Sua Exª o Ministro Adjunto do Primeiro Ministro (com a tutela do Euro 2004), escreveu-me uma carta... Recebi no correio de hoje uma carta deste senhor a dizer-me que «estamos a poucos dias do início da fase final do euro 2004 (não foi novidade)... uma oportunidade única de projecção internacional do nosso país... mais de 8500 jornalistas.... 200 estações de televisão (uau!!!!!!!)... que descupemos os incómodos eventuais de toda a confusão que um evento desta dimensão possa causar...mas é uma festa muito especial que o País está a viver (está?) e depois recomenda que sejamos hospitaleiros (será que me acha hooligan, sua Exa?) E diz-me que estou convocado...» Eu? convocado para quê? Saiba, Vossa Exª que costumo ser normalmente bem educado, trato bem as pessoas e que, portanto, pelo que me diz respeito, bem dispenso que ande a gastar o dinheiro dos impostos que pago, a fazer propaganda ao seu Governo. Ou será que foi inspirado por certos comentários que certos jovens próximos da sua coligação, andam para aí a fazer sobre os candidatos opositores e pensa que somos da mesma laia? Esteja descansado, na sua maioria este país é uma terra de gente educada (com excepções, claro!)
Pobre país que tais oportunidades tem! Fossem outras as razões da projecção.
segunda-feira, maio 31, 2004
domingo, maio 30, 2004
Marcha lenta e triste
Na praia, há agora uma marcha lenta, uma marcha triste, pirosa mesmo. As vedetas futebolísticas do momento estão no hotel. Então, avançam devagar os automóveis no passeio de domingo, na volta dos tristes e quase param à entrada do sítio «onde eles estão». Não estão nada, que o Scolari deu-lhes folga, hoje! Decepcionados, lá seguem. Pode ser que noutro dia a sorte os proteja... Desistem, com mais uma fantasia frustrada.
Que identificação absurda esta. A nossa selecção? Ou a selecção daqueles rectangulosinhos de cores variadas que aparecem sempre por tras quando um dos tais craques fala? Isto é business e com isso, desulparão, mas não me identifico. Não aceito a convocatória.
E espero que isto passe rápido, que a tranquilidade da Praia d'el Rey é uma das coisas boas desta vida.
Que identificação absurda esta. A nossa selecção? Ou a selecção daqueles rectangulosinhos de cores variadas que aparecem sempre por tras quando um dos tais craques fala? Isto é business e com isso, desulparão, mas não me identifico. Não aceito a convocatória.
E espero que isto passe rápido, que a tranquilidade da Praia d'el Rey é uma das coisas boas desta vida.
sábado, maio 29, 2004
Em pleno voo
Trata-se de um grupo de doentes, que busca frequentemente ganhos secundários com a sua situação de azar transitório. Muitas vezes, queixam-se na esperança de obterem das suas seguradoras mais algum benefício. Haverá que ser muito rigoroso e ter bons instrumentos de medida. Um desafio considerável.
O financiador da reunião pensa provavelmente ter encontrado, um novo e amplo mercado. E agora, o seu produto não terá de depender da aprovação de reembolso pelos Estados e será simplesmente, mais uma despesa a assacar às companhias de seguros. Negócio quase garantido. Uma despesa adicional para as seguradoras que rapidamente aumentarão aos prémios das apólices que cobrem estes tipos de acidentes. Lá vão subir uma vez mais os seguros...
No meio destes temas voo para Lisboa.
O financiador da reunião pensa provavelmente ter encontrado, um novo e amplo mercado. E agora, o seu produto não terá de depender da aprovação de reembolso pelos Estados e será simplesmente, mais uma despesa a assacar às companhias de seguros. Negócio quase garantido. Uma despesa adicional para as seguradoras que rapidamente aumentarão aos prémios das apólices que cobrem estes tipos de acidentes. Lá vão subir uma vez mais os seguros...
No meio destes temas voo para Lisboa.
Estados de espírito
No meio do entusiasmo não poderei deixar de continuar lúcido. Se me transportam de limo, me instalam em hotel de luxo e me dão de comer requintadamente, isso não se deve aos meus lindos olhos!
É complexo este relacionamento com a indústria farmacêutica. Vamos investigar um assunto, somos apoiados pelo potencial vendedor do medicamento que com o nosso trabalho encontra uma nova indicação terapêutica. É necessária muita lucidez para seguirmos independentemente nos projectos, não nos deixarmos manipular pelos interesses da companhia. Essa é agora uma preocupação que me acompanhará. A lucidez é fundamental! Tudo correrá bem, se os resultados aparecerem. Mas se, pelo contrário, não corresponderem ao que eles esperam, então teremos de ser intransigentes com os factos e terão investido nos cavalos errados...
É complexo este relacionamento com a indústria farmacêutica. Vamos investigar um assunto, somos apoiados pelo potencial vendedor do medicamento que com o nosso trabalho encontra uma nova indicação terapêutica. É necessária muita lucidez para seguirmos independentemente nos projectos, não nos deixarmos manipular pelos interesses da companhia. Essa é agora uma preocupação que me acompanhará. A lucidez é fundamental! Tudo correrá bem, se os resultados aparecerem. Mas se, pelo contrário, não corresponderem ao que eles esperam, então teremos de ser intransigentes com os factos e terão investido nos cavalos errados...
sexta-feira, maio 28, 2004
Work and some cognac too
Atenas vista do ar tem aquele ar de desconsolo pálido de que me lembrava de há uns anos atrás. Não a vi mais ao perto, porque fui para Vouliagmeni, uma pequena cidade vizinha, ao que me disseram, tipo Cascais. O percurso do aeroporto até lá é feito por estradas em ampliação, em conversão para 4 faixas, que os Jogos Olímpicos, estão aí quase a estalar. Fica a dúvida se estarão prontas, mas parecem optimistas.
A tal Cascais, de custo de vida elevado, é o Algarve mais seco e feioso que se possa imaginar. Tem uma praia de areia escura e um hotel a tender para o Luxo, Divani Appolon Palace, onde acabei por passardois dias fechado em trabalho. Quem se terá lembrado de pôr num sítio destes este hotel?
Desta vez, foi mesmo trabalho. Até as refeições estavam incluídas no programa...
A história é recente, nasceu há 3 anos e tudo começou quando o pai de um doente perguntou ao neurocirurgíão que cuidava do traumatismo craniano do filho, acha que as hormonas do meu filho estão bem? Há quem tenha os doentes certos no lugar certo... Depois, foi pesquisar sem grande entusiasmo, o que se passa na hipófise de quem bateu com a cabeça e o resultado surpreendente de haver efectivamente alterações, que até podem ser tratáveis e talvez estejam relacionadas com algumas das dificuldades que estes doentes sentem e que, até agora, se pensava não terem uma causa tratável. (Se teve um traumatismo craniano e esteve internado por isso e se sente, agora, com problemas de fadiga, alterações da memória, dificuldade em concentrar-se, deprimido, ansioso, irritável ou com dificuldade em dormir, pode enviar-me um mail!)
E ali estivemos, dois dias fechados, a debater este tipo de coisas, a criar normas de actuação. O artigo ficou pronto para publicar...e os contactos feitos para continuarmos a cooperação nos diversos países. Tudo isto feito em mangas de camisa, sem reverências patetas. Era assim que gostava de trabalhar todos os dias, com humor e rendimento.
A tal Cascais, de custo de vida elevado, é o Algarve mais seco e feioso que se possa imaginar. Tem uma praia de areia escura e um hotel a tender para o Luxo, Divani Appolon Palace, onde acabei por passardois dias fechado em trabalho. Quem se terá lembrado de pôr num sítio destes este hotel?
Desta vez, foi mesmo trabalho. Até as refeições estavam incluídas no programa...
A história é recente, nasceu há 3 anos e tudo começou quando o pai de um doente perguntou ao neurocirurgíão que cuidava do traumatismo craniano do filho, acha que as hormonas do meu filho estão bem? Há quem tenha os doentes certos no lugar certo... Depois, foi pesquisar sem grande entusiasmo, o que se passa na hipófise de quem bateu com a cabeça e o resultado surpreendente de haver efectivamente alterações, que até podem ser tratáveis e talvez estejam relacionadas com algumas das dificuldades que estes doentes sentem e que, até agora, se pensava não terem uma causa tratável. (Se teve um traumatismo craniano e esteve internado por isso e se sente, agora, com problemas de fadiga, alterações da memória, dificuldade em concentrar-se, deprimido, ansioso, irritável ou com dificuldade em dormir, pode enviar-me um mail!)
E ali estivemos, dois dias fechados, a debater este tipo de coisas, a criar normas de actuação. O artigo ficou pronto para publicar...e os contactos feitos para continuarmos a cooperação nos diversos países. Tudo isto feito em mangas de camisa, sem reverências patetas. Era assim que gostava de trabalhar todos os dias, com humor e rendimento.
quinta-feira, maio 27, 2004
Overbooking!
Para isto aparecer direitinho, vou escrever com as datas em que aconteceram, embora esteja a escrever hoje dia 31 de Maio.
O dia depois ainda se sentia em Frankfurt, onde exibiam, orgulhosos, os cachecóis azuis e brancos. Deambulavam pelas lojas do aeroporto enquanto esperavam pelos voos. Sossegados, sem euforia. Valha-nos isso!
Nada mais a lembrar-me mais esta passagem por este aeroporto a não ser uma evidente falta de respeito da Lufthansa pelos passageiros. Mas ao que imagino o que se passou nem será uma raridade, mais uma rotina, talvez.
Aconteceu que por razões mal explicadas, tinham 10 passageiros sem lugar. ISTO É OVERBOOKING! Referiam que tinham surgido 10 passageiros gregos com grande urgência em chegar a Atenas... Acho que ainda gozam connosco. E o problema foi resolvido da forma habitual: oferta de 300 euros a quem se disponibilizasse a ir no voo seguinte! Houve ofertas suficientes e a coisa traduziu-se num atraso de 45 minutos na partida para os cerca de 200 passageiros. É claro que a prática é bem conhecida. Mas, fica-me este desconforto desta actividade de livre concorrência. É que não estamos, passageiros e companhia de aviação, em condições iguais de negociação. Eles são o poder, nós os dependentes. São assim as relações equitativas do mundo da livre concorrência, disto a que nos querem fazer necessariamente aderir. Por mim, tentarei nunca aceitar estes leilões, só para ver se algum dia, todos os passageiros se abstêem, só pelo gozo de ver como isto se resolve. Será que haverá sempre quem ceda? Os génios da gestão até isso devem ter estudado...
O dia depois ainda se sentia em Frankfurt, onde exibiam, orgulhosos, os cachecóis azuis e brancos. Deambulavam pelas lojas do aeroporto enquanto esperavam pelos voos. Sossegados, sem euforia. Valha-nos isso!
Nada mais a lembrar-me mais esta passagem por este aeroporto a não ser uma evidente falta de respeito da Lufthansa pelos passageiros. Mas ao que imagino o que se passou nem será uma raridade, mais uma rotina, talvez.
Aconteceu que por razões mal explicadas, tinham 10 passageiros sem lugar. ISTO É OVERBOOKING! Referiam que tinham surgido 10 passageiros gregos com grande urgência em chegar a Atenas... Acho que ainda gozam connosco. E o problema foi resolvido da forma habitual: oferta de 300 euros a quem se disponibilizasse a ir no voo seguinte! Houve ofertas suficientes e a coisa traduziu-se num atraso de 45 minutos na partida para os cerca de 200 passageiros. É claro que a prática é bem conhecida. Mas, fica-me este desconforto desta actividade de livre concorrência. É que não estamos, passageiros e companhia de aviação, em condições iguais de negociação. Eles são o poder, nós os dependentes. São assim as relações equitativas do mundo da livre concorrência, disto a que nos querem fazer necessariamente aderir. Por mim, tentarei nunca aceitar estes leilões, só para ver se algum dia, todos os passageiros se abstêem, só pelo gozo de ver como isto se resolve. Será que haverá sempre quem ceda? Os génios da gestão até isso devem ter estudado...
quarta-feira, maio 26, 2004
Bibóporto
Ele saltou que nem atleta a acabar de ter marcado. Naquele momento, sentiu-se compensado do Louçã e do Carvalhas. Sim, temos pelo menos uma semana de festa longe do desemprego, da participação em guerras dúbias, de problemaqs de segurança. Naquele momento o DB ficou azul de gozo e deu graças ao Porto. Estou safo, pensou. E lembrou-se inquietado, onde estará o Rui Rio?
Até domingo, que na Grécia a Internet deve ficar à porta dos hotéis...
Até domingo, que na Grécia a Internet deve ficar à porta dos hotéis...
terça-feira, maio 25, 2004
Revisões
Deixem-me fazer um intervalo para me lembrar do descanso do fim-de-semana.
Soube bem na sexta-feira, zarpar pelo Alentejo abaixo com visões papoilas e arroxeados e ouvir alguém, já crescido, falar-me de vacas das antigas, daquelas que têm manchas pretas e brancas... Começava animado o fim-de-semana.
Depois de chegados à quietude do Alvito, o encontro feliz com a funcionária do Turismo local. A D. Dina mantém a porta do posto de Turismo aberta, até fora de horas se preciso e fala entusiasmada do Alentejo que descobriu há 3 anos e mostra-nos a rota do fresco, o percurso manuelino, a gastronomia, aumentando-nos o apetite para descobrir o Alvito que pensávamos ser apenas um sítio de estar de papo para o ar. Subitamente, ficamos com a ideia que o fim-de-semana não vai chegar. Algum fundamentalista diria que a senhora não é funcionária pública e que o Turismo do Alvito foi tomado por alguma empresa privada. Enganam-se, precisamos de encher esta terra de Donas Dinas.
Depois o ar pousado e sabido do senhor Alfredo que nos mostra a igreja de São Sebastião, os anjos músicos e nos passa de seguida para a esposa que nos leva a ver as grutas de Alvito de onde saíram as mós que fizeram o pão durante séculos. Pararam no século XV e só o senhor Alfredo sabe porquê. Quem quiser saber que vá lá ver. Mais não digo, mas ele sabe o que outros nem imaginam...
No sábado, Vila Nova da Baronia e sua igreja fechada. Mas as portas abrem-se que o senhor Otávio da loja ao pé da Caixa Agrícola tem a chave e a filha lá nos leva a visitar a igreja. Nas ruas, conversa-se calmamente, indiferentemente aos casamentos de Princesas, que a vida do povo não discute cores de vestidos nem decotes.
Bom foi ver mais tarde a melhoria das ruínas de São Cucufate. Agora com centro de acolhimento como qualquer Visitor Centre americano (excepto o pobrezinho parque de estacionamento). Per deu-se a descrição castiça do Senhor Pé Curto, mas ganhou-se a informação mais fundamentada do novo Ranger... Sente-se que o IPAR, existe e realiza e isso foi surpresa neste país de desencanto informativo.
Vou aqui deixar a referência ao Vila Velha na Vidigueira, um espaço agradável para provar açorda de beldroegas e migas de espargos acompanhadas pelo tinto local. A Vidigueira ficou por ver, mas depois do almoço, o principal estava feito, creio eu. E ficou por explorar porque queríamos voltar ao Alvito a tempo de estar na visita guiada à Igreja Matriz, às 15h. Afinal, houve atraso no almoço e só para 18 seria a visita que não fizemos. Melhor, fomos à barragem de Odivelas e encontrámos a Markadia, espaço alentejano recuperado por holandeses, onde a visão da barragem retempera do calor. Fica-me a ideia de uma semana em perspectiva, lá mais para a frente.
Domingo, foi dia de esperar pelo sol na beira da piscina, enquanto os pavões gritavam ao desafio com os vendedores da feira do tudo a um euro.
Uma passeata a ver as portas e janelas manuelinas em circuito bem desenhado no folheto que a D Dina nos deu na véspera, antes de largarmos estrada abaixo a caminho de Beja.
Beja parecia adormecida à hora do almoço, quase deserta. Os restaurantes fechados, que domingo foi feito para se descansar. Lá encontramos um de nome Floresta, onde a sopa de cação cheirava ao Alentejo todo.
Foi assim antes de rumar até às ruínas de Pisões. Uma nuvem negra espreitava antes da visita, deitado já alguns salpicos. Mas lá fomos que não somos turistas de desistir. Avançamos com o guia pela casa dentro, mirando os mosaicos enquanto a nuvem não desistia. O polícromo começava a ficar cada vez menos nítido com a distracção da chuva, que cada vez mais me ocupava. Em crescendo. Mas tivemos uma retirada digna sem precipitações (excepto a da água que nos ensopou as T-shirts). Que seria destas visitas sem incidentes destes? Que contaríamos depois, que nos ficaria na memória? Que resta das palavras dos guias ditas em catadupa sobre nós?
Pelo caminho para Lisboa imaginei-me noutro planeta. O da confiança, do progresso, do melhor dos mundos e fiquei a saber que se alguma coisa não correr bem daqui em diante, os culpados estão bem identificados. São, como ontem, os mesmos desestabilizadores de sempre. Vermelhos anacrónicos, que ainda se não renderam à história que o Imperador nos conta tão candidamente.
E só me faltava ontem ouvir aquela anedota da penalização do SLB. Mas anda tudo doido?
Anda! O Imperador vai destruir a prisão do Grau, Graih, Gralh, isso! Com essa destruição que pensa ele que destrói? A nossa memória persistirá, contudo e com tudo.
Soube bem na sexta-feira, zarpar pelo Alentejo abaixo com visões papoilas e arroxeados e ouvir alguém, já crescido, falar-me de vacas das antigas, daquelas que têm manchas pretas e brancas... Começava animado o fim-de-semana.
Depois de chegados à quietude do Alvito, o encontro feliz com a funcionária do Turismo local. A D. Dina mantém a porta do posto de Turismo aberta, até fora de horas se preciso e fala entusiasmada do Alentejo que descobriu há 3 anos e mostra-nos a rota do fresco, o percurso manuelino, a gastronomia, aumentando-nos o apetite para descobrir o Alvito que pensávamos ser apenas um sítio de estar de papo para o ar. Subitamente, ficamos com a ideia que o fim-de-semana não vai chegar. Algum fundamentalista diria que a senhora não é funcionária pública e que o Turismo do Alvito foi tomado por alguma empresa privada. Enganam-se, precisamos de encher esta terra de Donas Dinas.
Depois o ar pousado e sabido do senhor Alfredo que nos mostra a igreja de São Sebastião, os anjos músicos e nos passa de seguida para a esposa que nos leva a ver as grutas de Alvito de onde saíram as mós que fizeram o pão durante séculos. Pararam no século XV e só o senhor Alfredo sabe porquê. Quem quiser saber que vá lá ver. Mais não digo, mas ele sabe o que outros nem imaginam...
No sábado, Vila Nova da Baronia e sua igreja fechada. Mas as portas abrem-se que o senhor Otávio da loja ao pé da Caixa Agrícola tem a chave e a filha lá nos leva a visitar a igreja. Nas ruas, conversa-se calmamente, indiferentemente aos casamentos de Princesas, que a vida do povo não discute cores de vestidos nem decotes.
Bom foi ver mais tarde a melhoria das ruínas de São Cucufate. Agora com centro de acolhimento como qualquer Visitor Centre americano (excepto o pobrezinho parque de estacionamento). Per deu-se a descrição castiça do Senhor Pé Curto, mas ganhou-se a informação mais fundamentada do novo Ranger... Sente-se que o IPAR, existe e realiza e isso foi surpresa neste país de desencanto informativo.
Vou aqui deixar a referência ao Vila Velha na Vidigueira, um espaço agradável para provar açorda de beldroegas e migas de espargos acompanhadas pelo tinto local. A Vidigueira ficou por ver, mas depois do almoço, o principal estava feito, creio eu. E ficou por explorar porque queríamos voltar ao Alvito a tempo de estar na visita guiada à Igreja Matriz, às 15h. Afinal, houve atraso no almoço e só para 18 seria a visita que não fizemos. Melhor, fomos à barragem de Odivelas e encontrámos a Markadia, espaço alentejano recuperado por holandeses, onde a visão da barragem retempera do calor. Fica-me a ideia de uma semana em perspectiva, lá mais para a frente.
Domingo, foi dia de esperar pelo sol na beira da piscina, enquanto os pavões gritavam ao desafio com os vendedores da feira do tudo a um euro.
Uma passeata a ver as portas e janelas manuelinas em circuito bem desenhado no folheto que a D Dina nos deu na véspera, antes de largarmos estrada abaixo a caminho de Beja.
Beja parecia adormecida à hora do almoço, quase deserta. Os restaurantes fechados, que domingo foi feito para se descansar. Lá encontramos um de nome Floresta, onde a sopa de cação cheirava ao Alentejo todo.
Foi assim antes de rumar até às ruínas de Pisões. Uma nuvem negra espreitava antes da visita, deitado já alguns salpicos. Mas lá fomos que não somos turistas de desistir. Avançamos com o guia pela casa dentro, mirando os mosaicos enquanto a nuvem não desistia. O polícromo começava a ficar cada vez menos nítido com a distracção da chuva, que cada vez mais me ocupava. Em crescendo. Mas tivemos uma retirada digna sem precipitações (excepto a da água que nos ensopou as T-shirts). Que seria destas visitas sem incidentes destes? Que contaríamos depois, que nos ficaria na memória? Que resta das palavras dos guias ditas em catadupa sobre nós?
Pelo caminho para Lisboa imaginei-me noutro planeta. O da confiança, do progresso, do melhor dos mundos e fiquei a saber que se alguma coisa não correr bem daqui em diante, os culpados estão bem identificados. São, como ontem, os mesmos desestabilizadores de sempre. Vermelhos anacrónicos, que ainda se não renderam à história que o Imperador nos conta tão candidamente.
E só me faltava ontem ouvir aquela anedota da penalização do SLB. Mas anda tudo doido?
Anda! O Imperador vai destruir a prisão do Grau, Graih, Gralh, isso! Com essa destruição que pensa ele que destrói? A nossa memória persistirá, contudo e com tudo.
sexta-feira, maio 21, 2004
Eles não sabem, nem vêem
O ministro não adere à greve. E está no seu pleno direito.
Uma realidade é a sangria de médicos jovens (que são quem põe as unidades de saúde a funcionar) dos principais hospitais onde são formados. Pessoas com grandes capacidades, promissores, são desterrados para hospitais regionais ditos carenciados, enquanto que as vagas dos hospitais onde fizeram a sua formação estão fechadas saberá alguém a razão de tal realidade. Pessoas em quem se investiu, a quem se deu formação em técnicas que só nestes hospitais podem fazer-se. Técnicas que deixarão de se fazer porque eles eram os únicos que as dominavam.
É claro que nalguns casos será completamente impossível ao fim de tantos anos de estabelecimento num sítio, zarpar para outras terras. A família constitui-se, os consultórios organizaram-se, a vida está feita aqui. É uma aposta forte no seu abandono do sector público. São menos encargos para o Estado e potencial de mão de obra mais barata para os próximos hospitais das Seguradoras. Isto a mim parece-me tão óbvio, que às vezes me espanto.
Será o caminho mais indicado ir à concorrência, ao sector privado, buscar gestores para as decisões públicas?
Uma realidade é a sangria de médicos jovens (que são quem põe as unidades de saúde a funcionar) dos principais hospitais onde são formados. Pessoas com grandes capacidades, promissores, são desterrados para hospitais regionais ditos carenciados, enquanto que as vagas dos hospitais onde fizeram a sua formação estão fechadas saberá alguém a razão de tal realidade. Pessoas em quem se investiu, a quem se deu formação em técnicas que só nestes hospitais podem fazer-se. Técnicas que deixarão de se fazer porque eles eram os únicos que as dominavam.
É claro que nalguns casos será completamente impossível ao fim de tantos anos de estabelecimento num sítio, zarpar para outras terras. A família constitui-se, os consultórios organizaram-se, a vida está feita aqui. É uma aposta forte no seu abandono do sector público. São menos encargos para o Estado e potencial de mão de obra mais barata para os próximos hospitais das Seguradoras. Isto a mim parece-me tão óbvio, que às vezes me espanto.
Será o caminho mais indicado ir à concorrência, ao sector privado, buscar gestores para as decisões públicas?
quinta-feira, maio 20, 2004
Gestores
Curiosa esta inquietação jornalística com os vencimentos dos gestores públicos. Nunca há a mínima preocupação com o que ganham os privados. Parece que se parte da ideia que os públicos devem ser necessariamente mal pagos porque, na lógica entendida da imprensa privada, tudo o que é público não presta, logo deve ser mal pago. Se calhar é em gestores do público com qualidade que precisaremos de investir para pormos fim à pouca vergonha que vai pelo privado e pelo público. De uns sabemos quanto ganham, dos outros nada sabemos e o que sabemos é que o que ganham ninguém sabe, nem a DGCI!
Mas neste caso, a coisa parece-me complicada. Que tendência esta para se ir buscar ao poder financeiro, gente para este Governo! Com que dependências se vai para um lugar político? Será possível ser-se independente com os patrões de ontem ou ter-se-á que garantir eventualmente o futuro? Também aqui o contrato devia ser por objectivos, directamente proporcional à redução do montante da fuga ao fisco.
Mas neste caso, a coisa parece-me complicada. Que tendência esta para se ir buscar ao poder financeiro, gente para este Governo! Com que dependências se vai para um lugar político? Será possível ser-se independente com os patrões de ontem ou ter-se-á que garantir eventualmente o futuro? Também aqui o contrato devia ser por objectivos, directamente proporcional à redução do montante da fuga ao fisco.
Bimbos!
Às voltas pelo Continente até passsar por um escaparate onde vislumbro pão sem côdea!!!!!
Laranjas sem caroços, peixe sem espinhas, carne sem ossos. Vida sem dificuldades? Bimbos!
Laranjas sem caroços, peixe sem espinhas, carne sem ossos. Vida sem dificuldades? Bimbos!
terça-feira, maio 18, 2004
Deserto
Realmente, não é notícia que alguns ilustres fiquem molhados nos testes de canhões de água, nem importa quem foi seleccionado para o Euro. Quanto ao banho foi generosidade em dia de calor, quanto ao Euro não importa quem lá vai. Importante, sim é que venham depressa de volta, logo na primeira eliminatória, para podermos assistir mais descansados a outras jogadas preparadas para Junho, por exemplo, a decisão de privatização da Galp. Mas ou muito me engano ou o entertenimento está garantido, se ganharem festejaremos a vitória, se perderem comentaremos mais umas destruições de balneários e umas quantas agressões a árbitros que estes moços já têm bom curriculo de campeões. E tudo o resto, ficará escondido debaixo do pó dessas discussões fundamentais.
A ver vamos. Está calor e o ar condicionado da triagem deste hospital continua sem funcionar. É como nas enfermarias e nas consultas. Na Administração parece funcionar sem problemas.
A ver vamos. Está calor e o ar condicionado da triagem deste hospital continua sem funcionar. É como nas enfermarias e nas consultas. Na Administração parece funcionar sem problemas.
segunda-feira, maio 17, 2004
A água a quem a bebe!
Vêm-me à memória histórias de agressões e mortes ouvidas na infância sempre relacionadas com águas mal divididas e roubadas. Na minha ingenuidade, não percebia a razão por que a água teria de ter dono. Para mim, bastava-me a das chuvas que corria pelos regos junto às casas e me permitia fazer barragens onde punha barcos de papel. Mas ouvia histórias de vingança pela propriedade da água.
Lembrei-me agora por ter sabido que este bem que é de todos e cai do céu também vai ser vendido a retalho para tapar o défice, em nome da eficiência. No princípio do mundo, provavelmente e as conservatórias do registo Predial me confirmarão, era de todos a terra, a água e o ar. Os homens fizeram o fogo e assaltaram a terra que mal dividiram entre si, agora vai também a água e no futuro? Será que vamos ter a propriedade privada do ar ou faremos fogo suficiente para já nem isso ter razão de ser?
Lembrei-me agora por ter sabido que este bem que é de todos e cai do céu também vai ser vendido a retalho para tapar o défice, em nome da eficiência. No princípio do mundo, provavelmente e as conservatórias do registo Predial me confirmarão, era de todos a terra, a água e o ar. Os homens fizeram o fogo e assaltaram a terra que mal dividiram entre si, agora vai também a água e no futuro? Será que vamos ter a propriedade privada do ar ou faremos fogo suficiente para já nem isso ter razão de ser?
domingo, maio 16, 2004
Os três de Mourinho
Bastante cedo, o dragão ficou atordoado. E foi bonito de ver aquela imagem do Mourinho, três dedos definitivos a prenunciarem a festa. O imbatível, o tal que não perde torneios nem jogos entre os grandes, mostrava ao mundo os três dedos, reconhecendo o que estava a contecer. Como era possível, meu Deus? Em dias normais já seriam 3-0...
Ao intervalo ganhava. Dentro da obediência aos conselhos de fazedores de imagem ia dizendo que o resultado certo seriam 3-2 para o Benfica. Fica bem aos vencedores serem magnânimos.
Mas depois foi-se o verniz. No fim berrava que tudo isto é uma farsa.
Tem razão, Mourinho, há farsas nisto tudo e saber perder é bonito. Não ficar com ar furibundo de mau perdedor é ser desportista. A imagem do ganhador que não perde, confunde-se com a de certos exércitos esmagadores, com a imagem do medo. Não têm sequer felicidade quando ganham, mantêm o mesmo ar agressivo de sempre. Bonita era a imagem do Eusébio a chorar em 66 depois do jogo... Simples como quando ganhava, sem o olhar vingador dos humilhadores. Acima de tudo gosto de vencedores felizes e solidários com os que perdem. Isto é tão simples...
Ao intervalo ganhava. Dentro da obediência aos conselhos de fazedores de imagem ia dizendo que o resultado certo seriam 3-2 para o Benfica. Fica bem aos vencedores serem magnânimos.
Mas depois foi-se o verniz. No fim berrava que tudo isto é uma farsa.
Tem razão, Mourinho, há farsas nisto tudo e saber perder é bonito. Não ficar com ar furibundo de mau perdedor é ser desportista. A imagem do ganhador que não perde, confunde-se com a de certos exércitos esmagadores, com a imagem do medo. Não têm sequer felicidade quando ganham, mantêm o mesmo ar agressivo de sempre. Bonita era a imagem do Eusébio a chorar em 66 depois do jogo... Simples como quando ganhava, sem o olhar vingador dos humilhadores. Acima de tudo gosto de vencedores felizes e solidários com os que perdem. Isto é tão simples...
sábado, maio 15, 2004
Cuidado que nem todos os sábados há sol
Muito importante é a gestão do tempo que temos. Nos últimos anos, tenho verificado uma solicitação crescente do tempo para reuniões que consomem imenso tempo e onde nada mais se faz do que um encontro no mesmo espaço e à mesma hora de pessoas que pouco têm que ver umas com as outras e que até nem gozam significativamente com o encontro (antes pelo contrário, muitas vezes). Fico frequentemente com a impressão de que no fim foi tempo perdido.
Hoje, depois de mais um destes episódios, decidi que irei ter mais cuidado com estas cerimónias de exibição de pseudoprotagonismos. Não encontro, realmente, interesse em qualquer construção colectiva, mas apenas sinais de auto-afirmação e a habitual lamentação da falta de tempo para fazer o que quer que seja, sempre com a insinuação de que estamos a produzir muitíssimo. Neste país, as pessoas não têm tempo para preencher uma simples base de dados. Em Londres vi muitas vezes consultores de endocrinologia ficarem horas ao fim das consultas a fazê-lo. Por isso uns têm, outros lamentam não ter.
Hoje, depois de mais um destes episódios, decidi que irei ter mais cuidado com estas cerimónias de exibição de pseudoprotagonismos. Não encontro, realmente, interesse em qualquer construção colectiva, mas apenas sinais de auto-afirmação e a habitual lamentação da falta de tempo para fazer o que quer que seja, sempre com a insinuação de que estamos a produzir muitíssimo. Neste país, as pessoas não têm tempo para preencher uma simples base de dados. Em Londres vi muitas vezes consultores de endocrinologia ficarem horas ao fim das consultas a fazê-lo. Por isso uns têm, outros lamentam não ter.
sexta-feira, maio 14, 2004
Entramos como penetras, mas se a segurança da festa quiser, nós saímos...
Olhem só o resultado de se entrar sem convite. Estes também têm falta de boas maneiras. Hoje na SIC:
”Se o Governo interino [o órgão que ficará encarregue de governar o Iraque a partir de 30 de Junho] nos pedir para sair, nós sairemos, embora eu não acredite que o faça”, declarou hoje Paul Bremer durante um encontro com o governador e os responsáveis da província de Diyala, a norte de Bagdade. Eu também não acredito. Se fosse membro desse Governo, exigia que ficassem... para reconstruírem tudo o que estragaram.
”Evidentemente, não é possível ficar num país onde não somos bem vindo”, acrescentou este responsável norte-americano. Curiosamente, foi possível entrarem sem terem sido convidados, o que também não são muito boas maneiras
Paul Bremer sublinhou, no entanto, que ”a extinção da Autoridade Provisória da Coligação a 30 de Junho não significa que os Estados Unidos abandonem o Iraque”. Aliás, se forem embora a coisa está garantida: Figueiredo Lopes vai enviar a GNR
”Se o Governo interino [o órgão que ficará encarregue de governar o Iraque a partir de 30 de Junho] nos pedir para sair, nós sairemos, embora eu não acredite que o faça”, declarou hoje Paul Bremer durante um encontro com o governador e os responsáveis da província de Diyala, a norte de Bagdade. Eu também não acredito. Se fosse membro desse Governo, exigia que ficassem... para reconstruírem tudo o que estragaram.
”Evidentemente, não é possível ficar num país onde não somos bem vindo”, acrescentou este responsável norte-americano. Curiosamente, foi possível entrarem sem terem sido convidados, o que também não são muito boas maneiras
Paul Bremer sublinhou, no entanto, que ”a extinção da Autoridade Provisória da Coligação a 30 de Junho não significa que os Estados Unidos abandonem o Iraque”. Aliás, se forem embora a coisa está garantida: Figueiredo Lopes vai enviar a GNR
A claque dos dragodeputados
Depois não vão querer que os levemos a sério. Um dia depois de não terem conseguido votar uma lei que parece que era fundamental, porque não havia quorum, saem-se com esta de ir uma representação da Assembleia da República à final da Champions League. Tinha ideia que os deputados eram representantes dos cidadãos que os elegeram. Sendo o FCP que está a representar o País nesta situação, não entendo a necessidade de uma dupla representação. A claque dos dragões não deve precisar de reforços. Estão a imaginar, os senhores deputados a fazerem aquele grito quando o guarda-redes do Mónaco repuser a bola em jogo?
Uns mais avisados dizem que só pode haver uma representação depois de ter sido feito algum convite. Parece fazer sentido. Mas, neste caso, a coisa ainda é mais grave. Dada a cronologia dos acontecimentos, chegamos à conclusão que alguém se está a fazer convidado, o que sempre me disseram ser deselegante. Fica o dilema, se não houver convite, lá vão os nossos impostos pagar os bilhetes, os hotéis (cinco estrelas) e as viagens (em executiva)? È que se é representação, os senhores não irão seguramente pagar do seu bolso estas despesas.
Vá lá Pinto da Costa, diga que já tinha feito o convite aos moços que gostam do futebol. Desta vez ninguém vai acusá-lo de oferecer nada a ninguém. Uma sugestão, contacte aqueles seus amigos da Cosmos que já lhe têm organizado outras viagens para outros seus convidados.
Uns mais avisados dizem que só pode haver uma representação depois de ter sido feito algum convite. Parece fazer sentido. Mas, neste caso, a coisa ainda é mais grave. Dada a cronologia dos acontecimentos, chegamos à conclusão que alguém se está a fazer convidado, o que sempre me disseram ser deselegante. Fica o dilema, se não houver convite, lá vão os nossos impostos pagar os bilhetes, os hotéis (cinco estrelas) e as viagens (em executiva)? È que se é representação, os senhores não irão seguramente pagar do seu bolso estas despesas.
Vá lá Pinto da Costa, diga que já tinha feito o convite aos moços que gostam do futebol. Desta vez ninguém vai acusá-lo de oferecer nada a ninguém. Uma sugestão, contacte aqueles seus amigos da Cosmos que já lhe têm organizado outras viagens para outros seus convidados.
quinta-feira, maio 13, 2004
Diz lá o que disseste
Depois de mais de 25 doentes numa manhã e a visão felliniana da consulta de obesidade no início da tarde, só a escuta das notícias me anima e diverte.
Este é um governo onde o Ministro Figueiredo Lopes decide e o Primeiro Ministro discute. Eu acho que eles só fazem isto para nos distraírem. Ou então, o Ministro já não faz parte do governo e anda para aí a decidir coisas sozinho ou a lançar boatos. O pior é que o homem não se cala e agora diz-nos com aquele ar categórico de sempre que o país não vai arder este Verão. Veremos, mas se ele o diz, cuidado!
Este é um governo onde o Ministro Figueiredo Lopes decide e o Primeiro Ministro discute. Eu acho que eles só fazem isto para nos distraírem. Ou então, o Ministro já não faz parte do governo e anda para aí a decidir coisas sozinho ou a lançar boatos. O pior é que o homem não se cala e agora diz-nos com aquele ar categórico de sempre que o país não vai arder este Verão. Veremos, mas se ele o diz, cuidado!
quarta-feira, maio 12, 2004
A superioridade das ordens

Esta imagem é a de um robot a arrastar um prisioneiro iraquiano. A coisa que parece uma mulher, não é. Hoje, Lyndee England (a perfeição tecnológica dos americanos faz com que os robots tenham nome)numa audiência (os robots americanos falam tal é a superioridade tecnológica admirável daqule país)do seu julgamento (eles até julgam os robots que criam)disse que cumpria ordens superiores. É assim a cultura do exército de robots a que os americanos chamam exército libertador.
O nosso fado: Futebol e Fátima
As notícias falavam-me dos peregrinos em marcha sobre Fátima. Todos os anos desde o anúncio do fim do Comunismo assim acontece. Com todo o sofrimento, avançam os pagadores de promessas feitas em altura de desespero. Gostei particularmente de ouvir a jovem que pagava a promessa pela sobrevivência do namorado que entretanto se casou com outra. Tudo se paga nesta vida e há males que virão por bem.
Quando saí para a rua, a fila tinha mais de 500 metros. Ar de esperança nos rostos a colorir de mais vermelho, se possível, os cachecóis que aqueciam os pescoços. Esperança grande para domingo. A festa só é possível se o Benfica ganhar. No caso do Porto vencer, teremos não festa, mas rotina. As imagens do ganhador Mourinho frente a mais uns espezinhados.
O dia começou assim num misto de desespero e de esperança. O meu país quase completo, só faltou o fado.
Quando saí para a rua, a fila tinha mais de 500 metros. Ar de esperança nos rostos a colorir de mais vermelho, se possível, os cachecóis que aqueciam os pescoços. Esperança grande para domingo. A festa só é possível se o Benfica ganhar. No caso do Porto vencer, teremos não festa, mas rotina. As imagens do ganhador Mourinho frente a mais uns espezinhados.
O dia começou assim num misto de desespero e de esperança. O meu país quase completo, só faltou o fado.
terça-feira, maio 11, 2004
De repente, deixei de saber se existo (urgência interna)
Algo de estranho se passou. Subitamente, este blog deixou de existir ou só existe post a post. Provavelmente coisas do novo blogger, não?
Crystal Clear
É quase sempre bom ler Chomsky. Para que permaneça, transcrevo (mesmo sem a autorização do autor):
May 10, 2004
Rwanda and Abu Ghraib
The past month was the 10th anniversary of the massacres in Rwanda, and there was much soul-searching about our failure to do anything about them. So headlines read "To Say `Never Again' and Mean it; the 1994 Rwandan genocide should have taught us about the consequences of doing nothing" (Richard Holbrooke, Washington Post); "Learn from Rwanda" (Bill Clinton, Washington Post). So what did we learn?
In Rwanda, for 100 days people were being killed at the rate of about 8000 a day, and we did nothing. Fast forward to today. In Africa, about 10,000 children a day are dying from easily treatable diseases, and we are doing nothing to save them. That's not just 100 days, it's every day, year after year, killing at the Rwanda rate. And far easier to stop then Rwanda: it just means pennies to bribe drug companies to produce remedies. But we do nothing.
Which raises another question: what kind of socioeconomic system can be so savage and insane that to stop Rwanda-scale killings among children going on year after year it's necessary to bribe the most profitable industry that ever existed? That's carrying socioeconomic lunacy beyond the bounds that even the craziest maniac could imagine? But we do nothing.
So what was learned from Rwanda. And why isn't it a story? I think the reason is clear. It's too hard to look into the mirror. In the case of Abu Ghraib, we can say someone else is responsible.
Noam Chomsky
May 10, 2004
Rwanda and Abu Ghraib
The past month was the 10th anniversary of the massacres in Rwanda, and there was much soul-searching about our failure to do anything about them. So headlines read "To Say `Never Again' and Mean it; the 1994 Rwandan genocide should have taught us about the consequences of doing nothing" (Richard Holbrooke, Washington Post); "Learn from Rwanda" (Bill Clinton, Washington Post). So what did we learn?
In Rwanda, for 100 days people were being killed at the rate of about 8000 a day, and we did nothing. Fast forward to today. In Africa, about 10,000 children a day are dying from easily treatable diseases, and we are doing nothing to save them. That's not just 100 days, it's every day, year after year, killing at the Rwanda rate. And far easier to stop then Rwanda: it just means pennies to bribe drug companies to produce remedies. But we do nothing.
Which raises another question: what kind of socioeconomic system can be so savage and insane that to stop Rwanda-scale killings among children going on year after year it's necessary to bribe the most profitable industry that ever existed? That's carrying socioeconomic lunacy beyond the bounds that even the craziest maniac could imagine? But we do nothing.
So what was learned from Rwanda. And why isn't it a story? I think the reason is clear. It's too hard to look into the mirror. In the case of Abu Ghraib, we can say someone else is responsible.
Noam Chomsky
segunda-feira, maio 10, 2004
Peço desculpa, mas isto não pode ficar assim
Blair pede desculpa. Bush pede desculpa. Rumsfeld pede desculpa.
A ponte caiu. Jorge Coelho devia ter pedido desculpa. A filha tentou dar o golpe. Martins da Cruz devia ter pedido desculpa. Os negócios não correram tão bem como previsto. Vale e Azevedo devia ter pedido desculpa.
Desculpem qualquer coisinha...
Mas já alguém aceitou as desculpas e disse estão perdoados? Nesse caso por que esperam para assumirem a punição merecida. A propósito já pediram desculpa por terem enganado meio mundo com a história das armas de destruição maciça? E tu DB, por que esperas?
A ponte caiu. Jorge Coelho devia ter pedido desculpa. A filha tentou dar o golpe. Martins da Cruz devia ter pedido desculpa. Os negócios não correram tão bem como previsto. Vale e Azevedo devia ter pedido desculpa.
Desculpem qualquer coisinha...
Mas já alguém aceitou as desculpas e disse estão perdoados? Nesse caso por que esperam para assumirem a punição merecida. A propósito já pediram desculpa por terem enganado meio mundo com a história das armas de destruição maciça? E tu DB, por que esperas?
domingo, maio 09, 2004
American soldier
O retrato do soldado americano no Iraque:
"He is armed to the teeth and has a massive body," Khalil said. "But his head is small to make him look empty." Uma obra de arte entre outras citadas no yahoo.com
"He is armed to the teeth and has a massive body," Khalil said. "But his head is small to make him look empty." Uma obra de arte entre outras citadas no yahoo.com
Igualdade
Champallimaud morreu como todos. A morte é o único momento em que todos somos iguais, o fim de todos os privilégios. Pena é que, depois dessa experiência de igualdade, se não possa fazer um post a dizer se sentimos ter valido a pena tudo o que fizemos pela desigualdade do mundo.
sábado, maio 08, 2004
Sorte
Da mesma forma que não espero que me deem a resposta na volta do correio quando me dirijo a alguém nesta terra, espero que demore apenas umas horas a ter a resposta a uma mensagem de correio electrónico quando envio alguma para os Estados Unidos. Tenho mesmo a impressão, muitas vezes, de que lá as pessoas estão permanentemente ligadas e assim que o meile chega, isso implica um resposta quase imediata como se fosse um telefone que toca.
Desta vez a resposta da reserva de um hotel em NY demorou cerca de 24 horas. Uma eternidade depois de ver o débito lançado no cartão de crédito. Mas, mais uma vez, tudo correu bem. É um tempo de eleição este em que vivémos. Onde podemos planear, fazer reservas, quase ver as nossas férias antes de as termos visitando os locais aonde vamos. Ter a possibilidade de estar no início desta era, acompanhar e viver esta história da Internet quase desde o início é um imenso privilégio. Sorte de homem do hemisfério Norte.
Desta vez a resposta da reserva de um hotel em NY demorou cerca de 24 horas. Uma eternidade depois de ver o débito lançado no cartão de crédito. Mas, mais uma vez, tudo correu bem. É um tempo de eleição este em que vivémos. Onde podemos planear, fazer reservas, quase ver as nossas férias antes de as termos visitando os locais aonde vamos. Ter a possibilidade de estar no início desta era, acompanhar e viver esta história da Internet quase desde o início é um imenso privilégio. Sorte de homem do hemisfério Norte.
sexta-feira, maio 07, 2004
Experiência
Mesmo reconhecendo que a ameaça era remota e inverosímil, invadiu-me um desconforto estranho. A partir de agora, terei mais cautela quando me apetecer dizer aos doentes que a probabilidade de neoplasia não vai além de 5%. Na verdade, nestas circunstâncias, a epidemiologia pode mesmo ser ofensiva, porque cada doente é um possível candidato a um desses cinco por cento. E vai sê-lo todos os dias até saber o resultado da biopsia.
quinta-feira, maio 06, 2004
Homem nu com trela
Título para um quadro a negro inspirado na formação humanista dos autores. As escolas de virtudes das Academias Militares produzem estes criadores. Mas não devem esquecer-se neste momento as imagens de exibição de caça, que foram divulgadas na altura da prisão do Saddam. Não terão estes, agora, seguido apenas a arte do Mestre Bush?
A guerra é sempre um espectáculo feio, muito feio mesmo. De uma forma geral, tentam os Homens apagar das suas memórias as imagens que viveram. Curiosamente, estes soldados deleitaram-se a registá-las para mais tarde recordar. Quanto ódio não foi instilado nas suas cabeças? Quanto primitivismo sub-humano é necessário para suportar uma guerra sem sentido, de forma acrítica, sem recuar um instante?
A guerra é sempre um espectáculo feio, muito feio mesmo. De uma forma geral, tentam os Homens apagar das suas memórias as imagens que viveram. Curiosamente, estes soldados deleitaram-se a registá-las para mais tarde recordar. Quanto ódio não foi instilado nas suas cabeças? Quanto primitivismo sub-humano é necessário para suportar uma guerra sem sentido, de forma acrítica, sem recuar um instante?
quarta-feira, maio 05, 2004
Doutrina
Gostaria de poder considerar verdadeira esta notícia, mas efectivamente tal não é possível. Na segunda-feira, o que se comemorou foi a véspera do dia em que o FCP ia jogar na Corunha, ontem a vitória do FCP na Corunha, hoje a festa dos adeptos do FCP que às duas da manhã os esperavam no Porto. Não é para menos, ganharam por dezenas de golos a fazer fé nos relatos da TSF com golo do Ninja de meia em meia hora...
A liberdade de imprensa, possivelmente, devido a alguns contrangimentos de que o autor da notícia fala, resume-se a isto. E é para isto que temos a chamada liberdade de imprensa com os tais constrangimentos. Liberdade de doutrinação?
Para terminar, congratulo-me com o riso do Mourinho no fim do jogo. O Mister quando ganha, sabe rir. Essa foi a melhor imagem do jogo. Afinal, o homem não será tão amargurado quanto parece.
A liberdade de imprensa, possivelmente, devido a alguns contrangimentos de que o autor da notícia fala, resume-se a isto. E é para isto que temos a chamada liberdade de imprensa com os tais constrangimentos. Liberdade de doutrinação?
Para terminar, congratulo-me com o riso do Mourinho no fim do jogo. O Mister quando ganha, sabe rir. Essa foi a melhor imagem do jogo. Afinal, o homem não será tão amargurado quanto parece.
terça-feira, maio 04, 2004
Relações
O maior poder é ficar com a sensação de que se não usa todo para que o outro possa ter o seu, mesmo quando o nosso é bastante maior que o dele. O doente sempre está nesta relação na posição de baixo. O saber, pretensamente, no médico, dá-lhe poderes. Dosear este poder e transformar a relação em confiança, é o que se deve exigir a quem domina. Exigir ao doente que assine uma declaração a dizer que se responsabiliza pelo não internamento é muitas vezes fruto de uma realção episódica, em que não houve tempo suficiente para se criarem laços de confiança. Creio que ninguém gostará de o fazer e só numa sociedade de intolerância tal será possível. O risco partilhado, porque de um e outro lado há bons motivos para assumir as atitudes que se tomam, é a solução mais gratificante e responsabiliza ambas as partes. A sensação que dá é que o doente vai para casa mais bem tratado do que ficaria se fosse internado. Mais não seja porque não foi violentada a sua vontade com a prepotência do poder do médico. Nesses momentos, a relação assume uma dimensão de grandeza que satisfaz, não angustia.
E fica a ausência de remorsos por se não ter condenado à fome o cão sozinho em casa. Aconteceu-me hoje, pela segunda vez, uma doente não poder ser internada por ter um cão sozinho em casa. Amor com amor se paga.
E fica a ausência de remorsos por se não ter condenado à fome o cão sozinho em casa. Aconteceu-me hoje, pela segunda vez, uma doente não poder ser internada por ter um cão sozinho em casa. Amor com amor se paga.
domingo, maio 02, 2004
Um momento de alienação
A hora é de unidade. Depois das emoções fortes de hoje, podemos ainda ter, em conjunto, um momento da nossa alegria possível: festejar a vitória na final contra o FCP. Todos juntos contra o sistema!
sábado, maio 01, 2004
Estive fora, mas li e chateei-me
Para os novos ricos da democracia, gostava de lembrar que naquele tempo nem tudo era desaproveitável. O Totas era o reitor do Camões, uma figura sinistra meio padre, meio pide. Mas teria sido boa escola para alguns ministros do estado a que isto chegou. O Totas era implacável. Quem mascasse pastilha elástica na aula era posto na rua. Bons exemplos que se perderam.
Além de intriga mal educada, que produziu até hoje tal personagem? Que dívida terá o país a pagar a gentinha desta?
Além de intriga mal educada, que produziu até hoje tal personagem? Que dívida terá o país a pagar a gentinha desta?
Foi diferente nessa altura
Foi há 30 anos. O primeiro dos Primeiros de Maio. As ruas de Lisboa alagadas de gente renascida. O povo unido jamais será vencido! A pele arerpia-se ainda hoje, quando a memória reaparece. Naquele tempo havia uma fúria de vida. Não, não era evolução que queríamos naquele dia. Era um grito que exigia mais. O grito do fim do medo. Era a certeza de que unidos venceríamos. Mas a evolução nos dividiu. O meu Primeiro de Maio foi este ano em Itália há uns dias atrás.
sexta-feira, abril 30, 2004
Impressões na sede do ex-Império
23-4-04
Janto no Transatlântico a pensar noutro jantar em que me apetecia estar, lá junto ao Atlântico e em boa companhia.
A Itália do sul surge depois de algum atraso por tempestade na chegada a Munique. Cheguei a um estado em que andar às voltas no ar não me preocupa minimamente. Tudo vai correr bem como sempre.
Por que será, então, que me preocupa manter esta economia do olhar e evito o esbanjamento consumista das palavras? É muito melhor olhar o sol a pôr-se vermelho por cima da asa do avião e a recortar de vermelho os contornos das nuvens do que participar na conversa estafada da comida de companhias aéreas ou das últimas compras de limoncello. Mas, de qualquer modo, às vezes até apetecia ser diferente. Refugio-me no La Republica, onde fico a saber que em Itália, tortura é só da segunda vez. Agora, a polícia pode usar meios menos convencionais com alguém, porque por uma lei deste governo, tortura implica a ideia de repetição. À primeira vale tudo! Estes italianos são loucos!
Mas os médicos vão manifestar-se na rua, amanhã, pela defesa do Serviço Nacional de Saúde.
Tinha uma vaga ideia de Sorrento. As casas penduradas escarpa. Desta vez posso ver o mar aqui por baixo da janela do quarto. É noite e o Vesúvio dorme sossegado do outro lado da baía.
24-4-04
Herculano fica a cerca de uma hora de comboio de Sorrento. Na fila para o bilhete de comboio, uma americano exige o money back, porque o autocarro não chega há uma hora. Os comboios pinchados e com ar suburbano, de outros tempos, funcionam a horas (melhor, aos minutos). Têm excesso de música ambiente, de crianças a tocar acordeão e outros saxofones bufados por alguns com ar de desemprego que não promete terminar aos cinquentas anos. Nos placards de rua, Berlusconi, lembra-me Santana Lopes, anunciando a obra feita. Cada vez mais me parece que devia ser vedado aos políticos comprarem espaço com o dinheiro dos impostos para propagandearem a sua acção. É um insulto à inteligência.
As ruínas da cidade, menos imponentes, mais limitadas que as de Pompeia, são ainda assim, curiosas. Mais não seja pela novidade de as casas chegarem a ter 3 pisos. A visita é rápida pela necessidade do trabalho que espera.
Sente-se a pobreza destes sítios. Nos olhos dos miúdos, na forma de vestir a lembrar-me a minha terra alguns vinte anos antes. E a desordem urbanística total e o trânsito caótico com sinais luminosos possivelmente para colorirem as cidades. Só para isso, que, por aqui, ninguém os vê. Estou snob de civilização.
Mas gosto de ver toda esta roupa estendida nas varandas, a apanhar sol. Um hino do sul onde a roupa vai respirar depois de dormir.
25-4-04
Desencantam-me estas companhias que passam por este dia, meio envergonhados com a lembrança, como se nada tivesse acontecido. É bom lembrar, ainda que sozinho.
Há 30 anos era dia de ir ver a nota de Anatomia Topográfica. Era, mas não foi. Foi dia de estar de orelha no rádio e depois na televisão espreitando a vida que começava a acontecer lá fora. Já perto da noite, foi quando comecei a ir à rua comprar jornais e o República anunciava que não estava censurado. Havia caras novas nas pessoas da rua ou era a minha forma de as ver. Alguma descontracção de irreversibilidade depois de, ainda a meio da tarde, uns rumores terem falado de GNR a resistir. Mas foi irreversível, apesar de à noite, uns quantos generais terem aparecido a prometer Evolução. Tiveram apenas uma vitória transitória como são todas as que contrariam o sentido da história (mas houve uma que durou mil anos!). Há pois que ter cuidado, que eles continuam a andar por aí e até já fazem que alguns se envergonhem da lembrança.
A tarde serve para uma redescoberta de Positano com tempo para fotografias antes de mais uma cerimónia gastronómica. Cansativos estes dias de conversas ocas.
26-4-04
Há dias assim, predestinados para uma coisa e sai tudo diferente. De manhã, espreitando pela janela, o mar lembrava-me Peniche e a travessia para as Berlengas. Não, não me pareceu boa ideia ir a Capri. O Vesúvio, ali do outro lado, pareceu-me mais sensato.
No meu comboio já familiar até Herculano. Lá, logo à saída da estação, tive de esperar quase uma hora pelo Blue Bus, que trepa pelo monte, numa estrada alpina, em esforço na subida. Nas margens da estrada, a terra é pedra pomes cheia de vegetação, duma verdura reconfortante depois do fogo. O Blue Bus tem uma primeira paragem onde nos entra pela porta um simpático velhote de 70s, que num inglês perfeito, pergunta se alguém fala italiano. Não, ninguém, mas todos estávamos prontos para o ouvir em inglês. E conta-nos a história dele, do guarda do Vesúvio. Andrea De Gregorio viu o vulcão explodir em 1944, ainda jovem. Depois, em 1952, foi destacado para lá e isso permitiu-lhe fugir à fome que diz imperava por estas bandas. Criou uma loja de vendas de recordações e ali ficou a receber turistas de todo o lado, entrando pelos autocarros. Mostra-nos o local onde existiu o funicular que fez existir a Funiculi funicola, a canção popular napolitana, e depois o teleférico, acabado quando um raio o partiu. Pensou-se na reedificação o teleférico, mas foi então que uns tipos do greenpeace acharam que o impacte ambiental era excessivamente negativo. Por isso, actualmente algumas centenas de autocarros vão para cima e para baixo a bem do ambiente. E nós, pobres curiosos, depois de o autocarro subir mais um pouco, contornando um rio de lava até chegar ao parque final ladeado de bares e tendas das vendas habituais nestes casos, temos de trepar durante um quarto de hora um caminho com 14% de inclinação para chegarmos à beira da cratera e ver uns fumitos do bicho que dorme 8 quilómetros por baixo, perturbando o sono de algumas centenas de milhar de habitantes lá em baixo, nas margens do golfo de Nápoles que se avista daqui de forma única. Mas Andrea, que vive ali há 52 anos, garante que o Vesúvio está tranquilo, ele que já o viu zangado. Tem um ar tranquilo, este Andrea. Mas gostava que o teleférico viesse.
Depois é a descida até ao parque de estacionamento, onde, incautamente, o alívio da bexiga distendida custa nos WC pré-fabricados de plástico a módica quantia de 1€. Mais vale, por esse preço, descer mais um pouco até ao bar, beber um café e ir tranquilamente à casa de banho... antes de tomar o Blue que vai serpentear encosta abaixo fazendo as curvas todas na contra-mão, em tangentes aos pares com que se cruza, obrigando ao recuo dos carros pequenos que sobem. Um verdadeiro festival de condução napolitana.
Quando chego ao Hotel, fico contente por hoje não haver jantar programado. Apetece-me ficar aqui na varanda, ao pôr do sol, a olhar o Vesúvio que se vai apagando lentamente até amanhã. Um barco de cruzeiro apita na partida, estragando o instante. O mar está calmo, para me levar amanhã até Capri?
27-4-04
Acabou a reunião, duas horas antes para mim para estar a tempo no jetboat que me levou a Capri neste dia quase de Verão. A viagem neste barco dura 20 minutos durante os quais a península de Sorrento vai desaparecendo à esquerda e surge em frente Capri como um tricórnio. Deste lado da ilha, a paisagem não impressiona, são simplesmente casas brancas, banais dispostas pela encosta acima. Antes de sair do porto sou vítima de publicidade enganosa: Visite a gruta azul 8€. Na bilheteira, um aviso breve de que não inclui o barco a remos para ir à gruta. Isto é, não se trata de visita à gruta, mas da viagem até ao barco a remos que vai à gruta. A viagem faz-se ao longo da parede da ilha e à chegada uma multidão de barcos destes, aguardam a abordagem de pequenos barcos a remos para onde saltamos e vamos de cú no chão por motivos que daí a pouco iremos perceber. Com sorte fiquei na proa, sozinho. O par da popa teve prémio de uma americana jovem para aí com uns 120 kg... It’s cold in Ontario! Já no barquito a remos lá nos leva o barqueiro até outro barco maior, onde somos abordados para comprar o bilhete de ingresso (4€) e os serviços do barqueiro (4,3€). Achei piada que ele ainda se fez ao troco! Pois então são 8,3€ para entrar num buraco, onde subitamente ficamos às escuras até que as pupilas se adaptem e comecemos a ver a água de cor azul turquesa. Depois, em não mais de dois minutos, damos uma volta para nos dizerem que o Tibério ia ali tomar banho e ainda temos tempo de ver que a reflexão da luz na parede branca da gruta a pinta de azul num breve instante antes de sairmos. Na pior das hipóteses este barqueiro ganharia 100€/hora, muito acima de um especialista hospitalar em tempo completo prolongado. Claro, que quem ganha é o dono do barco (essa é ainda uma hipótese pior). Isto durará há muito tempo? Não sei, mas para os que lerem e para mim (si retornare a Capri) gruta azul nunca mais! Regressemos à Marina Grande para ir ver Capri.
Foi bom comer tostone, uma tosta mista com mozarella e tomate, no Caffe Caso na Praça Umberto I, uma das esplanadas francesas que ocupam a praça toda deixando um corredor ao meio para os turistas chocarem uns com os outros. Combustível suficiente para dar um passeio primeiro por uma viela desabitada, à direita de quem entra na praça vindo do elevador, onde os gatos comem restos de comida de turista (cuidado bichos que ficam gordos). Arcos e portas de madeira, mas sempre a descer a convidar ao regresso à praça, que nunca se sabe até onde se desce...
Da próxima desci pela ruela da esquina da praça e fui-me deixando andar. Um mundo diferente, cheio de turistas, barulho e hotéis, que são anunciados pelos guias como custando a noite 350€. Isto agora é moda por aqui, já há dias tinha ouvido outra falar com admiração destes preços. Já fizeram as contas a cada minuto de sono? Nem pensar dormir, companhia obrigatória. Já tinha visto numa imobiliária que alugavam casas em Agosto por 30000€ por semana.
Deixei-me ir em direcção aos Farilhões, uns pedregulhos espetados no mar como os das Berlengas. Junto deles um hotel onde Churchill e Eisenhower definiram os destinos do mundo. Ao menos tinham bom gosto estes tipos, não iam para uma base aérea metida no meio do Atlântico. E fumavam puros, eram gordos e pensavam. Os tempos têm recuos de vez em quando. E volto à praça de onde partem todos os caminhos. Agora em direcção ao Arco Natural (saída por um arco no meio de um prédio amarelo). É só seguir as setas, mas o caminho a certa altura parecia não terminar. Mas lá cheguei após novo susto de escadarias no fim do percurso sempre a descer, e muito!, e com ritorno pelo mesmo caminho. É um recanto repousante para depois da caminhada, com visão do verde do mar lá no fundo. A correr que o barco de volta é às 4.20. Cheguei a tempo com descida pelo descedor, que já não houve tempo para voltar a pé pela estrada ou por outro lado qualquer. Anacapri fica no segredo dos deuses ou das sereias. Que a guardem.
28-4-04
Era para ser um dia de viagem sem história.
Pela janela espreitei, recostado na cama do quarto, pela última vez, o Vesúvio a despedir-me dele e deixei-me ficar ali sossegado, enquanto o mar da baía mais parecia um lago por baixo da porta da janela. Acordei com sabor a domingo.
Chegados ao aeroporto, foi a festa. As imagens de Abril nas bandeiras vermelhas da CGIL e de outros sindicatos, os locais de check-in todos ocupados. Não há check-in, ninguém voa em Itália hoje, que os sindicatos desencadearam uma greve sem aviso. Os olhares da esperança e do saber da força descoberta. Sem eles, o mundo pára se for preciso. É isso que gritam os apitos, num coro de cigarras ensurdecedor sempre que alguém dá alguma informação nos altifalantes do aeroporto. A polícia de choque ainda chegou a aparecer, mas foi-se embora. Pelas 6 da tarde, a luta acabava por hoje. Amanhã irá continuar. Amanhã e sempre que eles quiserem. Tudo termina com um comunicado à população lido pelos grevistas. Será esta a via correcta, a das greves politicamente incorrectas?
A solução foi a deslocação do grupo para o aeroporto de Bolonha de onde, em princípio, partiremos amanhã. Uma viagem de autocarro pela Itália, por esta terra que também já foi Império. Pela auto-estrada fora, senti-me como se estivesse a passear nos States e, por momentos, imaginei que será assim que um dia se passeará nos EUA: com o sentimento de que aquela terra também foi, há muitos anos, sede de Império. Os Impérios acabam sempre. Com esta tranquilidade cheguei a Florença para uma noite de recurso no Villa Medici. 650€ por noite! Estes italianos estão loucos! E já não são só eles, pelos vistos.
29-4-04
Por Madrid até ao sossego de Lisboa. O retorno às imagens de que gosto ou a substância da saudade.
Janto no Transatlântico a pensar noutro jantar em que me apetecia estar, lá junto ao Atlântico e em boa companhia.
A Itália do sul surge depois de algum atraso por tempestade na chegada a Munique. Cheguei a um estado em que andar às voltas no ar não me preocupa minimamente. Tudo vai correr bem como sempre.
Por que será, então, que me preocupa manter esta economia do olhar e evito o esbanjamento consumista das palavras? É muito melhor olhar o sol a pôr-se vermelho por cima da asa do avião e a recortar de vermelho os contornos das nuvens do que participar na conversa estafada da comida de companhias aéreas ou das últimas compras de limoncello. Mas, de qualquer modo, às vezes até apetecia ser diferente. Refugio-me no La Republica, onde fico a saber que em Itália, tortura é só da segunda vez. Agora, a polícia pode usar meios menos convencionais com alguém, porque por uma lei deste governo, tortura implica a ideia de repetição. À primeira vale tudo! Estes italianos são loucos!
Mas os médicos vão manifestar-se na rua, amanhã, pela defesa do Serviço Nacional de Saúde.
Tinha uma vaga ideia de Sorrento. As casas penduradas escarpa. Desta vez posso ver o mar aqui por baixo da janela do quarto. É noite e o Vesúvio dorme sossegado do outro lado da baía.
24-4-04
Herculano fica a cerca de uma hora de comboio de Sorrento. Na fila para o bilhete de comboio, uma americano exige o money back, porque o autocarro não chega há uma hora. Os comboios pinchados e com ar suburbano, de outros tempos, funcionam a horas (melhor, aos minutos). Têm excesso de música ambiente, de crianças a tocar acordeão e outros saxofones bufados por alguns com ar de desemprego que não promete terminar aos cinquentas anos. Nos placards de rua, Berlusconi, lembra-me Santana Lopes, anunciando a obra feita. Cada vez mais me parece que devia ser vedado aos políticos comprarem espaço com o dinheiro dos impostos para propagandearem a sua acção. É um insulto à inteligência.
As ruínas da cidade, menos imponentes, mais limitadas que as de Pompeia, são ainda assim, curiosas. Mais não seja pela novidade de as casas chegarem a ter 3 pisos. A visita é rápida pela necessidade do trabalho que espera.
Sente-se a pobreza destes sítios. Nos olhos dos miúdos, na forma de vestir a lembrar-me a minha terra alguns vinte anos antes. E a desordem urbanística total e o trânsito caótico com sinais luminosos possivelmente para colorirem as cidades. Só para isso, que, por aqui, ninguém os vê. Estou snob de civilização.
Mas gosto de ver toda esta roupa estendida nas varandas, a apanhar sol. Um hino do sul onde a roupa vai respirar depois de dormir.
25-4-04
Desencantam-me estas companhias que passam por este dia, meio envergonhados com a lembrança, como se nada tivesse acontecido. É bom lembrar, ainda que sozinho.
Há 30 anos era dia de ir ver a nota de Anatomia Topográfica. Era, mas não foi. Foi dia de estar de orelha no rádio e depois na televisão espreitando a vida que começava a acontecer lá fora. Já perto da noite, foi quando comecei a ir à rua comprar jornais e o República anunciava que não estava censurado. Havia caras novas nas pessoas da rua ou era a minha forma de as ver. Alguma descontracção de irreversibilidade depois de, ainda a meio da tarde, uns rumores terem falado de GNR a resistir. Mas foi irreversível, apesar de à noite, uns quantos generais terem aparecido a prometer Evolução. Tiveram apenas uma vitória transitória como são todas as que contrariam o sentido da história (mas houve uma que durou mil anos!). Há pois que ter cuidado, que eles continuam a andar por aí e até já fazem que alguns se envergonhem da lembrança.
A tarde serve para uma redescoberta de Positano com tempo para fotografias antes de mais uma cerimónia gastronómica. Cansativos estes dias de conversas ocas.
26-4-04
Há dias assim, predestinados para uma coisa e sai tudo diferente. De manhã, espreitando pela janela, o mar lembrava-me Peniche e a travessia para as Berlengas. Não, não me pareceu boa ideia ir a Capri. O Vesúvio, ali do outro lado, pareceu-me mais sensato.
No meu comboio já familiar até Herculano. Lá, logo à saída da estação, tive de esperar quase uma hora pelo Blue Bus, que trepa pelo monte, numa estrada alpina, em esforço na subida. Nas margens da estrada, a terra é pedra pomes cheia de vegetação, duma verdura reconfortante depois do fogo. O Blue Bus tem uma primeira paragem onde nos entra pela porta um simpático velhote de 70s, que num inglês perfeito, pergunta se alguém fala italiano. Não, ninguém, mas todos estávamos prontos para o ouvir em inglês. E conta-nos a história dele, do guarda do Vesúvio. Andrea De Gregorio viu o vulcão explodir em 1944, ainda jovem. Depois, em 1952, foi destacado para lá e isso permitiu-lhe fugir à fome que diz imperava por estas bandas. Criou uma loja de vendas de recordações e ali ficou a receber turistas de todo o lado, entrando pelos autocarros. Mostra-nos o local onde existiu o funicular que fez existir a Funiculi funicola, a canção popular napolitana, e depois o teleférico, acabado quando um raio o partiu. Pensou-se na reedificação o teleférico, mas foi então que uns tipos do greenpeace acharam que o impacte ambiental era excessivamente negativo. Por isso, actualmente algumas centenas de autocarros vão para cima e para baixo a bem do ambiente. E nós, pobres curiosos, depois de o autocarro subir mais um pouco, contornando um rio de lava até chegar ao parque final ladeado de bares e tendas das vendas habituais nestes casos, temos de trepar durante um quarto de hora um caminho com 14% de inclinação para chegarmos à beira da cratera e ver uns fumitos do bicho que dorme 8 quilómetros por baixo, perturbando o sono de algumas centenas de milhar de habitantes lá em baixo, nas margens do golfo de Nápoles que se avista daqui de forma única. Mas Andrea, que vive ali há 52 anos, garante que o Vesúvio está tranquilo, ele que já o viu zangado. Tem um ar tranquilo, este Andrea. Mas gostava que o teleférico viesse.
Depois é a descida até ao parque de estacionamento, onde, incautamente, o alívio da bexiga distendida custa nos WC pré-fabricados de plástico a módica quantia de 1€. Mais vale, por esse preço, descer mais um pouco até ao bar, beber um café e ir tranquilamente à casa de banho... antes de tomar o Blue que vai serpentear encosta abaixo fazendo as curvas todas na contra-mão, em tangentes aos pares com que se cruza, obrigando ao recuo dos carros pequenos que sobem. Um verdadeiro festival de condução napolitana.
Quando chego ao Hotel, fico contente por hoje não haver jantar programado. Apetece-me ficar aqui na varanda, ao pôr do sol, a olhar o Vesúvio que se vai apagando lentamente até amanhã. Um barco de cruzeiro apita na partida, estragando o instante. O mar está calmo, para me levar amanhã até Capri?
27-4-04
Acabou a reunião, duas horas antes para mim para estar a tempo no jetboat que me levou a Capri neste dia quase de Verão. A viagem neste barco dura 20 minutos durante os quais a península de Sorrento vai desaparecendo à esquerda e surge em frente Capri como um tricórnio. Deste lado da ilha, a paisagem não impressiona, são simplesmente casas brancas, banais dispostas pela encosta acima. Antes de sair do porto sou vítima de publicidade enganosa: Visite a gruta azul 8€. Na bilheteira, um aviso breve de que não inclui o barco a remos para ir à gruta. Isto é, não se trata de visita à gruta, mas da viagem até ao barco a remos que vai à gruta. A viagem faz-se ao longo da parede da ilha e à chegada uma multidão de barcos destes, aguardam a abordagem de pequenos barcos a remos para onde saltamos e vamos de cú no chão por motivos que daí a pouco iremos perceber. Com sorte fiquei na proa, sozinho. O par da popa teve prémio de uma americana jovem para aí com uns 120 kg... It’s cold in Ontario! Já no barquito a remos lá nos leva o barqueiro até outro barco maior, onde somos abordados para comprar o bilhete de ingresso (4€) e os serviços do barqueiro (4,3€). Achei piada que ele ainda se fez ao troco! Pois então são 8,3€ para entrar num buraco, onde subitamente ficamos às escuras até que as pupilas se adaptem e comecemos a ver a água de cor azul turquesa. Depois, em não mais de dois minutos, damos uma volta para nos dizerem que o Tibério ia ali tomar banho e ainda temos tempo de ver que a reflexão da luz na parede branca da gruta a pinta de azul num breve instante antes de sairmos. Na pior das hipóteses este barqueiro ganharia 100€/hora, muito acima de um especialista hospitalar em tempo completo prolongado. Claro, que quem ganha é o dono do barco (essa é ainda uma hipótese pior). Isto durará há muito tempo? Não sei, mas para os que lerem e para mim (si retornare a Capri) gruta azul nunca mais! Regressemos à Marina Grande para ir ver Capri.
Foi bom comer tostone, uma tosta mista com mozarella e tomate, no Caffe Caso na Praça Umberto I, uma das esplanadas francesas que ocupam a praça toda deixando um corredor ao meio para os turistas chocarem uns com os outros. Combustível suficiente para dar um passeio primeiro por uma viela desabitada, à direita de quem entra na praça vindo do elevador, onde os gatos comem restos de comida de turista (cuidado bichos que ficam gordos). Arcos e portas de madeira, mas sempre a descer a convidar ao regresso à praça, que nunca se sabe até onde se desce...
Da próxima desci pela ruela da esquina da praça e fui-me deixando andar. Um mundo diferente, cheio de turistas, barulho e hotéis, que são anunciados pelos guias como custando a noite 350€. Isto agora é moda por aqui, já há dias tinha ouvido outra falar com admiração destes preços. Já fizeram as contas a cada minuto de sono? Nem pensar dormir, companhia obrigatória. Já tinha visto numa imobiliária que alugavam casas em Agosto por 30000€ por semana.
Deixei-me ir em direcção aos Farilhões, uns pedregulhos espetados no mar como os das Berlengas. Junto deles um hotel onde Churchill e Eisenhower definiram os destinos do mundo. Ao menos tinham bom gosto estes tipos, não iam para uma base aérea metida no meio do Atlântico. E fumavam puros, eram gordos e pensavam. Os tempos têm recuos de vez em quando. E volto à praça de onde partem todos os caminhos. Agora em direcção ao Arco Natural (saída por um arco no meio de um prédio amarelo). É só seguir as setas, mas o caminho a certa altura parecia não terminar. Mas lá cheguei após novo susto de escadarias no fim do percurso sempre a descer, e muito!, e com ritorno pelo mesmo caminho. É um recanto repousante para depois da caminhada, com visão do verde do mar lá no fundo. A correr que o barco de volta é às 4.20. Cheguei a tempo com descida pelo descedor, que já não houve tempo para voltar a pé pela estrada ou por outro lado qualquer. Anacapri fica no segredo dos deuses ou das sereias. Que a guardem.
28-4-04
Era para ser um dia de viagem sem história.
Pela janela espreitei, recostado na cama do quarto, pela última vez, o Vesúvio a despedir-me dele e deixei-me ficar ali sossegado, enquanto o mar da baía mais parecia um lago por baixo da porta da janela. Acordei com sabor a domingo.
Chegados ao aeroporto, foi a festa. As imagens de Abril nas bandeiras vermelhas da CGIL e de outros sindicatos, os locais de check-in todos ocupados. Não há check-in, ninguém voa em Itália hoje, que os sindicatos desencadearam uma greve sem aviso. Os olhares da esperança e do saber da força descoberta. Sem eles, o mundo pára se for preciso. É isso que gritam os apitos, num coro de cigarras ensurdecedor sempre que alguém dá alguma informação nos altifalantes do aeroporto. A polícia de choque ainda chegou a aparecer, mas foi-se embora. Pelas 6 da tarde, a luta acabava por hoje. Amanhã irá continuar. Amanhã e sempre que eles quiserem. Tudo termina com um comunicado à população lido pelos grevistas. Será esta a via correcta, a das greves politicamente incorrectas?
A solução foi a deslocação do grupo para o aeroporto de Bolonha de onde, em princípio, partiremos amanhã. Uma viagem de autocarro pela Itália, por esta terra que também já foi Império. Pela auto-estrada fora, senti-me como se estivesse a passear nos States e, por momentos, imaginei que será assim que um dia se passeará nos EUA: com o sentimento de que aquela terra também foi, há muitos anos, sede de Império. Os Impérios acabam sempre. Com esta tranquilidade cheguei a Florença para uma noite de recurso no Villa Medici. 650€ por noite! Estes italianos estão loucos! E já não são só eles, pelos vistos.
29-4-04
Por Madrid até ao sossego de Lisboa. O retorno às imagens de que gosto ou a substância da saudade.
sexta-feira, abril 23, 2004
Intervalo
Intervalo por uns dias, com 25 de Abril pelo meio. A menos que, os hotéis da Europa tenham já dado o salto para a Internet por cabo.
Saiam à rua pelo 25 de Abril, sempre. Há um R necessário na evolução.
Saiam à rua pelo 25 de Abril, sempre. Há um R necessário na evolução.
quarta-feira, abril 21, 2004
A banda maaazca
A obesidade é um drama de terras onde os dramas maiores da fome não existem. Pessoas bem adaptadas geneticamente para a privação, são actualmente confrontadas com a abundância e grandes poupadores que eram, aforram e distendem o seu capital de adipocitos. Sem perceberem, pondo ar de vítimas. São vítimas de quase tudo. Dos comprimidos, da água, dos nervos, das glândulas. Quase tudo, porque da comida que comem não são vítimas. Na verdade, não é a comida que nos engorda. Aliás, nem se percebe como comendo tão pouco, se aumenta assim de peso. Pois é, são apenas vítimas da genética e da alimentação idiota que existe a cada esquina.
Mas não se identificando o inimigo, o combate torna-se mais complicado, mesmo sem solução. Na verdade, as glândulas funcionam bem (por que raio continuarão a ir aos endocrinoilogistas?), a água não tem calorias, os comprimidos também não e os nervos coitados deles. Engordam só porque ingerem mais energia do que a que gastam. Ponto final! De maneira que a única solução é modificarem-se os hábitos depois de se identificarem os erros.
Mas não, ouvi falar na televisão de uma coisa, uma banda maaazca (mágica) que as pessoas põem e depois ficam magrinhas. Era isso que queria que o senhor doutor me pusesse. Para eu emagrecer e deixar de ter dores nas costas e melhorar da tensão e da diabetes. Ai se eu soubesse pôr bandas maazcas! Diga-me lá, minha senhora, como é que acha que a banda gástrica faz perder peso? Os olhos ficaram incrédulos, sem perceberem bem a pergunta. Será que eu não sabia o que é a maaazca (magia)? Então eu explico, essa magia é deixar de poder comer nas quantidades que fazem engordar, é ter um tirocínio de vómitos mais ou menos longo sempre que se tenta comer mais, é sensivelmente o que se propõe com uma dieta com baixas calorias. No fundo, nem difere muito de cirurgias ao estômago que se faziam sem propaganda televisiva. O grande avanço que justifica tais notícias é que o empecilho ao apetite agora é fabricado industrialmente e há uma pressão de vendas importante. E mais não digo, que não sou mágico (maaazco).
Mas não se identificando o inimigo, o combate torna-se mais complicado, mesmo sem solução. Na verdade, as glândulas funcionam bem (por que raio continuarão a ir aos endocrinoilogistas?), a água não tem calorias, os comprimidos também não e os nervos coitados deles. Engordam só porque ingerem mais energia do que a que gastam. Ponto final! De maneira que a única solução é modificarem-se os hábitos depois de se identificarem os erros.
Mas não, ouvi falar na televisão de uma coisa, uma banda maaazca (mágica) que as pessoas põem e depois ficam magrinhas. Era isso que queria que o senhor doutor me pusesse. Para eu emagrecer e deixar de ter dores nas costas e melhorar da tensão e da diabetes. Ai se eu soubesse pôr bandas maazcas! Diga-me lá, minha senhora, como é que acha que a banda gástrica faz perder peso? Os olhos ficaram incrédulos, sem perceberem bem a pergunta. Será que eu não sabia o que é a maaazca (magia)? Então eu explico, essa magia é deixar de poder comer nas quantidades que fazem engordar, é ter um tirocínio de vómitos mais ou menos longo sempre que se tenta comer mais, é sensivelmente o que se propõe com uma dieta com baixas calorias. No fundo, nem difere muito de cirurgias ao estômago que se faziam sem propaganda televisiva. O grande avanço que justifica tais notícias é que o empecilho ao apetite agora é fabricado industrialmente e há uma pressão de vendas importante. E mais não digo, que não sou mágico (maaazco).
Notícias da TSF nesta tarde de chuviscos
Quando ouço perguntar, quais acha que podem ser as consequências das detenções do futebol para o país quando o Euro é dentro de 2 meses?, fico com a impressão estranha de se a pergunta não será, não acha que se devia ter adiado esta cena mais uns tempos?. Parece-me haver alguma tristeza nestes perguntadores. Mais uma vez parece que a táctica deve prevalecer sobre os princípios e aquela expressão, doa a quem doer, cai por terra. Tudo se submete a interesses circunstanciais, isto é a imagens que devem ser defendidas contra o que tiver de ser. Saber viver, assim chamado.
E fiquei a saber que à porta do Tribunal se distribuíam bonés de apoio ao Major (fraca carreira militar esta, major na sua idade não é muito...) e que o povo enfiava o boné e gritava, Major amigo, o povo está contigo. São imagens deste país e deste povo (exacto, tudo com minúsculas, exepto o Major, claro!)
E fiquei a saber que à porta do Tribunal se distribuíam bonés de apoio ao Major (fraca carreira militar esta, major na sua idade não é muito...) e que o povo enfiava o boné e gritava, Major amigo, o povo está contigo. São imagens deste país e deste povo (exacto, tudo com minúsculas, exepto o Major, claro!)
terça-feira, abril 20, 2004
segunda-feira, abril 19, 2004
Notícias a que temos direito
O título é Ministro nega epidemia. Assim lido fico sem saber se alguém a afirma. Na verdade, só faz sentido negarmos alguma coisa que outros afirmaram ou então estamos a falar de não-realidades. Ora se são não-realidades, não devem ou não deveriam ser notícias. E tudo isto parece que começou por ser uma notícia de um telejornal. Não fosse isso e seria como todos os anos tem sido. Mas é assim, não havendo notícias, haja desejos de notícia, suspeitas de notícias, qualquer coisa. Tudo menos mostrar-se a realidade, essa é demasiado chata e não é para nos chatear que existe a Informação. A função da informação pode muito bem ser fazer-nos sonhar, mais do que mostrar-nos a vida. Chomsky falaria em doutrinação, talvez.
E já agora se o Ministro diz que não há epidemia, é caso para ficarmos de pé atrás, que estes políticos, a gente já sabe como são... Daí o título da notícia nada tranquilizante.
E já agora se o Ministro diz que não há epidemia, é caso para ficarmos de pé atrás, que estes políticos, a gente já sabe como são... Daí o título da notícia nada tranquilizante.
domingo, abril 18, 2004
Fim de tarde na TVI
Foi divertido hoje ir à missa de domingo à tarde na TVI. O Bispo Marcelo, inspirado como sempre, mostrou como Bush e DB são inteligentes, o ministro da administração interna ingénua e os líderes de esquerda incompetentes. E nós seguimos em paz e que o senhor nos acompanhe. Ri-me um bom bocado. Recomendo.
Esteve razoável sobre o adenovírus. Afinal, o tal bicho já nos tinha visitado noutros anos, só que agora estamos mais despertos para o problema. Depois a tranquilização de que o problema não é motivo para alarme. Vindo dele o país vai passar a dormir tranquilo, já que a mesma afirmação feita reiteradamente pela Direcção Geral de Saúde é sempre suspeita. Este é o país onde o parecer técnico é sempre subjugado pela pergunta de um jornalista ignorante. A técnica é nunca esclarecer as dúvidas questionando técnicos, por exemplo, nas Universidades. Mais vale a opinião do primeiro transeunte que cai à frente do microfone de um jornalista inquieto.
E depois, nem sei a que propósito, aquela nota de rodapé a chamar a atenção para a ponte sob o Guadina. É o preço das políticas de baixos custos com pessoal. Em vez de pontes, temos túneis (informação subterrânea).
Esteve razoável sobre o adenovírus. Afinal, o tal bicho já nos tinha visitado noutros anos, só que agora estamos mais despertos para o problema. Depois a tranquilização de que o problema não é motivo para alarme. Vindo dele o país vai passar a dormir tranquilo, já que a mesma afirmação feita reiteradamente pela Direcção Geral de Saúde é sempre suspeita. Este é o país onde o parecer técnico é sempre subjugado pela pergunta de um jornalista ignorante. A técnica é nunca esclarecer as dúvidas questionando técnicos, por exemplo, nas Universidades. Mais vale a opinião do primeiro transeunte que cai à frente do microfone de um jornalista inquieto.
E depois, nem sei a que propósito, aquela nota de rodapé a chamar a atenção para a ponte sob o Guadina. É o preço das políticas de baixos custos com pessoal. Em vez de pontes, temos túneis (informação subterrânea).
sábado, abril 17, 2004
Mais estupidez
Assassinado mais um líder palestiniano. Mais umas centenas de milhares de mísseis e o problema do médio oriente fica resolvido, pensa Sharon.
sexta-feira, abril 16, 2004
Basta de estupidez!
Hoje comecei mal o dia. Na TSF dizia-se que o DB tinha criticado o Primeiro Ministro espanhol por este admitir retirar as tropas do Iraque. E fê-lo em termos perfeitamente lamentáveis agora que já nem é jovem militante do MRPP. O fulano teve uma recaída e insinuou que o motivo da retirada seria tentar-se ficar mais imune a um qualquer atentado terrorista e que essa retirada não tornava a Espanha mais segura do que nós estaríamos mantendo os nossos GNRs por lá.
A história é outra bem diferente. Primeiro, que se saiba Zapatero e o PSOE sempre se manifestaram contra a entrada da Espanha na guerra do Iraque. Segundo, apresentatram-se às eleições com a promessa de retiraraem se o quadro da invasão não fosse entretanto alterado. Terceiro, ainda parece haver na política pessoas que depois de prometerem nas campanhas eleitorais, uma vez eleitos, honram as promessas feitas. É que ao votarem como votaram, os espanhóis, também votaram na retirada. Da mesma forma que os portugueses terão votado com a ideia de que os impostos iriam baixar, as reformas iriam aumentar, por exemplo. Só que uns cumprem, outros não. O que faz perder a cabeça ao DB é que os argumentos que o fizeram optar pelo seguidismo em relação ao Império, vão caindo um depois do outro. As armas de destruição maciça continuam muito bem escondidas e o célebre argumento de que alinhávamos com os nossos aliados mais antigos e os nossos vizinhos também começa a desmoronar-se. Realmente, alinhámos porque não somos capazesde ter perante os americanos, outra posição que não seja aquela em que se perdem as guerras. Por isso não escolhemos a posição dos franceses e alemães. Há que procurar um alinhamento europeu, a América fica longe e esta então é uma miragem até Novembro...
Finalmente, o que não pode admitir-se a um PM é que admita que as opções de participar ou não numa guerra sejam determinadas pelo cálculo dos riscos. As guerras são justas ou não e quando são justas todos os riscos são toleráveis e aceitáveis. Quando não têm razão de ser (como a actual) persistir no erro é simplesmente estupidez. O problema não é errar, é não aprender com os erros. Ainde se lembrará disto, DB?
E não se pode admitir que a estupidez possa pôr em causa relações entre países, que terão de ser vistas sempre com o chamado sentido de Estado. Sinceramente, para estúpido já nos basta ter que aturar o Imperador!
A história é outra bem diferente. Primeiro, que se saiba Zapatero e o PSOE sempre se manifestaram contra a entrada da Espanha na guerra do Iraque. Segundo, apresentatram-se às eleições com a promessa de retiraraem se o quadro da invasão não fosse entretanto alterado. Terceiro, ainda parece haver na política pessoas que depois de prometerem nas campanhas eleitorais, uma vez eleitos, honram as promessas feitas. É que ao votarem como votaram, os espanhóis, também votaram na retirada. Da mesma forma que os portugueses terão votado com a ideia de que os impostos iriam baixar, as reformas iriam aumentar, por exemplo. Só que uns cumprem, outros não. O que faz perder a cabeça ao DB é que os argumentos que o fizeram optar pelo seguidismo em relação ao Império, vão caindo um depois do outro. As armas de destruição maciça continuam muito bem escondidas e o célebre argumento de que alinhávamos com os nossos aliados mais antigos e os nossos vizinhos também começa a desmoronar-se. Realmente, alinhámos porque não somos capazesde ter perante os americanos, outra posição que não seja aquela em que se perdem as guerras. Por isso não escolhemos a posição dos franceses e alemães. Há que procurar um alinhamento europeu, a América fica longe e esta então é uma miragem até Novembro...
Finalmente, o que não pode admitir-se a um PM é que admita que as opções de participar ou não numa guerra sejam determinadas pelo cálculo dos riscos. As guerras são justas ou não e quando são justas todos os riscos são toleráveis e aceitáveis. Quando não têm razão de ser (como a actual) persistir no erro é simplesmente estupidez. O problema não é errar, é não aprender com os erros. Ainde se lembrará disto, DB?
E não se pode admitir que a estupidez possa pôr em causa relações entre países, que terão de ser vistas sempre com o chamado sentido de Estado. Sinceramente, para estúpido já nos basta ter que aturar o Imperador!
quinta-feira, abril 15, 2004
Globalização do feudalismo
Terá sido Deus quem pôs os ricos e os pobres na Terra? E de quem era o planeta, antes de cá chegarmos? O problema é que naqueles tempos não havia Conservatória do registo de Propriedade. A história de tudo isto anda a ser muito mal contada e está muito longe de ter chegado ao fim. Arqueólogos, precisam-se! É gigantesco o trabalho a fazer. Não é fácil perceber este crescimento, sim, o crescimento do afastamento entre um grupo cada vez mais pequeno de senhores e um grupo cada vez maior de servos. Esta globalização do feudalismo.
Nem sei a que propósito vem isto, talvez dos romances ou da falta de notícias. Ou da paz. Da paz da lucidez em que algumas vezes mergulho; seguramente não seria da que o Bin Laden nos oferece...
Nem sei a que propósito vem isto, talvez dos romances ou da falta de notícias. Ou da paz. Da paz da lucidez em que algumas vezes mergulho; seguramente não seria da que o Bin Laden nos oferece...
quarta-feira, abril 14, 2004
Para além dos trópicos
Nestes dias os raptos no Iraque já são banais, as pneumonias por adenovírus triviais, os discursos do Imperador simplesmente iguais. Nada me surpreende. Melhor mesmo é não ouvir notícias, olhas só para elas, todos os dias marginais à rotina. Mesmo bom nestes dias assim a leitura de um romance. Equador, só ele me causa alguma surpresa.
terça-feira, abril 13, 2004
Mistérios da minha terra
Parece que em Junho vamos ter o Euro 2004. Para ajudar os portugueses a comprarem os bilhetes para o Euro, o Governo anuncia para essa altura um aumento da pensão mínima de 2%, isto é para 212,16€. Está certo, conferi, é mesmo assim com a vírgula colocada no sítio certo. E pensaríamos nós que esta fortuna é o que ganha uma minoria muito mínima dos portugueses. Santa ignorância! A coisa atinge mais de 2500000 portugueses. Portanto, o investimento de 4 € por cabeça em mês de eleições até é capaz de ser razoável. Bem hajam os nossos grandes governantes!
Parece pouco, mas quase dá para o leasing do Mercedes que inclui revisões e seguros (500€/mês) Oh pai, 500€ não é muito dinheiro, pois não? E eu que ainda não tinha entendido por que se estavam a vender tantos Mercedes...
Parece pouco, mas quase dá para o leasing do Mercedes que inclui revisões e seguros (500€/mês) Oh pai, 500€ não é muito dinheiro, pois não? E eu que ainda não tinha entendido por que se estavam a vender tantos Mercedes...
segunda-feira, abril 12, 2004
Rebeldes ou patriotas?
No fim do fim de semana, ouço com espanto no noticiário que neste dia os rebeldes iraquianos tinham atingido um helicóptero americano em Bagdade. Não recuam nos adjectivos os jornalistas objectivos que temos. Rebeldes são os que contestam o invasor. Noutras circunstâncias seriam o quê, patriotas? Sim, uns tipos que defendem o país deles da presença de um invasor, o que são, rebeldes ou patriotas?
Nota, estes rebeldes não terão dantes apoiado o ditador e não têm em seu poder, que se saiba, armas de destruição maciça. São apenas rebeldes como todos os que não gostam de hambúrgueres e coca-cola. Just that!
Nota, estes rebeldes não terão dantes apoiado o ditador e não têm em seu poder, que se saiba, armas de destruição maciça. São apenas rebeldes como todos os que não gostam de hambúrgueres e coca-cola. Just that!
Diferenças
Lembro-me, vagamente, de umas semanas santas com muito roxo em que o tempo ficava cinzento a condizer com uns discursos de padres tenebrosos, os padres e os discursos. Desta vez, o sol brilhou e o céu ficou azul e o tempo frio. Só eu me constipei. Mas os tempos estão mudados.
sexta-feira, abril 09, 2004
Santa sexta-feira
Rigorosamente, todos os anos à sexta-feira a prolongar o fim de semana para 3 dias. Valeu-lhe, com toda a justiça, o título de santa.
quinta-feira, abril 08, 2004
Erro genérico do jornalismo
No Hospital de Lagos, morreram duas pessoas jovens, aparentemente sem grande justificação. A Inspecção Geral de Saúde concluiu, erro humano. A Ordem dos Médicos, fala de genéricos.
Ainda continuo sem perceber para que serve a Ordem dos Médicos. Afinal, a humana que errou já está suspensa e os genéricos em causa continuam a usar-se aparentemente sem que grande mal venha ao mundo. Mas alguma coisa me faz adivinhar que é a suspensão que vai ser levantada e os genéricos que vão ser suspensos.
E que tal informarem-nos depois de se ter esclarecido tudo isto nos locais próprios. Ou será que o jornalismo tem por função primordial pressionar os investigadores e não tanto o objectivo de informar?
Ainda continuo sem perceber para que serve a Ordem dos Médicos. Afinal, a humana que errou já está suspensa e os genéricos em causa continuam a usar-se aparentemente sem que grande mal venha ao mundo. Mas alguma coisa me faz adivinhar que é a suspensão que vai ser levantada e os genéricos que vão ser suspensos.
E que tal informarem-nos depois de se ter esclarecido tudo isto nos locais próprios. Ou será que o jornalismo tem por função primordial pressionar os investigadores e não tanto o objectivo de informar?
Desta já me safei ou os outros que se lixem!
Que bom que deve ser para as famílias dos militares que partiram agora para o Iraque verem estes que regressam, quase, unanimemente, dizerem, para o Iraque nunca mais! Será que pensavam que iam só buscar tapetes? Custa-me a aturar este tipo de coisas!
Ainda assim, prefiro a história da mãe americana que foi lá ao quartel levar bolinhos ao filhote...
Pessoas, umas mais outras menos, todas vítimas de uma guerra idiota.
Ainda assim, prefiro a história da mãe americana que foi lá ao quartel levar bolinhos ao filhote...
Pessoas, umas mais outras menos, todas vítimas de uma guerra idiota.
É o desporto, estúpidos!
É bom que nos informem, que saibamos as causas das coisas. Assim, ficamos mais tranquilos, ainda que fiquemos exactamente a perceber o mesmo que tínhamos percebido antes de sermos informados. A tranquilidade que dá saber que o Feher morreu porque tinha hipertrofia moderada do coração! Finalmente, vamos dormir mais tranquilos, pensando que temos uma hipotrofia do coração porque não fazemos desporto. E ficamos tranquilos de coração pequenino. Afinal, o nosso coração destreinado, minúsculo até pode ser uma vantagem. De vez em quando vem dizer-nos que o exercício físico é saudável. Mas cuidado, aumenta-nos o coração! Certas notícias, por contraditórias, deixam-me inquieto. Mas é só aqueles que como eu, sabem que o exercício físico aumenta o tamanho do coração. Do coração e dos outros músculos todos. A única coisa saudável, é rir. Rir com o ar com que os nossos pivots televisivos nos anunciam, com o ar mais sério deste mundo, que a causa da morte do Feher foi a hipertrofia moderada do miocárdio. Sem apontarem o culpado, eles que tanto gostam de culpar alguma coisa: é o desporto, estúpidos!
quarta-feira, abril 07, 2004
Pequeno contributo para mais uma teoria da relatividade
Arrepíamo-nos com 200 mortos em Madrid ou 3000 em Nova Iorque. Os meios de informação falam à exaustão do problema, repetindo vezes sem conta as imagens para engrandecerem a tragédia. Curiosamente, até me parece, pelo que vejo, que os 200 de Madrid são mais que os 3000 de Nova Iorque. A dimensão do drama varia geometricamente na razão inversa da distância. Temos esta sábia capacidade de relativizar.
Só por isso, há dez anos, tolerámos sem uma intervenção civilizacional o drama do Ruanda. Bem por isso, porque a maior parte das pessoas pensa que o Ruanda é noutro planeta e porque os líderes da civilização tinham já concluído que naquele lugar os recursos naturais não justificariam os custos de uma intervenção...
Um milhão de mortos é como se morressemos todos sem excepção em Lisboa, não é? Todas as ruas cheias de cadáveres amontoados. Bom, aqui era pior, porque o branco da pele contrastaria mais com o alcatrão.
Só por isso, há dez anos, tolerámos sem uma intervenção civilizacional o drama do Ruanda. Bem por isso, porque a maior parte das pessoas pensa que o Ruanda é noutro planeta e porque os líderes da civilização tinham já concluído que naquele lugar os recursos naturais não justificariam os custos de uma intervenção...
Um milhão de mortos é como se morressemos todos sem excepção em Lisboa, não é? Todas as ruas cheias de cadáveres amontoados. Bom, aqui era pior, porque o branco da pele contrastaria mais com o alcatrão.
terça-feira, abril 06, 2004
Atenção miúdos!
Vá, para vocês todos, os miúdos que têm a paciência de virem aqui, façam o favor de ler e divulgar o blog deste link. Há lá histórias que vocês não sabem. Já agora os mais velhos recuem também 30 anos e se puderem acrescentem mais alguma coisa. Como se dizia (ainda se diz?): 25 de Abril sempre!
O Cunha
Posso escrever o nome. Cunha. O Cunha é um dos protótipos do doente bem sucedido que fica incomodado com os deveres que tem para o seu médico. Chega a horas à consulta. Cumpre a medicação. Só a dieta é que não. Não haverá comprimidos que ajudem? Não, Cunha, só a sua vontade o ajudará. Mas gosta de comer e de beber também. O Cunha trabalha, empreendedor vai aumentando os empregados, mas acha-os sócios. Quase chora se a recessão o obriga a mandar alguns embora. O Cunha deve odiar a esquerda. E reconheçamos, certa esquerda pode ser odiável. Aquela que não tem a generosidade do Cunha. Uma esquerda cheia de direitos, desumanizada. Há de tudo. O Cunha é um português de sucesso. Tudo sem recibos. Economia livre. O Cunha é alérgico aos impostos. Um papelinho chega. O Cunha gosta de oferecer borregos pela Páscoa e para isso lá vai a esposa dedicada, de casa em casa daqueles de quem o Cunha gosta, distribuir o rebanho. O Cunha está na oficina. Um ritual anual. O Cunha é assim empreendedor e generoso. Doutor, quando arranja um consultório? O Cunha acha que isto da medicina no hospital é um mal menor sem deixar de o ser. Um consultório nas avenidas é que era.
segunda-feira, abril 05, 2004
As árvores ficaram brancas
Subitamente percebi as obras do parque de estacionamento das traseiras do hospital e mais aquilo que para mim tinha sido um mistério nos dias anteriores. Por que raio teriam pintado de branco as bases das árvores até à altura de perto de 2 metros. O parque estava vazio, mostrando melhor as árvores com as bases brancas. Seguranças do hospital, polícias de trânsito e outros cavalheiros bem mais altos e de óculos escuros olhavam em volta e sugeriam a procura de outros locais para estacionar. Depois soube que o DB estava de visita ao hospital. A pintura das árvores seria para ver melhor sacos e mochilas? Deve ser tramado passar diariamente por isto e pensar em toda a tinta que se faz gastar.
Fim de tarde
A delícia do Big Sur à portuguesa. Perto do fim da tarde pela costa de Torres Vedras até Sintra, com passagem pela Ericeira e pelo miradouro de Ribeira d'Ilhas. Vale a pena experimentar.
sábado, abril 03, 2004
O poder do povo
No meio do zapping, passei pelo concurso onde a jovem se confrontava coma questão magna de saber « segundo a Constituição da República, quem era o dententor do poder político». Três hipóteses, o Presidente da República, o Povo ou o Primeiro Ministro? Tentou a exclusão de partes, o presidente não manda nada; o povo? claro que não; ok, por exclusão, o Primeiro Ministro. O apresentador lembra os seus conhecimentos de direito e afirma, entusiasmado, claro que é o Povo. Mais, havia uns oponentes na assistência. Fomos ver as respostas. Erraram todos. Moral da história: 1)ninguém lê a Constituição (excepto os que desistiram do curso de Direito) e 2)pelo menos não acreditamos nos poderes que temos. Têm a certeza que temos? Ou será só uma ilusão, angustiadamente, gritada como doutrina por apresentadores televisivos.
sexta-feira, abril 02, 2004
Continuemos...
Achei curioso como muitos bloquistas mentirosos ontem tiveram a mesma ideia de ameaçar terminar a blogosfera. Que pode isto significar? Algumas semelhanças dos que por aqui andam, algum sentimento de provocação. Gostamos possivelmente de tentar provocar e temos a ilusão de às vezes o conseguirmos. Haja tempo, não faltem os assuntos e cá irei continuar nos meus cinco minutos de edital quase diário.
quinta-feira, abril 01, 2004
Acabou
O início dos meses pode levar-nos para momentos de lucidez. Há uma série de meses aqui tenho vindo quase diariamente deixar umas linhas. Algumas almas pacientes têm-se dado ao cuidado de aqui virem ler e algumas até deixar um ou outro comentário. Só que já começo a estar farto e a perceber que esta manifestação narcísica tem de ter um fim. Foi hoje. Bem hajam todos!
quarta-feira, março 31, 2004
Cuidado não-cidadãos!
Já não se trata de votar em branco, mas de nos assumirmos como não cidadãos. Que se estará a passar numa sociedade em que este tipo de coisas é possível? E são precisamente os jovens, aqueles que mais interesse teórico teriam na melhoria da sociedade que assim procedem. Parece que nos transformamos em meros consumidores. Também dos actos dos políticos. Uma geração desengraçada conveceu os jovens que têm direito a tudo, que o esforço é um bem negativo, que o bem-estar um direito inalienável, que deve ser conseguido o máximo com o mínimo esforço. Isso é uma boa relação custo-benefício. Alienados, preparam-se para comer os restos. Mas ainda estão a tempo de perceber que ninguém dá nada a ninguém e que os que os convenceram dos direitos todos, são os mesmos que lhes tiram os contratos colectivos de trabalho e lhes impõem contratos individuais, que lhes tiram as garantias no emprego, na saúde, na educação, em resumo que lhes oferecem tudo para eles consumirem, ficando à espera de amealhar com o investimento deles. É urgente reflectir, não ir com as outras (da boa vida, por sinal, mas só delas). Não há almoços grátis, lembram-se? É altura de fazer uma sociedade de mais acção e menos reacção e para isso é fundamental que nos assumamos como cidadãos intervenientes.
terça-feira, março 30, 2004
Voto de cruz
Ontem foi uma noite diferente. Como antigamente, de ouvido na telefonia. Na TSF, a ouvir o debate sobre o livro do Saramago. A lucidez do voto em branco. Será o voto em branco uma forma de contestar o sistema? Dizer não consumo destes pratos que me apresentam, muito obrigado. Mas, será que devemos ser apenas consumidores, recusando eventualmente, o consumo, ou temos a obrigação de ser produtores, criando pratos alternativos? Até ver, penso que não nos podemos demitir de ser cidadãos; se não aceitamos o que nos dão, vamos criar diferente.
segunda-feira, março 29, 2004
Dois sobrinhos num país de tias (e tios)
Valeu a pena ir à Gulbenkian esta tarde ouvir o Professor Luís Sobrinho falar sobre hormonas, vida e doenças. Não porque tivesse dito alguma coisa de especialmente inovador. Mais pela forma simples de abordar coisas complicadas. A simplicidade fruto da reflexão sobre os temas. Depois de se pôr o ovo de pé, a coisa é simples. Difícil foi a reflexão que levou à hipótese. O génio é a criação da pergunta.
Lá mais para o Verão, teremos no ICE 2004, o outro Professor Sobrinho Simões. Das vezes que o ouvi, enconteri a mesma atitude de quem tem mais perguntas que respostas, dos que fazem as perguntas que se não forem feitas outros as farão. Pela simples razão de que as respostas eram necessárias. As publicações não são objectivos em si, acabam por ser a necessidade de dar a notícia aos outros de que se pode passar a outras perguntas, que estas que agora se publicam já tiveram resposta.
Curiosamente são os dois Sobrinhos. Raros (muito!) num país de muitas e muitos tios.
Lá mais para o Verão, teremos no ICE 2004, o outro Professor Sobrinho Simões. Das vezes que o ouvi, enconteri a mesma atitude de quem tem mais perguntas que respostas, dos que fazem as perguntas que se não forem feitas outros as farão. Pela simples razão de que as respostas eram necessárias. As publicações não são objectivos em si, acabam por ser a necessidade de dar a notícia aos outros de que se pode passar a outras perguntas, que estas que agora se publicam já tiveram resposta.
Curiosamente são os dois Sobrinhos. Raros (muito!) num país de muitas e muitos tios.
Mais uma
Ontem foi em Espanha, hoje em França e amanhã esperemos que noutros locais. Basta de liberalismo cego, procurem-se outros índices de crescimento. Decresça o desemprego, aumente o produto interno individual das pessoas. Cresçam as pessoas!
sábado, março 27, 2004
Aviso
Um acidente anunciado a tempo, pode muito bem evitar outro. Antes de sair para CREL a notícia estava naqueles placards sobre a A5. Dizia acidente na saída da CREL. Uns metros mais adiante, o BMW patinava, fazia um pião e parava encostado no rail. Provavelmente, teria ali havido antes o tal acidente, chovia e algum óleo deve ter ficado na estrada. Travei a tempo, porque mne tinham avisado.
quinta-feira, março 25, 2004
Vida(s)
A ciência de viver nem sempre é fácil de apreender. Algo em nós nos puxa para a acção pouco reflectida, um certo sentimento de manada. De tal forma que muitas vezes nem nos incomoda o pó que se levanta na correria em que estamos. Ficamos enebriados com a cegueira que o pó no ar nos causa. A toda a velocidade, percorremos caminhos e foi sem querer que o fizemos. A ciência de viver passa pela pausa da inacção. Pela reflexão. Há dias em que percebemos que cortar a relva do quintal dos nossos pais é bem mais importante do que brilhar diante de plateias mais ou menos invejosas e desejosas de espectáculo. A opção certa acaba por nos dar um instante de vida bem mais cheio e recordável. A vida tem muito de recordação. É também essa a atracção da fotografia. O que se vive a folhear os álbuns!
quarta-feira, março 24, 2004
Reincidência
A primeira vez foi a apropósito da manifestação pela Paz no sábado passado. O senhor acha que não pode haver manifestações perto de um tribunal ali para as bandas da CML. Pronto, SL, no próximo ano nada de meninos com bandeirinhas vermelhas e verdes no 5 de Outubro e atenção quando o Sporting ganhar o campeonato lá terá de os receber noutras bandas (Alcochete?).
Mas hoje o homem reincidiu. Não autorizou a manifestação estudantil. De onde terá vindo esta ave rara? Não eram os Governadores Civis que eram cargos a extinguir por este Governo?
O que vale é que ele estrebucha e as manifestações passam!
Mas, pelo sim pelo não, é bom estarmos vigilantes.
Mas hoje o homem reincidiu. Não autorizou a manifestação estudantil. De onde terá vindo esta ave rara? Não eram os Governadores Civis que eram cargos a extinguir por este Governo?
O que vale é que ele estrebucha e as manifestações passam!
Mas, pelo sim pelo não, é bom estarmos vigilantes.
terça-feira, março 23, 2004
Morning post
O sol levanta-se em frente, do outro lado do Tejo e do cimento, enquanto, sentado neste banco da catedral gótica pós-moderna dos comboios, espero pelo Alfa, que chega rigorosamente para partir às 8.04. Estou na Europa. Hoje, pela primeira vez, reparo que os meus olhos passam por cima de todas as bagagens que, depositadas pelo chão, também esperam embarque. E sei, quase de certeza, que os aviões e os comboios devem ser actualmente os meios mais seguros de me transportar. Difícil é adivinhar como vai ser da próxima vez, porque a imaginação não tem limites.
segunda-feira, março 22, 2004
Simplicidade americana
Pois não, não se combate o terrorismo com o terrorismo. A ideia peregrina do Imperador de os ir caçar todos não vai, resultar. Isto é mais complexo do que uma cowboiada, não haverá nunca cordas que os apanhem a todos. Podem matar um ou outro como hoje, de novo, voltou a acontecer. Mas nos dias que se seguem irão ter a resposta terrorista, ao Estado terrorista. Sharon não é menos criminoso que os que acusa de o serem e como diz o Saramago, sabem pouco estes que não percebem o que pode fazer um homem tornar-se bomba (citado blogue de esquerda, hoje).
Os que diabolizam agora o diálogo tentam confundir realidades. É seguramente possível reflectir, dialogar sobre as causas do terrorismo. Claramente, não aceitando os métodos, mas também recusando a ideia simples dos maus e dos bons e da necessidade de varrer todos os maus. Esta é igualmente uma ideia terrorista. Retirar tropas de uma guerra errada, não é ceder ao terrorismo, mas tão só corrigir um erro, perceber que no Iraque, os iraquianos devem mandar e fazer as suas escolhas. O que se conseguiu com a intervenção foi ouvir um iraquiano dizer que dantes não tinha liberdade, mas que agora a liberdade de nada lhe serve sem a segurança que tinha dantes. A lógica dos cowboys não funciona noutras paragens. Foi também neste fim de semana que ouvi um soldado americano dizer que 98% dos iraquianos eram bons tipos, os outros 2% é que deviam ser abatidos. Assim, com a simplicidade das análises americanas.
Os que diabolizam agora o diálogo tentam confundir realidades. É seguramente possível reflectir, dialogar sobre as causas do terrorismo. Claramente, não aceitando os métodos, mas também recusando a ideia simples dos maus e dos bons e da necessidade de varrer todos os maus. Esta é igualmente uma ideia terrorista. Retirar tropas de uma guerra errada, não é ceder ao terrorismo, mas tão só corrigir um erro, perceber que no Iraque, os iraquianos devem mandar e fazer as suas escolhas. O que se conseguiu com a intervenção foi ouvir um iraquiano dizer que dantes não tinha liberdade, mas que agora a liberdade de nada lhe serve sem a segurança que tinha dantes. A lógica dos cowboys não funciona noutras paragens. Foi também neste fim de semana que ouvi um soldado americano dizer que 98% dos iraquianos eram bons tipos, os outros 2% é que deviam ser abatidos. Assim, com a simplicidade das análises americanas.
quinta-feira, março 18, 2004
Ainda é tempo
"Combatting terrorism with bombs, with operations of shock and awe, with Tomahawk missiles, is not the way to beat terrorism. Not like that. It is a way of generating more radicalism, more people who can wind up being tempted by using violence," Zapatero said.Agrada-me que o Yahoo tenha mensagens destas contidas nos seu textos de notícias. Pelo menos, os americanos ouvem agora de viva voz, que o caminho pode ser diferente. O tratamento do terrosismo é o tratamento as suas causas. O fanatismo trata-se com pão e cultura e não com continuação da exploração e bombardeamentos geradores de mais ódios e mais fanatismo religioso. Teremos de pagar a nossa parte da conta da desigualdade e o caminho não será seguramente o da criação de um sistema de guerra que agrave a situação como é o caminho que tem vindo a ser seguido pela actual administração americana. Alguém vai ter de fazer passar esta mensagem até aquele povo de mais de 250 milhões que pensam que estão isolados no mundo e se consideram a maior democracia do mundo, mas que na realidade são uma sociedade acrítica, incapaz de reflexão e perigosamente fanática por também desinformada. Estamos na hora da Europa dar ao mundo a sua mensagem humanista. E há sempre tempo para a verdade. Sair do Iraque, não é uma derrota, é a correcção de um lamentável erro a que alguns foram induzidos pela mentira da administração americana. Corrigir os erros é sempre bom caminho. persistir neles é mera estupidez que, por vezes, conduz apenas a outros ainda maiores.
Não consigo deixar de me perguntar se sem a administração Bush teria havido o 11 de Setembro
Não consigo deixar de me perguntar se sem a administração Bush teria havido o 11 de Setembro
quarta-feira, março 17, 2004
Só faltam mais dois (tanto tempo...)
O pior não é terem passado dois anos, muito mais grave é ainda faltarem dois. O DB diz que arrumou o país e isso é uma notícia menos má. Finalmente, começa a falar verdade. Ainda me lembro das promessas de reduções nos impostos, dos aumentos das pensões de reforma, da melhoria da qualidade de vida, que, se calhar, o puseram onde está. Durante dois anos a mentira continuou. Agora temos mais gente arrumada no desemprego, as pensões hão-de ser aumentadas na véspera das próximas eleições e assim por diante no cumprimento do programa. E se o Imperador permitir, até as tropas vão regressar um destes dias do Iraque (pertinho das eleições de preferência).
terça-feira, março 16, 2004
A nova jangada
Haverá possivelmente agora mais condições para a Europa renascer. Muito mais do que pelo alargamento a Leste, de onde poucas novidades poderão vir tal é a dependência desses Estados em relação aos EUA. Saíram de um adeus a Lenine, ainda não completamente esclarecido, e ainda estão na fase de encantamento do acesso ao consumo, numa tentativa de recuperação de tempo que ainda julgam perdido. Entretanto, têm capital de conhecimento adquirido. Vamos ver se isso inclui substracto que permita análise.
As eleições de Espanha acrescentaram mais uma peça ao motor da Europa. Esperemos, que o eixo Alemanha-França-Espanha possa funcionar orientando o continente não o deixando ir a reboque dos EUA. É curioso ver que a fractura não passa pelas orientações programáticas dos Partidos implicados, mas mais pelas personalidades. Duvido que um cristão-democrata alemão fosse tão subserviente em relação à América quanto o é o Sr. Blair, um socialista (?) seguramente bem diferente do Sr. Zapatero. Por mim gostava muito de ver que os continentes se continuavam a afastar.
As eleições de Espanha acrescentaram mais uma peça ao motor da Europa. Esperemos, que o eixo Alemanha-França-Espanha possa funcionar orientando o continente não o deixando ir a reboque dos EUA. É curioso ver que a fractura não passa pelas orientações programáticas dos Partidos implicados, mas mais pelas personalidades. Duvido que um cristão-democrata alemão fosse tão subserviente em relação à América quanto o é o Sr. Blair, um socialista (?) seguramente bem diferente do Sr. Zapatero. Por mim gostava muito de ver que os continentes se continuavam a afastar.
segunda-feira, março 15, 2004
Rir de gosto
Este blog não tem fotografias. Espero pacientemente que o Blogger as deixe colocar sem custos. Mas hoje, pela primeira vez, sinto alguma pena de aqui não poder afixar algumas.
Poderei ser tendencioso, mas é assim que vejo as coisas. Já repararam como são felizes os risos da esquerda quando ganha? Há uma ternura imensa, um sentimento de reparação de uma injustiça, quase. A esquerda ri em acção de graças, é feliz, tem uma forma optimista de rir. Não é aquele esgar de vitória agressivo do riso grito da direita, que diz simplesmente, que vai continuar a dominação.
Mas se não acreditam, passeiem os olhos pelas fotografias da vitória em Espanha. Para mim é o rir tolerante e fraterno, que acham?
Poderei ser tendencioso, mas é assim que vejo as coisas. Já repararam como são felizes os risos da esquerda quando ganha? Há uma ternura imensa, um sentimento de reparação de uma injustiça, quase. A esquerda ri em acção de graças, é feliz, tem uma forma optimista de rir. Não é aquele esgar de vitória agressivo do riso grito da direita, que diz simplesmente, que vai continuar a dominação.
Mas se não acreditam, passeiem os olhos pelas fotografias da vitória em Espanha. Para mim é o rir tolerante e fraterno, que acham?
domingo, março 14, 2004
A bomba do PSOE
Acabámos de ver!
Ontem estive em período de reflexão. À noite, ao ver os espanhóis virem para la calle, fui deitar-me com um sorriso. Eles tinham-se organizado pela Net e pelo SMS usando a espontaneidade dos nossos dias. Só este facto já merecia o sorriso com que me deitei. Durante o dia, o ministro espanhol ia fazendo discursos aos tropeções, tentando convencer-se que tinha sido a ETA. Nunca tão fervorosamente eles desejaram que a ETA tivesse feito a matança. Desejaram muito e autoconvenceram-se ou tentaram convencer outros com a mentira. Mas a mentira não convence. Pode durar algumas horas. Ás vezes até um dia ou mesmo alguns. Mas por fim, a verdade vem ao de cima. Quantas vezes mais irão ser precisas para que certos políticos aprendam a não mentir? Hoje, foi um dia em que o marketing político perdeu sentido e a verdade ganhou pontos. Só por isso, este pode ter sido um dia importante.
Mas falta ainda mandar para casa mais alguns mentirosos. Começando pelo Imperador que nos disse que havia armas de destruição maciça no Iraque. Foi com essa mentira que justificou matanças de iraquianos e americanos. Esperemos por Novembro, pode ser que a mentira lhe saia cara. Acabando no nosso DB, a quem agora falta a muleta espanhola. E espero que não seja necessário o dramatismo de Espanha para que os portugueses reflictam. Possamos aprender sem dor.
PS: Não celebro, claro, a vitória do PSOE. Entre eles e o PP que venham os espanhois e escolham (também serão eles quem aguentarão as consequências). Apenas me dá gozo assistir à derrota da manipulação e da mentira. A isso, bebo um copo!
Ontem estive em período de reflexão. À noite, ao ver os espanhóis virem para la calle, fui deitar-me com um sorriso. Eles tinham-se organizado pela Net e pelo SMS usando a espontaneidade dos nossos dias. Só este facto já merecia o sorriso com que me deitei. Durante o dia, o ministro espanhol ia fazendo discursos aos tropeções, tentando convencer-se que tinha sido a ETA. Nunca tão fervorosamente eles desejaram que a ETA tivesse feito a matança. Desejaram muito e autoconvenceram-se ou tentaram convencer outros com a mentira. Mas a mentira não convence. Pode durar algumas horas. Ás vezes até um dia ou mesmo alguns. Mas por fim, a verdade vem ao de cima. Quantas vezes mais irão ser precisas para que certos políticos aprendam a não mentir? Hoje, foi um dia em que o marketing político perdeu sentido e a verdade ganhou pontos. Só por isso, este pode ter sido um dia importante.
Mas falta ainda mandar para casa mais alguns mentirosos. Começando pelo Imperador que nos disse que havia armas de destruição maciça no Iraque. Foi com essa mentira que justificou matanças de iraquianos e americanos. Esperemos por Novembro, pode ser que a mentira lhe saia cara. Acabando no nosso DB, a quem agora falta a muleta espanhola. E espero que não seja necessário o dramatismo de Espanha para que os portugueses reflictam. Possamos aprender sem dor.
PS: Não celebro, claro, a vitória do PSOE. Entre eles e o PP que venham os espanhois e escolham (também serão eles quem aguentarão as consequências). Apenas me dá gozo assistir à derrota da manipulação e da mentira. A isso, bebo um copo!
sexta-feira, março 12, 2004
A escolha deles
O grito mantém-se. Entre ETA e Al-Qaeda que venha o diabo e escolha. O Aznar já escolheu obviamente, a ETA dá muito mais jeito e não faz recordar entuasiasmos guerreiros e marcha acelerada atrás do Imperador para guerras que afinal não tinham fundamento, isto é, erros políticos. Nesta altura pré-eleitoral não é nada confortável ter temas que dividam os eleitores e a ETA é um factor de aglutinação e consenso e um reforço conveniente para quem tem tendências securistas como acontece com a direita.
O DB em tempo de Euro também deve apostar forte na ETA. A escolha deles é um desejo (mas só isso) natural. A ver vamos.
O DB em tempo de Euro também deve apostar forte na ETA. A escolha deles é um desejo (mas só isso) natural. A ver vamos.
quinta-feira, março 11, 2004
11 de Março
Houve um há muitos anos. Estava na aula prática de Psiquiatria, quando o assistente, esbaforido entrou pela sala dentro e disse «a aula acabou, vamos defender a Revolução». Havia uma revolução em curso ou se calhar a começar. Na altura, a reacção atacava o Ralis e depois foram as imagens mais bonitas da guerra. O Dinis de Almeida a explicar pacientemente ao invasor que estavam ali para defender a Revolução e que eles deviam ter sido enganados. No meio do conflito, havia espaço para o diálogo em vez de cegamente se apontarem as armas. Foi lindo de ver. Mas hoje, ninguém irá ver nada disto. Ficámos esmagados informativamente pelas notícias de Espanha, onde o diálogo entre hermanos é difícil. Com todos os nossos defeitos, teremos sempre algumas qualidades, como esta de sermos guerreiros dialogantes. Eram tempos de notícias bonitas...
Um instante de solidariedade
Uma vaia monumental, como nos pontapés de baliza. Nesta reposição do jogo pela ETA, gritemos em coro Fiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiilhoooooooooooooooooooooooooos da puta!
quarta-feira, março 10, 2004
Werther
Os amores felizes não têm história; só os infelizes a têm. Werther é uma dessas histórias. A disputa entre a razão e o coração, entre o dever e o apetecer. Porque a natureza destas coisas não muda, continua a ser um tema actual. Duvidoso seria manter uma encenação clássica. O encenador é também criador e está a fazer a sua arte nos dias de hoje, por isso gostei do que vi e na transição do III para o IV acto, a surpresa reforça a dor, o sofrimento que assim ficou alongado no tempo, aumentando-a mais ainda. Há de certa forma uma noção de tempo perdido pela cedência à razão, um acarretar das consequências pela vida fora, uma demora penalizante. O frio da cena sugere um outro mundo, que podemos imaginar deste lado. De resto, há uma recriação do ambiente romântico em todos os quadros desde o I acto, onde a sugestão de uma paisagem tipo Suiça nos transporta exactamente para essa ideia de romance. Já a música me lembrou mais ópera alemã que propriamente francesa. Gostei de ver este meu primeiro Werther. São Carlos é que continua igual, tem a graça da imagem congelada do início do I acto. As roupas são diferentes, mas as pessoas são de outro tempo.
terça-feira, março 09, 2004
Comissões ou a miragem do poder
A criação de regras é uma actividade complexa quando os grupos que as criam não conseguem abstrair-se das pessoas a quem se dirigem. Entre nós há este hábito maçador de fazer tudo a pensar nas pessoas específicas desses grupos e o que se tolera, quando muito, é algum equilíbrio de poderes. Surge um problema concreto e nomeia-se uma pré-comissão para a qual se escolhem uns quantos iluminados. Depois, estes cozinham a constituição definitiva da comissão em que os critérios são o equilíbrio de poderes entre os seus membros. Depois o tempo passa e a certa altura as pessoas mudam. É chegada a altura de tentar nomear novos pelos que partem num jogo monárquico em que os quie têm de partir ainda assim, possam manter algum poder através daqueles a quem fizeram o favor de indigitar. Mudaram os tempos e as circunstâncias e com a mudança vieram as incongruências e a comissão fica sem sentido, carecendo de lógica, tanto mais que os especialistas de ontem trabalhavam em locais onde hoje estão outros e entretanto apareceram mais locais. O mais cómico e ao mesmo tempo trágico, é que se invoquem princípios éticos para manter a lógica da monarquia e bloquear o acesso a grupos novos. Super cómico é o facto de a comissão estar completamente esvaziada de qualquer poder e apenas garantir um estatuto que não passa de uma imagem que serve para usar poderes noutros lados.
Este é um post obviamente datado, dirigido e exclusivamente para recordar mais tarde. Quem não estiver ligado a este problema concreto, provavelmente, não entenderá nada disto. Mas isto é o meu país onde uns têm estádios que julgam poder partir, porque são deles, outros crianças em que batem, porque as fizeram,outros se vangloriam do que lhes resta, considerando seus os méritos de outros como acontecerá mais logo quando o FCP eliminar o Manchester. Há sempre a esperança de ficarem frustrados... Sinceramente, quanto menos vitórias no futebol, melhor o prognóstico do país.
Este é um post obviamente datado, dirigido e exclusivamente para recordar mais tarde. Quem não estiver ligado a este problema concreto, provavelmente, não entenderá nada disto. Mas isto é o meu país onde uns têm estádios que julgam poder partir, porque são deles, outros crianças em que batem, porque as fizeram,outros se vangloriam do que lhes resta, considerando seus os méritos de outros como acontecerá mais logo quando o FCP eliminar o Manchester. Há sempre a esperança de ficarem frustrados... Sinceramente, quanto menos vitórias no futebol, melhor o prognóstico do país.
Grupos de direitos mínimos?
A minha leitura foi que na terra prometida, a tal das oportunidades, me parece que as mulheres continuam com o estatuto de minority, isto é, grupos com menos direitos que os outros. Apesar de tudo, não esperava. É muito suspeito isto de female and minority groups, não acham?
segunda-feira, março 08, 2004
8 de Março
Hoje proponho um jogo interactivo. Sempre quero ver se os comentários aumentam...
Experimentem nos vossos motores de busca procurar «female and minority» e depois «male and minority». Reparem nas diferenças e contem-me.
No dia 8 de Março não escrevo mais nada. Procurem pelos vossos dedos.
Experimentem nos vossos motores de busca procurar «female and minority» e depois «male and minority». Reparem nas diferenças e contem-me.
No dia 8 de Março não escrevo mais nada. Procurem pelos vossos dedos.
domingo, março 07, 2004
A melhor frase da semana
No país da Lili ouvem-se coisas como esta (sempre o Expresso):
«Cinha jardim é muito perspicaz, não se esqueçam que foi ela quem descobriu que o Paulo Portas era mais homem que o Santana Lopes...» Comendador Marques de Correia Expresso
«Cinha jardim é muito perspicaz, não se esqueçam que foi ela quem descobriu que o Paulo Portas era mais homem que o Santana Lopes...» Comendador Marques de Correia Expresso
Ora essa!
Nós até já estamos habituados a que o homem faça umas confusões de quando em vez, que troque os pianos pelos violinos, que afinal até são instrumentos do mesmo tipo. Agora foi a vez de trocar as casas. Este país é mesmo mesquinho. Afinal foi a grande América que comprou a ponte de Londres convencidos que estavam a comprar a Tower Bridge. Deixem lá o homem, baralhar-se nas casas do Eça. Logo agora que parece que começou a ler o Saramago. Anda com azar este candidato a ex-futuro presidente. Estão a imaginar as trocas que poderia fazer nas suas funções? Tudo seria possível... E se o mandássemos para Belém em vez de ir para o Palácio de Belém? Talvez os bombardeamentos dos israelitas o ajudassem a perceber que a realidade é mais do que a noite lisboeta em que parece orientar-se bem e sem enganos. Vá para a Figueira, ou ser presidente do Sporting, também é presidente e eu não tenho nada a ver com isso.
sábado, março 06, 2004
Perplexidades
Pelo Expresso fiquei a saber que Portugal afinal é quase um paraíso. Um quarto dos portugueses tem casa secundária, as nossas casas são mais novas do que as dos europeus, temos os melhores carros, vestimo-nos melhor. Enfim, um país de falsos pobres como referem. Nada é dito sobre as condições de habitação dos outros três quartos, em que transportes se deslocam e como se vestem. Isto é, esta riqueza aparente pode muito bem ser uma capa de uma grande pobreza franciscana, afinal. Tanto mais que parece que já desistimos de ser país e estamos bem anexados pela Espanha, que agora até nos leva os santos (Espanhóis apropriam-se de São Francisco Xavier). O aborto dispara em Espanha com alguma contribuição nacional, certamente. Quem sabe se dos que andam a distribuir imagens de abortos pelas nossas escolas. O Expresso diverte-me, às vezes... Se calhar o nosso record europeu é o da desigualdade, para o que tem contribuído em grande a orientação da economia destes últimos anos neste laranjal à beira mar plantado.
sexta-feira, março 05, 2004
Fim de semana na urgência
Há dias em que a chuva é bem vinda pelo cheiro de erva molhada que deixa pressentir. Do lado de fora da janela, riscos finos hesitantes de água vão fazendo garatujas nas janelas e eu fico do lado de dentro a imaginar o frio. De repente, o tempo fica tranquilo sem a agitação dos dias de trabalho. A surpresa vem-me quando alguém se queixa do tédio dos fins-de-semana, com um ar nauseado. Nessas alturas, tenho medo dos sentimentos possíveis e um desejo enorme de continuar a ser assim. Sim, é bom ter o livro para ler e não o fazer, mesmo só pelo gozo de fazer isso mesmo, o não fazer. Que angústia deve ser a vida da outra maneira!
quarta-feira, março 03, 2004
Em nome da liberdade
Pensando bem só pode ser propaganda anti-capitalista, não acham? Esta agora de ser proibido a um cubano fazer uma publicação em revistas científicas americanas, é excessivo. Mas afinal foi na pátria da liberdade que se fez uma tranmissão em directo da cerimónia de atribuição dos óscares diferida em 5 segundos. Apenas para permitir corrigir alguém que se enganasse nos agradecimentos ou ficasse paralisado pela emoção.
Ou será que os meios de comunicação privatizados e cada vez mais monopolizados a isto levam? O poder de informar nas mãos do poder económico tenderão normalmente a defendê-lo. Por isso não se estranhe o investimentos, por vezes, com prejuízo, que os grupos económicos tendem a fazer na Informação. Será até assim que se explica certa forma de fazer notícias, embrutecendo o que reste de capacidade crítica, doutrinando eficazmente. Nada que leve à reflexão. Tudo pela emoção imediata para esquecer no instante seguinte. Anestesiante.
Até quando se tolerará isto em nome da liberdade? Ou teremos de gritar esta informação é o ópio do povo!?
Ou será que os meios de comunicação privatizados e cada vez mais monopolizados a isto levam? O poder de informar nas mãos do poder económico tenderão normalmente a defendê-lo. Por isso não se estranhe o investimentos, por vezes, com prejuízo, que os grupos económicos tendem a fazer na Informação. Será até assim que se explica certa forma de fazer notícias, embrutecendo o que reste de capacidade crítica, doutrinando eficazmente. Nada que leve à reflexão. Tudo pela emoção imediata para esquecer no instante seguinte. Anestesiante.
Até quando se tolerará isto em nome da liberdade? Ou teremos de gritar esta informação é o ópio do povo!?
terça-feira, março 02, 2004
Não, obrigado!
De vez em quando entra-me pela caixa do correio uma felicitação por ter sido seleccionado como candidato a ir viver para os Estados Unidos. É mais uma manifestação de spam, mas este de particular mau gosto. Realmente, não me apetece passar pelo pesadelo de viver num país como aquele. Para pior, já basta assim. Aqui já temos o DB, arriscamos ter o Santana em Presidente, o Alberto João em Presidente da Assembleia da República, mas, pensando bem, mesmo esta troika é melhor que ter o Imperador em Presidente.
segunda-feira, março 01, 2004
Li e ouvi, tinha de registar
São 84 Portugais à fome!. Ouvi dizer pela manhã que mais de metade da população vive com menos de 1 dólar (por dia?). É cruel, mas já pensaram que no último ano ficaram ainda 25% mais pobres, certamente devido à política marciana do Imperador? Para que servem os dólares 25% desvalorizados, sobretudo para que serve um dólar?
A sábia economia do mercado e da globalização continua a acentuar esta realidade. Até quando isto será tolerável?
A sábia economia do mercado e da globalização continua a acentuar esta realidade. Até quando isto será tolerável?
Por Fevereiro de 30 dias!
Com a quantidade de feriados que este ano temos ao domingo, é uma injustiça que o mês de Fevereiro só tivesse tido 29 dias. Fevereiro de 30 dias e teríamos mais uma série de feriados à segunda-feira e alguns que são à quarta pasasariam para a quinta permitindo pontes bem mais discretas.
Por isso ainda me custa, a esta hora, aceitar que estou a 1 de Março. Este ano apetecia-me rter ficado mais um dia em Fevereiro.
Por isso ainda me custa, a esta hora, aceitar que estou a 1 de Março. Este ano apetecia-me rter ficado mais um dia em Fevereiro.
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