segunda-feira, fevereiro 09, 2004

Textos pós-modernos

Subitamente, começaram a ler em inglês e, como os industriais de restauração algarvios, também ficaram seduzidos pela língua. Acontece o mesmo com os nossos artistas, que só conseguem ouvir as baboseiras que escrevem em inglês. Aliás, quem aceitaria cantar uma cama de rosas sem desatar imediatamente a rir? Experimentem traduzir as letras das canções em inglês e depois digam-me! Eu digo já, na maioria dos casos, um pirosismo insuportável quando dito em português. Como, em inglês, às vezes nem se percebe tudo, torna-se audível, não é?
Mas eu falava dos médicos, que cada vez mais tratam pacientes (eles lá sabem o que fazem aos doentes, para os terem convertido em tal). Para minha surpresa, ao ler um texto de Anatomia em português(?), vi que agora externo é lateral e interno medial, que o velho cúbito virou ulna e que o perónio já é fíbula, ou seja um destes dias já nem sei os substantivos da Anatomia....
Até já me tinha habituado a que o exame dos dados objectivos de observação, se tivesse convertido em exame físico, que as doenças tivessem estádios ou estadios e não simplesmente fases (de desenvolvimento), que as tomografias não fossem computadorizadas, mas computorizadas, que as ecografias estejam rapidamente a dar lugar às ultrassonografias, que os resultados de estudos fossem publicados em posteres e não em cartazes e que as provas cada vez mais fossem evidência. Agora que alguns autores reivindiquem a publicação de abstractos, sinceramente deixou-me sem palavras. É que os resumos, afinal, eram facilmente legíveis sem necessidade de qualquer esforço de interpretação. Um destes dias encontramo-nos por aí num mitingue para meditar neste estado de coisas e também para alterar o meu corrector ortográfico, que, desactualizado, foi colocando um risco vermelho ondulado sob estes termos da escrita da medicina pós-moderna?


Restaurado(s)

Mergulhei então na salvação do vinil. Fui-me aos discos do Luís Cília, do Brel, da Suzanne Vega, do Arlo Guthrie e do Pete Seeger e desatei a passá-los para MP3. O fim-de-semana renasceu nesta actividade de restaurador dos discos e da minha memória.
Com o Cília vim desde antes do 25 de Abril até ao outro 25 do desencanto. Os tempos estão diferentes, mas ainda deveremos ser milhões e milhões na terra inteira. Possivelmente, deixámos só de cantar momentaneamente, cansados da ladeira que nos impuseram. Mas alguns de nós continuamos a acreditar nas novas alvoradas.
Se por acaso virem por aí o Cília a passear o cão, digam-lhe que pelo menos o ponha a ladrar. Silêncio é que não! Não podemos ficar acomodados à espera das anedotas do Alberto João a presidir à Assembleia. Nós queremos rir-nos de verdade.


Caldas

Dormir dez horas seguidas é uma experiência cada vez mais rara. Que direito teremos de nos privarmos do sono? O dia fica mais pequeno, mas para que se querem grandes os dias?
Ainda se chega a tempo às Caldas ou ao que delas é importante, o Mercado com vendedeiras a esta hora já fartas de venda e cheias de vontade de ir tratar dos bichos lá em casa e do pão da Ramalhosa, quente e estaladiço. O resto é paisagem, tios em circulação na Rua das Montras em encontros de fim-de-semana mais ou menos iguais e a olhar ninhadas de cães, em oferta, ao início da rua. Nas montras a louça característica olha os passeantes sem pudor. E já tem jornais em ucraniano no quiosque onde compro o Expresso para me começar a entediar com o fim-de-semana. Mas sempre fico a saber os preparativos para a guerra. Não, não é a do Afeganistão. A outra, a do futebol. Mas ninguém questiona que andem a gastar o nosso dinheiro, o dos impostos, em preparativos de guerra contra os hooligans e quejandos? A TSF, por um lado, o Expresso por outro começaram a chatear-me o fim-de-semana. O melhor é desligar!


sexta-feira, fevereiro 06, 2004

Aí vou eu

Gosto deste sentimento de A8 a meio das tardes de sexta-feira, sobretudo quando o piso está enxuto e o sol tenta abrir as nuvens no horizonte desta estrada.
Para trás fica uma semana, quase sempre igual a outras e à frente a esperança de dias de maior entusiasmo. É sempre assim às sextas-feiras à tarde. Cada vez entendo menos, aqueles que podendo, se recusam a ir por uma destas estradas de fim-de-semana.


quinta-feira, fevereiro 05, 2004

Deixou de haver desculpa

A partir de hoje, existe por baixo dos posts a possibilidade de os comentarem. À distância de um simples clique. É tão fácil, experimentem!

Nem depois de mortos trabalham!

Estamos num país difícil. Os funcionários públicos têm um sistema especial de apoio à saúde, que vai sofrer alterações passando por cortes nos subsídios às consultas, análises e meios complementares. Como compensação, naquilo que acho dever ser uma experiência pioneira em termos de apoio social em todo o mundo, esses serviços decidiram criar um sistema de apoio após a morte e começaram a enviar cartões aos funcionários mortos. Não é que logo se levantam vozes contra esta iniciativa!
Esta é uma das histórias em que mais uma vez se vê logo de que lado está a culpa. Como podem eles saber que o funcionário morreu, se eles nem se dão ao trabalho de depois de mortos, lhes fazerem a respectiva comunicação. Do tipo, em papel de 35 linhas:
Eu F...., funcionário público (cansado de funcionar) venho por este meio, comunicar a V. Exas que a partir do dia de hoje me encontro na situação de morto. Peço, por isso, que, para os devidos efeitos, o meu nome deixe a partir desta data de constar nas vossas listas com todas as implicações daí decorrentes, nomeadamente a cessação do envio do respectivo cartão de beneficiário.
Pede deferimento
Data
Fulano (com assinatura reconhecida)
Bom, aqui deixo esta sugestão de minuta aos mortos mais distraídos. Que diabo, não custa nada e poupam-se os incómodos à família.

quarta-feira, fevereiro 04, 2004

Nuvens negras

Luís Delgado, no Diário digitalde hoje afirma, a propósito do sistema eleitoral americano, que «Existe um problema, contudo: a abstenção é a maioria, o que significa que o homem mais poderoso do mundo é eleito, afinal, por cerca de 25 por cento dos americanos». E eu não acredito que ele esteja convencido do que diz. Ele deve saber muito bem que quem manda não é um homem, mas uma série de companhias que escolhem um representante para fazer que manda. Mas alguém ainda acredita que o poder está concentrado num homem?
Mas o problema não fica por aqui e é bem mais grave. Segundo o mesmo a eleição do Imperrador Americano são favas contadas: entre um presidente em exercício e que já deu provas de não temer os desafios, ou um democrata receoso e desconhecedor, os eleitores tenderão a escolher o mal menor, George Bush, por muitas dúvidas que possam ter.. Realmente ele não teme desafios, ninguém o desafia. Nós é que tememos os desafios deles, da paranóia deles, da visão de armas imaginárias onde lhes apetece vê-las e por aí fora.
Fico, ainda assim, com a secreta esperança que desta vez este palpite de LD tenha o rigor dos anúncios que tem feito da retoma da economia...
Finalmente, como se diz na anedota, se estes gajos mandam no mundo, vamos é reivindicar poder votar para o Presidente!

terça-feira, fevereiro 03, 2004

Até às últimas consequências?

O Imperador e o amanuense inglês decidiram investigar quem os «enganou». Provavelmente, a coisa vai ser levada às últimas consequências. Para breve teremos um flashback com o Saddam a ser enfiado no buraco, as estátuas dele a serem levantadas em todo o Iraque, os tanques americanos a recuarem no deserto, os soldados americanos a ressuscitarem dos mortos, os misséis a engolirem o fogo dos escapes e a voltarem a aterrar nos porta-aviões. Sim, agora que sabem que não havia as tais armas, a guerra vai voltar para trás e o ditador do bigode irá fazer mais uns discursos explicando que não tem nada a esconder. Mas está tudo maluco, ou pensam que somos parvos?

Nevoeiro

Dia de nevoeiro. Gosto do nevoeiro. Permite avançar, lentamente, sem a correria dos grandes horizontes. Ficamos mais conscientes dos pormenores por onde passamos, aqui ao pé, no strip-tease do espaço, descoberto passo a passo.

segunda-feira, fevereiro 02, 2004

Ordens

Estão na moda as Ordens. Hoje ficámos a saber que também os professores querem uma depois de há alguns dias serem os jornalistas. Se querem que vos diga, eu nunca percebi lá muito bem para que serve a dos médicos, sobretudo numa altura em que a medicina privada - aquela em que o médico se confronta em consultório com o doente sem interferência de terceiros - está em vias de extinção e somos cada vez mais funcionários contratados de alguém, ou seja assalariados. Nesse caso, o que é lógico é ter um sindicato que nos proteja. As normas de prática da profissão podem perfeitamente ser estabelecidas pelo Estado, não correndo assim o cidadão o risco de estar subordinado a normas de defesa de corporações, como naturalmente acontece. E não me venham falar de isenção, que antes de sermos isentos ninguém se consegue abstrair de ser gente e como se tem visto, o que é próprio da natureza é a defesa prioritária daquilo que nos interessa com os melhores argumentos, claro.
É que nisto de definir regras, o mais seguro é deixar ao critério de alguém independente e sobretudo que possamos controlar.

Atados

Acabo de ouvir o PM dizer que não pode dizer, por ser PM, aquilo que o Prof Cavaco Silva diz. Fiquei a subentender que até concordaria, mas está atado. Será possível acreditarmos em políticos que se sentem atados? Dizem-nos aquilo que pensam poder dizer e não aquilo que querem dizer e pensam. Pobres políticos estes, manietados. Só que os colegas francês e alemão sabem romper as algemas e não têm esta necessidade patológica de ser obedientes e pequeninos à espera da aprovação sabe-se lá de quem. E depois, pior que tudo, dizem estas coisas despudoradamente, como se falassem para plateias de idiotas. Só falta pedirem que acreditemos em tais políticos e nas suas políticas! O despudor pode até chegar aí.

domingo, fevereiro 01, 2004

Infelicidades

A semana passada foi um industrial, esta um treinador. Eles acham-se mal neste país, apertados talvez pela pequenez da coisa. Mas por amor de Deus, as fronteiras estão abertas, façam o favor de sair e serem felizes. Ou será que precisam de alguma protecção especial para serem grandes cá dentro e, sempre que essa benção lhes falta, se acham com direito a rabujar? Mas nós é que não temos de os aturar. Bem vistas as coisas, pouco nos acrescentaram, mas têm-se acrescentado bastante sobretudo o senhor Melo, que agora tem ânsias de ser súbdito de SM D Juan. Não é que eu seja patriota, que nem sei bem ao certo o que isso seja. Mas fico chateado sempre que as pessoas querem ser grandes dentro da pequenez e não arriscam confrontar a sua dimensão na grandeza do mundo. Aí se vêem os grandes, no espaço global, onde as pátrias (as protecções mesquinhas e pequenas) não existem.
E ao ler o Expresso constato, mais uma vez, que este país anda com azar. Só nos faltava que o Imperador tivesse tido origem nesta raça... Por uma questão de patriotismo, ainda quero crer que seja mentira, que se tenham enganado na árvore genealógica. Ou pelo menos, mostrem que é um mutante.


Vão pelo seguro! Cuidado com eles

Subitamente 6000 portugueses ex-emigrantes na Suíça repararam que deixaram de ter direito a assistência no SNS. Só se tiverem seguro de saúde de 150€ em companhias privadas na Suíça. Agora estes, qualquer dia serão muitos mais. É preciso ter cuidado e ir estando atento aqueles que estão em cruzada não contra ninguém em especial, mas em defesa das seguradoras e banqueiros que vêem aí tentar tomar conta disto. É uma cruzada com objectivo bem definido e por interesses bem altos. Os cruzados não desistem, a menos que os combatamos devidamente.

sexta-feira, janeiro 30, 2004

Fim de semana

A chuva começa a cair desanimando o fim-de-semana. Pode ser que páre! Vou para a praia.

quinta-feira, janeiro 29, 2004

Está a chover!

Nos dias de urgência, o tempo foge-me sem o sentir. Hoje, subitamente, percebi que chovia quando saí do hospital. Encerrado lá dentro não há tempo (como é que os ingleses arranjaram duas palavras e nós só temos uma?). É preciso sair daquele buraco para vermos um tempo para além do instante em que se actua de repente e onde fica todo o tempo. Às vezes, temos também o prazer de dar mais algum tempo aqueles que justificam o tempo que ali estamos, na ignorância do tempo que faz lá fora.

quarta-feira, janeiro 28, 2004

Engavetada

O que eu estranho é que este governo em vez de guardar o dinheiro nos Bancos o faça nas gavetas. E se há um incêndio no Ministério, senhora Ministra? Tem de pensar nisso, que este país é dado a fogos, como sabe. E se mudam os móveis e lá se vão as gavetas cheias do dinheiro da Segurança Social. É preciso ter muito cuidado com o dinheiro, mesmo com o que não é nosso... Não há necessidade de ser-se tão conservador. Já todos ouvimos a história dos colchões cheios de notas que arderam. Agora, ficámos a saber que a mania de guardar dinheiro nos móveis também já chegou ao Ministério!
Aliás, as gavetas servem para guardar tudo aos nossos governantes. Já o outro lá tinha posto o Socialismo! Na verdade são apenas ligeiras diferenças de sensibilidade e como diz o Povo, são todos iguais. O melhor é mesmo experimentarmos outros que estes não servem.

terça-feira, janeiro 27, 2004

Estranheza (mesmo que já vá sendo hábito)

Passei pelo dia em urgência a ver o país feio que temos. As pessoas andam agressivas, irritadas e agredidas. Hoje houve mais agressões do que é costume. Mulheres batidas, assaltadas.
Este país está definitivamente a ficar feio. Alguém explica as razões de tamanha tristeza?

segunda-feira, janeiro 26, 2004

Imagem

Por momentos fantasio a imagem do Estádio da Luz com uma vela acesa em cada uma das suas 65000 cadeiras durante toda a noite. Em silêncio , ardente.

Implicações

Curiosamente, hoje alguns dos meus doentes, tinham mais uma doença. A preocupação de estarem doentes, seriamente doentes, terem alguma coisa que os projectasse subitamente no chão de forma irreversível. Não será melhor fazxer um exame ao coração?
São os custos elevados do massacre da morte em tempo real e em repetição. Na TSF, discute-se se os miúdos que praticam desporto estarão bem protegidos apenas com o atestado médico que garante estarem em boas condições físicas para a prática do exercício físico. Fiquei a pensar que é mais um papel de faz de conta em que se pede ao médico que ateste o que não pode atestar. O médico em consciência dirá, parece-me que está, mas não tem dados que lhe permitam afirmar que tem condições para fazer desporto. Isso passaria por outra avaliação, seguramente. Então para que se pede o tal papelucho? Apenas para livrar de responsabilidades terceiros, atirando-as, eventualmente, para cima dos médicos que atestam o que não podem?
É assim que agradeço ao Feher esta reflexão que me proporcionou. A partir de hoje, assim será. Não há atestados desses para mais ninguém. Como já não havia para funcionários que queriam que mentisse por eles afirmando que tinham estado doentes. Vão corrigir o que está errado, depois venham cá.


domingo, janeiro 25, 2004

Morte sacana

Já num reflexo de morte, sorriu da vida e de seguida deitou-se, brutalmente, desamparado. Naquele momento todos perceberam a pouca importância dos cartões amarelos da vida, desses que nos fazem sorrir por aceitação ou desprezo perante a importância que tem o cartão vermelho da morte. Feher teve um vermelho directo. É, obviamente, injusto aos 24 anos. A senhora de negro, excedeu-se!
Excedeu-se também a informação, com a mostragem das imagens da morte em directo, em pormenor, com realce, quase em câmara lenta para que se pudesse perceber em toda a extensão o absurdo. Aquela hora, sem filtragem grandes e pequenos viram e os grandes explicaram aos pequenos que o senhor teve uma dor de cabeça, uma dor no peito e coisas assim. E os pequenos ouviram daí a pouco que ele tinha morrido com 24 anos. Será que a morte não terá ficado demasiado perto de tanta gente que tem idade para a ver muito longe? E isto não teve qualquer benefício para ninguém, a não ser para as receitas dos canais. Sinceramente, acho que é demasiado caro para os custos que tem.


sexta-feira, janeiro 23, 2004

Greve!

Hoje é dia de greve! Estão diferentes as greves de agora, demasiado civilizadas, com piquetes muito politicamente correctos. Os fura greves são respeitados. Os patrões agradecem este código de boas maneiras. A imprensa encarregar-se-á do resto. Irá mostrar o incomodo que o processo trouxe aos cidadãos, dirá que segundo os sindicatos a adesão foi muito alta e que segundo o portavoz do Governo não ultrapassou os 5%. Mais uma vez remeter-se-á para uma neutralidade politicamente correcta, mas absolutamente fora da necessária e desejável objectividade. Com toda a correcção, a partir da próxima semana tudo voltará à normalidade e já hoje os administradores hospitalares farão contas e esfregarão as mãos contabilizando o que pouparam nos vencimentos. Foi para isto que houve lutas operárias?
Afinal, em nome de que causa maior, continuamos nós a não ser aumentados de ordenado e a pagar tudo mais caro? Será que desejamos mesmo contratos individuais de trabalho e ser reformados quando estivermos a cair de podres? Será que queremos que continue vedado o acesso ao emprego aos jovens? Estaremos mesmo empenhados em salvar a tal economia que aumenta o fosso entre os grupos sociais, penaliza quem trabalha e apoia quem especula?
Façam greve! Estamos a tempo de resistir!

quinta-feira, janeiro 22, 2004

A face e as coroas

Números e Factos


- 12 milhões de pessoas morrem anualmente de ataque cardíaco e de trombose

- 3,9 milhões morrem devido a hipertensão ou outros problemas cardíacos

- cerca de 177 milhões sofrem de diabetes; dois terços vivem em países desenvolvidos

- mais de mil milhões de adultos têm peso a mais; destes, pelo menos 300 milhões são obesos

- mais de 80 por cento de casos de doenças coronárias, de 90 por cento de casos de diabetes (tipo 2) e um terço dos cancros podem ser evitados alterando a dieta, aumentando a actividade física e deixando de fumar

(Dados da Organização Mundial de Saúde)
Citados pelo Público.

Segundo as autoridades norte-americanas, isto não tem nada que ver com a informção disponibilizada aqui. Eu adoro-os!

quarta-feira, janeiro 21, 2004

Instantes

Foi um instante aquele em que, por baixo de nuvens azul acinzentadas, veio a luz que alaranjou o cimo dos prédios da Quinta da Luz. O pôr do sol é tão breve.

terça-feira, janeiro 20, 2004

Mais de 1000

Tinha de ser um dia. Mais de mil abriram a página deste jornaleco mais ou menos diário. Alguns estão a ser fiéis leitores, quase diários. Aproveitem, continuem e sempre que quiserem, escrevam. O endereço está aí, em cima e à direita (quanto ao resto continuará a ser à esquerda à procura da verdadeira história, a tal que ainda não chegou ao fim).

Que se divirtam!

Lá pela sede do Império fizeram descobertas secretas sobre a causa da obesidade. Tão secretas que não as divulgam a ninguém. Tão revolucionárias, que vão deixar de engordar. Eles descobriram as verdadeiras causas da obesidade. Afinal, as conclusões dos peritos da OMS estão erradas, carecendo de provas científicas. Não senhor, a junk food e outras descobertas do superior génio americano, é saudável e o relatório da OMS está cheio de argumentos inspirados na propaganda anti-americana.
Mas para que raio, temos nós de aturar os argumentos destes tipos? Não poderemos, simplesmente, dizer aqui, nesta parte do mundo, vamos taxar esta comida de enfartar, vamos impedir os nosso filhos de serem bombardeados com propaganda ao açúcar e às gorduras, vamos fazer mais exercício? E que os americanos, que sabem muito mais que nós, continuem a comer como gostam e que lhes faça muito bom proveito. O país é grande, tem muito espaço para os acolher. Podem mesmo rebentar de prazer em orgias de batatas fritas e hamburgueres. Esperamos, no entanto, que tenham a decência de guardar o lixo!

Venham mais 5! (irritar-se com esta coisa)

Por agora, venham 6500, é o que precisamos para as nossas necessidades. A minha consciência fica arrepiada com este mercado. Precisamos de coisas, de objectos, de mercadorias. Reduzir os 6500 a isto é excessivamente redutor. Fico incomodado. Já os tenho visto nas consultas, nas urgências. Garanto-vos, são feitos exactamente da mesma matéria que nós, os portugueses. Têm pele (às vezes de outra cor), cabeça, pescoço, tronco e membros (às vezes maltratados na construção civil) exactamente como nós. São exactamente pessoas.
Agora, que vejo o Governo encomendar 6500, tenho arrepios. Como quem encomenda automóveis, planificadamente, em função do número previsível de compradores. E será que vão fazer um concurso? O numerus clausus já aí está: 6500. Quais os critérios de preferência, quando termina o concurso? Será que vão pôr anúncios em África, nas Américas e na Ásia? «Bem-vindo ao Primeiro Mundo. Em Portugal, abriram 6500 vagas para tarefas que os portugueses têm nojo e vergonha de executar. Venha daí!» Júri do concurso, PP e seus colaboradores.

segunda-feira, janeiro 19, 2004

Condições

A condição da mulher
A criança caiu a jogar à bola. Tem um galo na cabeça, mas o melhor é passar pelo Banco para livrar responsabilidades. Vem a mãe com a criança ao colo, com ar aflita. O pai alguns passos atrás, assiste à cena com ar de chefe de tribo. Muito bem, não parece ser nada de grave, é-lhe atribuída a prioridade Verde. Um rótulo para a criança, um rótulo para o acompanhante. Quem vai acompanhar, só pode ir uma pessoa? Em mais de 95% dos casos é a mãe que continua a acartar com a criança ao colo. O pai lá irá resignado para o automóvel, esperar que a observação termine. Difícil ser pai, não é? Acharão, que as mulheres têm maior poder de carga?

A condição dos doentes
Nos últimos dois meses teve alta duas vezes e está de volta. São as escaras, a tosse, a recusa alimentar, a desidratação. Devem pensar-se australianos, estes doentes boomerangues.

A condição dos médicos
Começar uma consulta às nove da manhã de segunda-feira deve ser considerado coisa de marciano. Posso chamar os doentes, que eles não estão. Lá mais para as 10 começarão a chegar e a dizer, não me diga que já tinha chamado. São os transportes, as filas de trânsito, sempre a mesma maneira de estar.


domingo, janeiro 18, 2004

Pausa

Domingo de sol, frio e céu azul. Gosto de ficar a olhar o tempo pela janela. Hoje é dia de descanso.

sábado, janeiro 17, 2004

Expliquemos à direita a nossa ideia de direito à vida

Lisboa, Alentejo, Algarve e Açores são os distritos mais afectados

Noticiário do yahoo para médicos, um excelente site para médicos diga-se e louve-se a oferta da MSD:
1. A mortalidade infantil aumentou entre 2001 e 2002 em Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Algarve e Açores, tendo esta última região ultrapassado ligeiramente a média nacional de cinco mortes em cada mil nascimentos, revelou Quarta-feira um especialista.
Os dados apresentados por Albino Aroso, presidente da Comissão Nacional de Saúde Materna e Neo-natal, revelam ainda um crescimento global do número de óbitos no primeiro dia após o nascimento (159 em 2002), com particular incidência no sul do país.

2. Aumento de suicídios entre soldados norte-americanos no Iraque
Pentágono investiga, mas especialistas falam a missão sem fim à vista
O Departamento da Defesa norte-americano enviou uma «equipa de avaliação» ao Iraque para investigar o aumento de suicídios entre os soldados norte-americanos ali estacionados.
Segundo dados do Pentágono, no ano passado 21 soldados norte-americanos suicidaram-se no Iraque, mortes que representam 14 por cento de todas as registadas fora de combate.
O que preocupa as autoridades militares norte-americanas é o facto de estar a aumentar o número de suicídios no Iraque. Há três meses, a proporção de suicídios entre as mortes registadas não em combate era de 11 por cento e actualmente é de 14 por cento.
Um especialista em questões de saúde nas forças armadas, Ken Allard, do Centro de estudos estratégicos e internacionais, explicou que isso se deve a que, para muitos militares, a missão no Iraque parece não ter fim.


A primeira notícia surpreendeu-me. Não esperava que as reformas da saúde e no país tivessem efeitos a tão curto-prazo. Mais uma vez, grito aqui que a Saúde é mais preciosa que um simples bem de consumo. Limitar o acesso terá custos. Devemos insurgir-nos contra isso e afirmar-mos que não vamos por aí, que somos pelo DIREITO À VIDA!
A segunda, pode achar-se natural. Estar numa guerra deve ser péssimo, estar lá e não se perceber a razão de estar é insustentável e leva a estes resultados. O fim da guerra deixou de ser uma exigência mediática, mas não deixou de ser exigência, naturalmente. Sobretudo daqueles que defendem o DIREITO À VIDA.


quinta-feira, janeiro 15, 2004

Fique por lá...

Gostei imenso de ouvir o Imperador prometer viagens à Lua e por aí além em busca de novos planetas. Agora espero vivamente, que os americanos façam um esforço suplementar, reforcem o orçamento e o ponham a inaugurar os voos já antes de Novembro. Boa Viagemmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm!

quarta-feira, janeiro 14, 2004

Contributo para perceber a natureza dos homens...

Por hipótese imaginem que a façanha é igual, mas digam lá o que dá mais prazer, bater o nosso próprio record pessoal ou acabar com o mesmo tempo, mas isso corresponder a retirar o record ao nosso maior adversário?

Parabéns!

Dou os parabéns à RTP 1 pela forma correcta como informou sobre um caso de amigdalectomia complicado por morte do doente. Primeiro anunciou, depois a peça explicava que a situação às vezes tinha complicações, depois ouviu um especialista na matéria e terminou a informação sobre o tema. Nem um acho que, um eu suspeito que, como é habitual. Vai ser assim daqui para a frente ou foi por o caso ter ocorido num hospital com gestão privada?

terça-feira, janeiro 13, 2004

Revista de blog

BLOGOPERATÒRIO:
Segunda-feira, Janeiro 12, 2004
E vergonha, não há?
O soba do Funchal diz que não há pedófilia na Madeira. É invenção dos comunistas. A criatura ainda está nesta. Como é possível um país democrático manter um sem-maneiras desta estirpe durante tanto tempo no poder? Atrás dele, numa de emplastro, estava o ministo Bagão. Não parece ter corado de vergonha. O outro chefe tribal, o do continente, apresentou candidatura autárquica a Amarante para apurar a raça, ou não sei quê...
O que pensará esta gente da política como exercicio, de facto, da cidadania?
A direita portuguesa não tem ninguém mais qualificado para apresentar a estas populações, ou continua a ser a mais estúpida da europa? Sinceramente, não acredito.
BN

# posted by Semiótico @ 23:33


MÉDICO EXPLICA MEDICINA A INTELECTUAIS
ãh?
"A vocação dos hospitais transformados em sociedades anónimas (SA) "não é tratar doentes mas sim arranjar dinheiro". A confissão é de Fernando Marques, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Alto Minho"

dos jornais.
____________________
"ãh? — É aquele som que não se deve fazer em vez de "o quê?" ou "como (disse)?" (do Livro de Estilo do Público, edição on-line)


CLUBE DAS ALMAS INQUIETAS

Amores Raros.
Sou de amores raros. Sempre fui. Parte de mim é irremediavelmente solitária, fugidia mesmo, temperamento mais reservado, talvez. Já outra parte, essa não, essa se esconde, pois amar exige um desvendamento que não me é fácil.
Amar é difícil para quem tem um coração medroso. Se o medo advém do receio de uma violação ou do temor que nos seja roubada a alegria da secretude, isso eu não sei.
Na verdade, nem mesmo sei se quando amamos saímos do esconderijo de nós mesmos ou se, ao amar, queremos é companhia para entrar nele.


# posted by Nina : 1/4/2004 11:54:56 PM




Desculpem, mas cada um sabe o que sabe

O processo de decisão num país tão pequeno como o nosso é mesmo complicado. Os decisores estão sempre muito perto da realidade que decidem, não conseguem ter a distância do deve ser assim. Quando se querem aventurar na decisão independente, vem-lhes necessariamente à memória, a realidade ali ao lado. E a decisão geral, vai ter de se adaptar aos interesses e depois têm de se tomar posições equitativas e passado um pouco estamos a fezr leis adaptadas ao real. O que deveriam ser normas gerais, são regulamentos específicos do que dá mais jeito em cada momento. Será por isso que se fazem tantas leis neste país?
A Ordem dos Médicos é considerada como a entidade que deve zelar pelo bom funcionamento da Medicina no país. Elabora critérios de formação de especialistas e a forma de os avaliar. Pretende fazer novos regulamentos de especialidade. Quando chega a altura de os passar ao papel, vem à memória as circunstâncias específicas de cada local e começa-se a tentar adaptar. A ideia geral do bem estar dos doentes logo desaparece e começa a ser possível admitir-se que médicos com 4 meses de formação em Pediatria tratem crianças que não crescem e que médicos sem formação em Medicina Geral tratem doentes de qualquer especialidade quando apenas foram treinados num dos campos da Medicina. E admite-se que o façam em situações de urgência, para resolver circunstâncias locais. Assim, não dá! Os doentes merecem respeito! E se a Ordem não os respeitar, então que alguém assuma o papel que ela quer assumir.

segunda-feira, janeiro 12, 2004

Badaladas

A notícia reza que naquela aldeia o sino da igreja toca de hora a hora e um desgraçado vizinho não consegue dormir durante a noite com o Big Ben local. Queixou-se, a coisa foi a tribunal e o juiz decidiu. O sino vai continuar a tocar de hora a hora, mesmo durante a noite. Imagino a música com um Avé, Avé qualquer e o pobre a acordar a toda a hora. A Igreja e o sino são tortura do vizinho.
Pois, passa-se neste país de tolerância, onde dizem os outros é preciso o sinal horário da igreja para se orientarem. Isto é, século XXI. Nesta aldeia de resistentes, continua a não se usar relógio e trabalha-se toda a noite. Que farão às 3 da manhã e às quatro? Terão por lá algum negócio nocturno menos confessável? Perguntem ao juiz que decidiu. Os juizes decidem sempre bem, não é? O nome da aldeia soou-me no diário regional da Antena 1, a Gestassó, será assim ou algo parecido. Por amor de Deus, distribuam relógios e deixem dormir quem quer!

domingo, janeiro 11, 2004

Até sempre ou uma história de valores

Adeus Lenine, mais do que um panfleto, pode ser uma história de valores. Os tais que toda a gente reconhece estarem a faltar na sociedade do consumo. Por exemplo, o cuidado, a dedicação e o respeito com que cuidamos dos nossos pais. Tivessem os regimes acabados no Leste criado miúdos como o protagonista e o saldo já não teria sido tão negativo quanto nos querem vender. Nesse aspecto é enternecedor.
A história da falência e as causas desse resultado estão ainda longe de ser completamente esclarecidas. De momento, pode concluir-se que um sistema perdeu em relação ao outro e resultados destes têm sido encontrados com frequência ao longo dos tempos. Os vencedores de agora podem perfeitamente ser os derrotados de amanhã. Assim temos evoluído. Portanto, os risos alarves e nervosos de chacota que ouvi a alguns dos espectadores traduzem, antes do mais, a aquisição de uma doutrina cultural da superioridade de um sistema sobre outro e está longe de ser um juízo imparcial e objectivo.
Ficará o mundo melhor quando se abandonam cursos para vender hamburgueres? Ou serão os discursos papagueados da menina dos King Burger o objectivo dos comportamentos sociais? Até que ponto, o marketing não substitui o ser-se? E estamos a ficar todos a parecer como forma de estar, abdicando de um mínimo do ser. A felicidade é estar cansado ao fim de um dia de trabalho sem se ter tempo de reflexão e alienarmo-nos ainda mais em frente de um canal de televisão que nos mostra fenómenos ou nos permite espreitar comportamentos íntimos alheios? Festejar a vitória no campeonato com correrias ruidosas pela cidade? Será esse o objectivo?
Podem rir, que o povo é sábio e há muito diz, que ri melhor, quem ri no fim!
E o filme denuncia o passado, sem esquecer a denúncia do presente de consumo. Para mim, sobretudo. faz o elogio do cuidado e acho que é essa a razão por que persiste em exibição depois de tanto tempo.

sábado, janeiro 10, 2004

Paragem para admirar as jantes de liga leve

-Então que se passa?
-Dr., é a minha mãe. Voltou a ficar parada.
-Parada, como?
-Como da outra vez...
-Da outra vez? O que aconteceu?
-Foi o ABS (acidente bascular serebral)
A senhora estava realmente parada, do lado esquerdo. Mais outro ABS... Acontece nestes hospitais públicos sem tecto de abrir, nem fecho centralizado de portas, nem direcção assistida, para fazer sorrir médicos triadores, que quando faziam o curso ainda aspiravam a ser «tira dores».

sexta-feira, janeiro 09, 2004

Dificuldades

São complexos os processos de decisão. Aceitar, por exemplo, que os doentes com obesidade tenham descontos nos medicamentos só pelo facto de o serem, de terem esta doença incapacitante, mas também evitável. Deverá a sociedade em conjunto suportar uma doença que é determinada por uma facilidade de consumo que ela própria estimula? Como que a expiar a sua culpa. É justo que um obeso tenha descontos e isenções e um doente com um problema genético, por exemplo, não tenha? Não consigo ainda decidir este dilema.
Não deverá investir-se na prevenção e não será investir na cura desinvestir na prevenção, facilitar? Sinceramente, tenho dúvidas... Não será apenas facilitar a pressão dos lobbies dos medicamentos e das bandas e dos cirurgiões?

quinta-feira, janeiro 08, 2004

Evite o charlatanismo

Quero aqui registar mais um fenómeno que a evidência explica mas as pessoas não conseguem ver. Nesta altura do ano, a consulta fica cheia de senhoras que aumentaram de peso pelos mais variados motivos, o frio, os medicamentos, a água até (que isto nesta época bebe-se mais) ou por causas completamente não identificadas. A OCNI (obesidade de causa não identificada) é uma maleita crescente e que tem destes fenómenos de exacerbação por estas épocas. Continuo ainda a espantar-me como as pessoas não vêem explicação para os aumentos de peso, ou os vêem fora de tudo o que é lógico – o excesso de comida e a falta de exercício. E nada lhes abre os olhos. Como explica o Professor «quando a evidência está nas coisas e a inteligência não está nas pessoas, nada há a fazer». Para que estive hoje a pregar toda a manhã? A água e o ar vão continuar a engordá-las. Já agora só mais um desabafo desesperado. A obesidade em mais de 95% dos casos não tem qualquer causa endócrina! Por amor de Deus, deixem de ir procurar solução para o problema aos consultórios dos endocrinologistas. Eles sabem tanto disso como qualquer outro médico. E os obesos e pseudo-obesos são cerca de metade dos portugueses, demasiada carga para uma especialidade. Ou então, optem pelos endocrinologistas da medicina privada, esses sim são grandes especialistas no tema, mas por favor não generalizem. Os dos hospitais sabem pouco da coisa. A sério, falem com os médicos de família, peçam-lhe uma dieta equilibrada e um programa de exercício e deixem-se de ilusões. Se o não fizerem vão continuar a engordar, que neste problema nem o Harry Potter vos vai ajudar. De caminho comam produtos naturais da terra e do mar, geralmente, vendidos nos mercados e bebam água, bastante nos intervalos. Garanto que não engorda.

Eu não vos dizia há dias?

Aí está a saúde a 2 velocidades. Para os segurados e para a ralé. Tudo a correr dentro do previsto segundo o senhor Ministro, mas cuidado com estas medidas nervosas das sociedades anónimas, não vá a coisa dar para o torto e alguém leva pela receita do Alberto João. Ainda assim, estas anónimas sociedades são mais fáceis de localizar...
Vale o gato da vizinha que deu hoje sinais de vida nas suas acrobacias sem rede. Tenho curiosidade em saber quem vai cair primeiro, se o gato, se o Governo, mas como este não tem as vidas do bichano, fico mais optimista.


quarta-feira, janeiro 07, 2004

De Marte ao meu vizinho novo

E a propósito já viram as imagens lindas que vêem de Marte? A suavidade das pedras polidas. E nem sequer é vermelho, é ferrujento, alaranjado. Coisa linda para mandar uns quantos visitar! Por mim, prefiro a Tunísia ou Marrocos. Ainda assim fica mais barato e tem melhor temperatura. Custou-me a entender a euforia daqueles tipos em Pasadena. Mas as pessoas vibram sempre com as coisas da sua vida. É da sua natureza.
Começo a pensar que o meu novo vizinho terá ido até Marte. Nunca mais o vi a fazer equilíbrio à janela. Terá ido?

Dar um estalo no invisível

Só o Alberto João para me animar: «vamos lá dar um par de estalos aos tipos que andam a escrever cartas anónimas!» Aqui está um homem com programa, determinado, justiceiro e sempre com propostas de grande eficácia. Assim fossemos todos e este país seria certamente diferente. Assim como a Madeira, estão a ver?

terça-feira, janeiro 06, 2004

Uma história que não pode ser verdade

E se, por exemplo, um funcionário aplicado de uns banqueiros que andavam a planear meter-se no negócio da saúde, chegasse a Ministro?
Naquele país havia um Serviço de Saúde que sem ser gratuito, ainda assim, permitia que a ninguém deixassem de serem prestados os cuidados necessários quando a doença batia à porta. As pessoas, embora, às vezes, esperassem um bocado pelas consultas ou pelas cirurgias, lá acabavam por ver resolvidos os seus problemas. Por isso, os tais banqueiros não podiam esperar retirar esses direitos assim de um dia para o outro, que eles, mesmo doentes, haviam de fazer algazarra.
Vamos então, por partes, decidiu o funcionário. Comecemos por criar sociedades anónimas na gestão dos hospitais com gestores nossos amigos e mantenhamos a carência de emprego a médicos e enfermeiros. Depois, com sorte, teremos falências dos hospitais e então que iremos fazer? Temos de aproveitar as estruturas, o que talvez possamos fazer vendendo-as aos banqueiros a preço de saldo. Com a falência, desempregam-se uns quantos mas não tem problema. Podem depois ser recontratados a nível individual pelos novos donos. Como são muitos e sem quaisquer garantias até hão-se estar baratos! Bem, mas os banqueiros, que têm esta necessidade conhecida de ganhar dinheiro, não vão fornecer cuidados gratuitos. Mas como são boas pessoas, vão criar muitos e variados seguros de Saúde.
Subitamente, os cidadãos daquele país hão-de acordar e ver que onde havia um sistema nacional de saúde potencialmente gratuito, terá passado a haver um sistema privatizado, onde quem quer ser tratado paga e até, antecipadamente, e quem não paga, não tem cuidados. Alguns anos depois, os índices de saúde, mostrarão o disparate que é todo este plano. Entretanto, contribuímos para a melhoria da economia, a tal.


segunda-feira, janeiro 05, 2004

Os meteoros caíram ao lado

Noticiário Sic à tarde: uma porca alentejana pesa 400 Kg e mede 2 metros e meio. Os repórteres tentam explicar o fenómeno precurando aos tratadores de porcos as razões do caso. Pois, é mesmo um fenómeno! Coisas do arco da velha. Senhores jornalistas, que nunca vos passe pela cabeça perguntarem a algum técnico, por exemplo, um veterinário a razão de ser da coisa. É que podem ter o azar de vos ser dada uma explicação lógica e simples, como geralmente são as da Ciência, e lá se vai a notícia (deixa de ser fenómeno, deixa de ser notícia). Isto tem de continuar a ser um país de fenómenos! Inexplicável! As verdades há que procurá-las junto de quem pouco sabe para continuarmos a ter notícias e permanecermos ignorantes, ávidos de mais novidades.
Tanto meteoro desperdiçado!


Há domingos assim

Ninguém me tira isto da cabeça. Dia em que o Benfica perde com o Sporting, é dia em que se exacerba a falta de auto-estima do povo deste país. Fica mesmo um ar de enterro no ar. Desculpem, mas é assim que vejo o problema.
Pronto, agora façam o favor de ganhar ao FCP. Ao menos que o Mourinho fique menos rabugento e o país mais divertido com mais umas descobertas do Senhor Pinto da Costa.

Também gostei, e muito, de mais uma vez ouvir o saber ilimitado do senhor Professor MRS na TVI. Aquele homem sabe de tudo, desde penaltis à Casa Pia nada lhe escapa e em tudo é o máximo. Também a ler aqueles livros todos, outra coisa não seria de esperar. Deixem-me, já agora, sugerir que leia algo de Culinária, por exemplo, receitas de sopas francesas. Aí consta, ter mostrado, em tempos, algumas insuficiências.


sábado, janeiro 03, 2004

Na terra dos bufos

Ainda há por aí alguém que queira escrever uma carta anónima ao Procurador Guerra a afirmar a suspeita de que ele próprio também estará eventualmente implicado no abuso sexual de crianças? Quase de certeza que ele a junta ao famoso processo. Mais não fosse para alguma vez na vida estar ao lado do Presidente da República e, mais uma vez, dar mostras da sua independência. Podia-se mesmo organizar uma invasão da caixa de correio do senhor! Fica a ideia. Tenham juízo, há coisas que não se fazem.

sexta-feira, janeiro 02, 2004

Novidades

Tenho notado que vêem aqui espreitar uns quantos fiéis todos os dias. Decidi facilitar-lhes a vida e, partir de hoje, têm aí à direita, uma ligação para responderem às provocações destes textos.
Juntei também algumas sugestões de bloques que leio regularmente. Aproveitem!

Coisas simples

Já entro por ali desde 1971. Mas hoje, finalmente, vi que na mancha branca do muro do parque de estacionamento da escola de enfermagem, está uma mensagem que nessa altura não existia. Muito simples, dois cravos e duas palavras: 25 Abril. A provar que no início de um novo ano ainda há coisas que persistem. E esperemos que durem e durem como as pilhas que teremos que ir recarregando. Depende só de nós, da nossa capacidade de estar alerta e de termos a certeza que depois das tempestades, a bonança é possível.

Correio: fernandobatista@netcabo.pt


quinta-feira, janeiro 01, 2004

Vamos lá ao novo ano!

Bom ano 2004!
Tinha de começar assim. O ano não começou mal, sobretudo porque evitei tudo o que fossem noticias. É curioso como as coisas podem correr bem quando se não ouvem notícias. Será que as notícias têm mesmo que ver connosco? À cautela vou tentar evitar os telejornais pelo ano fora.
Quase a chegar a casa, mudo a sintonia do rádio e caio na Antena 1 e de repente começo a ouvir o Hino Nacional. Levantou-se-me um problema. Imaginei o PP na mesma situação e fiquei preocupado, pois, certamente, terá de mandar o motorista estacionar de emergência para sair do carro, perfilar-se de mão sobre o peito e ouvir atentamente ou mesmo cantar o hino. Não, não acredito que fique ali sentado... E isto pode ser perigoso. Não seria melhor não porem o hino a tocar assim de repente?
Correio: fernandobatista@netcabo.pt





quarta-feira, dezembro 31, 2003

Balanço breve de 2003

Que pode ser dito em termos de balanço de mais um ano que hoje se encerra?
Em primeiro lugar prestar homenagem a quem nos governa. Foi um ano de consolidação da estratégia e os resultados apontam no sentido certo. Chegámos ao fim do ano com os ricos mais ricos e os pobres mais pobres, ou seja a política do governo foi coerente. O desemprego aumentou para níveis raramente recordáveis. Poderia ser problema, mas, na verdade, não é bem assim. Os desempregados têm mais tempo livre, escusam de perder tempo a trabalhar e podem dedicar-se a actividades rentáveis. Por exemplo, sinal de progresso económico, a Bolsa de valores teve um aumento do seu índice PSI de 15%. Assim, os desempregados têm aqui uma oportunidade de utilização adequada do seu tempo livre e os mais capazes poderão mesmo arranjar uma empresa cotada em Bolsa; os ganhos este ano foram de 16000000€. Razão tinha o Luís Delgado que anunciou 200 vezes que a retoma era agora. Afinal para que querem estra empregados para terem um aumento do ordenado mínimo de 2,5%? deixem-se disso, tenham iniciativa! Deixo só uma sugestão aos nossos governantes, deixem de pagar o petróleo em euros. Como recentemente o dólar teve uma desvalorização de 25%, se pagassem o produto em dólares, podíamos andar mais um quarto da distância pelo mesmo preço. Deixem lá de comprar o petróleo em euros!
A nível inyternacional também foi bastante positivo. Descobriu-se pela primeira vez na história que um país libertado é um país ocupado por uma potência estrangeira. A tal potência poderá sempre expandir a boa acção no próximo ano. Vamos ver. Lamentavelmente, como seria de esperar, existe um campo de concentração em Cuba, em Guantanamo, onde os mais elementares direitos humanos não parecem estar a ser observados. Mas isso é em Cuba e daí não se pode esperar muito.
Muito bem ainda faltam algumas horas para as badaladas e para nos emborracharmos todos felizes. Vamos a isso!

Correio: fernandobatista@netcabo.pt

domingo, dezembro 28, 2003

Tenho um vizinho novo (até ver)

Desde há 3 dias que o vejo, hesitante, avançar no parapeito da janela pata-ante-pata até exactamente ao fim e, depois, olhar para baixo, estendendo o pescoço, como os de loiça, que ficam sobre os móveis em decorações duvidosas. Agilmente volta para trás, depois de uma rápida pirueta a cerca de 15 metros de altura e percore a distância do parapeito da janela no sentido contrário sob o olhar interessado da jovem dona. E ali fica a andar para trás e para a frente numa acrobacia de prenda de Natal. É o meu novo vizinho, um gato que saiu há 3 dias do sapatinho e, esperemos, não venha a desfazer-se em cacos como as réplicas de porcelana depois dum voo acrobático de quatro andares. Dizem que têm sete vidas estes de carne e osso. Este acho que vai precisar! A primeira usou-a quando o puseram numa montra de Petshop. Restam-lhe seis... Boa sorte, vizinho!
Correio: fernandobatista@netcabo.pt

sexta-feira, dezembro 26, 2003

Retoma lenta

Pós-Natal à sexta-feira sabe a domingo. Acorda-se tarde e os dias vão recomeçar devagarinho. Hoje é dia de continuar a ver se as prendas funcionam, ter irritações com as panes dos brinquedos, com os discos que têm faixas estragadas, com um sem número de pequenas reclamações que irão levar-nos de novo às lojas para fazer trocas e sermos apanhados para compraramos mais qualquer coisinha.
Por mim foi ver o Declínio do Império Americano, um filme com título esperançado criado há 18 anos. Até pode ser, que nisto da História os fenómenos também se passam devagarinho e, na verdade, a sobrevivência individual, a qualquer preço, pode ser já um sinal do início da queda do Império. Que estrutura pode sobreviver na ideia da desagregação, do cada um por si e o resto que se lixe? O resumo do filme no 7arte é como se segue:
O que pensam realmente as mulheres dos homens? De que é que falam quando eles não estão presentes? E os homens, de que falam? Enquanto Rémy, Pierre, Claude e Alain, professores na faculdade de História, preparam um jantar requintado, as suas companheiras, Dominique, Louise, Diane e Danielle, treinam-se num ginásio de musculação. Os homens falam sobre as mulheres, as mulheres sobre os homens. Destas duas conversas sobressai a mentira de uma época e a busca de cada um deles pela felicidade individual a qualquer preço. Fantasias, tentação, desejo, indiscrições, infidelidade, confissões, acrobacias e tudo o resto que faz do sexo único assunto sobre que vale a pena falar. Todos os tabus são hilariantemente expostos neste clássico inesquecível sobre as relações modernas.
Correio: fernandobatista@netcabo.pt

quinta-feira, dezembro 25, 2003

Natal final

Sabe sempre bem o Natal. Na rua que agora começa a agitar-se, acumula-se cartão, laços e esferovite já a começar a desfazer-se em bolinhas pequenas que voam com o vento. É o anúncio de que faltam 365 dias para a próxima orgia consumista. E vai passar tão depressa... vamos lá a ver se conseguimos agarrar melhor o tempo que aí vem. Ainda assim este bem não dura sempre.
Correio: fernandobatista@netcabo.pt

Uma vaca histórica

Já havia boatos sobre o Presidente e os que o elegeram, estranhava-se que tivessem aquela dieta de gordura concentrada, não era normal que pensassem que estavam sós no mundo, nem se percebia muito bem a razão por que se achavam ser um exemplo para todos os outros povos. Quando se analisava em pormenor aquele país, dizia-se em boca pequena, à maneira dos gauleses, os americanos são loucos! Era um mistério como naquela terra, as vacas continuavam a resistir. Mas eis que, finalmente, surge a primeira vaca louca nos EUA. A estas horas deve estar farta de dar entrevistas, vir nas primeiras páginas, abrir telejornais e seguramente, em Hollywood, alguém já prepara o filme da vida dela e para a semana vai sair o livro. Esta vaca vale milhões. God bless the cow, em todos os outdoors de todas as cidades.
Para festejar, uma secretária de qualquer coisa lá da zona, num acto de solidariedade comeu carne de vaca no Natal. Os americanos mostram assim que não temem a loucura das vacas, a loucura já é um estado de espírito instalado.
Correio: fernandobatista@netcabo.pt

quarta-feira, dezembro 24, 2003

Véspera de Natal

Gosto do silêncio da rua sem carros e da luz nas janelas do lado de lá. As cozinhas dos meus vizinhos hoje estão cheias. Não se ouve nada. Lá dentro deve haver a algazarra habitual de todos a quererem fazer qualquer coisa. Nem o frio faltou hoje e é uma pena que não apaguem o néon dos candeeiros para podermos espreitar o céu cheio de estrelas. Que diabo, pelo menos uma noite por ano, na cidade, devíamos ter direito a um céu de deserto! Espreitar o Pai Natal e as renas e as prendas.
Mas neste Natal faltaram os olhos de crianças pequenas à espera de presentes e olhar dela cansado e feliz de tudo ter corrido bem.
Correio: fernandobatista@netcabo.pt

terça-feira, dezembro 23, 2003

Obrigado, nosso benfeitor!

Como é generoso o nosso Governo! Vejam a atenção em vésperas de Natal: aumentou o salário mínimo, que continua a ser muto mínimo mesmo. E a mostrar que aquela ideia da luta de classes está ultrapassada completamente aqui se regista a notícia do Público:
A actualização do valor do salário mínimo nacional de 356,60 para 365,60 euros anunciada hoje pelo Governo foi recebida com críticas pelas centrais sindicais e com aplausos pelas confederações da Agricultura e Indústria
Há uns que aprenderam as regras da economia e aplaudem, há outros ignorantes e gananciosos que contestam. Não, não há luta de classes, há é gente com e sem classe. Sem classe e quase sem nada.
Correio: fernandobatista@netcabo.pt

segunda-feira, dezembro 22, 2003

O preço do petróleo e do seu uso indevido

Alguns números:
Desde o início da Guerra do Iraque os americanos tiveram 2657 feridos; 324 mortos desde 5/1/03; 463 mortos no total e desde a prisão de Saddam, 8 mortos.
Fonte: www.antiwar.com
Os mais de dois mil acidentes registados a semana passada pelas Brigadas de Trânsito da GNR fizeram 28 mortos. Os sinistros provocaram ainda 57 feridos graves e 675 ligeiros. Uma semana negra nas estradas portugueses. Só este fim de semana morreram 17 pessoas. Fonte: Sic online

Correio: fernandobatista@netcabo.pt

Bloguemos

Será justo assinalar e reconhecer a dimensão narcísica deste fenómeno. Escrevemos para nos lermos mais tarde, mas se alguém nos for lendo desde já, sentimo-nos melhor. Quando alguém se dá ao trabalho de além dos nos ler, nos escrever e aprovar, então quase sentimos que está a valer a pena. Por isso, obrigado a si Maxou (anónimo, homem ou mulher?) e retribuo com a publicação do endereço do seu blogue (www.vamoslixartudo.blogspot.com)que vou juntar aos meus favoritos. A todos os outros, uma vez mais o desafio de não hesitarem em criticar. Tornar isto um espaço de dscussão e tertúlia, so me alegrará.
Correio: fernandobatista@netcabo.pt

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domingo, dezembro 21, 2003

Depressão, cepticismo, a culpa é deles e a verdadeira causa das desgraças

-Bom dia de sol, hoje!
-Ainda vamos pagar isto caro...
-Dizem que só depois de terça é que chove.
-Não acredito! Eles sabem lá, isto agora já ñão é como era dantes com chuva vo Inverno e Primaveras suaves. Ainda se lembra?
- Pois desde que foram lá...
-Lá aonde?
-Lá acima, mexer no buraco do ozono. Desde então nunca mais o tempo andou direito!
-É verdade, sim senhor.

Correio: fernandobatista@netcabo.pt

sexta-feira, dezembro 19, 2003

Brasil 2

1. Em 2003 ainda é possível fazer-se uma reunião médica Luso-Brasileira que desloca cerca de 50 pessoas de Portugal até ao Brasil e mobiliza outros tantos brasileiros para discutirem temas de endocrinologia e hepatologia.
2. Na sessão de abertura, com hinos e tudo, representa-se como se estivessem 4000 pessoas na sala num registo de século XIX, com Ilustríssimos representantes subindo ao palco.
3. A origem do Bem Estar das Nações também se explica por estes momentos.
4. Valeram os acarajés e abarás com cerveja no cocktail que se seguiu.
5. E antes os passeios à Ilha dos Frades e Itaparica e à Praia do Forte nos dois dias antes da cerimónia de abertura.
6. Claro, que vale sempre a pena visitar o Pelourinho, onde o tempo passa devagar. Uma oportunidade para no Convento da Ordem Terceira de São Francisco nos avisarem do diabo à solta no Morro de São Paulo e ver na Igreja de São Francisco a talha dourada e lembrar os tempos em que os pretos assistiam à missa em cantos fora da Igreja.
7. E muito especialmente, ir ao Sorriso da Dada comer Bóbó de camarão e Mariscada.
8. Andar no elevador Lacerda a 0,05 reais a viagem e ver lá de cima a Baía (desculpem, com h - Bahia que aqui a influência é portuguesa).
9. Cirandar pelos corredores do Modelo como num bazar turco em compra de colares, de redes e paus de água e ver gente gorduchinha.
10. Pós-modernamente ir ver o Love Actually no Shopping da Barra, onde só vi gente elegante.
10. Acabar na quarta-feira (como o Carnaval!) e com ar sério congratularmo-nos muito pelo êxito do Congresso e fazer votos para que se repita a bem das Nações.

Correio: fernandobatista@netcabo.pt

Brasil 1

Brasil
Algumas notas recolhidas:
Habitantes 175000000
Mortalidade infantil: 35,87/1000
Esperança de vida: 63,55
Prevalência da sida: 0,57%
Rendimento per capita: 7400 USD
República Federal
Cuba
Habitantes 11000000
Mortalidade infantil: 7,27/1000
Esperança de vida: 76,6
Prevalência da sida: 0,03%
Rendimento per capita: 2300 USD
Governo Comunista
Factos são factos e estes foram colhidos no site da CIA (http://www.cia.gov/cia/publications/factbook/index.html)
Pensavam que era no Granma?

Num jantar um advogado disse-me com ar sério que isto de ter de matar a fome a tanta gente não era tarefa fácil. O Brasil não se pode comparar com um país de 10000000 de habitantes. Mas será que o doutor imagina que eles só comem?

Correio: fernandobatista@netcabo.pt

Natal

Subitamente, este ano, foi invadido por uma necessidade urgente de salvar o Natal. Aconteceu quando entrei há dias num Centro Comercial e deparei com o ar alucinado dos frequentadores. Má cara, ansiedade, cansaço, ar de derrota. Um ar de estou por tudo, quero é safar-me disto depressa. Andar de vamos lá a despachar isto, quase de castigo.
Não admira, depois de se andar um ano inteiro a tentar sobreviver sem olhar para o lado, estão destreinados desta coisa da solidariedade. Uma palavra em vias de extinção. O Natal começa a ser uma realidade contranatura. Transformou-se em mais uma época de consumo. E é nesta altura que a chatice do consumo atinge o máximo e se torna insuportável ou apenas se aguenta num estado de alucinação. O Natal, este Natal, é triste de ver.
Mas se calhar ainda é possí­vel haver outro.
Medidas de emergência para salvar algo ainda do Natal deste ano:
1. Levar necessariamente um sorriso nos lábios. Facilita o diálogo com os vendedores, coitados, completamente cilindrados pelas enchentes de clientes.
2. Não levar ideias muito bem definidas do que se quer oferecer. Isso, geralmente, não existe à venda. Deixemo-nos contagiar pelo que via surgindo. No fim das contas ainda há algumas coisas engraçadas por aí­.
3. Sorrir outra vez quando chegar a hora de pagar. Ficar feliz porque a fila já acabou.
4. Não ir a seguir para a fila dos embrulhos. Tem muito mais piada comprar papel e fitas de seda e ir para casa treinar-se na arte do embrulho. Assim, se evita ter as prendas todas rotuladas com as marcas das lojas, o que faz perder toda a graça. Que isto de dar é a arte da surpresa.
5. Olhar para o tempo gasto nas compras como um tempo ganho (incluir o tempo de filas de automóvel, a procurar o estacionamento). Afinal para que queremos o tempo, será o resto tão necessário e inadiável?
Para o ano que vem e para todos os outros
Começar o Natal em Janeiro, dedicando uma compra ou duas por mês para uma ou duas pessoas. Tem a vantagem de estendermos o espírito da época, o verdadeiro, a todo o ano. Pensar nos amigos o ano inteiro sem stresse, com a calma e o cuidado que nos devem merecer os amigos em todos os dias do ano.
Talvez assim se possa fazer um Natal que valha a pena.
Possivelmente, escrevi tudo isto porque quando desejava Boas Festas a uma doente hoje, ela me disseque esta era a época do ano que mais odiava. O Natal para ela era uma espécie de insulto.

Correio: fernandobatista@netcabo.pt

terça-feira, dezembro 16, 2003

Diferentes estrelas

O contador ia em 210, agora está em 260 e tal. Eu e a família mais próxima estivemos alheados da Net durante 10 dias. Logo, além das minhas memórias futuras, justifica-se que aqui venha, sempre que possa, deixar alguns dos ouvidos e dos vistos que vou tendo. Parece que andam por aí algumas pessoas a partilhar um pouco disto. Boa tarde a todos! Quando quiserem, não hesitem, usem o mail abaixo e comentem.
Estar num país como o Brasil tem a vantagem de para além do bom tempo e da água quente, podermos sentir a sorte que foi, ainda assim, ter nascido por aqui. Já antes escrevi algures que isto do sítio onde se nasce é muito importante! Atenção grávidas de todo o mundo, uni-vos e desovai em bom sítio! Os vossos filhos vos agradecerão.
Pois é, não pode ser. Até quando vai ser possível deixar o mundo andar desta maneira injusta? Não chegará certamente o contentamento de o Sadam ter sido sido apanhado, quando, se calhar, essa nem foi a reparação mais necessária da ordem do mundo.
As estrelas do norte e do sul são diferentes. Mas o nosso futuro colectivo não pode depender das estrelas.
Nos próximos posts irei tentar escrever algumas das reflexões que o Sul provoca.

Correio: fernandobatista@netcabo.pt

sexta-feira, dezembro 05, 2003

A vaguear

Depois de me ler (já que ninguém me lê...), cheguei à conclusão que aquela conversa dos 50 anos é sintomática. Percebi, que ter 50 anos apenas tem um pequeno problema: o tempo passa a ter outra urgência, há uma necessidade maior de fazer, de não adiar. Pela primeira vez entendi que não faz grande sentido planear fazer daqui a 30 anos... Será que vou passar a viver mais depressa?
Tenho de me refugiar por aqui, porque continua a não haver notícias. Ou talvez haja, mas não as entendo bem. Parece que vamos poder voltar a andar a acelerar em Portugal. Os polícias chefes da BT andam muito zangados e vão fazendo as malas. Esta na altura de aproveitar. Boa viagem! Depois há aquelas informações ou insinuações sobre alguns senhores importantes a quem são sempre perdoadas as multas. Isto é um país confuso!
Vou-me embora até ao Brasil apanhar sol, que isto aqui anda frio de mais. Lá também são desta raça, mas ao menos têm samba e tempo quente.
Até logo!

Yahoo!

quarta-feira, dezembro 03, 2003

Urgência dos pequeninos

O professor deu o exemplo! Foi acompanhar os soldados, o General. Na Estefânia começou por dar muitas entrevistas. Mas bateu em retirada ao primeiro ataque aceitando calar-se por lhe ter sido ordenado. O que fará um líder calar-se, quando mais necessário era ouvir a sua voz? Que miragem de poder é esta que tanto prezam?

Correio: fernandobatista@netcabo.pt

À procura de rumo

Depois de uma noite mal dormida, soube-me bem ver o desnorte de alguém à procura de encontrar os cantos à casa. Uma vontade de fazer omeletas sem ovos. Vai ouvindo e nem toma notas. Por favor façam-me chegar as vossas sugestões. Só que tudo cheira ao mesmo.

Correio: fernandobatista@netcabo.pt

terça-feira, dezembro 02, 2003

semana portuguesa

As semanas ficam mais curtas iniciadas à terça-feira, quase perfeitas quando acabadas à quinta. Vai ser assim esta!

Correio: fernandobatista@netcabo.pt

domingo, novembro 30, 2003

Boas perspectivas

Dizem que a selecção calhou num bom grupo na primeira fase do europeu. Já começaram a fazer contas. Como esta gente gosta de matemática! Pode ser que a surpresa chegue e finalmente alguém seja imolado na praça pública. Tem de haver uns escapes para este panelão a ferver. Será o Flipão?
Confesso que me é indiferente a menos que partam mais um estádio na raiva incontida da alegria ou da tristeza, que estes moços adoram quebrar e tanto lhes faz o estado de espírito.

Correio: fernandobatista@netcabo.pt

sábado, novembro 29, 2003

50 anos (a posteriori)

Ainda me lembro do tempo em que os tipos de 50 anos eram uns velhos. Gente muito crescida e com futuro a prazo. Só que agora, quando os amigos fazem estes anos, 50 anos sabe a princípio de vida, a uma nova etapa apenas. Andamos de óculos ou de lentes de contacto e é como se nada fosse. Do castelo de Almada a vista sobre Lisboa é uma novidade aos quase 50 anos. Sempre há novas perspectivas para observar as coisas bonitas.

Correio: fernandobatista@netcabo.pt

Meu país tranquilinho

O pão vai aumentar 35%! Ninguém comenta, tudo é natural neste país. Não vai haver qualquer contestação e a MFL nem vai precisar de recomendar aos súbditos que comam croissants. Que país tranquilo é este?
O Expresso mostra que o emprego na função pública se reduz em Portugal e sobe na Irlanda, a tal do exemplo. Tudo bem, continuemos tranquilos que isto há-de ir.
Definitivamente, nesta terra ninguém vai deixar a cabeça no cepo. Ou irá?

Correio: fernandobatista@netcabo.pt

sexta-feira, novembro 28, 2003

Intervalo

Há dias que são assim, com nuvens e sem chuva, cheios de cinza e podemos sempre ficar na borda da água do rio olhando a corrente, tentando perceber o seu destino. Numa ansia de anestésico.

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quinta-feira, novembro 27, 2003

Tudo é relativo

Não será nada importante que o Sporting tenha ficado pelo caminho na taça UEFA. Também terá pouca importância que a America's Cup vá para Valência. Nem sequer é importante a Manuela Ferreira Leite não mudar uma vírgula no orçamento depois de ter mudado todo o texto na Reunião dos Ministros Europeus. E que importância tem a gripe que faz longas filas de espera na Urgência do Hospital da Amadora? É claro que o anúncio de que o Presidente Bush foi ao Iraque depois de já ter voltado é completamente irrelevante. Para mim hoje só há uma notícia importante: 20 milhões de crianças africanas vão ficar orfãs por causa da Sida. E vai ser verdade, sabiam?

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terça-feira, novembro 25, 2003

Défice de coerência

A Alemanha e a França mandaram às urtigas o pacto de estabilidade com o apoio da nossa auto-designada obcecada (Dicionário Porto Editora: adj. cego do espírito; obscurecido; ofuscado; pertinaz; contumaz no erro) Manuela Ferreira Leite. Fica assim claro, que a pertinácia no erro só existe para consumo interno, para nos massacrar a nós. De resto ela até entende e apoia. Cega de espírito só entre portas. A senhora não gosta de nós ou será que está a antecipar o futuro e já chegou à conclusão que mesmo vendendo as jóias e os dedos atrás, é melhor prevenir que pagar depois?

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segunda-feira, novembro 24, 2003

Agradecimento

Quero agradecer-lhe, meu caro filmc o seu meile (assim em antecipação à futura ortografia). Foi o primeiro a escrever-me, o que se deverá ao facto de saber melhor quem eu sou, do que eu sei quem você é, mas ainda assim obrigado pela lembrança e por ter notado que não andava a escrever aqui já uns dias. Espero que haja desabafos bastantes para poder vir aqui despejar aquilo que me agrada e incomoda nesta tentativa de escrever um bocadinho de uma história desalinhada. De certeza que haverá ainda muitas por contar e sobretudo alguma para realizar, que nestas coisas da vontade de fazer, o difícil, por vezes, é começar. Traga mais amigos, que teremos muitas histórias para contar e globalizemos a partilha do existirmos colectivamente ainda que nos berrem aos ouvidos que estamos sós na selva da cidade.
PS: o Kaos rosna mas não morde, o Bite salta e chora de contente. Também eles sofrem o isolamento destas gaiolas de cimento e ficam alegres com a chegada de alguém.

Correio: fernandobatista@netcabo.pt

domingo, novembro 23, 2003

Mais um dia de banco

Dia de banco quase me obriga ao silêncio. Fico afastado do mundo e próximo das histórias simples. A senhora que vem com a dor nas costas há seis meses. O médico de família que não existe. E vem-me à memória as preocupações do Bastonário!
Cada dia destes que passo, sinto que passei por ele e um desencanto tão grande pelas razões que me põem a fazer um serviço de enfermeiro pago a preço de assistente graduado em dedicação exclusiva. Esta máquina tem de ser consertada depressa, venham engenheiros mecânicos tratar disto, antes que gripe de vez!

Correio: fernandobatista@netcabo.pt

sábado, novembro 22, 2003

Resumo possivelmente com muitas ausências pelo caminho

Mais de uma semana de pausa. Pela agitação da vida moderna, as deslocações a reuniões e também pela falta de momentos importantes nas notícias. Está realmente tudo muito igual.
A ir para o Porto, fui ouvindo uma conversa depressiva de mulheres deprimidas no Fórum Mulheres da TSF. Discutiam as reduções na segurança social e foi triste ouvir o conformismo. Assim, a luta está perdida.
Depois, o Porto inaugurou o estádio do Dragão e ficam-me na retina alguns azulejos do Júlio Resende. Tudo o resto é folclore de Pintos da Costa e companhia.
Aconteceu também o rapto do jornalista no Iraque e depois a libertação e uma jornalista a ir ser buscada em avião do Governo. É preciso tratar bem os jornalistas. Fizeram bem e deram um bom exemplo para futuras evacuações de gente, eventualmente, sem tempo de antena.
Depois, depois foi mais do mesmo de sempre e uma semana que acabou um dia mais cedo, porque na sexta feira a função pública fez greve e com ela eu também. Setenta por cento dizem os sindicatos, dez por cento o Governo. Pasmo como se pode noticiar isto. Por favor não venham falar da independência do jornalista. Quem noticia isto não é independente, é mau informador, incompetente. Então estes senhores que conseguem saber a verdade sobre a ideia dos portugueses acerca da resignação do papa, não são capazes de fazer um estudo independente para dizerem os verdadeiros números da greve?
E mais uma reunião de fim-de-semana para discutir o Futuro da endocrinologia. Um aspecto positivo, uma reunião médica onde não fomos drug-dealers. desabafámos sobre insuficiências, atrasos, hospitais de gestão privada, investigação e depois podemos vir embora, que tudo irá permanecer aproximadamente na mesma. Gostei de ouvir o Felipe Casanueva falar da necessidade de mobilidade e do domínio da língua inglesa com aquela referência de que piloto também não pode voar se não souber inglês. E as reflexões sobre os nossos cuidados com a Medicina dos ricos, ignorando tudo o que se passa naqueles milhões de quem nunca falamos.
Discussão sobre política de medicamentos e comparticipações diferenciadas consoante o rendimento. A mesma confusão das propinas e lá vou eu comprar os comprimidos e pagar mais que o Manuel Damásio que ganha o ordenado mínimo. A mesma confusão das propinas! Como diz o outro, mas será que está tudo doido? E o conformismo face À nova organização da saúde, como se fosse o único caminho. Sim, senhor Dr. Durão e companhia, a vossa mensagem passou! Restam, é claro, num cantinho do país uns tipos que não vergam e continuam a acreditar que a história há-de ser escrita de forma diferente. Já se chega a ouvir alarvidades do géneãoro «os doentes dos centros de saúde deixam de estar tanto tempo em lista de espera se fizermos consultas de triagem, mas como essas consultas não podem ser contabilizadas e pagas ao hospital de onde somos, não devemos ir!» Mudem-se as formas de pagamento, mas por favor acabem-se as esperas desnecessárias. O contrário é que não! (Ainda por cima é gente inteligente e aparentemente bem intencionada que se sai com este tipod e coisas).
E já me esquecia que foi esta semana que o senhor bastonário veio defender que não deve haver grande aumento de vagas nos cursos de medicina. Claro, risco de concorrência no estabelecido! É triste, bastante triste.
Tentarei recomeçar amanhã com mais regularidade.

Correio: fernandobatista@netcabo.pt

quinta-feira, novembro 13, 2003

À volta da Justiça

É nestas coisas que se vêm como será demorada a justiça. A história é simples. Alguém desconhecido entrou na garagem e partiu-me um vidro do carro. Intenção? Roubar ou chatear quem saberá. Agora para se obter a comparticpação do seguro é necessário levar uma declaração de participação na Polí­cia. A esquadra tem um ar probrezinho, com umas mesas e uns tapetes feioso no chão. O equipamento informático e de comunicações está à  vista e parece regular. Só hoje vi como os polícias andam descuidados. O nome do agente mal se via de gasto. Os distintivos da polícia estavam sebentos. O rádio não tinha pilhas. pequenos pormenores. O simpático e solí­cito agente, meio trópego com o teclado começa a organizar a história no formulário depois de me perguntar se queria apresentar uma queixa crime. Lá me explicou o que era e eu disse que sim. Depois de uma demorada identificação e descrição da ocorrência, lá assinámos a papelada. desde que entrei na esquadra de polícia foram quase duas horas, o que para escrever meia página de papel de história é obra! Assim começa a lentidão da justiça em Portugal.
No telejornal vejo o Provedor de Justiça falar da utilidade de salas de injecção assistida nas cadeias. A senhora ministra PP da Justiça, mostra-se pespinetamente contra. Nem pensar, arrenego! Mais cegos que os que o são são os que não querem ver, não é? Conhecimento por princípio como na Idade Média. Mas que mal fizémos nós?

Correio: fernandobatista@netcabo.pt


quarta-feira, novembro 12, 2003

Ei-los que partem

A GNR parte hoje com algum crédito para a Guerra. Tivesse partido antes e já estaria possivelmente com algum débito, isto é, estaríamos por aí a receber os primeiros caixotes. Boa viagem e voltem depressa (inteiros)!
O que estranhei hoje foi este alarido para se não partir, por parte dos partidos da oposição. Então lá porque há guerra, já não se vai à guerra? Será que querem guerras seguras, daquelas onde se vai fazer turismo? Desde as histórias do Solnado que ficámos a ter uma ideia imperfeita das guerras...
Pasmei ao ouvir o Francisco Louçã dizer que se algum soldado morrer a responsabilidade é toda do PM. Tem processo quase garantido e vá preparando a indemnização, Durão Barroso. Esta gente não anda nada bem. Cá para mim, as decisões da maioria acabam por ser todas um pouco de todos nós, mais não seja por sermos responsáveis por serem eles a maioria. Sim, se calhar apenas teremos que nos queixar de nós próprios. Agora depois de os deixarmos ganhar, teremos que os aturar e nestas coisas ou conseguimos que mudem de estratégia ou teremos de estar ao lado dos que eles mandam.
Continue-se a explicar até à exaustão que isto é uma guerra fundamentada numa evidência inexistente (ainda alguém se lembra das provas de armamento de destruição macissa?), injusta, que cheira apetróleo que tresanda. O combate deve continuar por aí, até se perceber que foi um erro todo este alinhamento com os senhores do Império. Nada o justificava, nada o justifica. Uma pura aventura de cowboys. Mas já agora não se lance mão de truques fáceis.
Onde anda o PP que não ouvi falar dele hoje? Será que não tem nada que ver com isto?

Correio: fernandobatista@netcabo.pt


terça-feira, novembro 11, 2003

Europa

Parece que os portugueses ainda não leram a constituição europeia. Foi esse o resultado de uma sondagem. Eu estou como eles, também não li. Mas o curioso é que a querem referendar para mais uma vez acharem que sim ou que não. Muito gosta esta malta de ter opinião.
O PM diz que não vamos perder soberania. É curioso, mas isto da União Europeia parece-me uma sociedade anormal. Cada um entra com capital diferente, depois nos resultados participamos todos por igual. Eu por mim ficava melhor com a minha consciência se tivesse o mesmo voto que qualquer alemão. Por exemplo, como um californiano ou um residente na Nova Inglaterra. Eu queria era uma Europa de cidadãos iguais e estou-me nas tintas para os interesses dos países. Fico tranquilo se os alemães, porque são mais, poderem ter mais poder. Eu ,no fundo, sou um democrata.
Correio: fernandobatista@netcabo.pt


segunda-feira, novembro 10, 2003

Parabéns!

Pelo exemplo de generosidade de uma vida inteira. Por continuar sem desvios a perseguir um ideal. Por não ceder à maioria da globalização das consciências. Por tentar fazer perceber que o erro não foram as ideias, os objectivos, mas apenas as pessoas e nos deixar, assim, aberta a esperança de ainda ser possível. Um dia será, camarada. Até amanhã!

Correio: fernandobatista@netcabo.pt


domingo, novembro 09, 2003

Até prova em contrário

Confesso que me irrita esta desconfiança à entrada nas grandes superfícies. Sempre que levo um saquito na mão lá vou ter de o depositar no segurança e mostrar o meu ar irritado com esta prática de quem considerra que os clientes são, até prova em contrário, potenciais ladrões. E irrita-me também que não haja nem um bocadinho de indignação. Algumas pessoas quase que correm satisfeitas para o encerrar dos sacos. A mim, chateia-me isto! Nesta terra há quem se defenda dos gatunitos. Só queremos coisas em grande escala.
Será da pequenez da terra, para compensar?

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sábado, novembro 08, 2003

Audiência zero

A proliferação de reuniões médicas de formação tem destas coisas. Fazem-se a propósitito de tudo. Estupidamente, misturam-se temas desconexos esperando que os clínicos gerais sejam os receptores e actuem como cimento aglutinador de informação dispersa. Não resulta. Eles vão mas é passear, gozar o sol do Algarve e fazem bem. Que lhes pode interessar as últimas do transplente hepático ou da terapêutica médica com antivirais na hepatite C? Até quando a falta de senso?
Depois não é de estranhar que numa das sessões estejam os moderadores e os três prelectores. Audiência zero!

Correio: fernandobatista@netcabo.pt



sexta-feira, novembro 07, 2003

na urgência externa

País pequeno
«O senhor vai ao hospital falar com o senhor Gonçalves do laboratório». O senhor veio e acha que era a Santa Maria o hospital onde o enviaram, não sabia o que vinha fazer, nem quem era o senhor Gonçalves, nem a forma de contactar quem o mandou, que também não sabia quantos laboratórios este hospital tem.
Tenho amigos (influência)
«Tenho cama marcada pelo Dr. Menezes. Eu não espero, é para entrar já». O Dr. Menezes não está de serviço, ninguém sabe qual a cama, mas o escarcel estava feito.
Pois
«Ela tem diabetes, tem hipertensão, tem colesterol, tem 93 anos». Uma vida grande e cheia de posses.
Inquietação
Telefonema para o Hospital: « Posso levar aí o meu filho para fazer umas análises. Só para eu ficar com o coração tranquilo, acho que el se anda a drogar». Não fazemos. Talvez dialogar sem picadas analíticas.
Estar por tudo
Para quem não sabe se diz que desde há algum tempo, depois d e umas perguntas à entrada da urgência do Hospital, os doentes são classificados por ordem de prioridade da situação. A chamada triagem. São, então assinalados com uma etiqueta adesiva riscada com a côr respectiva que devem colocar na roupa. Diálogo:
-«Se faz favor, vai à Otorrino para lhe verem o ouvido. Para circular no hospital, ponha esta etiqueta na roupa.»
-«Na boca, sor doutor, assim?» Evitei a mordaça por instantes...

Correio: fernandobatista@netcabo.pt




quinta-feira, novembro 06, 2003

Uma despesa evitável

O Ministério da Saúde publica esta quinta-feira em alguns jornais nacionais anúncios de página inteira com o balanço do primeiro ano da aplicação do chamado PECLEC - Programa Especial de Combate às Listas de Espera Cirúrgicas.

Com alguns quadros e duas colunas de texto o anúncio sistematiza informação que o ministro tem revelado no Parlamento e que Luís Filipe Pereira prometeu divulgar publicamente.

Esta divulgação dos resultados do Ministério da Saúde custou 40 mil euros, segundo apurou a agência Lusa junto de fonte do gabinete do próprio ministro.


Aqui está uma despesa que teria sido completamente desnecessária se os doentes que estão em lista de espera fossem suficientemente patriotas e passassem palavra uns aos outros: olha a lista de espera acabou! De que raio estás tu à espera, não sabes que já não há listas de espera? Se por acaso houver por aí alguém que esteja à espera de uma consulta ou de ser operado, faz favor desista: acabou! Deixe de imaginar coisas, passe palavra e leia os anúncios do Governo para saber a realidade.

Correio: fernandobatista@netcabo.pt

quarta-feira, novembro 05, 2003

Três da vida airada

Votación Bloqueo (Granma)
Ano 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003
FAVOR 59 88 101 117 137 143 157 155 167 167 173 179
CONTRA 3 4 2 3 3 3 2 2 3 3 3 3
ABSTENCIÓN 71 57 48 38 25 17 12 8 4 3 4 2
(este quadro fica desalinhado mas com paciência ainda é legível)

Resultados da votação contra o bloqueio americano a Cuba nas Nações Unidas. Para que conste os países que ainda apoiam este bloqueio são os Estados Unidos, Israel e Ilhas Marshall (este não sabia que era país, mas vou tentar evitar). Parece significativo o que se consegue numa dúzia de anos.

Correio: fernandobatista@netcabo.pt

É muito apito

Finalmente, alguém apita. Um ensurdecedor arrazoado de cigarras, a penetrar fino e profundo no silêncio da gente instalada. A coisa está a aquecer. Sempre quando o tempo aquece as cigarras assobiam. Por cá alguns irão continuar a assobiar para o lado, a tentar não ver. Mas esta malta, dá-me esperança.
Depois, os telejornais fazem a doutrina do regime. Mostram os estudantes que não querem pagar as propinas em carros de gama alta tentando justificar o injustificável. O ensino público deve ser tendencialmente gratuito à custa dos impostos que pagámos. Atenção! Nós (alguns) já pagámos (no passado). O que o Governo terá de fazer (no futuro) é fazer pagar quem não paga. Agora, depois de se ter pago, paguem, se fazem favor, o ensino de quem está a estudar. Mais, se acham que os estudantes já são das classes mais beneficiadas, façam o favor de lhes dar luta, aumentem-lhes os impostos sem piedade. Reduzam o fosso e se tiver de haver menos dos carros de alta gama, nada se perderá. Se 40% não chegar, subam para 50%. Mas é contra a natureza da Dra MFL, pois é... E o resto, a concordância dos ricos para pagarem as propinas, mais não é do que uma atitude de assobiar para o lado, tentando continuar a não pagar os tais impostos...sempre fica bem mais barato e a Dra é amiga deles, portanto, nada de agitar. Lá vão assobiando e rindo!

Correio: fernandobatista@netcabo.pt

As duas vias

Hoje finalmente, as coisas parecem mais claras. A Dra Manuela Ferreira Leite, explicou-se bem. Afinal há duas vias, a dela com redução da despesa, redução do Estado e a dos outros que ela acha que está errada. Assim, talvez as coisas fiquem mais fáceis: queremos segurança social ou cada um que se segure, queremos serviço nacional ou seguro individual de saúde, queremos ensino público ou aprende cada um por sua conta, etc, etc. Mas já agora era bom que a coisa fosse posta assim aos eleitores. Não lhes perguntem se querem pagar menos impostos, a pergunta é querem tomar conta de tudo isso à vossa custa (cada um por si) ou viverem mais seguros. A opção pode ser sempre pela insegurança no trabalho, na saúde, no ensino. Uma insustentável alegria pelo risco de estar só no mundo, sem os outros nossos pareciros de jornada e um prazer danado de lhes dar umas caneladas rumo à sobrevivência. O meu voto é contra!

Correio: fernandobatista@netcabo.pt

terça-feira, novembro 04, 2003

Já não há gratidão no mundo

Farto da ausência de notícias, fui à procura delas no Granma International

Iraq: Conmoción y pavor

POR JORGE MARTÍN BLANDINO, del diario Granma

Bajo este título pudiera escribirse sobre los devastadores golpes aéreo-coheteriles a que fue sometido Iraq a comienzos de año, uno de ellos bautizado por Estados Unidos con igual nombre. Este no deja duda acerca del objetivo principal que perseguían con los 780 cohetes crucero y las 23 mil bombas lanzados contra todo tipo de objetivos, incluidos mercados, viviendas, conductoras de agua y otras instalaciones vitales para la población.

Un tercio de los soldados encuestados recientemente dijo estar desanimado y la mitad señaló que probablemente deje las fuerzas armadas.

Para reforzar el propósito de aterrorizar a los iraquíes y quebrantar su voluntad de resistencia, antecedió y después acompañó a esos ataques una campaña de brutales amenazas y falsas promesas mediante millones de octavillas y centenares de horas de transmisiones de radio y televisión.

Pero no es ese el tema central de estas líneas. Su propósito es reflexionar sobre los efectos psicológicos que los medios de combate infinitamente más modestos de la resistencia iraquí, junto a las continuas muestras de rechazo de ese pueblo, vienen provocando en las tropas de ocupación norteamericanas.

"Entre los soldados hay muchos frustrados y con miedo". "Hemos tenido ataques en los que niños nos han tirado granadas. Y si no puedes confiar en un niño, ¿en quién vas a confiar?". Así declaró a la prensa hace pocos días Camilo Mejía, jefe de una escuadra de la Infantería de Marina norteamericana destacado en Iraq, según reporta la agencia alemana DPA. El joven militar también afirmó que se sienten "solos y exhautos".

Ante declaraciones como estas llama la atención que a finales de junio Donald Rumsfeld, secretario de Defensa norteamericano, restó importancia a estos ataques. En sintonía con tal opinión, el teniente general Ricardo Sánchez, jefe de las tropas norteamericanas en Iraq, afirmó que el nivel de bajas que estaban sufriendo no era significativo.

No sé si estos señores piensan así actualmente, pero es casi seguro no tienen igual criterio gran parte de los más de 130 mil soldados norteamericanos desplegados en Iraq o los que saben pueden ser enviados a ese país en cualquier momento.

A los efectos de las estadísticas del Pentágono, puede que un muerto diario más o menos sea una cifra poco preocupante. Sin embargo, si las declaraciones de estos personeros son sinceras, están subvalorando el impacto psicológico en sus tropas de las constantes noticias sobre nuevos ataques. Quienes son permanentes aspirantes a ponerle su nombre a una de esas bajas "nada significativas", parten de una lógica muy diferente a la de Rumsfeld y Sánchez.

No es difícil imaginar cómo deben sentirse el marine Mejía y sus colegas, embarcados por su Gobierno en una aventura bélica a la que no ven objetivos ni final. Son decenas de miles de hombres y mujeres obligados a vivir en condiciones adversas y en un país donde casi pueden tocar el odio de sus habitantes. Como ha confesado el ya mencionado general Sánchez, "eso los vuelve nerviosos y a veces también agresivos". Ello explica la facilidad con que aprietan el gatillo.

Recientemente AFP informó que Human Rights Watch, organización nada sospechosa de ser antinorteamericana, tiene confirmada la muerte de al menos 94 civiles iraquíes solamente en Bagdad, a manos de soldados yankis "en circunstancias legales cuestionables".

Pero las víctimas no se limitan a los civiles asesinados o a los soldados yankis que pierden la vida o resultan heridos debido a las acciones de la resistencia. A ellas se suma, además de los accidentes, las enfermedades y otras causas, el creciente número de militares norteamericanos que acuden al suicidio para librarse de la pesadilla a que los ha llevado el ansia de hegemonía mundial de sus gobernantes, la que además ha obligado a enviar de regreso a Estados Unidos a alrededor de medio millar de efectivos aquejados de trastornos mentales.

Así acontecen las cosas en un interminable círculo vicioso. Cada día crecen no solo la conmoción y el pavor entre las tropas ocupantes, sino también sus crímenes. El principal resultado es un mayor rechazo, odio y deseos de venganza en la población iraquí, que se traducen en más acciones de la resistencia con las consiguientes nuevas bajas de soldados estadounidenses. Ello a su vez multiplica el temor y la agresividad de los invasores, con lo que el escenario queda listo para iniciar un nuevo ciclo de muerte y destrucción.

El Gobierno de Estados Unidos es el único responsable de haber dado el impulso inicial a esa terrible noria que mata diariamente tanto a iraquíes como a norteamericanos. No conforme con ello, acelera irresponsablemente cada vez más su tenebroso giro.

Esa es la triste realidad del presente, pero a la vez confirma que tarde o temprano el pueblo iraquí obligará al imperio a detener su terrible espiral de crímenes y abandonar Iraq incondicionalmente.


E vamos lá a ver se ainda um destes dias não serão atacados com as terríveis armas de destruição que foram a justificação da invasão. Foram, não foram? Ao menos dessa devem estar livres, os pobres libertadores. Os libertados é que são uns ingratos. Árabes sem pincípios...


Correio: fernandobatista@netcabo.pt

segunda-feira, novembro 03, 2003

Os dias passam

E é como se nada estivesse a acontecer. O orçamento vai andando. Os GNR estão quase a andar para o Iraque. O hospital vai estando na mesma, quando devia andar. E nós ficamos na margem a assistir. Podia ao menos haver um pôr do sol digno de ser visto e não esta mediocridade de tempo.
Que tédio!

Correio: fernandobatista@netcabo.pt