sábado, setembro 12, 2009

Debate

Do que vi a professora foi a aluna mal preparada e o engenheiro o examinador implacável. Foi tão forte o questionário e tão frágil a candidata, que apenas se pode, honestamente, propor-lhe que volte na próxima época ou que desista da função. Só que desistir é impossível e, pela idade, esta era a última oportunidade. Ao pé desta candidata, quase parece que José Sócrates é o único PM viável. Este país já está mal servido de PR, porque se enganou da outra vez. Será bom que não repita o erro e arranje uma PM ao nível. Com representantes desses, são os representados que perdem, mas a história recente mostra que nos Estados Unidos, ainda há não muito tempo foi isso que aconteceu: uma maioria da população passou pela vergonha de manter Bush a dar aquela miserável imagem da América ao mundo.
Ainda assim, espera-se que daqui a 15 dias, um desastre idêntico não nos venha a afectar. Numa terra de seres pensantes, depois do que se viu, a coisa estaria decidida. Mas nada garante que seja o caso e que mais casos insinuados não venham, no desespero final, alterar o resultado deste jogo. Mas quando as ideias faltam, da direita desesperada todo o terrorismo é de esperar.

sexta-feira, setembro 11, 2009

As aulas começaram?

Havia uma fila maior quando descia a rua hoje de manhã. Será que começaram as aulas? A Ministra da Educação foi uma nódoa, dizem os professores. Mas não me lembro de nos anos anteriores ter havido um início de aulas como este. A ausência de notícias sobre o facto, leva-me a crer que foi um anormal início normal das aulas. Não era a isto que estávamos habituados.

quinta-feira, setembro 10, 2009

Caminhos

Há caminhos que mais não são que atalhos, estreitas veredas de mau piso. Mas é nas estradas secundárias que mais se aprecia o percurso, não necessariamente nas auto-estradas. O gozo é a atenção ao prazer.

terça-feira, setembro 08, 2009

Como nunca os vimos

Às vezes acontece televisão inteligente e para quem quiser aproveitar poderá ser até mais esclarecedor que aquelas conversas assépticas, regradas por tico-ticos da certificação do debate, onde apenas se assiste à mesma festa do costume de malhar no mesmo. Esses debates que levam a que o título do dia seguinte seja PCP e CDS concordam qualquer coisa, porque no calor da refrega anti-inimigo comum se esquecem de realçar e se atacarem nas suas discordâncias.
Mostrar as pessoas, poderá ser mais esclarecedor, mas será necessário desmontar a eventual representação induzida pelo marketing que se irá adaptar a este tipo de notícia e possivelmente controlar a sua eficácia. Para começar e antes dos truques tiveram a sorte de o primeiro entrevistado ter sido este. Espera-se que faça a diferença, porque, afinal, é diferente e os políticos não são todos iguais, ao contrário, do que a propaganda insinua numa sofisticada desmotivação da participação. Mas não participar é o mais perigoso de tudo como já bem reconhecia Platão: «A penalização por não participares na política é acabares a ser governado pelos teus inferiores.» Ou seja o fenómeno não é novo, antes induzido pelos poderosos de sempre na ânsia de perpetuação do seu poder.

segunda-feira, setembro 07, 2009

Negro

Há depois aqueles instantes em que se acabam os objectivos, as estratégias e fica um enorme vazio de certezas. Afinal, nem se percebe o percurso andado quanto mais o que falta percorrer e só as dúvidas cavalgam sobre o nosso lombo. Fica um enorme peso no ar e é como se as cores todas tivessem fugido do quadro reduzindo-o a um negro absoluto em que o tempo parou. Onde está a ponta da BIC com que vamos criar a linha raspando o óleo a mais para ressurgir a forma nova?

sexta-feira, setembro 04, 2009

Inseguros

A justeza do lucro privado está no grau de risco que assumem. Dizem. Na teoria, porque na prática, a verdade é outra bem distinta. O lucro privado provem mais da ganância do que de qualquer justiça. Por isso, é normal que as seguradoras ajam desta forma. O que é absolutamente anormal é pensar-se que há formas de substituir o Estado (todos nós, solidariamente) nas despesas da Saúde. Com os privados será sempre assim, quando a coisa der para o torto, venha o Estado pagar. Foi assim com a Banca, é assim com as seguradoras. A natureza deles é o lucro, o não pagamentos dos impostos, a ganância, a geração de valor. Está a fazer um ano que assistimos à hecatombe da economia liberal, mas a memória é curta e a reflexão proibida. Por que aconteceu? Pela natureza do sistema, direi eu.

quinta-feira, setembro 03, 2009

Ponto final

Se a Verdade fosse a sua preocupação, hoje teríamos a Dra. Manuela a celebrar o fim do escarro jornalístico que eram os telejornais da sexta-feira. Aquele jornalismo caceteiro, manipulador, desinformativo há muito que deveria ter sido posto a andar assim como a sua mentora. A posição CORPORATIVA do Sindicato percebe-se. Às corporações interessará sempre mais defender os seus do que a Ética. Já é um pouco estranho ver esta gentinha muito direitinha da política nacional vir pôr em causa uma decisão de um conselho de administração de uma empresa privada. Ainda mais triste é ver a falta de verticalidade, de coluna vertebral que a esquerda também aqui demonstra ao não denunciar com energia o nojo a que algum jornalismo descia. Realmente, não devia valer tudo, porque a seguir esse princípio, em breve nada vale nada.
E se a grande boca se preparava para amanhã voltar a vomitar o fel que lhe ia dentro, pois que o faça. Certamente, não faltarão locais onde o pode expressar, incluindo a Judiciária onde poderá apresentar as suas provas. Ou será que só tem insinuações felinas (com fel, entenda-se)?

Se faz favor...

No futebol temos notícia de que os árbitros são encomendados, rejeitados, aprovados ao longo da semana em múltiplos telefonemas por vezes gravados às escondidas dos autores. O jogo sai depois como se sabe.
Na carreira médica a coisa é mais linear: pede-se, por escrito, a um dos candidatos a um concurso que nomeie o júri que há-de escolher quem virá a ter o lugar em disputa. O resultado é conhecido antes do próprio jogo. Para que se vai ao campo?
Ainda aqui, o futebol, pela sua discrição, parece ser uma escola melhor, com algum savoir faire.

quarta-feira, setembro 02, 2009

O bobo da SIC

Tem um ar de avozinho matreiro e arranjou uma cantiga que vai repetindo ora aqui, ora acolá. O refrão anda à volta de qualquer coisa do género os políticos não valem nada, o país está a ir ao fundo. Soluções, deve haver, embora as não saiba. É um Dr. House, sem terapêuticas para salvar o doente. Temos de produzir mais e consumir o que pudermos é uma mensagem do senso comum que não necessitaria ser dita por um professor, economista e com outros títulos. Mas quando fala em produzir, apenas se refere a batatas e couves, numa visão muito rural do problema. Tecnologia não parece dizer-lhe nada. À primeira vez, o espanto colhe-nos pelo insólito; à segunda ainda sorrimos, pela traquinice; mas depois, o cansaço instala-se e resta-nos a visão condescendente de que estamos perante o bobo da SIC. Sem medidas e com pouca carreira.

segunda-feira, agosto 31, 2009

Costumes

Por agora, a diferença aparente é a modernidade e a tradição. A política é de costumes e a Economia não é tema. Só que no final de cada mês, mais que os costumes, é a Economia que impera. Mas manda o marketing que se mostrem as diferenças e nalgumas coisas as igualdades gritam. Se calhar nas mais fundamentais. Começo a pensar que mais coisa menos coisa, acabarão em união de facto abençoados pelo Papa e sem direito a separação.

domingo, agosto 30, 2009

Também o vento leste

Nos Estados Unidos, foi por já ninguém suportar mais o discurso guerreiro da mentira e pelo trambolhão económico em que caíram com a ilusão do fim do Estado. No Japão, onde são teimosos e tementes ao poder como os burros, também hoje o Estado vai começar a existir mais um pouco, possivelmente.
São as duas maiores economias mundiais a perceberem o óbvio. Por cá anda a mentira travestida de verdade a tentar convencer-nos do contrário.

Obviamente, mais Estado

À estafada cantiga do menos Estado, bom seria que outros o afirmassem, promovendo o melhor Estado. A memória é curta ou a ambição excessiva e as saudades imensas, mas menos Estado foi o que permitiu a evolução recente da História, a roubalheira desenfreada do poder e seus amigos. É o menos Estado que encalhou recentemente a linha Saúde 24, o outsourcing incontrolável. Mas esta gente sem memória não aprende, ou não quer aprender, governados que estão pelo desejo inconfessado do regresso à liberdade individual dos mesmos de sempre, gerador da opressão do mesmo colectivo conhecido. Melhor Estado, como já se vai tendo, quando as certidões são passadas na hora, quando se espera menos por consultas e cirurgias, quando mais jovens são educados mais tempo. Melhor Estado necessário, quando a Justiça for acelerada, dependendo menos das artimanhas processuais de advogados privados, quando se simplificarem processos na busca da eficiência. Melhor Estado fundamental, quando houver Imprensa independente, não controlada pelo poder económico, debitadora de um pensamento único.
Duvido da bondade dos homens, individualmente considerados. Se isso ainda puder ser dito e fazer sentido. Obviamente, é necessário mais Estado.

sexta-feira, agosto 28, 2009

A fuga dos médicos

A empresa GlobalMediRec colocou um anúncio no portal da Ordem dos Médicos para contratar 15 clínicos portugueses para hospitais públicos ingleses, pagando entre 6750 e 7900 euros brutos por mês. Médicos e sindicatos alertam para o perigo de muitos profissionais abandonarem o País numa altura em que também faltam recursos nas nossas unidades de saúde Publicado em DN de hoje com alarme e comentários de fazer chorar a rir.
Muitos profissionais abandonarem o país!!? De acordo com a própria notícia, serão 15!! Ainda há poucos dias foram recrutados uns 40 e tal cubanos... para virem trabalhar em Portugal. Este pânico da saída para os privados é recorrente, como se os privados fossem tão pouco criterioso como os serviços públicos na gestão dos recursos. Trata-se do mercado, estúpidos! Ou como diria o PM, são as novas oportunidades.

domingo, agosto 23, 2009

O vale tudo da alta competição

O jamaicano que voa não será o mais importante do actual campeonato do mundo de atletismo. A revelação, uma vez mais, da ausência de ética do «desporto» de alta competição será o factor mais marcante destes jogos. Há uma menina de 18 anos, que perante todo o mundo vê o seu género sexual ser posto em causa. Como isto é diferente dos cuidados que temos, naturalmente, perante uma jovem adulta com síndrome de insensibilidade aos androgénios, por exemplo. Apesar de atleta, por trás disso há uma pessoa. Mas parece que a este nível, apenas existem, resultados, promoções de marcas e as pessoas, na verdade, pouco contam.

sábado, agosto 22, 2009

Simplex informativo

Caiu uma arriba no Algarve, obviamente, por culpa do governo. Tenho quase a certeza que, se nesta altura houvesse um atentado que destruísse a ponte sobre o Tejo, a imprensa não hesitaria em condenar o Governo pela falha numa qualquer medida de prevenção. Dificilmente, nesse caso se poderia assacar alguma responsabilidade à alternativa aos males da terra, o Hospital de Santa Maria. E não sendo esse o culpado, restava o outro. Expressamente, a imprensa simplex: então já sabiam há dois anos e nada?

sexta-feira, agosto 21, 2009

Território

No início havia os ares, as terras e os mares e nenhum registo predial atribuía a alguém cada uma das suas partes. Depois, possivelmente, pelo medo das fomes ou então pela malvadez da natureza humana, essa realidade ainda inexpugnável, tudo passou a ficar delineado em confrontações referenciadas por pedras colocadas nas pontas do mundo de cada qual. Nasceram os vizinhos, as fronteiras e as guerras também para desenvolver a economia e dar consistência ao sistema. Com certeza, que os homens aprenderam isto na escola dos cães.
Foi o dia adequado para ver The Visitor, um exercício de reflexão sobre a América cercada por medos internos e intensos, negando a sua maior virtude, a tolerância dos estranhos.

quinta-feira, agosto 20, 2009

Jesusalém

Havendo uma história para contar é possível escrevê-la, mas disso pode apenas resultar um livro policial ou um best-seller, quando se anda na televisão. Diferente será fazer um livro de contos ou um romance. Para isso não basta haver uma história apenas, tem de haver também a escolha das palavras que a contam. Podem imaginar-se as palavras todas emaranhadas dentro de uma enorme caixa, a caixa das palavras, coberta por um pano preto, por onde entram mãos sábias na busca das melhores palavras. Quando as mãos são realmente sábias, as palavras saem lá de dentro alinhadas num texto que mostra os cheiros, as cores, as texturas, um mundo todo novo e inesperado. Um romance deve nascer como uma escultura, da pedra, pela eliminação da pedra excedente. Ao fim de muito martelar fica a maciez da forma capaz de encantar os olhos.
É também disto que as férias se fazem, do tempo de leitura. Nestas fui levado a Jesusalém (Mia Couto) numa viagem parecida com outra há já muitos anos, também numa praia, quando apreciei igualmente surpreendido a lisura do texto da construção do convento de Mafra. Agora, senti-me menino à volta da fogueira, em noites quentes com silêncios de rastos de bichos e luzes lá no alto, muito longe. Os romances permitem sentir o rigor da extração da pedra supérflua. Nada têm que ver com os best-sellers.

terça-feira, agosto 18, 2009

Tempo esticado

Na maioria dos dias vamos andando no tempo e acontece-nos chegar ao fim do dia sem ter percebeido o caminho que fizemos nele, como se não tivésemos saído do mesmo lugar no passeio que nele se faz.
Nas férias, ao fim de uns dias, acontece um tempo diferente, o tempo de férias. Chega-se às 2 da tarde, encontra-se a vizinha que vem a chegar e digo, bom-dia com a sensação de serem 11 da manhã. O tempo esticou. Estou de férias, então. Sem qualquer necessidade de relógio.

segunda-feira, agosto 17, 2009

A economia nas Caldas

Ao lado fica um prédio já em pré-ruína na ferrugem dos vãos e nas paredes a descascar. Era antiga fábrica. Subsiste apenas um amplo espaço onde os restos das colecções ainda vão preenchendo prateleiras entre outras já vazias. As peças expostas a preços de oferta têm pressa de sair dali. Existe essa pressa no ar e até no olhar ainda sorridente da funcionária e no outro mais cansado do segurança sentado lá num canto junto à porta. Há uma súplica de esvaziamento em tudo isto. Uma vontade de fim neste resto de memória de uma empresa produtora de cerâmica, exportadora, geradora nesses tempos de receitas para o lado certo da balança comercial.
A pouca distância ergueu-se um modernaço shopping-center de arquitectura viva, preenchido de loja e de gentes ambulantes frente às montras. Um eucaliptal de comércio a secar o tradicional da rua das Montras. na sua pujança criou emprego. Talvez alguns tenham até transitado da Secla ali ao lado. As lojas são as mesmas de sempre com os nomes ingleses e italianos que os donos espanhóis lhes puseram. Tudo a gerar receitas para a coluna errada da balança comercial.
Esta tem sido a história económica deste país nos últimos anos. A destruição da produção e a implementação crescente do consumo num país entregue às vedetas do alterne PS-PSD/CDS. Estas são as políticas que, realmente, hipotecam o país.

domingo, agosto 16, 2009

Com Sul e sem sol

Dois dias depois, começo a ter saudades do sol. Sobretudo por estar a ler o Sul do Miguel Sousa Tavares. Fico envergonhado ao perceber que a escrita pode fazer-nos sentir o sol, mesmo quando no texto sobressai um elitismo, talvez bem intencionado. Tendencioso, com certeza, quando em Cabo Verde ouve gritar os golos do FCP. O que eu vi foram as bandeiras do Benfica! São os caminhos diferentes que nos mostram mundos diversos.