Há instantes que são meras formalidades e a que à partida pouco importância atribuo. Mas de repente, podem ser oportunidades de debate necessário. São as surpresas dos instantes, que os tornam, algumas vezes, notáveis.
O mais intolerável de tudo é o apagamento das personagens da história. Pior ainda quando para pôr na frente a sua imagem raspam da fotografia quem esteve no primeiro plano. A imagem que alguns são peritos em criar não consegue vencer a memória de quem esteve na história e, nessa altura, há uma obrigação ética de sobrepor a realidade à imagem. Doa a quem doer, tem de ser feito e fez-se.
Muitas vezes fica-me a dúvida se é por mera maldade ou por distorção do sentimento da realidade que usam a tesoura na fotografia. De uma ou outra forma é doentio e inútil a ilusão da importância que se atribuem, porque o verdadeiro significado dos nossos curriculla deverá, sempre e só, ser a análise que os outros deles fazem.
Estar em bicos dos pés é um um equilíbrio difícil e mesmo um primeiro passo para a queda. Não faltar muito para o tombo do esquecimento é, desde já, uma certeza e consolo e fica-se bem quando se reafirma a história bem contada, com realidade.
É isto que me fica neste um dia a mais que ontem. O resto é, provavelmente, secundário.
quarta-feira, junho 02, 2010
terça-feira, junho 01, 2010
Erros e segredos
Se o apoio do PS a Alegre pode ser fatal ainda não sabemos. O que já sabemos é que foi um disparate o apoio do PS a Mário Soares há uns anos atrás. Que bom seria conhecermos as razões ocultas de certos ditos. Esclarecê-los seria uma atitude nobre, mas possivelmente a força do oculto não o permite.
sábado, maio 15, 2010
Riscos
Nas doenças e morte precoce dos amigos, vou encontrando a necessidade de ser muito responsável no dia-a-dia da vida. Aí se percebe que não há justificação para a distracção do tempo nem para o adiar da apreciação do quadro, do livro, da peça de teatro ou da partilha de um vinho tinto com queijo em fim de tarde. É muito imprudente guardar as garrafas na adega à espera do dia certo, porque qualquer um pode, afinal, ser o último. A lição é que a vida é urgente todos os dias e a eternidade um privilégio dos crentes. A nós, se não nos cuidarmos, resta-nos a pequena consolação de ficarmos a beber sozinhos, com a lembrança deles, num esforço quase vão de os imortalizar. Mas isso, não é a mesma coisa.
quinta-feira, maio 13, 2010
Mar e mar
Podem dizer que era um mar de gente, porque os mares são de muitos tamanhos e até os há que são mortos de nome. E gente também a há de muitas formas, se bem que às massas mediáticas nem sei se gente se pode, em boa verdade, chamar. Pode dar-se o caso de quando só se vê, nem se estar verdadeiramente a existir, que isso é mais agir e pensar que observar embevecido na contemplação. Aí, pode mesmo mergulhar-se numa alienação de existência. Custa-me a entender a diferença entre um concerto roqueiro na Bela Vista e o tal mar de gente na Cova da Iria. Há outra energia noutros rios de gente, (porque os rios fluem e os mares estão estagnados), como foram aqueles do 1º de Maio de 74 ou o da despedida ao Álvaro Cunhal (onde nem sequer houve necessidade de tolerância de ponto).
quarta-feira, maio 12, 2010
Tristes
Chega quase a ser angustiante ver gente assim mal amada e sem paixão. Alheados do mundo, perseguidos por ideias, medrosos de nunca irem atingir os seus sonhos de domínio. Pena não se apaixonarem por algo que valha a pena e ao mesmo tempo, neste seu desespero, tornarem-se repelentes da paixão dos outros.
terça-feira, maio 11, 2010
Deixem-nos trabalhar!
Deixem-nos trabalhar! Disse um dia o timoneiro que raramente se enganava. Estranhamente desta vez nada disse. Só por leviandade ou mau cálculo político se pode ter tomado a decisão de dar tolerância de ponto por causa da visita do Papa. De uma assentada, perderam toda a argumentação da justificação do não às greves pela situação económica miserável em que se está. Ou não será o prejuízo da falta de um dia de actividade o mesmo por uma ou outra razão cujo efeito é idêntico?
Mais estranho, o facto de a tolerância ser limitada ao sector público. Parece a aceitação da ideia que aqui nada se faz e, por isso, mais folga menos folga, tudo bem. Será que a decisão, afinal, não foi assim tão leviana e tem por objectivo, uma vez mais, desacreditar o sector, identificando os seus trabalhadores como calaceiros? A confusão adensa-se quando alguns decidem vir trabalhar, porque o trabalho lhes parece inadiável.
Obviamente, nada me move contra o senhor e até tenho alguma solidariedade para com alguém que está privado das mais elementares liberdades e tem, por exemplo, de se deslocar num ridículo carro envidraçado, não pode ir ao quiosque comprar o jornal, não pode dizer ou escrever o que lhe vai na cabeça (no caso parece que, realmente, às vezes melhor será estar calado). Há nesta função uma esquizofrenia de poder e de sofrer a sua prisão e isso faz-me sentir alguma pena, sinceramente, do sujeito.
Mais estranho, o facto de a tolerância ser limitada ao sector público. Parece a aceitação da ideia que aqui nada se faz e, por isso, mais folga menos folga, tudo bem. Será que a decisão, afinal, não foi assim tão leviana e tem por objectivo, uma vez mais, desacreditar o sector, identificando os seus trabalhadores como calaceiros? A confusão adensa-se quando alguns decidem vir trabalhar, porque o trabalho lhes parece inadiável.
Obviamente, nada me move contra o senhor e até tenho alguma solidariedade para com alguém que está privado das mais elementares liberdades e tem, por exemplo, de se deslocar num ridículo carro envidraçado, não pode ir ao quiosque comprar o jornal, não pode dizer ou escrever o que lhe vai na cabeça (no caso parece que, realmente, às vezes melhor será estar calado). Há nesta função uma esquizofrenia de poder e de sofrer a sua prisão e isso faz-me sentir alguma pena, sinceramente, do sujeito.
Uma nova dimensão
Lá o tempo volta a ter a dimensão que o tempo tinha. Lá, onde ainda não há televisão nem e-mail, o tempo estica. Mas não é só o tempo, também o espaço tem personalidade, mudando ao ritmo da semana a cor dos pormenores. A distância faz o resto de me fazer sentir mais longo. Lá, quer o espaço, quer o tempo voltam a ter a dimensão da vida. E há instantes em que parece que van Gogh renasceu no contornado das árvores dirigidas às nuvens tormentosas. Pequenos nos fazem as cidades grandes.
quarta-feira, maio 05, 2010
Roubo
Se o dinheiro se não evapora, quando sai de um lado, irá para o outro. Isso faz-me pensar que alguém haverá que ganha com as crises. Por isso, soa-me a roubo, isso de tirarem aos gregos os dois meses de subsídios anuais. Em contas simples, representa uma perda de rendimento de 14%. Para onde vai?
segunda-feira, maio 03, 2010
Este país dava um filme
Quanto mais escasso é o tempo que resta, menos tempo o tempo dura. Não deixa o tempo, tempo para contar o que dele se faz e as pausas ficam maiores cheias de tempo cada dia mais fugaz. Até que chega um dia imprescindível e temos mesmo de ter tempo.
Anda alguém a querer olhar para trás e só isso explica que se dedique a roubar um retrovisor. Dei por isso, num dos automatismos de olhar para a esquerda a ver se vinha alguém. Não, quem não vinha era o retrovisor, impecavelmente destacado do seu lugar e depois foi um dia de aventura. A aventura começa aqui dizia na página da Entreposto Nissan e não era para menos. Liga-se o apoio ao cliente À procura do preço de um retrovisor e uma simpática call center girl, logo nos informa do número para que temos de ligar. Liga-se o número e fica-se a ouvir bips durante 10 minutos passados os quais decido voltar a interpelar a tal call center girl, que desta vez fica com o meu contacto para me contactar logo que possível. Quando? É coisa que nunca se sabe ao certo. Segunda parte do plano, contactar a companhia de seguros, onde tenho ao longo de 10 anos depositado religiosamente mais de 300 euros por ano para um seguro de furto ou roubo. Vamos lá a ver quem furta, que as garantias ainda vão ter de ser confirmadas. Mas que sim, que posso ir comprando a peça, que se for o caso de a apólice cobrir o dano, depois me compensarão. Mas terei de ir participar o roubo à PSP. É então que me dirijo ao centro de atendimento mais perto, no Centro Comercial Colombo, onde um dos 4-funcionários-4, me começa por dizer que a coisa está demorada, tenho 5 clientes à minha frente e apesar de serem 4, o melhor será ir fazer umas compras e voltar umas horas depois ou então ir à superesquadra ali para Benfica. É que aqui, apesar de haver 4 agentes apenas existe um computador e portanto... A informática, penso eu, bloqueia tudo. Mas porque raio não escrevem à mão estes fulanos? Ou então, se aqui não têm que fazer, poderiam talvez andar na rua a ver o que se passa.
Cheio de energia e optimismo chego à tal esquadra super guardada à porta por uns quinze agentes, vestidos de forma trendy com fatos que nem COPS a dizer POLICIA nos costados, em alegre galhofa cheia de bués e chavalos para aqui e para acolá. Ao que venho? Lá lhe explico e dizem-me para aguardar. Tempo é coisa que não falta nestes locais, ao que imagino. E está bem, que só aqui vem quem não tem mais nada que fazer, pois o resultado é antecipadamente conhecido: se não desconfiamos de alguém, que queremos que a polícia faça? E de novo à espera, vou olhando em volta e fico a saber os direitos dos arguidos afixados em cartaz (e os meus?)e vejo o corropio dos agentes dentro e fora e reparo nas enormes botas que usam que devem ser pesadas para burro e não dar jeito nenhum para perseguir alguém. Olho também para a máquina multibanco dentro da esquadra e penso que deve ser um teste à capacidade dos ladrões. Um desafio, tipo vejam lá se tiram esta daqui. Estava eu no meio disto quando uma hora depois lá me chamaram para o depoimento. Feito o dito, comunicam-me que se eu encontrar alguém suspeito posso fazer um processo crime contra o tal ou passados 6 meses o processo será arquivado. Fico tranquilo e dão-me um papel para comunicar à Seguradora. Um dia repousante. Pelo caminho de regresso a casa, penso que este país daria um filme.
Anda alguém a querer olhar para trás e só isso explica que se dedique a roubar um retrovisor. Dei por isso, num dos automatismos de olhar para a esquerda a ver se vinha alguém. Não, quem não vinha era o retrovisor, impecavelmente destacado do seu lugar e depois foi um dia de aventura. A aventura começa aqui dizia na página da Entreposto Nissan e não era para menos. Liga-se o apoio ao cliente À procura do preço de um retrovisor e uma simpática call center girl, logo nos informa do número para que temos de ligar. Liga-se o número e fica-se a ouvir bips durante 10 minutos passados os quais decido voltar a interpelar a tal call center girl, que desta vez fica com o meu contacto para me contactar logo que possível. Quando? É coisa que nunca se sabe ao certo. Segunda parte do plano, contactar a companhia de seguros, onde tenho ao longo de 10 anos depositado religiosamente mais de 300 euros por ano para um seguro de furto ou roubo. Vamos lá a ver quem furta, que as garantias ainda vão ter de ser confirmadas. Mas que sim, que posso ir comprando a peça, que se for o caso de a apólice cobrir o dano, depois me compensarão. Mas terei de ir participar o roubo à PSP. É então que me dirijo ao centro de atendimento mais perto, no Centro Comercial Colombo, onde um dos 4-funcionários-4, me começa por dizer que a coisa está demorada, tenho 5 clientes à minha frente e apesar de serem 4, o melhor será ir fazer umas compras e voltar umas horas depois ou então ir à superesquadra ali para Benfica. É que aqui, apesar de haver 4 agentes apenas existe um computador e portanto... A informática, penso eu, bloqueia tudo. Mas porque raio não escrevem à mão estes fulanos? Ou então, se aqui não têm que fazer, poderiam talvez andar na rua a ver o que se passa.
Cheio de energia e optimismo chego à tal esquadra super guardada à porta por uns quinze agentes, vestidos de forma trendy com fatos que nem COPS a dizer POLICIA nos costados, em alegre galhofa cheia de bués e chavalos para aqui e para acolá. Ao que venho? Lá lhe explico e dizem-me para aguardar. Tempo é coisa que não falta nestes locais, ao que imagino. E está bem, que só aqui vem quem não tem mais nada que fazer, pois o resultado é antecipadamente conhecido: se não desconfiamos de alguém, que queremos que a polícia faça? E de novo à espera, vou olhando em volta e fico a saber os direitos dos arguidos afixados em cartaz (e os meus?)e vejo o corropio dos agentes dentro e fora e reparo nas enormes botas que usam que devem ser pesadas para burro e não dar jeito nenhum para perseguir alguém. Olho também para a máquina multibanco dentro da esquadra e penso que deve ser um teste à capacidade dos ladrões. Um desafio, tipo vejam lá se tiram esta daqui. Estava eu no meio disto quando uma hora depois lá me chamaram para o depoimento. Feito o dito, comunicam-me que se eu encontrar alguém suspeito posso fazer um processo crime contra o tal ou passados 6 meses o processo será arquivado. Fico tranquilo e dão-me um papel para comunicar à Seguradora. Um dia repousante. Pelo caminho de regresso a casa, penso que este país daria um filme.
quarta-feira, abril 14, 2010
Justiça
De certa forma é consolador que a vida não tenha preço. Já muito alguns roubam, por isso, que ao menos haja uma fronteira para a vida e que assim continue, sem estar à venda. No fim, acabam por durar tanto os ladrões como os roubados e essa é uma justiça divina.
Se há quem ganhe num ano o que os seus colaboradores ganham em 30 ou mais anos de trabalho, ao menos que a esperança de vida seja idêntica. De outra forma, só para gozarem os ganhos ficariam eternos....
Se há quem ganhe num ano o que os seus colaboradores ganham em 30 ou mais anos de trabalho, ao menos que a esperança de vida seja idêntica. De outra forma, só para gozarem os ganhos ficariam eternos....
segunda-feira, abril 05, 2010
sábado, março 27, 2010
Verdades
Tantas verdades absolutas hoje, resolvidas nas mentiras de amanhã ou nas suas verdades contrárias. Ao fim de tantos anos, ainda não percebemos que as estratégias certas de agora poderão muito bem ser os objectivos duvidosos que se vão encontrar além. Por que razão tanta veemência na afirmação absolutamente convencida de ideias de duvidosa certeza? Só porque faz parte da forma eficiente da afirmação. Todo o curto-prazo é mau conselheiro e só na distância do tempo somos capaz de nos aproximar da verdade. Mas por estranho que pareça, anda-se num desassossego como se não houvesse mais amanhã, como se uma meia mentira hoje afirmada como verdade fosse mais anestésica do que qualquer reflexão menos imediata. Sem a análise do passado, é com dificuldade que vislumbraremos o futuro. Apetece duvidar da verdade para se chegar à certeza.
sexta-feira, março 26, 2010
Oração breve
Para nos não deixarmos ir na espuma dos dias desaparecendo nas tarefas inadiáveis de que beneficia nem se percebe muitas vezes quem, não deixemos para amanhã o que podemos viver hoje. Ámen.
quarta-feira, março 24, 2010
Maior idade
Estou a chegar a um estado de cansaço desta permanente luta com o mundo. (Pois, os anos não perdoam!!!) Não, que ele me tenha tratado mal, antes pelo contrário, mas a energia de mudar vai-se desvanecendo e cresce uma necessidade de aproveitar tranquilamente o que resta do tempo, que aos poucos se tem vindo a revelar cada vez mais finito. Na verdade, o mundo perfeito não é o único, nem sequer é. A sabedoria implica aprender a viver no que existe. Às vezes fica o silêncio como alternativa confortável. Já consigo sorrir e ir andando
segunda-feira, março 22, 2010
Reforma possível não é a desejável
No Publico:
A partir de 2014, o governo obrigará todos os adultos a ter um seguro de saúde, ou através das apólices de grupo oferecidas pelos empregadores (e que hoje são a forma privilegiada de acesso ao sistema para cerca de 85 por cento da população) ou um mercado individual.
As famílias que tenham rendimentos superiores ao limiar da pobreza, mas que mesmo assim não disponham de recursos para suportar os custos dos seguros, terão acesso a subsídios governamentais. E as pequenas e médias empresas que cobrirem os seus funcionários serão recompensadas com créditos fiscais.
A nova legislação estabelece ainda novas regras para a actividade das companhias de seguro – e os efeitos dessas provisões serão tangíveis mesmo antes da entrada em vigor da reforma, daqui a quatro anos. Por exemplo, as seguradoras não poderão mais unilateralmente cessar as apólices como forma de evitar pagamentos nem impor um tecto máximo para reembolsos de despesas. Também deixarão de poder recusar clientes com base no seu histórico de saúde, garantindo que pessoas que já sofreram acidentes, foram submetidas a cirurgias ou que se debatem com doenças crónicas sejam incluídas nas apólices.
A factura a pagar pelo governo federal ascende aos 940 mil milhões de dólares nos próximos dez anos, de acordo com a avaliação do independente Gabinete de Orçamento do Congresso. A reforma é sustentada financeiramente através de um misto de poupanças com cortes e reajustes em programas federais e da recolha de novas receitas fiscais. Simultaneamente, contribuirá para a diminuição do défice federal em 143 mil milhões de dólares até 2020.
Constitui um avanço, uma saída do estado de barbárie em que estavam os americanos nesta matéria. Mas que não sirva de argumento e exemplo por cá. Mais coisa menos coisa, é um programa de Saúde Negócio certamente apreciado por magistrais economistas dos que anseiam pela privatização de tudo o que dê lucro. Os Antónios Borges por cá não desgostariam de fazer assim a reforma do SNS.
Aliás, o Mercado até apreciou a medida de Obama. E isso é um sinal preocupante da bondade das medidas do «revolucionário» presidente.
A partir de 2014, o governo obrigará todos os adultos a ter um seguro de saúde, ou através das apólices de grupo oferecidas pelos empregadores (e que hoje são a forma privilegiada de acesso ao sistema para cerca de 85 por cento da população) ou um mercado individual.
As famílias que tenham rendimentos superiores ao limiar da pobreza, mas que mesmo assim não disponham de recursos para suportar os custos dos seguros, terão acesso a subsídios governamentais. E as pequenas e médias empresas que cobrirem os seus funcionários serão recompensadas com créditos fiscais.
A nova legislação estabelece ainda novas regras para a actividade das companhias de seguro – e os efeitos dessas provisões serão tangíveis mesmo antes da entrada em vigor da reforma, daqui a quatro anos. Por exemplo, as seguradoras não poderão mais unilateralmente cessar as apólices como forma de evitar pagamentos nem impor um tecto máximo para reembolsos de despesas. Também deixarão de poder recusar clientes com base no seu histórico de saúde, garantindo que pessoas que já sofreram acidentes, foram submetidas a cirurgias ou que se debatem com doenças crónicas sejam incluídas nas apólices.
A factura a pagar pelo governo federal ascende aos 940 mil milhões de dólares nos próximos dez anos, de acordo com a avaliação do independente Gabinete de Orçamento do Congresso. A reforma é sustentada financeiramente através de um misto de poupanças com cortes e reajustes em programas federais e da recolha de novas receitas fiscais. Simultaneamente, contribuirá para a diminuição do défice federal em 143 mil milhões de dólares até 2020.
Constitui um avanço, uma saída do estado de barbárie em que estavam os americanos nesta matéria. Mas que não sirva de argumento e exemplo por cá. Mais coisa menos coisa, é um programa de Saúde Negócio certamente apreciado por magistrais economistas dos que anseiam pela privatização de tudo o que dê lucro. Os Antónios Borges por cá não desgostariam de fazer assim a reforma do SNS.
Aliás, o Mercado até apreciou a medida de Obama. E isso é um sinal preocupante da bondade das medidas do «revolucionário» presidente.
sábado, março 20, 2010
terça-feira, março 16, 2010
Memórias recentes
Há instantes em que o silêncio nos ocupa o tempo todo. Fica a voz sufocada, suprimida pela imensidão do que acontece. Esgoto o tempo nas ideias e fico sem tempo para as descrever. É um overflow paralisante. A inacção decorre da intensidade da vida e sem querer percebi que já passou mais de um mês. Na esmagadora força do tsunami vou boiando sem tentar sequer segurar os postes, gozando a velocidade da corrente. Nada fica registado fora da memória da intensidade dos dias.
Por estes dias passados aconteceram terramotos, guerras, consumiu-se o tempo na avidez da busca dos corruptos (que são sempre os outros), optou-se por gastar no que o poder decide, retirando aos mesmos de sempre o pouco que lhes resta, a crise continua como desde há centenas de anos instalada e para ficar a tramar quem pouco pode. Um dia virá uma Bastilha, um qualquer Abril, um palácio Imperial cairá e logo a seguir se reerguerá porque a natureza (humana?) é assim mesmo. De tão igual que importância tem? Estranha esta nossa fixação no pouco relevante, que passa ao lado das nossas vidas.
De registo três eventos deste tempo:
A perda do amigo que surgiu de repente caído do acaso no nosso conhecimento e se revelou imenso na generosidade, na tranquilidade inquieta de estar e na sabedoria que tinha para mostrar a terra que adoptou, a sua forma de olhar o mar, provar a comida do mundo e beber o bom vinho que a terra nos dá. So many wines, so little time, sábia mensagem na t-shirt de Margaret Valley, miseravelmente menos do que o tempo que merecíamos. São instantes destes que me fazem compreender o conceito de persistência e a ideia meio estúpida da imortalidade. Quando há amigos, ficamos mesmo quando não estamos.
Neste tempo também houve o grande conflito interno de decidir entre o que fazer perante o direito de viver por conta a partir dos 55 e o dever de manter actividade útil a quem dela pode usufruir por vivermos num país de civilização onde a saúde é gratuita. Prevaleceu a afirmação a minha história na recusa de servir o negócio da saúde. É uma decisão meio quixotesca, economicamente pouco justificável, que não resiste à mais elementar análise custo-benefício material. Mas a vida vai além da matéria e depois da decisão isso ficou bem claro para mim. Pode ter sido uma escolha errada, mas até agora, foram as escolhas sempre certas. Por isso, tenho, ainda assim, o direito de me enganar alguma vez.
Finalmente, foi também tempo de saborear o charme, de materializar a poesia. Um dia assim pode ser quase perfeito. Foi a escolha deles, que já voaram bastante e prometem desta forma manter-se na busca de novos rumos e destinos. As viagens são sempre novas descobertas, gostosas surpresas sem fim, por vezes também turbulências, que com o treino e a vontade se vencem acabando por enriquecer as experiências. Em cada viagem nos acrescentamos um pouco mais, fica-se mais grande. É esse o rumo.
E se ainda me não reformei das viagens, tenho a boa sensação do gozo que é ver voar quem o faz bem. Como, quando miúdo, íamos para o terraço do aeroporto ver descolagens e aterragens.
Por estes dias passados aconteceram terramotos, guerras, consumiu-se o tempo na avidez da busca dos corruptos (que são sempre os outros), optou-se por gastar no que o poder decide, retirando aos mesmos de sempre o pouco que lhes resta, a crise continua como desde há centenas de anos instalada e para ficar a tramar quem pouco pode. Um dia virá uma Bastilha, um qualquer Abril, um palácio Imperial cairá e logo a seguir se reerguerá porque a natureza (humana?) é assim mesmo. De tão igual que importância tem? Estranha esta nossa fixação no pouco relevante, que passa ao lado das nossas vidas.
De registo três eventos deste tempo:
A perda do amigo que surgiu de repente caído do acaso no nosso conhecimento e se revelou imenso na generosidade, na tranquilidade inquieta de estar e na sabedoria que tinha para mostrar a terra que adoptou, a sua forma de olhar o mar, provar a comida do mundo e beber o bom vinho que a terra nos dá. So many wines, so little time, sábia mensagem na t-shirt de Margaret Valley, miseravelmente menos do que o tempo que merecíamos. São instantes destes que me fazem compreender o conceito de persistência e a ideia meio estúpida da imortalidade. Quando há amigos, ficamos mesmo quando não estamos.
Neste tempo também houve o grande conflito interno de decidir entre o que fazer perante o direito de viver por conta a partir dos 55 e o dever de manter actividade útil a quem dela pode usufruir por vivermos num país de civilização onde a saúde é gratuita. Prevaleceu a afirmação a minha história na recusa de servir o negócio da saúde. É uma decisão meio quixotesca, economicamente pouco justificável, que não resiste à mais elementar análise custo-benefício material. Mas a vida vai além da matéria e depois da decisão isso ficou bem claro para mim. Pode ter sido uma escolha errada, mas até agora, foram as escolhas sempre certas. Por isso, tenho, ainda assim, o direito de me enganar alguma vez.
Finalmente, foi também tempo de saborear o charme, de materializar a poesia. Um dia assim pode ser quase perfeito. Foi a escolha deles, que já voaram bastante e prometem desta forma manter-se na busca de novos rumos e destinos. As viagens são sempre novas descobertas, gostosas surpresas sem fim, por vezes também turbulências, que com o treino e a vontade se vencem acabando por enriquecer as experiências. Em cada viagem nos acrescentamos um pouco mais, fica-se mais grande. É esse o rumo.
E se ainda me não reformei das viagens, tenho a boa sensação do gozo que é ver voar quem o faz bem. Como, quando miúdo, íamos para o terraço do aeroporto ver descolagens e aterragens.
terça-feira, fevereiro 16, 2010
Fragilidade
Em termos políticos, Vítor Constâncio é uma espécie de Manuela Ferreira Leite inspirado por outros ares. Quando foi líder partidário era notória a sua falta de jeito para aquilo onde há que tem que ter a habilidade de fazer erros, de forma a que a gentalha goste. A posteriori dizem que errou quando devia ter regulado e vai regular agora de novo. Foi usado como responsável por não ter percebido quem era responsável e roubava à tripa forra. Fácil é fazer o julgamento da história passada, sem ter tido, na altura, a clarividência de afirmar os erros do presente. Mas esta é uma tendência actual de alguns dos nossos génios. Também aqueles que em Maio passado atafulharam as dispensas lá de casa de Tamiflu, apareceram depois a afirmar que sempre tinham percebido o negócio enorme da gripe A e criticam as medidas que tomaram os que na altura tiveram de decidir. Quem tem de falar, que fale no presente, ou para sempre se cale.
Mas é complicado perceber que a competência não é defesa bastante face à criatividade dos criminosos. Estamos frágeis.
Mas é complicado perceber que a competência não é defesa bastante face à criatividade dos criminosos. Estamos frágeis.
domingo, fevereiro 14, 2010
Ensino
A atracção pelo ensino advém da facilidade da Medicina matemática. Infinitamente mais complexo é tratar doentes, porque cada um deles é um caso que não vem nos livros. Há uma ciência-evidência que diz respeito à população, mas que não se aplica sempre. Essa é a parte fácil que está nos livros e na Internet acessível a quem sabe ler. Mas a ciência difícil é a compaixão, o passarmos para o lado do doente. A tarefa necessária do ensino parece-me ser a transmissão desta mensagem, que demora anos a aprender. O resto é search, copy and paste ao alcance de qualquer aluno.
sábado, fevereiro 13, 2010
Corrida ao Sol no país dos cuscos
Há ocasiões em que o silêncio me incomoda, sobretudo porque nele o estrondo da cobardia está presente. Que Manuelas funcionárias públicas aplicadas, a quem noutros tempos nunca lhes acudiria à mente a revolta contra o sufoco da opinião, por aí andem a pregar asfixia até percebo. Que Silvas paranoicos de escutas se tranquilizem quando são outros, REALMENTE, os escutados, não se aceita, mas também se entende. Efectivamente, o que custa é não ver ninguém dizer que a cusquice é abjecta e ver a parolagem deliciada com toda esta pouca vergonha. É a populaça formada pelo big brother sempre sequiosa por novos Zés Marias que lhes encham a alma oca.
Proclama-se por aí que a liberdade de expressão está em causa. É bem revelador da ignorância do que isso é. É triste que à boleia dos vendedores de papel e de spots de intervalo de jornal televisivo se pendure tanta mediocridade em votos de ascensão. Numa rábula triste em véspera de lançar livro diz-se que alguém disse que ouviu dizer e logo a coisa rola como grande escândalo. Era uma boca aparentemente séria que, de um momento para o outro, ficou semelhante a uma grande boca (ainda para mais ampliada pelo silicone). Numa clara estratégia de venda de papel, brilha o Sol, com as notícias bombásticas da coscuvilhice. Mentindo sobre a falta de liberdade, faz edições duplas, factura bem. Objectivo cumprido: aumento de vendas, mas nada mais além disso. Preço? Ausência de ética.
OK, o Chefe estava farto da continuada sacanice e manobrou para calar os sacanas. É próprio de quem é Chefe e não dono da sacanagem. Certamente que não haverá mais liberdade de Imprensa em Itália onde se chega a Chefe, começando por chefiar a sacanagem. Na vida tudo tem um custo e se quisermos ter informação objectiva e independente teremos de começar por abrir os cordões à bolsa e comprá-la ao custo que ela tem, isto é, jornais e televisões sem publicidade, custeados por nós. De outra forma teremos imprensa manipulada pelo poder económico de grupos (curiosa a forma ternurenta como o Expresso divulga o Sol destes dias)necessariamente ligados ao capital ou ao Estado. Entre uma e outra hipótese ainda me inclino para o mal menor, aquele onde, remotamente, ainda posso intervir.
Proclama-se por aí que a liberdade de expressão está em causa. É bem revelador da ignorância do que isso é. É triste que à boleia dos vendedores de papel e de spots de intervalo de jornal televisivo se pendure tanta mediocridade em votos de ascensão. Numa rábula triste em véspera de lançar livro diz-se que alguém disse que ouviu dizer e logo a coisa rola como grande escândalo. Era uma boca aparentemente séria que, de um momento para o outro, ficou semelhante a uma grande boca (ainda para mais ampliada pelo silicone). Numa clara estratégia de venda de papel, brilha o Sol, com as notícias bombásticas da coscuvilhice. Mentindo sobre a falta de liberdade, faz edições duplas, factura bem. Objectivo cumprido: aumento de vendas, mas nada mais além disso. Preço? Ausência de ética.
OK, o Chefe estava farto da continuada sacanice e manobrou para calar os sacanas. É próprio de quem é Chefe e não dono da sacanagem. Certamente que não haverá mais liberdade de Imprensa em Itália onde se chega a Chefe, começando por chefiar a sacanagem. Na vida tudo tem um custo e se quisermos ter informação objectiva e independente teremos de começar por abrir os cordões à bolsa e comprá-la ao custo que ela tem, isto é, jornais e televisões sem publicidade, custeados por nós. De outra forma teremos imprensa manipulada pelo poder económico de grupos (curiosa a forma ternurenta como o Expresso divulga o Sol destes dias)necessariamente ligados ao capital ou ao Estado. Entre uma e outra hipótese ainda me inclino para o mal menor, aquele onde, remotamente, ainda posso intervir.
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