quinta-feira, setembro 03, 2009

Ponto final

Se a Verdade fosse a sua preocupação, hoje teríamos a Dra. Manuela a celebrar o fim do escarro jornalístico que eram os telejornais da sexta-feira. Aquele jornalismo caceteiro, manipulador, desinformativo há muito que deveria ter sido posto a andar assim como a sua mentora. A posição CORPORATIVA do Sindicato percebe-se. Às corporações interessará sempre mais defender os seus do que a Ética. Já é um pouco estranho ver esta gentinha muito direitinha da política nacional vir pôr em causa uma decisão de um conselho de administração de uma empresa privada. Ainda mais triste é ver a falta de verticalidade, de coluna vertebral que a esquerda também aqui demonstra ao não denunciar com energia o nojo a que algum jornalismo descia. Realmente, não devia valer tudo, porque a seguir esse princípio, em breve nada vale nada.
E se a grande boca se preparava para amanhã voltar a vomitar o fel que lhe ia dentro, pois que o faça. Certamente, não faltarão locais onde o pode expressar, incluindo a Judiciária onde poderá apresentar as suas provas. Ou será que só tem insinuações felinas (com fel, entenda-se)?

Se faz favor...

No futebol temos notícia de que os árbitros são encomendados, rejeitados, aprovados ao longo da semana em múltiplos telefonemas por vezes gravados às escondidas dos autores. O jogo sai depois como se sabe.
Na carreira médica a coisa é mais linear: pede-se, por escrito, a um dos candidatos a um concurso que nomeie o júri que há-de escolher quem virá a ter o lugar em disputa. O resultado é conhecido antes do próprio jogo. Para que se vai ao campo?
Ainda aqui, o futebol, pela sua discrição, parece ser uma escola melhor, com algum savoir faire.

quarta-feira, setembro 02, 2009

O bobo da SIC

Tem um ar de avozinho matreiro e arranjou uma cantiga que vai repetindo ora aqui, ora acolá. O refrão anda à volta de qualquer coisa do género os políticos não valem nada, o país está a ir ao fundo. Soluções, deve haver, embora as não saiba. É um Dr. House, sem terapêuticas para salvar o doente. Temos de produzir mais e consumir o que pudermos é uma mensagem do senso comum que não necessitaria ser dita por um professor, economista e com outros títulos. Mas quando fala em produzir, apenas se refere a batatas e couves, numa visão muito rural do problema. Tecnologia não parece dizer-lhe nada. À primeira vez, o espanto colhe-nos pelo insólito; à segunda ainda sorrimos, pela traquinice; mas depois, o cansaço instala-se e resta-nos a visão condescendente de que estamos perante o bobo da SIC. Sem medidas e com pouca carreira.

segunda-feira, agosto 31, 2009

Costumes

Por agora, a diferença aparente é a modernidade e a tradição. A política é de costumes e a Economia não é tema. Só que no final de cada mês, mais que os costumes, é a Economia que impera. Mas manda o marketing que se mostrem as diferenças e nalgumas coisas as igualdades gritam. Se calhar nas mais fundamentais. Começo a pensar que mais coisa menos coisa, acabarão em união de facto abençoados pelo Papa e sem direito a separação.

domingo, agosto 30, 2009

Também o vento leste

Nos Estados Unidos, foi por já ninguém suportar mais o discurso guerreiro da mentira e pelo trambolhão económico em que caíram com a ilusão do fim do Estado. No Japão, onde são teimosos e tementes ao poder como os burros, também hoje o Estado vai começar a existir mais um pouco, possivelmente.
São as duas maiores economias mundiais a perceberem o óbvio. Por cá anda a mentira travestida de verdade a tentar convencer-nos do contrário.

Obviamente, mais Estado

À estafada cantiga do menos Estado, bom seria que outros o afirmassem, promovendo o melhor Estado. A memória é curta ou a ambição excessiva e as saudades imensas, mas menos Estado foi o que permitiu a evolução recente da História, a roubalheira desenfreada do poder e seus amigos. É o menos Estado que encalhou recentemente a linha Saúde 24, o outsourcing incontrolável. Mas esta gente sem memória não aprende, ou não quer aprender, governados que estão pelo desejo inconfessado do regresso à liberdade individual dos mesmos de sempre, gerador da opressão do mesmo colectivo conhecido. Melhor Estado, como já se vai tendo, quando as certidões são passadas na hora, quando se espera menos por consultas e cirurgias, quando mais jovens são educados mais tempo. Melhor Estado necessário, quando a Justiça for acelerada, dependendo menos das artimanhas processuais de advogados privados, quando se simplificarem processos na busca da eficiência. Melhor Estado fundamental, quando houver Imprensa independente, não controlada pelo poder económico, debitadora de um pensamento único.
Duvido da bondade dos homens, individualmente considerados. Se isso ainda puder ser dito e fazer sentido. Obviamente, é necessário mais Estado.

sexta-feira, agosto 28, 2009

A fuga dos médicos

A empresa GlobalMediRec colocou um anúncio no portal da Ordem dos Médicos para contratar 15 clínicos portugueses para hospitais públicos ingleses, pagando entre 6750 e 7900 euros brutos por mês. Médicos e sindicatos alertam para o perigo de muitos profissionais abandonarem o País numa altura em que também faltam recursos nas nossas unidades de saúde Publicado em DN de hoje com alarme e comentários de fazer chorar a rir.
Muitos profissionais abandonarem o país!!? De acordo com a própria notícia, serão 15!! Ainda há poucos dias foram recrutados uns 40 e tal cubanos... para virem trabalhar em Portugal. Este pânico da saída para os privados é recorrente, como se os privados fossem tão pouco criterioso como os serviços públicos na gestão dos recursos. Trata-se do mercado, estúpidos! Ou como diria o PM, são as novas oportunidades.

domingo, agosto 23, 2009

O vale tudo da alta competição

O jamaicano que voa não será o mais importante do actual campeonato do mundo de atletismo. A revelação, uma vez mais, da ausência de ética do «desporto» de alta competição será o factor mais marcante destes jogos. Há uma menina de 18 anos, que perante todo o mundo vê o seu género sexual ser posto em causa. Como isto é diferente dos cuidados que temos, naturalmente, perante uma jovem adulta com síndrome de insensibilidade aos androgénios, por exemplo. Apesar de atleta, por trás disso há uma pessoa. Mas parece que a este nível, apenas existem, resultados, promoções de marcas e as pessoas, na verdade, pouco contam.

sábado, agosto 22, 2009

Simplex informativo

Caiu uma arriba no Algarve, obviamente, por culpa do governo. Tenho quase a certeza que, se nesta altura houvesse um atentado que destruísse a ponte sobre o Tejo, a imprensa não hesitaria em condenar o Governo pela falha numa qualquer medida de prevenção. Dificilmente, nesse caso se poderia assacar alguma responsabilidade à alternativa aos males da terra, o Hospital de Santa Maria. E não sendo esse o culpado, restava o outro. Expressamente, a imprensa simplex: então já sabiam há dois anos e nada?

sexta-feira, agosto 21, 2009

Território

No início havia os ares, as terras e os mares e nenhum registo predial atribuía a alguém cada uma das suas partes. Depois, possivelmente, pelo medo das fomes ou então pela malvadez da natureza humana, essa realidade ainda inexpugnável, tudo passou a ficar delineado em confrontações referenciadas por pedras colocadas nas pontas do mundo de cada qual. Nasceram os vizinhos, as fronteiras e as guerras também para desenvolver a economia e dar consistência ao sistema. Com certeza, que os homens aprenderam isto na escola dos cães.
Foi o dia adequado para ver The Visitor, um exercício de reflexão sobre a América cercada por medos internos e intensos, negando a sua maior virtude, a tolerância dos estranhos.

quinta-feira, agosto 20, 2009

Jesusalém

Havendo uma história para contar é possível escrevê-la, mas disso pode apenas resultar um livro policial ou um best-seller, quando se anda na televisão. Diferente será fazer um livro de contos ou um romance. Para isso não basta haver uma história apenas, tem de haver também a escolha das palavras que a contam. Podem imaginar-se as palavras todas emaranhadas dentro de uma enorme caixa, a caixa das palavras, coberta por um pano preto, por onde entram mãos sábias na busca das melhores palavras. Quando as mãos são realmente sábias, as palavras saem lá de dentro alinhadas num texto que mostra os cheiros, as cores, as texturas, um mundo todo novo e inesperado. Um romance deve nascer como uma escultura, da pedra, pela eliminação da pedra excedente. Ao fim de muito martelar fica a maciez da forma capaz de encantar os olhos.
É também disto que as férias se fazem, do tempo de leitura. Nestas fui levado a Jesusalém (Mia Couto) numa viagem parecida com outra há já muitos anos, também numa praia, quando apreciei igualmente surpreendido a lisura do texto da construção do convento de Mafra. Agora, senti-me menino à volta da fogueira, em noites quentes com silêncios de rastos de bichos e luzes lá no alto, muito longe. Os romances permitem sentir o rigor da extração da pedra supérflua. Nada têm que ver com os best-sellers.

terça-feira, agosto 18, 2009

Tempo esticado

Na maioria dos dias vamos andando no tempo e acontece-nos chegar ao fim do dia sem ter percebeido o caminho que fizemos nele, como se não tivésemos saído do mesmo lugar no passeio que nele se faz.
Nas férias, ao fim de uns dias, acontece um tempo diferente, o tempo de férias. Chega-se às 2 da tarde, encontra-se a vizinha que vem a chegar e digo, bom-dia com a sensação de serem 11 da manhã. O tempo esticou. Estou de férias, então. Sem qualquer necessidade de relógio.

segunda-feira, agosto 17, 2009

A economia nas Caldas

Ao lado fica um prédio já em pré-ruína na ferrugem dos vãos e nas paredes a descascar. Era antiga fábrica. Subsiste apenas um amplo espaço onde os restos das colecções ainda vão preenchendo prateleiras entre outras já vazias. As peças expostas a preços de oferta têm pressa de sair dali. Existe essa pressa no ar e até no olhar ainda sorridente da funcionária e no outro mais cansado do segurança sentado lá num canto junto à porta. Há uma súplica de esvaziamento em tudo isto. Uma vontade de fim neste resto de memória de uma empresa produtora de cerâmica, exportadora, geradora nesses tempos de receitas para o lado certo da balança comercial.
A pouca distância ergueu-se um modernaço shopping-center de arquitectura viva, preenchido de loja e de gentes ambulantes frente às montras. Um eucaliptal de comércio a secar o tradicional da rua das Montras. na sua pujança criou emprego. Talvez alguns tenham até transitado da Secla ali ao lado. As lojas são as mesmas de sempre com os nomes ingleses e italianos que os donos espanhóis lhes puseram. Tudo a gerar receitas para a coluna errada da balança comercial.
Esta tem sido a história económica deste país nos últimos anos. A destruição da produção e a implementação crescente do consumo num país entregue às vedetas do alterne PS-PSD/CDS. Estas são as políticas que, realmente, hipotecam o país.

domingo, agosto 16, 2009

Com Sul e sem sol

Dois dias depois, começo a ter saudades do sol. Sobretudo por estar a ler o Sul do Miguel Sousa Tavares. Fico envergonhado ao perceber que a escrita pode fazer-nos sentir o sol, mesmo quando no texto sobressai um elitismo, talvez bem intencionado. Tendencioso, com certeza, quando em Cabo Verde ouve gritar os golos do FCP. O que eu vi foram as bandeiras do Benfica! São os caminhos diferentes que nos mostram mundos diversos.

sexta-feira, agosto 14, 2009

Greve

Estar de férias é ficar num sítio diferente. Aqui tem-se essa ilusão, ouve-se inglês nas falas dos vizinhos e sente-se a humidade do nevoeiro. Fico longe das notícias do país ainda que dentro dele. De férias foi o sol para parte incerta.

quinta-feira, agosto 13, 2009

CV

Missão cumprida. Um texto pequeno a resumir uma vida. Bastaram duas dúzias de páginas e fica tudo contado por agora. Um dia logo se vê.

quarta-feira, agosto 12, 2009

Sem saudades

Saio de Lisboa, 2ª circular fora, contemplando à força os enormes anúncios do CDS/PP. E penso que já sou suficientemente velho para ter conhecido uma sociedade, onde os professores eram os únicos a ser respeitados nas aulas e os polícias eram os únicos detentores do poder. Invocar esta mudança, não me causa saudades.

segunda-feira, agosto 10, 2009

Até aquece quando arrefece

Portugal cada vez mais quente e menos chuvoso
O Verão está com ares de Primavera, especialmente nas manhãs e noites ventosas, e os veraneantes andam algo inquietos com a "partida" climatérica. E têm razão. Houve dias de Primavera mais quentes. As temperaturas médias de Julho foram mais baixas do que os valores normais de 1971-2000, segundo o Instituto de Meteorologia. A máxima registou uma diminuição de 0,5ºC e a mínima de 1,2ºC. E também choveu mais do que seria normal, especialmente nas regiões do Noroeste

Extraído do Público de hoje.
Há jornalistas tão ligados à ideia do aquecimento global, que, para eles, quer a temperatura aumente, quer desça, é sempre a aquecer.

domingo, agosto 09, 2009

Mudança

Fica-se estranho quando se olha a nova imagem, mesmo quando se percebe já se ter sido assim há muito tempo. É uma surpresa que acompanha o alívio de uma imagem que atormentava de alguma forma todos os dias, quando pela manhã a olhava no reflexo do espelho.
Num tempo em que a imagem comanda o mundo, a mudança permite a ilusão de enganar o tempo.

sábado, agosto 08, 2009

Que continue a ser feliz


Acontece-me às vezes as palavras conterem o próprio riso. Raul Solnado, são duas palavras que sempre associei ao riso, à boa disposição, à normalidade de estar vivo, porque era como os demais, especial sem ser mourinho. Hoje, pela primeira vez, verifiquei que o riso também pode morrer nas palavras que o tinham. Parece que disse um dia que desejava ter como epitáfio Aqui jaz Raul Solnado (contra sua vontade). Deve ser tranquilo morrer bem-humorado, sem qualquer medo da morte, porque se teve o cuidado de viver. Mas por que são estes os que partem?