro que foi pedido. De que forma se está a regular a coisa que permite, por exemplo, que no ano passado as vendas dos porches tenham subido mais de 70%, fazendo-nos duvidar da existência de uma crise realmente séria. Como se pode assim compreender a necessidade de penalizar grupos subtanciais de cidadãos, impondo-lhes sacrifícios objectivos e dificilmente suportáveis, quando se antevê que desse efeito resulte mais constrangimento económico e recessão? Por que razão há uma urgência da destruição do Estado investidor para se suportarem privados que, nesta conjuntura de risco acrescido, dificilmente o assumirão? Não seria bem mais lógica a promoção do investimento público bem gerido, estimulante da produção e do emprego? O risco do Estado, dada a sua não-necessidade de lucro, seria sempre inferior e por isso mais viável, desde que isso não significasse criação de benefícios para um grupo, mas para o colectivo. É aqui que entram os homens e se iniciam as dificuldades...
  

terça-feira, janeiro 11, 2011

E os mercados em Lisboa?



Quando os invadidos de ontem se juntam aos seus invasores para invadirem com eles os novos invadidos, tem de haver aqui alguém que se refugie algures e que resista. Nestas alturas, é sabido, que há sempre alguns dos invadidos que anseiam a invasão na esperança, nem sempre vã, de virem a participar no festim. Tem sido sempre assim, mas sempre também a resistência tem sido mais forte e, aonde ainda não triunfou, também a vitória será certa, porque haverá sempre uma janela por onde sairão, mais cedo ou mais tarde, porque a história não vai acabar aqui.

Indoor

Gostei deste indoor.
É necessário, imperioso e urgente! Uma questão estética e seria excelente se a mancha não alastrasse por mais cinco anos durante os quais, para cúmulo, é bem possível que um Coelho de passos mais que duvidosos  lhe venha a fazer companhia. Será com amargura e tristeza que veremos, então, fechar as portas que Abril abriu e o tratamento é sempre mais complexo que a profilaxia. Mas o risco, na República, é real. É preciso avisar toda a gente!

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Elogio da poesia

A formação económica, afinal, é fundamental para o sucesso e o problema de todos nós, os comuns, é que não somos professores de Economia.
Se fossemos professores de Economia, saberíamos como fazer para investir as nossas poupanças com sucesso de 140% em 2 anos e teríamos  também estes desempenhos notáveis. Como não sabemos nada de Economia, vamos ficando desempregados ou com os ordenados reduzidos, sobrevivendo apenas. A culpa foi nossa que nunca aprendemos Economia e, por isso, não entendemos nada deste mundo e pensamos que os mercados são apenas os locais onde se vão comprar as couves. Ai, se nos fossemos todos professores de Economia! Sabíamos o que é gerar valor e não tínhamos a noção lírica que os poetas têm da ganância.
Se fossemos, se calhar, os professores de Economia iam ter algumas dificuldades, porque, realmente, só conseguem ser professores num mundo cheio de ignorantes em Economia ou num país de poetas.
Celebre-se a arte do senhor Professor de Economia, mas tenha-se a consciência que, o que faz por si, afinal não tem a generosidade de fazer pelo país a que preside. Imagine-se se conseguisse investir com a sua mestria as poupanças de todos nós! Era uma vez uma crise! Pensando, melhor, para que nos serve um Presidente professor de Economia que não usa os seus grandes conhecimentos a nosso favor? Mais vale, certamente, acreditarmos nas virtudes da Poesia.

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Cinzento


Cinzento começou o ano, com ameaças de preto absoluto no horizonte. E como precisávamos de um ano, pelo menos, Alegre, na impossibilidade real do vermelho triunfar!
Cinzento mas não só, demasiado pantanoso e desinteressante. Ainda sem o mau cheiro de Badwater no Vale da Morte, mas infinitamente menos belo.

sexta-feira, dezembro 24, 2010

Cartão de Natal

«Não devia haver Dezembro». Assim dito na consulta, como um disparo do peso que a solidão implica. O olhar entre o desistente e a revolta pela pressão da alegria virtual do Natal a toda a volta. O Natal como quase insulto para quem ficou sem marido e um filho há alguns anos num acidente estúpido, como são todos os acidentes. A vida, algumas vezes, transforma-se num caminho por entre gotas de chuva numa ânsia de chegar nem se sabe bem aonde. Andar apenas pelo tempo fora sem motivo de caminhada ficando o mais enxuto que for possível. Neste tempo da solidariedade institucionalizada, que ao menos os recordemos, aqueles que, correm por este mês desejosos que acabe rapidamente até, de novo, mergulharem nos restantes meses em que a solidão se generaliza a todos e se podem sentir menos diferentes.

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Optimismo racional

Há certezas que nos restam e, depois da tempestade, vem o dia 24 à noite e não pensamos mais nas filas, nos engarrafamentos de trânsito, nem nas meninas que fazem embrulhos nas lojas já cansadas de embrulhar. É a pausa na bagunça e o preparar para o novo tempo em que teremos de ter presente que para pior já basta assim e  acreditarmos que o sol sempre surge depois das nuvens e é inevitável que, um destes dias, a alvorada cante. Porque a história continua e sempre se renova por novos caminhos, apesar de, muitas vezes, ser necessário chegar a becos sem saída.
Só para chatear, no fundo da depressão, sabe bem ficar racionalmente optimista.

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Mais um

É realmente um dia como todos os outros. Ou seria, não fossem os amigos torná-lo especial e diferente. São melhores os dias que fazemos em conjunto. Que haja mais e vejamos todos.

terça-feira, dezembro 14, 2010

Prendinhas

Chegou-se a um tempo em que se trocam prendas sem conhecer o ofertante como se fosse possível escolher uma prenda sem que nos metamos um pouco na oferta que se faz. Podemos até não ser capazes de identificar a impressão digital, mas ela está lá, na ironia ou no sorriso que estas prendas sempre trazem. Mas não deixa de ser estranho dar algo a quem se não conhece, quando substituímos uma mensagem por uma oferta universal. De certa maneira não damos à pessoa, mas ao Natal e fica a imensa dúvida se terá valido a pena ou se estaremos de perfeito juízo quando o fazemos.

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Caos

Ali, ligeiramente descentrado, na paisagem cinzenta e desfocada estava eu. E, de repente, um estrondo nunca ouvido, exactamente sobre mim. Sem luz de relâmpagos, porque tudo ocorre numa penumbra necessária para a visão dos contornos do horizonte onde, por todo o lado, a toda  a volta, há explosões e colunas de fumo, gigantescas, como nunca tinha visto, incontáveis, renovando-se no meio de um absoluto silêncio até ao meu acordar espantado no meio de uma absoluta e real tranquilidade.
Às vezes sabe bem saborear a completa desorganização do tempo e do espaço, o caos total.