A imagem com que fico é que isto dos assessores de imprensa devem ser uma espécie de delegados de informação médica. Simpáticos, cordiais, com ar de não quererem vender nada, até trazem informação de pretensa qualidade, tudo, segundo dizem, servido sob uma ética irrepreensível. No meio de uns almoços, deslocações e viagens. A busca de informação de qualidade dá trabalho, é preciso ler livros e revistas, analisar os resultados das investigações. Mal dos médicos, que deixam a sua actualização aos cuidados dos delegados de informação médica. Mal dos doentes que se consultam com tais profissionais.
Como alguns médicos, também os jornalistas estão em risco de satisfazerem a preguiça não procurando a notícia, deixando que ela venha até eles por fontes menos recomendáveis. Fazendo eco do que lhes chega prestam um mau serviço aos seus leitores. Mal dos leitores que tal informação consomem.
É arriscado que um Estado deixe aos pruridos éticos de uns e outros a relação entre os assessores e delegados e os jornalistas e os médicos. Em nome de uma prestação de cuidados capaz e de uma informação de qualidade, seria bom que criasse regras de convivência, que impedissem a promiscuidade e a preguiça. Mesmo que isso levasse ao desemprego de alguns destes profissionais da «informação». A vida ficava mais difícil, mas o ambiente mais respirável. Haveria menos asfixia informativa. Pelo menos os conflitos de interesse das redacções e o enunciado bem destacado da propriedade dos meios de comunicação deveria estar bem patente nas primeiras páginas e nos rodapés dos telejornais.
E, já agora, seria bom lembrar aos mais distraídos a filiação partidária dos Presidentes da República e proibir-se que digam que o são de todos os portugueses. É claro que o não são e que há silêncios que gritam.
quinta-feira, setembro 24, 2009
quarta-feira, setembro 23, 2009
O homem dos tabús
Nele, o silêncio é cíclico. Neste momento deve estar a devorar bolos-reis uns atrás dos outros à espera do que pensa ser uma maioria silenciosa. Esperemos que no próximo dia 28 de Setembro lhe aconteça o mesmo que no outro, que a reacção não passe e que, não tendo que fugir para Espanha, assuma as suas responsabilidades e actue em conformidade. Sem tabús.
segunda-feira, setembro 21, 2009
Belemgate
Será que estou a entender bem? Um assessor do PR, em seu nome, tentou manipular informação com vista a comprometer o Governo e por um deslize informático acabámos por saber que assim foi? E o que foi é que existe um jornal de referência (de que é dono o D Belmiro) que se presta a esta manobra. Em nome do direito à verdade, fico à espera (com urgência) dos novos episódios do Belemgate.
Asfixia
Há muito que foram abandonados os argumentos programáticos e, agora, todo o cerne das campanhas surge cheio de atribuições morais, sobretudo a denúncia da imoralidade dos adversários. É o paga-não-paga impostos, o tem-não-tem acções e PPRs que enche as notícias, ficando os programas, as soluções sem debate ou discussão. Atribuir a falta de moralidade ao inimigo é o único argumento, sobretudo quando as diferenças de programa até são de difícil enumeração. O debate das ideias não dará votos, concluíram.
E os receptores da mensagem estão, efectivamente, cansados de conteúdo. Cada vez mais, mesmo nas conversas banais do dia-a-dia, o debate das ideias é incómodo, chegando a sentir-se ser o debate político, politicamente incorrecto. O país fica cheio de moralistas, críticos de todos sem excepção, parecendo a multidão que critica um conjunto de virgens impolutas. Todos bons pagadores de impostos, todos trabalhadores cuidadosos na satisfação do próximo, impecáveis pais e mães de família, sem ponta de egoísmo ou ganância nas suas acções. Uma coisa os une, a vontade exclusiva de conversar sobre o tempo que faz, o futebol os mexericos cor-de-rosa. Tudo o mais é tabú neste mundo social asfixiado pelas conveniências de classe. O mais angustiante vazio neste ar que se respira.
E os receptores da mensagem estão, efectivamente, cansados de conteúdo. Cada vez mais, mesmo nas conversas banais do dia-a-dia, o debate das ideias é incómodo, chegando a sentir-se ser o debate político, politicamente incorrecto. O país fica cheio de moralistas, críticos de todos sem excepção, parecendo a multidão que critica um conjunto de virgens impolutas. Todos bons pagadores de impostos, todos trabalhadores cuidadosos na satisfação do próximo, impecáveis pais e mães de família, sem ponta de egoísmo ou ganância nas suas acções. Uma coisa os une, a vontade exclusiva de conversar sobre o tempo que faz, o futebol os mexericos cor-de-rosa. Tudo o mais é tabú neste mundo social asfixiado pelas conveniências de classe. O mais angustiante vazio neste ar que se respira.
segunda-feira, setembro 14, 2009
Mulher de Lata
Pérolas de Manuela Ferreira Leite que atestam a mentira da verdade. Disse a Senhora nos Açores:
1. "José Sócrates tem um projecto de natureza pessoal para se manter no poder, só pode ser de natureza pessoal, não pode ser pelo País." Em boa verdade, não disse qual era o projecto, é uma convicção dela, sem provas mostradas e grave, porque caluniosa. Dá para fazer títulos de jornais, mas não vai além da calúnia.
2. Sócrates, um homem que, diz, "inventa calúnias" e "só gosta de quem gosta dele e de quem o apoia". "Não é possível em democracia que o apelo ao voto seja feito com base no engano", sublinhou. Pode ser que invente calúnias, mas nada que se compare ao que outros têm feito até agora contra ele nessa matéria. Por outro lado, gostos são gostos e é natural que gostemos dos nossos. Nesta matéria MFL é muito mais radical, quem diverge dela é pura e simplesmente afastado. A intolerante, se não me engano, e com provas dadas é ela. Portanto tem razão na última frase, é indecente fazer apelos ao voto com base no engano.
3. Depois este retrato do país (com anotações minhas): Visto dos Açores (deve ser um problema de visão, coisas da idade), Portugal está pior do que nunca (onde andava ela antes de Abril?). A Saúde está de braços cruzados (inspirada numa imagem dos folhetos de promoção de clínicas privadas), a Educação está de costas voltadas (os professores finalmente começaram a dar aulas e a escrever nos quadros), a Justiça está de joelhos (que me perdoem os muçulmanos, mas seria pior noutras posições de oração), a Segurança está de cabeça perdida (decapitações em esquadras foi noutras ocasiões, se bem me recordo), a Economia está com a corda ao pescoço (é justo depois das falcatruas feitas que sigam o exemplo de Egas Moniz). E como se não bastasse, os trabalhadores protestam nas ruas (preferiria as manifestações de estudantes do tempo em que governou?) e as famílias desesperam na banca (estará a falar do BPN dos seus correlegionários ou será por causa da redução dos spreads?)", realçou.
Esta senhora que tenta dar de si a imagem da Dama de Ferro, não consegue ser,realmente, mais que uma Mulher de Lata.
1. "José Sócrates tem um projecto de natureza pessoal para se manter no poder, só pode ser de natureza pessoal, não pode ser pelo País." Em boa verdade, não disse qual era o projecto, é uma convicção dela, sem provas mostradas e grave, porque caluniosa. Dá para fazer títulos de jornais, mas não vai além da calúnia.
2. Sócrates, um homem que, diz, "inventa calúnias" e "só gosta de quem gosta dele e de quem o apoia". "Não é possível em democracia que o apelo ao voto seja feito com base no engano", sublinhou. Pode ser que invente calúnias, mas nada que se compare ao que outros têm feito até agora contra ele nessa matéria. Por outro lado, gostos são gostos e é natural que gostemos dos nossos. Nesta matéria MFL é muito mais radical, quem diverge dela é pura e simplesmente afastado. A intolerante, se não me engano, e com provas dadas é ela. Portanto tem razão na última frase, é indecente fazer apelos ao voto com base no engano.
3. Depois este retrato do país (com anotações minhas): Visto dos Açores (deve ser um problema de visão, coisas da idade), Portugal está pior do que nunca (onde andava ela antes de Abril?). A Saúde está de braços cruzados (inspirada numa imagem dos folhetos de promoção de clínicas privadas), a Educação está de costas voltadas (os professores finalmente começaram a dar aulas e a escrever nos quadros), a Justiça está de joelhos (que me perdoem os muçulmanos, mas seria pior noutras posições de oração), a Segurança está de cabeça perdida (decapitações em esquadras foi noutras ocasiões, se bem me recordo), a Economia está com a corda ao pescoço (é justo depois das falcatruas feitas que sigam o exemplo de Egas Moniz). E como se não bastasse, os trabalhadores protestam nas ruas (preferiria as manifestações de estudantes do tempo em que governou?) e as famílias desesperam na banca (estará a falar do BPN dos seus correlegionários ou será por causa da redução dos spreads?)", realçou.
Esta senhora que tenta dar de si a imagem da Dama de Ferro, não consegue ser,realmente, mais que uma Mulher de Lata.
domingo, setembro 13, 2009
Surpresas
Não é por mal que se pergunta, tudo bem?. É somente por rotina, para calar o silêncio em que nos desabituámos de estar. No meio da bruma destes dias, acena-se que sim, claro! quando a vontade era mais chamar idiota à pergunta, dizer, mas que raio tem você a ver com isso que pergunta. Somos incapazes de respeitar os espaços uns dos outros, por hábitos, por rotinas politicamente certas e nada é feito por mal, embora faça mal e apeteça responder à chicotada.
Mesmo quando ainda nos sentimos como se tivéssemos 30 anos, afinal, quem quase os tem são já os nossos filhos e nós passámos a ter o estatuto e direito a estar com as doenças que aparecem depois dos 50, mesmo que, lendo a sua descrição, achemos que aquilo não nos assenta bem. De repente, envelhecemos uma data de anos. Subitamente, percebi que o envelhecimento não é uma mais-valia de experiências feita, mas um conjunto de sintomas vagos encontrados em muitas doenças. Por isso, o envelhecimento como valor acrescentado é, necessariamente, um diagnóstico de exclusão depois de terem sido eliminadas todas as outras. Apenas, nessa altura.
Mesmo quando ainda nos sentimos como se tivéssemos 30 anos, afinal, quem quase os tem são já os nossos filhos e nós passámos a ter o estatuto e direito a estar com as doenças que aparecem depois dos 50, mesmo que, lendo a sua descrição, achemos que aquilo não nos assenta bem. De repente, envelhecemos uma data de anos. Subitamente, percebi que o envelhecimento não é uma mais-valia de experiências feita, mas um conjunto de sintomas vagos encontrados em muitas doenças. Por isso, o envelhecimento como valor acrescentado é, necessariamente, um diagnóstico de exclusão depois de terem sido eliminadas todas as outras. Apenas, nessa altura.
sábado, setembro 12, 2009
Debate
Do que vi a professora foi a aluna mal preparada e o engenheiro o examinador implacável. Foi tão forte o questionário e tão frágil a candidata, que apenas se pode, honestamente, propor-lhe que volte na próxima época ou que desista da função. Só que desistir é impossível e, pela idade, esta era a última oportunidade. Ao pé desta candidata, quase parece que José Sócrates é o único PM viável. Este país já está mal servido de PR, porque se enganou da outra vez. Será bom que não repita o erro e arranje uma PM ao nível. Com representantes desses, são os representados que perdem, mas a história recente mostra que nos Estados Unidos, ainda há não muito tempo foi isso que aconteceu: uma maioria da população passou pela vergonha de manter Bush a dar aquela miserável imagem da América ao mundo.
Ainda assim, espera-se que daqui a 15 dias, um desastre idêntico não nos venha a afectar. Numa terra de seres pensantes, depois do que se viu, a coisa estaria decidida. Mas nada garante que seja o caso e que mais casos insinuados não venham, no desespero final, alterar o resultado deste jogo. Mas quando as ideias faltam, da direita desesperada todo o terrorismo é de esperar.
Ainda assim, espera-se que daqui a 15 dias, um desastre idêntico não nos venha a afectar. Numa terra de seres pensantes, depois do que se viu, a coisa estaria decidida. Mas nada garante que seja o caso e que mais casos insinuados não venham, no desespero final, alterar o resultado deste jogo. Mas quando as ideias faltam, da direita desesperada todo o terrorismo é de esperar.
sexta-feira, setembro 11, 2009
As aulas começaram?
Havia uma fila maior quando descia a rua hoje de manhã. Será que começaram as aulas? A Ministra da Educação foi uma nódoa, dizem os professores. Mas não me lembro de nos anos anteriores ter havido um início de aulas como este. A ausência de notícias sobre o facto, leva-me a crer que foi um anormal início normal das aulas. Não era a isto que estávamos habituados.
quinta-feira, setembro 10, 2009
Caminhos
Há caminhos que mais não são que atalhos, estreitas veredas de mau piso. Mas é nas estradas secundárias que mais se aprecia o percurso, não necessariamente nas auto-estradas. O gozo é a atenção ao prazer.
terça-feira, setembro 08, 2009
Como nunca os vimos
Às vezes acontece televisão inteligente e para quem quiser aproveitar poderá ser até mais esclarecedor que aquelas conversas assépticas, regradas por tico-ticos da certificação do debate, onde apenas se assiste à mesma festa do costume de malhar no mesmo. Esses debates que levam a que o título do dia seguinte seja PCP e CDS concordam qualquer coisa, porque no calor da refrega anti-inimigo comum se esquecem de realçar e se atacarem nas suas discordâncias.
Mostrar as pessoas, poderá ser mais esclarecedor, mas será necessário desmontar a eventual representação induzida pelo marketing que se irá adaptar a este tipo de notícia e possivelmente controlar a sua eficácia. Para começar e antes dos truques tiveram a sorte de o primeiro entrevistado ter sido este. Espera-se que faça a diferença, porque, afinal, é diferente e os políticos não são todos iguais, ao contrário, do que a propaganda insinua numa sofisticada desmotivação da participação. Mas não participar é o mais perigoso de tudo como já bem reconhecia Platão: «A penalização por não participares na política é acabares a ser governado pelos teus inferiores.» Ou seja o fenómeno não é novo, antes induzido pelos poderosos de sempre na ânsia de perpetuação do seu poder.
Mostrar as pessoas, poderá ser mais esclarecedor, mas será necessário desmontar a eventual representação induzida pelo marketing que se irá adaptar a este tipo de notícia e possivelmente controlar a sua eficácia. Para começar e antes dos truques tiveram a sorte de o primeiro entrevistado ter sido este. Espera-se que faça a diferença, porque, afinal, é diferente e os políticos não são todos iguais, ao contrário, do que a propaganda insinua numa sofisticada desmotivação da participação. Mas não participar é o mais perigoso de tudo como já bem reconhecia Platão: «A penalização por não participares na política é acabares a ser governado pelos teus inferiores.» Ou seja o fenómeno não é novo, antes induzido pelos poderosos de sempre na ânsia de perpetuação do seu poder.
segunda-feira, setembro 07, 2009
Negro
Há depois aqueles instantes em que se acabam os objectivos, as estratégias e fica um enorme vazio de certezas. Afinal, nem se percebe o percurso andado quanto mais o que falta percorrer e só as dúvidas cavalgam sobre o nosso lombo. Fica um enorme peso no ar e é como se as cores todas tivessem fugido do quadro reduzindo-o a um negro absoluto em que o tempo parou. Onde está a ponta da BIC com que vamos criar a linha raspando o óleo a mais para ressurgir a forma nova?
sexta-feira, setembro 04, 2009
Inseguros
A justeza do lucro privado está no grau de risco que assumem. Dizem. Na teoria, porque na prática, a verdade é outra bem distinta. O lucro privado provem mais da ganância do que de qualquer justiça. Por isso, é normal que as seguradoras ajam desta forma. O que é absolutamente anormal é pensar-se que há formas de substituir o Estado (todos nós, solidariamente) nas despesas da Saúde. Com os privados será sempre assim, quando a coisa der para o torto, venha o Estado pagar. Foi assim com a Banca, é assim com as seguradoras. A natureza deles é o lucro, o não pagamentos dos impostos, a ganância, a geração de valor. Está a fazer um ano que assistimos à hecatombe da economia liberal, mas a memória é curta e a reflexão proibida. Por que aconteceu? Pela natureza do sistema, direi eu.
quinta-feira, setembro 03, 2009
Ponto final
Se a Verdade fosse a sua preocupação, hoje teríamos a Dra. Manuela a celebrar o fim do escarro jornalístico que eram os telejornais da sexta-feira. Aquele jornalismo caceteiro, manipulador, desinformativo há muito que deveria ter sido posto a andar assim como a sua mentora. A posição CORPORATIVA do Sindicato percebe-se. Às corporações interessará sempre mais defender os seus do que a Ética. Já é um pouco estranho ver esta gentinha muito direitinha da política nacional vir pôr em causa uma decisão de um conselho de administração de uma empresa privada. Ainda mais triste é ver a falta de verticalidade, de coluna vertebral que a esquerda também aqui demonstra ao não denunciar com energia o nojo a que algum jornalismo descia. Realmente, não devia valer tudo, porque a seguir esse princípio, em breve nada vale nada.
E se a grande boca se preparava para amanhã voltar a vomitar o fel que lhe ia dentro, pois que o faça. Certamente, não faltarão locais onde o pode expressar, incluindo a Judiciária onde poderá apresentar as suas provas. Ou será que só tem insinuações felinas (com fel, entenda-se)?
E se a grande boca se preparava para amanhã voltar a vomitar o fel que lhe ia dentro, pois que o faça. Certamente, não faltarão locais onde o pode expressar, incluindo a Judiciária onde poderá apresentar as suas provas. Ou será que só tem insinuações felinas (com fel, entenda-se)?
Se faz favor...
No futebol temos notícia de que os árbitros são encomendados, rejeitados, aprovados ao longo da semana em múltiplos telefonemas por vezes gravados às escondidas dos autores. O jogo sai depois como se sabe.
Na carreira médica a coisa é mais linear: pede-se, por escrito, a um dos candidatos a um concurso que nomeie o júri que há-de escolher quem virá a ter o lugar em disputa. O resultado é conhecido antes do próprio jogo. Para que se vai ao campo?
Ainda aqui, o futebol, pela sua discrição, parece ser uma escola melhor, com algum savoir faire.
Na carreira médica a coisa é mais linear: pede-se, por escrito, a um dos candidatos a um concurso que nomeie o júri que há-de escolher quem virá a ter o lugar em disputa. O resultado é conhecido antes do próprio jogo. Para que se vai ao campo?
Ainda aqui, o futebol, pela sua discrição, parece ser uma escola melhor, com algum savoir faire.
quarta-feira, setembro 02, 2009
O bobo da SIC
Tem um ar de avozinho matreiro e arranjou uma cantiga que vai repetindo ora aqui, ora acolá. O refrão anda à volta de qualquer coisa do género os políticos não valem nada, o país está a ir ao fundo. Soluções, deve haver, embora as não saiba. É um Dr. House, sem terapêuticas para salvar o doente. Temos de produzir mais e consumir o que pudermos é uma mensagem do senso comum que não necessitaria ser dita por um professor, economista e com outros títulos. Mas quando fala em produzir, apenas se refere a batatas e couves, numa visão muito rural do problema. Tecnologia não parece dizer-lhe nada. À primeira vez, o espanto colhe-nos pelo insólito; à segunda ainda sorrimos, pela traquinice; mas depois, o cansaço instala-se e resta-nos a visão condescendente de que estamos perante o bobo da SIC. Sem medidas e com pouca carreira.
segunda-feira, agosto 31, 2009
Costumes
Por agora, a diferença aparente é a modernidade e a tradição. A política é de costumes e a Economia não é tema. Só que no final de cada mês, mais que os costumes, é a Economia que impera. Mas manda o marketing que se mostrem as diferenças e nalgumas coisas as igualdades gritam. Se calhar nas mais fundamentais. Começo a pensar que mais coisa menos coisa, acabarão em união de facto abençoados pelo Papa e sem direito a separação.
domingo, agosto 30, 2009
Também o vento leste
Nos Estados Unidos, foi por já ninguém suportar mais o discurso guerreiro da mentira e pelo trambolhão económico em que caíram com a ilusão do fim do Estado. No Japão, onde são teimosos e tementes ao poder como os burros, também hoje o Estado vai começar a existir mais um pouco, possivelmente.
São as duas maiores economias mundiais a perceberem o óbvio. Por cá anda a mentira travestida de verdade a tentar convencer-nos do contrário.
São as duas maiores economias mundiais a perceberem o óbvio. Por cá anda a mentira travestida de verdade a tentar convencer-nos do contrário.
Obviamente, mais Estado
À estafada cantiga do menos Estado, bom seria que outros o afirmassem, promovendo o melhor Estado. A memória é curta ou a ambição excessiva e as saudades imensas, mas menos Estado foi o que permitiu a evolução recente da História, a roubalheira desenfreada do poder e seus amigos. É o menos Estado que encalhou recentemente a linha Saúde 24, o outsourcing incontrolável. Mas esta gente sem memória não aprende, ou não quer aprender, governados que estão pelo desejo inconfessado do regresso à liberdade individual dos mesmos de sempre, gerador da opressão do mesmo colectivo conhecido. Melhor Estado, como já se vai tendo, quando as certidões são passadas na hora, quando se espera menos por consultas e cirurgias, quando mais jovens são educados mais tempo. Melhor Estado necessário, quando a Justiça for acelerada, dependendo menos das artimanhas processuais de advogados privados, quando se simplificarem processos na busca da eficiência. Melhor Estado fundamental, quando houver Imprensa independente, não controlada pelo poder económico, debitadora de um pensamento único.
Duvido da bondade dos homens, individualmente considerados. Se isso ainda puder ser dito e fazer sentido. Obviamente, é necessário mais Estado.
Duvido da bondade dos homens, individualmente considerados. Se isso ainda puder ser dito e fazer sentido. Obviamente, é necessário mais Estado.
sexta-feira, agosto 28, 2009
A fuga dos médicos
A empresa GlobalMediRec colocou um anúncio no portal da Ordem dos Médicos para contratar 15 clínicos portugueses para hospitais públicos ingleses, pagando entre 6750 e 7900 euros brutos por mês. Médicos e sindicatos alertam para o perigo de muitos profissionais abandonarem o País numa altura em que também faltam recursos nas nossas unidades de saúde Publicado em DN de hoje com alarme e comentários de fazer chorar a rir.
Muitos profissionais abandonarem o país!!? De acordo com a própria notícia, serão 15!! Ainda há poucos dias foram recrutados uns 40 e tal cubanos... para virem trabalhar em Portugal. Este pânico da saída para os privados é recorrente, como se os privados fossem tão pouco criterioso como os serviços públicos na gestão dos recursos. Trata-se do mercado, estúpidos! Ou como diria o PM, são as novas oportunidades.
Muitos profissionais abandonarem o país!!? De acordo com a própria notícia, serão 15!! Ainda há poucos dias foram recrutados uns 40 e tal cubanos... para virem trabalhar em Portugal. Este pânico da saída para os privados é recorrente, como se os privados fossem tão pouco criterioso como os serviços públicos na gestão dos recursos. Trata-se do mercado, estúpidos! Ou como diria o PM, são as novas oportunidades.
domingo, agosto 23, 2009
O vale tudo da alta competição
O jamaicano que voa não será o mais importante do actual campeonato do mundo de atletismo. A revelação, uma vez mais, da ausência de ética do «desporto» de alta competição será o factor mais marcante destes jogos. Há uma menina de 18 anos, que perante todo o mundo vê o seu género sexual ser posto em causa. Como isto é diferente dos cuidados que temos, naturalmente, perante uma jovem adulta com síndrome de insensibilidade aos androgénios, por exemplo. Apesar de atleta, por trás disso há uma pessoa. Mas parece que a este nível, apenas existem, resultados, promoções de marcas e as pessoas, na verdade, pouco contam.
sábado, agosto 22, 2009
Simplex informativo
Caiu uma arriba no Algarve, obviamente, por culpa do governo. Tenho quase a certeza que, se nesta altura houvesse um atentado que destruísse a ponte sobre o Tejo, a imprensa não hesitaria em condenar o Governo pela falha numa qualquer medida de prevenção. Dificilmente, nesse caso se poderia assacar alguma responsabilidade à alternativa aos males da terra, o Hospital de Santa Maria. E não sendo esse o culpado, restava o outro. Expressamente, a imprensa simplex: então já sabiam há dois anos e nada?
sexta-feira, agosto 21, 2009
Território
No início havia os ares, as terras e os mares e nenhum registo predial atribuía a alguém cada uma das suas partes. Depois, possivelmente, pelo medo das fomes ou então pela malvadez da natureza humana, essa realidade ainda inexpugnável, tudo passou a ficar delineado em confrontações referenciadas por pedras colocadas nas pontas do mundo de cada qual. Nasceram os vizinhos, as fronteiras e as guerras também para desenvolver a economia e dar consistência ao sistema. Com certeza, que os homens aprenderam isto na escola dos cães.
Foi o dia adequado para ver The Visitor, um exercício de reflexão sobre a América cercada por medos internos e intensos, negando a sua maior virtude, a tolerância dos estranhos.
Foi o dia adequado para ver The Visitor, um exercício de reflexão sobre a América cercada por medos internos e intensos, negando a sua maior virtude, a tolerância dos estranhos.
quinta-feira, agosto 20, 2009
Jesusalém
Havendo uma história para contar é possível escrevê-la, mas disso pode apenas resultar um livro policial ou um best-seller, quando se anda na televisão. Diferente será fazer um livro de contos ou um romance. Para isso não basta haver uma história apenas, tem de haver também a escolha das palavras que a contam. Podem imaginar-se as palavras todas emaranhadas dentro de uma enorme caixa, a caixa das palavras, coberta por um pano preto, por onde entram mãos sábias na busca das melhores palavras. Quando as mãos são realmente sábias, as palavras saem lá de dentro alinhadas num texto que mostra os cheiros, as cores, as texturas, um mundo todo novo e inesperado. Um romance deve nascer como uma escultura, da pedra, pela eliminação da pedra excedente. Ao fim de muito martelar fica a maciez da forma capaz de encantar os olhos.
É também disto que as férias se fazem, do tempo de leitura. Nestas fui levado a Jesusalém (Mia Couto) numa viagem parecida com outra há já muitos anos, também numa praia, quando apreciei igualmente surpreendido a lisura do texto da construção do convento de Mafra. Agora, senti-me menino à volta da fogueira, em noites quentes com silêncios de rastos de bichos e luzes lá no alto, muito longe. Os romances permitem sentir o rigor da extração da pedra supérflua. Nada têm que ver com os best-sellers.
É também disto que as férias se fazem, do tempo de leitura. Nestas fui levado a Jesusalém (Mia Couto) numa viagem parecida com outra há já muitos anos, também numa praia, quando apreciei igualmente surpreendido a lisura do texto da construção do convento de Mafra. Agora, senti-me menino à volta da fogueira, em noites quentes com silêncios de rastos de bichos e luzes lá no alto, muito longe. Os romances permitem sentir o rigor da extração da pedra supérflua. Nada têm que ver com os best-sellers.
terça-feira, agosto 18, 2009
Tempo esticado
Na maioria dos dias vamos andando no tempo e acontece-nos chegar ao fim do dia sem ter percebeido o caminho que fizemos nele, como se não tivésemos saído do mesmo lugar no passeio que nele se faz.
Nas férias, ao fim de uns dias, acontece um tempo diferente, o tempo de férias. Chega-se às 2 da tarde, encontra-se a vizinha que vem a chegar e digo, bom-dia com a sensação de serem 11 da manhã. O tempo esticou. Estou de férias, então. Sem qualquer necessidade de relógio.
Nas férias, ao fim de uns dias, acontece um tempo diferente, o tempo de férias. Chega-se às 2 da tarde, encontra-se a vizinha que vem a chegar e digo, bom-dia com a sensação de serem 11 da manhã. O tempo esticou. Estou de férias, então. Sem qualquer necessidade de relógio.
segunda-feira, agosto 17, 2009
A economia nas Caldas
Ao lado fica um prédio já em pré-ruína na ferrugem dos vãos e nas paredes a descascar. Era antiga fábrica. Subsiste apenas um amplo espaço onde os restos das colecções ainda vão preenchendo prateleiras entre outras já vazias. As peças expostas a preços de oferta têm pressa de sair dali. Existe essa pressa no ar e até no olhar ainda sorridente da funcionária e no outro mais cansado do segurança sentado lá num canto junto à porta. Há uma súplica de esvaziamento em tudo isto. Uma vontade de fim neste resto de memória de uma empresa produtora de cerâmica, exportadora, geradora nesses tempos de receitas para o lado certo da balança comercial.
A pouca distância ergueu-se um modernaço shopping-center de arquitectura viva, preenchido de loja e de gentes ambulantes frente às montras. Um eucaliptal de comércio a secar o tradicional da rua das Montras. na sua pujança criou emprego. Talvez alguns tenham até transitado da Secla ali ao lado. As lojas são as mesmas de sempre com os nomes ingleses e italianos que os donos espanhóis lhes puseram. Tudo a gerar receitas para a coluna errada da balança comercial.
Esta tem sido a história económica deste país nos últimos anos. A destruição da produção e a implementação crescente do consumo num país entregue às vedetas do alterne PS-PSD/CDS. Estas são as políticas que, realmente, hipotecam o país.
A pouca distância ergueu-se um modernaço shopping-center de arquitectura viva, preenchido de loja e de gentes ambulantes frente às montras. Um eucaliptal de comércio a secar o tradicional da rua das Montras. na sua pujança criou emprego. Talvez alguns tenham até transitado da Secla ali ao lado. As lojas são as mesmas de sempre com os nomes ingleses e italianos que os donos espanhóis lhes puseram. Tudo a gerar receitas para a coluna errada da balança comercial.
Esta tem sido a história económica deste país nos últimos anos. A destruição da produção e a implementação crescente do consumo num país entregue às vedetas do alterne PS-PSD/CDS. Estas são as políticas que, realmente, hipotecam o país.
domingo, agosto 16, 2009
Com Sul e sem sol
Dois dias depois, começo a ter saudades do sol. Sobretudo por estar a ler o Sul do Miguel Sousa Tavares. Fico envergonhado ao perceber que a escrita pode fazer-nos sentir o sol, mesmo quando no texto sobressai um elitismo, talvez bem intencionado. Tendencioso, com certeza, quando em Cabo Verde ouve gritar os golos do FCP. O que eu vi foram as bandeiras do Benfica! São os caminhos diferentes que nos mostram mundos diversos.
sexta-feira, agosto 14, 2009
Greve
Estar de férias é ficar num sítio diferente. Aqui tem-se essa ilusão, ouve-se inglês nas falas dos vizinhos e sente-se a humidade do nevoeiro. Fico longe das notícias do país ainda que dentro dele. De férias foi o sol para parte incerta.
quinta-feira, agosto 13, 2009
CV
Missão cumprida. Um texto pequeno a resumir uma vida. Bastaram duas dúzias de páginas e fica tudo contado por agora. Um dia logo se vê.
quarta-feira, agosto 12, 2009
Sem saudades
Saio de Lisboa, 2ª circular fora, contemplando à força os enormes anúncios do CDS/PP. E penso que já sou suficientemente velho para ter conhecido uma sociedade, onde os professores eram os únicos a ser respeitados nas aulas e os polícias eram os únicos detentores do poder. Invocar esta mudança, não me causa saudades.
segunda-feira, agosto 10, 2009
Até aquece quando arrefece
Portugal cada vez mais quente e menos chuvoso
O Verão está com ares de Primavera, especialmente nas manhãs e noites ventosas, e os veraneantes andam algo inquietos com a "partida" climatérica. E têm razão. Houve dias de Primavera mais quentes. As temperaturas médias de Julho foram mais baixas do que os valores normais de 1971-2000, segundo o Instituto de Meteorologia. A máxima registou uma diminuição de 0,5ºC e a mínima de 1,2ºC. E também choveu mais do que seria normal, especialmente nas regiões do Noroeste
Extraído do Público de hoje.
Há jornalistas tão ligados à ideia do aquecimento global, que, para eles, quer a temperatura aumente, quer desça, é sempre a aquecer.
O Verão está com ares de Primavera, especialmente nas manhãs e noites ventosas, e os veraneantes andam algo inquietos com a "partida" climatérica. E têm razão. Houve dias de Primavera mais quentes. As temperaturas médias de Julho foram mais baixas do que os valores normais de 1971-2000, segundo o Instituto de Meteorologia. A máxima registou uma diminuição de 0,5ºC e a mínima de 1,2ºC. E também choveu mais do que seria normal, especialmente nas regiões do Noroeste
Extraído do Público de hoje.
Há jornalistas tão ligados à ideia do aquecimento global, que, para eles, quer a temperatura aumente, quer desça, é sempre a aquecer.
domingo, agosto 09, 2009
Mudança
Fica-se estranho quando se olha a nova imagem, mesmo quando se percebe já se ter sido assim há muito tempo. É uma surpresa que acompanha o alívio de uma imagem que atormentava de alguma forma todos os dias, quando pela manhã a olhava no reflexo do espelho.
Num tempo em que a imagem comanda o mundo, a mudança permite a ilusão de enganar o tempo.
Num tempo em que a imagem comanda o mundo, a mudança permite a ilusão de enganar o tempo.
sábado, agosto 08, 2009
Que continue a ser feliz

Acontece-me às vezes as palavras conterem o próprio riso. Raul Solnado, são duas palavras que sempre associei ao riso, à boa disposição, à normalidade de estar vivo, porque era como os demais, especial sem ser mourinho. Hoje, pela primeira vez, verifiquei que o riso também pode morrer nas palavras que o tinham. Parece que disse um dia que desejava ter como epitáfio Aqui jaz Raul Solnado (contra sua vontade). Deve ser tranquilo morrer bem-humorado, sem qualquer medo da morte, porque se teve o cuidado de viver. Mas por que são estes os que partem?
quarta-feira, agosto 05, 2009
Elegia
De um instante para o outro todo a certeza do tempo se transforma e o tempo seguro é um tempo esvaído no tempo. As expectativas do tempo associadas à estatística são definitivamente traiçoeiras e, afinal, o tempo só existe na esperança de vida, que, felizmente, nos casos concretos nada tem a ver com a estatística.
Poderá ser redutor, mas Elegia,foi sobretudo esta mensagem.
Poderá ser redutor, mas Elegia,foi sobretudo esta mensagem.
terça-feira, agosto 04, 2009
A paz ao terceiro dia
Ser conhecedor em Medicina é também ter senso clínico na determinação do prognóstico. Se não devemos ser ladrões da esperança, também é fútil a persistência em sermos deuses salvadores a todo o custo. A teimosia salvadora perante um prognóstico sem esperança pode mesmo chegar a ser má prática. Pior ainda é quando se tentam envolver outros técnicos na atitude de teimosia sem sentido, despertando sentimentos de culpa por acção e inacção. Cria-se uma dinâmica de silêncio e revolta em todos e nos próprios familiares, que, por fim quando alguém toma a decisão que se exigia, agradecem por lhes ter sido concedido o fim da dúvida e devolvido o direito do luto.
Ser médico, às vezes, é permitir que se morra, muito mais que a ilusão da ciência e a constatação da melhoria dos valores das análises. Porque o respeito pela vida pode ser, no seu limite, a concessão da morte.
Ser médico, às vezes, é permitir que se morra, muito mais que a ilusão da ciência e a constatação da melhoria dos valores das análises. Porque o respeito pela vida pode ser, no seu limite, a concessão da morte.
segunda-feira, agosto 03, 2009
oração
deus me livre de o querer ser entre os homens. Delírios de grandeza que os tenham em privado sem afectar os pobres mortais. Ámen.
domingo, agosto 02, 2009
Definição de casal de periquitos
Parece que andam divididos os juízes do Tribunal Constitucional sobre os casamentos de gays.
Como diria, talvez, o Francisco Louçã, imaginemos um cenário: O Zé vai a uma loja de animais e pede um par de periquitos. O vendedor, perguntará, quer machos ou fêmeas? O Zé, responde um casal, se faz favor. Afinal o par era um macho e uma fêmea, um casal na linguagem do senso comum. Para o senso comum, realmente, um periquito e outro periquito são um par; uma periquita e outra periquita são também outro par; um casal de periquitos, é um periquito e uma periquita. Conclusão, dois periquitos do mesmo sexo, estão emparelhados; dois de sexos diferentes formam um casal.
Mas isso era no senso comum, pré-moderno. Agora, há quem busque confundir a linguagem.
Como diria, talvez, o Francisco Louçã, imaginemos um cenário: O Zé vai a uma loja de animais e pede um par de periquitos. O vendedor, perguntará, quer machos ou fêmeas? O Zé, responde um casal, se faz favor. Afinal o par era um macho e uma fêmea, um casal na linguagem do senso comum. Para o senso comum, realmente, um periquito e outro periquito são um par; uma periquita e outra periquita são também outro par; um casal de periquitos, é um periquito e uma periquita. Conclusão, dois periquitos do mesmo sexo, estão emparelhados; dois de sexos diferentes formam um casal.
Mas isso era no senso comum, pré-moderno. Agora, há quem busque confundir a linguagem.
sábado, agosto 01, 2009
Recusa da paz
Este mar que me acalma vai agora dourando na tarde não muito quente de um dia iniciado com chuva em Lisboa. Aqui saboreio a pausa e retempero. Há um silêncio com pássaros e saltos de coelhos apressados, agitações de vidas simples que fluem longe da cidade. Perante isto, fico espantado com o lamento de que Évora é um atraso, porque nem tem um templo Belmiriano do consumo progressista. Já chegámos à recusa da paz?
quinta-feira, julho 30, 2009
Cegueira
O título da notícia não informa. Sabe-se que de 6, três continuam sem ver, mas não se percebe na notícia, embora fosse admissível perante o título, se 3 recuperaram a visão. Poderia o título ser, então, 3 doentes recuperaram a visão? Nunca, porque a notícia tem de ser mensagem de desgraça, já que neste tempo das trevas e dos medos acabaram as boas-novas. Há um persistente esforço de indução de depressão, do medo, para que ao lado floresça a iniciativa privada sem denúncia pública. Se os bancos ganharam nos tempos de crise 4 milhões de euros por dia, isso não é notícia. Realmente, apenas é vergonha. A cegueira é muito mais generalizada do que é admitido, possivelmente contagiosa.
quarta-feira, julho 29, 2009
Cegos
Sem a pretensão elitista de reservar o complexo para os sobredotados, sempre me faz impressão quando vejo muita gente a ter opiniões sobre coisas complexas. Vivo num país de bocas grandes (não só a da MMG) onde muita gente gosta de grandes bocas e bocas sobre os mais diversos temas é coisa fácil de fazer, só que nada ou pouco valem. Mas vejo uma atracção imensa por se achar coisas sobre toda a coisa. É a opinião pública segundo se diz, esquecendo os que assim a chamam que a opinião pública tem um valor idêntico ao das mulheres públicas. Neste caso é também uma opinião frequentemente prostituída pela Informação, geralmente, privada. Ter opinião é coisa complexa e que dá trabalho, o que muitas vezes não faz as delícias dos opinadores compulsivos nem de quem os estimula a ter opiniões. Por isso, as coisas complexas têm de ser explicadas de forma simples por aqueles que as estudaram a fundo e isso leva tempo, um tempo demasiado grande para as necessidades jornalísticas destes tempos. Não se podem emitir opiniões a toda a hora e mais vale opinar no fim da história, mesmo que os noticiários fiquem entretanto vazios. É nessa altura que pode ser dita a verdade sobre a coisa. Mas a verdade parece ser o que menos interessa a jornalistas privados. Erro médico é um assunto demasiadamente sério para ser tratado por gente ligeira e apressada.
segunda-feira, julho 27, 2009
Anquilose sistémica
Corre-se o risco de que com a aprovação das futuras carreiras médicas, tudo vá continuar como até aqui. Nos últimos anos, o que se tem visto é uma tentativa sôfrega da parte das várias direcções da Ordem dos Médicos de controlar tudo o que respeita aos títulos médicos, deixando, de lado cada vez mais a apreciação das capacidades técnicas de forma objectiva, por exemplo, através de concursos periódicos ou por créditos de formação. Num país pequeno, com pouca gente, a preocupação é ter a capacidade de escolher as pessoas por critérios mais ou menso elásticos que, efectivamente, permitem uma grande dose de arbitrariedade. Actualmente, e nada faz prever diferenças para o futuro, chegam a confundir-se níveis de diferenciação com lugares de quadro. É disso prova a confusão de um título de provimento com um grau de carreira: o lugar de chefe de serviço ou futuro especialista senior parece ser um nível de carreira, mas é efectivamente um lugar do quadro e não mais que isso. O curioso é que sendo um lugar de quadro de uma organização se coloque a sua decisão ao critério de elementos de outras organizações concorrentes, como se isso não pudesse enviezar os resultados. É como se a equipa do Benfica fosse seleccionada pelos dirigentes do Porto e do Sporting!! Assobia-se para o lado e todas as consciências ficam tranquilas. Faz-se um exercício de grande rigor classificativo, recorrendo a grelhas de avaliação mais ou menos sofisticadas e tudo fica na paz dos resultados. O importante é ser o mais formal possível, depois, na prática, logo se espremem os pontos da grelha até que da tortura saia o resultado desejado. Umas vezes tudo termina numa almoçarada, outras no Tribunal Administrativo, para que tudo seja confirmado de acordo com a vontade do júri.
Para uma melhor produtividade das organizações faria, seguramente, mais sentido que os seus quadros de direcção sectorial fossem escolhidos por aqueles a quem vão reportar entre aqueles que tivessem as habilitações para o cargo, possivelmente, mais por critérios de funcionalidade do que por critérios pretensamente técnicos. Mas o mais curioso é que esta prosa não fará muito sentido a muitos burocratas do amen ao sistema. Nem perceberão o porquê destas coisas, alienados que estão.
Mas é assim que se têm criado os monstros disfuncionais que vamos tendo neste sistema anquilosado de serviços.
Para uma melhor produtividade das organizações faria, seguramente, mais sentido que os seus quadros de direcção sectorial fossem escolhidos por aqueles a quem vão reportar entre aqueles que tivessem as habilitações para o cargo, possivelmente, mais por critérios de funcionalidade do que por critérios pretensamente técnicos. Mas o mais curioso é que esta prosa não fará muito sentido a muitos burocratas do amen ao sistema. Nem perceberão o porquê destas coisas, alienados que estão.
Mas é assim que se têm criado os monstros disfuncionais que vamos tendo neste sistema anquilosado de serviços.
domingo, julho 26, 2009
Bloco de notas
Depois fico calado uns dias, ainda na esperança de encontrar a frase que fugiu. Ainda por cima era a que tinha graça,a que valia a pena. Andam por aí muitíssimas dessas, das que valem a pena e não registei no momento exacto. Preciso de um bloco de notas, que me evite os silêncios impostos pela espera das que fugiram. De outra forma, apenas saem estas. A memória é um carcereiro cada vez com mais tempo de férias e é dessa forma que as frases livres se vão safando do registo.
A memória pouco realiza, mas é um instrumento indispensável para embelezar o discurso e o tornar mais apetecido e compreensível. Uma espécie de esqueleto do corpo do pensamento. Sem ela resta-nos um discurso invertebrado, mole e rastejante.
A memória pouco realiza, mas é um instrumento indispensável para embelezar o discurso e o tornar mais apetecido e compreensível. Uma espécie de esqueleto do corpo do pensamento. Sem ela resta-nos um discurso invertebrado, mole e rastejante.
quarta-feira, julho 22, 2009
Médicos livres
Com um ar atlético de quem procura o petróleo em alto mar, queixa-se de astenia. Fico com a impressão de que mais do que a eventual falta de hormona de crescimento, o cansaço lhe vem do medo do futuro. Vai desfolhando papéis na minha frente e as suas dúvidas da vantagem de consultar várias opiniões médicas. No meio desses papéis vejo um orçamento de prováveis despesas com uma intervenção cirúrgica a fazer nos Estados Unidos. Discriminada por actos desde consultas, blocos, honorários, tudo somado são 160000 dólares!! Felizes os médicos que não têm de gastar o seu tempo a fazer orçamentos... à maneira dos pato-bravos!
A liberdade da acção de ser médico não tem preço, mas isso só é possível onde se perceba que a saúde não é um negócio.
A liberdade da acção de ser médico não tem preço, mas isso só é possível onde se perceba que a saúde não é um negócio.
segunda-feira, julho 20, 2009
Comunicação
É possível que seja mais tolerável estar sem comer do que sem a possibilidade de comunicar. É isso que talvez explique que desde a invenção da roda sempre o esforço dos homens tenha, em grande parte, sido criar instrumentos que permitam e facilitem a comunicação e que todos os grandes avanços da Humanidade estejam de alguma forma ligados à comunicação. Curiosamente, as riquezas pessoais e dos povos estão também ligadas à comunicação. Aconteceu aos portugueses nos Descobrimentos, acontece com a criação dos caminhos de ferro, com as auto-estradas e, mais recentemente, com as telefónicas e a Internet. Sempre esta necessidade de interagir e a negação do isolamento. O problema é que, a comunicação é um instrumento e não um fim. Tanto pode usar-se para aproximar, ajudar, promover como simplesmente para convencer, ludibriar, tirar proveito. Nela se baseia o domínio do mundo.
Nada, pois, será possível fazer para impedir a disseminação da gripe, porque o isolamento seria fatal.
Nada, pois, será possível fazer para impedir a disseminação da gripe, porque o isolamento seria fatal.
sábado, julho 18, 2009
engripAdos
É notável o esforço dos trabalhadores da Direcção Geral de Saúde à volta da gripe A. É a demonstração da superioridade dos serviços públicos na área da saúde. Será também de apreciar o esforço financeiro das autoridades ao subsidiarem o tratamento e a quimioprofilaxia da doença. É outra demonstração da inevitabilidade do sector público dominante no que à saúde respeita.
Perante esta realidade custa perceber a impreparação e o pânico de alguns funcionários na forma como lidam com os doentes e os contactos dos doentes. Gripe quase todos vamos ter e, quando muito, teremos de tomar alguns paracetamois até ficarmos bem de novo. A histeria mediática, uma vez mais, assusta em vez de esclarecer, porque o esclarecimento não vende o que o susto consegue. Por momentos, seria bom que se suspendesse o lucro como única prioridade. Mas isso nunca será uma prioridade dos privados. É compreensível, mas ensinador.
Temos a gripe em casa. Sobreviveremos sem dramas.
Perante esta realidade custa perceber a impreparação e o pânico de alguns funcionários na forma como lidam com os doentes e os contactos dos doentes. Gripe quase todos vamos ter e, quando muito, teremos de tomar alguns paracetamois até ficarmos bem de novo. A histeria mediática, uma vez mais, assusta em vez de esclarecer, porque o esclarecimento não vende o que o susto consegue. Por momentos, seria bom que se suspendesse o lucro como única prioridade. Mas isso nunca será uma prioridade dos privados. É compreensível, mas ensinador.
Temos a gripe em casa. Sobreviveremos sem dramas.
sexta-feira, julho 17, 2009
Mau cheiro

Este é claramente um cartaz inspirado em momentos da vida real. Assim que a Judiciária disse ao senhor Oliveira e Costa, mãos ao ar, está preso!, a ideia instalou-se nas hostes. Agora aí andam eles de mãos e braços no ar, em grande labor de nada dizer para não sair mentira. Daí também a história da política de verdade. Fossem dizer alguma coisa do que queriam e, ou era suicídio, ou teria de ser mentira, daí o seu silêncio. Nunca baixamos os braços é também a expressão de quem nunca trabalhou seriamente ou de maneira inteligente. É mais ergonómico trabalhar de braços para baixo respeitando a anatomia, a gravidade e a circulação. Finalmente, a expressão é preocupante, porque esta posição incómoda e mantida acabará como já se vai notando a causar mau cheiro no ambiente.
quinta-feira, julho 16, 2009
Pessoal

Têm andado vazios os dias como acontece sempre que apenas a rotina os vai enchendo. Passam e nós vamos andando. Agora, porém, algo aconteceu no parto de uma impressora. A partir de uma minúscula foto possivelmente feita a la minute, passando por uma digitalização e uma impressão, eis que nasceu, para meu primeiro conhecimento, a D. Deolinda do Outeiro. Esta senhora é, para mim, a origem possível e localizada do mundo. Antes dela nada me é conhecido. Quase que se consegue adivinhar a serenidade na determinação e ainda há um esboço de sorriso. Hoje, assim, nasceu a minha bisavó pelo milagre possível da fotografia. A imortalidade possível.
quinta-feira, julho 09, 2009
O regresso da via láctea
Já no caminho de regresso, noite dentro, percebi que um destes dias a via láctea voltará de novo. Lá, no silêncio da planície, depois das nuvens de estorninhos conformarem o fim do dia.
É um tempo que urge e cada vez mais próximo.
É um tempo que urge e cada vez mais próximo.
Gestão corrente na Estação Estúpida
Quando agora falo com eles, sinto que há um hiato no ar à espera de Setembro. Estas pessoas estão meio adiadas numas férias forçadas de acção. Adiam as pontes, os comboios e os aeroportos, mas também as pequenas decisões de um hospital. É a gestão corrente da táctica de como se vai sobreviver na incerteza do que por aí virá.
Subitamente, a D. Manuela surpreende e diz que concorda com todas as políticas do governo, confirmando que as duas faces do jogo de alterne são, afinal, iguais e que só os actores justificam tanta guerra mediática. Até Setembro, para tudo ficar na mesma com actores diferentes, eis a questão.
Subitamente, a D. Manuela surpreende e diz que concorda com todas as políticas do governo, confirmando que as duas faces do jogo de alterne são, afinal, iguais e que só os actores justificam tanta guerra mediática. Até Setembro, para tudo ficar na mesma com actores diferentes, eis a questão.
segunda-feira, julho 06, 2009
O elogio da imbecilidade
Quis ver as notícias mas apenas davam a festa do Real Madrid. Três televisões ligadas em directo em tempo de pretenso noticiário promoviam a marca RM e a marca CR. Chegámos a isto: milhões especados frente ao génio. Assim, por momentos, todas as crises caem por terra, somos orgulhosamente patriotas, os maiores. Isolado, num canto, há quem resista a este destino e não compre o elogio da imbecilidade.
Para amanhã o menú está também garantido. A minha dureza de ouvido não me permite lembrar de nenhuma das suas músicas. Recordarei apenas a cara de um exótico bailarino em permanente metamorfose.
A indústria do entretenimento a atenuar a realidade que se nega e se substitui pela imagem virtual. São estes os modelos dos tempos actuais, o vazio como objectivo.
Para amanhã o menú está também garantido. A minha dureza de ouvido não me permite lembrar de nenhuma das suas músicas. Recordarei apenas a cara de um exótico bailarino em permanente metamorfose.
A indústria do entretenimento a atenuar a realidade que se nega e se substitui pela imagem virtual. São estes os modelos dos tempos actuais, o vazio como objectivo.
domingo, julho 05, 2009
A dupla perda e a dor de corno

Ser político exige obediência a um conjunto de normas de bom comportamento no registo do politicamente correcto, a primeira das quais é a recusa da autenticidade e o sacrossanto sacrifício à imagem conveniente. É curioso como os cidadãos, preferem o artifício e a mentira simulada de verdade, a um gesto de autenticidade fora das normas convencionadas. São espectadores e exigentes preferindo ser enganados a verem alguma realidade dita menos própria. E depois há políticos que o são incidentalmente e podem com alguma facilidade recorrer a algum argumento menos adequado dentro da cartilha e sofrem as consequências. De há muito que se não discutem ideias, mas as virtudes necessárias à arte de ser político. Afinal, até há quem não precise de ser político e cansado da coisa até possa ser menos polido. Depois, as virgens púdicas do nacional-jornalismo e do nacional-politiquismo, logo vêem fazer a algazarra do costume. Num instante, tudo pára. Tudo não, muita eólica continua a rodar apesar de ter gritado de forma gestual que a berraria política de alguns mais não era que dor de corno. E é mais um a abandonar a cena para que os profissionais certinhos continuem na sua senda de virgens puras. É uma dupla perda, mas a culpa é nossa.
segunda-feira, junho 29, 2009
Jardim & Madoff
Não seria de esperar que alguma vez o PR criticasse o génio, que foi buscar em tempos a Madrid: Jardim Gonçalves, um quase salvador da pátria. Parece que ainda agora merece andar guardado e viajar em jacto privado tudo pago pelos accionistas do BCP, o banco modelo que tanto tem produzido para bem de todos nós. Estes visionários têm de ser bem protegidos.
Outros que tanto e tão depressa fizeram avançar o liberalismo recentemente são condenados a penas impossíveis por muitos esquemas piramidais que inventem. A morte será ainda o limite mais democrático e igualitário para todos, embora neste caso pudesse ser adiada para manter o símbolo bem vivo durante muitos e muitos anos. Mas seria também importante e da mais elementar justiça que os que lhe estiveram mais próximos não beneficiassem de alguma forma com o crime. Até para que ele visse alguma da ruína que induziu, mas sobretudo para que outros investidores e criativos da gestão se inibam de ser tão geniais.
Importante também seria que tivesse sido condenado a não escrever as memórias ou a qualquer outra forma de transformar a desgraça em benefício. Mas isso também seria pedir demais a um sistema que, na verdade, até lhe reconhece alguns méritos. E, qual hidra, o sistema mantém-se...
Outros que tanto e tão depressa fizeram avançar o liberalismo recentemente são condenados a penas impossíveis por muitos esquemas piramidais que inventem. A morte será ainda o limite mais democrático e igualitário para todos, embora neste caso pudesse ser adiada para manter o símbolo bem vivo durante muitos e muitos anos. Mas seria também importante e da mais elementar justiça que os que lhe estiveram mais próximos não beneficiassem de alguma forma com o crime. Até para que ele visse alguma da ruína que induziu, mas sobretudo para que outros investidores e criativos da gestão se inibam de ser tão geniais.
Importante também seria que tivesse sido condenado a não escrever as memórias ou a qualquer outra forma de transformar a desgraça em benefício. Mas isso também seria pedir demais a um sistema que, na verdade, até lhe reconhece alguns méritos. E, qual hidra, o sistema mantém-se...
domingo, junho 28, 2009
Enxerto de passado recente
Não me enganava no último post. À chegada a questão magna era a ida de Obama com a Michele ao teatro em véspera de falência da GM, como se um luto resolvesse alguma coisa do que o liberalismo desenfreado dos agora críticos tinha determinado. É uma estratégia bem conhecida que lembra o caso BPN: também aí se tenta tapar a asneira dos fraudulentos com a falta de eficácia do regulador, como se o ladrão pudesse ser perdoado porque o polícia não previne o crime. Dentro quase do registo conhecido de que roubar só é crime quando se é apanhado, no mais é iniciativa privada de boa qualidade e geradora de valor para a organização.
Mas estava de férias e estas coisas tinham de ser relativizadas.
Chegar à noite a Washington e ir para o hotel pode não ser fácil, quando apenas se dispõe de uma orientação Googlearth do trajecto a partir do aeroporto: o rent a car fica afastado e tudo fica modificado no plano. Vai-se então, à maneira antiga, de estação de serviço em estação de serviço sendo-se (des)orientado pelos residentes. Mas acabamos sempre por chegar ao destino.
O dia seguinte acordou pardacento e chuviscoso, mas foi mau tempo de pouca dura. Logo à saída de DC, o sol já brilhava e a jornada foi longa, à volta de 1000 km num dia é obra, sobretudo quando se decide intervalar a I-95 e ir mais à beira mar. São umas 3 vias duplas costa abaixo, quase paralelas, numa abundância de estradas que ainda agora se contestam como investimento lá do outro lado, onde por acaso, nascemos. Por aqui andaram escravos em tempos que foram, hoje persistem outros um pouco menos, mas não é este o padrão de gente americana que encontramos nas fitas do Império. As casas frágeis prontas à renovação no próximo tornado. Nas pessoas raras que se encontram, lá estava uma que sabe associar o nome de Ronaldo a Portugal. Este país reduzido a isto... Bom mesmo é sentir a ausência e a insignificância de MMG, Sócrates e outros tão importantes na pequenez do além-mar.
Já bem no escuro, entrámos, finalmente, no passado de Savannah.
No dia seguinte começámos a perceber que esta é uma terra passada renovada, um quadrado de ruas e praças encostado ao rio. A rua empedrada à beira-rio de onde já saíram os eléctricos que aí deixaram as linhas e por onde agora passam autocarros em forma de eléctricos. O calor húmido no limite do tolerável, a convidar sempre a entrar nas lojas. Vamos seguindo as sugestões e entrando nas casas-museus, onde os guias nos vão contando sempre as histórias curiosas de vidas que nos esqueceremos muito em breve, ficando a lembrança da prosperidade de outros tempos alicerçada no import-export do algodão e no trabalho escravo. Dos fracos não reza a história ou quando muito ficam imagens que a evocam ao mesmo tempo vão perdendo significado com o decorrer dos anos.
Sabe bem o refresco das praças arborizadas, onde agora descansam os descendentes dos que outrora fizeram a cidade e daqui a uns anos lembrar-me-ei da comida do sul na mesa colectiva no Wilkis, à porta do qual pela uma da tarde se forma fila na Jones St e, enquanto s espera, se vai assistindo à saída dos que, mais ou menos barrigudos, nos incitam a não desistir de esperar. Vale a pena, dizem. Mais logo seremos nós também a dizê-lo.
E há algum mistério, histórias de fantasmas e uma estranha calmaria à noite, onde parece que a cidade fecha pelas 10 pm. Arriscámos o jazz do Jazzed como nos recomendaram, mas apenas nos serviram folk a acompanhar as tapas, que justificam a deslocação se nos esquecermos da música.
De Savannhah ficará também a recordação da câmara fotográfica esquecida no Dot, o transporte público para turistas, que funciona a partir das 10 am. Circula pela zona histórica (Historic District) da cidade parando aqui e além. Depois de sair, senti a falta da Canon para registar o Market e lá fui a correr atrás do Dot, animado pelas paragens frequentes nos sinais vermelhos. Só que a cada arranque no verde, me faltava a força nas pernas, que logo ressurgia no vermelho seguinte. Percebi nesse exercício que a força está, certamente, mais na cabeça do que nas pernas. E finalmente, a história acabou bem. Ao fim de mais um circuito pela cidade, pude ver a câmara deixada no segundo banco do Dot. Recuperação com palmas dos turistas em circuito. Mais do que a perda da máquina que me acompanha desde a Nova Zelândia, era o trabalho de quase um dia que se perdia.
Ao fim de 2 dias, já pouco há a fazer na cidade além de perceber que é bem maior do que o turista vê no centro histórico e como turista bem orientado pelos Lonely Planets fomos até Tybee (que significa sal na língua original) e hoje é acumulação de praia e hotel com um jetty a lembrar-nos outras paragens e companhias de viagem. Os mundos vão sendo todos muito semelhantes, muitas vezes a diferença dos instantes são os amigos com quem os percorremos.
De Savannhah até Orlando é um tempo de ligação que se poderia bem melhor fazer por translocação futurista. Nada a registar, excepto a visão das nuvens carregadas à entrada do estado do sol e a confirmação da chuva na chegada a Orlando. Por Orlando passámos também, vendo ao longe mais uma das skylines sempre idênticas desta terra. Finalmente, o Grand Vaccances Hilton, confortável e igual a tantos outros locais de repouso pseudo-sofisticados. Repouso na véspera da ida às brincadeiras de infância que sabem ainda bem nos tempos de agora. O mundo do senhor Walt é isso mesmo, sendo agora possível perceber que Paris e quejandos são amostras para abrir o apetite à casa mãe. Há para todos os gostos, mar, futuro e magia servidos sempre da mesma forma descontraída, organizada e obrigatoriamente feliz. Um dia só nos permitiu optar pela Magia e lá andamos entre a Branca de Neve e o Peter Pan, por montanhas russas tenebrosas e salpicos de água refrescantes. A paisagem humana é aqui diferente de Paris: os americanos mascaram-se dos heróis para virem ao Reino da Magia e deslocam-se aqui para celebrar os mais variados eventos. Irritação só mesmo à saída. Ao dirigir-mo-nos para o barco que nos havia de levar ao monorail e como gente normal ensaiámos uma passagem sobre uma corrente que nos evitava mais um precurso de uma centena de metros. Logo uma senhora rosnou um sonante there is a reason for the chain!! Ela acredita que há, porque alguém lhe disse que havia. Mas ela não sabia nem desta razão nem de todas as razões que lhe dizem que há para não fazer as mais variadas coisas. Deve ser fácil governar uma gente assim, que nunca pergunta o porquê das correntes e das cadeias. Gente que parte para guerras em locais que desconhece e tolera Guantanamos porque mais do que o temor a uma divindade, aceitam os dogmas dos governantes sem pestanejar e afirmar convictos, afinal, que há uma razão para as correntes e cadeias. Ninguém lhe spergunte qual, porque não sabem. Pior, nem entendem o significado da pergunta. Aliás, quem a fizer deve ser ou talibã ou no mínimo comunista.
Depois do incidente não o céu, mas as nuvens caíram-nos em cima da cabeça e do corpo todo. Era o prenúncio do clima dos dias seguintes.
No dia seguinte, o time-sharing roubou-nos a manhã antes de seguirmos mais para o sul. O suficiente para inviabilizar a visita ao Kennedy Space Center. Da porta ainda avistámos foguetões e o space shuttle. Fica para a próxima na esperança de ter sido a única perda do dia.
Pelo sul abaixo, há um contínuo de praias mais ou menos privadas, com casas particulares sobre a areia e impossibilidade do comum dos mortais chegar à água. Numa tentativa desesperada passámos pela Fonte da Juventude em St Augustine. A água bebemos, mas os resultados devem ser os que teve o inicial descobridor e cada vez mais os senior moments se irão apoderando mais e mais de nós. Houve também o insólito de na beira da estrada se encontrar um casino com mais de 200 slot machines, gerido por uma confissão religiosa, da miríade de organizações destas que vamos encontrando a cada momento. Uma crise de fé geradora de muitas fés, ao que parece de duvidosa ética. Miami é quase no fim da estrada.
As sugestões dos livros de viagens resultam algumas vezes. Ficámos ao sul, em Coral Gables, algo que lembra Estoril-Cascais, num hotel velho e charmoso,cheio de história e encantos múltiplos. Do 10º andar do Biltmore avistamos a grandeza do campo de Golfe e um céu de chumbo quase a cair de novo. Soubémos no dia seguinte, que em Miami Norte os carros nadaram na enxurrada. Tudo acontece em meia hora, a chuva desaba e logo seca, religiosamente ao fim da tarde.
Na manhã seguinte, já voltou o céu absolutamente azul e o calor húmido. Antes que chuva volte, fomos a Key Largo e resistimos aos perto de 200 quilómetros de estrada sobre ilhas que leva a Key West, quase junto a Cuba. Era um desperdício de tempo de viagem na incerteza de haver uma balsa para rumarmos à Ilha...
Ficámos pelo mergulho a ver peixinhos, experimentando eu a angústia da desorientação e o sabor áspero da água na garganta. Alguém me fez sem barbatanas.
Miami depois foi a visão da praia, de uma costa estragada por grandes hotéis e finalmente com a descoberta de um resto de passado na zona Art Deco, obviamente só na arquitectura. De resto é a Ocean Drive para comer e a Collins para vestir. Nos pisos de cima das duas, descansa-se nas camas dos hotéis. É curioso que nesta ânsia de conservação politicamente correcta, acaba-se quase sempre por destruir as especificidades dos locais e torná-los iguais a tantos outros noutros sítios. Há alguma globalização na afirmação da originalidade local.
Mais própria a skyline que brota da Downtown e Little Habana onde se encontram cubanos desgostosos com a realidade da Ilha, aparentemente não muito bem de vida, perdidos na cidade de acolhimento. Em vários casos nem integrados na língua, apenas entendendo o castelhano.
Um último dia para sobreviver aos mosquitos do Jardim Botânico e passar por Vizcaya a contemplar glórias e passados de bem estar.
Antes do regresso a Washington, a experiência de um aeroporto onde se faz check-in na rua.
Em Washington já o tempo é de trabalho e menos de passeio. A cidade está mais aberta que há uns anos e por todo o lado há a glorificação de Obama. Ainda assim, Georgetown permitiu bons momentos de passeio e a passagem pelos memoriais não deixou de causar a estranheza da sua existência. Nomeadamente, não consigo perceber qual a glória dos americanos que morreram no Vietname. They never forget o quê? O erro de uma guerra onde se meteram contra o sentido da história? A sua derrota inglória? Provavelmente esqueceram ou pelo menos não aprenderam grande coisa com a história e lá vão saltando de Iraque em Afeganistão na construção de novos memoriais. Até quando?
E basta de intromissão do passado recente no presente.
Mas estava de férias e estas coisas tinham de ser relativizadas.
Chegar à noite a Washington e ir para o hotel pode não ser fácil, quando apenas se dispõe de uma orientação Googlearth do trajecto a partir do aeroporto: o rent a car fica afastado e tudo fica modificado no plano. Vai-se então, à maneira antiga, de estação de serviço em estação de serviço sendo-se (des)orientado pelos residentes. Mas acabamos sempre por chegar ao destino.
O dia seguinte acordou pardacento e chuviscoso, mas foi mau tempo de pouca dura. Logo à saída de DC, o sol já brilhava e a jornada foi longa, à volta de 1000 km num dia é obra, sobretudo quando se decide intervalar a I-95 e ir mais à beira mar. São umas 3 vias duplas costa abaixo, quase paralelas, numa abundância de estradas que ainda agora se contestam como investimento lá do outro lado, onde por acaso, nascemos. Por aqui andaram escravos em tempos que foram, hoje persistem outros um pouco menos, mas não é este o padrão de gente americana que encontramos nas fitas do Império. As casas frágeis prontas à renovação no próximo tornado. Nas pessoas raras que se encontram, lá estava uma que sabe associar o nome de Ronaldo a Portugal. Este país reduzido a isto... Bom mesmo é sentir a ausência e a insignificância de MMG, Sócrates e outros tão importantes na pequenez do além-mar.
Já bem no escuro, entrámos, finalmente, no passado de Savannah.
No dia seguinte começámos a perceber que esta é uma terra passada renovada, um quadrado de ruas e praças encostado ao rio. A rua empedrada à beira-rio de onde já saíram os eléctricos que aí deixaram as linhas e por onde agora passam autocarros em forma de eléctricos. O calor húmido no limite do tolerável, a convidar sempre a entrar nas lojas. Vamos seguindo as sugestões e entrando nas casas-museus, onde os guias nos vão contando sempre as histórias curiosas de vidas que nos esqueceremos muito em breve, ficando a lembrança da prosperidade de outros tempos alicerçada no import-export do algodão e no trabalho escravo. Dos fracos não reza a história ou quando muito ficam imagens que a evocam ao mesmo tempo vão perdendo significado com o decorrer dos anos.
Sabe bem o refresco das praças arborizadas, onde agora descansam os descendentes dos que outrora fizeram a cidade e daqui a uns anos lembrar-me-ei da comida do sul na mesa colectiva no Wilkis, à porta do qual pela uma da tarde se forma fila na Jones St e, enquanto s espera, se vai assistindo à saída dos que, mais ou menos barrigudos, nos incitam a não desistir de esperar. Vale a pena, dizem. Mais logo seremos nós também a dizê-lo.
E há algum mistério, histórias de fantasmas e uma estranha calmaria à noite, onde parece que a cidade fecha pelas 10 pm. Arriscámos o jazz do Jazzed como nos recomendaram, mas apenas nos serviram folk a acompanhar as tapas, que justificam a deslocação se nos esquecermos da música.
De Savannhah ficará também a recordação da câmara fotográfica esquecida no Dot, o transporte público para turistas, que funciona a partir das 10 am. Circula pela zona histórica (Historic District) da cidade parando aqui e além. Depois de sair, senti a falta da Canon para registar o Market e lá fui a correr atrás do Dot, animado pelas paragens frequentes nos sinais vermelhos. Só que a cada arranque no verde, me faltava a força nas pernas, que logo ressurgia no vermelho seguinte. Percebi nesse exercício que a força está, certamente, mais na cabeça do que nas pernas. E finalmente, a história acabou bem. Ao fim de mais um circuito pela cidade, pude ver a câmara deixada no segundo banco do Dot. Recuperação com palmas dos turistas em circuito. Mais do que a perda da máquina que me acompanha desde a Nova Zelândia, era o trabalho de quase um dia que se perdia.
Ao fim de 2 dias, já pouco há a fazer na cidade além de perceber que é bem maior do que o turista vê no centro histórico e como turista bem orientado pelos Lonely Planets fomos até Tybee (que significa sal na língua original) e hoje é acumulação de praia e hotel com um jetty a lembrar-nos outras paragens e companhias de viagem. Os mundos vão sendo todos muito semelhantes, muitas vezes a diferença dos instantes são os amigos com quem os percorremos.
De Savannhah até Orlando é um tempo de ligação que se poderia bem melhor fazer por translocação futurista. Nada a registar, excepto a visão das nuvens carregadas à entrada do estado do sol e a confirmação da chuva na chegada a Orlando. Por Orlando passámos também, vendo ao longe mais uma das skylines sempre idênticas desta terra. Finalmente, o Grand Vaccances Hilton, confortável e igual a tantos outros locais de repouso pseudo-sofisticados. Repouso na véspera da ida às brincadeiras de infância que sabem ainda bem nos tempos de agora. O mundo do senhor Walt é isso mesmo, sendo agora possível perceber que Paris e quejandos são amostras para abrir o apetite à casa mãe. Há para todos os gostos, mar, futuro e magia servidos sempre da mesma forma descontraída, organizada e obrigatoriamente feliz. Um dia só nos permitiu optar pela Magia e lá andamos entre a Branca de Neve e o Peter Pan, por montanhas russas tenebrosas e salpicos de água refrescantes. A paisagem humana é aqui diferente de Paris: os americanos mascaram-se dos heróis para virem ao Reino da Magia e deslocam-se aqui para celebrar os mais variados eventos. Irritação só mesmo à saída. Ao dirigir-mo-nos para o barco que nos havia de levar ao monorail e como gente normal ensaiámos uma passagem sobre uma corrente que nos evitava mais um precurso de uma centena de metros. Logo uma senhora rosnou um sonante there is a reason for the chain!! Ela acredita que há, porque alguém lhe disse que havia. Mas ela não sabia nem desta razão nem de todas as razões que lhe dizem que há para não fazer as mais variadas coisas. Deve ser fácil governar uma gente assim, que nunca pergunta o porquê das correntes e das cadeias. Gente que parte para guerras em locais que desconhece e tolera Guantanamos porque mais do que o temor a uma divindade, aceitam os dogmas dos governantes sem pestanejar e afirmar convictos, afinal, que há uma razão para as correntes e cadeias. Ninguém lhe spergunte qual, porque não sabem. Pior, nem entendem o significado da pergunta. Aliás, quem a fizer deve ser ou talibã ou no mínimo comunista.
Depois do incidente não o céu, mas as nuvens caíram-nos em cima da cabeça e do corpo todo. Era o prenúncio do clima dos dias seguintes.
No dia seguinte, o time-sharing roubou-nos a manhã antes de seguirmos mais para o sul. O suficiente para inviabilizar a visita ao Kennedy Space Center. Da porta ainda avistámos foguetões e o space shuttle. Fica para a próxima na esperança de ter sido a única perda do dia.
Pelo sul abaixo, há um contínuo de praias mais ou menos privadas, com casas particulares sobre a areia e impossibilidade do comum dos mortais chegar à água. Numa tentativa desesperada passámos pela Fonte da Juventude em St Augustine. A água bebemos, mas os resultados devem ser os que teve o inicial descobridor e cada vez mais os senior moments se irão apoderando mais e mais de nós. Houve também o insólito de na beira da estrada se encontrar um casino com mais de 200 slot machines, gerido por uma confissão religiosa, da miríade de organizações destas que vamos encontrando a cada momento. Uma crise de fé geradora de muitas fés, ao que parece de duvidosa ética. Miami é quase no fim da estrada.
As sugestões dos livros de viagens resultam algumas vezes. Ficámos ao sul, em Coral Gables, algo que lembra Estoril-Cascais, num hotel velho e charmoso,cheio de história e encantos múltiplos. Do 10º andar do Biltmore avistamos a grandeza do campo de Golfe e um céu de chumbo quase a cair de novo. Soubémos no dia seguinte, que em Miami Norte os carros nadaram na enxurrada. Tudo acontece em meia hora, a chuva desaba e logo seca, religiosamente ao fim da tarde.
Na manhã seguinte, já voltou o céu absolutamente azul e o calor húmido. Antes que chuva volte, fomos a Key Largo e resistimos aos perto de 200 quilómetros de estrada sobre ilhas que leva a Key West, quase junto a Cuba. Era um desperdício de tempo de viagem na incerteza de haver uma balsa para rumarmos à Ilha...
Ficámos pelo mergulho a ver peixinhos, experimentando eu a angústia da desorientação e o sabor áspero da água na garganta. Alguém me fez sem barbatanas.
Miami depois foi a visão da praia, de uma costa estragada por grandes hotéis e finalmente com a descoberta de um resto de passado na zona Art Deco, obviamente só na arquitectura. De resto é a Ocean Drive para comer e a Collins para vestir. Nos pisos de cima das duas, descansa-se nas camas dos hotéis. É curioso que nesta ânsia de conservação politicamente correcta, acaba-se quase sempre por destruir as especificidades dos locais e torná-los iguais a tantos outros noutros sítios. Há alguma globalização na afirmação da originalidade local.
Mais própria a skyline que brota da Downtown e Little Habana onde se encontram cubanos desgostosos com a realidade da Ilha, aparentemente não muito bem de vida, perdidos na cidade de acolhimento. Em vários casos nem integrados na língua, apenas entendendo o castelhano.
Um último dia para sobreviver aos mosquitos do Jardim Botânico e passar por Vizcaya a contemplar glórias e passados de bem estar.
Antes do regresso a Washington, a experiência de um aeroporto onde se faz check-in na rua.
Em Washington já o tempo é de trabalho e menos de passeio. A cidade está mais aberta que há uns anos e por todo o lado há a glorificação de Obama. Ainda assim, Georgetown permitiu bons momentos de passeio e a passagem pelos memoriais não deixou de causar a estranheza da sua existência. Nomeadamente, não consigo perceber qual a glória dos americanos que morreram no Vietname. They never forget o quê? O erro de uma guerra onde se meteram contra o sentido da história? A sua derrota inglória? Provavelmente esqueceram ou pelo menos não aprenderam grande coisa com a história e lá vão saltando de Iraque em Afeganistão na construção de novos memoriais. Até quando?
E basta de intromissão do passado recente no presente.
sexta-feira, junho 19, 2009
Uma semana de volta
Ao fim de uma semana, quase me retiram a rotina da iminência do furacão. Esta terra está estagnada, um pantanal com os mesmos bichos de sempre.
Há uns meninos eufóricos com a vitória que parece nem eles saberem muito bem como aconteceu. São as mais gozadas, mas também as, possivelmente, menos repetíveis. A ver se vai. A política é imagem e a grande discussão actual é se um animal feroz se está a converter em português suave. Do que fez e não fez, nada se diz, até porque, se fosse dizer-se ver-se-ia que os que se propõem fazer daqui em diante, afinal, teriam feito de forma semelhante aquilo que foi feito pelos incapazes de fazer. Um eterno alterne da mesma coisa com moscas diferentes, sempre e só.
Para animar a coisa há momentos de suspense à maneira de J E Moniz. Ao fim do dia, de gravata vermelha e papel vermelho na mão deixou o país azul. Afinal não é candidato a presidente do Benfica. Ficou tudo como dantes: Moniz em banho-maria (ou será em banho-(com) a Manuela?). Já espero pela sexta-feira em que ela o vai desancar em público: então você afinal é como os outros, diz que avança e pára a meio sem consumar o acto! Impotente! (Mais um pico de audiência)
Mas o mais sintomático deste país sem viabilidade são coisas como a discussão das obras públicas ou as provas dos alunos. Na primeira há uma divergência fundamental, uns acham que o investimento público é negativo porque limita o esbanjamento privado e se deveriam apoiar os pequenos e médios empresários que tantas provas têm dado (provas ou votos?) e outros o contrário. Há 30 anos vivi num país que os governos anteriores não hipotecaram, num país grande que demorava muitas horas a ir de ponta a ponta. Era um país lento onde não se tinha feito investimento público. Sempre me pareceu melhor que tivessem investido, dando-nos vida apesar das dívidas.
As provas dos alunos são de uma óbvia facilidade (para mostrar melhor resultados na Europa!) e os pequenos ainda assim chumbam ou nem têm notas por aí além. Criticam então os professores a facilidade dos exames. Deveriam ser de maior complexidade, levando a razias mais abundantes. Perante isto, interrogo-me que andarão os professores a fazer, que os alunos nem provas simples resolvem a 100%. Para que lhes pagam ao fim do mês, se não conseguem transmitir o conhecimento? Ou será que o mal de toda a facilidade dos exames é desincentivar os pais a pagarem explicações particulares, porque as notas estão garantidas?
Há uns meninos eufóricos com a vitória que parece nem eles saberem muito bem como aconteceu. São as mais gozadas, mas também as, possivelmente, menos repetíveis. A ver se vai. A política é imagem e a grande discussão actual é se um animal feroz se está a converter em português suave. Do que fez e não fez, nada se diz, até porque, se fosse dizer-se ver-se-ia que os que se propõem fazer daqui em diante, afinal, teriam feito de forma semelhante aquilo que foi feito pelos incapazes de fazer. Um eterno alterne da mesma coisa com moscas diferentes, sempre e só.
Para animar a coisa há momentos de suspense à maneira de J E Moniz. Ao fim do dia, de gravata vermelha e papel vermelho na mão deixou o país azul. Afinal não é candidato a presidente do Benfica. Ficou tudo como dantes: Moniz em banho-maria (ou será em banho-(com) a Manuela?). Já espero pela sexta-feira em que ela o vai desancar em público: então você afinal é como os outros, diz que avança e pára a meio sem consumar o acto! Impotente! (Mais um pico de audiência)
Mas o mais sintomático deste país sem viabilidade são coisas como a discussão das obras públicas ou as provas dos alunos. Na primeira há uma divergência fundamental, uns acham que o investimento público é negativo porque limita o esbanjamento privado e se deveriam apoiar os pequenos e médios empresários que tantas provas têm dado (provas ou votos?) e outros o contrário. Há 30 anos vivi num país que os governos anteriores não hipotecaram, num país grande que demorava muitas horas a ir de ponta a ponta. Era um país lento onde não se tinha feito investimento público. Sempre me pareceu melhor que tivessem investido, dando-nos vida apesar das dívidas.
As provas dos alunos são de uma óbvia facilidade (para mostrar melhor resultados na Europa!) e os pequenos ainda assim chumbam ou nem têm notas por aí além. Criticam então os professores a facilidade dos exames. Deveriam ser de maior complexidade, levando a razias mais abundantes. Perante isto, interrogo-me que andarão os professores a fazer, que os alunos nem provas simples resolvem a 100%. Para que lhes pagam ao fim do mês, se não conseguem transmitir o conhecimento? Ou será que o mal de toda a facilidade dos exames é desincentivar os pais a pagarem explicações particulares, porque as notas estão garantidas?
sábado, maio 30, 2009
Quarto poder
As viagens de avião servem para me começar a sentir de férias. Mesmo quando o pior deste país ainda persiste nos jornais do avião, que nunca de outra forma leria. Fico a saber que o combate Manuela Moura Guedes - Marinho e Pinto se está a converter numa coisa séria de análise da qualidade de informação da TVI. Uma vez mais as bocas da MMG voltam a colocá-la no pódio da informação e o excelso marido defende a qualidade do seu jornalismo afirmando que o seu telejornal é o preferido dos portugueses. É um argumento absolutamente distorcido. Qualquer tipo de análise objectiva levaria a considerar isso como um não elogio, tal a deficiente e histórica tendência para a asneira da opinião desses opinadores e escolhedores do mau caminho.
MMG é um produto caracteristicamente nacional e daí, seguramente, a sintonia. Como a maioria escolhe o caminho mais fácil, não busca a verdade, mas o que tem impacte, não procura nunca formar informando, o objectivo é despertar as emoções, incendiar, que nestas coisas o que o povinho gosta é fazer um roda a gritar porrada!porrada! enquanto lá no meio dois se esmurram até à exaustão. Nunca reflectir, mas agir emocionalmente é tudo o que pede a facilidade, a manuelamoraguedização desta gente. É preciso mantê-los quentes emocionalmente, impedi-los de pensar no sentido das coisas que se fazem. MMG é um instrumento eficaz do poder, hoje para gáudio da oposição procura entalar o poder e, amanhã, trocados os personagens, irá continuar a fazer exactamente o mesmo, criando a miserável sensação de que são todos iguais. Como convém. Já é tempo de ter uma medalha a 10 de Junho. Esta é uma mulher que vive, como muitos outros jornalistas, do alterne da política. Enche-nos o copo da emoção da notícia, não consome, que o seu papel é apenas e só levar-nos a consumir, aumentando as vendas da casa.
Fico contente porque me afasto a 900 km/h disto. Mas estou certo que me aproximo à mesma velocidade de algo pouco diferente. É o quarto poder, estúpido.
MMG é um produto caracteristicamente nacional e daí, seguramente, a sintonia. Como a maioria escolhe o caminho mais fácil, não busca a verdade, mas o que tem impacte, não procura nunca formar informando, o objectivo é despertar as emoções, incendiar, que nestas coisas o que o povinho gosta é fazer um roda a gritar porrada!porrada! enquanto lá no meio dois se esmurram até à exaustão. Nunca reflectir, mas agir emocionalmente é tudo o que pede a facilidade, a manuelamoraguedização desta gente. É preciso mantê-los quentes emocionalmente, impedi-los de pensar no sentido das coisas que se fazem. MMG é um instrumento eficaz do poder, hoje para gáudio da oposição procura entalar o poder e, amanhã, trocados os personagens, irá continuar a fazer exactamente o mesmo, criando a miserável sensação de que são todos iguais. Como convém. Já é tempo de ter uma medalha a 10 de Junho. Esta é uma mulher que vive, como muitos outros jornalistas, do alterne da política. Enche-nos o copo da emoção da notícia, não consome, que o seu papel é apenas e só levar-nos a consumir, aumentando as vendas da casa.
Fico contente porque me afasto a 900 km/h disto. Mas estou certo que me aproximo à mesma velocidade de algo pouco diferente. É o quarto poder, estúpido.
quarta-feira, maio 27, 2009
No free lunch!
Que eles façam o que têm de fazer, percebe-se e outra coisa não é de esperar. O inaceitável é ver a intelectualidade a ser ensinada pelo marketing. Absolutamente acríticos, não imaginam o ridículo que mostram ao manifestarem uma ânsia súbita de aprender as directrizes, prontos a actuar de forma automática, sempre às ordens. Perante isto quase que não consigo deixar de ter alguma admiração pelos corruptos, que percebendo o jogo, o aproveitam. Ao menos são vermes com restos de inteligência, podendo sempre despertar para um caminho mais razoável. Mais grave são os idiotas sem esperança possível.
Apetece-me fugir para a horta. Cada vez mais.
Apetece-me fugir para a horta. Cada vez mais.
segunda-feira, maio 25, 2009
Red wine
“PS e PSD são um pouco como a Pepsi e a Coca-Cola.”
Miguel Portas, “24 Horas”, 25-05-09
Exactamente, viva o vinho tinto! Bem vermelho e aromático.
Miguel Portas, “24 Horas”, 25-05-09
Exactamente, viva o vinho tinto! Bem vermelho e aromático.
sábado, maio 23, 2009
Gran Torino
É a solidez de um homem estruturado na vida real, que adquiriu ao longo da vida as suas ferramentas, todas com nome e uma função bem precisa. Nele não há lugar para instantes de marketing. À sua volta, esvoaçam imagens de vendedores que nunca viveram a alegria de construir uma direcção e destroem o seu tempo na elaboração de estratégias, convencidos de que com a sua actividade imaterial, constroem algo. São dimensões de vida que se não encontram nunca, vidas paralelas sem paralelo possível. Dois momentos do mundo, ocasionalmente desencontrados num tempo indefinido.
Pelo contrário, no vazio envolvente cresce uma vida sem esperança, oca, onde se sente a ausência de futuro a todo o instante. Sim, apesar de tudo, a polícia, nestes casos, acaba sempre por ganhar confinando-os ao presente. Eles são sempre os bons e os maus vão presos. Este mundo indefinido, de contornos imprecisos é, por paradoxo, a consequência de, no mundo normal, o êxito ter passado a depender do nível de vendas e não da realização de motores, direcções e transmissões como no tempo em que se faziam Gran Torinos.
A fita mostra-nos também a morte e o seu potencial de salvação e liberdade. Revela a possibilidade de se não temer aquilo que afinal se sabe certo, deixando o espaço para fazer o que tem de ser feito, ou seja, continuar a dar lições de viver, mesmo que isso implique não prolongar os anos de sobrevivência.
Finalmente, a sabedoria reside no encontrar da eficácia da acção e não na vingança mal pensada ditada pela emoção.
Quanto mais vejo Clint Eastwood, mais pressinto que está para Woody Allen, como Saramago para Lobo Antunes. De um lado, o mundo real nas fábulas sem lugar para mariquices, do outro as inquietações e as cólicas da pieguice burguesa.
Pelo contrário, no vazio envolvente cresce uma vida sem esperança, oca, onde se sente a ausência de futuro a todo o instante. Sim, apesar de tudo, a polícia, nestes casos, acaba sempre por ganhar confinando-os ao presente. Eles são sempre os bons e os maus vão presos. Este mundo indefinido, de contornos imprecisos é, por paradoxo, a consequência de, no mundo normal, o êxito ter passado a depender do nível de vendas e não da realização de motores, direcções e transmissões como no tempo em que se faziam Gran Torinos.
A fita mostra-nos também a morte e o seu potencial de salvação e liberdade. Revela a possibilidade de se não temer aquilo que afinal se sabe certo, deixando o espaço para fazer o que tem de ser feito, ou seja, continuar a dar lições de viver, mesmo que isso implique não prolongar os anos de sobrevivência.
Finalmente, a sabedoria reside no encontrar da eficácia da acção e não na vingança mal pensada ditada pela emoção.
Quanto mais vejo Clint Eastwood, mais pressinto que está para Woody Allen, como Saramago para Lobo Antunes. De um lado, o mundo real nas fábulas sem lugar para mariquices, do outro as inquietações e as cólicas da pieguice burguesa.
quinta-feira, maio 21, 2009
Bailout for dummies
Mas tudo isto é um jogo de ilusões, como se percebe pela história que hoje me chegou num mail:
Numa pequena vila e estância na costa sul da França, chove, e nada de especial acontece.
A crise sente-se.
Toda a gente deve a toda a gente, carregada de dívidas.
Subitamente, um rico turista russo, chega ao foyer do pequeno hotel local. Pede um quarto e coloca uma nota de E100 sobre o balcão, pede uma chave de quarto e sobe ao 3º andar para inspeccionar o quarto que lhe indicaram, na condição de desistir se lhe não agradar.
O dono do hotel pega na nota de E100 e corre ao fornecedor de carne aquem deve E100, o talhante pega no dinheiro e corre ao fornecedor de leitões a pagar E100 que devia há algum tempo, este por sua vez corre ao criador de gado que lhe vendera a carne e este por sua vez corre a entregar os E100 a uma prostituta que lhe cedera serviços a crédito. Esta recebe os E100 e corre ao hotel aquem devia E100 pela utilização casual de quartos à hora para atender clientes.
Neste momento o russo rico desce à recepção e informa o dono do hotel que o quarto proposto não lhe agrada, pretende desistir e pede a devolução dos E100. Recebe o dinheiro e sai.
Não houve neste movimento de dinheiro qualquer lucro ou valor acrescido.
Contudo, todos liquidaram as suas dividas e este elementos da pequena vila costeira encaram agora optimisticamente o futuro.
Ou o bailout explicado a tipos como eu, que ainda pensam que deve existir um mundo real. Ou será que a realidade só deixou de o ser pela interferência artificial do conceito de propriedade? Como se vê nesta história, o dinheiro é apenas um artifício que pode deprimir uma sociedade que, sem ele, poderia trocar e funcionar de forma real. Esta abstracção é, afinal, a causa de todas as crises.
Numa pequena vila e estância na costa sul da França, chove, e nada de especial acontece.
A crise sente-se.
Toda a gente deve a toda a gente, carregada de dívidas.
Subitamente, um rico turista russo, chega ao foyer do pequeno hotel local. Pede um quarto e coloca uma nota de E100 sobre o balcão, pede uma chave de quarto e sobe ao 3º andar para inspeccionar o quarto que lhe indicaram, na condição de desistir se lhe não agradar.
O dono do hotel pega na nota de E100 e corre ao fornecedor de carne aquem deve E100, o talhante pega no dinheiro e corre ao fornecedor de leitões a pagar E100 que devia há algum tempo, este por sua vez corre ao criador de gado que lhe vendera a carne e este por sua vez corre a entregar os E100 a uma prostituta que lhe cedera serviços a crédito. Esta recebe os E100 e corre ao hotel aquem devia E100 pela utilização casual de quartos à hora para atender clientes.
Neste momento o russo rico desce à recepção e informa o dono do hotel que o quarto proposto não lhe agrada, pretende desistir e pede a devolução dos E100. Recebe o dinheiro e sai.
Não houve neste movimento de dinheiro qualquer lucro ou valor acrescido.
Contudo, todos liquidaram as suas dividas e este elementos da pequena vila costeira encaram agora optimisticamente o futuro.
Ou o bailout explicado a tipos como eu, que ainda pensam que deve existir um mundo real. Ou será que a realidade só deixou de o ser pela interferência artificial do conceito de propriedade? Como se vê nesta história, o dinheiro é apenas um artifício que pode deprimir uma sociedade que, sem ele, poderia trocar e funcionar de forma real. Esta abstracção é, afinal, a causa de todas as crises.
O bilhete de avião
Comprar um bilhete de avião é uma emoção. Entra-se por exemplo na expedia.com e marcamos o sítio de onde partimos e para onde desejamos ir. Depois de uns instantes temos, para espanto dos nossos olhos, várias ofertas em que a relação da mais barata à mais cara é de pelo menos 1:6. Ou seja, a mesma distância percorrida por aviões semelhantes, tanto pode usar-se para atravessar o oceano como quase para dar a volta ao mundo. O mais curioso é que é uma questão de instante, no momento seguinte já tudo pode estar diferente e custar metade o que valia o dobro. O jogo da oferta e da procura, a entropia à solta, revelando a irrealidade sobreposta pela sorte do instante. Realmente, o custo não é o custo da gasolina, do pessoal de voo, das taxas de aeroporto,da amortização do custo do avião. Nada disso, é um encontro de procuras, em volume maior ou menor, para a mesma oferta, é apenas sorte ou azar que é a outra forma da sorte a que se não aspira nunca. Adora-se a incerteza, a dúvida e a satisfação de podermos enganar o parceiro do lado em cada momento. Ainda assim, quem oferece e quem procura poderão não estar em igualdade e isso é o vício deste jogo, onde a oferta faz a regra as mais das vezes.
segunda-feira, maio 18, 2009
Forças de bloqueio
E quando as pessoas bloqueiam, ainda é razoável continuar a tê-las em conta? Há uma espécie de gente estacionada, a ocupar lugar, sem andar nem deixar andar, que na sua falta de tempo, não deixa o tempo dos que o têm avançar. São respeitáveis pela condição de seres, pela história que contêm, mas sem serem descartáveis, exigem reciclagem. E deve restar-lhes a disponibilidade para essa promoção, porque a existência não existe para eles, mas para os outros que querem beneficiar dos avanços mais rápidos dos que ficam bloqueados pelos seus indesejáveis privilégios. Terão histórias deliciosas daquelas que os avós contam aos netos, mas precisam do repouso dos avós e não da prerrogativa de tolher uma geração. Terão até um papel moderador, que a experiência inspira, de eventuais impulsos da inexperiência dos que agora bloqueiam. Essa pode ser a sua nova função e utilidade. Mas forças de bloqueio é que não!
sábado, maio 16, 2009
Perigosos estes tempos
Recebi há uns dias uma mensagem a que vinha anexada uma pretensa história das causas que motivaram as formas dos números árabes. Cada um, do 1 ao 9, tem (tinha) um númeero de ângulos correspondente ao valor numérico que representava e o 0, finalmente, era assim redondo por não ter qualquer ângulo. Verdade ou mito faz sentido, é uma explicação para a coisa. Nos dias de hoje, cada vez menos, vejo esta curiosidade de investigar as causas, ou a simples busca das explicações que leve a pôr hipóteses. Há um desrespeito pelas origens e uma fé cega no seguimento das directrizes. A abundância da informação impede a sua digestão individual e fica-se progressivamente mais dependente de quem faz os resumos que nos orientam. Assim, avança o pensamento único, paradoxalmente, num tempo de pensamentos infinitos. Sempre pela falta de tempo e pela busca imperiosa do rigor científico, nem ousamos já pensar de forma independente. Mais automatizados, obedientes, estamos dominados por um pensamento único e politicamente correcto. Prontos para as orientações finais de um qualquer emergente ditador.
sexta-feira, maio 15, 2009
Sonhos de piratas
Mas que esperar de um país de navegadores e viajantes, que não a integração com as novas culturas e sonhos de descoberta? Não é pois de estranhar que, no meio da ciência, os médicos façam umas piratarias ou que, numa visita de Estado, a Primeira Senhora realize sonhos de viagens. A diferença é que os médicos não representam coisa alguma, enquanto que estes dois,
em teoria, nos representam a todos nós, dando a imagem de um povo que come bolo-rei de boca cheia, adora jaquinzinhos e se aquece no lar em mantas adquiridas no avião. Bem, possivelmente, tudo isto são mitos urbanos. Mas como diria o outro, os piercings eu já vi!
em teoria, nos representam a todos nós, dando a imagem de um povo que come bolo-rei de boca cheia, adora jaquinzinhos e se aquece no lar em mantas adquiridas no avião. Bem, possivelmente, tudo isto são mitos urbanos. Mas como diria o outro, os piercings eu já vi!
domingo, maio 10, 2009
Coeficiente de cagaço
O complicado desta profissão é a gestão da incerteza, sobretudo num ambiente social em que se pensa, erradamente, que a tecnologia permite saber toda a verdade. De forma que vivemos sempre mais com a arte do que com a ciência, que é estabelecermos um limiar que nos dê suficiente sensibilidade sem nos arruinar a especificidade. Se calhar o coeficiente de cagaço dos novos engenheiros é o equivalente desta gestão da incerteza, que é sempre mais aguda nos novos médicos. Com o passar dos anos diminui o coeficiente, subimos o limiar da possibilidade da doença, mas nunca eliminamos, absolutamente, a dúvida. É este o desafio que nos perturba o descanso quando jovens e... sempre. O pior de tudo é que a matéria com que lidamos não é susceptível de ter os erros compensados com seguros e temos de aceitar a nossa condição de humanos errantes. Mesmo o cuidado não nos livrará do erro algumas vezes, embora compense a consciência. No entanto, se procurarmos a especificidade a todo o custo, o erro será bem mais frequente. E será a vida possível sem a dúvida? Como seria se soubéssemos o fim da história antes de a fazermos?
sábado, maio 09, 2009
Jogos
Não convém mostrar um ar indignado quando o agente de segurança nos manda parar o carro e nos pede a identificação. Estará em causa o desrespeito pela autoridade.
Agora se quisermos fazer cavalinhos de mota à frente da esquadra, atirar umas pedras ou uns cocktails molotov contra os polícias, parece não haver problema. Ninguém é identificado. Faz parte de um jogo real numa terra de realidade virtual em que a polícia fornece vidas adicionais aos jogadores. Esperemos para ver o end of game.
Agora se quisermos fazer cavalinhos de mota à frente da esquadra, atirar umas pedras ou uns cocktails molotov contra os polícias, parece não haver problema. Ninguém é identificado. Faz parte de um jogo real numa terra de realidade virtual em que a polícia fornece vidas adicionais aos jogadores. Esperemos para ver o end of game.
sexta-feira, maio 08, 2009
Esboço
Apesar do regresso recente de NY, já ando com vontade de nova vad(v)iagem. Descer a Costa Leste a partir de Washington até Miami. Comecei a prospecção: cerca de 1600 km ou como diz o Googlearth, umas 15 horas de viagem. Parece razoável recordar o passado em Savannah, ir brincar a Orlando e mergulhar em Miami. Finalmente, regresso a Washington pelo ar.
Cá por dentro, sou um nómada.
Cá por dentro, sou um nómada.
segunda-feira, maio 04, 2009
Ética, onde andas?
1. Vital Moreira não gostou de ser refrescado e acusa o PC de lhe ter atirado um copo de água. Melhor seria que acusasse o agressor amplamente identificado em vídeo e fotografias. Afinal foi um acto público de um selvagem a quem e só a ele devem ser pedidas responsabilidades. O resto é aproveitamento político, vitimização, ou seja poucos princípios éticos.
2. Gilberto Madaíl acha que uma agressão bárbara feita em Espanha por um jogador brasileiro considerado português não implica sanções a nível nacional. Conclusão a selecção aceita bárbaros desde que ajudem no caminho para a África do Sul. É o vale tudo, o oportunismo e a falta de princípios éticos.
3. Jorge Sampaio acha que se for preciso deve haver um governo do Bloco Central juntando PS e PSD. Se for preciso, quer dizer para melhor gerir o liberalismo, até se pode juntar a mentira e a verdade como diria a Dra. Manuela. Fica mostrado, para quem quiser ver, que aos olhos deste Papa, afinal, as diferenças nem serão assim tantas. E tem razão. Só que também aqui há baixa política e falta de princípios éticos.
Os fins não podem justificar os meios ou ninguém se vai safar no meio disto.
2. Gilberto Madaíl acha que uma agressão bárbara feita em Espanha por um jogador brasileiro considerado português não implica sanções a nível nacional. Conclusão a selecção aceita bárbaros desde que ajudem no caminho para a África do Sul. É o vale tudo, o oportunismo e a falta de princípios éticos.
3. Jorge Sampaio acha que se for preciso deve haver um governo do Bloco Central juntando PS e PSD. Se for preciso, quer dizer para melhor gerir o liberalismo, até se pode juntar a mentira e a verdade como diria a Dra. Manuela. Fica mostrado, para quem quiser ver, que aos olhos deste Papa, afinal, as diferenças nem serão assim tantas. E tem razão. Só que também aqui há baixa política e falta de princípios éticos.
Os fins não podem justificar os meios ou ninguém se vai safar no meio disto.
sábado, maio 02, 2009
NY sem programa
Há cidades de que só gostei na primeira vez que as vi. Outras há que é possível redescobrir cada vez que lá vou, encontrar-lhes novos sentidos e senti-las de forma nova em cada visita. Nova Iorque começou por ser uma cidade aceite com reservas, de duvidoso interesse. Foi a fase do postal ilustrado conhecido, do preconceito que sempre se associa ao desconhecimento. Foi assim na altura em que tinha um ar de triunfo do sistema e na altura do martírio das torres. Foi já na última vez que lá estive que percebi que é uma cidade onde tem de se voltar para se experimentar de novas maneiras.
Agora, com os museus conhecidos, mesmo os renovados e sem que houvesse alguma exposição temporária marcante nesta altura, foi possível visitá-la sem programa.
Pragmaticamente, desta vez, começou por servir para ir às compras. Longe das loucuras da 5th Avenue, no Outlet da periferia, onde as promessas eram muitas. A viagem de camioneta demora cerca de uma hora e um quarto. Como é frequente acontecer, é importante não desprezar o instante da viagem sacrificando-o à ideia do objectivo. Neste início de Primavera já avançada, ainda são ressonâncias outonais o que me foi dado ver nas árvores desfolhadas. O objectivo prometido, meio mítico, soube-me ao Campera ou ao FreePort. É duvidoso o valor do bilhete do transporte, apesar das poupanças dos artigos comprados, porque se gasta um dia. Mas, desta vez, os dias também não estavam tão contados. Por pouco, as filas do regresso impediam um fim de dia na calma da música de Emílio Santiago servida no Birdland. Valeu a eficácia dos táxis que permitiram ir despejar a tralha ao hotel e chegar uns minutos antes do começo do espectáculo.
O segundo dia começou com a romagem ao Ground Zero, local de mistérios possivelmente por esclarecer, agora a renascer no aço e no betão. A St Paul Chapel salva, em dia de fúria árabe, por uma figueira-do-egipto é agora um monumento de romagem ao naineelevene, cheia de homenagens aos heróis do bem e lembranças dos espíritos do mal. Mas não só as árvores providenciais ou a intervenção divina actuaram na zona, deve também ter sido fruto da acção de uma qualquer mão invisível a salvação do Century 21, onde no meio do lixo sempre se encontra alguma coisa que vale a deslocação, fazendo sentir, que muitas vezes o lugar certo está mesmo perto de nós e não é aquele local distante onde ainda não chegámos. Já libertados das compras, na rua, pude assistir à estratégia de implementação do pleno emprego em tempos de crise: 3-funcionários-3, ajudam os peões a atravessar numa passadeira...
[Filme a estrear em breve neste local]
O shopping cansa e justifica um estágio de preparação para o jazz da noite no Bluenote, onde estava Michel Camilo ao piano, em dia de festa de anos.
O day after começou num resto de compras na Uptown. Breve desta vez, mas suficiente para perceber alguma depressão nos sorrisos mais escassos das empregadas das lojas, certamente porque a crise também deve andar por aí a baixar os proveitos e a ameaçar a ida para casa.
Até na rua os sem-casa (as pessoas precisam de casa não apenas de abrigo) são mais frequentes que na última passagem por cá. De resto, está igual, sempre fumegante do chão e com os cafés transportados na mão enquanto se corre para algum lado, com os mesmos ténis que se substituem por sapatos na entrada do emprego. Só as flores
surpreendem pela positiva desta vez em que a visito antes do Verão. A 5th Avenida continua a ser um filme passado em ritmo acelerado com milhares de pontos agitados na entropia habitual. Depois de uma manhã assim, sabe bem apanhar o metro e ressurgir do outro lado do rio East, em Brooklin. As lojas da Fulton Mall têm um ar mais à maneira do Martim Moniz, mantendo a mesma agitação de Manhatan. Em minutos as pessoas mudaram de cor e aumentaram de peso, abanam enormes rabos pelas ruas. Caminhando em direcção ao rio, reaparece uma calma nova por entre a zona residencial e encontra-se gente que repousa em bancos de jardim virados para Manhatan,
que vista daqui tem uma tranquilidade inesperada, só perturbada por algum helicóptero aqui e além. O passeio acaba no The River Café, quase por baixo da ponte de Brooklin, com Manhatan nos olhos, árias de Ópera nos ouvidos e na boca, degustação de queijos acompanhada de Riesling. O sol descia sobre a grande cidade, alaranjando os ares num fim de tarde morno e gostoso. Tão bem se estava que se esticou o tempo e foi já com alguma ansiedade de chegar atrasado que avançámos para o compromisso musical que tinha sido a causa principal desta deslocação. No Harvey Theatre, de tijolo à vista e colunas metálicas corroídas pelo tempo e pela falta de subsídios certamente, assistimos, no palco, à Paixão Segundo São Mateus, executada por uma orquestra da Academia de Brooklin disposta num círculo no meio do qual evoluía o coro. Sem formalismos de vestuário, em ar de ensaio, pelo exclusivo prazer da música de Bach.
Neste dia 25 de Abril que desde há 35 anos é um dia especial e para sempre como diz o slogan, a deambulação começou na Village onde, passados os cachorros atrelados a alguns seres mais ou menos exóticos, voltámos a não poder ir ao Chumley's, onde a pressa já nos não tinha feito entrar da última vez. Também desta lá não fomos, porque tinha sido fechado (pela ASAE do sítio?). Moral da história, nunca perder uma oportunidade no presente, porque o futuro é sempre incerto. A alternativa morou perto no Pink Tea Cup. A comida do Sul e Obama presente na decoração.
Pelas ruelas da Village ainda foi possível passar noutro local igual a tantos outros por onde se pode andar, mas muito raro, porque celebra a coisa comum e não a excepção. Devidamente assinalado com placa e tudo.

À tarde enquanto se faz tempo para o Trovador, anda-se por Central Park salpicado de nova-iorquinos estendidos em piqueniques pela relva, à maneira dos pontos de Seurat.
Imagens de antes e agora, reveladoras de que os gostos das gentes não mudaram assim tanto e que a verdadeira vida, a da Street, pouco terá que ver com a apregoada como modelo na Wall Street, uns quarteirões abaixo.

Ao Domingo é dia de brunch com Jazz band de novo no Blue Note. Foi um domingo de calor para passear a pé, no pós-brunch, na visão de mais Seurat vivo junto a Battery Park. Ainda uma nova revisão do grande buraco a renascer antes de ir até South Street Sea Port e acabar na East Village, numa deslocação intencional para visitar, na 7th Street, a MacSorley's,
que nasceu 100 anos antes de eu nascer e que se mantém jovem na tradição das duas canecas de cada vez, que uma só deixa a garganta seca na tarde de Verão antecipado na Town. Aqui a serradura anda no chão e as gargalhadas no ar. No ar, pendurados continuam igualmente os wishbones, que os soldados há já muito tempo não vieram buscar. Cobertos de pó sobre o balcão. A história foi-nos contada por uns canadianos que por lá estavam também e é assim: antes de partirem para a guerra os soldados iam ali depositar uns pequenos ossos de frango. Na volta, passavam a retirá-los... os que regressavam. Dos outros sobram aqui os ossos de frango e os deles em Arlingtons por aí. São as pequenas histórias dos lugares grandes que valem a pena.
Acabou o dia no teatro Orpheu, sob o ruído e graça dos Stomp na descoberta do som do lixo reinventado.
Ou de como a matéria só existe pelo trabalho do espírito.
Chegados ao último dia, cumprimos a quase tradição de ir a Harlem e ao Sylvia's para saborear a comida do Sul. Era segunda-feira, não havia Gospel, mas foram suficientes os paladares da Louisiana.
À partida sente-se o receio da gripe
e a incerteza dos próximos tempos nos alarmes da imprensa ávida de vender e continua a estar presente o desejo de voltar. See (ny)ou soon.
Já no JFK, a imagem muitas vezes vista na cidade, nos cafés e nas ruas. Ao fim de 100 dias tudo está tranquilo e as t-shirts vendem-se bem. Até quando?
Agora, com os museus conhecidos, mesmo os renovados e sem que houvesse alguma exposição temporária marcante nesta altura, foi possível visitá-la sem programa.
Pragmaticamente, desta vez, começou por servir para ir às compras. Longe das loucuras da 5th Avenue, no Outlet da periferia, onde as promessas eram muitas. A viagem de camioneta demora cerca de uma hora e um quarto. Como é frequente acontecer, é importante não desprezar o instante da viagem sacrificando-o à ideia do objectivo. Neste início de Primavera já avançada, ainda são ressonâncias outonais o que me foi dado ver nas árvores desfolhadas. O objectivo prometido, meio mítico, soube-me ao Campera ou ao FreePort. É duvidoso o valor do bilhete do transporte, apesar das poupanças dos artigos comprados, porque se gasta um dia. Mas, desta vez, os dias também não estavam tão contados. Por pouco, as filas do regresso impediam um fim de dia na calma da música de Emílio Santiago servida no Birdland. Valeu a eficácia dos táxis que permitiram ir despejar a tralha ao hotel e chegar uns minutos antes do começo do espectáculo.
O segundo dia começou com a romagem ao Ground Zero, local de mistérios possivelmente por esclarecer, agora a renascer no aço e no betão. A St Paul Chapel salva, em dia de fúria árabe, por uma figueira-do-egipto é agora um monumento de romagem ao naineelevene, cheia de homenagens aos heróis do bem e lembranças dos espíritos do mal. Mas não só as árvores providenciais ou a intervenção divina actuaram na zona, deve também ter sido fruto da acção de uma qualquer mão invisível a salvação do Century 21, onde no meio do lixo sempre se encontra alguma coisa que vale a deslocação, fazendo sentir, que muitas vezes o lugar certo está mesmo perto de nós e não é aquele local distante onde ainda não chegámos. Já libertados das compras, na rua, pude assistir à estratégia de implementação do pleno emprego em tempos de crise: 3-funcionários-3, ajudam os peões a atravessar numa passadeira...
[Filme a estrear em breve neste local]
O shopping cansa e justifica um estágio de preparação para o jazz da noite no Bluenote, onde estava Michel Camilo ao piano, em dia de festa de anos.
O day after começou num resto de compras na Uptown. Breve desta vez, mas suficiente para perceber alguma depressão nos sorrisos mais escassos das empregadas das lojas, certamente porque a crise também deve andar por aí a baixar os proveitos e a ameaçar a ida para casa.
Neste dia 25 de Abril que desde há 35 anos é um dia especial e para sempre como diz o slogan, a deambulação começou na Village onde, passados os cachorros atrelados a alguns seres mais ou menos exóticos, voltámos a não poder ir ao Chumley's, onde a pressa já nos não tinha feito entrar da última vez. Também desta lá não fomos, porque tinha sido fechado (pela ASAE do sítio?). Moral da história, nunca perder uma oportunidade no presente, porque o futuro é sempre incerto. A alternativa morou perto no Pink Tea Cup. A comida do Sul e Obama presente na decoração.
Pelas ruelas da Village ainda foi possível passar noutro local igual a tantos outros por onde se pode andar, mas muito raro, porque celebra a coisa comum e não a excepção. Devidamente assinalado com placa e tudo.
À tarde enquanto se faz tempo para o Trovador, anda-se por Central Park salpicado de nova-iorquinos estendidos em piqueniques pela relva, à maneira dos pontos de Seurat.

Ao Domingo é dia de brunch com Jazz band de novo no Blue Note. Foi um domingo de calor para passear a pé, no pós-brunch, na visão de mais Seurat vivo junto a Battery Park. Ainda uma nova revisão do grande buraco a renascer antes de ir até South Street Sea Port e acabar na East Village, numa deslocação intencional para visitar, na 7th Street, a MacSorley's,
Acabou o dia no teatro Orpheu, sob o ruído e graça dos Stomp na descoberta do som do lixo reinventado.
Chegados ao último dia, cumprimos a quase tradição de ir a Harlem e ao Sylvia's para saborear a comida do Sul. Era segunda-feira, não havia Gospel, mas foram suficientes os paladares da Louisiana.
À partida sente-se o receio da gripe
Já no JFK, a imagem muitas vezes vista na cidade, nos cafés e nas ruas. Ao fim de 100 dias tudo está tranquilo e as t-shirts vendem-se bem. Até quando?
segunda-feira, abril 20, 2009
sábado, abril 18, 2009
O fruto desejado
Foi estranho estar nesta reunião de rurbanizados. Éramos quase todos cinquentões, aparentemente ignorantes, mas nostálgicos da ruralidade. Havia algum sonho nos olhares, como que a interrogarmo-nos se um dia seremos capazes de comer uma maçã criada por nós. Certamente, serão as maçãs mais caras do mundo, mas sabem à nossa capacidade de o reproduzir. Por fim, a nossa actividade dará frutos. Foi essa a visão daquele instante.
sexta-feira, abril 17, 2009
O limite da verdade
Que é lá isso de irem ver as contas bancárias?! Então e a livre iniciativa privada e o papel regulador do Estado é para ficar ou não?
Pois, a política de verdade tem por limite a mentira possível nas contas.
Assim se vê o que é fracturante e que ainda haverá diferenças.
Pois, a política de verdade tem por limite a mentira possível nas contas.
Assim se vê o que é fracturante e que ainda haverá diferenças.
quinta-feira, abril 16, 2009
Os caciques
Esta pequenez, delirante de grandeza, comove. No fundo este que era um país de doutores e engenheiros, subiu um degrau ficando exactamente no mesmo nível, transformou-se num país de doutores por extenso e professores, que se autoconsideram importantes, mas a quem, na grande maioria dos casos, ninguém reconhece nenhuma autoridade especial. O título não lhes deu, nem é reconhecimento de uma qualquer cultura, permanecendo apenas e somente isso, um título. O conteúdo destes seres é o título, nada mais.
Quando a isso juntam a reivindicação do poder, tornam-se nos caciques que antes foram os doutores e engenheiros. Constroem jogos de poder às escondidas, esquecendo-se que o secretismo é hoje mais complexo que nos tempos idos em que havia ajudas que valorizavam a alma do negócio.
Dá-me gozo ver o incómodo que lhes causa a descoberta dos seus segredos tão bem, pensavam, guardados. Só que realmente, hoje, um segredo não resiste à guarda de mais de uma pessoa. Vai mau o tempo para o caciquismo. E nada justifica a piedade perante o ridículo, antes pelo contrário. Estes deuses com pés de barro são para quebrar com toda a energia possível da verdade.
Quando a isso juntam a reivindicação do poder, tornam-se nos caciques que antes foram os doutores e engenheiros. Constroem jogos de poder às escondidas, esquecendo-se que o secretismo é hoje mais complexo que nos tempos idos em que havia ajudas que valorizavam a alma do negócio.
Dá-me gozo ver o incómodo que lhes causa a descoberta dos seus segredos tão bem, pensavam, guardados. Só que realmente, hoje, um segredo não resiste à guarda de mais de uma pessoa. Vai mau o tempo para o caciquismo. E nada justifica a piedade perante o ridículo, antes pelo contrário. Estes deuses com pés de barro são para quebrar com toda a energia possível da verdade.
terça-feira, abril 14, 2009
Um português (ou luso-descendente?) na Casa Branca (primeiro cão ... capado!)
Não se trata do Durão. Esse ia quando lá morava o residente anterior, que cedo, reconheceu que o José teria um grande futuro. E teve, que a história está aí a mostrá-lo. Só que ia e vinha como visita. Agora a coisa é mais séria. Há um português que vai residir, realmente, na Casa Branca. A má notícia é que, conhecedores como são os americanos das potencialidades dos portugueses e dos seus hábitos quando chegam a novas paragens, já lhe preparam um triste destino. Já não bastava aquele colar alegre e colorido que lhe meteram para as primeiras fotos...
Que imagem é esta que querem dar de Portugal? Haja decoro, assumam-se, é um luso-descendente.
segunda-feira, abril 13, 2009
Nuvens
Muito pior que não ter as soluções para o mundo, é começar a ter a sensação que me não interessa ter as ditas. A fase seguinte será possivelmente perder a noção da gravidade destes sentires. Será que vai ficar tudo plano ou desaparecerão mesmo as dimensões e tudo se convertirá primeiro numa recta, depois num ponto, acabando num fade como nos filmes?
O pó será de novo pó ou mesmo coisa nenhuma.
O pó será de novo pó ou mesmo coisa nenhuma.
sexta-feira, abril 10, 2009
A primeira Loja da Cidadã (D. Pulquéria)
A Dona Maria Pulquéria decidiu mal servir os cidadãos algarvios e criar, possivelmente, a primeira Loja da Cidadã ou das mães de Faro. Além do mais, deve estar empenhada em prestar um serviço de má qualidade aos utentes. Com efeito, garanto-lhe que qualquer cidadão que goste de um serviço de qualidade aprecia ser atendido por decotes generosos, saias curtas e bom odor ambiente. Quanto à lingerie escura (o vermelho é uma cor alegre ou escura?) fica-me a curiosidade de saber quem iria fazer o controlo das funcionárias e de que forma isso iria ser detectado pelos cidadãos frequentadores da Loja.
Se isto não pudesse ser de alguma forma preocupante, até poderia ser ridículo.
Se isto não pudesse ser de alguma forma preocupante, até poderia ser ridículo.
quarta-feira, abril 08, 2009
Analfabetos
A todos os que acusam de tudo os «Eles». «Eles» são os que fazem coisas horrorosas, só porque os impotentes os deixam fazer.
O pior analfabeto
É o analfabeto político,
Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguer, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político
é tão burro que se orgulha
e estufa o peito dizendo
que odeia a política.
Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista,
pilantra, corrupto e o lacaio
das empresas nacionais e multinacionais.
Berthold Brecht
O pior analfabeto
É o analfabeto político,
Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguer, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político
é tão burro que se orgulha
e estufa o peito dizendo
que odeia a política.
Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista,
pilantra, corrupto e o lacaio
das empresas nacionais e multinacionais.
Berthold Brecht
terça-feira, abril 07, 2009
Médicos e farmacêuticos
Vai quente a luta entre médicos e farmacêuticos. Uns e outros publicam falsos, ainda que politicamente correctos, argumentos. Na verdade, custa-me a crer que alguém como os farmacêuticos que tem um negócio de vendas, onde o lucro depende da percentagem do que se vende, esteja interessado em vender mais barato. Tal caridade não existe na vida real. Também os médicos quando nesta argumentação dizem que os move o supremo interesse dos doentes estão a recorrer à boa causa, mas não à causa verdadeira. Farmacêuticos e médicos têm neste assunto outras motivações bem mais reais, só que inconfessáveis: os primeiros são proprietários de um produto que querem erigir em monopólio e têm interesse directo em vender um determinado fármaco e não o concorrente, ganhando na produção e no comércio; os médicos, não querem abdicar do privilégio de «oportunidades de formação», que a Indústria farmacêutica lhes oferece graças às suas escolhas. Acontece que, transferir este privilégio para os farmacêuticos não acrescenta nada ao sistema e até lhe tira alguma coisa: a possibilidade de alguém habilitado tecnicamente arbitrar de alguma forma este jogo. Tem é de estar menos implicado em eventuais jogos de troca, isto é, o caminho será libertar os médicos desta relação de proximidade com a Indústria, que até podendo não implicar necessariamente formas de corrupção, não a impede. E quando de corrupção possível se trata, tudo deve ser feito para a prevenir, tanto a outros níveis como neste. Portanto, aos médicos a liberdade de prescrição, aos poderes a força para proibir ligações perigosas.
E continuo também sem perceber porque não existe uma rede de farmácias administradas por serviços públicos. Não será certamente por ser um mau negócio e sempre seria forma de dar mais dignidade a licenciados que, por agora, são meros empregados de balcão.
E continuo também sem perceber porque não existe uma rede de farmácias administradas por serviços públicos. Não será certamente por ser um mau negócio e sempre seria forma de dar mais dignidade a licenciados que, por agora, são meros empregados de balcão.
segunda-feira, abril 06, 2009
A vã ilusão
Por muito que a cegueira selectiva possa ajudar, deve haver momentos em que a realidade chega ao córtex. Ainda que por instantes, como flashes no meio da escuridão. Nesses momentos, essas imagens deixarão alguma impressão de lucidez e deve doer a sensação de se estar só e o pior deve ser perceber que as miragens de companhia de nada valem nesses instantes. Em flashback devem então vir à consciência o engano que, na verdade mesmo, nunca chegou a enganar, apesar de, em muitos momentos, se ter tido a sensação de ter podido ludibriar meio mundo nos muitos minutos de audiência que se teve. Mas qual a obra feita? Essa é a questão de todas as inquietações a que se não conseguirá fugir mais vezes do que se desejaria. Dá-me alguma pena, ainda que algum gozo também haja misturado. Pois, apesar de tudo, é bom que a impunidade não seja completa...
quinta-feira, abril 02, 2009
Interregno
Já se sente a pausa que antecede a espera do que aí virá. Entrámos na gestão corrente, incapazes de fazer prognósticos sobre o que será o dia depois. Já não há grande motivação para prosseguir a mudança. Agora, é tempo de estar quieto, não fazer grandes ondas, assobiar, apresentar o sorriso da satisfação insegura pré-eleitoral. Altura de fazer todos os bluffs e esperar que passe e corra bem. No meio da crise, vão-se perder alguns meses a olhar para o lado, porque a democracia tem destes interregnos em que, realmente, ninguém reina. Fica-se simplesmente a respirar num registo de hipometabolismo basal. Apetece ir de férias e voltar depois.
quarta-feira, abril 01, 2009
Surreal
A desrealização pode muito facilmente levar a crer que a hipótese é a verdade, mas, pior do que isso, pode despertar a necessidade de ser profeta de uma mensagem de erro. Nalguns casos pode ser tal a crença, que a simples contradição da fé, leva à angústia do desespero, a uma impotência humanamente insuportável quando, afinal, alguns ousam não ser discípulos. Nalguns casos, o melhor, será mesmo o recurso ao internamento.
segunda-feira, março 30, 2009
A folha em branco
Acontece, algumas vezes, agir-se sem se sentir o rumo da acção. Mas pior ainda será ficar paralisado, esperando que algo aconteça. Resta então a reacção, possivelmente, tarde de mais, só a tempo do arrependimento. Inútil, nessa circunstância.
Usar as palavras, por vezes, é como atirar cores sobre uma tela. É a forma que nasce que vai encorpando o texto, procurando novos contornos e tons diferentes. De quando em vez, pára-se, para contemplar o objecto nascido, para logo depois o acrescentar até, finalmente, se sentir que mais nada se lhe pode pôr. Quantas vezes é nesse instante que o título chega de forma surpreendente. Não havia rumo, mas chega-se, curiosamente, ao destino, não por fado, mas pelo caminho determinado pelos instantes que criamos, uns a seguir aos outros, alinhados. O quadro pode então estar colorido de sentido ou, como também acontece, ficar, simplesmente, côr de merda. Da inacção, porém, apenas nascerá o vazio da cor.
Usar as palavras, por vezes, é como atirar cores sobre uma tela. É a forma que nasce que vai encorpando o texto, procurando novos contornos e tons diferentes. De quando em vez, pára-se, para contemplar o objecto nascido, para logo depois o acrescentar até, finalmente, se sentir que mais nada se lhe pode pôr. Quantas vezes é nesse instante que o título chega de forma surpreendente. Não havia rumo, mas chega-se, curiosamente, ao destino, não por fado, mas pelo caminho determinado pelos instantes que criamos, uns a seguir aos outros, alinhados. O quadro pode então estar colorido de sentido ou, como também acontece, ficar, simplesmente, côr de merda. Da inacção, porém, apenas nascerá o vazio da cor.
sexta-feira, março 27, 2009
Mares e lagos
Sou sempre mais tentado pela visão do mar que pela visão dos lagos. O mar tem o conflito das ondas com a areia da praia gerando uma renovação constante e surpreende-me quando, a cada vez, vejo a sua construção diferente dos areais. Nos lagos reflectem-se narcisicamente as paisagens e, se falta uma brisa ligeira, nada de novo acontece além de uma cópia precisa. Na estagnação não há novidade, apenas rotina e, por vezes, mesmo algum mau cheiro.
Esta é uma das desgraças dos tempos actuais onde o politicamente correcto varreu o conflito do dia-a-dia e normaliza, cada vez mais, a nossa acção. Tudo se faz de acordo com directrizes ditadas por deuses e segundo a sua vontade. Pensar, gizar o conflito é ou mal visto, ou rotulado de ingenuidade, numa altura em que o fácil impera e o caminho mais rápido para o sucesso é a anuência acrítica. Os homens são também espelhos imóveis das imagens que neles projectam. Pouco a pouco, há uma verdade única que se instala, restando a alguns poucos, cada vez menos(?), sussurrar que fascismo, nunca mais. Mas até nesse rumor há, quantas vezes, apenas o reflexo de outras vontades e não um genuíno desejo reflectido.
Descrente nos homens talvez, mas como negar a evidência?
Esta é uma das desgraças dos tempos actuais onde o politicamente correcto varreu o conflito do dia-a-dia e normaliza, cada vez mais, a nossa acção. Tudo se faz de acordo com directrizes ditadas por deuses e segundo a sua vontade. Pensar, gizar o conflito é ou mal visto, ou rotulado de ingenuidade, numa altura em que o fácil impera e o caminho mais rápido para o sucesso é a anuência acrítica. Os homens são também espelhos imóveis das imagens que neles projectam. Pouco a pouco, há uma verdade única que se instala, restando a alguns poucos, cada vez menos(?), sussurrar que fascismo, nunca mais. Mas até nesse rumor há, quantas vezes, apenas o reflexo de outras vontades e não um genuíno desejo reflectido.
Descrente nos homens talvez, mas como negar a evidência?
quinta-feira, março 26, 2009
A persistência na asneira
Eis a nova composição do Hospital de Santa Maria. Noventa «early birds», uns 300 colaboradores de primeira e o resto pessoal mal parado(cada vez com menos vontade de colaborar). Por mim, sinto que mais vale ser pessoa, que colaborador em certas organizações.
quarta-feira, março 25, 2009
Mal parados
Ao início é uma irritação intolerável, depois extravasa-se com quem temos ao lado e finalmente serena-se progressivamente. É assim que nos vão impondo a vontade, aproveitando a ineficácia do que não fazemos. Precisamos de nos mover, mesmo quando o que nos tiram é o estacionamento. Ficamos mal parados, quando a situação exige acção.
Criar um estacionamento para alguns que o não usam, deixando os que o usariam sem lugar, é paradoxal e uma burrice de quem gere. É desperdício de recursos, ineficiência, má utilização dos dinheiros públicos. Não estamos em tempo de subaproveitar recursos em nome de privilégios imerecidos muitas vezes.
Mas não é fácil inverter uma lógica que a não tem. Mas também não podemos aceitar o que é inaceitável, exactamente e só por isso, só por que não é decente. Porque isto da decência tem de vir sempre antes do direito; na verdade, não temos o direito à indecência.
Os direitos devem corresponder e satisfazer necessidades e apenas isso. Tudo o resto é passado.
Por agora, recuaram, mas sem uma explicação cabal da insatisfação, não tarda, avançarão de novo.
Criar um estacionamento para alguns que o não usam, deixando os que o usariam sem lugar, é paradoxal e uma burrice de quem gere. É desperdício de recursos, ineficiência, má utilização dos dinheiros públicos. Não estamos em tempo de subaproveitar recursos em nome de privilégios imerecidos muitas vezes.
Mas não é fácil inverter uma lógica que a não tem. Mas também não podemos aceitar o que é inaceitável, exactamente e só por isso, só por que não é decente. Porque isto da decência tem de vir sempre antes do direito; na verdade, não temos o direito à indecência.
Os direitos devem corresponder e satisfazer necessidades e apenas isso. Tudo o resto é passado.
Por agora, recuaram, mas sem uma explicação cabal da insatisfação, não tarda, avançarão de novo.
quinta-feira, março 19, 2009
quarta-feira, março 18, 2009
Momento de cansaço
Na verdade e como diz o Professor, quando a evidência está nas coisas e a inteligência não está nas pessoas pouco há a fazer.
Há reuniões que cansam e tiques tácticos que me irritam. Farto de marcar a próxima reunião sem estabelecer objectivos e ordená-los por prioridades. Resta-me a liberdade que não parecem ter.
Há reuniões que cansam e tiques tácticos que me irritam. Farto de marcar a próxima reunião sem estabelecer objectivos e ordená-los por prioridades. Resta-me a liberdade que não parecem ter.
domingo, março 15, 2009
«Tá-se»
Sem querer diminuir a iniciativa, não posso deixar de dizer que algo de estranho se passa quando tanta gente fica contemplativa perante a imagem de uma cegonha, onde tão pouco acontece. Além do depenicar nas penas... Mais extraordinário, é que se façam comentários sobre esta nova forma de cinema mudo, com uma intensidade narrativa digna de Manoel de Oliveira. Curioso, é que frequentemente esses comentários são expressão de felicidade inspirada pela visão.
Pátria de comentadores felizes e de olhares vidrados em quase nada. No fundo, traduz o ritmo a que vamos andando: raramente se voa... como as cegonhas.
Pátria de comentadores felizes e de olhares vidrados em quase nada. No fundo, traduz o ritmo a que vamos andando: raramente se voa... como as cegonhas.
sexta-feira, março 13, 2009
Perigosa unidade

Continua-se, culturalmente, a ser do contra. Ouvidos na manifestação de hoje, estão todos contra o Sócrates, sem que ninguém perceba a favor do que estarão. O mais estranho é que por um pudor esquisito, a esquerda em nome de uma unidade táctica, não se demarca da direita que fica no silêncio da contabilização do descontentamento. Esfregam as mãos. Afinal, se a Dra. Manuela fosse poder, as reformas estariam garantidas a 100%, controladas por seguradoras que teriam investido em fundos fantásticos, os funcionários públicos estariam todos empregados pela política de pleno emprego sempre defendida pelo PSD para a Função Pública, os professores continuariam sem qualquer esboço de avaliação. Quando foi ministra da Educação a Dra Manuela nunca tal fez, limitando-se a afrontar os estudantes que lhe mostravam o cú. Até a crise internacional não existiria, porque isso foi um desastre de políticas nunca defendidas por Borges subitamente desaparecidos. Qual era o papel do Estado para eles? Suicidar-se ou morrer naturalmente, não era?
É muito importante ter-se presente que se não deve ir para a cama com o inimigo. Até porque é sempre uma boa forma de se acordar morto.
Negligência
Esqueceu-se do filho dentro do carro e ele morreu. Negligência, claro. De quem? Do pai ou dos ritmos de trabalho loucos que os informáticos de 35 anos têm agora? A concentração absoluta nos objectivos, na produtividade, leva a distracções fatais. A criança ficou abandonada por excepção, mas a vida destes tipos fica esquecida todos os dias. Em nome de deuses bem pequenos.
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