sábado, março 27, 2010
Verdades
Tantas verdades absolutas hoje, resolvidas nas mentiras de amanhã ou nas suas verdades contrárias. Ao fim de tantos anos, ainda não percebemos que as estratégias certas de agora poderão muito bem ser os objectivos duvidosos que se vão encontrar além. Por que razão tanta veemência na afirmação absolutamente convencida de ideias de duvidosa certeza? Só porque faz parte da forma eficiente da afirmação. Todo o curto-prazo é mau conselheiro e só na distância do tempo somos capaz de nos aproximar da verdade. Mas por estranho que pareça, anda-se num desassossego como se não houvesse mais amanhã, como se uma meia mentira hoje afirmada como verdade fosse mais anestésica do que qualquer reflexão menos imediata. Sem a análise do passado, é com dificuldade que vislumbraremos o futuro. Apetece duvidar da verdade para se chegar à certeza.
sexta-feira, março 26, 2010
Oração breve
Para nos não deixarmos ir na espuma dos dias desaparecendo nas tarefas inadiáveis de que beneficia nem se percebe muitas vezes quem, não deixemos para amanhã o que podemos viver hoje. Ámen.
quarta-feira, março 24, 2010
Maior idade
Estou a chegar a um estado de cansaço desta permanente luta com o mundo. (Pois, os anos não perdoam!!!) Não, que ele me tenha tratado mal, antes pelo contrário, mas a energia de mudar vai-se desvanecendo e cresce uma necessidade de aproveitar tranquilamente o que resta do tempo, que aos poucos se tem vindo a revelar cada vez mais finito. Na verdade, o mundo perfeito não é o único, nem sequer é. A sabedoria implica aprender a viver no que existe. Às vezes fica o silêncio como alternativa confortável. Já consigo sorrir e ir andando
segunda-feira, março 22, 2010
Reforma possível não é a desejável
No Publico:
A partir de 2014, o governo obrigará todos os adultos a ter um seguro de saúde, ou através das apólices de grupo oferecidas pelos empregadores (e que hoje são a forma privilegiada de acesso ao sistema para cerca de 85 por cento da população) ou um mercado individual.
As famílias que tenham rendimentos superiores ao limiar da pobreza, mas que mesmo assim não disponham de recursos para suportar os custos dos seguros, terão acesso a subsídios governamentais. E as pequenas e médias empresas que cobrirem os seus funcionários serão recompensadas com créditos fiscais.
A nova legislação estabelece ainda novas regras para a actividade das companhias de seguro – e os efeitos dessas provisões serão tangíveis mesmo antes da entrada em vigor da reforma, daqui a quatro anos. Por exemplo, as seguradoras não poderão mais unilateralmente cessar as apólices como forma de evitar pagamentos nem impor um tecto máximo para reembolsos de despesas. Também deixarão de poder recusar clientes com base no seu histórico de saúde, garantindo que pessoas que já sofreram acidentes, foram submetidas a cirurgias ou que se debatem com doenças crónicas sejam incluídas nas apólices.
A factura a pagar pelo governo federal ascende aos 940 mil milhões de dólares nos próximos dez anos, de acordo com a avaliação do independente Gabinete de Orçamento do Congresso. A reforma é sustentada financeiramente através de um misto de poupanças com cortes e reajustes em programas federais e da recolha de novas receitas fiscais. Simultaneamente, contribuirá para a diminuição do défice federal em 143 mil milhões de dólares até 2020.
Constitui um avanço, uma saída do estado de barbárie em que estavam os americanos nesta matéria. Mas que não sirva de argumento e exemplo por cá. Mais coisa menos coisa, é um programa de Saúde Negócio certamente apreciado por magistrais economistas dos que anseiam pela privatização de tudo o que dê lucro. Os Antónios Borges por cá não desgostariam de fazer assim a reforma do SNS.
Aliás, o Mercado até apreciou a medida de Obama. E isso é um sinal preocupante da bondade das medidas do «revolucionário» presidente.
A partir de 2014, o governo obrigará todos os adultos a ter um seguro de saúde, ou através das apólices de grupo oferecidas pelos empregadores (e que hoje são a forma privilegiada de acesso ao sistema para cerca de 85 por cento da população) ou um mercado individual.
As famílias que tenham rendimentos superiores ao limiar da pobreza, mas que mesmo assim não disponham de recursos para suportar os custos dos seguros, terão acesso a subsídios governamentais. E as pequenas e médias empresas que cobrirem os seus funcionários serão recompensadas com créditos fiscais.
A nova legislação estabelece ainda novas regras para a actividade das companhias de seguro – e os efeitos dessas provisões serão tangíveis mesmo antes da entrada em vigor da reforma, daqui a quatro anos. Por exemplo, as seguradoras não poderão mais unilateralmente cessar as apólices como forma de evitar pagamentos nem impor um tecto máximo para reembolsos de despesas. Também deixarão de poder recusar clientes com base no seu histórico de saúde, garantindo que pessoas que já sofreram acidentes, foram submetidas a cirurgias ou que se debatem com doenças crónicas sejam incluídas nas apólices.
A factura a pagar pelo governo federal ascende aos 940 mil milhões de dólares nos próximos dez anos, de acordo com a avaliação do independente Gabinete de Orçamento do Congresso. A reforma é sustentada financeiramente através de um misto de poupanças com cortes e reajustes em programas federais e da recolha de novas receitas fiscais. Simultaneamente, contribuirá para a diminuição do défice federal em 143 mil milhões de dólares até 2020.
Constitui um avanço, uma saída do estado de barbárie em que estavam os americanos nesta matéria. Mas que não sirva de argumento e exemplo por cá. Mais coisa menos coisa, é um programa de Saúde Negócio certamente apreciado por magistrais economistas dos que anseiam pela privatização de tudo o que dê lucro. Os Antónios Borges por cá não desgostariam de fazer assim a reforma do SNS.
Aliás, o Mercado até apreciou a medida de Obama. E isso é um sinal preocupante da bondade das medidas do «revolucionário» presidente.
sábado, março 20, 2010
terça-feira, março 16, 2010
Memórias recentes
Há instantes em que o silêncio nos ocupa o tempo todo. Fica a voz sufocada, suprimida pela imensidão do que acontece. Esgoto o tempo nas ideias e fico sem tempo para as descrever. É um overflow paralisante. A inacção decorre da intensidade da vida e sem querer percebi que já passou mais de um mês. Na esmagadora força do tsunami vou boiando sem tentar sequer segurar os postes, gozando a velocidade da corrente. Nada fica registado fora da memória da intensidade dos dias.
Por estes dias passados aconteceram terramotos, guerras, consumiu-se o tempo na avidez da busca dos corruptos (que são sempre os outros), optou-se por gastar no que o poder decide, retirando aos mesmos de sempre o pouco que lhes resta, a crise continua como desde há centenas de anos instalada e para ficar a tramar quem pouco pode. Um dia virá uma Bastilha, um qualquer Abril, um palácio Imperial cairá e logo a seguir se reerguerá porque a natureza (humana?) é assim mesmo. De tão igual que importância tem? Estranha esta nossa fixação no pouco relevante, que passa ao lado das nossas vidas.
De registo três eventos deste tempo:
A perda do amigo que surgiu de repente caído do acaso no nosso conhecimento e se revelou imenso na generosidade, na tranquilidade inquieta de estar e na sabedoria que tinha para mostrar a terra que adoptou, a sua forma de olhar o mar, provar a comida do mundo e beber o bom vinho que a terra nos dá. So many wines, so little time, sábia mensagem na t-shirt de Margaret Valley, miseravelmente menos do que o tempo que merecíamos. São instantes destes que me fazem compreender o conceito de persistência e a ideia meio estúpida da imortalidade. Quando há amigos, ficamos mesmo quando não estamos.
Neste tempo também houve o grande conflito interno de decidir entre o que fazer perante o direito de viver por conta a partir dos 55 e o dever de manter actividade útil a quem dela pode usufruir por vivermos num país de civilização onde a saúde é gratuita. Prevaleceu a afirmação a minha história na recusa de servir o negócio da saúde. É uma decisão meio quixotesca, economicamente pouco justificável, que não resiste à mais elementar análise custo-benefício material. Mas a vida vai além da matéria e depois da decisão isso ficou bem claro para mim. Pode ter sido uma escolha errada, mas até agora, foram as escolhas sempre certas. Por isso, tenho, ainda assim, o direito de me enganar alguma vez.
Finalmente, foi também tempo de saborear o charme, de materializar a poesia. Um dia assim pode ser quase perfeito. Foi a escolha deles, que já voaram bastante e prometem desta forma manter-se na busca de novos rumos e destinos. As viagens são sempre novas descobertas, gostosas surpresas sem fim, por vezes também turbulências, que com o treino e a vontade se vencem acabando por enriquecer as experiências. Em cada viagem nos acrescentamos um pouco mais, fica-se mais grande. É esse o rumo.
E se ainda me não reformei das viagens, tenho a boa sensação do gozo que é ver voar quem o faz bem. Como, quando miúdo, íamos para o terraço do aeroporto ver descolagens e aterragens.
Por estes dias passados aconteceram terramotos, guerras, consumiu-se o tempo na avidez da busca dos corruptos (que são sempre os outros), optou-se por gastar no que o poder decide, retirando aos mesmos de sempre o pouco que lhes resta, a crise continua como desde há centenas de anos instalada e para ficar a tramar quem pouco pode. Um dia virá uma Bastilha, um qualquer Abril, um palácio Imperial cairá e logo a seguir se reerguerá porque a natureza (humana?) é assim mesmo. De tão igual que importância tem? Estranha esta nossa fixação no pouco relevante, que passa ao lado das nossas vidas.
De registo três eventos deste tempo:
A perda do amigo que surgiu de repente caído do acaso no nosso conhecimento e se revelou imenso na generosidade, na tranquilidade inquieta de estar e na sabedoria que tinha para mostrar a terra que adoptou, a sua forma de olhar o mar, provar a comida do mundo e beber o bom vinho que a terra nos dá. So many wines, so little time, sábia mensagem na t-shirt de Margaret Valley, miseravelmente menos do que o tempo que merecíamos. São instantes destes que me fazem compreender o conceito de persistência e a ideia meio estúpida da imortalidade. Quando há amigos, ficamos mesmo quando não estamos.
Neste tempo também houve o grande conflito interno de decidir entre o que fazer perante o direito de viver por conta a partir dos 55 e o dever de manter actividade útil a quem dela pode usufruir por vivermos num país de civilização onde a saúde é gratuita. Prevaleceu a afirmação a minha história na recusa de servir o negócio da saúde. É uma decisão meio quixotesca, economicamente pouco justificável, que não resiste à mais elementar análise custo-benefício material. Mas a vida vai além da matéria e depois da decisão isso ficou bem claro para mim. Pode ter sido uma escolha errada, mas até agora, foram as escolhas sempre certas. Por isso, tenho, ainda assim, o direito de me enganar alguma vez.
Finalmente, foi também tempo de saborear o charme, de materializar a poesia. Um dia assim pode ser quase perfeito. Foi a escolha deles, que já voaram bastante e prometem desta forma manter-se na busca de novos rumos e destinos. As viagens são sempre novas descobertas, gostosas surpresas sem fim, por vezes também turbulências, que com o treino e a vontade se vencem acabando por enriquecer as experiências. Em cada viagem nos acrescentamos um pouco mais, fica-se mais grande. É esse o rumo.
E se ainda me não reformei das viagens, tenho a boa sensação do gozo que é ver voar quem o faz bem. Como, quando miúdo, íamos para o terraço do aeroporto ver descolagens e aterragens.
terça-feira, fevereiro 16, 2010
Fragilidade
Em termos políticos, Vítor Constâncio é uma espécie de Manuela Ferreira Leite inspirado por outros ares. Quando foi líder partidário era notória a sua falta de jeito para aquilo onde há que tem que ter a habilidade de fazer erros, de forma a que a gentalha goste. A posteriori dizem que errou quando devia ter regulado e vai regular agora de novo. Foi usado como responsável por não ter percebido quem era responsável e roubava à tripa forra. Fácil é fazer o julgamento da história passada, sem ter tido, na altura, a clarividência de afirmar os erros do presente. Mas esta é uma tendência actual de alguns dos nossos génios. Também aqueles que em Maio passado atafulharam as dispensas lá de casa de Tamiflu, apareceram depois a afirmar que sempre tinham percebido o negócio enorme da gripe A e criticam as medidas que tomaram os que na altura tiveram de decidir. Quem tem de falar, que fale no presente, ou para sempre se cale.
Mas é complicado perceber que a competência não é defesa bastante face à criatividade dos criminosos. Estamos frágeis.
Mas é complicado perceber que a competência não é defesa bastante face à criatividade dos criminosos. Estamos frágeis.
domingo, fevereiro 14, 2010
Ensino
A atracção pelo ensino advém da facilidade da Medicina matemática. Infinitamente mais complexo é tratar doentes, porque cada um deles é um caso que não vem nos livros. Há uma ciência-evidência que diz respeito à população, mas que não se aplica sempre. Essa é a parte fácil que está nos livros e na Internet acessível a quem sabe ler. Mas a ciência difícil é a compaixão, o passarmos para o lado do doente. A tarefa necessária do ensino parece-me ser a transmissão desta mensagem, que demora anos a aprender. O resto é search, copy and paste ao alcance de qualquer aluno.
sábado, fevereiro 13, 2010
Corrida ao Sol no país dos cuscos
Há ocasiões em que o silêncio me incomoda, sobretudo porque nele o estrondo da cobardia está presente. Que Manuelas funcionárias públicas aplicadas, a quem noutros tempos nunca lhes acudiria à mente a revolta contra o sufoco da opinião, por aí andem a pregar asfixia até percebo. Que Silvas paranoicos de escutas se tranquilizem quando são outros, REALMENTE, os escutados, não se aceita, mas também se entende. Efectivamente, o que custa é não ver ninguém dizer que a cusquice é abjecta e ver a parolagem deliciada com toda esta pouca vergonha. É a populaça formada pelo big brother sempre sequiosa por novos Zés Marias que lhes encham a alma oca.
Proclama-se por aí que a liberdade de expressão está em causa. É bem revelador da ignorância do que isso é. É triste que à boleia dos vendedores de papel e de spots de intervalo de jornal televisivo se pendure tanta mediocridade em votos de ascensão. Numa rábula triste em véspera de lançar livro diz-se que alguém disse que ouviu dizer e logo a coisa rola como grande escândalo. Era uma boca aparentemente séria que, de um momento para o outro, ficou semelhante a uma grande boca (ainda para mais ampliada pelo silicone). Numa clara estratégia de venda de papel, brilha o Sol, com as notícias bombásticas da coscuvilhice. Mentindo sobre a falta de liberdade, faz edições duplas, factura bem. Objectivo cumprido: aumento de vendas, mas nada mais além disso. Preço? Ausência de ética.
OK, o Chefe estava farto da continuada sacanice e manobrou para calar os sacanas. É próprio de quem é Chefe e não dono da sacanagem. Certamente que não haverá mais liberdade de Imprensa em Itália onde se chega a Chefe, começando por chefiar a sacanagem. Na vida tudo tem um custo e se quisermos ter informação objectiva e independente teremos de começar por abrir os cordões à bolsa e comprá-la ao custo que ela tem, isto é, jornais e televisões sem publicidade, custeados por nós. De outra forma teremos imprensa manipulada pelo poder económico de grupos (curiosa a forma ternurenta como o Expresso divulga o Sol destes dias)necessariamente ligados ao capital ou ao Estado. Entre uma e outra hipótese ainda me inclino para o mal menor, aquele onde, remotamente, ainda posso intervir.
Proclama-se por aí que a liberdade de expressão está em causa. É bem revelador da ignorância do que isso é. É triste que à boleia dos vendedores de papel e de spots de intervalo de jornal televisivo se pendure tanta mediocridade em votos de ascensão. Numa rábula triste em véspera de lançar livro diz-se que alguém disse que ouviu dizer e logo a coisa rola como grande escândalo. Era uma boca aparentemente séria que, de um momento para o outro, ficou semelhante a uma grande boca (ainda para mais ampliada pelo silicone). Numa clara estratégia de venda de papel, brilha o Sol, com as notícias bombásticas da coscuvilhice. Mentindo sobre a falta de liberdade, faz edições duplas, factura bem. Objectivo cumprido: aumento de vendas, mas nada mais além disso. Preço? Ausência de ética.
OK, o Chefe estava farto da continuada sacanice e manobrou para calar os sacanas. É próprio de quem é Chefe e não dono da sacanagem. Certamente que não haverá mais liberdade de Imprensa em Itália onde se chega a Chefe, começando por chefiar a sacanagem. Na vida tudo tem um custo e se quisermos ter informação objectiva e independente teremos de começar por abrir os cordões à bolsa e comprá-la ao custo que ela tem, isto é, jornais e televisões sem publicidade, custeados por nós. De outra forma teremos imprensa manipulada pelo poder económico de grupos (curiosa a forma ternurenta como o Expresso divulga o Sol destes dias)necessariamente ligados ao capital ou ao Estado. Entre uma e outra hipótese ainda me inclino para o mal menor, aquele onde, remotamente, ainda posso intervir.
sexta-feira, fevereiro 12, 2010
O negro e o vermelho
Não, a história ainda não acabou. Apesar da longa pausa. Só que a história tem de ter assunto, que nem sempre existe. Este país tem estado chato ou, talvez pior, inclinado para baixo. Há uma depressão cinzenta cada vez mais densa, mais negra.
Pelo meio ficou a certeza de que o Natal não acabou e que o investimento nos faz sobreviver além do tempo e quando chegar a altura. E também o enorme gozo de ir jantar à pala na comemoração de um primeiro ordenado. Vermelho.
Pelo meio ficou a certeza de que o Natal não acabou e que o investimento nos faz sobreviver além do tempo e quando chegar a altura. E também o enorme gozo de ir jantar à pala na comemoração de um primeiro ordenado. Vermelho.
terça-feira, dezembro 29, 2009
Fumo
Num instante fica-se amputado da memória de um tempo que tínhamos guardado numa caixinha metálica e não se percebe como isso é possível. Também se não compreende como tinha sido possível lá pôr toda a memória desse tempo ao longo de um ano. Mas a magia tem destes coisas, como vem também vai. Afinal, apenas sobrevivem os registos que tinham sido impressos, nessa actividade de que nos auto-acusamos de destruirmos as árvores. Tanta campanha do paper free e agora se constata que a liberdade da recordação depende, realmente, do que o papel regista. Tudo o resto mora não se sabe bem aonde, se não morto, em transformação, se o outro tinha razão. Até é possível que, um dia, também estes registos feitos não sei onde, acabem por se esconder de vez, reduzidos ao silêncio de algum interesse. Tudo é efémero.
sábado, dezembro 12, 2009
Evolução
quinta-feira, dezembro 10, 2009
O ónus da prova
Foi num Natal de há muitos anos. Apareci em casa com um burro de plástico cuja origem não se percebia de onde vinha. Era uma pequena figura de presépio. Acontece que os meus rendimentos na altura não eram compatíveis com a propriedade que exibia. Porque não havia, na altura, direitos constitucionais sobre o ónus da prova, a questão foi resolvida rapidamente depois de um inquérito sumário em que ficou demonstrado que o bicho fora adquirido por via anómala.
Se fosse agora tudo seria diferente. Caberia à Justiça descobrir a origem do cavalo, ir ao local do furto, marcar com umas plaquinhas numéricas os pontos de vestígios do furto, encontrar, cientificamente com DNA e tudo, as provas e depois de construírem uma teoria sobre o caso lá me viriam confrontar com a acusação. Seria possível que nessa altura já eu não me lembrasse da história…
Sem a protecção constitucional, a história acabou com a confissão do delito, a devolução do burro a quem de direito e com umas chineladas do rabo.
Se fosse agora tudo seria diferente. Caberia à Justiça descobrir a origem do cavalo, ir ao local do furto, marcar com umas plaquinhas numéricas os pontos de vestígios do furto, encontrar, cientificamente com DNA e tudo, as provas e depois de construírem uma teoria sobre o caso lá me viriam confrontar com a acusação. Seria possível que nessa altura já eu não me lembrasse da história…
Sem a protecção constitucional, a história acabou com a confissão do delito, a devolução do burro a quem de direito e com umas chineladas do rabo.
quarta-feira, dezembro 09, 2009
Palhaços?
Tenho saudades das boas discussões políticas no tempo em que a política era a discussão das ideias que resolveriam problemas. Hoje em vez de o fazerem, os políticos limitam-se à discussão dos problemas de carácter dos adversários. É um festim para os jornalistas, mas nada resolve. No público reforça-se a ideia de que são todos iguais, quando, na verdade, nem é bem assim. Há uns mais palhaços do que os outros.
terça-feira, dezembro 08, 2009
Quinta livro
Quase ao cimo, o poço que descido nos permite ver, de dentro da terra, o céu no alto. E de lá se sai atravessando as águas. Mas não só, toda esta quinta é uma sucessão de pedras que falam numa obra de criação induzida pelo conhecimento do mundo. Fica-se sempre grande quando se conhecem novos mundos nas viagens que se fazem. Uma casa pode além de ser um abrigo, um livro que conta uma história que interpreta uma concepção de mundo.
segunda-feira, dezembro 07, 2009
A difícil economia
Raciocínios macroeconómicos feitos por uma médico devem comportar os mesmos riscos que uma cirurgia feita por economistas. Mas se estes são capazes de elaborar sobre medicina, também a um médico não deve ser vedada a ousadia de perorar sobre economia. Assim nos podemos sorrir uns dos outros.
Ao contrário da Medicina que sendo uma ciência estatística, é bem sabido não ter rigor matemático, a Economia é uma ciência conotada com os números, só que são tantas as formas de apresentar as contas que conseguem obter-se resultados para todas as explicações. E quanto a previsões, recorrem geralmente à teoria do João Pinto sobre os prognósticos.
A Economia é uma ciência tão complicada que nem se ousa ensiná-la ao comum dos mortais. Por isso, todos a temos de aprender na Vida. Para um simples médico a Economia é uma diferença entre o que se produz e o que se gasta, sendo que não é sustentável gastar-se sempre mais do que o produzido. Nas interacções que temos, conseguimos atingir um estádio em que, nas várias intermediações que temos uns com os outros, a produção da riqueza consegue eximir-se à diferença entre produção e consumo. E assim nasceram os actuais ricos, que muitas vezes nada produziram, uns estimulando apenas o consumo, outros elaborando fantasias emocionais sobre como expandir o capital no Grande Casino. Quem manda tem mantido a ilusão com os sobressaltos conhecidos. Até quando durará?
Ao contrário da Medicina que sendo uma ciência estatística, é bem sabido não ter rigor matemático, a Economia é uma ciência conotada com os números, só que são tantas as formas de apresentar as contas que conseguem obter-se resultados para todas as explicações. E quanto a previsões, recorrem geralmente à teoria do João Pinto sobre os prognósticos.
A Economia é uma ciência tão complicada que nem se ousa ensiná-la ao comum dos mortais. Por isso, todos a temos de aprender na Vida. Para um simples médico a Economia é uma diferença entre o que se produz e o que se gasta, sendo que não é sustentável gastar-se sempre mais do que o produzido. Nas interacções que temos, conseguimos atingir um estádio em que, nas várias intermediações que temos uns com os outros, a produção da riqueza consegue eximir-se à diferença entre produção e consumo. E assim nasceram os actuais ricos, que muitas vezes nada produziram, uns estimulando apenas o consumo, outros elaborando fantasias emocionais sobre como expandir o capital no Grande Casino. Quem manda tem mantido a ilusão com os sobressaltos conhecidos. Até quando durará?
sexta-feira, dezembro 04, 2009
Salto à Vara no país dos pico-nanos
A grande tese da direita mais assumida é que estando o emprego dependente fundamentalmente das pequenas e médias empresas, o combate ao desemprego passa pelo apoio a esses empresários. Nos últimos tempos, tenho tido alguns contactos com eles, com donos de alguns negócios (as chamadas empresas) onde se produzem janelas, portas, instalações de águas, aquecimentos e por aí e tenho-me apercebido da sua iliteracia, do seu saber adquirido apenas e muitas vezes por tradição familiar, da sua facilidade da concepção do trabalho, lentidão da sua execução, incumprimento de prazos, alheamento da inovação e já nem se fala da falta de vontade de pagar impostos. São gente que não aprendeu a gerir, executa tradicionalmente e não tem vontade de aprender, orgulhosa do que faz e com sentimentos de que todos (isto é, o abominável Estado que lhes cobra impostos) lhe devem porque eles são o motor da economia. Andam de Mercedes modelo antigo e vestem roupa de marca comprada na feira para afirmarem o seu trabalho. Têm um infinito objectivo de safar o seu, sem grandes preocupações de outra natureza, nomeadamente o bem-estar dos que lhe fazem a produção. E fico a pensar que é para o peditório destes pequenos ou pico-nanos que nos querem convencer a contribuir e encho-me de dúvidas se essa não é uma forma de perpetuar uma classe que entretém, mas não cria, isto é, de meramente adiar um problema, pois o seu destino será sempre o da falência mais tarde ou mais cedo. Penso mesmo se não seria mais justo serem empregados de alguém que soubesse gerir os seus negócios, que é mais isso que têm e não empresas. Nestes pico-nanos vejo muito do que sempre estão prontos a criticar: os golpes dos políticos e parceiros neste país, como dizem, parecendo que não são de cá. Mas, lá no fundo, fica a impressão da inveja que estes pico-nanos têm do salto à Vara. Mas há saltos que só algumas pernas conseguem dar, tenham paciência.
quinta-feira, dezembro 03, 2009
Há luar no Alentejo
quarta-feira, dezembro 02, 2009
Doutrina
Têm sempre um ar angélico do bem estes economistas que, reiteradamente, nos tentam convencer que só a criação de riqueza permitirá o alcançar do bem-estar. Sem esse esforço (de quem?) restar-nos-á a continuação eterna desta crise de mal-estar. E andamos nisto há décadas. Melhorámos muito apesar dos discursos da desgraça, só que quando uns comem migalhas e os outros as fatias do bolo produzido, mesmo que os migalheiros fiquem de estômago menos vazio, são os que comem quase tudo que quem realmente se enche. No final do processo da criação da riqueza assim concebida não temos ricos menos ricos e pobres menos pobres, enquanto isso suponha aproximação de classes, mas um aumento mais acentuado da riqueza dos já ricos. Não há repartição equitativa e proporcional da riqueza. Mas a tese continua a ser-nos soprada todos os dias como sendo uma necessária maldição.
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