quinta-feira, julho 08, 2004

Intervalo - Nova York 2004


 Posted by Hello

10 de Junho
No dia que já foi da raça e que agora é feriado muito simplesmente, nem se dá lá muito bem por que motivo, vou até New Jersey, onde os emigrantes devem, seguramente, saber porque farão uma Parade neste dia.
Emigrante parece ser a senhora que faz check-in à minha frente. Trazia duas garrafas de água- ardente para levar para os seus parentes da América. A funcionária, explica que por razões de segurança as não poderá levar junto da bagagem de mão. Trata-se de uma substância inflamável, terá de as deixar mesmo ali. Ai isso, é que não deixo, se não as posso levar, vão para a sanita, vocês é que a não bebem.
Acho que isto revela, antes do mais, um conflito mal resolvido com o poder dos tempos em que o dia era da raça, uma desconfiança e um desejo de desobediência dentro do possível. Se não o posso fazer, vocês também não vão aproveitar, ou melhor, o que vocês querem é mamar à nossa custa... Melhor seria que fosse uma indignação contra uma norma absurda, por mal pensada, ilógica, simplesmente um conflito entre um povo que improvisa e é generoso e um que obedece cegamente a tudo o que lhes vem prescrito de cima. Nesta companhia americana o absurdo vai ao ponto de se não poderem transportar garrafas de aguardente caseira, podendo transportar-se qualquer bebida alcoólica comprada na free-shop, ou de ser proibido o transporte de um corta-unhas, nada havendo a opôr ao uso de facas e garfos de aço que nos entregam com as refeições ou aos corta-unhas que se vendem depois de passadas as verificações. È mesmo assim, estes americanos não pensam, não há volta a dar-lhes.

Do aeroporto a Manhatan, pode ir no nosso autocarro por 13 dólares, mas se quiser vá de táxi, são 50 dólares mais as portagens e as gorjetas. È assim, com esta transparência que se nos é posto o problema. It’s up with you! Liberdade de escolha, informada com dólares em fundo.

O Radio City Apartments na 49th St é um hotelzinho simpatico, limpinho e asseado onde se conseguem diárias na zona mais central da cidade por cerca de 120 dólares, isto é pelo menos metade do preço da concorrência com camas mais largas e corredores amplos já para não falar do hall de entrada de tons dourados. Aqui não haverá espaços desperdiçados. Mas quando quiser voltar a NY, com a ideia de não passar muito tempo no hotel, de o usar apenas para dormir, esta será uma opção simpática. São simpáticos os funcionários da recepção, os acessórios como ferro de engomar, secador de cabelo, por exemplo; simpático também a água ser quente e não haver ruídos incomodativos excluindo-se o do ar condicionado.

Numa primeira deambulação pela rua, sente-se o formigueiro incessante sem destino. À volta ouve-se falar muito em espanhol, pareceu-me que os hispânicos cresceram também por aqui. Onde estão os executivos de copo de leite na mão? Provavelmente, já terão recolhido ou será que emigraram? Serão as contradições que o Império está a tecer?

11 de Junho

O MOMA está transitoriamente em Queens. Para lá se chegar são uns minutos de Metro. Convém é a apanhar na estação certa, casos contrário a aventura pode demorar mais de uma hora com a oportunidade de vermos demoradamente o bairro a partir da linha do metro. São casas baixas, pinchadas geralmente, com ar de Cuba, mas sem sonho. Antes com uma realidade de miséria bem pesada.
O MOMA é uma amostra do que é. Terá de se esperar até para o ano para se rever na localização habitual, então já expandido e seguramente melhorado. Por hoje valeu uma exposição de fotografias de moda. Será ou não arte? Dou comigo a pensar que Arte será produto de criatividade, o resultado de uma atitude de imaginação, geralmente, não repetível, isto é, única, independentemente da técnica utilizada. Assim, se o fotógrafo concebe uma composição e se não limita a encontrar o motivo de forma esporádica e depois capta o resultado, a sua obra não andará muito longe da obra de arte. Por entre estas meditações regresso a Manhatan frente a um casal de homeless a caminho da colheita do dia.


A propósito da orientação no Metro da grande cidade direi que o caminho se encontra mais facilmente nos mapas e nas pessoas que no esquema de apoio do Metro da Palm. Nem sempre as tecnologias nos poupam tempo e quase sempre só dão respostas quando sabemos as perguntas certas.

O Ground zero começa a ter vários níveis e já dispões de uma estação de Metro. Começa a renascer, só de longe continua em toda a sua extensão de grande buraco. Apreciável a partir do Ferry que vai para State Island. Uma viagem recomendável ao pôr do sol para topar a skyline amputada da cidade.


Noite na Village, no Blue Note a ouvir Arturo Sandoval e o seu trompete em jazz caribenho. Depois, vaguear por ali, com sons e imagens de néon e candeeiros pequenos ou velas sobre as mesas de namorados dos mais variados sexos.

12 de Junho
A decepção da FAO Schwarz fechada para remodelação. Gosto tanto de olhar para aqueles bonecos enormes sempre a mexer. Há certas coisas que deviam estar sempre abertas na cidade.
Dia de Parade Indú em formação em Central Park. Não são muitos, mas exuberantes quanto baste e ficam bem na tranquilidade daquele parque, onde o silêncio surge e os esquilos saltitam, levando-nos, subitamente, para fora da cidade.

O MET Museum é um daqueles espaços de peregrinação obrigatória na cidade. Vale a pena olhar para o exposto e para as gentes que lá andam. Para uma T-shirt, por exemplo: Champions dont talk, they perform. Mais mensagem que muitas vitrinas, infindáveis.
Deixar-me ir ao sabor do que acontece no Museu, garantindo sempre a passagem pela exposição de Impressionistas. Essa tenho de vê-la de cada vez que volte. Hoje, pode fazer-se uma visita guiada pelas obras principais (assim chamada). Cerca de uma hora para saber que Picasso dizia que todo o quadro é uma mentira, embora nada melhor que eles para vermos a verdade. Nada está representado, só lá está, exactamente, o que cada um de nós consegue ver. Este é o gozo de olhar para obras de arte, procurar.

Por exemplo, a possibilidade de encontrar toda a carga de erotismo insuspeito num quadro de Vermeer, às vezes com recurso a análise por raios X.
Ao fim de umas horas de deambulação para alegria dos olhos, ainda apetecia ir até ao Lincoln Center em época de defeso parcial. Ainda foi possível arranjar uns bilhetes para o Lago dos Cisnes na segunda-feira e continuar a olhar a feira da ladra alia o lado.

Noite para experimentar o Village Vanguard na Seventh South. Tínhamos ouvido a banda no Estoril no ano passado. Só isso nos faria descobrir esta pequena porta vermelha ao cimo das escadas de acesso à cave. Um copo e um trio com piano, baixo e bateria para saborear no início da noite de sábado, sentido, de quando em vez, a vibração do Metro a passar-nos por baixo.

13 de Junho
Lá longe é dia de eleições e Santo António nos valha. Lá se foi a minha possibilidade de candidatura a Presidente.
Aqui também é domingo, um dia bom para ir à missa. A uma missa especial, com música, no Harlem. Começamos por apanhar o autocarro na 8th Av ao nível da 50thSt. Parece um autocarro normal. Mas à medida que sobe, ao longo do Central Park, começa a notar-se que o seu recheio vai mudando de cor. Cada vez menos branco, cada vez mais afro-americano. Nunca tinha andado num autocarro assim. Lá perto da 130th estávamos claramente a mais naquele transporte e saímos. Na rua, os residentes passeiam os seus fatos e chapéus de domingo, como em cenários de outros tempos. Bem mais agradável do que há uns anos quando aqui assistimos a cenas de pistola e perseguições.
Sem receios especiais fomos até à Abissinian Baptista Church, onde uma fila para a missa das 11 dava a volta ao quarteirão. Uma mancha de brancos em terra de negros. A missa como atracção turística. Os fiéis eram mais do que a igreja comportava, mas um funcionário da paróquia tranquilizou-nos. Ao virar da esquina, havia outra Igreja também com cânticos, tudo seria idêntico ao que ali íamos ver. Vale a pena assistir a isto na Igreja Metodista do Pe Durand. Prédicas em gritos, saudações aos estrangeiros que visitam a Igreja, cânticos Gospel e peditórios ao fim de cada canção, saudações a tudo e a todos. Catarse colectiva e sai-se bem disposto para o Harlem que continua na busca do Teatro Apolo, que estava fechado. Vaguear pelas ruas em domingo de manhã de compras na Martin Luther King até chegar ao restaurante Sylvia’s para provar batata doce caramelizada, um bife gigante e feijão frade com couves. Sem bebidas alcoólicas e com mais cânticos passados de mesa em mesa, Às vezes com a colaboração dos frequentadores do restaurante. Não me importo de cá voltar mais tarde. Por agora voltámos à cidade no mesmo autocarro, agora em processo de branqueamento. Na 5th Av fechada ao trânsito, avistamos a festa da Parade de Puerto Rico.

À tarde era dia de Quarteto de cordas em Town Hall. E foi., Só que para turista ignorante não chegou a ser porque fomos para o City Hall, algo bem diferente do Town Hall. E assim, confundidos os vestíbulos, acabámos à porta sem ter música.

Foi um dia cheio de surpresas, com autocarros que mudam de cor e com a constatação de que em NY city e hall são coisas diferentes. O cansaço nas pernas, obrigou a retirar mais cedo, sem música esta noite.

14 de Junho
Último dia na cidade, o dia de compras. Ou nem tanto.
South Street Sea Port, as docas deles, com a ponte de Brooklin ali em fundo. Pena o dia acinzentado, que é bom estar de perna estendida nas espreguiçadeiras o piso superior do Peer a olhar para o ar, tomando balanço e procurando apetite para um Philly cheeseburger, a energia necessária para as compras a seguir.

Há uma semana que andam a enterrar o Reagan, com as imagens em loop da excelsa esposa e dos filhos. Um deles estragou a festa e disse para quem o quis ouvir que votaria em qualquer candidato que possa derrotar o Bush. Esta tudo tão composto, tão comovente e logo havia de aparecer este tipo.

Vale que o pai Bush, saltou de para-quedas na sua proveta idade. Fiquei com pena que não tivesse levado o filhote no passeio, que, às vezes, dar uma boa cabeçada pode ajudar a endireitar as ideias.

Fazer as malas para ida até NO.

Escolher

Escolher é um exercício de ponderação que implica uma análise detalhada da situação, ver o máximo de cada uma das características do produto, a qualidade intrínseca e a sugerida por tantos pequenos aspectos, que existem em muitos deles e podem faltar noutros. Que factores nos atraem e afastam, onde podemos ser enganados?
Escolher acaba por ser um processo de nos encontramos, de procurarmos em nós o que é mais susceptível de ser impressionado e que nos leva finalmente a uma opção.
Escolher acaba por ser um jogo em que nos medimos com o escolhido e com quem no-lo oferece. Temos dúvidas, emoções, conflitos contradições. Nisto tudo gastamos tempo e acrescentamos às emoções da escolha, os conflitos dessa perda de tempo. Sentimos a dúvida de duvidarmos. Será que vale a pena, não será tudo mais ou menos igual, para que queremos fazer a melhor escolha? Ou ainda, será que há uma melhor escolha, não é tudo uma ilusão, uma forma de passarmos uns instantes? E depois de escolhermos, o melhor é ficarmos definitivamente contentes com a escolha. o pior é se continuarmos com dúvidas.
Escolher um carro ou escolher o futuro de um país. Opções difíceis ou umas mais fáceis do que outras. Preferia a segunda. Até porque, no fundo, eram os outros que iam escolher por mim.
A terminar direi que mais fácil seria escolher a frase da semana? Na AR, hoje, uma Sua Exa, recomendou a outra Sua Exa que fosse retirando o equídio da pluviosidade. Não é todos os dias que a eloquência irrompe assim.

quarta-feira, julho 07, 2004

Renascer


Afinal, nada melhor para renascer do que uma boa tempestade Posted by Hello
É assim na natureza. Nos pântanos só a podridão se desenvolve. Há que remexer as águas e não esperar eternamente ou a coisa começa a cheirar mal.

terça-feira, julho 06, 2004

Basta de lágrimas, é tempo de agir.


Na recente passagem que fiz por Itália, vi por todo o lado os cartazes daquele a quem os guias turísticos nos diziam que agora toda a gente chamava de fugiardo (mentiroso). Na altura, lembrei-me de cartazes promocionais que vemos em Lisboa. O estilo é o mesmo, a mentira é a mesma, com mais ou menos música de violino de Chopin.
Entretanto, o Presidente choraminga em entrega de medalhas. Não esperava, mas este Presidente é capaz de surpreender-nos. A ver vamos, depois de ele ouvir muito. Ele foi do pouco poder deste país em que votei. Geralmente, dou o meu voto aos derrotados. Terá valido a pena ou teremos que nos fazer ouvir? Posted by Hello

domingo, julho 04, 2004

Tragédia ou talvez não

Regressámos à normalidade, ao nível onde geralmente vivemos, apesar de se observarem algumas resistências, algo induzidas, aqui e além. É este o tempo de se reflectir sobre o que aconteceu.
Numa pequena região da Europa, há um país de resistentes como nas histórias do Astérix. Um grupo de tipos desenrascados, algo brigões, alguns dos quais caíram no caldeirão quando eram pequeninos e são a chamada geração de ouro. Nesta terra há duas realidades, uma que é a mais abominável de todas chamada trabalho e organização e outra que é o super-valor que é a capacidade de desenrascar a coisa. Esta segunda mostra uma das grandes características destas gentes, a sua inteligência superior, isto é, a possibilidade de resolverem os problemas com que se vão deparando, de forma bastante eficaz.
Às vezes conseguem iludir-se completamente nuns acesso de fé em que atingem os objectivos antes de lá chegarem. Nos últimos anos, instituíram um reforço desta estratégia de funcionamento mental com a ajuda dos meios de comunicação. São os chamados 15 minutos de fama. Vem-se do quase nada, é-se promovido de forma exaustiva pelos meios de informação, com as televisões com papel dominante, até se atingirem níveis muito altos de glória e sonho provocando-se, desde Timor, uma estimulação de adesão popular a esta forma de estar, que se exalta até ao limite. É o esquema Big brother em marcha. Depois, bem depois, os Zés Marias não se aguentam e a queda é a pique. Pelo meio fazem-se preces, promessas, bruxedos se necessário. Desta vez, houve superstições com gravatas, gente que via os jogos só em determinados sítios, outros que nem os podiam ver por darem azar. Subconscientemente, parece que se não acredita, por isso se apela à ajuda do sobrenatural, não será? A sorte que é precisa por o trabalho, talvez, não ter sido suficiente. Como os alunos que não estudam a matéria toda e vão ao exame confiando na sorte de terem estudado as partes que vão sair...com os resultados habituais a seguir. Sinceramente, custa-me a crer que se deva à sorte perder duas vezes em casa contra a mesma equipa, mas sou mau analista. Espero pelos comentários do Professor Marcelo.
E depois do acidente? Procura-se, claro, o culpado. O culpado é um tipo que nos dias anteriores era quase santo, mas que rapidamente vira uma besta e com o passar dos dias a coisa vai agravar-se, sobretudo, quando, daqui a algum tempo, surgir outro deslize. Deus ou Diabo desta história se há-de tornar.
Afinal o que se passou não era assim tão importante. Era uma competição de futebol entre selecções que presumivelmente o praticam bem por serem as melhores da Europa. Portanto, seriam de esperar bons jogos. A coisa esteve bem organizada (só três dias depois dos peritos da UEFA terem elogiado a organização, os nossos políticos, perante a derrota, realçaram este facto; até aí era necessário não falar em trabalho, optava-se pela cor das gravatas da sorte), não houve ataques terroristas nem acidentes estranhos, os árbitros actuaram bem, reinou o fairplay, foi até uma festa bonita, quase desportiva. Pena foi a despropositada hipertrofia do entusiasmo, que nada justificava. Realmente, seríamos hoje melhores se tivessemos ganho, seria isso tão importante? Era com isso que curávamos os males de que sofremos ou seria, eventualmente, o contrário por isso nos afastar ainda mais das soluções? Em resumo, o futebol é um jogo com algum interesse estético, mas a alegria e sofrimento que determina nos que o vêem continuam hoje a ser, como ontem eram, alienação, catarse. E não será por isso, que estes fenómenos são promovidos até limites da irracionalidade pelos donos do poder?

Unidos até à vitória!

Aqui chegados, é muito importante que se aproveitem todas as oportunidades. Hoje, uma vez mais, é fundamental estarmos concentrados e não desperdiçarmos as hipóteses de baliza aberta que se nos deparem. Todos, temos de estar atentos e jogar certeiro, de forma incisiva, sem piedade pelo adversário. Ele é fraco, joga à defesa e é oportunista, não tem fibra e uma vez mais mostrará a sua insuficiência se o soubermos apertar bem, se formos acutilantes. Não nos deixemos enganar pelo seu jogo matreiro, que parece dar-nos a iniciativa, mas saibamos que está sempre à espreita de um contra-ataque que nos pode ser fatal. É importante que na fuga que já se adivinha leve mais uma recordação de Portugal. Apesar da euforia que vos invade, do estado de alma em que têm andado nas últimas semanas, vocês os números 12 deste país, não podem hoje estar distraídos, porque a vitória ainda não é certa. Só se consegue pela acção e a vossa é importante. Vocês são mais de 55000 e terão o papel de começar a lutar pela vitória de Portugal ainda antes do jogo começar. Nós, os que vamos ficar em frente do televisor, teremos os olhos postos no vosso comportamento e esperamos que não percam esta oportunidade de apoiar Portugal: Quando avistarem o Durão Barroso a chegar ao camarote, queremos ouvir uma vaia de mais de 2 minutos, sem cessar, para que comecemos a ganhar. Força, portugueses!

sábado, julho 03, 2004

Sophia

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.



Os outros morrem, mas tu não!

sexta-feira, julho 02, 2004

Um contributo a favor de eleições antecipadas

Apesar do gozo enorme que me daria ver continuar a asfixia da direita, o crescer dos desentendimentos nessa família, saber a marca do cão que o PP não vai comprar (possivelmente porque sabe muito bem morder sozinho), vir a saber que novos buracos iria o PSL abrir pelo país fora, começam a chegar argumentos que, definitivamente, me colocam do lado dos que defendem eleições antecipadas. O Expresso online, alerta para a opinião dos banqueiros e este sim, é um argumento importante para não aceitarmos um novo governo de direita. A história ainda não chegou ao fim e a luta de classes ainda continua. Pode estar menos nítida nos contornos, mas as posições de cada um dos lados da barricada têm e devem ser assumidas. Para mim é simples, se eles estão desse lado, o meu lugar é do outro lado. Democratas de todo o país, uni-vos! Exijamos que o Senhor Presidente não vá em futebóis (já agora espero que não vá vestido com a camisola da selecção à final...)e que tome a decisão difícil, mas necessária ao país: Demita-os e deixe-nos dar opinião!
A propósito de futebóis, gostava que convidassem o DB para a final para estar exposto em lugar bem visível... Já ando com saudades duma daquelas vaias de Catedral.

quinta-feira, julho 01, 2004

Unanimidade fatal

O futebol sem casos é uma maçada. Ou faz sofrer até aos limites como parece que foi com a Inglaterra e o extravasamento é compensador ou as vitórias esperadas não têm história nem comentário. Parece o Benfica dantes. Bom mesmo é discutir os erros dos árbitros e dos treinadores. Vem isto a propósito do silêncio da barbearia a que fui hoje. Sem histórias nem despiques, uma sensaboria. E eu que já lá tinha ouvido tantas do Scolari, um gajo que veio para cá encher-se à nossa custa e que não percebe nada de futebol, até parece que não há treinadores em Portugal, blá, blá.
Pois é, isto dos consensos é um tédio. Dá jeito uma Manuela Ferreira Leite, um Pacheco Pereira, coisas dessas. Se não temos isso, fica-nos o silêncio. Quem numa barbearia de homens, à antiga sem híbridos, se lembraria de comentar o estilo cinha-like da primeira dama, ontem em Alvalade? E claro, nem pensar em falar do PSD, que isso dos políticos são obviamente todos iguais. Sinceramente, estou convencido que igual ao PSL deve ainda assim haver poucos e nem sequer tem a piada triste do amigo da Madeira.

quarta-feira, junho 30, 2004

A vitória da Holanda

Holanda vs Portugal, respectivamente:
Taxa mortalidade infantil 4,31/1000 vs 5,84/1000
Esperança de vida 78,58 vs 76,14
Não analfabetos 99% vs 87%
PIB/capita 26900 dólares vs 18000 dólares
Taxa de desemprego 3% vs 4,7%
(in Factbook da CIA)

Bibó 2-1 pipipipópópó do contentamento nacional!

terça-feira, junho 29, 2004

O cherne fugiu!

O homem tem sorte e sabe fazê-las. Tanto mais que tinha a experiência anterior do engenheiro Guterres, que tendo tido, como ele tem agora, o pássaro na mão, o deixou fugir. E antes de ter de saltar do pântano onde cada vez mais nadava numa asfixia lenta, eis que o cherne vai procurar outras águas. Boa viagem, só tenho pena do que isso representa para a Europa. A continuar assim, ainda me torno eurocéptico. Mas reconheço que a Europa da direita, encontrou um bom funcionário da política norte-americana. O Bush teve razão uam vez na vida, quando há uns tempos disse que o Jose Manuel era um guy muito promissor! Pensando nos comentários que fez quando o Zapatero ganhou em Espanha, divertido será ouvir o Jose Manuel quando o Bush perder as próximas eleições.
Está engraçado este país das bandeirinhas. Estas discussões sobre o que o Presidente deve fazer são delirantes. Há uns tempos os portugueses foram enganados pelas promessas do PSD e agora estão-se nas tintas para a lógica do sistema. Com efeito, as eleições não elegem Primeiros Ministros, mas deputados que têm de votar favoravelmente um programa de Governo escolhido por um PM, nomeado pelo PR. Assim, parece-me que o natural depois da saída de um PM, seria a nomeação de outro pelo PR e logo veríamos o que os senhores deputados teriam a dizer. Sinceramente, acho que o PR devia castigar o PSD com uma opção deste tipo. Que gozo era ver os (tu)Barões aos saltos, o PP a pensar quem deveria convidar para mais uma sopinha.
Convocar eleições antecipadas é vitimizar a direita, o que acaba sempre por render. Em vez de os deixar afundar completamente, esta opção funcionará como um fornecimento de oxigénio que não merecem.

segunda-feira, junho 28, 2004

Estive de férias!

Um intervalo de 20 dias. Fui de férias, terei de dizer aos mais de 200 contactos que aqui vieram procurar-me. E souberam-me bem. As férias sabem quase sempre bem. Os Estados Unidos são um bom sítio para ir de férias. Aquilo é tão grande que é difícil ser monótono tem sempre algo novo para encontrar. É nisso que gosto de passar as férias, a encontrar novas coisas. Sou um viciado em viagens. Disso, irei dar notícia, logo que acabe a descrição do passeio pelo Louisiana. Será um próximo post, longo, com a viagem dia a dia para eu mais tarde recordar.
Mas os States não são só paisagem. Os americanos e a sua televisão são uma atracção fatal. Vale a pena gastar uma parte (pequena) das férias a ver TV.
A primeira semana foi a visão longa da morte do Reagan, um aproveitamento grosseiro dos republicanos deste seu herói. Só lhes saíu mal a entrevista do filho, que disse estar disposto a votar em tudo o que aparecesse capaz de derrotar o Bush. Depois, a vida do Clinton em livro e mais uma semanita de entrevistas e reacções e Clinton por todo o lado. Por fim, as teorizações sobre a F-word. Sim, o vice-presidente, aconselhou um democrata do Senado a ir-se F. A partir desse momento, jornalistas, analistas, teóricos da língua, todos se envolveram em entrevistas e debates sobre a legitimidade ou não de o vice-presidente fazer tal recomendação a um senador. Será recomendação? Será interjeição? Será um conselho? Será uma subliminar acusação de homossexualidade? Uma diversão sem fim. Ao pé disto, os Romanos foram o povo com mais juízo que alguma vez existiu.
Claro, que as telenovelas dos noticiários com a descrição dos julgamentos continuam (e duram desde o ano passado!).
Depois, tem também uma coisa óptima, Portugal fica muito pequenino, muito longe, muito inexistente. Da verdadeira dimensão que tem, afinal. Essa distância sabe-me bem. É como a terra vista do ar, tem-se mais a dimensão do mundo e da importância relativa das coisas que afinal são tão pouco importantes.
Mas foi bom estar 20 dias sem o Euro! Lá a receita, é basebol e basquetebol. Isso é que cumpre a missão do Euro cá da terra. Isso, os faz continuarem a agir sem reflectir, a encherem copos de coca-cola com gelo, para depois lhes porem apenas algumas do líquido, pagando água ao preço de coca-cola. E felizes, engordam, engordam até rebentar. Vão no bom caminho! Olhar para eles, é a satisfação de sentir a superioridade da Europa.
Também isso torna agradável a passagem pelos States.

quarta-feira, junho 09, 2004

Que viva Sousa Franco

Estou a imaginá-los, aos meninos nazis, a esta hora, a celebrar o desempenho. Ontem ululavam com o insulto físico, a deficiência do adversário e hoje que dirão? Certamente, qualquer coisa do tipo, o velho estava podre, e sorrirão com aquele ar de cães de fila, sempre prontos a morder em tudo o que não é da sua laia, em tudo o que pensa, que sabe o significado da solidariedade e que despreza básicos critérios de rentabilidade. Esses critérios que têm tornado este mundo mais assimétrico e gerado o ódio.
Ofereceu-se e morreu. Descanse em paz, senhor Professor. Que ao menos alguns apreendam a sua última lição: a vida pouco vale se não for repartida com os outros e sobretudo com os mais fracos, os que mais precisam.

Mais uma abstenção

Como ninguém defende a minha Europa, vou até aos States.
O meu programa europeu é feito de coisas simples como ensino simultâneo desde a primária da língua materna e do inglês para que nós e os polacos nos possamos entender; criação de uma cultura de trabalho e não de facilidade e da habilidade desde pequeninos; existência de um parlamento europeu, que decida o que cada um faz na sua terra (já chega de erros de gestão ao longo de séculos); o meu peso nas decisões europeias ser igual ao de qualquer alemão; haver uma estratégia de defesa europeia comum e impostos europeus que todos paguem em vez dos nacionais que só alguns pagam. Em resumo, quero viver nos Estados Unidos da Europa e depois ponho uma bandeirinha cheia de estrelinhas no quintal. Nessa altura, poderemos bater o pé aos States dominantes.
Quem vota num programa simples como este? Obviamente, podem optar por ser nacionais e começar a insultar-me... é o costume.

terça-feira, junho 08, 2004

Tráfico de Vénus (ou talvez de Marte)

Por que será que é nas farmácias que se vendem os óculos para olhar para o sol? Será que a partir de agora também teremos de procurar ver a luz através da visão que as farmácias nos fornecem?
As farmácias são a actividade comercial (a palavra foi escolhida de propósito) mais curiosa deste país. A bem da chamada saúde, criou-se um esquema de proteccionismo medieval, contra todas as regras da livre concorrência, em que o Estado se proibe de entrar, limitando-se, desde há muito, a simplesmente pagar a conta. Só tem farmácia quem pode e quem pode estabelece um perímetro onde ninguém mais pode fazer-lhe concorrência. Deste modo ficam garantidas as vendas de perfumes e de óculos para nos proteger a saúde.
Que seria de nós se comprássemos uma aspirina no supermercado? Uma hemorragia digestiva pela certa! O que nos vale são, desde há muito tempo, os sempre sábios comentários dos técnicos de farmácia para dizerem aos doentes como devem ser tomados os medicamentos. E ultimamente também para medirem a glicemia, o colesterol e a tensão arterial. E algumas vezes «salvarem a vida» dos doentes enviando-os às urgências dos hospitais porque têm 235 de açúcar no sangue ou uma TA de 175/105.
Que tal se usássemos óculos menos escuros para vermos o que se passa com as farmácias em vez de ficarmos com ar de idiotas a olhar para o ar?

segunda-feira, junho 07, 2004

Portugolo

Pela rua vou vendo pequenas bandeiras nos táxis e uma também pendurada na janela. Não, não é o 10 de Junho que se aproxima. É o rectângulo à beira-mar plantado, relvado às riscas, em estado de Euro (dizia a Visão há dias). Daqui para a frente vive-se em PORTUGOLO, a menos que os golos não venham e então teremos um país em estado de (n)Euro. Uma imensa dicussão sobre as causas do desastre. Será que alguém irá saber o resultado das eleições de domingo se no sábado os pupilos do Scolari se virem gregos? Assim, passará despercebido qualquer desastre eleitoral...

domingo, junho 06, 2004

Dia D

A analogia não funciona. Os libertadores de ontem podem muito bem ser os opressores de hoje. Só porque ontem libertaram, isso não lhes dá créditos de eternos libertadores.
O agradecimento de atitudes do passado não implica pagamentos no presente, apenas a memória e o reconhecimento.
Em vão pode passear-se o Imperador pela Europa. A identidade de dominação que apresenta é muito mais semelhante aos que humilharam do que ao seu antecessor libertador. Por isso a Europa lhe não está grata, mas agradecida deve estar aos americanos. Os líderes são transitórios, os povos eternos (embora se enganem por vezes, ou sejam enganados).

sábado, junho 05, 2004

Cidade

A Vida Vazia da Cidade

Instalámo-nos, portanto, na cidade. Aí toda a vida é suportável para as pessoas infelizes. Um homem pode viver cem anos na cidade, sem dar por que morreu e apodreceu há muito. Falta tempo para o exame de consciência. As ocupações, os negócios, os contactos sociais, a saúde, as doenças e a educação das crianças preenchem-nos o tempo. Tão depressa se tem de receber visitas e retribuí-las, como se tem de ir a um espectáculo, a uma exposição ou a uma conferência.
De facto, na cidade aparece a todo o momento uma celebridade, duas ou três ao mesmo tempo que não se pode deixar de perder. Tão depressa se tem de seguir um regime, tratar disto ou daquilo, como se tem de falar com os professores, os explicadores, as governantas. A vida torna-se assim completamente vazia.

Leon Tolstoi, in 'Sonata a Kreutzer'

Lido no Citador

Acompanhamo-nos cada vez mais, de mais objectos. Os mesmo filmes vão e vêem connosco nestas idas de fim-de-semana. E não encontram espaço no pouco tempo que temos. Ficam prisioneiros nas caixinhas onde guardamos as antologias. Dantes, eram grandes bobinas, ocupavam espaço, difíceis de transportar, projectavam-se em grandes écrãs, demoradamente, com intervalos onde calmamente bebíamos chá e conversávamos. Tínhamos até tempo, antes de os vermos, para assistirmos ao noticiário no cinema. Agora, compactados em DVD, numa caixinha mínima fica quase toda a obra de Hitchcock. Mas os pássaros estão trancados dentro da rodinha, sem tempo para saírem. Temos um sentimento de posse, de domínio, mas continuamos sem dominar a dimensão maior do tempo.
Estabelecer prioridades, é fundamental para nos não deixarmos ir pelo tempo dentro.

sexta-feira, junho 04, 2004

Memória somos


 Posted by Hello
Dei agora uma volta aos textos que aqui tenho desabafado desde há quase um ano e sorri lembrando-me que daqui a alguns anos, possivelmente, o gozo será ainda maior. É um exercício de narcisismo, certamente, mas negá-lo em nome de quê?

quinta-feira, junho 03, 2004

Deixem as mulheres em paz, senhores doutores

A guerra dos sexos? Quero manifestar aqui o meu vivo repúdio por quotas sexuais, sejam elas para deputados, sejam para entrada em qualquer curso, nomeadamente, o de Medicina. Simplesmente, patético!
Certamente, que alguns dos citados pelo Público são excepção e outros médicos andarão preocupados com a não entrada dos rebentos masculinos em Medicina, mas para a generalidade dos médicos este problema não existe. E a miragem de feminismo, de vitória sobre os homens, que isto possa conter para algumas mulheres, deve ser moderada. Contava-me há dias um colega espanhol que lá na terra dele o curso de Medicina era dos menos pretendido. Pois, aqui trabalha-se bastante e o rendimento não é o que por aí se diz. Pois não é, ou não será muito em breve. A Medicina está a sofrer uma evolução desgraçada e em breve, o(a)s médico(a)s serão uma espécie de novos farmacêuticos a vender perfumes aos balcões não de farmácias, mas de hospitais de seguradoras, isto é, funcionários assalariados do poder financeiro, que entretanto comprou os hospitais e vende seguros. Nesse regime de trabalho, irão ter a capacidade de decisão diagnóstica e terapêutica completamente controlada por critérios de rentabilidade gestionária. Se não se modificarem as coisas, ou me engano muito ou esta vitória das mulheres vai ser muito transitória. Sorte irão ter os miúdos que não abdicaram da farra e acabaram a optar por cursos de Gestão ou de Economia e irão futuramente estar nos hospitais a dizer às doutoras o que podem ou não fazer! Este parece-me ser o verdadeiro problema tanto para os médicos, como para as médicas e sobretudo ainda mais para toda a população, para os do costume: os doentes.

quarta-feira, junho 02, 2004

A quem possa interessar

Há duas formas para viver a sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre
.

Albert Einstein

terça-feira, junho 01, 2004

Despedida

Continuavas a ser uma criança. Encontrámo-nos ao fim de teres vencido uma batalha importante. O neurocirurgião tinha-te tirado o tumor e agora, que tinhas 12 ou 13 anos, era altura de vires tomar as hormonas para cresceres. De baixinha recuperaste bem e ficaste crescidota, sempre gordinha. Lutavas contra a tua vontade de coisas doces e gostavas de comer. Tirando isso, estavas bem. Tiveste, como agora todos os jovens têm, dificuldades de arranjar um emprego. Fizeste formação profissional e tinhas sempre um sorriso nas consultas. Ainda me lembro do teu bordado de ponto cruz que me ofereceste pelo Natal. Por estares habituada a médicos e hospitais desde pequenina, vivias os problemas dos doentes. Foste daquelas que explicaram aos outros, que as injecções da hormona não doíam nada. Admiravas tudo o que se fazia na saúde. Um dia, já nem me lembro a que propósito, disseste-me que quando morresses gostarias de dar-te em órgãos para que outros pudessem viver. Sempre foste assim, sorridente e generosa. E hoje, depois daquela cefaleia súbita e muito intensa que tiveste, chegou o momento de mais uma vez, mesmo na morte, continuares generosa.
É uma sacanice que a bruxa negra faz de vez em quando, esta de nos levar gente bonita. Logo hoje, dia 1 de Junho, não se faz. Afinal ainda eras uma criança.
Adeus, T., descansa!

segunda-feira, maio 31, 2004

Oportunidade de quem? Eu não sou construtor civil, desculpe!

Sua Exª o Ministro Adjunto do Primeiro Ministro (com a tutela do Euro 2004), escreveu-me uma carta... Recebi no correio de hoje uma carta deste senhor a dizer-me que «estamos a poucos dias do início da fase final do euro 2004 (não foi novidade)... uma oportunidade única de projecção internacional do nosso país... mais de 8500 jornalistas.... 200 estações de televisão (uau!!!!!!!)... que descupemos os incómodos eventuais de toda a confusão que um evento desta dimensão possa causar...mas é uma festa muito especial que o País está a viver (está?) e depois recomenda que sejamos hospitaleiros (será que me acha hooligan, sua Exa?) E diz-me que estou convocado...» Eu? convocado para quê? Saiba, Vossa Exª que costumo ser normalmente bem educado, trato bem as pessoas e que, portanto, pelo que me diz respeito, bem dispenso que ande a gastar o dinheiro dos impostos que pago, a fazer propaganda ao seu Governo. Ou será que foi inspirado por certos comentários que certos jovens próximos da sua coligação, andam para aí a fazer sobre os candidatos opositores e pensa que somos da mesma laia? Esteja descansado, na sua maioria este país é uma terra de gente educada (com excepções, claro!)
Pobre país que tais oportunidades tem! Fossem outras as razões da projecção.

domingo, maio 30, 2004

Marcha lenta e triste

Na praia, há agora uma marcha lenta, uma marcha triste, pirosa mesmo. As vedetas futebolísticas do momento estão no hotel. Então, avançam devagar os automóveis no passeio de domingo, na volta dos tristes e quase param à entrada do sítio «onde eles estão». Não estão nada, que o Scolari deu-lhes folga, hoje! Decepcionados, lá seguem. Pode ser que noutro dia a sorte os proteja... Desistem, com mais uma fantasia frustrada.
Que identificação absurda esta. A nossa selecção? Ou a selecção daqueles rectangulosinhos de cores variadas que aparecem sempre por tras quando um dos tais craques fala? Isto é business e com isso, desulparão, mas não me identifico. Não aceito a convocatória.
E espero que isto passe rápido, que a tranquilidade da Praia d'el Rey é uma das coisas boas desta vida.

sábado, maio 29, 2004

Em pleno voo

Trata-se de um grupo de doentes, que busca frequentemente ganhos secundários com a sua situação de azar transitório. Muitas vezes, queixam-se na esperança de obterem das suas seguradoras mais algum benefício. Haverá que ser muito rigoroso e ter bons instrumentos de medida. Um desafio considerável.
O financiador da reunião pensa provavelmente ter encontrado, um novo e amplo mercado. E agora, o seu produto não terá de depender da aprovação de reembolso pelos Estados e será simplesmente, mais uma despesa a assacar às companhias de seguros. Negócio quase garantido. Uma despesa adicional para as seguradoras que rapidamente aumentarão aos prémios das apólices que cobrem estes tipos de acidentes. Lá vão subir uma vez mais os seguros...
No meio destes temas voo para Lisboa.

Estados de espírito

No meio do entusiasmo não poderei deixar de continuar lúcido. Se me transportam de limo, me instalam em hotel de luxo e me dão de comer requintadamente, isso não se deve aos meus lindos olhos!
É complexo este relacionamento com a indústria farmacêutica. Vamos investigar um assunto, somos apoiados pelo potencial vendedor do medicamento que com o nosso trabalho encontra uma nova indicação terapêutica. É necessária muita lucidez para seguirmos independentemente nos projectos, não nos deixarmos manipular pelos interesses da companhia. Essa é agora uma preocupação que me acompanhará. A lucidez é fundamental! Tudo correrá bem, se os resultados aparecerem. Mas se, pelo contrário, não corresponderem ao que eles esperam, então teremos de ser intransigentes com os factos e terão investido nos cavalos errados...

sexta-feira, maio 28, 2004

Work and some cognac too

Atenas vista do ar tem aquele ar de desconsolo pálido de que me lembrava de há uns anos atrás. Não a vi mais ao perto, porque fui para Vouliagmeni, uma pequena cidade vizinha, ao que me disseram, tipo Cascais. O percurso do aeroporto até lá é feito por estradas em ampliação, em conversão para 4 faixas, que os Jogos Olímpicos, estão aí quase a estalar. Fica a dúvida se estarão prontas, mas parecem optimistas.
A tal Cascais, de custo de vida elevado, é o Algarve mais seco e feioso que se possa imaginar. Tem uma praia de areia escura e um hotel a tender para o Luxo, Divani Appolon Palace, onde acabei por passardois dias fechado em trabalho. Quem se terá lembrado de pôr num sítio destes este hotel?
Desta vez, foi mesmo trabalho. Até as refeições estavam incluídas no programa...
A história é recente, nasceu há 3 anos e tudo começou quando o pai de um doente perguntou ao neurocirurgíão que cuidava do traumatismo craniano do filho, acha que as hormonas do meu filho estão bem? Há quem tenha os doentes certos no lugar certo... Depois, foi pesquisar sem grande entusiasmo, o que se passa na hipófise de quem bateu com a cabeça e o resultado surpreendente de haver efectivamente alterações, que até podem ser tratáveis e talvez estejam relacionadas com algumas das dificuldades que estes doentes sentem e que, até agora, se pensava não terem uma causa tratável. (Se teve um traumatismo craniano e esteve internado por isso e se sente, agora, com problemas de fadiga, alterações da memória, dificuldade em concentrar-se, deprimido, ansioso, irritável ou com dificuldade em dormir, pode enviar-me um mail!)
E ali estivemos, dois dias fechados, a debater este tipo de coisas, a criar normas de actuação. O artigo ficou pronto para publicar...e os contactos feitos para continuarmos a cooperação nos diversos países. Tudo isto feito em mangas de camisa, sem reverências patetas. Era assim que gostava de trabalhar todos os dias, com humor e rendimento.

quinta-feira, maio 27, 2004

Overbooking!

Para isto aparecer direitinho, vou escrever com as datas em que aconteceram, embora esteja a escrever hoje dia 31 de Maio.
O dia depois ainda se sentia em Frankfurt, onde exibiam, orgulhosos, os cachecóis azuis e brancos. Deambulavam pelas lojas do aeroporto enquanto esperavam pelos voos. Sossegados, sem euforia. Valha-nos isso!
Nada mais a lembrar-me mais esta passagem por este aeroporto a não ser uma evidente falta de respeito da Lufthansa pelos passageiros. Mas ao que imagino o que se passou nem será uma raridade, mais uma rotina, talvez.
Aconteceu que por razões mal explicadas, tinham 10 passageiros sem lugar. ISTO É OVERBOOKING! Referiam que tinham surgido 10 passageiros gregos com grande urgência em chegar a Atenas... Acho que ainda gozam connosco. E o problema foi resolvido da forma habitual: oferta de 300 euros a quem se disponibilizasse a ir no voo seguinte! Houve ofertas suficientes e a coisa traduziu-se num atraso de 45 minutos na partida para os cerca de 200 passageiros. É claro que a prática é bem conhecida. Mas, fica-me este desconforto desta actividade de livre concorrência. É que não estamos, passageiros e companhia de aviação, em condições iguais de negociação. Eles são o poder, nós os dependentes. São assim as relações equitativas do mundo da livre concorrência, disto a que nos querem fazer necessariamente aderir. Por mim, tentarei nunca aceitar estes leilões, só para ver se algum dia, todos os passageiros se abstêem, só pelo gozo de ver como isto se resolve. Será que haverá sempre quem ceda? Os génios da gestão até isso devem ter estudado...

quarta-feira, maio 26, 2004

Bibóporto

Ele saltou que nem atleta a acabar de ter marcado. Naquele momento, sentiu-se compensado do Louçã e do Carvalhas. Sim, temos pelo menos uma semana de festa longe do desemprego, da participação em guerras dúbias, de problemaqs de segurança. Naquele momento o DB ficou azul de gozo e deu graças ao Porto. Estou safo, pensou. E lembrou-se inquietado, onde estará o Rui Rio?
Até domingo, que na Grécia a Internet deve ficar à porta dos hotéis...

terça-feira, maio 25, 2004

Revisões

Deixem-me fazer um intervalo para me lembrar do descanso do fim-de-semana.
Soube bem na sexta-feira, zarpar pelo Alentejo abaixo com visões papoilas e arroxeados e ouvir alguém, já crescido, falar-me de vacas das antigas, daquelas que têm manchas pretas e brancas... Começava animado o fim-de-semana.
Depois de chegados à quietude do Alvito, o encontro feliz com a funcionária do Turismo local. A D. Dina mantém a porta do posto de Turismo aberta, até fora de horas se preciso e fala entusiasmada do Alentejo que descobriu há 3 anos e mostra-nos a rota do fresco, o percurso manuelino, a gastronomia, aumentando-nos o apetite para descobrir o Alvito que pensávamos ser apenas um sítio de estar de papo para o ar. Subitamente, ficamos com a ideia que o fim-de-semana não vai chegar. Algum fundamentalista diria que a senhora não é funcionária pública e que o Turismo do Alvito foi tomado por alguma empresa privada. Enganam-se, precisamos de encher esta terra de Donas Dinas.
Depois o ar pousado e sabido do senhor Alfredo que nos mostra a igreja de São Sebastião, os anjos músicos e nos passa de seguida para a esposa que nos leva a ver as grutas de Alvito de onde saíram as mós que fizeram o pão durante séculos. Pararam no século XV e só o senhor Alfredo sabe porquê. Quem quiser saber que vá lá ver. Mais não digo, mas ele sabe o que outros nem imaginam...
No sábado, Vila Nova da Baronia e sua igreja fechada. Mas as portas abrem-se que o senhor Otávio da loja ao pé da Caixa Agrícola tem a chave e a filha lá nos leva a visitar a igreja. Nas ruas, conversa-se calmamente, indiferentemente aos casamentos de Princesas, que a vida do povo não discute cores de vestidos nem decotes.
Bom foi ver mais tarde a melhoria das ruínas de São Cucufate. Agora com centro de acolhimento como qualquer Visitor Centre americano (excepto o pobrezinho parque de estacionamento). Per deu-se a descrição castiça do Senhor Pé Curto, mas ganhou-se a informação mais fundamentada do novo Ranger... Sente-se que o IPAR, existe e realiza e isso foi surpresa neste país de desencanto informativo.
Vou aqui deixar a referência ao Vila Velha na Vidigueira, um espaço agradável para provar açorda de beldroegas e migas de espargos acompanhadas pelo tinto local. A Vidigueira ficou por ver, mas depois do almoço, o principal estava feito, creio eu. E ficou por explorar porque queríamos voltar ao Alvito a tempo de estar na visita guiada à Igreja Matriz, às 15h. Afinal, houve atraso no almoço e só para 18 seria a visita que não fizemos. Melhor, fomos à barragem de Odivelas e encontrámos a Markadia, espaço alentejano recuperado por holandeses, onde a visão da barragem retempera do calor. Fica-me a ideia de uma semana em perspectiva, lá mais para a frente.
Domingo, foi dia de esperar pelo sol na beira da piscina, enquanto os pavões gritavam ao desafio com os vendedores da feira do tudo a um euro.
Uma passeata a ver as portas e janelas manuelinas em circuito bem desenhado no folheto que a D Dina nos deu na véspera, antes de largarmos estrada abaixo a caminho de Beja.
Beja parecia adormecida à hora do almoço, quase deserta. Os restaurantes fechados, que domingo foi feito para se descansar. Lá encontramos um de nome Floresta, onde a sopa de cação cheirava ao Alentejo todo.
Foi assim antes de rumar até às ruínas de Pisões. Uma nuvem negra espreitava antes da visita, deitado já alguns salpicos. Mas lá fomos que não somos turistas de desistir. Avançamos com o guia pela casa dentro, mirando os mosaicos enquanto a nuvem não desistia. O polícromo começava a ficar cada vez menos nítido com a distracção da chuva, que cada vez mais me ocupava. Em crescendo. Mas tivemos uma retirada digna sem precipitações (excepto a da água que nos ensopou as T-shirts). Que seria destas visitas sem incidentes destes? Que contaríamos depois, que nos ficaria na memória? Que resta das palavras dos guias ditas em catadupa sobre nós?
Pelo caminho para Lisboa imaginei-me noutro planeta. O da confiança, do progresso, do melhor dos mundos e fiquei a saber que se alguma coisa não correr bem daqui em diante, os culpados estão bem identificados. São, como ontem, os mesmos desestabilizadores de sempre. Vermelhos anacrónicos, que ainda se não renderam à história que o Imperador nos conta tão candidamente.
E só me faltava ontem ouvir aquela anedota da penalização do SLB. Mas anda tudo doido?
Anda! O Imperador vai destruir a prisão do Grau, Graih, Gralh, isso! Com essa destruição que pensa ele que destrói? A nossa memória persistirá, contudo e com tudo.

sexta-feira, maio 21, 2004

Eles não sabem, nem vêem

O ministro não adere à greve. E está no seu pleno direito.
Uma realidade é a sangria de médicos jovens (que são quem põe as unidades de saúde a funcionar) dos principais hospitais onde são formados. Pessoas com grandes capacidades, promissores, são desterrados para hospitais regionais ditos carenciados, enquanto que as vagas dos hospitais onde fizeram a sua formação estão fechadas saberá alguém a razão de tal realidade. Pessoas em quem se investiu, a quem se deu formação em técnicas que só nestes hospitais podem fazer-se. Técnicas que deixarão de se fazer porque eles eram os únicos que as dominavam.
É claro que nalguns casos será completamente impossível ao fim de tantos anos de estabelecimento num sítio, zarpar para outras terras. A família constitui-se, os consultórios organizaram-se, a vida está feita aqui. É uma aposta forte no seu abandono do sector público. São menos encargos para o Estado e potencial de mão de obra mais barata para os próximos hospitais das Seguradoras. Isto a mim parece-me tão óbvio, que às vezes me espanto.
Será o caminho mais indicado ir à concorrência, ao sector privado, buscar gestores para as decisões públicas?

quinta-feira, maio 20, 2004

Gestores

Curiosa esta inquietação jornalística com os vencimentos dos gestores públicos. Nunca há a mínima preocupação com o que ganham os privados. Parece que se parte da ideia que os públicos devem ser necessariamente mal pagos porque, na lógica entendida da imprensa privada, tudo o que é público não presta, logo deve ser mal pago. Se calhar é em gestores do público com qualidade que precisaremos de investir para pormos fim à pouca vergonha que vai pelo privado e pelo público. De uns sabemos quanto ganham, dos outros nada sabemos e o que sabemos é que o que ganham ninguém sabe, nem a DGCI!
Mas neste caso, a coisa parece-me complicada. Que tendência esta para se ir buscar ao poder financeiro, gente para este Governo! Com que dependências se vai para um lugar político? Será possível ser-se independente com os patrões de ontem ou ter-se-á que garantir eventualmente o futuro? Também aqui o contrato devia ser por objectivos, directamente proporcional à redução do montante da fuga ao fisco.

Bimbos!

Às voltas pelo Continente até passsar por um escaparate onde vislumbro pão sem côdea!!!!!
Laranjas sem caroços, peixe sem espinhas, carne sem ossos. Vida sem dificuldades? Bimbos!

terça-feira, maio 18, 2004

Deserto

Realmente, não é notícia que alguns ilustres fiquem molhados nos testes de canhões de água, nem importa quem foi seleccionado para o Euro. Quanto ao banho foi generosidade em dia de calor, quanto ao Euro não importa quem lá vai. Importante, sim é que venham depressa de volta, logo na primeira eliminatória, para podermos assistir mais descansados a outras jogadas preparadas para Junho, por exemplo, a decisão de privatização da Galp. Mas ou muito me engano ou o entertenimento está garantido, se ganharem festejaremos a vitória, se perderem comentaremos mais umas destruições de balneários e umas quantas agressões a árbitros que estes moços já têm bom curriculo de campeões. E tudo o resto, ficará escondido debaixo do pó dessas discussões fundamentais.
A ver vamos. Está calor e o ar condicionado da triagem deste hospital continua sem funcionar. É como nas enfermarias e nas consultas. Na Administração parece funcionar sem problemas.

segunda-feira, maio 17, 2004

A água a quem a bebe!

Vêm-me à memória histórias de agressões e mortes ouvidas na infância sempre relacionadas com águas mal divididas e roubadas. Na minha ingenuidade, não percebia a razão por que a água teria de ter dono. Para mim, bastava-me a das chuvas que corria pelos regos junto às casas e me permitia fazer barragens onde punha barcos de papel. Mas ouvia histórias de vingança pela propriedade da água.
Lembrei-me agora por ter sabido que este bem que é de todos e cai do céu também vai ser vendido a retalho para tapar o défice, em nome da eficiência. No princípio do mundo, provavelmente e as conservatórias do registo Predial me confirmarão, era de todos a terra, a água e o ar. Os homens fizeram o fogo e assaltaram a terra que mal dividiram entre si, agora vai também a água e no futuro? Será que vamos ter a propriedade privada do ar ou faremos fogo suficiente para já nem isso ter razão de ser?

domingo, maio 16, 2004

Foi lindo!


Foi lindo, carago! Posted by Hello

Os três de Mourinho

Bastante cedo, o dragão ficou atordoado. E foi bonito de ver aquela imagem do Mourinho, três dedos definitivos a prenunciarem a festa. O imbatível, o tal que não perde torneios nem jogos entre os grandes, mostrava ao mundo os três dedos, reconhecendo o que estava a contecer. Como era possível, meu Deus? Em dias normais já seriam 3-0...
Ao intervalo ganhava. Dentro da obediência aos conselhos de fazedores de imagem ia dizendo que o resultado certo seriam 3-2 para o Benfica. Fica bem aos vencedores serem magnânimos.
Mas depois foi-se o verniz. No fim berrava que tudo isto é uma farsa.
Tem razão, Mourinho, há farsas nisto tudo e saber perder é bonito. Não ficar com ar furibundo de mau perdedor é ser desportista. A imagem do ganhador que não perde, confunde-se com a de certos exércitos esmagadores, com a imagem do medo. Não têm sequer felicidade quando ganham, mantêm o mesmo ar agressivo de sempre. Bonita era a imagem do Eusébio a chorar em 66 depois do jogo... Simples como quando ganhava, sem o olhar vingador dos humilhadores. Acima de tudo gosto de vencedores felizes e solidários com os que perdem. Isto é tão simples...

sábado, maio 15, 2004

Cuidado que nem todos os sábados há sol

Muito importante é a gestão do tempo que temos. Nos últimos anos, tenho verificado uma solicitação crescente do tempo para reuniões que consomem imenso tempo e onde nada mais se faz do que um encontro no mesmo espaço e à mesma hora de pessoas que pouco têm que ver umas com as outras e que até nem gozam significativamente com o encontro (antes pelo contrário, muitas vezes). Fico frequentemente com a impressão de que no fim foi tempo perdido.
Hoje, depois de mais um destes episódios, decidi que irei ter mais cuidado com estas cerimónias de exibição de pseudoprotagonismos. Não encontro, realmente, interesse em qualquer construção colectiva, mas apenas sinais de auto-afirmação e a habitual lamentação da falta de tempo para fazer o que quer que seja, sempre com a insinuação de que estamos a produzir muitíssimo. Neste país, as pessoas não têm tempo para preencher uma simples base de dados. Em Londres vi muitas vezes consultores de endocrinologia ficarem horas ao fim das consultas a fazê-lo. Por isso uns têm, outros lamentam não ter.

sexta-feira, maio 14, 2004

Entramos como penetras, mas se a segurança da festa quiser, nós saímos...

Olhem só o resultado de se entrar sem convite. Estes também têm falta de boas maneiras. Hoje na SIC:
”Se o Governo interino [o órgão que ficará encarregue de governar o Iraque a partir de 30 de Junho] nos pedir para sair, nós sairemos, embora eu não acredite que o faça”, declarou hoje Paul Bremer durante um encontro com o governador e os responsáveis da província de Diyala, a norte de Bagdade. Eu também não acredito. Se fosse membro desse Governo, exigia que ficassem... para reconstruírem tudo o que estragaram.
”Evidentemente, não é possível ficar num país onde não somos bem vindo”, acrescentou este responsável norte-americano. Curiosamente, foi possível entrarem sem terem sido convidados, o que também não são muito boas maneiras

Paul Bremer sublinhou, no entanto, que ”a extinção da Autoridade Provisória da Coligação a 30 de Junho não significa que os Estados Unidos abandonem o Iraque”. Aliás, se forem embora a coisa está garantida: Figueiredo Lopes vai enviar a GNR

A claque dos dragodeputados

Depois não vão querer que os levemos a sério. Um dia depois de não terem conseguido votar uma lei que parece que era fundamental, porque não havia quorum, saem-se com esta de ir uma representação da Assembleia da República à final da Champions League. Tinha ideia que os deputados eram representantes dos cidadãos que os elegeram. Sendo o FCP que está a representar o País nesta situação, não entendo a necessidade de uma dupla representação. A claque dos dragões não deve precisar de reforços. Estão a imaginar, os senhores deputados a fazerem aquele grito quando o guarda-redes do Mónaco repuser a bola em jogo?
Uns mais avisados dizem que só pode haver uma representação depois de ter sido feito algum convite. Parece fazer sentido. Mas, neste caso, a coisa ainda é mais grave. Dada a cronologia dos acontecimentos, chegamos à conclusão que alguém se está a fazer convidado, o que sempre me disseram ser deselegante. Fica o dilema, se não houver convite, lá vão os nossos impostos pagar os bilhetes, os hotéis (cinco estrelas) e as viagens (em executiva)? È que se é representação, os senhores não irão seguramente pagar do seu bolso estas despesas.
Vá lá Pinto da Costa, diga que já tinha feito o convite aos moços que gostam do futebol. Desta vez ninguém vai acusá-lo de oferecer nada a ninguém. Uma sugestão, contacte aqueles seus amigos da Cosmos que já lhe têm organizado outras viagens para outros seus convidados.

quinta-feira, maio 13, 2004

Diz lá o que disseste

Depois de mais de 25 doentes numa manhã e a visão felliniana da consulta de obesidade no início da tarde, só a escuta das notícias me anima e diverte.
Este é um governo onde o Ministro Figueiredo Lopes decide e o Primeiro Ministro discute. Eu acho que eles só fazem isto para nos distraírem. Ou então, o Ministro já não faz parte do governo e anda para aí a decidir coisas sozinho ou a lançar boatos. O pior é que o homem não se cala e agora diz-nos com aquele ar categórico de sempre que o país não vai arder este Verão. Veremos, mas se ele o diz, cuidado!

quarta-feira, maio 12, 2004

A superioridade das ordens


Esta imagem é a de um robot a arrastar um prisioneiro iraquiano. A coisa que parece uma mulher, não é. Hoje, Lyndee England (a perfeição tecnológica dos americanos faz com que os robots tenham nome)numa audiência (os robots americanos falam tal é a superioridade tecnológica admirável daqule país)do seu julgamento (eles até julgam os robots que criam)disse que cumpria ordens superiores. É assim a cultura do exército de robots a que os americanos chamam exército libertador. Posted by Hello

O nosso fado: Futebol e Fátima

As notícias falavam-me dos peregrinos em marcha sobre Fátima. Todos os anos desde o anúncio do fim do Comunismo assim acontece. Com todo o sofrimento, avançam os pagadores de promessas feitas em altura de desespero. Gostei particularmente de ouvir a jovem que pagava a promessa pela sobrevivência do namorado que entretanto se casou com outra. Tudo se paga nesta vida e há males que virão por bem.
Quando saí para a rua, a fila tinha mais de 500 metros. Ar de esperança nos rostos a colorir de mais vermelho, se possível, os cachecóis que aqueciam os pescoços. Esperança grande para domingo. A festa só é possível se o Benfica ganhar. No caso do Porto vencer, teremos não festa, mas rotina. As imagens do ganhador Mourinho frente a mais uns espezinhados.
O dia começou assim num misto de desespero e de esperança. O meu país quase completo, só faltou o fado.

terça-feira, maio 11, 2004

De repente, deixei de saber se existo (urgência interna)

Algo de estranho se passou. Subitamente, este blog deixou de existir ou só existe post a post. Provavelmente coisas do novo blogger, não?

Crystal Clear

É quase sempre bom ler Chomsky. Para que permaneça, transcrevo (mesmo sem a autorização do autor):
May 10, 2004
Rwanda and Abu Ghraib
The past month was the 10th anniversary of the massacres in Rwanda, and there was much soul-searching about our failure to do anything about them. So headlines read "To Say `Never Again' and Mean it; the 1994 Rwandan genocide should have taught us about the consequences of doing nothing" (Richard Holbrooke, Washington Post); "Learn from Rwanda" (Bill Clinton, Washington Post). So what did we learn?

In Rwanda, for 100 days people were being killed at the rate of about 8000 a day, and we did nothing. Fast forward to today. In Africa, about 10,000 children a day are dying from easily treatable diseases, and we are doing nothing to save them. That's not just 100 days, it's every day, year after year, killing at the Rwanda rate. And far easier to stop then Rwanda: it just means pennies to bribe drug companies to produce remedies. But we do nothing.

Which raises another question: what kind of socioeconomic system can be so savage and insane that to stop Rwanda-scale killings among children going on year after year it's necessary to bribe the most profitable industry that ever existed? That's carrying socioeconomic lunacy beyond the bounds that even the craziest maniac could imagine? But we do nothing.

So what was learned from Rwanda. And why isn't it a story? I think the reason is clear. It's too hard to look into the mirror. In the case of Abu Ghraib, we can say someone else is responsible.

Noam Chomsky

segunda-feira, maio 10, 2004

Peço desculpa, mas isto não pode ficar assim

Blair pede desculpa. Bush pede desculpa. Rumsfeld pede desculpa.
A ponte caiu. Jorge Coelho devia ter pedido desculpa. A filha tentou dar o golpe. Martins da Cruz devia ter pedido desculpa. Os negócios não correram tão bem como previsto. Vale e Azevedo devia ter pedido desculpa.
Desculpem qualquer coisinha...
Mas já alguém aceitou as desculpas e disse estão perdoados? Nesse caso por que esperam para assumirem a punição merecida. A propósito já pediram desculpa por terem enganado meio mundo com a história das armas de destruição maciça? E tu DB, por que esperas?


domingo, maio 09, 2004

American soldier

O retrato do soldado americano no Iraque:
"He is armed to the teeth and has a massive body," Khalil said. "But his head is small to make him look empty." Uma obra de arte entre outras citadas no yahoo.com


Igualdade

Champallimaud morreu como todos. A morte é o único momento em que todos somos iguais, o fim de todos os privilégios. Pena é que, depois dessa experiência de igualdade, se não possa fazer um post a dizer se sentimos ter valido a pena tudo o que fizemos pela desigualdade do mundo.

sábado, maio 08, 2004

Sorte

Da mesma forma que não espero que me deem a resposta na volta do correio quando me dirijo a alguém nesta terra, espero que demore apenas umas horas a ter a resposta a uma mensagem de correio electrónico quando envio alguma para os Estados Unidos. Tenho mesmo a impressão, muitas vezes, de que lá as pessoas estão permanentemente ligadas e assim que o meile chega, isso implica um resposta quase imediata como se fosse um telefone que toca.
Desta vez a resposta da reserva de um hotel em NY demorou cerca de 24 horas. Uma eternidade depois de ver o débito lançado no cartão de crédito. Mas, mais uma vez, tudo correu bem. É um tempo de eleição este em que vivémos. Onde podemos planear, fazer reservas, quase ver as nossas férias antes de as termos visitando os locais aonde vamos. Ter a possibilidade de estar no início desta era, acompanhar e viver esta história da Internet quase desde o início é um imenso privilégio. Sorte de homem do hemisfério Norte.

sexta-feira, maio 07, 2004

Experiência

Mesmo reconhecendo que a ameaça era remota e inverosímil, invadiu-me um desconforto estranho. A partir de agora, terei mais cautela quando me apetecer dizer aos doentes que a probabilidade de neoplasia não vai além de 5%. Na verdade, nestas circunstâncias, a epidemiologia pode mesmo ser ofensiva, porque cada doente é um possível candidato a um desses cinco por cento. E vai sê-lo todos os dias até saber o resultado da biopsia.

quinta-feira, maio 06, 2004

Homem nu com trela

Título para um quadro a negro inspirado na formação humanista dos autores. As escolas de virtudes das Academias Militares produzem estes criadores. Mas não devem esquecer-se neste momento as imagens de exibição de caça, que foram divulgadas na altura da prisão do Saddam. Não terão estes, agora, seguido apenas a arte do Mestre Bush?
A guerra é sempre um espectáculo feio, muito feio mesmo. De uma forma geral, tentam os Homens apagar das suas memórias as imagens que viveram. Curiosamente, estes soldados deleitaram-se a registá-las para mais tarde recordar. Quanto ódio não foi instilado nas suas cabeças? Quanto primitivismo sub-humano é necessário para suportar uma guerra sem sentido, de forma acrítica, sem recuar um instante?

quarta-feira, maio 05, 2004

Doutrina

Gostaria de poder considerar verdadeira esta notícia, mas efectivamente tal não é possível. Na segunda-feira, o que se comemorou foi a véspera do dia em que o FCP ia jogar na Corunha, ontem a vitória do FCP na Corunha, hoje a festa dos adeptos do FCP que às duas da manhã os esperavam no Porto. Não é para menos, ganharam por dezenas de golos a fazer fé nos relatos da TSF com golo do Ninja de meia em meia hora...
A liberdade de imprensa, possivelmente, devido a alguns contrangimentos de que o autor da notícia fala, resume-se a isto. E é para isto que temos a chamada liberdade de imprensa com os tais constrangimentos. Liberdade de doutrinação?
Para terminar, congratulo-me com o riso do Mourinho no fim do jogo. O Mister quando ganha, sabe rir. Essa foi a melhor imagem do jogo. Afinal, o homem não será tão amargurado quanto parece.

terça-feira, maio 04, 2004

Relações

O maior poder é ficar com a sensação de que se não usa todo para que o outro possa ter o seu, mesmo quando o nosso é bastante maior que o dele. O doente sempre está nesta relação na posição de baixo. O saber, pretensamente, no médico, dá-lhe poderes. Dosear este poder e transformar a relação em confiança, é o que se deve exigir a quem domina. Exigir ao doente que assine uma declaração a dizer que se responsabiliza pelo não internamento é muitas vezes fruto de uma realção episódica, em que não houve tempo suficiente para se criarem laços de confiança. Creio que ninguém gostará de o fazer e só numa sociedade de intolerância tal será possível. O risco partilhado, porque de um e outro lado há bons motivos para assumir as atitudes que se tomam, é a solução mais gratificante e responsabiliza ambas as partes. A sensação que dá é que o doente vai para casa mais bem tratado do que ficaria se fosse internado. Mais não seja porque não foi violentada a sua vontade com a prepotência do poder do médico. Nesses momentos, a relação assume uma dimensão de grandeza que satisfaz, não angustia.
E fica a ausência de remorsos por se não ter condenado à fome o cão sozinho em casa. Aconteceu-me hoje, pela segunda vez, uma doente não poder ser internada por ter um cão sozinho em casa. Amor com amor se paga.

domingo, maio 02, 2004

Um momento de alienação

A hora é de unidade. Depois das emoções fortes de hoje, podemos ainda ter, em conjunto, um momento da nossa alegria possível: festejar a vitória na final contra o FCP. Todos juntos contra o sistema!

sábado, maio 01, 2004

Estive fora, mas li e chateei-me

Para os novos ricos da democracia, gostava de lembrar que naquele tempo nem tudo era desaproveitável. O Totas era o reitor do Camões, uma figura sinistra meio padre, meio pide. Mas teria sido boa escola para alguns ministros do estado a que isto chegou. O Totas era implacável. Quem mascasse pastilha elástica na aula era posto na rua. Bons exemplos que se perderam.
Além de intriga mal educada, que produziu até hoje tal personagem? Que dívida terá o país a pagar a gentinha desta?

Foi diferente nessa altura

Foi há 30 anos. O primeiro dos Primeiros de Maio. As ruas de Lisboa alagadas de gente renascida. O povo unido jamais será vencido! A pele arerpia-se ainda hoje, quando a memória reaparece. Naquele tempo havia uma fúria de vida. Não, não era evolução que queríamos naquele dia. Era um grito que exigia mais. O grito do fim do medo. Era a certeza de que unidos venceríamos. Mas a evolução nos dividiu. O meu Primeiro de Maio foi este ano em Itália há uns dias atrás.

sexta-feira, abril 30, 2004

Impressões na sede do ex-Império

23-4-04
Janto no Transatlântico a pensar noutro jantar em que me apetecia estar, lá junto ao Atlântico e em boa companhia.
A Itália do sul surge depois de algum atraso por tempestade na chegada a Munique. Cheguei a um estado em que andar às voltas no ar não me preocupa minimamente. Tudo vai correr bem como sempre.
Por que será, então, que me preocupa manter esta economia do olhar e evito o esbanjamento consumista das palavras? É muito melhor olhar o sol a pôr-se vermelho por cima da asa do avião e a recortar de vermelho os contornos das nuvens do que participar na conversa estafada da comida de companhias aéreas ou das últimas compras de limoncello. Mas, de qualquer modo, às vezes até apetecia ser diferente. Refugio-me no La Republica, onde fico a saber que em Itália, tortura é só da segunda vez. Agora, a polícia pode usar meios menos convencionais com alguém, porque por uma lei deste governo, tortura implica a ideia de repetição. À primeira vale tudo! Estes italianos são loucos!
Mas os médicos vão manifestar-se na rua, amanhã, pela defesa do Serviço Nacional de Saúde.
Tinha uma vaga ideia de Sorrento. As casas penduradas escarpa. Desta vez posso ver o mar aqui por baixo da janela do quarto. É noite e o Vesúvio dorme sossegado do outro lado da baía.

24-4-04
Herculano fica a cerca de uma hora de comboio de Sorrento. Na fila para o bilhete de comboio, uma americano exige o money back, porque o autocarro não chega há uma hora. Os comboios pinchados e com ar suburbano, de outros tempos, funcionam a horas (melhor, aos minutos). Têm excesso de música ambiente, de crianças a tocar acordeão e outros saxofones bufados por alguns com ar de desemprego que não promete terminar aos cinquentas anos. Nos placards de rua, Berlusconi, lembra-me Santana Lopes, anunciando a obra feita. Cada vez mais me parece que devia ser vedado aos políticos comprarem espaço com o dinheiro dos impostos para propagandearem a sua acção. É um insulto à inteligência.
As ruínas da cidade, menos imponentes, mais limitadas que as de Pompeia, são ainda assim, curiosas. Mais não seja pela novidade de as casas chegarem a ter 3 pisos. A visita é rápida pela necessidade do trabalho que espera.
Sente-se a pobreza destes sítios. Nos olhos dos miúdos, na forma de vestir a lembrar-me a minha terra alguns vinte anos antes. E a desordem urbanística total e o trânsito caótico com sinais luminosos possivelmente para colorirem as cidades. Só para isso, que, por aqui, ninguém os vê. Estou snob de civilização.
Mas gosto de ver toda esta roupa estendida nas varandas, a apanhar sol. Um hino do sul onde a roupa vai respirar depois de dormir.

25-4-04
Desencantam-me estas companhias que passam por este dia, meio envergonhados com a lembrança, como se nada tivesse acontecido. É bom lembrar, ainda que sozinho.
Há 30 anos era dia de ir ver a nota de Anatomia Topográfica. Era, mas não foi. Foi dia de estar de orelha no rádio e depois na televisão espreitando a vida que começava a acontecer lá fora. Já perto da noite, foi quando comecei a ir à rua comprar jornais e o República anunciava que não estava censurado. Havia caras novas nas pessoas da rua ou era a minha forma de as ver. Alguma descontracção de irreversibilidade depois de, ainda a meio da tarde, uns rumores terem falado de GNR a resistir. Mas foi irreversível, apesar de à noite, uns quantos generais terem aparecido a prometer Evolução. Tiveram apenas uma vitória transitória como são todas as que contrariam o sentido da história (mas houve uma que durou mil anos!). Há pois que ter cuidado, que eles continuam a andar por aí e até já fazem que alguns se envergonhem da lembrança.
A tarde serve para uma redescoberta de Positano com tempo para fotografias antes de mais uma cerimónia gastronómica. Cansativos estes dias de conversas ocas.

26-4-04
Há dias assim, predestinados para uma coisa e sai tudo diferente. De manhã, espreitando pela janela, o mar lembrava-me Peniche e a travessia para as Berlengas. Não, não me pareceu boa ideia ir a Capri. O Vesúvio, ali do outro lado, pareceu-me mais sensato.
No meu comboio já familiar até Herculano. Lá, logo à saída da estação, tive de esperar quase uma hora pelo Blue Bus, que trepa pelo monte, numa estrada alpina, em esforço na subida. Nas margens da estrada, a terra é pedra pomes cheia de vegetação, duma verdura reconfortante depois do fogo. O Blue Bus tem uma primeira paragem onde nos entra pela porta um simpático velhote de 70s, que num inglês perfeito, pergunta se alguém fala italiano. Não, ninguém, mas todos estávamos prontos para o ouvir em inglês. E conta-nos a história dele, do guarda do Vesúvio. Andrea De Gregorio viu o vulcão explodir em 1944, ainda jovem. Depois, em 1952, foi destacado para lá e isso permitiu-lhe fugir à fome que diz imperava por estas bandas. Criou uma loja de vendas de recordações e ali ficou a receber turistas de todo o lado, entrando pelos autocarros. Mostra-nos o local onde existiu o funicular que fez existir a Funiculi funicola, a canção popular napolitana, e depois o teleférico, acabado quando um raio o partiu. Pensou-se na reedificação o teleférico, mas foi então que uns tipos do greenpeace acharam que o impacte ambiental era excessivamente negativo. Por isso, actualmente algumas centenas de autocarros vão para cima e para baixo a bem do ambiente. E nós, pobres curiosos, depois de o autocarro subir mais um pouco, contornando um rio de lava até chegar ao parque final ladeado de bares e tendas das vendas habituais nestes casos, temos de trepar durante um quarto de hora um caminho com 14% de inclinação para chegarmos à beira da cratera e ver uns fumitos do bicho que dorme 8 quilómetros por baixo, perturbando o sono de algumas centenas de milhar de habitantes lá em baixo, nas margens do golfo de Nápoles que se avista daqui de forma única. Mas Andrea, que vive ali há 52 anos, garante que o Vesúvio está tranquilo, ele que já o viu zangado. Tem um ar tranquilo, este Andrea. Mas gostava que o teleférico viesse.
Depois é a descida até ao parque de estacionamento, onde, incautamente, o alívio da bexiga distendida custa nos WC pré-fabricados de plástico a módica quantia de 1€. Mais vale, por esse preço, descer mais um pouco até ao bar, beber um café e ir tranquilamente à casa de banho... antes de tomar o Blue que vai serpentear encosta abaixo fazendo as curvas todas na contra-mão, em tangentes aos pares com que se cruza, obrigando ao recuo dos carros pequenos que sobem. Um verdadeiro festival de condução napolitana.
Quando chego ao Hotel, fico contente por hoje não haver jantar programado. Apetece-me ficar aqui na varanda, ao pôr do sol, a olhar o Vesúvio que se vai apagando lentamente até amanhã. Um barco de cruzeiro apita na partida, estragando o instante. O mar está calmo, para me levar amanhã até Capri?

27-4-04
Acabou a reunião, duas horas antes para mim para estar a tempo no jetboat que me levou a Capri neste dia quase de Verão. A viagem neste barco dura 20 minutos durante os quais a península de Sorrento vai desaparecendo à esquerda e surge em frente Capri como um tricórnio. Deste lado da ilha, a paisagem não impressiona, são simplesmente casas brancas, banais dispostas pela encosta acima. Antes de sair do porto sou vítima de publicidade enganosa: Visite a gruta azul 8€. Na bilheteira, um aviso breve de que não inclui o barco a remos para ir à gruta. Isto é, não se trata de visita à gruta, mas da viagem até ao barco a remos que vai à gruta. A viagem faz-se ao longo da parede da ilha e à chegada uma multidão de barcos destes, aguardam a abordagem de pequenos barcos a remos para onde saltamos e vamos de cú no chão por motivos que daí a pouco iremos perceber. Com sorte fiquei na proa, sozinho. O par da popa teve prémio de uma americana jovem para aí com uns 120 kg... It’s cold in Ontario! Já no barquito a remos lá nos leva o barqueiro até outro barco maior, onde somos abordados para comprar o bilhete de ingresso (4€) e os serviços do barqueiro (4,3€). Achei piada que ele ainda se fez ao troco! Pois então são 8,3€ para entrar num buraco, onde subitamente ficamos às escuras até que as pupilas se adaptem e comecemos a ver a água de cor azul turquesa. Depois, em não mais de dois minutos, damos uma volta para nos dizerem que o Tibério ia ali tomar banho e ainda temos tempo de ver que a reflexão da luz na parede branca da gruta a pinta de azul num breve instante antes de sairmos. Na pior das hipóteses este barqueiro ganharia 100€/hora, muito acima de um especialista hospitalar em tempo completo prolongado. Claro, que quem ganha é o dono do barco (essa é ainda uma hipótese pior). Isto durará há muito tempo? Não sei, mas para os que lerem e para mim (si retornare a Capri) gruta azul nunca mais! Regressemos à Marina Grande para ir ver Capri.
Foi bom comer tostone, uma tosta mista com mozarella e tomate, no Caffe Caso na Praça Umberto I, uma das esplanadas francesas que ocupam a praça toda deixando um corredor ao meio para os turistas chocarem uns com os outros. Combustível suficiente para dar um passeio primeiro por uma viela desabitada, à direita de quem entra na praça vindo do elevador, onde os gatos comem restos de comida de turista (cuidado bichos que ficam gordos). Arcos e portas de madeira, mas sempre a descer a convidar ao regresso à praça, que nunca se sabe até onde se desce...
Da próxima desci pela ruela da esquina da praça e fui-me deixando andar. Um mundo diferente, cheio de turistas, barulho e hotéis, que são anunciados pelos guias como custando a noite 350€. Isto agora é moda por aqui, já há dias tinha ouvido outra falar com admiração destes preços. Já fizeram as contas a cada minuto de sono? Nem pensar dormir, companhia obrigatória. Já tinha visto numa imobiliária que alugavam casas em Agosto por 30000€ por semana.
Deixei-me ir em direcção aos Farilhões, uns pedregulhos espetados no mar como os das Berlengas. Junto deles um hotel onde Churchill e Eisenhower definiram os destinos do mundo. Ao menos tinham bom gosto estes tipos, não iam para uma base aérea metida no meio do Atlântico. E fumavam puros, eram gordos e pensavam. Os tempos têm recuos de vez em quando. E volto à praça de onde partem todos os caminhos. Agora em direcção ao Arco Natural (saída por um arco no meio de um prédio amarelo). É só seguir as setas, mas o caminho a certa altura parecia não terminar. Mas lá cheguei após novo susto de escadarias no fim do percurso sempre a descer, e muito!, e com ritorno pelo mesmo caminho. É um recanto repousante para depois da caminhada, com visão do verde do mar lá no fundo. A correr que o barco de volta é às 4.20. Cheguei a tempo com descida pelo descedor, que já não houve tempo para voltar a pé pela estrada ou por outro lado qualquer. Anacapri fica no segredo dos deuses ou das sereias. Que a guardem.


28-4-04
Era para ser um dia de viagem sem história.
Pela janela espreitei, recostado na cama do quarto, pela última vez, o Vesúvio a despedir-me dele e deixei-me ficar ali sossegado, enquanto o mar da baía mais parecia um lago por baixo da porta da janela. Acordei com sabor a domingo.
Chegados ao aeroporto, foi a festa. As imagens de Abril nas bandeiras vermelhas da CGIL e de outros sindicatos, os locais de check-in todos ocupados. Não há check-in, ninguém voa em Itália hoje, que os sindicatos desencadearam uma greve sem aviso. Os olhares da esperança e do saber da força descoberta. Sem eles, o mundo pára se for preciso. É isso que gritam os apitos, num coro de cigarras ensurdecedor sempre que alguém dá alguma informação nos altifalantes do aeroporto. A polícia de choque ainda chegou a aparecer, mas foi-se embora. Pelas 6 da tarde, a luta acabava por hoje. Amanhã irá continuar. Amanhã e sempre que eles quiserem. Tudo termina com um comunicado à população lido pelos grevistas. Será esta a via correcta, a das greves politicamente incorrectas?
A solução foi a deslocação do grupo para o aeroporto de Bolonha de onde, em princípio, partiremos amanhã. Uma viagem de autocarro pela Itália, por esta terra que também já foi Império. Pela auto-estrada fora, senti-me como se estivesse a passear nos States e, por momentos, imaginei que será assim que um dia se passeará nos EUA: com o sentimento de que aquela terra também foi, há muitos anos, sede de Império. Os Impérios acabam sempre. Com esta tranquilidade cheguei a Florença para uma noite de recurso no Villa Medici. 650€ por noite! Estes italianos estão loucos! E já não são só eles, pelos vistos.

29-4-04
Por Madrid até ao sossego de Lisboa. O retorno às imagens de que gosto ou a substância da saudade.


sexta-feira, abril 23, 2004

Intervalo

Intervalo por uns dias, com 25 de Abril pelo meio. A menos que, os hotéis da Europa tenham já dado o salto para a Internet por cabo.
Saiam à rua pelo 25 de Abril, sempre. Há um R necessário na evolução.

quarta-feira, abril 21, 2004

A banda maaazca

A obesidade é um drama de terras onde os dramas maiores da fome não existem. Pessoas bem adaptadas geneticamente para a privação, são actualmente confrontadas com a abundância e grandes poupadores que eram, aforram e distendem o seu capital de adipocitos. Sem perceberem, pondo ar de vítimas. São vítimas de quase tudo. Dos comprimidos, da água, dos nervos, das glândulas. Quase tudo, porque da comida que comem não são vítimas. Na verdade, não é a comida que nos engorda. Aliás, nem se percebe como comendo tão pouco, se aumenta assim de peso. Pois é, são apenas vítimas da genética e da alimentação idiota que existe a cada esquina.
Mas não se identificando o inimigo, o combate torna-se mais complicado, mesmo sem solução. Na verdade, as glândulas funcionam bem (por que raio continuarão a ir aos endocrinoilogistas?), a água não tem calorias, os comprimidos também não e os nervos coitados deles. Engordam só porque ingerem mais energia do que a que gastam. Ponto final! De maneira que a única solução é modificarem-se os hábitos depois de se identificarem os erros.
Mas não, ouvi falar na televisão de uma coisa, uma banda maaazca (mágica) que as pessoas põem e depois ficam magrinhas. Era isso que queria que o senhor doutor me pusesse. Para eu emagrecer e deixar de ter dores nas costas e melhorar da tensão e da diabetes. Ai se eu soubesse pôr bandas maazcas! Diga-me lá, minha senhora, como é que acha que a banda gástrica faz perder peso? Os olhos ficaram incrédulos, sem perceberem bem a pergunta. Será que eu não sabia o que é a maaazca (magia)? Então eu explico, essa magia é deixar de poder comer nas quantidades que fazem engordar, é ter um tirocínio de vómitos mais ou menos longo sempre que se tenta comer mais, é sensivelmente o que se propõe com uma dieta com baixas calorias. No fundo, nem difere muito de cirurgias ao estômago que se faziam sem propaganda televisiva. O grande avanço que justifica tais notícias é que o empecilho ao apetite agora é fabricado industrialmente e há uma pressão de vendas importante. E mais não digo, que não sou mágico (maaazco).

Notícias da TSF nesta tarde de chuviscos

Quando ouço perguntar, quais acha que podem ser as consequências das detenções do futebol para o país quando o Euro é dentro de 2 meses?, fico com a impressão estranha de se a pergunta não será, não acha que se devia ter adiado esta cena mais uns tempos?. Parece-me haver alguma tristeza nestes perguntadores. Mais uma vez parece que a táctica deve prevalecer sobre os princípios e aquela expressão, doa a quem doer, cai por terra. Tudo se submete a interesses circunstanciais, isto é a imagens que devem ser defendidas contra o que tiver de ser. Saber viver, assim chamado.
E fiquei a saber que à porta do Tribunal se distribuíam bonés de apoio ao Major (fraca carreira militar esta, major na sua idade não é muito...) e que o povo enfiava o boné e gritava, Major amigo, o povo está contigo. São imagens deste país e deste povo (exacto, tudo com minúsculas, exepto o Major, claro!)

segunda-feira, abril 19, 2004

Notícias a que temos direito

O título é Ministro nega epidemia. Assim lido fico sem saber se alguém a afirma. Na verdade, só faz sentido negarmos alguma coisa que outros afirmaram ou então estamos a falar de não-realidades. Ora se são não-realidades, não devem ou não deveriam ser notícias. E tudo isto parece que começou por ser uma notícia de um telejornal. Não fosse isso e seria como todos os anos tem sido. Mas é assim, não havendo notícias, haja desejos de notícia, suspeitas de notícias, qualquer coisa. Tudo menos mostrar-se a realidade, essa é demasiado chata e não é para nos chatear que existe a Informação. A função da informação pode muito bem ser fazer-nos sonhar, mais do que mostrar-nos a vida. Chomsky falaria em doutrinação, talvez.
E já agora se o Ministro diz que não há epidemia, é caso para ficarmos de pé atrás, que estes políticos, a gente já sabe como são... Daí o título da notícia nada tranquilizante.

domingo, abril 18, 2004

Fim de tarde na TVI

Foi divertido hoje ir à missa de domingo à tarde na TVI. O Bispo Marcelo, inspirado como sempre, mostrou como Bush e DB são inteligentes, o ministro da administração interna ingénua e os líderes de esquerda incompetentes. E nós seguimos em paz e que o senhor nos acompanhe. Ri-me um bom bocado. Recomendo.
Esteve razoável sobre o adenovírus. Afinal, o tal bicho já nos tinha visitado noutros anos, só que agora estamos mais despertos para o problema. Depois a tranquilização de que o problema não é motivo para alarme. Vindo dele o país vai passar a dormir tranquilo, já que a mesma afirmação feita reiteradamente pela Direcção Geral de Saúde é sempre suspeita. Este é o país onde o parecer técnico é sempre subjugado pela pergunta de um jornalista ignorante. A técnica é nunca esclarecer as dúvidas questionando técnicos, por exemplo, nas Universidades. Mais vale a opinião do primeiro transeunte que cai à frente do microfone de um jornalista inquieto.
E depois, nem sei a que propósito, aquela nota de rodapé a chamar a atenção para a ponte sob o Guadina. É o preço das políticas de baixos custos com pessoal. Em vez de pontes, temos túneis (informação subterrânea).

sábado, abril 17, 2004

Mais estupidez

Assassinado mais um líder palestiniano. Mais umas centenas de milhares de mísseis e o problema do médio oriente fica resolvido, pensa Sharon.

sexta-feira, abril 16, 2004

Basta de estupidez!

Hoje comecei mal o dia. Na TSF dizia-se que o DB tinha criticado o Primeiro Ministro espanhol por este admitir retirar as tropas do Iraque. E fê-lo em termos perfeitamente lamentáveis agora que já nem é jovem militante do MRPP. O fulano teve uma recaída e insinuou que o motivo da retirada seria tentar-se ficar mais imune a um qualquer atentado terrorista e que essa retirada não tornava a Espanha mais segura do que nós estaríamos mantendo os nossos GNRs por lá.
A história é outra bem diferente. Primeiro, que se saiba Zapatero e o PSOE sempre se manifestaram contra a entrada da Espanha na guerra do Iraque. Segundo, apresentatram-se às eleições com a promessa de retiraraem se o quadro da invasão não fosse entretanto alterado. Terceiro, ainda parece haver na política pessoas que depois de prometerem nas campanhas eleitorais, uma vez eleitos, honram as promessas feitas. É que ao votarem como votaram, os espanhóis, também votaram na retirada. Da mesma forma que os portugueses terão votado com a ideia de que os impostos iriam baixar, as reformas iriam aumentar, por exemplo. Só que uns cumprem, outros não. O que faz perder a cabeça ao DB é que os argumentos que o fizeram optar pelo seguidismo em relação ao Império, vão caindo um depois do outro. As armas de destruição maciça continuam muito bem escondidas e o célebre argumento de que alinhávamos com os nossos aliados mais antigos e os nossos vizinhos também começa a desmoronar-se. Realmente, alinhámos porque não somos capazesde ter perante os americanos, outra posição que não seja aquela em que se perdem as guerras. Por isso não escolhemos a posição dos franceses e alemães. Há que procurar um alinhamento europeu, a América fica longe e esta então é uma miragem até Novembro...
Finalmente, o que não pode admitir-se a um PM é que admita que as opções de participar ou não numa guerra sejam determinadas pelo cálculo dos riscos. As guerras são justas ou não e quando são justas todos os riscos são toleráveis e aceitáveis. Quando não têm razão de ser (como a actual) persistir no erro é simplesmente estupidez. O problema não é errar, é não aprender com os erros. Ainde se lembrará disto, DB?
E não se pode admitir que a estupidez possa pôr em causa relações entre países, que terão de ser vistas sempre com o chamado sentido de Estado. Sinceramente, para estúpido já nos basta ter que aturar o Imperador!

quinta-feira, abril 15, 2004

Globalização do feudalismo

Terá sido Deus quem pôs os ricos e os pobres na Terra? E de quem era o planeta, antes de cá chegarmos? O problema é que naqueles tempos não havia Conservatória do registo de Propriedade. A história de tudo isto anda a ser muito mal contada e está muito longe de ter chegado ao fim. Arqueólogos, precisam-se! É gigantesco o trabalho a fazer. Não é fácil perceber este crescimento, sim, o crescimento do afastamento entre um grupo cada vez mais pequeno de senhores e um grupo cada vez maior de servos. Esta globalização do feudalismo.
Nem sei a que propósito vem isto, talvez dos romances ou da falta de notícias. Ou da paz. Da paz da lucidez em que algumas vezes mergulho; seguramente não seria da que o Bin Laden nos oferece...

quarta-feira, abril 14, 2004

Para além dos trópicos

Nestes dias os raptos no Iraque já são banais, as pneumonias por adenovírus triviais, os discursos do Imperador simplesmente iguais. Nada me surpreende. Melhor mesmo é não ouvir notícias, olhas só para elas, todos os dias marginais à rotina. Mesmo bom nestes dias assim a leitura de um romance. Equador, só ele me causa alguma surpresa.

terça-feira, abril 13, 2004

Mistérios da minha terra

Parece que em Junho vamos ter o Euro 2004. Para ajudar os portugueses a comprarem os bilhetes para o Euro, o Governo anuncia para essa altura um aumento da pensão mínima de 2%, isto é para 212,16€. Está certo, conferi, é mesmo assim com a vírgula colocada no sítio certo. E pensaríamos nós que esta fortuna é o que ganha uma minoria muito mínima dos portugueses. Santa ignorância! A coisa atinge mais de 2500000 portugueses. Portanto, o investimento de 4 € por cabeça em mês de eleições até é capaz de ser razoável. Bem hajam os nossos grandes governantes!
Parece pouco, mas quase dá para o leasing do Mercedes que inclui revisões e seguros (500€/mês) Oh pai, 500€ não é muito dinheiro, pois não? E eu que ainda não tinha entendido por que se estavam a vender tantos Mercedes...

segunda-feira, abril 12, 2004

Rebeldes ou patriotas?

No fim do fim de semana, ouço com espanto no noticiário que neste dia os rebeldes iraquianos tinham atingido um helicóptero americano em Bagdade. Não recuam nos adjectivos os jornalistas objectivos que temos. Rebeldes são os que contestam o invasor. Noutras circunstâncias seriam o quê, patriotas? Sim, uns tipos que defendem o país deles da presença de um invasor, o que são, rebeldes ou patriotas?
Nota, estes rebeldes não terão dantes apoiado o ditador e não têm em seu poder, que se saiba, armas de destruição maciça. São apenas rebeldes como todos os que não gostam de hambúrgueres e coca-cola. Just that!

Diferenças

Lembro-me, vagamente, de umas semanas santas com muito roxo em que o tempo ficava cinzento a condizer com uns discursos de padres tenebrosos, os padres e os discursos. Desta vez, o sol brilhou e o céu ficou azul e o tempo frio. Só eu me constipei. Mas os tempos estão mudados.

sexta-feira, abril 09, 2004

Santa sexta-feira

Rigorosamente, todos os anos à sexta-feira a prolongar o fim de semana para 3 dias. Valeu-lhe, com toda a justiça, o título de santa.

quinta-feira, abril 08, 2004

Erro genérico do jornalismo

No Hospital de Lagos, morreram duas pessoas jovens, aparentemente sem grande justificação. A Inspecção Geral de Saúde concluiu, erro humano. A Ordem dos Médicos, fala de genéricos.
Ainda continuo sem perceber para que serve a Ordem dos Médicos. Afinal, a humana que errou já está suspensa e os genéricos em causa continuam a usar-se aparentemente sem que grande mal venha ao mundo. Mas alguma coisa me faz adivinhar que é a suspensão que vai ser levantada e os genéricos que vão ser suspensos.
E que tal informarem-nos depois de se ter esclarecido tudo isto nos locais próprios. Ou será que o jornalismo tem por função primordial pressionar os investigadores e não tanto o objectivo de informar?

Desta já me safei ou os outros que se lixem!

Que bom que deve ser para as famílias dos militares que partiram agora para o Iraque verem estes que regressam, quase, unanimemente, dizerem, para o Iraque nunca mais! Será que pensavam que iam só buscar tapetes? Custa-me a aturar este tipo de coisas!
Ainda assim, prefiro a história da mãe americana que foi lá ao quartel levar bolinhos ao filhote...
Pessoas, umas mais outras menos, todas vítimas de uma guerra idiota.

É o desporto, estúpidos!

É bom que nos informem, que saibamos as causas das coisas. Assim, ficamos mais tranquilos, ainda que fiquemos exactamente a perceber o mesmo que tínhamos percebido antes de sermos informados. A tranquilidade que dá saber que o Feher morreu porque tinha hipertrofia moderada do coração! Finalmente, vamos dormir mais tranquilos, pensando que temos uma hipotrofia do coração porque não fazemos desporto. E ficamos tranquilos de coração pequenino. Afinal, o nosso coração destreinado, minúsculo até pode ser uma vantagem. De vez em quando vem dizer-nos que o exercício físico é saudável. Mas cuidado, aumenta-nos o coração! Certas notícias, por contraditórias, deixam-me inquieto. Mas é só aqueles que como eu, sabem que o exercício físico aumenta o tamanho do coração. Do coração e dos outros músculos todos. A única coisa saudável, é rir. Rir com o ar com que os nossos pivots televisivos nos anunciam, com o ar mais sério deste mundo, que a causa da morte do Feher foi a hipertrofia moderada do miocárdio. Sem apontarem o culpado, eles que tanto gostam de culpar alguma coisa: é o desporto, estúpidos!

quarta-feira, abril 07, 2004

Pequeno contributo para mais uma teoria da relatividade

Arrepíamo-nos com 200 mortos em Madrid ou 3000 em Nova Iorque. Os meios de informação falam à exaustão do problema, repetindo vezes sem conta as imagens para engrandecerem a tragédia. Curiosamente, até me parece, pelo que vejo, que os 200 de Madrid são mais que os 3000 de Nova Iorque. A dimensão do drama varia geometricamente na razão inversa da distância. Temos esta sábia capacidade de relativizar.
Só por isso, há dez anos, tolerámos sem uma intervenção civilizacional o drama do Ruanda. Bem por isso, porque a maior parte das pessoas pensa que o Ruanda é noutro planeta e porque os líderes da civilização tinham já concluído que naquele lugar os recursos naturais não justificariam os custos de uma intervenção...
Um milhão de mortos é como se morressemos todos sem excepção em Lisboa, não é? Todas as ruas cheias de cadáveres amontoados. Bom, aqui era pior, porque o branco da pele contrastaria mais com o alcatrão.

terça-feira, abril 06, 2004

Atenção miúdos!

Vá, para vocês todos, os miúdos que têm a paciência de virem aqui, façam o favor de ler e divulgar o blog deste link. Há lá histórias que vocês não sabem. Já agora os mais velhos recuem também 30 anos e se puderem acrescentem mais alguma coisa. Como se dizia (ainda se diz?): 25 de Abril sempre!

O Cunha

Posso escrever o nome. Cunha. O Cunha é um dos protótipos do doente bem sucedido que fica incomodado com os deveres que tem para o seu médico. Chega a horas à consulta. Cumpre a medicação. Só a dieta é que não. Não haverá comprimidos que ajudem? Não, Cunha, só a sua vontade o ajudará. Mas gosta de comer e de beber também. O Cunha trabalha, empreendedor vai aumentando os empregados, mas acha-os sócios. Quase chora se a recessão o obriga a mandar alguns embora. O Cunha deve odiar a esquerda. E reconheçamos, certa esquerda pode ser odiável. Aquela que não tem a generosidade do Cunha. Uma esquerda cheia de direitos, desumanizada. Há de tudo. O Cunha é um português de sucesso. Tudo sem recibos. Economia livre. O Cunha é alérgico aos impostos. Um papelinho chega. O Cunha gosta de oferecer borregos pela Páscoa e para isso lá vai a esposa dedicada, de casa em casa daqueles de quem o Cunha gosta, distribuir o rebanho. O Cunha está na oficina. Um ritual anual. O Cunha é assim empreendedor e generoso. Doutor, quando arranja um consultório? O Cunha acha que isto da medicina no hospital é um mal menor sem deixar de o ser. Um consultório nas avenidas é que era.

segunda-feira, abril 05, 2004

As árvores ficaram brancas

Subitamente percebi as obras do parque de estacionamento das traseiras do hospital e mais aquilo que para mim tinha sido um mistério nos dias anteriores. Por que raio teriam pintado de branco as bases das árvores até à altura de perto de 2 metros. O parque estava vazio, mostrando melhor as árvores com as bases brancas. Seguranças do hospital, polícias de trânsito e outros cavalheiros bem mais altos e de óculos escuros olhavam em volta e sugeriam a procura de outros locais para estacionar. Depois soube que o DB estava de visita ao hospital. A pintura das árvores seria para ver melhor sacos e mochilas? Deve ser tramado passar diariamente por isto e pensar em toda a tinta que se faz gastar.

Fim de tarde

A delícia do Big Sur à portuguesa. Perto do fim da tarde pela costa de Torres Vedras até Sintra, com passagem pela Ericeira e pelo miradouro de Ribeira d'Ilhas. Vale a pena experimentar.

sábado, abril 03, 2004

O poder do povo

No meio do zapping, passei pelo concurso onde a jovem se confrontava coma questão magna de saber « segundo a Constituição da República, quem era o dententor do poder político». Três hipóteses, o Presidente da República, o Povo ou o Primeiro Ministro? Tentou a exclusão de partes, o presidente não manda nada; o povo? claro que não; ok, por exclusão, o Primeiro Ministro. O apresentador lembra os seus conhecimentos de direito e afirma, entusiasmado, claro que é o Povo. Mais, havia uns oponentes na assistência. Fomos ver as respostas. Erraram todos. Moral da história: 1)ninguém lê a Constituição (excepto os que desistiram do curso de Direito) e 2)pelo menos não acreditamos nos poderes que temos. Têm a certeza que temos? Ou será só uma ilusão, angustiadamente, gritada como doutrina por apresentadores televisivos.

sexta-feira, abril 02, 2004

Continuemos...

Achei curioso como muitos bloquistas mentirosos ontem tiveram a mesma ideia de ameaçar terminar a blogosfera. Que pode isto significar? Algumas semelhanças dos que por aqui andam, algum sentimento de provocação. Gostamos possivelmente de tentar provocar e temos a ilusão de às vezes o conseguirmos. Haja tempo, não faltem os assuntos e cá irei continuar nos meus cinco minutos de edital quase diário.

quinta-feira, abril 01, 2004

Acabou

O início dos meses pode levar-nos para momentos de lucidez. Há uma série de meses aqui tenho vindo quase diariamente deixar umas linhas. Algumas almas pacientes têm-se dado ao cuidado de aqui virem ler e algumas até deixar um ou outro comentário. Só que já começo a estar farto e a perceber que esta manifestação narcísica tem de ter um fim. Foi hoje. Bem hajam todos!